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8 de maio de 2026

Ecossistema em Expansão: parcerias estratégicas projetam inovação além das fronteiras

Por: Camila Cultri

A agenda da Profa. Dra. Camila Cultri no estado do Paraná no mês de abril, evidenciou de forma integrada, como a cooperação institucional, a infraestrutura tecnológica e a articulação cultural podem atuar conjuntamente na consolidação de um ecossistema de inovação robusto e orientado ao impacto regional e latino-americano.

Em Foz do Iguaçu, a pesquisadora — diretora da InovaLatina e gestora de inovação da Unidade EMBRAPII do Instituto de Física de São Carlos IFSC/USP — participou de uma imersão estratégica articulada pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).

Participaram do encontro atores estratégicos do ecossistema de inovação, incluindo o diretor da UNIHUB, Prof. Dr. Eduardo Dechechi, Dalila Cristina Netto Sella e a Profa. Kátia Punhagui, docente e Pró-Reitora Adjunta de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, onde lidera o Núcleo de Inovação Tecnológica e Social (NIT-UNILA) e o grupo de pesquisa Sustentabilidade e Inovação (SINOVA), além de equipes técnicas especializadas em transferência de tecnologia.

O encontro teve como eixo central o fortalecimento das conexões entre Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), destacando o papel da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) como instrumento de política pública voltado à redução de riscos tecnológicos e à ampliação do acesso a recursos para projetos inovadores.

A Embrapii atua como uma organização social supervisionada pelo governo federal, atualmente, está vinculada principalmente ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e ao Ministério da Educação.

Como resultado, a missão consolidou avanços na construção de parcerias institucionais e no alinhamento de estratégias entre diferentes agentes de inovação.

A sinergia entre NITs, universidades, Embrapii IFSC, Itaipu Parquetec, Iguassu Valley, UNIHUB, organizações como o CLAEC e políticas públicas como a EMBRAPII aponta para um modelo de desenvolvimento baseado na colaboração, capaz de gerar impacto científico, tecnológico, cultural e social de forma sustentável na América Latina.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

8 de maio de 2026

USP estabelecerá centro em São Carlos para avançar com ciências e tecnologias quânticas – Investimento será de R$ 30 milhões

Créditos da imagem – “Physics World”

Por muitas décadas, cientistas conseguiram prever que os chamados fenômenos quânticos poderiam ser usados para armazenar, lidar e manipular informações e, com isso, melhorar de forma radical a forma de se fazer comunicação, ou mesmo detectar fenômenos quase imperceptíveis de outras formas.

Isso foi uma grande promessa até muito recentemente, quando, de fato, as ciências mostraram que os fenômenos quânticos poderiam ser colocados como atores principais na evolução de tecnologias importantes, com grandes vantagens sobre as equivalentes existentes hoje, e que operam diferentemente sem recorrerem de forma determinante a tais propriedades.

Descobrir estas possibilidades, em que propriedades quânticas de átomos e elétrons podem ser usadas para armazenar e processar informações, criou uma enorme oportunidade para uma verdadeira revolução nas tecnologias mais importantes que temos hoje em dia.

Para que possamos levar adiante estas maravilhas que estão ocorrendo em todo o mundo e para que possamos tornarmo-nos parte do elenco deste desenvolvimento, é preciso ter um bom entendimento desta disciplina e contar com laboratórios capazes de lidar com luz e átomos, a ponto de terem um bom controle dessas entidades fundamentais para esta nova revolução tecnológica.

A Universidade de São Paulo tem grande competência em tudo isto e possui um dos mais completos grupos de laboratórios, dominando todas estas temáticas necessárias para que possa ser relevante neste tema específico tanto em nível experimental quanto teórico.

Para aproveitar esta oportunidade, a USP anunciou a criação do Centro de Excelência em Ciências e Tecnologias Quânticas, que será instalado na Área-2 do Campus USP de São Carlos, exatamente para avançar a ciência e a tecnologia quânticas, investindo, de forma própria, mais de R$ 30 milhões, iniciativa da USP em ciência e tecnologia quântica que será lançada oficialmente em breve mediante aprovação do Conselho Universitário.

Composto por mais de 20 laboratórios e com a participação de pesquisadores distribuídos por toda a USP, o Centro tem o propósito de, através desse investimento:

Fortalece e conjugar as competências da USP;

Fortalecer as iniciativas, criando melhor infraestrutura;

Criar laboratórios didáticos para formar os recursos humanos necessários;

Fortalecer a USP como um ponto de referência no Brasil;

Construir uma forte colaboração internacional com os líderes mundiais e;

Criar o Ecossistema – USP, necessário para o crescimento da área, traduzida em empresas cooperando com a universidade.

Equipe do Centro de Excelência em Ciências e Tecnologias Quânticas: um grupo de pesquisadores olhando para o mesmo futuro

Com estes propósitos e adicionando o de criar um ensino robusto no tema para que todas as áreas possam florescer e fornecer recursos humanos para as novas empresas que nascerão neste tema, o Centro realizou no último dia 18 de abril do corrente ano seu primeiro encontro preparatório – https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/pesquisadores-da-usp-sao-carlos-dao-primeiro-passo-para-inicio-do-funcionamento-do-centro-de-excelencia-em-ciencias-e-tecnologias-quanticas/ -, que através de um dia inteiro de discussões já revelou o peso que deverá ter neste tema para o Brasil e além de nossas fronteiras.

Os responsáveis por este centro já começam a organizar as ações nas linhas tradicionais do tema, como Comunicação Quântica, Computação Quântica, Simuladores Quânticos e Materiais Quânticos, bem como as linhas derivadas e suas aplicações na agricultura, biologia, instrumentação, e em outras áreas de grande relevância.

A equipe que cuida do Centro já se mobiliza para fazer a diferença, preparando-se para se tornar pioneira em diversas frentes no país.

A nova revolução das tecnologias quânticas

Para o Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, docente e pesquisador do IFSC/USP, e membro do Centro, a humanidade vive hoje em um cenário completamente distinto do que há 100 anos. A expectativa de vida aumentou enormemente, assim como os confortos da vida moderna, inimagináveis no início do século passado. Essa evolução tecnológica, especialmente ao longo do século XX — período em que houve mais desenvolvimento do que em todos os séculos anteriores somados — decorre de um marco científico excepcional: o decifrar da estrutura da matéria com a teoria quântica e a relatividade. A partir desse entendimento, tornou-se possível produzir materiais artificiais, sintetizar fármacos, criar sistemas de diagnóstico e terapias, e desenvolver computadores. “Avanços em informática, telecomunicações, energia, inteligência artificial e saúde estão enraizados nesses fundamentos”, destaca o cientista.

É nesse sentido que, para o pesquisador, uma nova revolução está em curso. “Ela se baseia na exploração de fenômenos quânticos que desafiam nossa intuição, que é moldada por experiências no mundo macroscópico. Embora a maioria das tecnologias atuais tenha origem na teoria quântica, seu funcionamento pode frequentemente ser descrito pela física clássica. Isso ocorre na chamada computação clássica, baseada em bits 0 e 1 associados à presença ou ausência de sinais elétricos ou magnéticos. Na computação quântica, por outro lado, os mecanismos de processamento e armazenamento são radicalmente diferentes”.

Entre os fenômenos centrais dessa nova era destacam-se o tunelamento, o emaranhamento e a superposição de estados. O tunelamento pode ser entendido por uma analogia simples: no mundo clássico, se lançamos uma bola de tênis contra um muro sem energia suficiente para ultrapassá-lo, ela será refletida. No mundo quântico, entretanto, existe uma probabilidade de que a “bola” atravesse o muro, como se passasse por dentro dele. Esse efeito, embora contraintuitivo, é real e já é explorado em dispositivos eletrônicos modernos, como diodos tunelamento e transistores em nanoescala.

O emaranhamento é ainda mais intrigante. “Podemos imaginar duas pessoas que combinam que, sempre que uma usar um lenço verde, a outra usará um lenço vermelho. Se encontrarmos uma delas com um lenço verde, saberemos imediatamente que a outra está com um lenço vermelho, mesmo que esteja muito distante. Essa analogia ilustra a ideia de correlação, mas, no caso quântico, o fenômeno é mais profundo: as propriedades das partículas não estão necessariamente definidas antes da medição. Em sistemas emaranhados, como pares de elétrons ou fótons, os resultados das medições estão fortemente correlacionados de uma forma que não pode ser explicada por propriedades previamente determinadas” destaca o Prof. Osvaldo. Assim, ao medir uma partícula, obtém-se instantaneamente um resultado correlacionado para a outra, independentemente da distância — embora isso não permita transmitir informação mais rápido que a luz. Esse tipo de correlação é a base de aplicações em comunicação segura e novas formas de processamento de informação.

Já a superposição de estados pode ser ilustrada com uma estante de duas prateleiras. No mundo clássico, um livro só pode estar na prateleira de cima ou na de baixo, como um bit que assume 0 ou 1.

No mundo quântico, o livro poderia estar em uma combinação desses estados, como se estivesse simultaneamente associado às duas prateleiras. Isso significa que a informação pode ser codificada de maneira muito mais rica do que no sistema binário tradicional, ampliando enormemente o potencial de processamento.

“Explorar esses fenômenos não é trivial. Requer controle extremamente preciso de sistemas quânticos, instrumentação sofisticada e avanços teóricos contínuos. Criar e manter estados emaranhados, por exemplo, ainda é um desafio significativo, o que faz com que muitas aplicações estejam em estágio inicial de desenvolvimento.

Mesmo assim, as perspectivas são extraordinárias. As aplicações mais relevantes concentram-se em três áreas. Na computação quântica, sistemas baseados em qubits — que exploram superposição e emaranhamento — podem resolver problemas intratáveis para computadores clássicos, como a simulação de sistemas moleculares complexos, a otimização em larga escala e certos desafios criptográficos. Nesse contexto, surge também a área de aprendizado de máquina quântico, na qual algoritmos quânticos podem acelerar tarefas de aprendizado de máquina, enquanto técnicas de inteligência artificial são essenciais para calibrar dispositivos quânticos, corrigir erros e interpretar grandes volumes de dados experimentais”, pontua o professor.

Na comunicação quântica, o uso controlado de estados quânticos permite implementar protocolos de segurança baseados nas leis da física, como a distribuição de chaves criptográficas, além da criação de redes quânticas. No sensoriamento quântico, a extrema sensibilidade desses sistemas permite medições de precisão sem precedentes de grandezas físicas, com aplicações que vão do diagnóstico médico à navegação e à exploração de recursos naturais.

Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior (IFSC/USP)

“Diante dessas perspectivas, torna-se essencial que instituições como a Universidade de São Paulo (USP) atuem de forma estratégica. A iniciativa recém-lançada pela USP dedicada à ciência e tecnologia quântica não é apenas um sinal de prestígio, mas uma necessidade para manter a competitividade científica do país. A área já avança em direção à implementação tecnológica, com investimentos robustos em centros internacionais, e a ausência de coordenação poderia levar à dispersão de esforços. A USP já possui competências consolidadas em áreas como física, engenharia, ciência dos materiais e computação, ainda que distribuídas. A iniciativa permitirá integrar essas capacidades, criando massa crítica em um campo essencialmente interdisciplinar. Além disso, contribuirá para atrair e reter talentos, especialmente em uma área que exige formação híbrida entre física, engenharia e ciência de dados”, pontua o cientista, destacando que existem também implicações estratégicas mais amplas. Tecnologias como comunicação e criptografia quânticas impactam a segurança e a soberania tecnológica. “Do ponto de vista econômico, espera-se a criação de novos setores e startups, atuando como elo entre academia, indústria e iniciativas em inteligência artificial, promovendo inovação”, salienta.

Osvaldo Novais de Oliveira Junior enfatiza que é importante reconhecer que a maioria das aplicações práticas atuais — especialmente em monitoramento ambiental, saúde e agricultura — ainda se baseia em sensores clássicos, já estabelecidos e integrados a sistemas reais. Assim, o avanço do sensoriamento quântico não ocorrerá de forma isolada, mas em forte interação com essas tecnologias consolidadas. “Para uma iniciativa em tecnologias quânticas, essa integração é essencial: por um lado, permite identificar problemas reais nos quais sensores quânticos possam oferecer ganhos concretos, como maior sensibilidade ou novas modalidades de medição; por outro, viabiliza o desenvolvimento de sistemas híbridos, nos quais sensores quânticos complementam — e não substituem — os sensores clássicos, combinando robustez, escalabilidade e baixo custo. Essa aproximação também facilita a validação em ambientes reais e acelera a transferência de tecnologia, aumentando as chances de impacto”.

O cientista são-carlense sublinha, também, que a ciência quântica ocupa a fronteira do conhecimento, conectando questões fundamentais a aplicações disruptivas. “A USP reúne condições únicas na América Latina para liderar esse movimento, desde que atue de forma coordenada. Em síntese, espera-se que a iniciativa da USP em ciência e tecnologia quântica traga ganhos em competitividade, formação de talentos, soberania e impacto. Sem essa estrutura integrada, contribuições relevantes tendem a permanecer isoladas; com ela, abre-se a possibilidade de protagonismo no cenário científico e tecnológico global”, finaliza o pesquisador.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

8 de maio de 2026

Concerto de cordas e piano no CDCC – Experiência cultural envolvente e de grande sensibilidade artística.

No final da tarde do último dia 28 de abril, o CDCC recebeu um belíssimo concerto musical de cordas e piano apresentado por alunos e professores do Centro Suzuki São Carlos e coordenado pela Profa. Araceli Hackbarth.

Com um repertório clássico cuidadosamente selecionado, a apresentação encantou o público presente — cerca de cem espectadores —, proporcionando uma experiência cultural envolvente e de grande sensibilidade artística.

O concerto marca o início de uma série de eventos culturais que serão realizados ao longo do ano no CDCC, reafirmando o compromisso do Centro com a promoção e a difusão da cultura em diálogo com a ciência.

 

 

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de maio de 2026

Pós-doutorado no Instituto de Física da USP (IFUSP) em Física de Materiais

Estão abertas candidaturas para uma Bolsa de Pós-Doutorado USP–CNPEM no projeto: Estrutura Eletrônica de Compostos de Metais de Transição: Espectroscopia de Raios-X, Simulação Ab Initio e Aprendizado de Máquina

O projeto será desenvolvido sob orientação da Profa. Dra. Helena Petrilli (IFUSP) e coorientação do Dr. Tulio Rocha (LNLS/CNPEM).

Sobre o projeto:

O projeto investiga a física de compostos de metais de transição, combinando modelagem computacional avançada  e validação através de experimentos de espectroscopia de raios-X de alta resolução realizados em colaboração com pesquisadores da linha IPÊ do sincrotron Sirius.

Além das abordagens tradicionais baseadas em DFT e DMFT, o projeto incorpora técnicas modernas de aprendizado de máquina para acelerar e aprofundar a interpretação de espectros XAS e RIXS.

O objetivo é compreender como a estrutura eletrônica influencia as excitações elementares e as propriedades emergentes desses materiais, integrando teoria, experimento e inteligência artificial em um fluxo unificado de análise e predição.

Principais atividades
• Modelagem da estrutura eletrônica via métodos ab initio;
• Simulação teórica de espectros de raios-X (XAS e RIXS);
• Desenvolvimento e aplicação de modelos de aprendizado de máquina para espectroscopia;
• Comparação entre resultados experimentais e simulações teóricas;
• Colaboração com experimentos de espectroscopia de raios-X no Sirius;
• Análise de dados e interpretação física dos resultados;

Requisitos
• Doutorado em Física, Ciência dos Materiais ou áreas afins;
• Experiência com códigos de estrutura eletrônica, tais como WIEN2k, RSPT, CASTEP, VASP e Quantum ESPRESSO;
• Desejável experiência em aprendizado de máquina ou ciência de dados aplicada a materiais;
• Experiência prévia com simulação de espectros XAS/RIXS será um diferencial;
• Disponibilidade para atividades em São Paulo (USP)  e eventuais visitas a Campinas;

Prazo para candidatura: 17 de Maio de 2026

Bolsa: Conforme tabela vigente de pós-doutorado (USP/CNPEM) – R$12.000,00 por mês.

Documentos:
• CV Lattes;
• Carta de motivação;
• Indicação de nome e e-mail de duas pessoas de referência para contacto.

Envio para: hmpetril@usp.br e tulio.rocha@lnls.br

Informações disponíveis em https://portal.if.usp.br/carreiras/pt-br/node/2427 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de maio de 2026

Novo sensor brasileiro pode melhorar diagnósticos e controle de medicamentos – Pesquisa liderada por pesquisadores da UNESP e IFSC/USP

(Créditos – “Shutterstock”)

Um estudo recente, conduzido por pesquisadores da UNESP e da USP e financiado pela FAPESP, apresentou uma tecnologia que pode trazer impactos diretos à saúde e ao bem-estar da população. Trata-se de um sensor capaz de identificar, com rapidez e precisão, substâncias importantes presentes em medicamentos e no organismo humano, como a N-acetilcisteína* e a L-cisteína**.

Na prática, isso significa que exames laboratoriais podem se tornar mais simples, rápidos e acessíveis. Hoje, a análise dessas substâncias costuma exigir equipamentos caros e processos demorados. Com o novo sensor, a tendência é reduzir custos e facilitar o acesso a diagnósticos, especialmente em regiões com menos infraestrutura de saúde.

Outro benefício importante é o acompanhamento de tratamentos médicos. A tecnologia pode ajudar profissionais de saúde a monitorar com mais precisão a quantidade de medicamentos no organismo dos pacientes, ajustando as doses de forma mais segura e eficaz. Isso reduz os riscos de efeitos colaterais e aumenta as chances de sucesso dos tratamentos.

O avanço também tem potencial para aprimorar o controle de qualidade dos medicamentos. Indústrias farmacêuticas e órgãos reguladores poderiam usar esse tipo de sensor para verificar, de forma mais rápida, se os produtos estão dentro dos padrões exigidos, garantindo maior segurança aos consumidores.

Além da área da saúde, a tecnologia também pode ser aplicada a análises ambientais. Substâncias semelhantes às estudadas também ocorrem em processos industriais e podem impactar o meio ambiente. Detectá-las com facilidade ajuda a prevenir contaminações e a melhorar a fiscalização ambiental.

Os pesquisadores destacam ainda que o material utilizado no sensor é relativamente simples de produzir, o que aumenta as chances de aplicação em larga escala no futuro. Isso abre caminho para soluções mais baratas e eficientes, com impacto positivo tanto nos sistemas públicos de saúde quanto na indústria.

Em resumo, a inovação pode contribuir para diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais seguros e maior controle sobre os medicamentos e o meio ambiente — benefícios concretos que aproximam a ciência do dia a dia da sociedade.

A pesquisa foi desenvolvida por Devaney Ribeiro do Carmo (primeiro autor), Alexsandro dos Santos Felipe, Murilo Santos Peixoto, Fábio Simões de Vicente e Pablo Colofatti Soto, todos da UNESP (campi de Ilha Solteira e Rio Claro), e por Valmor Roberto Mastelaro (IFSC/USP).

*A N-acetilcisteína (NAC) é um composto derivado da L-cisteína. Atua principalmente como antioxidante e como precursor da glutationa, ajudando a proteger as células. Também é usada como medicamento para fluidificar o muco e no tratamento de intoxicação por paracetamol.

**A L-cisteína é um aminoácido que contém enxofre e participa da formação de proteínas. É importante para a estrutura dos tecidos (como a pele e o cabelo) e também contribui para a produção de antioxidantes no organismo.

Confira AQUI o original deste estudo.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de maio de 2026

Equipe da EMBRAPII Biofotônica e Instrumentação do IFSC/USP realiza visita técnica ao Hospital Escola HU-UFSCar

O coordenador da EMBRAPII em Biofotônica e Instrumentação do Instituto de Física de São Carlos, Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, juntamente com membros de sua equipe — Profa. Dra. Kate Cristina Blanco, Dra. Camila Cultri, Dra. Fernanda M. Carbinnato e Dr. Antonio Aquino — realizou, no dia 20 de março, uma visita técnica ao Hospital Universitário da UFSCar.

A agenda teve como objetivo promover o diálogo institucional e identificar oportunidades de cooperação em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), com foco na aplicação de tecnologias na área da saúde.

Durante o encontro, foram discutidas possibilidades de projetos conjuntos voltados ao desenvolvimento de soluções tecnológicas com potencial de impacto direto na qualidade dos serviços hospitalares, especialmente no contexto de tecnologias emergentes e transformação digital.

A iniciativa reforça a importância da integração entre universidades, centros de pesquisa e hospitais universitários como estratégia para impulsionar a inovação em saúde e ampliar a transferência de conhecimento científico para a sociedade.

A atuação da EMBRAPII no IFSC/USP segue alinhada ao fortalecimento de parcerias estratégicas e ao desenvolvimento de soluções inovadoras que contribuam para a eficiência e sustentabilidade do sistema de saúde.

Fonte: Camila Cultri

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

6 de maio de 2026

Câncer de pâncreas – Novo dispositivo pode revolucionar a detecção precoce da doença

(Créditos – University of Oxford)

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), dentro do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência dos Materiais da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP), em colaboração com pesquisadores vinculados à Escola de Medicina da USP Ribeirão Preto e ao Departamento de Física da Universidade Federal do Amazonas, desenvolveram uma tecnologia promissora que pode transformar o diagnóstico do câncer de pâncreas — uma das doenças mais letais justamente por ser descoberta, na maioria das vezes, em estágios avançados. A novidade é um sensor relativamente de construção simples, modo rápido e de baixo custo, e que é capaz de identificar sinais precoces da doença em poucos minutos.

O método utiliza um pequeno dispositivo preparado para reconhecer uma substância específica presente no organismo de pacientes com esse tipo de câncer. Ao entrar em contato com uma amostra de sangue, o dispositivo reage e indica, em cerca de 10 minutos, a presença desse marcador, permitindo uma análise quase imediata.

Testado com amostras reais de pacientes, o novo exame apresentou resultados animadores, especialmente na identificação de casos em fases iniciais e intermediárias. Isso representa um avanço significativo, já que o diagnóstico precoce é um dos principais fatores que aumentam as chances de tratamento bem-sucedido.

Impactos diretos para a população

Para a população, os benefícios são claros e potencialmente transformadores. O primeiro deles é o acesso ampliado ao diagnóstico. Por ser uma tecnologia mais simples e barata, o exame pode chegar a unidades básicas de saúde e regiões com menos infraestrutura, democratizando o acesso a testes que hoje dependem de laboratórios mais complexos.

Outro ponto fundamental é a rapidez no resultado. Diferentemente de exames tradicionais, que podem levar dias, o novo método permite respostas em poucos minutos, reduzindo, por isso, a ansiedade dos pacientes e acelerando o encaminhamento para tratamento, quando necessário.

Há ainda um ganho importante em termos de prevenção e monitoramento. Pessoas com histórico familiar e fatores de risco poderiam realizar o exame com mais frequência, aumentando as chances de detectar a doença antes que ela avance. Na prática, isso pode significar mais vidas salvas e tratamentos menos agressivos.

Além disso, a possibilidade de um exame menos invasivo, realizado a partir de uma simples coleta, tende a aumentar a adesão da população, já que elimina barreiras comuns, como medo ou dificuldade de acesso a procedimentos mais complexos.

Vantagens para médicos e outros profissionais de saúde

(Créditos – Rocky Mountain Gastroenterology)

Para os especialistas, a nova tecnologia também representa um avanço relevante. Um dos principais ganhos é a agilidade na tomada de decisão clínica. Com resultados quase imediatos, médicos podem avaliar rapidamente a necessidade de exames complementares ou iniciar investigações mais detalhadas sem demora.

O sensor também pode funcionar como uma ferramenta de triagem eficiente, ajudando a identificar quais pacientes precisam de acompanhamento mais rigoroso. Isso otimiza o uso de recursos hospitalares e evita a sobrecarga de exames mais caros e demorados.

Outro benefício importante é o monitoramento da evolução da doença. Como o exame é simples e pode ser repetido com facilidade, ele permite acompanhar a resposta do paciente ao tratamento de forma mais frequente, ajudando os médicos a ajustar terapias com maior precisão.

A tecnologia ainda abre caminho para uma medicina mais personalizada, já que a análise contínua dos marcadores no sangue pode oferecer um retrato mais detalhado da condição de cada paciente ao longo do tempo.

Um passo importante para o sistema de saúde

Do ponto de vista coletivo, a inovação pode trazer impactos significativos para o sistema de saúde. Com diagnósticos mais precoces, há uma tendência de redução de custos com tratamentos complexos, que geralmente são necessários em fases avançadas da doença.

Além disso, a adoção de tecnologias como essa pode contribuir para diminuir desigualdades no acesso à saúde, especialmente em países como o Brasil, onde há grandes diferenças regionais na oferta de exames especializados.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que o dispositivo ainda precisa passar por etapas adicionais antes de chegar ao uso amplo.

Mesmo assim, o estudo aponta um caminho claro: o uso de tecnologias simples, rápidas e acessíveis pode ser decisivo para enfrentar doenças graves de forma mais eficaz.

Confira AQUI o artigo original desta pesquisa.

(Créditos das imagens na home – “Pancreatic Cancer Action Network” / “University of Oxford”)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

6 de maio de 2026

Em reunião – Diretor do CDCC apresenta as atividades desenvolvidas ao Pró-Reitor de Cultura e Extensão Universitária

Professores Amâncio Jorge de Oliveira e Fernando Fernandes Paiva

No último dia 30 de abril, o Diretor do CDCC – Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP, Prof. Dr. Fernando Paiva, participou de uma reunião na Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da Universidade de São Paulo com o Prof. Amâncio Jorge de Oliveira, Pró-Reitor de Cultura e Extensão.

Na circunstância, foram apresentadas as atividades desenvolvidas pelo CDCC, destacando seu papel na promoção da ciência, da cultura e da educação, bem como os principais desafios enfrentados pela unidade.

Também foram discutidas perspectivas de atuação conjunta entre o CDCC e a PRCEU, reforçando a importância de fortalecer parcerias institucionais que ampliem o alcance das ações de cultura e extensão universitária.

O CDCC segue confiante de que esse diálogo contribuirá para a construção de iniciativas cada vez mais integradas e impactantes para a sociedade.

 

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

6 de maio de 2026

Unidade EMBRAPII IFSC/USP intensifica prospecção na Agrishow 2026 e amplia conexões com o ecossistema de inovação

Por: Camila Cultri

A Unidade EMBRAPII do Instituto de Física de São Carlos realizou uma série de atividades estratégicas de prospecção e aproximação durante a “Agrishow 2026, ocorrida entre os dias 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto.

Em sua 31ª edição, a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina reuniu empresas, startups, investidores e instituições de pesquisa, apresentando inovações, maquinários e tendências voltadas ao agronegócio.

As atividades concentraram-se no “Agrishow Lab”, localizado na Arena de Tecnologia e Inovação. O ambiente foi concebido para promover a conexão direta entre startups (agtechs), hubs de inovação e parceiros estratégicos com produtores rurais e investidores.

Entre os principais atores presentes no espaço, destacam-se iniciativas vinculadas ao Supera Parque de Inovação e Tecnologia, ao Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos, ao Sebrae, ao Sebrae for Startups e à PwC AgTech Innovation.

Durante a feira, a equipe da Unidade EMBRAPII IFSC USP realizou visitas direcionadas a empresas de base tecnológica, incluindo startups incubadas e vinculadas a hubs de inovação.

O objetivo central foi a disseminação do modelo EMBRAPII, com ênfase na identificação de oportunidades de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

As interações evidenciaram que diversas agtechs e biotechs já desenvolvem soluções tecnológicas avançadas, mas ainda apresentam lacunas no conhecimento sobre mecanismos de fomento disponíveis para apoiar o desenvolvimento de seus projetos.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

4 de maio de 2026

“Panorama Cerrado” – Jogo gratuito transforma usuários em exploradores do bioma mais ameaçado do Brasil

Explorar o Cerrado brasileiro, registrar espécies e ainda aprender sobre biodiversidade de forma interativa, essa é a proposta do “Panorama Cerrado”, um jogo educativo gratuito para PC que convida o público a vivenciar uma experiência imersiva no segundo maior bioma da América do Sul.

Desenvolvido pelo Espaço Interativo de Ciências (EIC/CIBFar/IFSC/USP), com recursos financeiros da FAPESP, o jogo combina entretenimento e educação em um formato inovador, denominado “GameTur”. A proposta vai além do jogo tradicional: o usuário pode escolher entre participar de uma missão investigativa ou simplesmente passear virtualmente pelo Cerrado, explorando suas paisagens, espécies e curiosidades.

No modo “Jogo”, o usuário assume o papel de um produtor de documentários. Sua missão é percorrer diferentes ambientes do Cerrado, registrar imagens da fauna e flora e, ao final, produzir um documentário com as cenas captadas durante a jornada. A experiência é guiada por objetivos que orientam a exploração e estimulam a observação científica.

Para apoiar essa jornada, o jogo oferece ferramentas interativas como um caderno com informações sobre as espécies, um mapa para localização no ambiente, um sistema de objetivos e um espaço para armazenar as gravações realizadas. A narrativa é conduzida por um especialista virtual, que introduz o jogador aos aspectos gerais do bioma e orienta a exploração.

Já no modo “Passeio” a experiência é mais livre: o usuário assume o papel de um turista e pode explorar o ambiente em seu próprio ritmo, com foco na contemplação e no aprendizado, utilizando um mapa interativo que facilita a identificação de espécies.

Mais do que entreter, o “Panorama Cerrado” busca despertar a consciência ambiental, especialmente entre os jovens, ao destacar a riqueza da biodiversidade e a urgência da preservação de um dos biomas mais ameaçados do país. A proposta é aproximar o conhecimento científico da linguagem digital presente no cotidiano dos usuários, tornando a aprendizagem mais acessível e significativa.

O desenvolvimento do jogo envolveu uma equipe multidisciplinar de especialistas e estudantes das áreas de tecnologia e ciências da natureza, que realizaram visitas a campo em regiões de Cerrado próximas a São Carlos (SP). O resultado é uma representação digital que inclui modelagens 3D de espécies e diferentes fitofisionomias do bioma.

A produção utilizou ferramentas como “Unity 3D”, “Blender” e “Figma”, garantindo uma experiência interativa rica e visualmente envolvente.

O “Panorama Cerrado” está disponível para download gratuito e pode ser utilizado tanto em contextos educacionais quanto para entretenimento.

A iniciativa reforça o potencial dos jogos digitais como ferramentas de aprendizagem, estimulando habilidades cognitivas como atenção, memória e planejamento — enquanto conecta o usuário a uma das maiores riquezas naturais do Brasil.

Acesse e baixe gratuitamente AQUI.

(EIC/CIBFar/IFSC/USP)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

30 de abril de 2026

Nova tecnologia em prol da saúde pública – Novo chip promete acelerar exames médicos e reduzir custos

(Créditos – “Asia-Shutterstock”)

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), do IFSC/USP e da Colorado State University (EUA) desenvolveram uma nova tecnologia que pode transformar a forma como exames laboratoriais são realizados, tornando-os mais rápidos, baratos e eficientes.

Trata-se de um pequeno chip capaz de analisar dezenas de amostras ao mesmo em um tempo reduzido, com potencial para aplicação na área da saúde, como diagnósticos de doenças e testes de fármacos.

O dispositivo reúne, em um espaço reduzido, mais de 100 sensores microscópicos que funcionam de maneira integrada.

A inovação está no modo como esses sensores operam: eles alternam suas funções durante os testes, o que permite reduzir drasticamente a quantidade de conexões elétricas necessárias. Essa simplificação torna o chip mais compacto e fácil de produzir, além de diminuir o custo de cada sensor.

Segundo o Dr. Renato S. Lima, do CNPEM e líder da pesquisa, a tecnologia resolve um problema antigo da área: a dificuldade de concentrar muitos sensores em um único dispositivo sem aumentar a complexidade do sistema.

Com o novo método, é possível realizar análises rápidas em série — ou seja, várias medidas uma após a outra — usando equipamentos simples e portáteis.

Além de contribuir para a miniaturização do sistema, o tamanho reduzido do chip facilitou a incorporação de microcanais por onde passam pequenas quantidades de líquido, como amostras biológicas.

Dr. Renato S. Lima (CNPEM)

Esse sistema reduz o consumo de reagentes e permite automatizar etapas do exame, aumentando a precisão e diminuindo o tempo de resposta.

Nos testes realizados, o dispositivo mostrou versatilidade ao ser aplicado em diferentes situações.

Ele foi capaz de acompanhar o crescimento de células cancerígenas, identificar proteínas associadas ao vírus Mpox e medir níveis de fosfato em amostras que simulam urina humana — um indicador importante para avaliar problemas de saúde.

Outro ponto relevante é a durabilidade dos sensores. Mesmo alternando suas funções durante os testes, eles mantiveram desempenho estável, o que indica que o chip pode ser reutilizado sem perda significativa de qualidade.

Prof. Dr. Osvaldo N. Oliveira Jr. (IFSC/USP)

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que ainda há desafios a serem superados, como a automação completa do sistema para possibilitar o seu uso em larga escala.

Ainda assim, a expectativa é que a tecnologia possa, no futuro, ser integrada a equipamentos portáteis controlados por smartphones, facilitando o acesso a exames rápidos em clínicas e até em casa.

A inovação representa um passo importante rumo a diagnósticos mais ágeis e acessíveis, com potencial para impactar diretamente a medicina preventiva e o acompanhamento de doenças.

Para o Prof. Osvaldo N. Oliveira Jr., do IFSC/USP, os excelentes resultados demonstram a relevância da cooperação científica entre instituições brasileiras, como a USP e o CNPEM.

Confira artigo publicado do estudo em – https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acssensors.5c03049  

(Créditos da imagem publicada na Home – “Asia-Shutterstock”)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

29 de abril de 2026

Abertas as inscrições para o “Prêmio Capes Tese – 2026”

As inscrições para o “Prêmio Capes de Tese” estão abertas, sendo que o Edital nº 14/2026 do “Prêmio Capes de Tese – Edição 2026”, que contempla as teses defendidas em 2025, bem como as Orientações da CPG sobre à abertura das inscrições e as regras internas de seleção da CPG, estão disponíveis na página do programa no menu “Processo Seletivo” – em https://www2.ifsc.usp.br/pos/

Os interessados deverão encaminhar a documentação necessária para análise da Comissão de Pós-Graduação (CPG) até às 17:00h do dia 15/05/2026, impreterivelmente.

Dúvidas sobre o Edital nº 14/2026 da CAPES deverão ser esclarecidas por meio do e-mail: premiocapes@capes.gov.br

 

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

28 de abril de 2026

Pesquisadores da USP São Carlos dão primeiro passo para início do funcionamento do “Centro de Excelência em Ciências e Tecnologias Quânticas”

Uma parte dos pesquisadores presentes

O Campus USP São Carlos recebeu no dia 18 deste mês de abril um workshop que reuniu o time de pesquisadores da USP que realizam seus trabalhos na área de ciências quânticas, tendo em vistas o início das atividades do denominado “Centro de Excelência em Ciências e Tecnologias Quânticas”, instalado na Área-2 do Campus. O programa deste evento, que foi coordenado pelo docente e e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Vanderlei Bagnato, consistiu na apresentação dos principais laboratórios e pesquisadores inseridos no citado Centro, bem como a apresentação de propostas para o início das atividades.

Amilson Fritsch, pesquisador no Laboratório de Íons Aprisionados (IFSC/USP), considerou a importância deste encontro. “A partir daqui conseguimos ter uma noção exata de quais forças e domínios que cada participante tem para contribuir neste importante grupo de excelência, e traçar estratégias para os objetivos propostos”.

Para o docente e pesquisador da Escola de Engenharia de São Carlos (Departamento de Engenharia Elétrica – EESC/USP), Prof. Dr. Ben-Hur Viana Borges, esta é uma possibilidade de aumentar a interação com a Física, principalmente num assunto que é de interesse de todos – as tecnologias quânticas. “De fato, podemos aperfeiçoar os nossos experimentos, principalmente em aplicações. O que procuramos é buscar os conhecimentos fundamentais e tentar torna-los em produtos que possam ser utilizados plenamente pela sociedade”, pontuou o pesquisador.

Pesquisador Amilson Fritsch (Laboratório de Íons Aprisionados – IFSC/USP)

Por último, para o docente e pesquisador do Instituto de Física da USP (IFUSP), Prof. Dr. Paulo Nussenzveig, que até há bem pouco tempo desempenhou as funções de Pró-Reitor de Pesquisa e Inovação da USP, a importância deste evento foi trazer a comunidade que trabalha nas áreas de ciências e tecnologias quânticas da Universidade de São Paulo para tornar realidade de uma visão que caracterizou um dos últimos atos do anterior reitor da USP – Prof. Dr. Gilberto Carlotti Junior -, ao defender que a Universidade de São Paulo precisa ter uma presença forte numa área que é estratégica no mundo. “Temos uma ciência muito forte nessa área no Brasil e na USP, mas não temos um reduto tecnológico à altura. Assim, precisamos de investimentos que gerem sinergias na comunidade para que se possam assumir desafios de tornar essa ciência que fazemos em tecnologias que possam nos colocar numa posição de liderança mundial”, destaca o pesquisador.

Para o pesquisador, com uma competição mundial entre Estados Unidos e China na área de computação quântica, é preponderante que o Brasil busque situações em que não apenas acompanhe com atenção os movimentos que estão sendo feitos paras as tecnologias que virão no futuro, mas que o país passe a ser protagonista nesse cenário, e, segundo nosso entrevistado, na área de sensoriamento o Brasil tem essa possibilidade. “Temos recursos humanos altamente especializados, temos capacidade. Mas nós temos muitas dificuldades em termos de investimento. A visão de investir para assumir riscos no Brasil deixa bastante a desejar e o ponto é: para que se assumam riscos, precisamos ter um benefício que justifique esses riscos. Tem áreas como saúde e agricultura, em que as tecnologias quânticas vão aumentar cada vez mais a sua prevalência e, nessas áreas, dada a importância do sistema de saúde no país, a diversidade de genética na nossa população, todo o acesso que temos para ensaios clínicos, etc., temos que considerar o Brasil como um “player” importantíssimo. Já na agricultura, o nosso país é responsável por garantir segurança alimentar para a humanidade nas próximas décadas”, sublinha o pesquisador, acrescentando que o Brasil tem uma oportunidade para desenvolver tecnologias para o setor agroalimentar “E as tecnologias quânticas terão aí um papel fundamental”.

O exemplo em São Carlos

A criação de um Centro de Excelência em Ciências e Tecnologias Quânticas em São Carlos terá um impacto estratégico em múltiplas escalas — local, estadual e nacional — produzindo, igualmente, benefícios concretos e duradouros para a sociedade como um todo.

Prof. Dr. Ben-Hur Viana Borges (Departamento de Engenharia Elétrica – EESC/USP)

Para São Carlos, cidade já reconhecida como um polo científico e tecnológico, o centro consolidará ainda mais sua vocação com a Universidade de São Paulo a gerar um efeito multiplicador na economia local, com a criação de startups de base tecnológica, empregos qualificados e maior dinamismo econômico. Para a população, isso se traduziria em melhores oportunidades de trabalho, aumento de renda e melhoria na qualidade de vida, além de maior acesso a iniciativas educacionais e de divulgação científica.

Para o Estado de São Paulo, que concentra boa parte da produção científica do país, o centro reforçaria sua liderança em inovação. Agências, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), poderão ampliar investimentos estratégicos em áreas como computação quântica, sensores avançados e criptografia. Esse avanço terá reflexos diretos na sociedade: tecnologias mais eficientes na área da saúde (diagnósticos mais precisos e rápidos), melhorias em sistemas de transporte e logística, além de soluções mais sofisticadas para o monitoramento ambiental e gestão de recursos naturais. Tudo isso poderá contribuir para políticas públicas mais eficazes e melhor prestação de serviços à população.

Para o Brasil, o impacto seria ainda mais profundo. As tecnologias quânticas — baseadas em princípios como o entrelaçamento quântico e a superposição quântica — têm potencial disruptivo comparável ao surgimento da internet. Um centro de excelência permitirá ao país formar mais profissionais altamente qualificados e reduzir a dependência tecnológica externa. Para a sociedade, isso significa maior segurança de dados (inclusive em sistemas bancários e governamentais), avanços na descoberta de novos medicamentos, melhorias em modelos climáticos e maior eficiência em setores estratégicos como energia e agricultura.

Prof. Dr. Paulo Nussenzveig (Instituto de Física da USP (IFUSP)

Em termos geopolíticos, investir nesse campo significa também garantir soberania científica e tecnológica. Países que dominarem essas tecnologias terão vantagens decisivas em economia, defesa e inteligência.

Além disso, os benefícios sociais se estendem ao fortalecimento da educação e da cultura científica. A presença de um centro dessa magnitude estimula vocações, inspira jovens estudantes e amplia o interesse público pela ciência, contribuindo para uma sociedade mais informada e preparada para os desafios do futuro. A democratização do conhecimento e a integração entre universidade, setor produtivo e sociedade civil também tendem a se intensificar.

Em termos mais amplos, investir em tecnologias quânticas é investir em soberania, desenvolvimento sustentável e bem-estar coletivo. Ao posicionar São Carlos como um hub global, fortalecer São Paulo e inserir o Brasil na fronteira da inovação, o Centro de Excelência não apenas impulsionará a ciência, mas também poderá gerar impactos positivos diretos na vida das pessoas.

Em síntese, a criação do “Centro de Excelência em Ciências e Tecnologias Quânticas” na USP São Carlos não será apenas um investimento acadêmico, mas uma decisão estratégica de longo prazo, capaz de transformar a cidade em um hub global, fortalecer a liderança de São Paulo e inserir o Brasil de forma competitiva na próxima revolução tecnológica.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

24 de abril de 2026

“Ciência para todos” – Transformar alfabetização científica em política pública

Créditos – “The 74”

Um projeto articulado entre IFSC/USP e Prefeitura de São Carlos quer transformar a alfabetização científica em política pública, com uso de tecnologias imersivas, formação docente e ações em escolas, bibliotecas e museus

A aprovação do projeto “Ciência para Todos: Alfabetização Científica com Tecnologias Inovadoras”, no âmbito do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP) da FAPESP, abre uma nova frente de cooperação entre universidade, poder público e instituições culturais para qualificar o ensino de Ciências em São Carlos.

Com coordenação do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e parceria da Prefeitura Municipal de São Carlos e do Instituto Mário de Andrade (IMA), a proposta pretende transformar a alfabetização científica nos anos iniciais do ensino fundamental em uma política pública estruturada, com impacto em toda a rede e potencial de replicação em outros municípios.

Com início neste mês de abril de 2026, a proposta contará com investimento total de mais de R$ 1.900.000,00 pela FAPESP, contemplando recursos para equipamentos, materiais de consumo, serviços, bolsas e reserva técnica, em uma estrutura pensada para sustentar o desenvolvimento, a aplicação e a avaliação das ações ao longo de 48 meses, com potencial de impacto direto sobre até 6.391 estudantes em 60 unidades de ensino da rede municipal.

O projeto propõe o desenvolvimento, a implementação e a avaliação de sequências didáticas interdisciplinares contextualizadas com uso de tecnologias imersivas, jogos educativos e materiais manipulativos produzidos com impressão 3D para os cinco anos do Ensino Fundamental I, estruturadas em ciclos de diagnóstico, cocriação, experimentação, avaliação e redesenho.

Os materiais educacionais, jogos, manuais e arquivos produzidos deverão ser disponibilizados em acesso aberto, ampliando a possibilidade de replicação da política pública em outros contextos.

A proposta parte de um desafio histórico da educação básica: a necessidade de práticas mais sistemáticas, atraentes e eficazes para o ensino de Ciências nos primeiros anos de escolarização. Alinhada à BNCC, à LDB e às metas do Plano Nacional de Educação, a iniciativa pretende fortalecer o pensamento científico, crítico e criativo desde a infância.

Prof. Dr. Guilherme Sipahi – “Nosso objetivo é ajudar a consolidar uma política pública duradoura, baseada em evidências e voltada à formação de estudantes mais preparados para compreender o mundo contemporâneo”

As ações serão organizadas em três frentes principais: trabalho direto com estudantes da rede municipal em escolas e bibliotecas; formação continuada de professores por meio do Centro de Formação dos Profissionais da Educação (CEFPE); e atividades de educação não formal em espaços públicos, como bibliotecas comunitárias e o Museu de Ciência “Mario Tolentino”, envolvendo também estudantes dos anos finais do ensino fundamental, do ensino médio e o público em geral. O projeto prevê ainda a produção de materiais didáticos acessíveis, a realização de oficinas e exposições e a integração das metodologias ao currículo das escolas de tempo integral.

Para o coordenador do projeto, Prof. Dr. Guilherme Matos Sipahi, a proposta busca ampliar o acesso ao conhecimento científico de forma significativa e socialmente enraizada. “A alfabetização científica precisa começar cedo e precisa dialogar com a realidade das crianças. Quando unimos escola, universidade, bibliotecas, museus e tecnologias inovadoras, criamos condições para que a ciência seja vivida de forma concreta, crítica e criativa. Nosso objetivo é ajudar a consolidar uma política pública duradoura, baseada em evidências e voltada à formação de estudantes mais preparados para compreender o mundo contemporâneo.”

Um dos diferenciais da proposta é o modelo de construção conjunta entre pesquisadores, gestores públicos, professores e instituições culturais. Em vez de transferir soluções prontas, o projeto propõe um processo contínuo de coprodução, com diagnóstico da realidade da rede, elaboração colaborativa de materiais, formação docente, aplicação nas escolas e avaliação dos resultados. A expectativa é que esse percurso produza evidências sólidas para orientar decisões curriculares e pedagógicas permanentes, fortalecendo a relação entre pesquisa acadêmica e melhoria concreta da educação pública.

Ao comentar a iniciativa, Roselei Aparecido Françoso, vice-prefeito de São Carlos, secretário municipal de Educação e responsável da prefeitura pela realização do projeto, destaca o alcance estratégico da parceria. “Esse projeto reúne aquilo que a educação pública mais precisa neste momento: compromisso com inovação, formação de professores, diálogo com a realidade da rede e capacidade de transformar boas ideias em política pública. São Carlos tem tradição em ciência e tecnologia, e agora dá mais um passo para fazer com que esse patrimônio chegue de forma ainda mais efetiva às crianças e aos educadores da rede municipal.” A proposta prevê atuação direta da Secretaria Municipal de Educação desde a concepção até a implementação, execução e avaliação das ações, com apoio institucional, pedagógico e logístico.

Roselei Françoso (Vice-Prefeito de São Carloas) – “Esse projeto reúne aquilo que a educação pública mais precisa neste momento”

Outro eixo importante será a incorporação de elementos da Arte no desenvolvimento das ações, como estratégia de engajamento e de ampliação do aprendizado em perspectiva interdisciplinar. Nesse campo, a participação do Instituto Mário de Andrade, sob a liderança de Fátima Camargo, será essencial para aproximar práticas artísticas, cultura e alfabetização científica, especialmente no contexto das escolas de tempo integral. A proposta pretende mostrar que ciência, arte e tecnologia podem atuar de forma integrada, favorecendo experiências educativas mais sensíveis, criativas e participativas.

Nesse ponto, o Dr. Herbert Alexandre João, pesquisador associado do projeto e coordenador pedagógico do “Estúdio de Mídia, Cultura e Ciência (E=mc²)” do IFSC/USP, onde a proposta será executada, destaca a importância da mesclagem de metodologias ativas com o uso de tecnologias. Atuando na área de Ensino e Formação de Professores, Herbert afirma: “Museus, bibliotecas e escolas podem atuar de forma integrada na promoção da alfabetização científica. Quando o estudante encontra a ciência em diferentes linguagens, com experiências imersivas, jogos, objetos manipuláveis e mediação qualificada, o engajamento aumenta e a aprendizagem se torna mais significativa.” A proposta também prevê o uso de realidade virtual, realidade aumentada, recursos 2D, protótipos 3D e kits de aprendizagem para ampliar o interesse dos estudantes e apoiar o trabalho docente.

Ao fim do percurso, a expectativa é não apenas melhorar indicadores de alfabetização científica e ampliar o interesse pela ciência, mas também consolidar uma proposta de formação continuada replicável, integrar os materiais ao currículo das escolas de tempo integral e subsidiar a formulação de políticas públicas educacionais baseadas em evidências.

Em São Carlos, a iniciativa reafirma o valor da colaboração entre universidade, escola, bibliotecas, museus e gestão pública na construção de respostas inovadoras para desafios reais da educação.

Participam do projeto, além do coordenador Guilherme Matos Sipahi e de Roselei Aparecido Françoso, os pesquisadores associados Ana Karina Marmorato Gomes, Fátima Helena Sampaio Camargo Catalano, Herbert Alexandre João, Mariana de Fátima Schiabel, Nathalia Muylaert Locks Guimarães e Rafaela Marchetti, reunindo equipes do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), da Prefeitura Municipal de São Carlos e do Instituto Mário de Andrade.

O projeto está vinculado à FAPESP sob o processo nº 2025/06995-1, na linha de fomento Programas de Inovação Tecnológica / PPPP – Programa de Pesquisa em Políticas Públicas / PPPP – Chamada de Propostas (2024) – Fase 2.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

24 de abril de 2026

A ação da nanotecnologia na proteção dos alimentos – Uma parceria entre USP São Carlos e Portugal

 

Créditos – “Food Unfolded”

 

A aplicação da nanotecnologia na proteção de alimentos tem vindo a consolidar-se como uma das áreas mais promissoras da ciência contemporânea, não apenas pelos avanços tecnológicos que proporciona, mas sobretudo pelos impactos diretos na saúde pública, na economia e na sustentabilidade. Nesse cenário, os trabalhos desenvolvidos no Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano-IFSC/USP) em colaboração com dois grupos do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) – o Grupo de Nanomedicina (NM) e o Grupo de Processamento de Alimentos (FPG), em Portugal, destacam-se como uma referência mundial.

A investigadora do NM/INL, Dra. Sanna Sillankorva, destaca que os bacteriófagos constituem uma estratégia inovadora no controlo de microrganismos patogénicos. “A integração de fagos com abordagens nanotecnológicas potencia a ação antimicrobiana de forma direcionada e sustentável, reduzindo o uso de conservantes químicos e respondendo às exigências atuais da indústria alimentar”, afirma a investigadora.

Neste sentido, o Coordenador do GNano-IFSC/USP, Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, destaca que a nanotecnologia é fundamental para a agricultura em geral, e em particular para a proteção de alimentos, e que ela não é apenas uma inovação científica, mas uma ferramenta estratégica para a sociedade contemporânea. “Ao permitir o controle mais eficiente de contaminações e a preservação da qualidade dos alimentos, esta tecnologia atua diretamente na proteção da saúde coletiva, na redução do desperdício e na garantia de acesso a alimentos mais seguros — aspectos essenciais em um mundo marcado por desafios alimentares crescentes”, pontua o cientista.

Dra. Sanna Sillankorva (Créditos – International Iberian Nanotechnology Laboratory)

As pesquisas resultantes da colaboração entre os grupos GNano-IFSC/USP e NM-FPG/INL inserem-se em uma tendência global de transformação das embalagens alimentares em sistemas ativos e inteligentes. Nesse contexto, destaca-se a atuação da pós-doutoranda do GNano/IFSC/USP, Dra. Fernanda Coelho, que retornou recentemente de um estágio pós-doutoral no grupo de NM-FPG/INL. Apoiada pela FAPESP, a pesquisadora tem se dedicado à interface entre nanotecnologia, microbiologia e biotecnologia, com ênfase no desenvolvimento de soluções sustentáveis e inovadoras para o controlo de patógenos, com potencial de aplicação nos setores agroindustrial e alimentício.

Ao utilizar nanoestruturas — como nanofibras — associadas a agentes antimicrobianos naturais, como bacteriófagos, os pesquisadores têm desenvolvido soluções capazes de reduzir significativamente a presença de microrganismos patogênicos em alimentos. Essa abordagem representa um avanço importante em relação aos métodos tradicionais, que dependem fortemente de conservantes químicos e apresentam limitações tanto em eficácia quanto em aceitação pelo consumidor. Do ponto de vista social, os benefícios são amplos e estratégicos.

Em primeiro lugar, há um impacto direto na segurança alimentar, com a redução de doenças transmitidas por alimentos contaminados, um problema ainda recorrente em diversos países. Ao atuar de forma específica contra bactérias como Salmonella e Escherichia coli, essas tecnologias contribuem para a proteção da saúde da população sem comprometer a qualidade nutricional dos alimentos.

Dra. Fernanda Coelho (GNano-IFSC/USP)

Além disso, a nanotecnologia aplicada às embalagens permite aumentar a vida útil dos produtos, reduzindo perdas ao longo da cadeia de distribuição. Esse fator é particularmente relevante em um cenário global marcado pelo desperdício de alimentos. Ao prolongar o tempo de conservação, as inovações desenvolvidas contribuem para uma gestão mais eficiente dos recursos, com reflexos positivos tanto econômicos quanto ambientais.

Outro benefício importante está na sustentabilidade. A substituição parcial de aditivos químicos por agentes biológicos naturais, como os bacteriófagos, representa uma alternativa mais ecológica e alinhada às demandas contemporâneas por alimentos mais “limpos” e seguros. Paralelamente, o desenvolvimento de materiais compatíveis com essas tecnologias abre caminho para embalagens mais eficientes e potencialmente menos impactantes ao meio ambiente.

Nesse contexto, o trabalho ganha relevância ao integrar conhecimentos de física, biotecnologia e ciência dos materiais, com uma notável contribuição para o avanço de pesquisas que não apenas demonstram a eficácia dessas nanoestruturas, mas também investigam sua segurança — um aspecto fundamental para a aplicação em larga escala. A avaliação de possíveis efeitos tóxicos e a compreensão das interações entre nanomateriais e sistemas biológicos são etapas essenciais para garantir que essas inovações sejam seguras para o consumo humano.

A estreita colaboração científica com Portugal

Prof. Dr. Valtencir Zucolotto (Coordenador do GNano-IFSC/USP)

Em todo este contexto, é importante sublinhar a colaboração entre o GNano-IFSC/USP e diversos laboratórios nacionais e internacionais, cabendo destacar, nesse caso e como já sublinhamos no início do texto, a colaboração com o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), uma organização internacional de pesquisa científica e tecnológica com sede na cidade de Braga, em Portugal, sendo o primeiro e único laboratório intergovernamental inteiramente dedicado à pesquisa e desenvolvimento em nanociência e nanotecnologia, criado ao abrigo de um acordo entre os governos de Portugal e Espanha.

A missão do INL é promover a excelência e a inovação tecnológica junto da sociedade e através da colaboração internacional e interdisciplinar, em área estratégicas como:  Nanoeletrônica e Engenharia de Dispositivos; Nanomedicina; Materiais Avançados; Segurança Alimentar e Nutrição: Energia e Sustentabilidade; e Tecnologias de Informação Quântica.

Com esta cooperação de âmbito mundial, o GNano e o INL promovem uma cultura de cooperação muito próxima, beneficiando o meio acadêmico, a indústria e os decisores políticos.

Em síntese, de forma lata, a nanotecnologia na proteção de alimentos representa uma convergência entre ciência de ponta e necessidades sociais urgentes, sendo que os avanços científicos demonstram que é possível construir sistemas alimentares mais seguros, eficientes e sustentáveis, colocando a ciência a serviço da sociedade.

Créditos – “Food Infotech”

Abaixo se apresentam três pesquisas relacionadas com este tema, para os quais pedimos a devida atenção.

Embalagens inteligentes – Nanotecnologia avança na proteção de alimentos e promete maior segurança ao consumidor (2026)Clique AQUI.

Nanotecnologia e vírus “do bem” abrem caminho para embalagens que combatem bactérias nos alimentos 2025) –Clique AQUI.

Revestimentos avançados de nanofibras carregadas com bacteriófagos para embalagens de alimentos (2026) –Clique AQUI.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

22 de abril de 2026

Curitiba recebe o “XXIV Encontro da Sociedade Brasileira de Materiais – 2026” organizado por docentes do IFSC/USP

O “Centro de Convenções UP Experience”, localizado na cidade de Curitiba (PR), receberá entre os dias 27 de setembro e 1 de outubro do corrente ano o “XXIV Encontro da Sociedade Brasileira de Materiais – 2026”, promovido e realizado pela Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat), constituindo a primeira oportunidade de realizar este grande evento na capital paranaense, reconhecida como um importante polo de desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, e com forte tradição no uso e aplicação de materiais.

A programação deste grande evento científico seguirá o modelo dos eventos anteriores. Assim, durante a cerimônia de abertura, no domingo dia 27 de setembro, será ministrada uma Memorial Lecture em homenagem aos fundadores da SBPMat, em comemoração dos 25 anos da Sociedade. O evento contará com cinco seções plenárias, com apresentação de palestras de especialistas de renome internacional em assuntos de interesse mais amplo, marcadas para os dias 28 de setembro e 1 de outubro. Por outro lado, serão realizadas sessões diárias com apresentação de palestras temáticas e apresentações orais em todos os 26 simpósios temáticos.  Além disso, serão apresentadas sessões diárias entre os dias 28 de setembro e 1 de outubro de painéis para apresentação dos resumos submetidos a todos os simpósios. Por fim, a cerimônia de encerramento (em 1 de outubro) contemplará a entrega de premiações aos alunos que se destacarem em seus trabalhos e apresentações (Bernhard Gross, ACS, RSC, MDPI, entre outras).

A Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) realiza seu encontro anual desde 2002, sendo atualmente o mais importante evento sediado na América Latina no segmento de Ciência e Tecnologia de Materiais, congregando mais de 2000 pesquisadores de dezenas de países.

A SBPMat foi criada oficialmente em 26 de junho de 2001, em Assembleia Geral dos sócios fundadores realizada na PUC-Rio, com o objetivo de ser a entidade representativa da academia e dos profissionais atuantes na área de Ciência e Engenharia de Materiais no Brasil. Constitui-se, assim, em uma entidade interdisciplinar voltada para os interesses de pesquisa e inovação em Materiais no Brasil. A iniciativa de organizar seu encontro anual, que conta anualmente com mais de dois mil trabalhos submetidos, veio em resposta ao progressivo amadurecimento da área de Materiais no Brasil e à manifesta ansiedade da comunidade científica pela criação de uma sociedade abrangente, de caráter multi e interdisciplinar, que a representasse, reunindo pesquisadores das áreas de engenharia, física, química, biologia, medicina, computação, geologia, farmácia, entre outras áreas afins.

Contemplando ainda a realização de exposição de equipamentos e a oferta de produtos e serviços por parte de empresas de diferentes portes e de interesse para a comunidade de materiais, este encontro assume-se de vital importância para os alunos de Pós-Graduação e pesquisadores da área de Materiais no Brasil. A participação desse público é bastante expressiva, representando cerca de 75% do total de inscritos — conforme dados do último encontro realizado em Salvador (BA), em 2025.

O IFSC/USP terá participação expressiva na organização do evento deste ano. O Prof. Gregório Couto Faria (Polímeros) atua como um dos organizadores gerais do evento (Chair). Além disso, os Profs. Javier Ellena (Cristalografia), Marcos de Oliveira Jr. (RMN), Renato Vitalino Gonçalves (NaCA) e Valtencir Zucolotto (GNano) atuam como organizadores de simpósios em suas respectivas áreas. O Prof. Valmor Mastelaro (NaCA) integra o Comitê de Programa, enquanto o Prof. Osvaldo N. de Oliveira Junior (Polímeros) compõe o Comitê Nacional do evento.

A data limite para submissão de resumos é 13 de abril de 2026 (segunda-feira). Esta é uma excelente oportunidade para apresentar seus resultados, interagir com a comunidade científica e discutir os avanços mais recentes no principal evento de Pesquisa em Materiais da América Latina. Não deixe para a última hora!

Coordenadores Gerais (Chairs)

Profa. Dra. Paula Cristina Rodrigues – Departamento de Química e Biologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) (Organizadora);

Prof. Dr. Gregório Couto Faria – Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC/USP) (Organizador);

 

Comissões

Comitê de Programa:

Profa. Dra. Paula Cristina Rodrigues – UFTPR/PR;

Prof. Dr. Gregório Couto Faria – IFSC-USP;

Profa. Dra. Yara Galvão Gobato – UFSCar;

Prof. Dr. Valmor Roberto Mastelaro – IFSC-USP;

Prof. Dr. Alejandro Pedro Ayala – UFC;

Profa. Dra. Ieda M. G. dos Santos – UFPB;

 

Comitê Local:

Prof. Dr. José Pedro Mansueto Serbena – UFPR/Curitiba;

Prof. Dr. Giuseppe Pintaúde – UTFPR/Curitiba;

Prof. Dr. João César Zielak – UP/Curitiba;

Profa. Dra. Michelle Sostag Meruvia – PUC – PR/Curitiba;

 

Comitê Nacional:

Dr. Aloisio Nelmo Klein – UFSC;

Dr. Edvani Curti Muniz – UEM/PR;

Dra. Giovana Machado – CETENE/PE;

Dra. Ieda M. G. dos Santos – UFPB;

Dra. Ingrid Távora Weber – UnB;

Dra. Lucimara Stolz Roman – UFPR;

Dr. Luiz Henrique C. Mattoso – Embrapa Instrumentação/SP;

Dra. Mônica Alonso Cotta – UNICAMP;

Dr. Osvaldo N. de Oliveira Junior – IFSC/USP;

Confira AQUI todas as informações e datas importantes para inscrição e submissão de trabalhos para este grande evento.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

20 de abril de 2026

Tecnologia transforma gás carbônico em energia limpa – Abrir portas para soluções sustentáveis

Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros promete mudar a forma como lidamos com um dos maiores desafios ambientais da atualidade: o excesso de gás carbônico (CO₂) na atmosfera. O novo sistema é capaz de transformar esse poluente em energia elétrica e em combustíveis renováveis usando apenas a luz do sol.

Na prática, o equipamento funciona como uma “usina solar inteligente”. Ao ser exposto à luz, ele ativa reações químicas que convertem o CO₂ em substâncias úteis, como etanol e metanol — combustíveis que podem ser utilizados no dia a dia. Ao mesmo tempo, o processo também gera eletricidade.

Benefícios diretos para a sociedade

O avanço vai além de um feito científico e traz impactos concretos para a população. Um dos principais benefícios é a redução da poluição do ar. Ao reaproveitar o gás carbônico, a tecnologia ajuda a diminuir a concentração de gases que contribuem para o aquecimento global, colaborando para um clima mais estável e saudável.

Outro ponto importante é a produção de energia limpa e renovável. Diferente dos combustíveis fósseis, que poluem e são finitos, os produtos gerados pelo sistema podem ser utilizados como alternativas mais sustentáveis e isso pode contribuir para reduzir a dependência de petróleo e outras fontes tradicionais de energia.

A tecnologia também pode ter impacto econômico. Ao transformar um poluente em produtos úteis, ela abre espaço para a criação de novos mercados e oportunidades de negócios, especialmente nas áreas de energia e sustentabilidade. Além disso, sistemas mais simples — que dispensam componentes caros — podem facilitar a adoção em diferentes regiões, inclusive em países em desenvolvimento.

Prof. Dr. Renato Vitalino Gonçalves (IFSC/USP)

Outro benefício relevante é a possibilidade de geração descentralizada de energia. Em vez de depender apenas de grandes usinas, comunidades, empresas e até residências poderiam, no futuro, produzir sua própria energia e combustíveis, utilizando o sol e o CO₂ disponível no ambiente.

Sustentabilidade e futuro

O sistema também se destaca por funcionar em condições comuns, sem necessidade de altas temperaturas ou pressões, o que reduz custos e torna sua aplicação mais viável.

Embora ainda esteja em fase de desenvolvimento, a tecnologia representa um passo importante rumo a um modelo mais sustentável de produção de energia. Ao unir geração elétrica e reaproveitamento de poluentes, ela aponta para um futuro em que resíduos podem se tornar recursos.

Para o docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Renato Vitalino Gonçalves, um dos autores deste estudo, “Esta tecnologia representa um avanço importante na forma como pensamos a energia e o meio ambiente. Estamos mostrando que é possível transformar um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global em produtos úteis, como combustíveis e eletricidade, utilizando apenas a luz solar. Além disso, um dos principais avanços do trabalho está na simplificação do sistema, que dispensa o uso de membranas e opera em condições ambientes, o que reduz custos e facilita futuras aplicações. Foi possível integrar, em um único dispositivo, a conversão do CO2 e a geração de energia elétrica, demonstrando uma abordagem eficiente e mais próxima de soluções tecnológicas viáveis. Esse tipo de desenvolvimento é fundamental para transformar conhecimento científico em aplicações reais, com potencial de impacto na transição para uma matriz energética mais sustentável”, pontua o pesquisador

Prof. Dr. Heberton Wender (Créditos – Fundação UFMS)

Já para o docente e pesquisador do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (IF/UFMS), Prof. Dr. Heberton Wender, igualmente um dos autores deste estudo “O que desenvolvemos é, essencialmente, uma tecnologia inspirada na natureza”, pontua o pesquisador, acrescentando que,  assim como a fotossíntese natural utiliza a luz do sol para converter CO2 em compostos energéticos, o sistema desenvolvido também aproveita a energia solar para transformar esse gás em combustíveis renováveis e, ao mesmo tempo, gerar eletricidade.

“A diferença é que fazemos isso de forma artificial e direcionada, produzindo moléculas de interesse energético, como etanol e metano. A tecnologia desenvolvida possui um paralelo importante com as células solares convencionais. Enquanto os painéis fotovoltaicos convertem a luz do sol diretamente em eletricidade, o nosso dispositivo vai além: ele combina essa geração elétrica com a conversão química do CO2, armazenando energia na forma de combustíveis. Isso amplia o uso da energia solar, permitindo gerar eletricidade e produzir combustíveis limpos, contribuindo diretamente para mitigação das mudanças climáticas”, destaca o pesquisador. Em suma, esse tipo de abordagem abre caminho para uma nova geração de tecnologias energéticas capazes de integrar captura de carbono, geração de energia e produção de combustíveis renováveis em um único sistema, operando apenas com luz solar e em condições ambientes.

Os especialistas ressaltam que, com mais investimentos e aprimoramentos, soluções como esta podem desempenhar um papel fundamental no combate às mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que promovem desenvolvimento econômico e melhor qualidade de vida para a população.

Assinam este estudo os pesquisadores: Bárbara A.C. Sá e Márcio Pereira, do Instituto de Ciências, Engenharia e Tecnologia da Universidade Federal do Vale de Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Luiz Felipe Plaça, Maximiliano J. M. Zapata e Cauê A. Martins, do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Glaucia B. Alcantara, do Instituto de Química da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (IQ/UFMS), André Luís de Jesus Pereira, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA – São José dos Campos), Mohammed A. M. Bajiri, Niqab Khan, e Renato Vitalino Gonçalves, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e Heberton Wender do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (IF/UFMS)

Esta pesquisa contou com os apoios da FAPESP, CAPES, CNpQ e FUNDECT.

Confira AQUI o original desta pesquisa, publicado na revista científica internacional “ACS – Applied Energy Materials”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de abril de 2026

Responsáveis pela Comissão de Cultura e Extensão Universitária do IFSC/USP visitam Pró-Reitoria da USP

Em visita de cortesia, os Profs. Drs. Ilana Lopes Baratella da Cunha Camargo e Guilherme Matos Sipahi, nomeadamente Presidente e Vice-Presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEX) do IFSC/USP, deslocaram-se no passado dia 08 de abril à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, onde apresentaram cumprimentos ao Pró-Reitor Prof. Dr. Amâncio Jorge de Oliveira.

Na sequência dessa visita, os docentes do IFSC/USP expuseram os projetos de extensão em curso e aqueles que se encontram prestes a se iniciar, bem como suas particularidades, tendo colocado a Comissão de Cultura e Extensão Universitária do IFSC/USP à disposição do Prof. Dr. Amâncio de Oliveira para colaborar em projetos futuros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

10 de abril de 2026

Produção científica do IFSC/USP no mês de março de 2026

Para ter acesso às atualizações da Produção Científica cadastradas no mês de  março de 2026, clique AQUI ou acesse o Repositório da Produção USP (AQUI).

As atualizações também podem ser conferidas no Totem “Conecta Biblio”, em frente à Biblioteca.

A figura ilustrativa foi extraída do artigo publicado recentemente, por pesquisador do IFSC, no periódico “Journal of High Energy Astrophysics” (VER AQUI).

 

 

 

 

 

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP