
A Profª Paula Lins estava convencida de que faria Faculdade de Moda. A Física estava fora de seus planos
Professora do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), pesquisadora conta como descobriu sua vocação e construiu uma trajetória internacional, apostando agora em pesquisas com vesículas extracelulares e medicina regenerativa.
Nem sempre Paula Lins imaginou que seguiria carreira nas ciências exatas. Durante o ensino médio, acreditava que seu futuro estaria no universo da moda. Bastou, porém, uma conversa com seu professor de Física para que sua trajetória mudasse completamente.
Nesta entrevista, a nova docente do IFSC-USP relembra os momentos decisivos de sua formação, fala sobre a experiência acadêmica na Escócia e na Bélgica, explica como surgiu seu interesse pelas vesículas extracelulares e revela os desafios de iniciar a carreira como professora universitária.
Pensava que não tinha dom para as ciências exatas
Seu interesse pela área da Física Como começou de maneira inesperada. No primeiro ano do A Profª ensino médio a jovem Paula Maria Pincela Lins acreditava que não tinha qualquer aptidão para as ciências exatas e estava convencida de que faria Faculdade de Moda. “Sempre me via mais ligada às ciências humanas, mas tudo mudou quando um professor de Física perguntou qual profissão eu pretendia seguir. Ao ouvir minha resposta, ele disse que eu havia acertado todas as questões da prova e que demonstrava grande facilidade para Física e Matemática. Foi a primeira vez que alguém me fez enxergar esse potencial”, recorda a jovem docente.
A partir dali, começou a perceber que realmente tinha afinidade com as ciências exatas, especialmente por Biologia, que passou a ser sua paixão, algo que descobriu no curso de Ciências Físicas e Biomoleculares, tendo encontrado exatamente o que procurava, ou seja, uma formação capaz de integrar essas duas áreas.
Natural de Santos, Paula Lins fez todo o ensino básico nessa cidade do litoral paulista, sendo que quando chegou a hora do vestibular procurou avidamente um curso que reunisse Física e Biologia. “Na época, o curso de Ciências Físicas e Biomoleculares oferecido pelo Instituto de Física de São Carlos era praticamente único nessa proposta interdisciplinar. Fiz vestibular para outras instituições, mas, quando conheci o IFSC/USP, fiquei impressionada com sua infraestrutura e com a proposta acadêmica e a escolha acabou sendo muito natural”, pontua Paula Lins.
A internacionalização começou ainda na graduação

Ampliando sua visão sobre Biofísica
Desde o segundo ano da graduação, Paula Lins já sabia que queria seguir carreira acadêmica. Procurou uma iniciação científica com o Coordenador do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano) do IFSC/USP, Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, obtive uma bolsa da FAPESP e passou a construir sua formação pensando também na internacionalização. “De fato, participei do programa “Ciência sem Fronteiras” e fui para a Universidade de Glasgow, na Escócia, onde cursei disciplinas do bacharelado em Física, incluindo Mecânica Quântica. Além das atividades acadêmicas, realizei estágio em um grupo de pesquisa voltado para síntese de nanomateriais. Enquanto meu trabalho no Brasil investigava a interação entre nanomateriais e biointerfaces, essa experiência internacional ampliou minha visão sobre Biofísica e técnicas, como, por exemplo, ressonância magnética.
Ao retornar ao Brasil, Paula Lins ingressou no mestrado em Física Aplicada, novamente sob orientação do Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, e ambos decidiram iniciar uma linha de pesquisa envolvendo vesículas extracelulares, tema ainda pouco explorado no grupo e que apresentava desafios, principalmente relacionados aos métodos de extração e obtenção dessas estruturas em alta concentração. A pesquisa cresceu muito, ganhou novos objetivos e acabou sendo transformada em um doutorado direto na área de Física Aplicada, em 2017, ampliando significativamente o alcance dos estudos.
A jovem Paula Lins sentia que ainda precisava fortalecer sua experiência internacional, mas a pandemia interrompeu alguns planos durante o doutorado, inclusive com o cancelamento de uma bolsa. “Mais tarde, já no caminho do seu pós-doutorado, fui aprovada em um projeto desenvolvido em parceria entre uma universidade e uma empresa da região flamenga, na Bélgica. O trabalho envolvia pesquisas relacionadas à extração de vesículas extracelulares com aplicações em medicina regenerativa. Acredito que minha formação interdisciplinar foi um dos fatores decisivos para essa aprovação. Durante o pós-doutorado tive contato com uma visão bastante aplicada da pesquisa científica, onde desde o início era necessário pensar não apenas na ciência básica, mas também na possibilidade de transformar o conhecimento em produtos e tecnologias”, destaca a docente.
O que representou regressar ao IFSC/USP
Para a docente, foi uma grande satisfação retornar ao lugar onde foi formada, tendo assumido suas funções como docente do Instituto no passado mês de julho do corrente ano. “O que mais desejo é contribuir principalmente para o desenvolvimento das pesquisas com vesículas extracelulares e medicina regenerativa. Vejo uma grande oportunidade de complementar os estudos já realizados pelo Prof. Dr. Valtencir Zucolotto na área de nanomateriais sintéticos, ampliando as possibilidades de pesquisa interdisciplinar dentro do Instituto. Por outro lado, também gostaria de trazer para o IFSC/USP essa visão de inovação que adquiri durante meu pós-doutorado, aproximando cada vez mais a pesquisa fundamental de aplicações concretas para a sociedade”, sublinha a Profª Paula Lins, acrescentando que “Ainda me sinto um pouco aluna e um pouco professora”.

“Estou revisitando conteúdos, estudando constantemente e aprendendo muito com os próprios estudantes”
Para ela, o início da carreira docente é um momento de muito aprendizado. “Gosto muito da Física e da oportunidade de contribuir para a formação de novos pesquisadores. Ao mesmo tempo, percebo que ensinar também significa continuar aprendendo. Estou revisitando conteúdos, estudando constantemente e aprendendo muito com os próprios estudantes. Essa troca é extremamente enriquecedora e faz parte do processo de construção da minha identidade como docente”, conclui a docente.
Atualmente, a Profª Drª Paula Lins integra o corpo docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), onde desenvolve pesquisas em Nanotecnologia.
Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP