
“Espero conseguir compartilhar tudo o que aprendi e contagiar os alunos com a paixão pela pesquisa”
Aos 35 anos, a física Thaís Victa Trevisan reúne uma trajetória acadêmica marcada pela excelência e pela experiência internacional. Natural de Mirassol (SP), mas criada em Campinas, construiu toda a sua formação na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde concluiu a graduação, o mestrado e o doutorado em Física. Desde 2024, integra o corpo docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), levando consigo uma sólida bagagem científica e o entusiasmo de quem acredita no poder transformador da pesquisa.
Ainda durante o doutorado, Thaís foi contemplada com uma Bolsa de Estágio em Pesquisa no Exterior (BEPE), da FAPESP, oportunidade que lhe permitiu desenvolver um estágio de pesquisa na Universidade de Minnesota, em Minneapolis (EUA). A experiência abriu caminho para novas etapas de sua carreira acadêmica internacional: entre 2019 e 2022 realizou um primeiro pós-doutorado na Universidade Estadual de Iowa e no Laboratório Nacional de Ames e, na sequência, entre 2022 e 2023, desenvolveu um segundo pós-doutorado na Universidade da Califórnia, Berkeley e no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley.
Após esse período de aperfeiçoamento científico, decidiu disputar o concurso para docente do IFSC/USP, sendo aprovada em 2024. A motivação que sempre guiou sua carreira permanece a mesma: a curiosidade científica.
“Gosto de aprender, e a Física nos proporciona isso todos os dias. Estamos constantemente descobrindo e compreendendo novos fenômenos da Natureza”, afirma a pesquisadora.
Formar pesquisadores para o futuro

Materiais quânticos (Créditos – “SciTechDaily”)
Mais do que desenvolver pesquisas de ponta, Thaís acredita que uma das suas principais contribuições ao Instituto será participar da formação das novas gerações de cientistas.
Seu objetivo é transmitir aos estudantes não apenas conhecimento técnico, mas também o entusiasmo pela pesquisa científica.
“Espero conseguir compartilhar tudo o que aprendi e contagiar os alunos com a paixão pela pesquisa, especialmente nas áreas de Física Teórica e Física da Matéria Condensada”, destaca.
A Física da Matéria Condensada sem mistérios
Embora seja considerada uma das áreas mais amplas da Física contemporânea, Thaís resume a essência da Física da Matéria Condensada de forma simples: compreender as propriedades macroscópicas dos materiais a partir do comportamento e das interações entre seus constituintes microscópicos.
Segundo ela, trata-se de um campo extremamente diversificado, que reúne inúmeras linhas de investigação. Seu trabalho concentra-se justamente na interface entre algumas dessas áreas.
Entre os principais temas de pesquisa está a supercondutividade, uma fase exótica e fascinantes da matéria condensada.
Nesse estado, explica a pesquisadora, os elétrons passam a se comportar de maneira completamente diferente da observada em metais convencionais.
“Quando a corrente elétrica percorre um fio metálico comum, como o filamento de tungstênio de uma lâmpada incandescente, parte da energia é dissipada na forma de calor por causa da
resistência elétrica. Em um supercondutor, abaixo de uma temperatura característica, a corrente pode fluir sem essa”, explica.
Ciência fundamental com enorme potencial tecnológico
Além de seu enorme interesse científico, a supercondutividade representa uma das áreas mais promissoras para futuras aplicações tecnológicas.
Ao compreender o comportamento dos elétrons, pesquisadores podem desenvolver novos materiais capazes de apresentar supercondutividade em temperaturas cada vez mais elevadas. Um dos grandes desafios da comunidade científica é alcançar materiais que mantenham essa propriedade em temperatura ambiente.
Caso esse objetivo seja atingido, os impactos poderão ser revolucionários.
“Imagine transmitir eletricidade da usina até as residências sem as perdas de energia causadas pela resistência elétrica dos cabos. Essa é uma das grandes motivações dessa área de pesquisa: descobrir ou desenvolver materiais supercondutores que funcionem em temperatura ambiente”, ressalta Thaís.
Enquanto essa meta ainda mobiliza pesquisadores em todo o mundo, sua motivação continua sendo compreender, cada vez mais profundamente, como os elétrons interagem e determinam as propriedades dos materiais.
IFSC/USP – Um ambiente fértil para fazer ciência
Para Thaís Victa Trevisan, integrar o IFSC/USP representa a oportunidade de desenvolver pesquisas em um ambiente altamente qualificado e colaborativo.
“Estou muito feliz por fazer parte de um ambiente extremamente fértil para a pesquisa e por integrar um grupo científico extraordinário”, conclui.
Com uma carreira construída sobre sólida formação acadêmica, experiências internacionais e entusiasmo permanente pela descoberta científica, a nova docente reforça o compromisso do IFSC/USP com a excelência em pesquisa, inovação e formação de novos pesquisadores.
A docente prepara-se agora para viajar aos Estados Unidos para desenvolver, na Universidade de Illinois Urbana-Champaign, o projeto conjunto denominado “Interação luz/matéria em materiais quânticos”.

O compromisso do IFSC/USP com a excelência em pesquisa, inovação e formação de novos pesquisadores
Este projeto refere-se a uma linha de pesquisa avançada que busca compreender como a luz interage com materiais nos quais as interações entre os elétrons produzem comportamentos coletivos, que não podem ser compreendidos tratando cada elétron isoladamente. Dessas interações surgem novas fases da matéria e fenômenos como magnetismo, supercondutividade e propriedades topológicas. Na Universidade de Illinois Urbana-Champaign, esse tipo de pesquisa reúne físicos, engenheiros, cientistas de materiais e especialistas em computação para investigar fenômenos fundamentais e desenvolver novas tecnologias. Situada na fronteira da ciência, essa pesquisa busca compreender e controlar fenômenos que poderão fundamentar a próxima geração de tecnologias.
O domínio dessas interações pode viabilizar, em longo prazo, o desenvolvimento de computadores quânticos mais eficientes, dispositivos fotônicos ultrarrápidos, novos materiais inteligentes e sensores de alta precisão, com aplicações que vão da eletrônica e telecomunicações à medicina e à indústria.
Trata-se de uma área em que avanços na física básica frequentemente se traduzem, decorridos alguns anos, em inovações tecnológicas com grandes impactos econômicos e científicos, algo que para a Profª Thaís Trevisan é extremamente atrativo na sua vida acadêmica.
Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP