
Créditos (“University of Nova Gorica”)
Um estudo internacional que teve a participação de cientistas da USP de São Carlos trouxe novos avanços na tentativa de entender um dos fenômenos mais enigmáticos do universo: os raios cósmicos de altíssima energia.
A pesquisa analisou partículas que atingem a atmosfera da Terra com enorme velocidade e investigou um detalhe importante desse processo — a quantidade de múons, partículas que chegam até o solo após essas colisões.
Quando um raio cósmico entra na atmosfera, ele colide com moléculas do ar e gera uma espécie de “chuva” de partículas secundárias. Entre elas estão os múons, que conseguem atravessar grandes distâncias e são detectados por instrumentos no solo. Medir quantos múons são produzidos ajuda os cientistas a descobrir a origem e a natureza dessas partículas vindas do espaço.
A pesquisa foi conduzida com dados do Observatório Pierre Auger, na Argentina, o maior do mundo dedicado a esse tipo de estudo.
Os cientistas combinaram dois métodos de observação: sensores que captam sinais de rádio produzidos na atmosfera e detectores no solo que registram a passagem das partículas. Essa abordagem permitiu analisar eventos em que os raios cósmicos chegam à Terra em ângulos inclinados, um tipo de ocorrência mais difícil de estudar.
Após cerca de dez anos de observações, os pesquisadores selecionaram 40 eventos considerados de alta qualidade para análise.
Os resultados indicam que a quantidade de múons medida é compatível com a expectativa para partículas mais pesadas, como núcleos de ferro. No entanto, outras medições sugerem que a composição dos raios cósmicos pode ser mais leve, o que revela uma discrepância ainda não totalmente explicada.
Esse descompasso já havia sido observado em estudos anteriores e continua sendo um desafio para a ciência. Em termos simples, os modelos teóricos atuais parecem subestimar a quantidade de múons que realmente chega ao solo. Esse “excesso” observado nos dados reais levanta dúvidas sobre o entendimento das interações dessas partículas em energias extremas.
Apesar das limitações — como o número reduzido de eventos analisados — o estudo demonstra que a combinação de diferentes técnicas de observação pode abrir novos caminhos para resolver esse quebra-cabeça.
Com a ampliação dos detectores e a coleta de mais dados no futuro, os cientistas esperam chegar a respostas mais precisas sobre a origem e o comportamento dos raios cósmicos.
A pesquisa reforça que, mesmo com décadas de estudo, o universo ainda guarda mistérios fundamentais — e que avanços tecnológicos continuam sendo essenciais para desvendá-los.
Confira AQUI o estudo realizado.
Assessoria de Comunicação – IFSC/USP