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Prof. Eric Andrade fala sobre o ambiente de pesquisa no IFSC

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Sistema CIRIUS
Total de defesas: 1846 (100%)
Mestrado: 1029 (55.74%)
Doutorado: 817 (44.26%)

Gustavo Henrique Frigieri Vilela

Graduação: UNESP – Farmácia e Bioquímica
Doutorado Direto: IFSC – Programa de Pós-Graduação em Física / Área: Física Aplicada / Opção: Física Biomolecular
Atividade profissional atual: Pesquisador na Área Médica da start-up Braincare

O ex-aluno do Instituto de Física de São Carlos, Gustavo Frigieri Vilela, de 36 anos, é casado e nasceu em Araraquara (SP), cidade paulista também conhecida como “Morada do Sol”. No ensino fundamental, realizado na E. E. Lea de Freitas Monteiro, Gustavo já demonstrava interesse e facilidade nas disciplinas de ciências exatas e biológicas, mas, na sua transição para o ensino médio daquela escola pública para o ensino particular – Anglo -, sentiu certa dificuldade e um “choque de realidade”, principalmente nas disciplinas de exatas. Após estudar bastante para se recuperar dessa mudança, Gustavo acabou se apaixonando ainda mais pelos números. Já na difícil época do vestibular, Gustavo ainda tinha dúvidas quanto à área que deveria seguir – ciências exatas ou biológicas – tendo feito vestibulares tanto para farmácia bioquímica, quanto para computação. Devido ao seu esforço, foi aprovado em ambos os vestibulares, tendo optado por cursar farmácia bioquímica, na UNESP, em Araraquara. Após graduar-se em farmácia, Gustavo trabalhou em um hospital na cidade de Matão (SP), como analista clínico, tendo vindo posteriormente para São Carlos, onde trabalhou na Farmácia Rosário. Já desenvolvendo sua atividade profissional na citada farmácia, eis que recebeu uma ligação do Prof. Dr. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP), que procurava por um medicamento e, Gustavo, ao explicar toda a composição química do remédio, recebeu do Prof. Sérgio o convite para participar de uma reunião, que resultou na ida do ex-aluno da UNESP para o IFSC-USP para realizar seu mestrado em Física Biomolecular. “O Prof. Sérgio tem o dom de passar todo seu conhecimento e de contagiar seu interlocutor com um entusiasmo indescritível”, comenta Gustavo. Durante o mestrado em Física Biomolecular, sob orientação do Prof. Sérgio Mascarenhas, Gustavo enfrentou algumas dificuldades em certas disciplinas, como, por exemplo, em termodinâmica, uma vez que sua bagagem de conhecimento adquirida na área farmacêutica não exigia muito cálculo, ao contrário dessa e de outras disciplinas da física que exigem muita concentração e estudo. Após seis meses de mestrado, Gustavo iniciou seu doutorado direto, também em Física Biomolecular. Após a defesa de seu doutorado, em 2010, iniciou pós-doutorado, supervisionado pela Profa. Dra. Yvonne Mascarenhas. “Quando eu voltei à área de pesquisa, pretendia atuar na academia, mas pelo fato de alguns projetos se terem transformados em produtos, com o apoio da FAPESP, o meu foco ficou direcionado para o mercado”, explica o jovem. Para concluir o pós-doutorado, Gustavo deu seguimento a uma pesquisa que já tinha iniciado no IFSC-USP, consubstanciada no desenvolvimento de monitor minimamente não-invasivo para monitorar a pressão intracraniana, com apoio da Sapra Assessoria, empresa voltada a proteção radiológica. “Hoje, o projeto do monitor já está patenteado, em fase de início da produção e aguardando o registro na ANVISA para comercialização”, conta ele. Com o desenvolvimento do produto, Gustavo Vilela e o Prof. Sérgio Mascarenhas criaram a startup Braincare, em São Carlos, que desenvolve projetos no campo de instrumentação médica. Um profissional com perfil acadêmico similar ao de Gustavo, que já possua doutorado e que almeje ingressar em uma empresa na área de instrumentação médica, poderá receber entre três a quatro mil reais, um salário que poderá dobrar ou triplicar, conforme esse especialista adquira novas experiências profissionais. Atualmente, o objetivo de Gustavo Vilela é continuar atuando na Braincare e disponibilizar o seu produto no mercado. “Além disso, nós também estamos visando o desenvolvimento de novos sensores voltados à área médica, mas cujos projetos ainda não podemos divulgar”, conclui o ex-aluno do IFSC-USP. Para Gustavo, a Física Computacional é um curso bastante completo, que abrange um grande leque de saídas profissionais, fator que compensa o esforço e dedicação dos alunos que pretendam seguir por esse caminho.

Nicolau Beckmann

Graduação: IFQSC – Bacharelado em Física
Mestrado: IFQSC – Programa de Pós-Graduação em Ciências / Área: Física Aplicada
Atividade profissional atual: Pesquisador na Novartis na Suíça

Nicolau Beckmann, de 53 anos, nasceu na cidade de Joinville (SC), lugar onde completou os ensinos fundamental e médio, primeiro em uma escola católica, depois numa escola técnica. Cursou o último ano de colégio num estabelecimento que havia constituído a escola alemã até 1940. Durante o ensino fundamental, já gostava da área médica, de física e, principalmente devido à personalidade forte e muito profissional de uma de suas professoras, de matemática. Nicolau teve, também, um docente de física que o incentivou a seguir o caminho das ciências exatas. Foi no ensino médio que Nicolau começou a cogitar em fazer engenharia, devido ao seu gosto pela matemática e física; para ele, essas disciplinas eram “naturais”, principalmente por estar estudando numa escola técnica. No segundo ano do ensino médio começou a se interessar por astrofísica e teve a oportunidade de ler as obras do escritor e bioquímico Isaac Asimov. Ainda nessa época e durante as férias, realizou um estágio na empresa Consul, em Joinville, mas esse primeiro contato com o ambiente industrial não o agradou. Todavia, esse estágio foi de extrema importância para Nicolau, pois percebeu que o ambiente industrial não deveria ser o seu foco. Quando chegou a difícil época do vestibular, nosso entrevistado já havia se decidido por cursar física, só que a única questão era escolher o local onde iria estudar. Após uma conversa com alguns de seus professores do colegial, Nicolau viajou até São Carlos, onde conheceu o Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), tendo gostado bastante do ambiente. “Nessa época, conversei com algumas pessoas e decidi que essa era a direção que eu queria”, afirma o ex-aluno do Instituto. Interessante foi o fato que, para o vestibular, a matéria que mais estudou foi biologia, por duas razões: primeiro porque não tinha base suficiente, pois essa disciplina não fazia parte do currículo da escola técnica, mas principalmente porque também a biologia o fascinava.

Quando iniciou a vida universitária, o então jovem estudante estava muito entusiasmado. Porém, alguns momentos tensos marcaram essa época, como, por exemplo, a greve ocorrida na USP, em 1979 – já que foi a primeira que ele acompanhou de perto. O entusiasmo pela física sofreu certa desilusão nesta fase inicial, até que ele descobriu a existência do campo da biofísica, uma das áreas fortes do Instituto, na época. Certo dia, o jovem teve a oportunidade de assistir a uma palestra do físico Mário Schenberg, onde o especialista proferiu uma frase que, segundo o nosso entrevistado, marcou a sua vida para sempre: “O futuro da física está na biologia”. Além disso, conversava ocasionalmente com o Prof. Sérgio Mascarenhas e outros membros do grupo de biofísica do IFSC. Assim, Nicolau decidiu que atuaria na área de física médica ou em biofísica, e este fato o levou a cursar o resto da graduação com grande motivação.

Após a graduação, Nicolau realizou seu mestrado em ressonância magnética (RM), sob orientação do Prof. Horácio C. Panepucci (IFSC-USP). O grupo de Horácio estava iniciando o trabalho no domínio de imagens e Nicolau sentiu que essa área seria um ótimo compromisso entre seus diferentes interesses científicos. Já durante o mestrado, começou a pensar seriamente como concretizar seu sonho de estudar no exterior, principalmente na Europa, pois desejava conhecer as raízes de sua família (Alemanha, Itália, França e Irlanda). Assim que terminou o mestrado, não perdeu tempo e pediu uma bolsa para o governo alemão. Quando preparava sua saída do Brasil, surgiu a oportunidade de dar aulas no IFSC-USP e Nicolau acabou por aceitar a proposta. Contudo, a vontade de sair do Brasil foi mais forte e mesmo tendo sido contratado como professor, o jovem deixou tudo para trás e rumou para a Alemanha em 1986, onde iniciou um estágio na empresa Siemens, que desenvolve equipamentos de RM para fins médicos. Naquela empresa, Nicolau conheceu Stefan Müller, um assistente de Joachim Seelig, do Biocentro da Universidade de Basiléia, na Suíça. Esse estágio na Siemens também tinha o propósito de poder trabalhar com o grupo de pesquisa local, que se preparava para adquirir um equipamento da citada firma. “Conversei com o Stefan e disse que estava procurando um lugar para fazer o doutorado, ao que ele respondeu que iria falar com seu professor sobre essa eventualidade de colocação. Ele fez o contato e fui apresentado ao professor Seelig, que logo me aceitou como doutorando”, pontua Nicolau. Depois de terminar seu estágio na Siemens, foi para Basiléia, na Suíça, onde em 1987 iniciou o seu trabalho com o professor Seelig, na área de biofísica, usando a técnica de RM para estudar o metabolismo de açúcares no cérebro e no fígado de humanos. O tema da tese era interdisciplinar, pois exigia a aquisição e combinação de conhecimentos de física, matemática, computação, eletrônica, biologia, química e medicina.

Alguns meses antes da defesa da tese de doutorado, ocorrida em maio de 1990, Nicolau iniciou os preparativos para sua partida para os Estados Unidos, onde havia sido aceito como pós-doutorando por Kâmil Uğurbil. Mas, em dezembro de 1989, Nicolau foi surpreendido por uma proposta do professor Seelig para continuar o pós-doutorado em seu grupo. “Seelig sabia que havia decidido ir aos Estados Unidos, pois ele mesmo escreveu uma carta de recomendação para mim. E havia-lhe comunicado a aceitação por Kâmil. Como era a época de Natal, resolvi ir à Itália, para pensar no assunto. Foi lá que decidi permanecer na Europa” recorda Nicolau. Durante o pós-doutorado, o físico até pensou em mudar de área e dedicar-se à investigação de estruturas de proteínas por RM. Após pleitear uma posição em Lausanne, igualmente na Suíça, no grupo de Geoffrey Bodenhausen, Nicolau teve uma importante conversa com aquele docente e percebeu que estava pretendendo entrar numa área que era mais voltada a químicos que a físicos. “Bodenhausen disse que me aceitaria em seu grupo, mas em sua opinião, seria melhor para o meu futuro que continuasse na área biomédica. Foi um choque para mim, mas refleti e aceitei seu conselho. Anos mais tarde, durante um congresso em Lausanne, agradeci-lhe o excelente conselho, que acabou tendo uma influência decisiva no meu desenvolvimento posterior”, conta Nicolau. Em 1993, Nicolau aceitou o convite de Markus Rudin para ingressar em seu grupo de RM na indústria farmacêutica, ainda na Basiléia. Um campo novo de atuação abria-se, voltado a aplicações na área biomédica e em farmacologia. Esta cidade é particular, pois apesar de ser pequena (aproximadamente 160.000 habitantes), oferece uma das maiores densidades de pesquisa biomédica no mundo. Além da pesquisa na Universidade, Basiléia prima pela pesquisa aplicada, realizada em seus laboratórios farmacêuticos. Vários laços unem as instituições acadêmicas e industriais, apesar de ambas guardarem suas autonomias. Dentro deste espírito, hoje Nicolau continua a trabalhar num laboratório farmacêutico, mas atua também como professor livre-docente no Biocentro da Universidade de Basiléia.

Como ex-aluno de uma universidade brasileira e docente de uma estrangeira, Nicolau diz que os doutorandos suíços trabalham de forma diferente, bastante organizada. Segundo ele, os estudantes suíços chegam ao instituto por volta das 9h, almoçam às 12h e vão embora às 16h. Depois de três ou quatro anos de estudos intensivos, eles defendem suas teses e publicam bem. “Eles são extremamente organizados e concentrados, só que a hora do lazer é sagrada. Sabem muito bem diferenciar uma coisa da outra. Quando estava em São Carlos, era frequente trabalharmos até tarde da noite e durante os fins de semana. Acho que éramos menos organizados, mas em compensação, mais sonhadores e talvez até mais entusiasmados pelo que fazíamos. Aprendi muito com os colegas na Suíça, mas mantive algumas das características do tempo de São Carlos – continuo a trabalhar longas horas, usar muito a intuição e meu entusiasmo pela pesquisa não diminuiu com as décadas”, comenta o ex-aluno. Quanto aos planos futuros, Nicolau revela que, se surgisse uma oportunidade, ele deixaria o setor produtivo e se focaria na área acadêmica novamente, uma vez que já está há vinte anos atuando na vertente industrial. De acordo com nosso entrevistado, a física é uma área que oferece uma base muito boa para diferentes tipos de atividades. Como exemplo, ele destaca profissionais que se formaram nessa área, mas que não atuam no campo acadêmico, mas sim em instituições industriais, bancárias e até na bolsa de valores da Suíça. “O caso mais interessante que soube foi de um assistente do Richard Ernst, em Zurique, que deixou a RM para dedicar-se à psicanálise. E hoje é um psicanalista de renome”, diz. Para ele, os jovens alunos pensam que há apenas um caminho para seguir, porém, no fundo há diversos rumos que eles podem tomar. Nicolau ainda diz que a física abre portas para diversas aplicações e o importante é que os estudantes procurem aquilo que realmente gostam e que não tenham medo de trilhar caminhos insólitos ou de buscar informações. Fazer o que se gosta, com dedicação, é fundamental em cada profissão e particularmente na pesquisa. Por fim, o ex-aluno do IFSC-USP relembra o conselho que recebeu de seu pai, que dizia que não abandonasse uma atividade escolhida no meio do caminho, sem a levar ao término. “Este conselho foi importante em diferentes fases de minha formação e continua sendo importante até hoje”, comenta. Além disso, Nicolau ressalta o apoio e exemplo recebidos de Horacio Panepucci, Joachim Seelig e Markus Rudin durante o seu desenvolvimento profissional. Sublinha as oportunidades que teve em trabalhar em lugares e ambientes diferentes, em Joinville, São Carlos, São Paulo, na Alemanha, na Suíça, e em Boston, onde há alguns anos realizou um sabático num dos hospitais de Harvard e o convite recebido de um professor de Tóquio para dar uma série de palestras no Japão, em 1996, onde acabou conhecendo a sua atual esposa: e a influência benéfica de conversas que teve com, entre outros, Sérgio Mascarenhas, Mário Schenberg, Geoffrey Bodenhausen, Kâmil Uğurbil, Floyd Bloom, e Richard Ernst.

Tiago Almeida Ortega

Graduação: IFSC – Bacharelado em Física / Habilitação: Óptica e Fotônica
Mestrado e Doutorado (em andamento): IFSC – Programa de Pós-Graduação em Física / Área: Física Aplicada
Atividade profissional atual: Pesquisador de equipamentos agropecuários na start-up Agrios

Para o piracicabano Tiago Almeida Ortega, que cursou Física com ênfase em Óptica e Fotônica, no nosso Instituto, a paixão pelas ciências exatas germinou no final de seu ensino fundamental, em uma escola Salesiana. Quando terminou o fundamental, Tiago mudou-se para o colégio CLQ Objetivo, onde, se defrontou com um conjunto de professores de matemática, biologia, física e química que eram excelentes e muito bem formados, com a particularidade de sempre incentivarem os alunos a atingir novos objetivos. Tiago, que sempre teve o apoio dos pais e de seus professores para seguir uma carreira relacionada com ciências exatas, diz que resolveu estudar em nosso Instituto imediatamente após ter pesquisado o conteúdo das disciplinas do curso, tais como Mecânica Quântica e Física Moderna, áreas que atraíram fortemente o jovem pesquisador. Quando ingressou no IFSC-USP, Tiago, assim como a maioria dos estudantes, não sabia qual área profissional que iria seguir: “Eu ainda não tinha certeza se queria ser professor ou pesquisador, já que naquela época não era capaz de enxergar grandes expectativas para os físicos trabalharem fora da academia no Brasil”, conta o nosso entrevistado.

No começo do segundo semestre, Tiago foi monitor em uma das edições da Escola de Física Contemporânea (EFC) e, na ocasião, acompanhou atentamente uma palestra do Prof. Dr. Jarbas Caiado de Castro Neto, docente de nosso Instituto, cujo foco era a criação de empresas voltadas para a área da óptica. Após assistir ao seminário, Tiago ficou encantado com a possibilidade de, ao contrário do que pensava até aí, poder atuar como físico na indústria. Foi como se uma porta se tivesse aberto. Assim que se formou, Tiago iniciou um estágio na empresa são-carlense Opto, que, posteriormente, o efetivou. Aí, ele realizou pesquisas e desenvolveu lasers de estado sólido para cirurgias e sistemas ópticos para oftalmologia. O jovem pesquisador fez seu mestrado dentro da empresa, orientado pelo Prof. Jarbas, e mais tarde optou por regressar ao IFSC para trabalhar com o Prof. Dr. Vanderlei Bagnato, no desenvolvimento de um sistema de Raio-X digital para a área odontológica. Seis meses depois, a convite de Jarbas Neto, Tiago voltou para a Opto, como gerente de linha de montagem, mas sem abandonar a sua intenção de continuar os estudos: “Nesse semestre, volto ao IFSC para trabalhar com o Jarbas e o Vanderlei em um novo projeto de meu doutorado”, sublinha o ex-aluno do IFSC.

No começo de 2013, Tiago e mais três sócios – dois engenheiros eletrônicos e um mecânico – decidem aventurar-se na criação de uma startup – a empresa AgriOS – Agricultural Optronics Systems -, voltada ao desenvolvimento de equipamentos para instrumentação agropecuária, tendo estabelecido uma parceria forte com o laboratório da Profa. Débora Milori (Embrapa) que, segundo Tiago, possui uma sólida linha de pesquisa nas técnicas ópticas e fotônicas para identificação de doenças de plantas e sistemas biológicos, e verificação de streses, entre outros: “A Embrapa estava em busca de um parceiro para viabilizar esta tecnologia, em forma de produto comercial, e foi com esse objetivo que firmamos a parceria. Foi um desafio, pois tínhamos bastante conhecimento na área de tecnologia, mas muito pouco na de aplicação. Porém, devido a importância do Agronegócio para nosso país e a carência de tecnologias no setor, não tivemos dúvida quanto a viabilidade do empreendimento.” De acordo com o ex-aluno do IFSC-USP, o difícil não é abrir uma empresa, e sim, mantê-la ativa, salientando que o que viabilizou o futuro próximo da empresa foi o indispensável apoio da FAPESP, numa modalidade destinada exclusivamente para pequenas empresas, no valor aproximado de R$ 500.000,00, que se estenderá até o final de 2015. O equipamento (portátil) que está sendo desenvolvido pela AgriOS proporciona um diagnóstico rápido de doenças em laranjas, devendo começar a ser comercializado até o final de 2015. Quanto aos planos futuros, Tiago diz que pretende finalizar seu doutorado, continuar investindo no crescimento de sua empresa e voltar à Universidade como colaborador: “Essa minha intenção tem a finalidade de ajudar a transmitir aos alunos que eles podem gerar sua própria riqueza e emprego. Esse foi o caminho que as grandes nações seguiram”. Segundo ele, a graduação é uma época muito rica e os alunos devem aproveitar essa fase para construir amizades, adquirir novos conhecimentos e aproveitar os ensinamentos que os professores transmitem. Tiago afirma que os estudantes devem absorver o máximo de conhecimento, porque eles serão cobrados por isso, no futuro. Tiago ainda sugere que os alunos deixem suas próprias marcas na Universidade e ajudem a construir um país melhor. Sobre o empreendedorismo, nosso entrevistado afirma que é algo que se aprende, se ensina e se doutrina a realizar: “Eu acho que falta muito disso na nossa realidade cotidiana”, conclui.

Maria Amélia Villela Oliva Dotta

Graduação: UFSCar – Ciências Biológicas
Doutorado Direto: IFSC – Programa de Pós-Graduação em Física / Área: Física Aplicada / Opção: Física Biomolecular
Atividade Profissional atual: Supervisora de projetos e de biotecnologia no laboratório da EMS

A ex-aluna do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), Maria Amélia Villela Oliva Dotta, tem 31 anos e nasceu em São Carlos, mas atualmente vive na cidade de Campinas, onde trabalha como supervisora de projetos e de biotecnologia no Laboratório EMS S/A, uma indústria farmacêutcia nacional dedicada à produção de medicamentos genéricos e que, desde há alguns anos, busca produtos inovadores incluindo os biofármacos.

A USP sempre esteve presente na vida da pesquisadora, já que seu avô, o Prof. Dr. Swami Marcondes Villela, foi aluno e dire-tor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP), a exemplo de seus pais, igualmente formados na mesma Unidade da USP. No ensino fundamental, realizado na Escola Educativa, em São Carlos, Maria Amélia já demonstrava grande interesse pelas ciências exatas e biológicas. Após ter participado de diversas feiras científicas e de eventos promovidos pela USP, por influência direta de seus pais, ingressou na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde cursou Ciência Biológicas. No terceiro ano da graduação, Maria Amélia participou de um curso de ciência que contou com a participação do Prof. Dr. Otavio Henrique Thiemann, do Grupo de Cristalografia do IFSC. Apaixonada pelo conteúdo apresentado por Otavio, que versava sobre filogenia de proteínas, ela conversou com o docente e iniciou um projeto de Iniciação Científica no Instituto de Física de São Carlos, o que abriu caminho para que a pesquisadora fizesse sua Pós-Graduação no Instituto, onde iniciou o seu Mestrado. Ao ser incentivada por Otávio a elaborar um projeto de doutorado voltado a rota de síntese do aminoácido selenocisteína em tripanosomatideos, ela aceitou o desafio e submeteu seu trabalho à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP, que foi aprovado. “Deixei de lado a minha bolsa de mestrado e me apliquei totalmente ao doutorado direto”, salienta Amélia que, em 2009, teve a oportunidade de estagiar durante oito meses na Yale University, nos Estados Unidos. Na opinião da pesquisadora, a pós-graduação do IFSC-USP é bastante focada no âmbito acadêmico. Quando foi à universidade de Yale, ela se surpreendeu com o contato que aquela instituição tinha com as grandes empresas. “Percebi que a área das ciências exatas é o futuro para empresas alimentícias, farmacêuticas, agronômicas, entre outras que hoje necessitam de profissionais com a especialização interdisciplinar que o IFSC apresenta em sua pós-graduação, já que são poucos os cursos que têm o conceito da grade curricular do Instituto, fato que me permitiu ter mais segurança em minha profissão e maior contato, tanto com a física básica e aplicada, quanto com biotecnologia e cristalografia”, afirma Maria Amélia, acrescentando que nunca teve a intenção de atuar na área acadêmica. A justificativa está no fato de desde quando começou o curso de biologia, já tinha uma visão ampla sobre as ciências exatas, de que tudo o que aprendia tinha utilidade prática. Quando regressou ao Brasil, Maria Amélia contou a Otavio Thiemann que estava interessada em trabalhar na vertente industrial. “O Otávio contatou todas as pessoas que ele conhecia e que atuavam no mercado, sendo que dois meses após finalizar o meu doutorado fui contratada pela EMS. Estou lá há três anos”, diz a ex-aluna do IFSC-USP. Segundo Maria Amélia, mesmo sendo destaque na área de medicamentos genéricos, a EMS não possui linhas de produtos inovadores, como os biofármacos, provenientes de células animais. Assim a estratégia da empresa foi rumar na consolidação de parcerias com companhias estrangeiras que pudessem fornecer medicamentos para a indústria, revendendo-os, mas que tivessem um interesse suplementar em realizar transferência de tecnologia para a EMS produzir e comercializar seus próprios fármacos. Para isso, a EMS, que hoje emprega cerca de sete mil funcionários, possui uma equipe que viabiliza a busca por medicamentos importados e inovadores, cooperando com a internacionalização dos produtos da companhia. Atualmente, esse grupo, denominado “Divisão de Inovação Farmacêutica”, é coordenado por Maria Amélia. “Além de fazermos o trâmite junto ao Ministério da Saúde e da ANVISA no registro dos medicamentos importados, trabalhamos ao lado da equipe de produção onde auxiliamos na transferência de tecnologia , para que possamos concretizar o objetivo da empresa de criar seus próprios fármacos”, explica a egressa da USP.

Quando foi contratada pela EMS, Maria Amélia era analista de biotecnologia em uma equipe responsável por analisar a viabilidade de produtos importados para a empresa. Hoje, além de coordenar esta equipe, ela supervisiona diversos projetos de internacionalização. “Expandi meu horizonte para os produtos sintéticos. Então, tive que estudar a parte de farmacologia e química sintética para poder incorporar esses produtos no setor em que sou responsável atualmente”, revela a pesquisadora, que sublinha a importância da pós-graduação do IFSC, já que hoje são poucas as instituições que oferecem habilidades para profissionais que querem trabalhar com biotecnologia no ramo farmacêutico. De acordo com ela, a indústria tem uma dinâmica maior do que a da academia. Ao contrário do setor acadêmico, no industrial tudo ocorre de forma mais veloz “Sem muitos papéis burocráticos e assinaturas. A indústria não se importa muito com a quantidade de artigos que você publicou e em quais revistas eles foram destacados. O interesse dela está naquilo que você sabe fazer. Era essa dinâmica que eu buscava quando terminei o doutorado”, revela Maria Amélia Dotta. Para ela, outro diferencial de atuar na indústria é que o diploma de doutorado é bastante valorizado, mas não tanto assim… “De fato, o mercado valoriza o doutorado, mas não da mesma forma como ele é supervalorizado na academia. Contudo, um especialista que ingressar no mercado não ganhará menos do que o salário de um professor recém contratado na academia. Agora, um profissional com cerca de dez anos de experiência, pode receber facilmente vinte ou vinte e cinco mil reais, e isso tendo como referência apenas o mercado brasileiro”, diz Maria Amélia, que acrescenta: “Hoje, a indústria nacional sabe que não sobreviverá apenas com a produção de medicamentos genéricos. Em algum momento ela precisará internizar e ampliar a inovação nos seus produtos de linha”.

Com três anos de experiência na vertente industrial, Maria Amélia visa ascender profissionalmente. Na EMS, ela tem acompanhado não só o processo de inovação da empresa, como também desse mercado. Neste sentido, está bastante familiarizada com as dificuldades das companhias farmacêuticas e, atualmente, Maria Amélia pensa em criar a sua própria empresa, tendo em vistas a oferta de prestação de serviço e desenvolvimento na área em que já atua. Todavia, ela acredita que é importante saber valorizar e estar ciente do potencial que cada estudante possui. “Eu acredito nas vocações das pessoas. Gostar de ciência é fácil! Não falo isso apenas como cientista, mas também como profissional da indústria. O aluno que quer ingressar em um curso de física tem que pensar além da ciência”. Para a pesquisadora, o estudante deve refletir no modo em que quer utilizar a ciência, seja dentro da academia ou seja na ciência aplicada, a serviço da comunidade e do desenvolvimento tecnológico do Brasil.. Tendo surgido esse questionamento apenas no final de sua pós-graduação, Maria Amélia acredita que se tivesse pensado nesse leque de opções, ainda no início de sua vida acadêmica, talvez tivesse se direcionado para disciplinas e atividades que hoje seriam muito mais importantes para a sua profissão. “Meu curso de graduação foi de bacharelado e licenciatura; hoje, penso que, ao invés de ter optado por também se formar em licenciatura, poderia ter escolhido outras disciplinas que tivessem um viés mais aplicado”, completa Maria Amélia, que incentiva os jovens estudantes a pensarem no futuro e buscarem seus objetivos para que sejam concretizados.

Marcos Antonio da Silva

Graduação: IFQSC – Bacharelado em Física / Opção: Teórico-Experimental
Mestrado: IFSC – Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ciência e Engenharia de Materiais
Atividade profissional atual: Gerente de projetos e Análise de Negócios na Samsung

Marcos Antonio da Silva, de 42 anos, sempre estudou em escola pública e conta que desde a infância sempre teve facilidade com os números e uma grande curiosidade sobre como as coisas funcionavam ao seu redor. Algo que contribuiu bastante para que Marcos seguisse o caminho da física foi uma visita que fez à UNICAMP (Programa Universidade Aberta), ainda durante o ensino médio. Ao conhecer os laboratórios e diversas experiências demonstrativas de física feitas durante o evento naquela universidade, ele teve certeza de que era aquilo que gostaria de fazer pelo resto de sua vida. Nessa época, aos 14 anos, Marcos já trabalhava: “Para a minha família, trabalhar durante a adolescência era um processo natural de todo o ser humano”. Marcos trabalhava durante o dia em um escritório de engenharia civil e cursava o ensino médio no período noturno. Apesar do trabalho, que ocupava grande parte de seu dia, Marcos não desistiu de tentar ingressar na universidade.

Assim que terminou o colegial, Marcos Antonio veio para São Carlos, onde ingressou no Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP). “Quando escolhi prestar o vestibular, estava encantado com a UNICAMP, inclusive pelo fato de ter visitado o campus durante o colegial. Mas, nesse período, um professor me aconselhou a prestar a FUVEST para ingressar na USP, mesmo eu estando concentrado na UNICAMP. Fiz a prova da FUVEST bem relaxado, sem nenhuma pressão e, por um erro na correção da minha redação no vestibular da UNICAMP, não passei onde eu queria. Quando saiu o resultado da FUVEST foi uma grande surpresa: eu havia passado e iria para São Carlos”. Logo que chegou a São Carlos, Marcos ficou muito satisfeito com a USP e com a cidade que o acolheria durante os anos de graduação e pós-graduação. Para ele, a transição para a nova cidade, com pessoas e rotina diferentes, foi um processo recheado de descobertas. O ritmo de estudos era completamente diferente, comparado ao do colégio, porque na Universidade ele ficava 16 horas dentro da sala de aula e outras 40 horas estudando ao longo da semana. Apesar das horas de estudo e dedicação, hoje, Marcos sente-se satisfeito com o resultado de seu esforço durante a vida acadêmica. Ele acredita que fez uma excelente graduação no IFSC-USP, que só lhe trouxe satisfação. Após concluir sua graduação, Marcos deu início ao seu mestrado, com o Prof. Dr. Tito J. Bonagamba, na área de ressonância magnética, até porque, anteriormente, já tinha realizado atividades de iniciação científica na mesma área, bem como algumas monitorias no Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC), onde recebia algum dinheiro para pagar o aluguel da república onde residia. Em determinado período da graduação, no IFSC, Marcos ainda reservava alguns dias para dar aulas em Barra Bonita (SP), cidade onde sua família sempre morara.

Quando ingressou no nosso Instituto, Marcos pretendia seguir a carreira acadêmica. Porém devido à necessidade financeira durante o mestrado, começou a trabalhar num provedor de internet da cidade, o que veio a despertar o interesse pela indústria de TI. Em 1998, Marcos Antonio mudou-se para uma pequena cidade chamada Santa Rita do Sapucaí (MG), onde morou durante um ano, trabalhando em outra empresa voltada para a área de tecnologia de informação (TI) e telecomunicações. Em 1999 foi transferido daquela cidade para Campinas (SP) e com essa oportunidade conseguiu finalizar o seu mestrado no IFSC- USP no ano seguinte. Após esse período, Marcos foi contratado pelo Instituto de Pesquisas Eldorado, onde trabalhou no desenvolvimento de software. Devido ao seu excelente desempenho, foi promovido ao cargo de líder de projetos, tendo recebido diversos treinamentos na área de liderança e gestão projetos; em 2005, obteve uma certificação internacional – Project Management Professional (PMP). Nesse período, fez uma pós-graduação latu-sensu na PUC Campinas e um MBA em Negócios e Marketing na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Após oito anos no Instituto Eldorado, o nosso entrevistado foi para o Rio de Janeiro trabalhar na empresa multinacional Accenture. Nela, Marcos gerenciou e participou de grandes projetos, como, por exemplo, da homologação do sistema de portabilidade numérica na telefonia (mudança de operadoras sem a necessidade de trocar o número telefônico). Posteriormente, Marcos foi chamado pela empresa Borland para trabalhar na área de consultoria e serviços de TI. Depois de terminado um projeto de seis meses, Marcos Antonio e um amigo abriram a empresa WCJ IT, voltada a consultoria e gestão de projetos. Após alguns sucessos obtidos com a empresa, os dois amigos enfrentaram alguns obstáculos que quase levaram ao fechamento da empresa.

Em 2012, a Samsung chamou Marcos para uma entrevista. Nela, um dos gerentes da empresa fez uma pergunta curiosa para o ex- aluno do IFSC: “Ele perguntou no que a física poderia contribuir para a empresa e porque ela deveria contratar um físico”. Surpreso, Marcos explicou que há diversas coisas que o físico enxerga de maneira diferente, fator que destaca os físicos dos outros profissionais. “Nós, físicos, sempre temos um questionamento natural sobre como as coisas funcionam e isso é um diferencial durante a análise de um problema e na proposição da solução”. Assim, Marcos foi contratado pela Samsung como gerente de projetos. Profissionalmente, Marcos também já integrou diversas empresas, onde atuou no setor produtivo. Durante sua trajetória, naturalmente surgiram diversos obstáculos, entre eles o de ser um físico na indústria de TI, segmento no qual a maior parte dos profissionais em exercício são graduados em cursos de ciências de computação, por exemplo. No entanto, dessa experiência, ele tirou a lição de que na física, os alunos “aprendem a aprender”, inclusive pelas dificuldades que a disciplina contém e assim os prepara para quase todas as situações. O mercado de TI está bem aquecido no Brasil há um bom tempo e ainda há muito espaço e excelente oportunidade para bons profissionais.

Há aproximadamente dez anos, Marcos trabalha com gestão de projetos e está se dedicando atualmente para obter uma nova certificação internacional em Análise de Negócios. Sua perspectiva para o futuro é crescer na vertente gerencial, porém sem se distanciar muito da área técnica, na qual ele pode contribuir com toda a experiência que adquiriu na Universidade e no mercado de trabalho. Ele acredita que em qualquer área que algum aluno da física desejar atuar, o importante é dedicar-se e seguir em frente. Os caminhos que um aluno pode escolher após a graduação são muito diversos e ricos. Para Marcos, isso é muito importante, já que o Brasil precisa de bons físicos, principalmente, na indústria. “Devido à capacidade de adaptação dos físicos, há uma grande demanda no mercado, mas é preciso, no entanto, que as graduações em física se aproximem mais da indústria”, afirma. Para o ex-aluno, a Universidade deve abrir mais as portas para o mercado e estreitar sua relação com as empresas, incluindo estágios e disciplinas que contribuam para que os estudantes terminem a fase acadêmica e estejam prontos para encararem tanto os laboratórios de pesquisa e as salas de aulas, quanto o setor produtivo. “Os alunos, durante a graduação, têm a chance de saber se realmente pretendem seguir aquele caminho ou se querem recomeçar noutra área”. Marcos Antonio ainda diz que, com a idade que a maioria dos jovens conclui a graduação, há bastante espaço para eles recomeçarem, além do que não devem ter medo de se arriscarem naquilo que gostam. Para Marcos, os alunos que optarem pelo mercado de trabalho precisarão ter paciência, calma e perseverança, pois irão enfrentar muitos obstáculos e grandes experiências até colherem os resultados. Todavia, deverão sempre procurar ingressar nas melhores empresas e tomar cuidado para não se encantarem apenas com os salários, já que muitas vezes a satisfação de trabalhar em uma prestigiada empresa e com projetos interessantes vale bem mais do que uma elevada remuneração. Marcos conta que durante os dois anos que integra a Samsung já teve a oportunidade de trabalhar com pessoas de culturas diversas e de colaborar em projetos desafiadores, além viajar para o exterior diversas vezes (para a Coreia do Sul com certa frequência), e que essa experiência e satisfação ele não poderia ter tido se não estivesse trabalhando em uma empresa multinacional de grande porte.

A Samsung Electronics – considerada a 8ª marca mais valiosa do mundo, segundo a consultoria Interbrand -, foi fundada em 1969 e emprega atualmente 286 mil funcionários em 80 países, sendo líder mundial na produção de TV’s digitais, chips de memória e aparelhos celulares. Os Investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento, em 2013, chegaram a US$ 13,6 bilhões e as vendas, superaram os US$ 216,7 bilhões. A Samsung tem 38 unidades fabris, 34 centros de Pesquisa e Desenvolvimento e 6 Design Centers espalhados pelos cinco continentes. Ao todo, 69,3 mil pessoas atuam em P&D para que a Samsung seja sinônimo de pioneirismo e novas tecnologias.

Aparecido Rodrigues da Silva

Graduação: IFSC – Licenciatura em Ciências Exatas / Habilitação: Física
Mestrado: IFSC – Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ciência e Engenharia de Materiais
Doutorado: IFSC – Programa de Pós-Graduação em Física / Área: Física Aplicada / Opção: Física Biomolecular
Atividade profissional atual: Gerente de Engenharia de Produtos na Faber-Castell

Aparecido Rodrigues da Silva, de 46 anos, nasceu em Santa Clara D’Oeste (SP), mas considera-se são-carlense, já que seus pais se mudaram para São Carlos quando ele ainda tinha apenas um ano de idade. Durante o ensino fundamental, estudou no SESI, tendo posteriormente cursado o ensino médio na Escola Jesuíno de Arruda. Sua paixão pelas ciências exatas, mais especificamente, pela matemática, surgiu ainda no ensino fundamental, já que, segundo ele, nunca precisou estudar essa disciplina. Apesar de não ter sido influenciado por seus docentes, Aparecido Rodrigues conta que era um aluno bem destacado e que sempre gabaritava as avaliações de matemática.

Nesse período, além de ter concluído também um curso de técnico de informática, no Colégio Diocesano La Salle, também finalizou cursos de mecatrônica e mecânica, no SENAI, que contribuíram para o início de sua carreira profissional. A escolha em fazer cursos profissionalizantes foi incentivada por seu próprio pai que, apesar de não ter terminado o ensino médio, fez um curso de aprendizagem industrial, que contribuiu fortemente para a melhoria de vida da família de Aparecido. “Como o curso foi uma referência na vida de meu pai, ele sempre me incentivou a fazer esses cursos, até porque na visão dele isso era o máximo que se podia alcançar. A universidade era uma meta inatingível para ele”, revela Aparecido.

Após terminar o ensino médio e os cursos profissionalizantes, Aparecido Rodrigues trabalhou durante quase quatro anos na empresa Climax (atualmente, Eletrolux), tendo posteriormente ingressado na empresa Faber Castell, onde trabalha até hoje. Aos 24 anos de idade, Aparecido se reencontrou, por mero acaso, com uma sua antiga amiga – que na época fazia doutorado no Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP) -, que informalmente lhe deu notícia sobre alguns cursos que decorriam na USP. Logo após conversar com essa amiga, Aparecido ficou bastante interessado sobre os cursos que a Universidade oferecia, tendo ingressado no curso de Ciências Exatas, com ênfase em Física, no Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP). “A partir do segundo ano do curso de Ciências Exatas, comecei a trabalhar com alguns docentes, com a vontade de construir uma carreira científica”. Nesse sentido e em simultâneo, Aparecido frequentou dois anos de iniciação científica com o Prof. Dr. Eduardo Marques, do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC-USP), no desenvolvimento de hardwares.

No quarto ano de graduação, Aparecido foi convidado pelo Prof. Dr. Euclydes Marega Junior (IFSC-USP), para realizar outra iniciação científica, já que o docente do Instituto tinha um trabalho em desenvolvimento no Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC), que necessitava de alguns equipamentos que tinham relação com o trabalho exercido por Aparecido. Em 1998 terminou sua graduação e, no ano seguinte, deu inicio ao seu mestrado. Depois de uma pausa nos estudos, iniciou seu doutorado em Biofísica.

Quando entrou na Faber, Aparecido atuou durante 10 anos na oficina da fábrica, onde produzia moldes de injeção. Seguidamente, quando ingressou na graduação da USP, ele trabalhou durante mais um ano na oficina e, posteriormente, devido ao seu aprimoramento, passou a trabalhar com projetos. “Terminei a minha graduação na USP como projetista na Faber. Na sequência, enquanto realizava o mestrado, fui promovido para a área de desenvolvimento de produtos, já que tinha conhecimentos no manuseamento de plásticos e experiências práticas com projetos e moldes. Eu digo que a minha evolução na empresa esteve fortemente correlacionada com o caminho que segui na Universidade”.

Hoje, Aparecido é gerente de engenharia de produtos da Faber, setor responsável por todo o desenvolvimento técnico dos produtos da indústria. Segundo ele, um físico formado, que atua numa empresa com as características da Faber Castell, pode auferir, no mínimo, três ou quatro mil reais, enquanto que um profissional com mais experiência e que possua mestrado, pode receber entre seis e nove mil reais.

Um dos próximos passos desejado pelo ex-aluno do IFSC-USP é realizar o seu pós-doutorado, tudo indicando que seja sob orientação do Prof. Dr. Tito José Bonagamba (IFSC-USP). “O Prof. Tito é um profissional bastante dinâmico e prático e eu acho que, de alguma forma, ele combina com o meu perfil de trabalho”. No entanto este projeto precisa aguardar um momento profissional mais adequado do Aparecido, pois atualmente não haveria tempo disponível para que ele dedicasse as atividades de pesquisa do pós-doutorado.

Por fim, para um aluno que busca formação, visando o mercado de trabalho, Aparecido Rodrigues opina que, além de ir atrás de uma formação sólida, esse futuro profissional deve se questionar sempre em qual área ele pode ser um diferencial, destacando-se dos demais. “Eu tenho duas filhas e uma delas faz estágio numa empresa aqui em São Carlos. Sempre procuro incentivá-la a fazer aquilo que ela gosta, da melhor maneira possível. Se o jovem tem um desejo, ele deve correr atrás, até porque muitas vezes as pessoas enxergam obstáculos que não são reais”, completa.

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