Prof. Vanderlei Salvador Bagnato, diretor do IFSC no período de 20/02/2018 a 19/02/2022, fala sobre a excelência do IFSC

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Prof. Eric Andrade, docente do IFSC no período de 18/01/2016 a 21/07/2022, fala sobre o ambiente de pesquisa no IFSC

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Estudante Laureana Fontolan fala sobre sua pesquisa no IFSC

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Total de defesas: 2182 (100%)
Mestrado: 1244 (57.01%)
Doutorado: 938 (42.99%)

Mario Antonio Stefani

Graduação: EESC – Engenharia Eletrônica
Mestrado: IFQSC – Programa de Pós-Graduação em Ciências / Área: Física Aplicada
Doutorado: IFSC – Programa de Pós-Graduação em Física / Área: Física Aplicada
Atividade profissional atual: Sócio-Gerente e Diretor da Opto

Após se formar em engenharia mecânica aeronáutica e também em eletrônica, pela EESC-USP, Mario Antonio Stefani, de cinquenta e dois anos, sentiu falta de adquirir ainda mais conhecimento básico na área. Foi nesse momento, na década de oitenta, que o atual ex-aluno da Universidade de São Paulo decidiu fazer seu mestrado e doutorado em física no IFSC-USP, na área de óptica e laser, um campo que estava começando a se desenvolver no Brasil. Como era final da década de 80 e o Brasil acabava de sair de uma ditadura e de uma crise econômica, Mario enxergou grandes oportunidades numa área em que se utilizava laser. Para ele, até os dias de hoje, há muito que fazer no Brasil, o que torna o país um local com grandes oportunidades para os futuros e jovens profissionais que tenham vocação empreendedora. Mario conta, ainda, que naquela época os alunos que estudavam na física já deslumbravam com a área de lasers, um campo com diversas opções de atuação e novas soluções tecnológicas: fato que mexeu com a mente do engenheiro e o trouxe para o Instituto de Física de São Carlos. “O caminho é sempre esse, da tecnologia básica para a aplicada. A física era tecnologia básica e conhecimento científico e eu tinha background de engenheiro, ou seja, já sabia transformar uma coisa em outra. Hoje, se você ingressar na física, irá se deparar com diversas pesquisas, tecnologias básicas e várias oportunidades de futuras aplicações no mercado”, explica o profissional.

Durante seu mestrado e doutorado, Mario já trabalhava na Opto, empresa de tecnologia optoeletrônica sediada em São Carlos, criada por um grupo de pesquisadores oriundos do próprio IFSC-USP. Assim, todos os seus trabalhos de mestrado e doutorado foram realizados dentro da própria empresa, onde acabou por ser o responsável pelo departamento de novos produtos da firma. Segundo ele, foi uma grande oportunidade que apareceu em seu caminho profissional: “Eu tive o apoio de alguns professores que enxergavam a importância de se fazer o mestrado e doutorado, trabalhando com aquilo que você aprendeu e criou na indústria, uma quebra de paradigma na época”, diz Mario Stefani. Durante seu mestrado, ele desenvolveu um princípio de impressora a laser, um trabalho complexo que gerou várias outras tecnologias além da forma de controle dessas máquinas. Essa base tecnológica deu origem a diversos outros produtos para a empresa, como lasers para aplicações médicas na retina, câmeras para o fundo do olho, bem como sistemas de monitoramento agroambientais. Posteriormente, já em seu doutorado, Mario criou um medidor de distância a laser, que rendeu diversas aplicações, tanto industriais, quanto na área de defesa e espaço. Essa bagagem permitiu que a Opto – empresa na qual Mario se tornou sócio há vinte e sete anos – participasse de uma série de programas estratégicos na área de defesa e espaço. A Opto, por exemplo, desenvolveu as câmaras de sensoriamento remoto brasileiras para os satélites CBERS, numa parceria do Brasil com a China. Ou seja, todo esse conhecimento em óptica e laser adquirido por Mario na engenharia e na física, desde a graduação até o doutorado, foi fundamental para a criação de todos os produtos que desenvolveu.

Durante essas quase três décadas em que se dedica a Opto, Mario revela que sempre passou por altos e baixos, sendo essa a primeira lição que aprendeu. Desde quando participou da fundação da Opto, em 1986, ele passou por diversas crises, principalmente, durante a criação dos primeiros produtos desenvolvidos pela empresa, numa época em que Mario ainda não tinha noções de qualidade, processo, legislação fiscal e trabalhista e normas de segurança, tópicos que, para ele, eram totalmente estranhos para um físico. “Foi a primeira pancada que a gente levou”. Um ano após a fundação da firma, o Prof. Dr. Milton, um dos sócios fundadores que havia dado aulas para ele no IFSC, conseguiu convencer um banco a investir na empresa e deu certo. A primeira mudança durante essa nova fase da companhia foi exatamente substituir os artigos científicos pela busca e criação de aplicações que dessem retorno financeiro. Foi assim que ele e sua equipe acabaram desenvolvendo uma série de produtos para a área industrial e, posteriormente, para a área médica. Para ele, no começo foi muito difícil encontrar os produtos em que a Opto pudesse competir no mercado e ganhar dinheiro, mas depois de muitas tentativas e erros a equipe acabou por encontrar o caminho. Um desses produtos, um modelo de refletor de luz fria, foi o “ganha pão” da firma por longo tempo, e chegou a ter participação de quarenta e sete por cento do mercado mundial para a Opto. Mario lembra, porém, que depois de quase vinte anos neste mercado, produtos destinados ao mercado odontológico, os chineses conseguiram entrar com produtos de baixa qualidade e extremamente baratos e acabaram por expulsar a Opto deste segmento. “Essa é uma das lições mais importantes. A solução de hoje pode não ser a de amanhã. De uma hora para outra as coisas mudam, pois além do risco de ruptura tecnológica, que é inerente à nossa atividade, existem riscos de mercado, de gestão, de legislação fiscal entre outros ”.

Para os alunos que estão cursando a Física na USP, Mario sugere que eles se aproximem dos empresários para que possam adquirir as experiências desses profissionais, já que muitos estão atuando há trinta ou quarenta anos e têm muitas histórias para contar. “Essas histórias são reais, vivências muito importantes, principalmente porque o Brasil só vai melhorar quando essa experiência não for perdida, os erros têm que ser conhecidos e evitados, as lições têm que ser aprendidas”, finaliza nosso entrevistado.

André Muezerie

Graduação: IFSC – Bacharelado em Física / Opção: Física Computacional
Mestrado e Doutorado: IFSC – Programa de Pós-Graduação em Física / Área: Física Aplicada / Opção: Física Computacional
Atividade profissional atual: Desenvolvedor de provedor na Microsoft USA

André Muezerie, ex-aluno do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), tem 37 anos e atualmente mora nos Estados Unidos, onde trabalha na sede da conceituada Microsoft, na cidade de Redmond, estado de Washington. Nascido na Holanda, André realizou a maior parte de seu ensino fundamental em São Bernardo do Campo, São Paulo, no colégio São José. Naquela época, pelo fato de ainda estar aprendendo o português, teve bastante dificuldade com as disciplinas sociais, porém, sempre teve maior facilidade com as exatas. Durante o ensino médio, sua família mudou-se para São Carlos, onde André fez curso colegial técnico em eletrônica na Escola Técnica Estadual Paulino Botelho. Um de seus professores do “cursinho” havia comentado com ele sobre o curso de Física Computacional oferecido pelo IFSC-USP. André achou o título da disciplina bastante curioso, pesquisou sobre o curso e decidiu que ingressaria no Instituto de Física de São Carlos. Após terminar sua graduação, o ex-aluno do IFSC-USP pretendia continuar na área acadêmica, tendo por isso iniciado o seu mestrado. Foi mais tarde, durante o doutorado, que resolveu ir para o setor industrial: “Eu me dei conta de que as oportunidades na indústria eram maiores e mais gratificantes para mim. Tenho bastante satisfação de trabalhar com algo mais concreto e ver esse trabalho amadurecer”. Assim que terminou o seu doutorado, André Muezerie começou a trabalhar numa startup em São Carlos, chamada 3WT – Wireless Web Word Tech -, onde atuou no desenvolvimento de sistemas embarcados. Após um ano e meio, uma ex-colega do André que também estudou no IFSC, avisou-o que um recrutador da Microsoft estava à procura de novos profissionais; foi aí que André resolveu enviar o seu currículo para participar da entrevista. Após passar por diversas etapas do recrutamento, André recebeu duas ofertas de emprego para trabalhar dentro da renomada empresa: a primeira era para atuar no grupo responsável pelo desenvolvimento do compartilhamento de arquivos do Windows, conhecido como SMB, enquanto a segunda oferta foi para trabalhar em outro grupo que desenvolvia um produto para prover alta disponibilidade no Windows Server, setor em que André atua até hoje como desenvolvedor. “Eu escolhi trabalhar com essa equipe, porque o produto que eles desenvolvem é mais abrangente, além do fato de que eles interagem muito com componentes de outros grupos. Então, achei que eu teria maior oportunidade de aprender coisas novas nesse setor e ter mais sucesso na minha carreira”, explica o ex-aluno do IFSC-USP. A ansiedade foi o principal obstáculo que André Muezerie enfrentou quando começou a trabalhar na Microsoft, já que não sabia como seria o seu futuro profissional na empresa. Porém, ainda de acordo com o físico computacional, no final tudo decorreu de forma tranquila. Segundo ele, o salário bruto de quem ingressa numa companhia parecida com a Microsoft, nos Estados Unidos, varia de acordo com a cidade e com o estado, mas pode chegar a, aproximadamente, R$ 229.000,00 por ano. “Nós sabemos que o pessoal que trabalha na Califórnia ganha cerca de vinte ou trinta por cento a mais do que aquele que trabalha em Washington”, pontua André, sublinhando que essa diferença se deve ao fato do custo de vida na Califórnia ser mais alto, principalmente devido aos altos custos de moradia e à cobrança de imposto de renda estadual em acréscimo ao Federal, que é comum a todos os estados. Trabalhando há sete anos na Microsoft, André Muezerie acredita na possibilidade de crescer profissionalmente, uma vez que a empresa oferece oportunidades para que seus funcionários mudem de projetos e de grupos dentro da própria firma, fator que tem dado bons resultados à empresa e aos próprios empregados. Por fim, segundo a opinião de André Muezerie, os alunos que ingressarem no IFSC deverão se dedicar bastante ao curso, traçar um objetivo profissional e batalhar muito para alcançarem o objetivo almejado. Ele completa, ainda, sugerindo aos alunos pensarem grande, não se restringindo aos mercados locais ou nichos específicos.

Willian Andrighetto Trevizan

Graduação: IFSC – Bacharelado em Física / Habilitação: Teórico-Experimental
Mestrado e Doutorado: IFSC – Programa de Pós-Graduação em Física / Área: Física Básica
Atividade profissional atual: Pesquisador no Cenpes/Petrobras

O motivo pelo qual escolheu a área da Física foi o interesse que sempre manifestou em entender como funcionam as coisas, como, por exemplo, as particularidades da Natureza, como um todo, algo que igualmente sempre esteve ligado ao sonho de poder vir a ser um cientista. Aprender… Entender… Aplicar.

Willian Andrighetto Trevizan tem 25 anos, nasceu em São José do Rio Preto (SP) e desenvolve sua atividade profissional no Centro de Pesquisas da Petrobras, Rio de Janeiro, no laboratório de ressonância magnética nuclear. Um dos maiores apoios que recebeu para seguir a área da Física foi através de seus pais, embora no início eles tenham mostrado algumas reticências. Hoje, sorri ao recordar o comentário que seu pai fez recentemente: “Nossa, quando você disse que ia fazer física eu fiquei meio preocupado”. Willian conta que nos seus tempos de estudante teve um professor de física que era meio estranho, tipo maluco, e logo relacionou a imagem do “tal” professor quando falou para seu pai que ia fazer física. Mas, o certo é que sempre recebeu o maior apoio de seus pais.

Foi com o foco de seguir a carreira acadêmica que Willian optou por fazer sua graduação no IFSC, em 2005, e essa ideia – quase obsessiva – acompanhou-o durante toda sua vida acadêmica: “É comum, na graduação de física, o pessoal ir desanimando e desistindo no meio. No meu caso, isso não aconteceu”, conta o nosso entrevistado. Embora ainda sem um foco específico solidificado em relação a seu futuro profissional, Willian continuou com aquele entusiasmo inicial, com uma preferência muito forte pela pesquisa teórica, mantendo sua ânsia de entender como as coisas funcionavam. Durante a graduação, fez uma iniciação científica na área de ressonância magnética, por seis meses, mas o mundo teórico continuava falando mais alto; era uma paixão, tendo levado em frente esse objetivo e concretizado o mestrado sob a supervisão do saudoso Prof. José Eduardo Martinho Hornos, na vertente de modelagem de sistemas biológicos.

Foi quando, de repente, o jovem Willian parou para pensar seriamente sobre o caminho que tinha pela frente, traduzido em um momento de reflexão no primeiro patamar da transição para adulto: de repente, a carreira acadêmica deixou de fazer sentido para o jovem: “Comecei a pensar que iria demorar bastante para alcançar uma estabilidade e um retorno econômico-financeiro, já que o que eu estava fazendo não dava garantia de aplicação: isso começou a me incomodar seriamente”, recorda Willian Trevizan, que admite que é exatamente no mestrado que começam a surgir elementos novos para o aluno, abrindo-se outras perspectivas. Lentamente, o sonho de ser cientista ficou para trás e Willian decidiu terminar o mestrado (teórico) e parar por aí. Embora tenha feito a prova de doutorado, com resultado positivo, o jovem estudante decidiu partir à procura de um rumo profissional na área produtiva: se não desse certo, então voltaria para a academia.

Quase como respondendo aos an-seios de Willian, a Petrobras abriu, nesse período, um concurso para admissão de físicos na área de geofísica e isso atraiu a atenção do jovem estudante: “Nesse concurso tinha provas para geofísicos, geólogos e físicos e eu resolvi arriscar. Simultaneamente, comecei a trocar impressões com o Prof. Tito Bonagamba, do IFSC-USP, já que ele tinha alguns projetos em parceria com a Petrobras, na área de ressonância magnética e foi ele que me convenceu a fazer o meu doutorado, até porque isso poderia ser um diferencial para o concurso que eu estava prestes a encarar”, explica Willian. E a estratégia acabou dando certo. Willian fez a prova da Petrobras, com tempo para fazer algumas matérias do doutorado e, quando saíram os resultados da avaliação, o jovem estudante ficou sabendo que das três vagas que estavam em disputa na empresa, ele tinha ficado com uma delas, classificado na segunda posição na área de Física, entre cerca de novecentos candidatos.

Willian Trevizan trabalha atualmente no Centro de Pesquisas da Petrobras, Rio de Janeiro, no laboratório de ressonância magnética nuclear e a missão profissional do jovem ex-aluno do IFSC está exatamente entre o momento em que se fura um poço para a prospecção de petróleo e quando se descem várias ferramentas que medem as propriedades das paredes desse poço. Isso explica a necessidade de um laboratório multidisciplinar de RMN dentro da empresa, que dá todo o apoio científico de interpretação de dados, tanto para o uso de informações para fins tradicionais, quanto para projetos de pesquisa a fim de explorar propriedades adicionais.

Quanto à questão financeira, Willian diz que valeu o esforço. De acordo com ele, o salário inicial é aproximadamente na faixa dos oito mil reais, no mínimo, e conforme o profissional vai adquirindo experiência e trilhando sua carreira, ele poderá passar a auferir aproximadamente vinte mil reais mensais, fora os benefícios que algumas empresas oferecem. Para Trevisan, o Brasil não tem formado tanta gente quanto deveria, até porque essa área é de interesse mundial. Conta, também que o Instituto de Física de São Carlos oferece um ensino muito bom nessa área, pelo que os alunos têm uma excelente base. Algo que foi muito importante na trajetória de Trevizan, foi a honestidade que ele teve consigo mesmo, não só em relação a sair da carreira acadêmica, já que existem muitos casos de sucesso de amigos seus que optaram por ficar nela. Quanto à formação profissional, Trevizan sublinha que não existe uma graduação formal na área de Petrofísica, que é de bastante interesse para a indústria do petróleo. Quanto à formação que o IFSC oferece, ela se refere à capacitação de se trabalhar com a área de Geofísica e com pesquisa em geral. Regressando à honestidade que Trevizan manteve com ele mesmo, o ex-aluno do IFSC-USP afirma que esse é um dos principais ingredientes que os estudantes precisam ter, ou seja, uma honestidade com eles mesmos naquilo que os move a seguir em frente: “Todas as pessoas que conheço e que se deram bem na carreira passaram por esse processo de decisão. É um ponto que deve ser abrangente”, finaliza.

Gustavo Henrique Frigieri Vilela

Graduação: UNESP – Farmácia e Bioquímica
Doutorado Direto: IFSC – Programa de Pós-Graduação em Física / Área: Física Aplicada / Opção: Física Biomolecular
Atividade profissional atual: Pesquisador na Área Médica da start-up Braincare

O ex-aluno do Instituto de Física de São Carlos, Gustavo Frigieri Vilela, de 36 anos, é casado e nasceu em Araraquara (SP), cidade paulista também conhecida como “Morada do Sol”. No ensino fundamental, realizado na E. E. Lea de Freitas Monteiro, Gustavo já demonstrava interesse e facilidade nas disciplinas de ciências exatas e biológicas, mas, na sua transição para o ensino médio daquela escola pública para o ensino particular – Anglo -, sentiu certa dificuldade e um “choque de realidade”, principalmente nas disciplinas de exatas. Após estudar bastante para se recuperar dessa mudança, Gustavo acabou se apaixonando ainda mais pelos números. Já na difícil época do vestibular, Gustavo ainda tinha dúvidas quanto à área que deveria seguir – ciências exatas ou biológicas – tendo feito vestibulares tanto para farmácia bioquímica, quanto para computação. Devido ao seu esforço, foi aprovado em ambos os vestibulares, tendo optado por cursar farmácia bioquímica, na UNESP, em Araraquara. Após graduar-se em farmácia, Gustavo trabalhou em um hospital na cidade de Matão (SP), como analista clínico, tendo vindo posteriormente para São Carlos, onde trabalhou na Farmácia Rosário. Já desenvolvendo sua atividade profissional na citada farmácia, eis que recebeu uma ligação do Prof. Dr. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP), que procurava por um medicamento e, Gustavo, ao explicar toda a composição química do remédio, recebeu do Prof. Sérgio o convite para participar de uma reunião, que resultou na ida do ex-aluno da UNESP para o IFSC-USP para realizar seu mestrado em Física Biomolecular. “O Prof. Sérgio tem o dom de passar todo seu conhecimento e de contagiar seu interlocutor com um entusiasmo indescritível”, comenta Gustavo. Durante o mestrado em Física Biomolecular, sob orientação do Prof. Sérgio Mascarenhas, Gustavo enfrentou algumas dificuldades em certas disciplinas, como, por exemplo, em termodinâmica, uma vez que sua bagagem de conhecimento adquirida na área farmacêutica não exigia muito cálculo, ao contrário dessa e de outras disciplinas da física que exigem muita concentração e estudo. Após seis meses de mestrado, Gustavo iniciou seu doutorado direto, também em Física Biomolecular. Após a defesa de seu doutorado, em 2010, iniciou pós-doutorado, supervisionado pela Profa. Dra. Yvonne Mascarenhas. “Quando eu voltei à área de pesquisa, pretendia atuar na academia, mas pelo fato de alguns projetos se terem transformados em produtos, com o apoio da FAPESP, o meu foco ficou direcionado para o mercado”, explica o jovem. Para concluir o pós-doutorado, Gustavo deu seguimento a uma pesquisa que já tinha iniciado no IFSC-USP, consubstanciada no desenvolvimento de monitor minimamente não-invasivo para monitorar a pressão intracraniana, com apoio da Sapra Assessoria, empresa voltada a proteção radiológica. “Hoje, o projeto do monitor já está patenteado, em fase de início da produção e aguardando o registro na ANVISA para comercialização”, conta ele. Com o desenvolvimento do produto, Gustavo Vilela e o Prof. Sérgio Mascarenhas criaram a startup Braincare, em São Carlos, que desenvolve projetos no campo de instrumentação médica. Um profissional com perfil acadêmico similar ao de Gustavo, que já possua doutorado e que almeje ingressar em uma empresa na área de instrumentação médica, poderá receber entre três a quatro mil reais, um salário que poderá dobrar ou triplicar, conforme esse especialista adquira novas experiências profissionais. Atualmente, o objetivo de Gustavo Vilela é continuar atuando na Braincare e disponibilizar o seu produto no mercado. “Além disso, nós também estamos visando o desenvolvimento de novos sensores voltados à área médica, mas cujos projetos ainda não podemos divulgar”, conclui o ex-aluno do IFSC-USP. Para Gustavo, a Física Computacional é um curso bastante completo, que abrange um grande leque de saídas profissionais, fator que compensa o esforço e dedicação dos alunos que pretendam seguir por esse caminho.

Rodrigo Rafael Melaré Corrêa

Graduação: IFSC – Bacharelado em Física Computacional
Mestrado: IFSC – Programa de Pós-Graduação em Física / Área: Física Aplicada / Opção: Física Computacional
Atividade profissional atual: Pesquisador na Embraer-Defesa

O ex-aluno do Instituto de Física de São Carlos, Rodrigo Rafael Melaré Corrêa, tem 25 anos e nasceu no interior do estado de São Paulo, em uma cidade chamada Porto Feliz. Seus ensinos fundamental e médio foram realizados na Escola São José, instituição tradicional daquela cidade. Atualmente, as lembranças mais frescas que retém são as do ensino médio, fase escolar em que se dedicou ao máximo nos estudos para prestar o vestibular. “Desde o ensino fundamental eu já gostava de matemática e física, sempre busquei ser um aluno dedicado, mas na verdade foi no ensino médio que realmente comecei a estudar”, relembra. Devido a sua curiosidade em montar e desmontar equipamentos elétricos e ao gosto por eletrônica, Rodrigo realizou um curso de hardware, que envolveu montagens de microcomputadores e instalações de sistemas operacionais. Na época, o jovem ficou atraído pela área da computação, atração essa que aumentou quando teve o primeiro contato com os cursos do IFSC-USP, através de uma pequena brochura que o Instituto distribuiu em sua escola. Baseado em sua paixão por eletrônica e computação, sempre com incentivo de seus pais, bem como pela facilidade demonstrada desde cedo na disciplina de física, Rodrigo se interessou pelo curso de física computacional ministrado em nosso Instituto e assim se aventurou a sair de Porto Feliz e rumar à cidade de São Carlos para ingressar no IFSC-USP. “Eu e meus pais já tínhamos em mente que se fosse estudar em uma universidade pública, teria que sair da minha cidade natal”. Outro ponto favorável para sua vinda para o IFSC – USP foi o fato de Rodrigo ter parentes que moravam em São Carlos e em Araraquara, daí que, ao passar a viver sozinho em uma pequena quitinete em nossa cidade, Rodrigo sempre recebia a visita de seus primos são-carlenses e de seus próprios pais, aproveitando os finais de semana para visitar a namorada, em Araraquara.

Quando começou a graduação no IFSC – USP, um de seus professores brincou, ao afirmar que tinha sido fácil entrar na Universidade, mas o difícil era sair formado, o que de fato veio a se confirmar logo no início de seu curso, principalmente em gerir e dosar os horários da vida acadêmica com as horas livres: “Eu demorei um tempo para aprender a dividir meus horários, mas depois deu tudo certo”, afirma o jovem. Ele lembra, ainda, que “suou” bastante para passar por algumas matérias de física, principalmente nas de eletromagnetismo. Rodrigo não tinha a intenção de atuar profissionalmente dentro da academia: os motivos eram o longo tempo que demoraria em finalizar o mestrado e o doutorado, bem como a remuneração em curto prazo que, para ele, não era atrativa quando comparada com a média do setor industrial. A ideia de se tornar independente e de imediatamente constituir uma família também favoreceu sua escolha pela carreira no setor produtivo. Além disso, segundo ele, os desafios oferecidos pelo setor industrial eram mais estimulantes. Assim, no início do quarto ano de sua graduação em física computacional, Rodrigo conseguiu uma vaga de estágio, com bolsa do CNPq, na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, em São Carlos, trabalhando no setor de automação agrícola, sob orientação do Dr. André Torre, “Meu primeiro desafio foi aprender a aplicar os conhecimentos adquiridos na universidade” relembra o aluno. Ao terminar o estágio na Embrapa, Rodrigo deu início ao seu mestrado em ressonância magnética nuclear (RMN), sob orientação do Prof. Dr. Alberto Tannús (IFSC-USP), com foco concentrado na área de instrumentação dedicada à área de saúde, utilizando a tecnologia de FPGAs (Field-Programmable Gate Array). No final de seu mestrado, o ex-aluno do IFSC começou a buscar por uma oportunidade na indústria e, em abril de 2013, Rodrigo ingressou na Bradar, empresa do grupo Embraer que atua no setor de defesa e segurança, localizada em Campinas. Cinco meses depois, com estudos concluídos e emprego garantido, Rodrigo Corrêa casou-se.

Na Bradar, Rodrigo trabalha com a tecnologia de dispositivos reconfiguráveis, também conhecidos como FPGAs, cujo aprendizado foi iniciado em seu mestrado. Nesta tecnologia é possível desenvolver hardware para a infraestrutura e algoritmos de processamento de sinais necessários para o funcionamento de um radar. Rodrigo ressalta que a empresa oferece boas oportunidades para os graduados em física ou física computacional, uma vez que esta necessita de profissionais capazes de modelar fenômenos físicos para produzir radares para sensoriamento remoto, radares de vigilância aérea e terrestre. Existem, ainda, muitas oportunidades na área de computação e engenharia, onde os bacharéis do instituto podem se enquadrar. “Com certeza o Instituto de Física de São Carlos me ajudou a pleitear uma oportunidade profissional na Bradar”, comenta Rodrigo. Aos alunos que estão na graduação, Rodrigo Corrêa aconselha que se esforcem e absorvam tudo aquilo que a Universidade tem a oferecer, pois, segundo ele, poucos tem a chance de estudar em um instituto com a qualidade do IFSC e, por isso, essa oportunidade não deve ser desprezada.

Celso Donizetti de Souza Filho

Graduação: IFSC – Bacharelado em Física / Habilitação: Teórico-Experimental
Mestrado: IFSC – Programa de Pós-Graduação em Física / Área: Física Aplicada
Doutorado: IFSC – Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (em andamento)
Atividade profissional atual: Pesquisador de Desenvolvimento Petroquímico na Engemasa

Celso Donizetti de Souza Filho, Físico Metalurgista, conta que antes mesmo de começar o colegial já tinha grande paixão pela matemática. Nessa época, tomou conhecimento de um projeto que ocorria na E. E. Profº Sebastião de Oliveira Rocha, organizado pela Profa. Dra. Yvonne Mascarenhas – uma das pioneiras do IFSC-USP -, que fornecia livros e materiais didáticos com a finalidade de apoiar os alunos que pretendiam ingressar na universidade pública. Assim, Celso saiu da pequena cidade de Ibaté e veio para São Carlos onde cursou o colegial nessa escola estadual. Durante essa fase de estudos, Celso começou a se interessar pela física, principalmente por óptica: “Essa área me fascinava e eu queria trabalhar com lasers, lentes e microscópios, principalmente com lasers, que eram a minha grande paixão naquela época”, revela o ex-aluno do Instituto de Física de São Carlos. Durante o ensino médio, Celso ouviu de várias pessoas que o estudo de física no IFSC era forte. No terceiro colegial, ficou sabendo sobre a prova do curso ministrado pelos Profs. Drs. Milton Ferreira de Souza e Sérgio Carlos Zílio, ambos do Instituto, que ofereciam vagas numa escola particular em São Carlos aos jovens que fossem aprovados na avaliação. Celso prestou a prova e foi selecionado, porém, dias antes, ele tinha passado em física na UFSCar, onde ficou por seis meses até pedir transferência para a USP, já que a óptica o fascinava. A vinda de Celso Donizetti para a Universidade de São Paulo rendeu-lhe a chance de fazer monitoria naquela escola onde havia feito o colegial. Para ele, essa oportunidade foi uma forma que conseguiu para retribuir a possibilidade de ter ingressado tanto na UFSCar, quanto na USP, o que é difícil nos dias de hoje. Assim, Celso fez monitoria por dois anos e seguidamente deu inicio a uma iniciação científica com o Prof. Milton. Nesse intervalo de tempo, optou por ser um teórico-experimental, ao mesmo tempo que cursava as disciplinas de óptica. Posteriormente, começou a estagiar na Engemasa, em São Carlos, quase que cumprindo um desígnio, já que seu pai tinha também trabalhado nessa empresa: após ter conversado com o diretor da Engemasa, a empresa abriu suas portas para que o jovem realizasse um estágio de seis meses. A partir daí, o ex-aluno do IFSC-USP percebeu que a área industrial era de fato um desafio e uma boa opção de ter um emprego de longa duração, com expectativas de ascensão na carreira: “Além de ter um retorno financeiro rápido, você sempre está sendo testado. Então, você tem que dar o seu melhor para não ser passado para trás por um concorrente ou até mesmo por alguém com quem você trabalha junto”. Três anos depois, em 2009, Celso foi contratado pela Engemasa, mas o que ele não imaginava é que, passados alguns meses, sua área de atuação mudaria por completo.

Assim que foi contratado pela empresa, surgiu um problema técnico grave para a indústria petroquímica: a Celso foi colocada a missão de descobrir alguma forma de analisar um dano causado pelo ingresso de carbono no aço inox, algo que poderia comprometer a fabricação de diversos produtos na Engemasa. Nessa época, o Prof. Dr. Luís Nunes (IFSC-USP) deu uma palestra abordando o ferromagnetismo e, nesse evento, Celso teve a oportunidade de dialogar com vários pesquisadores do Instituto, explicando a problemática detectada na empresa. O Prof. Dr. Tito J. Bonagamba ofereceu-se, então, para dar todo o apoio e ajudar a solucionar o problema. A partir daí, Celso começou a trabalhar intensamente com Bonagamba, um trabalho que serviu como base para seu mestrado e que atualmente complementa no seu doutorado na área de Engenharia “para obter um maior enfoque”, segundo suas próprias palavras. Ainda de acordo com o ex-aluno, há uma falha muito grande na profissão de físico metalurgista, já que não é uma atividade regulamentada: “A Física não tem, por exemplo, o CREA, um sistema de proteção onde o profissional possa assinar documentos e projetos”. Sendo assim, a ocupação do físico metalurgista foi criada para enquadrar os físicos que atuam na área de engenharia de materiais. Na Engemasa, Celso atua no laboratório de pesquisa, desenvolvimento e processo, com ênfase na vertente petroquímica, onde cria ligas metálicas que trabalham em altas temperaturas e são bastante utilizadas em reformas para obtenção de etileno. Para ele, um profissional com graduação ou pós-graduação é tido como “caro” no mercado de trabalho, porém, essas pessoas conseguem dar um retorno enorme para as empresas. Celso afirma que a área pública é o setor que melhor paga. Pesquisadores concursados conseguem salários maiores do que aqueles que trabalham na área privada, campo que sofre muito com a competitividade: “No Brasil, o encargo financeiro é muito alto, então, para uma empresa brasileira competir com uma empresa da China ou da Malásia, não tem qualquer chance, porque a carga tributária é muito alta”, explica. Em suma, para Celso, as indústrias brasileiras ainda carecem de proteção. Como exemplo, ele cita a produção de refinarias de petróleo no Brasil, cujos 70% a 80% de itens produzidos devem ser fornecidos no Brasil, mas, fornecido não significa produzido, já que quando esses pedidos são repassados a outras empresas, as construtoras realizam a aquisição de equipamentos oriundos de companhias da China, Malásia e até da Índia. Ou seja, uma firma brasileira acaba fornecendo e não produzindo: “A empresa nacional perde muito com isso. Falta uma política de proteção para as indústrias nacionais”. Segundo o nosso entrevistado, a maior dificuldade que um físico enfrenta quando entra na área industrial é justamente o preconceito de que físicos só fazem pesquisas teóricas. Para Celso, é difícil um aluno de física estagiar na área de Engenharia, por exemplo: “Eu dei sorte, porque na Engemasa, entre os oito pesquisadores existentes, só eu e meu superior hierárquico é que somos físicos”. Quanto ao salário, Celso diz que um profissional recém-formado, aqui na região do interior paulista pode auferir, aproximadamente, R$ 2.500,00. Um pesquisador, com cerca de dez anos de carreira, recebe entre R$ 6.500,00 e R$ 7.500,00.

Já os iniciantes que pretenderem trabalhar em São Paulo podem receber perto de R$ 5.000,00. Para Celso Donizetti, o primeiro ponto essencial para os alunos que estão cursando a graduação na física, é o foco. De acordo com ele, o aluno precisa decidir o que quer fazer e se focar completamente: “Acho que a graduação é uma experiência muito boa, porque, além de aprender sobre o curso, o aluno aprende sobre ele mesmo. Digo isso, porque eu entrei na física querendo trabalhar numa área e fui para outra totalmente diferente”. Além disso, ele frisa a importância do valor que o aluno deve dar, tanto para as ferramentas de estudo quanto para a capacidade e excelência de seus professores, e isto porque, além de ter uma ótima estrutura, o aluno precisa de disciplina e força de vontade. Por fim, Celso acredita que o importante é traçar sempre um rumo e seguir pelo caminho desejado, independente dos obstáculos, entendendo que ter um resultado ruim, hoje, ainda é um resultado e ele tem que saber interpretá-lo: se cair uma vez é sempre possível levantar novamente: “Quando sonhar sonhe grande”, finaliza Celso, com uma frase que utilizou no slide final de sua apresentação de mestrado.