Notícias

17 de outubro de 2025

“Casa Aberta IFSC/USP – A ciência ao alcance da sociedade” foi casa cheia em mais uma iniciativa de sucesso no mês de outubro

IFSC/USP abriu as portas de seus laboratórios à sociedade

A terceira edição da iniciativa “Casa Aberta IFSC/USP – A ciência ao alcance da sociedade”, traduzida em um convite feito para que a sociedade visitasse os laboratórios de Física Moderna do Instituto de Física de São Carlos nos dias 06 e 09 de outubro do corrente ano, teve como resultado um êxito bastante grande, com muito público interessado em ver os mais diversos experimentos e dialogar com técnicos, alunos e cientistas, principalmente com a presença de jovens alunos do ensino médio

Muitos quiseram saber como é a vida de um cientista e o que se faz num laboratório de Física Moderna para observar os principais experimentos que desvendaram o mundo atômico e levaram à criação da Física Quântica; experimentos esses que mostram o comportamento dos átomos, elétrons, das partículas de luz – chamadas fótons – e o laser, entre muitos outros. Tudo isto nas comemorações que estão acontecendo durante o “Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quântica”, assinalado em 2025 sob a égide da UNESCO.

Alunos e professores entusiasmados

Francisco de Lima Paschoalino

Alunos do ensino médio da E.E Professora Maria Ramos, de São Carlos, estiveram presentes no primeiro dia do evento e Francisco de Lima Paschoalino, aluno do 2º ano, considerou que não existem muitas oportunidades para conhecer e observar experimentos. “Acho que está sendo uma boa oportunidade para os alunos conhecerem a Universidade de São Paulo e talvez, também, até encontrarem um interesse maior pela Física, sendo que a área de Física Nuclear é a que mais me interessa, já pretendo seguir essa carreira”, sublinhou o jovem.

Nícolas de Lima Tanan, é também aluno do 2º ano na mesma escola e considerou um evento muito interessante, já, segundo ele, é algo que se vê e por isso se torna atrativo. “A gente consegue ver muitas coisas e não ficamos só na teoria, mas mergulhamos um pouco na prática. Eu diria que o que mais me chamou a atenção foi a Física Nuclear; muito interessante”, pontuou o jovem aluno.

Para a aluna do 2º ano, Pietra Gonçalves de Oliveira, também aluna do 2º na E.E Maria Ramos, a visita aos laboratórios foi bastante interessante. “Como estamos no ensino médio, ainda mais no segundo ano, esta visita traz uma oportunidade para conhecermos o Instituto de Física. Aqui vemos experimentos que a gente não costuma ver na escola e que acrescenta muito à matéria que acabamos vendo no ensino médio. Muito interessante, também, o que o pessoal faz aqui no Instituto”, pontua a jovem, acrescentando que a iniciativa abre mais uma janela para que possa interpretar melhor os conceitos da física que, de forma teórica, se aprendem em sala de aula. “O que mais me chamou a atenção foi a diversidade de tudo o que existe aqui. Os materiais são muito elaborados, bem planejados, achei bem legal”, concluiu a jovem

Coube ao professor Fabrício Hender Inoue, docente da E.E. Maria Ramos, acompanhar os alunos nesta visita ao IFSC/USP, algo que para ele representa a oferta de uma visão muito importante para os alunos conhecerem como realmente acontece a produção científica, a questão laboratorial. “Importante para eles observarem as pessoas que aqui trabalham, colocando a mão na massa, vamos dizer assim, na Física, transmitindo a eles a ideia que essa área do conhecimento não é somente aquilo que é a parte teórica, os exercícios, as questões e as equações. Eles precisam ver que aqui faz-se ciência, que eles têm aqui a parte laboratorial e que podem observar como são feitos os estudos, a verificação de alguns conceitos, de algumas teorias, o desenvolvimento da tecnologia”, sublinha o Prof. Inoue.

Para o docente, é fundamental aliar a teoria à prática, de forma a que os alunos possam ver como essa sinergia funciona. “A maior parte das vezes os jovens estão dentro da sala de aula, observando a parte teórica, as equações e tudo mais, e não conseguem contextualizar onde tudo isso é utilizado. Então, fazendo essa ligação com a prática, eles conseguem visualizar a contextualização e como que é produzida a ciência, de fato”.

Prof. Fabrício Hender Inoue

Outra particularidade assinalada pelo Prof. Inoue é o fato dos alunos poderem observar a universidade e como o trabalho que é feito dentro dela é sério. “Então, despertar nos alunos esse olhar mais científico, de olhar o fato de que tudo o que os cientistas fazem aqui, em qualquer momento, tem um porquê. Por que essas coisas acontecem? Como é que a gente vai chegar nisso? Você tem um problema, você tem uma situação e você quer descobrir como chegar lá, como o cientista desvenda esses desafios. Então o aluno descobre que realmente a Universidade é bacana. Alguns podem pensar que “a universidade não é pra mim”. Mas, de repente, quando observam que aqui, na cidade de São Carlos e no IFSC/USP, onde se fazem grandes trabalhos, principalmente nessa parte dos laboratórios de física, eles começam a falar que a física é legal”, complementa o docente

Leandro de Oliveira, técnico dos Laboratórios de Ensino (LEF) do IFSC/USP e um dos colaboradores mais importantes desta iniciativa, sente um prazer em participar desse evento, dada a importância que é de abrir as portas à comunidade, dando a conhecer um Instituto que é bancado pelos próprios cidadãos através de seus impostos. “É importante as pessoas conhecerem e terem esse contato com a Universidade, quebrando um tabú que ainda persiste: de fato, não é impossível entrar na melhor Universidade da América Latina. “É muito gratificante, a gente tem filhos da idade deles e, como pais torcemos muito para que eles entrem numa universidade de ponta, como é a USP. Então, eu imagino a mesma coisa, os pais dessas crianças, desses adolescentes, estão na torcida para que seus filhos entrem, nesse mundo, e nós fazemos parte desse processo e deste evento “Casa Aberta”. É uma honra muito gratificante”, sublinha Leandro de Oliveira.

Técnico do IFSC/USP – Leandro de Oliveira

A participação dos pais e encarregados de educação

Principalmente no segundo dia deste evento (09/10), a participação dos pais, acompanhando seus filhos, foi o grande destaque. Cristiano Ferrari, operador de máquina de usinagem, acompanhou sua filha nesta visita, salientando que era uma iniciativa importante. “Estes jovens estão no início da carreira estudantil e é importante que tenham um verdadeiro conhecimento do que é a Universidade, algo que talvez possa servir de incentivo para eles”, pontua Cristiano, que destacou que o que mais chamou a atenção dele foi a disposição que o Instituto de Física de São Carlos mostrou para levar essa iniciativa até os jovens estudantes. “Eu conheço um pouco a Universidade e não são todos os departamentos que fazem isto, e o Instituto tem uma tradição de fazer este tipo de eventos já há muitos anos. E, agora que minha filha está na idade de começar a decidir alguma coisa, estou aproveitando para ela poder conhecer e participar. E, é um momento muito especial, com toda certeza, porque é o despertar também do próprio aluno para uma profissão; e não só do próprio aluno, como também do munícipe, que sequer imagina o que o Instituto de Física de São Carlos hoje produz em termos de ciência e tecnologia”.

Gustavo Ass Netto, engenheiro de produção, acompanhou seus filhos Miguel e Tomás na visita e não escondeu a sua satisfação. “Eu acho excelente, porque a gente já vai fomentando nos jovens, nas crianças, esse desenvolvimento intelectual para vermos o que elas querem para o seu futuro, o que elas vão desenvolver dentro da sociedade; não só para si mesmas, não só para terem uma profissão e um ganho próprio, mas também para contribuírem para o desenvolvimento da sociedade e das próximas gerações. O que assisti aqui é uma forma inteligente de juntar a teoria com a prática, que, no meu ver, é a melhor forma de conhecimento. Então, nisso, o jovem vai se desenvolvendo, vai melhorando, como eu disse, ele vai chegar no mercado de trabalho já tendo uma visão ampla daquilo que ele quer ser perante a sociedade. Meus filhos adoraram!”

Missão cumprida

Prof. Sebastião Pratavieira

Para o docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Sebastião Pratavieira, que coordenou a iniciativa junto com outros professores, o evento foi um grande sucesso, já que a população atendeu o convite do IFSC/USP, cruzou as portas dos laboratórios para conhecer as pesquisas que são feitas no Instituto e os alunos que trabalham nos laboratórios. “Esta é uma atividade que não utiliza um professor, um pesquisador já formado para conversar com a população…São os nossos alunos, aqui da graduação, que estão começando a praticar, a explicar ciência. Então, são dois motivos importantes para os nossos alunos aprenderem já a transmitir esse conhecimento, principalmente neste evento com tanta gente presente – de crianças com idades entre os cinco e seis anos, até senhores com mais setenta anos”, destaca o pesquisador.

“Eu agradeço as escolas, tanto a Maria Ramos quanto a Marivaldo Degan, aqui de São Carlos, que vieram, atendendo o nosso convite e a gente fica muito feliz com esse evento. Sentimos que nossa missão está cumprida ao ver a população aderindo a esta iniciativa, pessoas das mais variadas profissões, com vários níveis de escolaridade, muitos alunos, algo que nos entusiasma a seguir em frente, até porque estamos só na terceira edição da “Casa Aberta IFSC/USP – A ciência ao alcance da sociedade”. Também agradeço a equipe de jornalismo e diretoria do IFSC/USP; a equipe do LEF, a prefeitura campus USP São Carlos, nossos alunos da disciplina de Lab. Avançado de Física e todo público que compareceu.”conclui o docente.

Atendendo ao sucesso alcançado, tudo indica que esta iniciativa possa ocorrer com mais frequência.

Quem participou na “Casa Aberta IFSC/USP – A ciência ao alcance da sociedade” se mostrou bastante interessada nos conceitos que foram transmitidos pelos alunos de graduação do Instituto, principalmente os alunos das escolas públicas, que através dessa experiência certamente se sentiram motivados a prosseguir seus estudo rumo à Universidade.

Confira alguns vídeos e fotos do evento:

https://www.ifsc.usp.br/lavfis/casaaberta_out_2025/

https://www.youtube.com/watch?v=9wwPdFFAdGc

Rui Sintra (edição) / Adão Geraldo (entrevistas e fotos) – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

17 de outubro de 2025

Um mergulho no universo – CDCC/USP inaugura seu planetário “Teatro Virtual Imersivo”

O “Teatro Virtual de Imersão” localizado no prolongamento do “Observatório Dietrich Schiel” – Campus USP de São Carlos

Na tarde do dia 10 de outubro, o Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP (CDCC) viveu um daqueles momentos que unem emoção, história e futuro. Em meio às comemorações dos seus 45 anos de atividades ininterruptas e com as presenças do reitor e da vice-reitora da USP, Prof. Carlos Gilberto Carlotti Junior e Maria Arminda do Nascimento Arruda, o CDCC inaugurou o “Teatro Virtual Imersivo”, um espaço moderno e surpreendente que promete transformar a forma como o público se aproxima da ciência e do cosmos.

O novo teatro – ou planetário – construído no prolongamento do tradicional “Observatório Dietrich Schiel”, no campus da USP de São Carlos e que no próximo ano completará 40 anos, foi apresentado em uma cerimônia que reuniu o reitor e a vice-reitora da Universidade de São Paulo, dirigentes de várias unidades da USP e convidados de diferentes áreas. Mais do que um marco físico, o espaço representa uma aposta ousada na inovação e na integração entre ensino, cultura e tecnologia.

Tendo iniciado suas atividades em 1980, o Centro de Divulgação Científica e Cultural da Universidade de São Paulo (CDCC/USP) é uma instituição pioneira dedicada à popularização da ciência e à formação científica da sociedade. Sediado em São Carlos, o Centro promove atividades educativas, exposições interativas, cursos, oficinas e programas voltados a estudantes, professores e ao público em geral.

Seu principal objetivo é aproximar a universidade da comunidade, tornando o conhecimento científico acessível e estimulando a curiosidade, a criatividade e o pensamento crítico. Ao longo das décadas, o CDCC consolidou-se como referência nacional em educação científica e cultural, integrando a pesquisa acadêmica às práticas de ensino e extensão.

Um sonho que ganhou forma

A cerimônia de inauguração do “Teatro Virtual Imersivo” começou com as palavras acolhedoras da diretora do CDCC, Profª Nelma Regina Bossolan, e logo foi tomada pela emoção do Prof. Valter Líbero, docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e colaborador de longa data do Centro. Emocionado, ele definiu a inauguração como “um sonho concretizado”.

Em seu discurso, o professor agradeceu o apoio do diretor do IFSC/USP, Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, e da Reitoria da USP, que — segundo ele — tiveram a sensibilidade de perceber, ainda no início do projeto, o potencial transformador da iniciativa. “O Teatro Virtual de Imersão será um instrumento poderoso para a graduação, tornando o ensino mais eficiente, interativo e inspirador”, destacou.

Embora o novo teatro seja um avanço evidente para as atividades de astronomia, seu alcance vai muito além das estrelas. O espaço permitirá também projeções voltadas a outras áreas do conhecimento, abrindo caminho para experiências visuais e sensoriais que aproximam a ciência do público de maneira inédita.

Inauguração do novo espaço – da esquerda para a direita a diretora do CDCC Profª Nelma Bossolan, a Vice-Reitora da USP, Profª Maria Arminda do Nascimento Arruda, Profª Cibelle Celestino da Silva (IFSC/USP), o Reitor da USP, Prof. Carlos Gilberto Carlotti Junior e o Físico e Astrônomo, André Luiz da Silva

“O planetário tem mãe”

Em um dos momentos mais descontraídos e simbólicos da cerimônia, o Prof. Valter Líbero fez questão de reconhecer quem primeiro sonhou com o projeto: “Costumamos dizer que as coisas têm pai, mas o planetário tem mãe. E a mãe está aqui, ao lado do reitor – a Profª Cibelle Celestino da Silva –, que idealizou e acreditou que o “Observatório Dietrich Schiel” merecia ter o seu próprio planetário. ”A lembrança provocou sorrisos e aplausos, e reforçou a importância da Profª Cibelle, cuja atuação no Observatório foi decisiva para a criação de projetos inovadores, como a “Sala Solar” e experimentos que permitem visualizar a passagem de raios cósmicos pelo edifício.

O professor também agradeceu à Profª Maria Arminda do Nascimento Arruda, vice-reitora da USP, conhecida pelo entusiasmo e pela defesa das ações de Cultura e Extensão Universitária.

Prof. Valter Líbero, a Vice-Diretora e o Diretor do IFSC/USP – Profs. Ana Paula Ulian de Araújo e Osvaldo Novais de Oliveira Junior

Ao falar sobre o “Observatório Dietrich Schiel”, o professor Líbero revelou o vínculo afetivo que une a equipe ao espaço. “As pessoas gostam tanto do observatório que, às vezes, pensam que ele pertence ao campus ou ao Instituto de Física. Mas isso não nos incomoda – pelo contrário, mostra o quanto ele é querido”. O Observatório, lembrou ele, é parte do CDCC e se mantém ativo graças à estrutura e ao apoio do Centro. “Por vezes, imagino o professor Schiel entre nós, vendo o quanto avançamos no observatório que ele concebeu há tantos anos”, completou, em tom emocionado.

Trabalho coletivo e dedicação

Nos bastidores do novo teatro há muito esforço coletivo. O professor fez questão de agradecer nominalmente a colaboradores que foram essenciais para que o projeto se tornasse realidade. Entre eles, o físico e astrônomo André Luiz da Silva, cuja dedicação foi destacada com carinho: “Não há um metro quadrado ou dispositivo neste “Teatro Virtual Imersivo” que não tenha passado pelo crivo do André. Nosso profundo agradecimento pela dedicação exemplar.”

Desde sua criação, o “Observatório Dietrich Schiel” já formou centenas de estudantes — muitos deles seguiram carreira na astronomia ou na docência, levando o fascínio pelo cosmos a novas gerações. Agora, com o “Teatro Virtual Imersivo”, o CDCC reforça sua missão de aproximar ciência e sociedade. Um espaço onde a curiosidade se transforma em aprendizado, e onde olhar para o céu é, ao mesmo tempo, revisitar o passado e projetar o futuro.

Rui Sintra com fotos de Ricardo Rehder – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de outubro de 2025

Uma Homenagem especial no “Dia dos Professores” – Por: Prof. Vanderlei Bagnato

Sou professor e adoro minha profissão.

Como nossa existência é finita, viveremos para sempre através dos ensinamentos que deixamos, seja aos nossos filhos ou aqueles que estiveram ao nosso redor, como nossos estudantes. O professor, principalmente, tem a chance de deixar um legado eterno através de seus alunos. Os ensinamentos que recebemos, incorporamos e passamos a outros. O conhecimento propaga-se muito além de nossa existência. Ser um professor é ser eterno, e sem dúvida é a figura chave na evolução de uma sociedade. Devemos reverência aos professores.

Neste dia especial dos professores, gostaria de deixar uma mensagem aos meus professores, muitos que desde cedo se preocuparam em me ensinar, em me preparar, em mostrar caminhos e, principalmente, em me orientar, assinalando que dominar o fracasso é um caminho seguro ao sucesso. Não posso deixar de homenagear diversos professores que tive ao longo de minha vida. Muitos de meus professores estão vivos e quero dizer a todos que agradeço seus ensinamentos. Sem eles, nem o pouco que sou teria conseguido. Mas há alguns que já se foram e seus ensinamentos continuam aqui.

Há dois professores que foram verdadeiros mentores para mim e para muitos outros.

A eles darei certo destaque, sem desmerecer aos vários outros. Em primeiro lugar, quero falar do professor Milton Ferreira de Souza – conhecido como Prof. Miltão. Ele era químico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1953) e trabalhou em diversos locais do Brasil, tendo tido em São Carlos seu principal ponto de parada.  Atuou em diversas aéreas e preparou várias pessoas para formarem o Grupo de Ótica. Foi, basicamente, orientador de toda uma geração que montou diversos grupos de pesquisas e que foram de grande relevância para dar ao Instituto de Física de São Carlos as características que possui: diversidade com excelência. Prof. Miltão era um visionário e com sua determinação e motivação nos jovens, de fato transformou a cidade de São Carlos, conectando ciências com inovação. Fundou as primeiras empresas genuinamente formadas a partir da Universidade e tornou a inovação de São Carlos em um exemplo a ser seguido pelo Brasil.

Juntamente com outro gigante, Prof. Sérgio Mascarenhas, ambos tornaram São Carlos um polo científico e tecnológico. Prof. Milton, com seu jeito duro e ariscado, fez coisas que outros não fariam. A nós transmitiu a mensagem clara que se não houver risco não se faz o novo. Seguir o Prof. Milton foi um grande prazer, bem como trabalhar com seus alunos, hoje professores já aposentados e renomados. Miltão me disse claramente “Só vale a pena fazer a ciência que melhora a vida das pessoas “.

Também quero deixar minha homenagem ao Prof. Daniel Kleppner do MIT, que juntamente com David Pritchard foram meus mentores nos Estados Unidos. Kleppner formou-se no Williams College, com bacharelado em 1953, em Williamstown, e na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, com bacharelado em 1955, e com um Ph.D. em 1959 em Harvard.  Trabalhou com o Prêmio Nobel N. Ramsey e com diversos expoentes da física mundial. Semeou os fatos mais importante da física moderna como átomos em cavidade e os condensados de Bose-Einstein. Foi um “fazedor” de premiados com o Nobel, sem ter ganho ele mesmo.  Ao terminar meu doutorado, em 1987, e comunicar aos meus mentores meu retorno ao Brasil, o Prof. Kleppner me levou ao local onde se guardava equipamentos já usados e me disse “Tudo que você precisar daqui pode levar e ter início no seu laboratório no Brasil”. Na época, eu e o Prof. Sergio Zilio (que foi meu grande amigo, professor e companheiro por muitos anos) empacotamos tudo e despachamos para o Brasil mais de 500 Kg de equipamentos. Com isto, em doze meses já tínhamos experimentos rodando no Brasil com átomos frios e a vinda de outro grande apoio, Prof. Alain Aspect (Prêmio Nobel em 2022), que também se tornou visitante permanente de nosso Instituto. Em doze meses estávamos publicando trabalhos científicos em um tema em que poucos no mundo estavam conseguindo. O Prof. Kleppner foi, até recentemente, um grande consultor para mim. Kleppner me disse uma vez “A ciência que vale a pena é aquela que é feita com excelência”. Vejam, dois mentores tão especiais e quis o destino que partissem praticamente ao mesmo tempo para a eternidade.

Prof. Milton Ferreira de Souza faleceu em 24 de agosto de 2025 e o Prof. Daniel Kleppner em 16 de junho de 2025, o primeiro com 93 anos e o segundo com 92 anos. Sei que a vida deve continuar, mas agora sem a possibilidade de dizer “Deixe-me perguntar ao Milton ou ao Kleppner o que acham desta ideia”. Aos meus mentores e mestres, seja onde estiverem, quero dizer que não morreram, estão vivos até hoje e atuando com suas ideias através de nós, seus alunos. Junto com muitos outros que eles formaram, somos agora a razão viva de sua existência como professores e levamos adiante seu legado, da mesma forma que eles levaram o legado de outros.

Neste dia 15 de outubro, certamente vou parar por alguns minutos e memorizar tudo que recebi e ficar ainda mais convencido de tudo que tenho que deixar aos meus próprios alunos.

Certamente, a grande mensagem recebida de diversos dos meus professores “é que não basta apenas escolher os capacitados, é preciso capacitar os escolhidos”, e isto é o que tenho feito.

A todos os professores, minha reverência.

A todos os mestres, meu respeito.

E a todos os alunos, minha dedicação.

(Vanderlei Salvador Bagnato – Professor do IFSC-USP)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de outubro de 2025

Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF) celebra “Centenário da Mecânica Quântica”

(Créditos – “The Quantum Insider”)

O Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF), sediado no (IFSC/USP), promove entre os dias 12 e 14 do próximo mês de novembro um evento em celebração ao “Centenário da Mecânica Quântica”, em formato híbrido – online no canal YouTube do CePOF  – https://www.youtube.com/@cepof – e presencialmente no Auditório “Prof. Sérgio Mascarenhas” no IFSC/USP.

A programação conta com palestras de grandes pesquisadores estrangeiros e nacionais sobre o passado, o presente e o futuro da Física Quântica.

O evento contará também com homenagens ao Prof. Daniel Kleppner, pioneiro na área de Aprisionamento e Resfriamento de Átomos, que faleceu neste ano.

Se podermos fazer alguns destaques deste grandioso evento científico, poderíamos começar pelas palestras que foram gravadas pelo saudoso Prof. Daniel Kleppner ao longo dos anos, como aquela que será exibida no primeiro dia do evento, entre as 08h45 e as 09h00, e as que também já estão marcadas para os dias 13 e 14 de novembro, às 09h00.

Universidade Federal de São Carlos

O Prof. Dr. Celso Villas-Bôas (UFSCar) será também um dos palestrantes convidados para participar deste evento, cuja apresentação ocorrerá no dia 12/11, às 11h00, com a apresentação do tema “Estados coletivos escuros e brilhantes e a energia oculta na luz térmica”. Nesta sua apresentação, o palestrante mostrará como os estados claro e escuro — estados de modo coletivo que se acoplam ou não à matéria — oferecem novos insights sobre os aspectos fundamentais da interferência com a luz coerente, fornecendo uma explicação alternativa para a aparente ausência de fótons nas regiões escuras de experimentos de dupla (ou múltiplas) fendas. Essa reinterpretação abre caminhos para uma exploração mais aprofundada dos efeitos de interferência e da natureza do campo de luz. Surge então uma pergunta natural: a luz incoerente também poderia apresentar uma decomposição em estados claro e escuro? A resposta é sim, mas ainda mais impressionante é a predominância de estados escuros: para modos M em estados de luz térmica, a fração de energia confinada a estados escuros é (M–1)/M, implicando que a vasta maioria da energia permanece inacessível à detecção direta.

Instituto Max Planck em Óptica Quântica (Alemanha)

Outra presença importante neste evento, nesse mesmo dia, às 14h00, será a do Prof. Gerhard Rempe, físico alemão, diretor do Instituto Max Planck de Óptica Quântica e Professor Honorário da Universidade Técnica de Munique, que dissertará sobre o tema  “Quo vadis, emaranhamento?”. Em sua apresentação, o Prof. Rempe apresentará como o emaranhamento se assume como um fenômeno quântico que se espera que se desenvolva completamente em sistemas compostos por múltiplos Qbits. No entanto, criar um emaranhamento multi-Qbit personalizado e explorar seu potencial de aplicação é um desafio formidável. Usando átomos individuais em uma cavidade óptica como fonte de fótons disparados, sintetiza-se uma infinidade de topologias de emaranhamento quase arbitrárias descritas por grafos. Isso abre caminho para uma infinidade de novas aplicações, como correção quântica de erros em computação quântica fotônica e comunicação quântica com tolerância à perda onipresente de fótons.

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade de Florença (Itália)

Já no dia 13, às11h00, um dos destaques vai para  a apresentação do Prof. Dr. Cláudio Lenz César, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista em antimatéria e colaborador da equipe ALPHA do CERN (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), subordinada ao tema “Espectroscopia de Hidrogênio e Antihidrogênio: da Mecânica Quântica a QED e além(?)”. Em sua apresentação, o palestrante fará um passeio pela conexão do estudo do átomo de hidrogênio (H) ao desenvolvimento da Mecânica Quântica e aplicações em nosso conhecimento do Universo. Descreverá experimentos feitos no grupo de Daniel Kleppner na espectroscopia de hidrogênio aprisionado, um feito que persiste por 30 anos, e que foi um grande impulso à pesquisa com antihidrogênio (anti-H) no CERN. O palestrante trará, também, as últimas notícias das pesquisas com anti-H no CERN. A análise cega dos últimos dados por uma teoria recente de forma-de-linha espectral, permite prever resultados com incerteza em 13 ou 14 algarismos significativos. A extrapolação do resultado de H (na ausência de campo magnético) para a armadilha de anti-H na comparação entre matéria e antimatéria a partir deste ponto desafia a própria teoria de QED, que precisaria calcular correções relativísticas de ordem superior. Felizmente, para o palestrante, acabou de se realizar uma prova-de-princípio, possibilitando fazer espectroscopia de H na mesma armadilha de anti-H, sob as mesmas condições. Alguns feitos e histórias de Daniel Kleppner permeiam esta palestra.

Ainda nesse dia, às 14h00, os participantes deste evento terão a oportunidade de acompanhar a apresentação do Prof. Guglielmo Tino, professor de Física no Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Florença (Itália) , onde os principais tópicos de sua pesquisa incluem: testes de física gravitacional com átomos ultrafrios, o estudo de efeitos relacionados ao spin e a medição do tempo. Em sua apresentação, intitulada “Testando física gravitacional com sensores quânticos atômicos”, o palestrante apresentará experimentos recentes e perspectivas futuras sobre precisão de testes de física gravitacional com dispositivos quânticos de última geração, baseados em átomos ultrafrios. Em particular, discutirá como interferômetros atômicos e relógios ópticos abrem novas oportunidades para investigar a física fundamental e buscar aplicações, tanto em laboratórios terrestres quanto no espaço.

Universidade de Harvard (EUA)

Já um dos destaques do dia 14 de novembro, às 09h45, será a participação remota do Prof. John Doyle, da Universidade de Harvard (EUA), que dissertará sobre “Moléculas ultracongeladas para a ciência quântica”.  O século XIX deu origem não apenas à teoria eletromagnética clássica, mas também lançou as bases para o desenvolvimento da mecânica quântica. O cerne da conexão entre essas duas era a espectroscopia. A riqueza dos espectros de fontes terrestres e astronômicas era, ao mesmo tempo, bela e fascinante. Foi necessário o desenvolvimento de ideias tanto da física quanto da química para começar a dar sentido a esses espectros. Ressonâncias de ondas e estruturas complexas faziam parte de muitos modelos de “átomos”, muito antes da descoberta do elétron e do desenvolvimento da equação de Schrödinger. Hoje, usamos a espectroscopia para projetar esquemas de controle de estado quântico único sobre sistemas quânticos cada vez mais complexos. Podemos segurar moléculas poliatômicas individuais em pinças ópticas e ter controle de estado quântico único, até mesmo de moléculas superiores simétricas. Além disso, o emaranhamento entre moléculas individuais agora é uma realidade. O palestrante discutirá características de moléculas poliatômicas que podem ser usadas em simulação/computação quântica e na busca por física além do Modelo Padrão. Discutirá, também, os resultados obtidos em seu grupo de pesquisa sobre o resfriamento a laser de moléculas poliatômicas no regime ultrafrio, incluindo o resfriamento a laser de diversas espécies poliatômicas diferentes.Salientará como contribuiu para a construção de um arranjo em pinça de moléculas individuais de CaOH, uma MOT robusta e uma armadilha de dipolo óptico para SrOH, e resfriamento a laser unidimensional de CaOCH3.Em um trabalho muito recente, seu grupo caracterizou um novo Qbit, composto por estados de dupleto de paridade em um modo de flexão vibracional de CaOH.Isso prepara o terreno para o uso de SrOH e RaOH em experimentos futuros em busca do momento de dipolo elétrico do elétron, uma sonda para a física de BSM, eventualmente até a faixa de 1000 TeV, bem como na busca por matéria escura ultraleve.

Mais detalhes, com a identificação de outros renomados pesquisadores já confirmados, como Vanderlei Salvador Bagnato, Daniel Varela Magalhães, Amilson Fritsch, Massimo Inguscio e William Daniel Phillips (Prêmio Nobel da Física 1977), constituem outros destaques desta programação, cujas informações poderão ser obtidas AQUI, contando-se com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da USP, FAPESP e CAPES.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de outubro de 2025

Com a presença do Reitor da USP – IFSC/USP lança projetos e realiza inaugurações

Reitor da USP – Prof. Dr. Carlos Gilberto Carlotti Junior

Com as presenças do Reitor e da Vice-Reitora da USP, na circunstância, os Profs. Drs. Carlos Gilberto Carlotti Junior e Maria Arminda do Nascimento Arruda, entre diversas outras autoridades, o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) realizou no dia 10 de outubro do corrente ano, a cerimônia protocolar de apresentação e lançamento da “Rede EMBRAPPI – USP” e do “Núcleo de Excelência em Ciências e Tecnologias Quânticas”, bem como a inauguração do acervo do “Museu da Memória da Computação Científica do IFSC/USP” e do “Teatro Virtual de Imersão (CDCC)”.

A apresentação dos projetos esteve a cargo do docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, enquanto que, por sua vez, coube ao docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Guilherme Sipahi, fazer uma introdução ao acervo do museu, que seria inaugurado na sequência da cerimônia.

Já a apresentação resumida do “Teatro Virtual de Imersão”, que seria igualmente inaugurado após a cerimônia, esteve a cargo da Diretora do CDCC, Profª Drª Nelma Regina Bossolan.

De entre outras autoridades, registre-se a presença, na mesa de honra, do Prefeito de São Carlos, Dr. Antonio Donatto Netto.

Confira como ocorreu esta cerimônia, acessando AQUI a gravação integral da mesma.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

13 de outubro de 2025

“Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia – 2025” – Vídeo conta um pouco da vida e obra do pesquisador do IFSC/USP, Prof. Jarbas Caiado Neto

Na sequência do anúncio dos vencedores do “Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia – 2025”, oportunamente divulgados pelo IFSC/USP – (VER AQUI) – e onde na categoria “Tecnologia” o prêmio foi entregue no passado dia 02 de outubro ao pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Jarbas Caiado de Castro Neto, reconhecendo projetos inovadores com impacto direto no desenvolvimento do país, divulgamos aqui o vídeo realizado pela entidade organizadora, tendo como destaque a vida e obra do citado pesquisador.

Recordando que o Prof. Jarbas Caiado de Castro Neto é Mestre em Física pela USP e PhD pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), e professor titular do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), onde criou, em 1982, o Grupo de Óptica, hoje com cerca de 250 membros. Fundou diversas empresas e espaços de pesquisa de base tecnológica, entre eles, a Oficina de Óptica de Precisão do IFSC/USP, berço de inovações e empreendedorismo tecnológico único no país.

Confira AQUI o vídeo publicado pelo CBMM.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

13 de outubro de 2025

Destaque da Produção Científica do IFSC/USP em setembro de 2025

Para ter acesso às atualizações da Produção Científica cadastradas no mês de setembro de 2025, clique AQUI,  ou acesse o Repositório da Produção USP (AQUI).

As atualizações também podem ser conferidas no Totem “Conecta Biblio”, em frente à Biblioteca.

A figura ilustrativa foi extraída do artigo publicado recentemente, por pesquisador do IFSC, no periódico “Physics Reports” (VER AQUI)

 

 

 

 

 

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

13 de outubro de 2025

Pesquisador do IFSC/USP é o novo membro da Academia Nacional de Engenharia dos EUA (NAE)

Prof. Bagnato recebendo o diploma como membro titular da NAE – National Academy of Engineering – das mãos da Presidente e do Secretário da Academia

O cientista são-carlense, docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Vanderlei Bagnato, que já era membro da Academia de Ciências dos Estados Unidos (NAS), foi eleito e tomou posse neste final de semana como membro da  Academia de Engenharia norte-americana (NAE), durante a reunião anual daquela instituição.

Ser membro da NAS e da NAE é, de fato, uma das maiores honrarias que um cientista ou engenheiro pode receber ao longo de sua carreira, um reconhecimento internacional ao mais alto nível.

A NAS, fundada em 1863, é uma organização privada e sem fins lucrativos dedicada ao avanço da ciência e ao fornecimento de aconselhamento científico para os governantes e para as instituições. A eleição para a NAS é um reconhecimento da excelência científica, reservado apenas aos pesquisadores cujas contribuições são consideradas significativas e duradouras para o progresso do conhecimento. Além disso, os membros da NAS frequentemente participam de comitês que orientam decisões governamentais em áreas críticas como saúde pública, meio ambiente, segurança nacional e educação. A filiação à NAS é amplamente reconhecida como um selo de excelência científica internacional, proporcionando aos seus membros acesso a uma rede de colaboração de alto nível, que estimula parcerias interdisciplinares e globais.

Da mesma forma, a NAE, criada em 1964, tem como missão promover o avanço da engenharia e atuar como órgão consultivo em questões tecnológicas e estratégicas. Ser eleito para a NAE significa ter realizado contribuições excepcionais à engenharia, seja por meio de inovação, liderança, educação ou serviço público.

Os membros da NAE desempenham um papel fundamental na formulação de políticas e estratégias nacionais relacionadas à infraestrutura, energia, tecnologia e segurança cibernética, entre outros temas relevantes. A academia também se dedica à valorização da engenharia como força transformadora da sociedade, destacando seu impacto na melhoria da qualidade de vida. Assim como a NAS, a NAE goza de elevado prestígio internacional e seus membros são frequentemente convidados a liderar iniciativas de grande relevância.

Prof. Bagnato junto com a presidente da Academia Tsu-Jae Liu, do  representante da República da Coreia, e ainda de R. Liberman, influente membro da NAE na área de multidisciplinaridade

Sendo que a filiação simultânea às duas academias é extremamente rara, representando um reconhecimento duplo — tanto pela profundidade científica quanto pela aplicação prática e tecnológica do conhecimento -, essas distinções posicionam os cientistas como referências nacional e internacional em suas áreas de atuação, evidenciando trajetórias marcadas pela excelência, inovação e impacto.

A Assessoria de Comunicação do IFSC/USP esteve atenta a essa cerimônia de posse na NAE e na oportunidade colheu o depoimento do Prof. Vanderlei Bagnato. Para o cientista são-carlense, claro que foi uma elevada honra “Isto demonstra o quanto o trabalho realizado por mim junto aos meus estudantes e colaboradores têm sido relevante. Nada do que fiz foi realizado sozinho, portanto, todos que estiveram comigo são também parte desta nomeação. Como sempre digo, se não mereço, vou trabalhar mais para ser merecedor”.

De um modo geral, os professores e pesquisadores brasileiros tem tido bastante reconhecimento internacional sendo membros de corpos editoriais de revistas relevantes e membros de diversos academias espalhadas pelo mundo. Investimento em ciência e tecnologia movem o país, tornando-o e mais independente, com os avanços tecnológicos a assumirem uma relevância para a sociedade, alavancando a economia e tornando nossa sociedade mais provida de empregos e tecnologia para seu próprio bem-estar.

A relevância social da Ciência tem sido algo constante nos trabalhos dos professores e pesquisadores da USP e da UFSCar, pelo que São Carlos está de parabéns pela sua relevância e comprometimento com o avanço científico e tecnológico.

A cerimônia de posse da NAE ocorreu em Washington (DC), durante os dias de 4,5 e 6 de outubro, tendo sido transmitida ao vivo pelo canal Youtube da Academia.

O tema da reunião da NAE deste ano abordou aspectos da  Inteligência Artificial (IA) e seu impacto nas engenharias, com a realização de diversas palestras e apresentações sobre o tema, principalmente em relação às diversas preocupações em como adaptar a educação, o desenvolvimento de tecnologias e a preparação de profissionais com esta nova realidade.

Sobre o tema, o Prof. Vanderlei Bagnato ressaltou que “Não podemos ter medo da IA, já ela veio para ficar. Temos, sim, que nos adaptar com esta nova realidade e utilizá-la de forma consciente e ética“ afirmou o cientista.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de outubro de 2025

Primeiro condensado de Bose-Einstein de átomos de potássio é obtido no laboratório 2D-K do IFSC/USP

A equipe do laboratório 2DK do IFSC/USP

No último dia 30 de setembro do corrente ano, o laboratório 2D-K do IFSC/USP, liderado pela Profª Patrícia C. M. Castilho, realizou um condensado de Bose-Einstein de átomos de potássio-39. Este é o primeiro condensado desta espécie atômica do Brasil e representa um grande avanço acerca dos estudos que podem ser realizados em comparação aos condensados também produzidos aqui no Instituto, com átomos de sódio e rubídio-87.

Apesar da maior dificuldade em resfriar os átomos de potássio, esta espécie atômica é bastante interessante, já que possibilita alterar a magnitude da interação atômica a partir da aplicação de um campo magnético uniforme na região dos átomos a partir do uso da técnica de ressonâncias de Feshbach. Neste sentido, o grupo poderá estudar diferentes fenômenos relacionados às propriedades superfluidas desses sistemas, variando a interação atômica e, em particular, nos limites de um gás ideal, não interagente, e de um gás unitário para o qual o parâmetro de interação diverge. O condensado de Bose-Einstein é um estado quântico da matéria caracterizado pela ocupação macroscópica do estado fundamental do sistema.

Nuvem atômica produzida no laboratório 2D-K

Para um gás diluído, como o do laboratório da Profª Patricia, a transição de fase para este estado acontece a temperaturas próximas do zero absoluto, em torno de centenas de nanokelvins. Na imagem desta reportagem é mostrada uma foto da nuvem atômica produzida no laboratório 2D-K. O condensado é identificado pela região de maior densidade (em vermelho) no centro da nuvem, caracterizando um acúmulo de átomos a baixas energias. A forma deste condensado depende do tipo de aprisionamento no qual ele é produzido. No caso da armadilha usada no IFSC/USP, o potencial de aprisionamento é quadrático com a posição, como o de um oscilador harmônico, e a forma do condensado assume uma parábola invertida, complementar a este potencial.

Na sequência das atividades no laboratório, a equipe da Profa. Patricia buscará caracterizar o condensado quando variando a sua interação, mas o trabalho de montagem do experimento ainda não terminou.

O objetivo principal do laboratório é investigar sistemas de baixa dimensionalidade, principalmente sistemas bidimensionais (2D). Assim, esse condensado caracterizado por uma nuvem atômica tridimensional deverá ser fortemente comprimido ao longo da direção da gravidade. Esta compressão será feita com o uso de uma rede óptica que já está em desenvolvimento no laboratório e é parte do projeto de doutorado e de iniciação científica de dois alunos do grupo.

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

6 de outubro de 2025

Teatro Virtual de Imersão (CDCC) no Campus USP São Carlos

O Teatro Virtual de Imersão, com inauguração marcada para o dia 10 de outubro, com a presença do Reitor da USP, Prof. Carlos Gilberto Carlotti Junior e da Vice-Reitora, Profª Maria Arminda do Nascimento Arruda, dentre diversas outras autoridades, corresponde a um anseio de mais de uma década do Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP (CDCC) que ora se concretiza e que contou com o apoio de todas as unidades do campus e, em especial, com o valioso auxílio do IFSC/USP.

O Teatro Virtual de Imersão é uma sala de projeção especial, cujo conteúdo a ser exibido não é projetado numa tela plana – como em uma sala de cinema comum -, mas em uma superfície semiesférica – um domo – que proporciona à plateia uma sensação de imersão no conteúdo mostrado.

Quando o Teatro Virtual é usado com conteúdo astronômico, ele é mais conhecido como planetário, equipamento de divulgação científica utilizado em todo o mundo e que completou cem anos em 2025. Os planetários inicialmente exibiam apenas o céu noturno, com os movimentos característicos da Esfera Celeste, com a inserção de planetas com seus movimentos e brilhos característicos. Com a tecnologia associada à era digital, o planetário foi além da Astronomia e pode exibir conteúdos das mais diversas áreas do conhecimento.

Sendo um anexo do Observatório Dietrich Schiel, do setor de Astronomia do CDCC, na Área-1 do Campus USP de São Carlos, a ênfase será, claro, na Astronomia.

No entanto, desde o projeto inicial, esse equipamento foi pensado como “multiusuário”, o que significa que se pode pensá-lo como um instrumento do Campus ou mesmo de outros campi e até de universidades parceiras, para ser usado das mais diversas formas: desde o auxílio pedagógico em uma aula que necessite de visualização em três dimensões, passando por uma simulação de um resultado de pesquisa avançada, ou mesmo fazer uma apresentação artística tendo como fundo um céu estrelado ou com temática “espacial”.

O Teatro Virtual de Imersão conta com um projetor cuja luminosidade atinge 10 mil lumens e tem resolução de 4k. A projeção se dá em uma tela inflável de forma côncava e semiesférica com 10 metros de diâmetro. Possui 44 poltronas com reclinações variadas, dispostas em arcos com fileiras: as que ficam à frente reclinam mais do que aquelas que se localizam nas fileiras de trás. A disposição das poltronas segue o modelo moderno, ou seja, não ficam voltadas para o centro da sala. O patamar onde ficam as poltronas é elevado, de forma a termos o horizonte da projeção próximo do público, o que proporciona maior sensação de imersão. A plateia dispõe de uma poltrona para pessoas obesas e pode receber até dois cadeirantes por sessão. O equipamento de projeção se alia a um sistema de som 5.1 para permitir que a imersão seja, também, sonora.

O Observatório Dietrich Schiel aguarda, a partir do próximo dia 10 de outubro, o início das atividades do Teatro Virtual, quando passará a oferecer sessões de cúpula para o público escolar durante a semana e para o público espontâneo aos finais de semana. Será uma continuidade e uma ampliação das atividades que o Observatório vem conduzindo nesses quase quarenta anos de existência.

Em 2026, serão comemorados os 40 anos da fundação do Observatório, pelo que o Teatro Virtual/Planetário vem como um presente de aniversário e uma oportunidade para que o CDCC/Observatório continue a oferecer uma opção de lazer e de divulgação científica de qualidade à comunidade local.

(CDCC)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

6 de outubro de 2025

Pesquisadores do IFSC/USP desenvolvem experimento mostrando como surge a eletricidade

Você já parou para pensar de onde vem a energia que acende a luz da sua casa, carrega o celular ou movimenta o motor de um carro? Tudo isso é possível graças a um fenômeno descoberto no século XIX por Michael Faraday: a chamada Lei de Faraday, que explica como a variação de campos magnéticos pode gerar eletricidade.

Embora seja a base de tecnologias essenciais, como geradores, motores, transformadores, carregadores sem fio e até fogões de indução, essa lei costuma ser difícil de entender em sala de aula. Afinal, como visualizar algo que não podemos ver a olho nu, como o campo magnético ou a corrente elétrica?

Foi pensando nisso que pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) desenvolveram uma solução criativa e acessível: um aparelho simples, baseado em um pequeno chip chamado ESP32, capaz de mostrar em tempo real como a eletricidade nasce a partir da variação de um campo magnético.

A ciência na tela do computador

No experimento, os alunos acompanham os dados diretamente no Excel, um programa usado no dia a dia de muitas escolas e até mesmo em casa. À medida que o experimento acontece, surgem gráficos que mostram como uma bobina (um enrolado de fio condutor) influencia a outra. Assim, fica claro: quando a corrente elétrica de uma bobina muda, o campo magnético também muda — e isso faz com que apareça eletricidade na segunda bobina.

De forma simples, os estudantes podem “ver a lei de Faraday em ação”, algo que antes ficava restrito a fórmulas no quadro e explicações abstratas.

Para os alunos mais novos, essa proposta tem um efeito imediato: desperta curiosidade e motivação. Ao verem a ciência acontecendo diante dos olhos, muitos passam a se interessar mais por física e tecnologia. Isso ajuda a combater a ideia de que essas matérias são difíceis ou inacessíveis.

Além disso, a experiência incentiva a aprendizagem ativa. Em vez de apenas decorar fórmulas, os jovens participam do processo, testam hipóteses, analisam resultados e entendem como a teoria se conecta ao mundo real. Esse tipo de aprendizado fortalece o raciocínio lógico, a criatividade e até a capacidade de resolver problemas no dia a dia.

Benefícios também para as escolas

Para as escolas, o experimento traz vantagens práticas. O sistema é barato, portátil e fácil de implementar, não exige laboratórios sofisticados nem equipamentos caros. Assim, instituições com menos recursos também podem oferecer aos alunos atividades experimentais de qualidade.

Outro ponto positivo é a integração com diferentes disciplinas. Professores de física, matemática e até tecnologia da informação podem usar o mesmo recurso para trabalhar conceitos de forma conjunta, dentro da proposta de ensino conhecida como STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Com isso, as escolas conseguem enriquecer suas aulas, modernizar o ensino e preparar melhor os estudantes para os desafios do futuro, incentivando vocações científicas e tecnológicas desde cedo.

Para os professores, a maior conquista está em transformar um conteúdo considerado complicado em algo palpável e intuitivo. Ao invés de apenas decorar conceitos, os alunos interagem com o fenômeno, enxergam os resultados na tela e entendem, de maneira prática, por que a eletricidade funciona daquele jeito.

O projeto, apoiado por agências como CAPES, FAPESP e CNPq, mostra que não é preciso equipamentos caros ou complexos para despertar o interesse dos jovens pela ciência. Com criatividade e ferramentas acessíveis, é possível transformar a forma de ensinar, aproximando a física do cotidiano e ajudando a formar uma nova geração de alunos mais curiosos, críticos e preparados para o mundo.

Assinam este artigo, publicado na revista científica internacional “Physics Education”: Bruno Trebbi, Jéssica F. M. dos Santos, Antenor Petrilli e Luiz Antonio de Oliveira Nunes.

Confira AQUI o artigo científico relativo a este estudo.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

3 de outubro de 2025

Três chapas vão concorrer à eleição de reitor(a) e vice-reitor(a) da USP

Três chapas se inscreveram para concorrer à eleição de reitor e de vice-reitor da USP, que será realizada no próximo dia 27 de novembro. As informações foram divulgadas pela Secretaria Geral da Universidade, no dia 17 de setembro.

As chapas, formadas por professores titulares da Universidade e cujas inscrições foram deferidas pela Comissão Eleitoral, são as seguintes (listadas por ordem de inscrição):

*Chapa USP pelas Pessoas – Aluisio Augusto Cotrim Segurado (Faculdade de Medicina), candidato a reitor – e Liedi Légi Bariani Bernucci (Escola Politécnica), candidata a vice-reitora;

*Chapa Nossa USP – Ana Lúcia Duarte Lanna (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design), candidata a reitora – e Pedro Vitoriano de Oliveira (Instituto de Química), candidato a vice-reitor;

*Chapa USP Novo Tempo – Marcílio Alves (Escola Politécnica), candidato a reitor – e Silvia Pereira de Castro Casa Nova (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária), candidata a vice-reitora.

No ato da inscrição, os candidatos se desincompatibilizaram das funções de chefia ou direção exercidas na estrutura da Universidade.

A eleição será realizada em turno único, das 9h às 18h, por meio de sistema eletrônico de votação e totalização de votos. A Assembleia Universitária será constituída pelo Conselho Universitário, pelos Conselhos Centrais, pelas Congregações das Unidades e pelos Conselhos Deliberativos dos Museus e dos Institutos Especializados. O resultado será divulgado no mesmo dia, a partir das 20h.

Observadores externos

A Comissão Eleitoral, que coordena o processo para a escolha dos novos reitor e vice-reitor da Universidade, divulgou os nomes dos membros titulares e suplente que irão compor o grupo de observadores externos à USP que acompanhará o sistema eletrônico de votação e totalização de votos do pleito.

Foram designados os professores Erick Melo, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); Ney Lemke, da Universidade Estadual Paulista (Unesp); Ricardo Dahab, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); e, como suplente, Geraldo Sorte, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

No dia 18 de novembro será promovida a consulta à comunidade, de forma eletrônica, das 9h às 18h. A consulta à comunidade terá caráter indicativo à Assembleia Universitária, a quem cabe a eleição. O resultado da consulta será divulgado no mesmo dia, com os resultados obtidos em cada uma das categorias – alunos de graduação e pós-graduação, docentes e servidores técnicos e administrativos.

O reitor e o vice-reitor, professores titulares da USP, serão nomeados pelo governador do Estado a partir da lista composta pelas chapas mais votadas. A nova gestão da Universidade terá início no próximo dia 25 de janeiro de 2026, com mandato de quatro anos.

(Jornal da USP)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

2 de outubro de 2025

IEA/USP lança edital selecionando 05 bolsistas (TT3) e 01 (TT4) para São Paulo e São Carlos

O Instituto de Estudos Avançados (IEA/USP) está com inscrições abertas até às 18h00 do dia 06 de outubro do corrente ano para candidatos que desejem concorrer a 06 bolsas de Treinamento Técnico – 05 bolsas para Treinamento Técnico Nível 3 (TT3) e uma bolsa para Treinamento Técnico Nível 4 (TT4).

Cinco vagas serão oferecidas no IEA/USP, em São Paulo, e uma no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), sendo que os bolsistas deverão residir nas cidades correspondentes ao oferecimento das vagas ou em cidades adjacentes a elas para otimização da experiência.

Este Edital da IEA/USP (11/2025, de 22/09/2025) é relativo ao projeto temático INCEPTE “Estudo de Implementação de Inovações Curriculares, Estratégias Pedagógicas e Tecnologias Emergentes para Qualidade-Equidade na Educação Básica”, vinculado à Cátedra Alfredo Bosi de Educação Básica e com sede no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP).

As Bolsas de Treinamento Técnico (TT) fazem parte do Programa de Capacitação Técnica e têm como objetivo treinar e aperfeiçoar técnicos e alunos de cursos técnicos que participem de atividades de apoio a projetos de pesquisa vigentes, financiados pela FAPESP.

No âmbito do projeto INCEPTE, as bolsas de treinamento técnico nível 3 (TT3) estão associadas ao desenvolvimento das seguintes tarefas:

*Apoio à pesquisa nas diferentes linhas que constituem o projeto temático;

*Tomada e organização de dados;

*Trabalho de campo.

 

A bolsa de Treinamento Técnico Nível 4 (TT4) está associada ao desenvolvimento das seguintes tarefas:

*Captação de som e imagens (entrevistas e eventos relacionados ao projeto temático);

*Edição de vídeos e áudios;

*Gestão dos equipamentos;

*Gestão de dados;

*Gestão e alimentação de redes sociais e canal Youtube do projeto temático.

Para mais informações e/ou para se inscrever, clique AQUI.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

2 de outubro de 2025

Direcionamento Acadêmico – Uma bússola para os alunos do IFSC/USP

Profª Ana Paula Ulian de Araújo – Vice-Diretora do IFSC/USP

O ingresso em uma universidade costuma vir acompanhado de entusiasmo e insegurança. No Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), essa travessia tem ganhado uma nova bússola: a disciplina Direcionamento Acadêmico, reformulada para acolher e orientar os estudantes que iniciam a vida acadêmica no Instituto, oferecendo-lhes a oportunidade de conhecer melhor o IFSC/USP e todas as suas particularidades.

Mais do que uma matéria introdutória, o Direcionamento Acadêmico abre as portas da instituição, permitindo que os alunos conheçam de perto laboratórios de pesquisa, professores, linhas de investigação científica e até empresas de tecnologia da região. A isso se aliam encontros e conversas com os coordenadores dos cursos, orientação acadêmica/pedagógica e apoio na resolução de suas dificuldades e nas estratégias de aprendizado, e ainda a realização de seminários que procuram responder de forma mais eficaz aos anseios dos alunos.

Resumidamente, o objetivo é simples e ao mesmo tempo ambicioso: aproximar os jovens da realidade acadêmica e ajudá-los a encontrar a própria vocação.

Nova configuração dos seminários inseridos no “Direcionamento Acadêmico

Enzo Mion de Aguiar e Pedro Bruno Monteiro – Curso de Bacharelado em Física Computacional

Com o intuito de aproximar ainda mais os alunos ingressantes das várias temáticas da Física, os seminários que integram a disciplina “Direcionamento Acadêmico” foram reajustados para apresentar, de forma mais interativa, os conceitos que normalmente são abordados nessa área do conhecimento. Ou seja, o foco é aliar a teoria à prática e ajudar os estudantes a encontrarem a sua vocação, a sua trilha acadêmica, fazendo-os compreender, de fato, e de forma mais incisiva, os fundamentos e a importância do curso que cada um escolheu e as perspectivas de seu futuro.

Tendo como idealizador o docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Luíz Antônio de Oliveira Nunes, o conteúdo dos seminários se consolidou, entusiasmando e envolvendo os coordenadores dos cursos e demais professores em algo que muito beneficia os alunos ingressantes. “Foi uma iniciativa que está dando muito certo. Os seminários inseridos na disciplina Direcionamento Acadêmico constituem algo que alia os fundamentos teóricos com atividades experimentais de uma forma mais fundamental para os alunos, trazendo um pouco do laboratório, até um pouco do lúdico, para que eles enxerguem, ao vivo, aquilo que é transmitido através dos livros.  O Prof. Luiz Antônio é um apaixonado por esse tipo de “estratégia” e congregou em seu redor vários professores que ele sabia que tinham uma interlocução boa com os alunos, que dão excelentes aulas, bastante didáticas, e tudo isso tem dado muito certo”, pontua a Vice-Diretora do IFSC/USP, Profª Ana Paula Ulian de Araújo.

Dessa forma, os docentes do Instituto passaram a organizar suas aulas não sobre os assuntos que já estavam prontos, preparados, mas com temas que fossem ao encontro das expectativas dos alunos, aliando a isso experimentos, ou seja, verdadeiras aulas de erudição mais amplas. Tudo isso com o intuito de motivar os jovens, mostrar-lhes que a experimentação faz parte do aprendizado e que isso pode ser – e é – uma ferramenta super importante para que possam ter uma direção mais sólida.

João Pedro Pereira de Carvalho e Alice Nunes Silva de Souza – Curso de Bacharelado em Física Biomolecular

“Presente nos três cursos de bacharelado do IFSC/USP, o Direcionamento Acadêmico é obrigatório nos dois primeiros semestres. Para muitos calouros trata-se da primeira oportunidade de compreender a estrutura da instituição e vislumbrar os caminhos possíveis dentro da Física. O jovem que chega no nosso Instituto, no primeiro ano, não tem ideia do que pode fazer, quais as áreas de trabalho ou pesquisa. Por isso, essa disciplina é fundamental para colocá-lo nos trilhos, apoiá-lo e ajudar a superar dificuldades, e até para montar uma grade nova se ele tiver disciplinas que não conseguiu aproveitamento”, conclui a Profª Ana Paula”,

Num contexto geral, trata-se de uma disciplina multivalente, acrescida dos seminários que são apresentados e que, na verdade, são autênticas aulas com conceitos de Física mais gerais e que são intercalados com a história da ciência, da física e dos físicos, com experimentos relativos a cada tema e a cada cientista. É como se fosse a abertura de uma porta para inúmeras coisas que o aluno pode fazer e se beneficiar, vislumbrando o inimaginável, aumentando seu interesse, rompendo o seu universo, aguçando e saciando a curiosidade.

No fim, trata-se de preparar não apenas futuros pesquisadores, mas também jovens mais conscientes do seu papel dentro da Universidade e do mundo da ciência, motivo pelo qual quisemos saber o que pensam os alunos dos três cursos do IFSC/USP sobre essa nova metodologia do Direcionamento Acadêmico

Bacharelado em Física Computacional

Lucas Fancelli Coelho e João Magalhães Monsores de Souza – Curso de Bacharelado em Física

Para Enzo Mion de Aguiar (19), aluno do Curso de Bacharelado em Física Computacional “É muito interessante, porque dá a conhecer um pouco mais da área que você estuda. Você começa a ter uma ideia sobre como é a prática em si mesma, como é que são aplicados os conhecimentos ali dentro do campo. Você tem contato direto com quem está ali, fazendo as pesquisas, e está avançando nessa fronteira do conhecimento. Então, serve para te dar uma inspiração, até para você sentir como vai ser no futuro se você decidir seguir por aquele caminho, por aquela pesquisa”, comenta. Para o jovem Pedro Bruno Monteiro (19), igualmente do Curso de Física Computacional, colega de Enzo “Concordo plenamente com Enzo, porque estes seminários inseridos nas aulas aproximam o aluno com a futura profissão que ele pretende seguir, ou com a área de pesquisa, se ele optar por seguir como pesquisador. Depois, tem algo muito legal, que é o aluno poder conversar com o docente após as apresentações, perguntar mais sobre os assuntos, o que aumenta o interesse. É muito legal”.

Bacharelado em Física Biomolecular

João Pedro Pereira de Carvalho (18) e Alice Nunes Silva de Souza (19) cursam o Bacharelado em Física Biomolecular e ambos compartilham a mesma opinião. “Acho muito interessante a oportunidade que temos agora de contatar diretamente com os professores, com os palestrantes, para que possamos compreender mais sobre o Instituto e sobre as linhas de pesquisa. Achei muito legal aprender um pouco sobre a história da ciência e dos cientistas que contribuíram para o avanço do conhecimento”, sublinha João Pedro. Alice de Souza mostrou-se entusiasmada com o novo formato dos seminários, mas ao mesmo tempo assustada. “Acho bem interessante estes momentos, ainda que existam muitos conceitos que assustam um pouquinho, porque só de imaginar quantas coisas que ainda vão aparecer na nossa frente… Eu acho muito interessante, porque acabamos por ter um contato diferente com a Física para além do que a gente aprende na sala de aula, basicamente fazendo continhas e conferindo fórmulas. Nestes seminários nós vemos a aplicação da Física fora daquilo que a gente está aprendendo na aula todo dia. E aí, óbvio que você vai vendo a conexão que existe entre todas as áreas que estudamos e, para mim, isso é muito legal. Os professores/palestrantes também são muito bons”, remata a jovem aluna.

Bacharelado em Física

Nicole Stein Buono Errico Schultz – Curso de Bacharelado em Física

Por último, colhemos as opiniões de Lucas Fancelli Coelho (19), João Magalhães Monsores de Souza (18) e Nicole Stein Buono Errico Schultz (18), todos alunos do Curso de Bacharelado em Física. “Acho muito bom, já que é uma forma legal de podermos ter uma experiência melhor do Instituto, observar as pesquisas, ver o que os professores fazem e conhecê-los mais profundamente. Ver exatamente o que está sendo feito aqui, porque, por vezes, a gente não tem essa oportunidade de ver o que está sendo desenvolvido; ter oportunidade de assistir a esses seminários é muito bom para isso, para a gente conseguir realmente ter essa ideia”, enfatiza Lucas Coelho. Para João Magalhães “Acho esta disciplina e estes seminários um diferencial do IFSC/USP, já que temos a oportunidade de ter um contato com pesquisa, com pessoas que não só têm muito conhecimento teórico, mas que realizam experimentos. É um contato enorme com a ciência, com o fazer científico. E foi um dos motivos que me levou a escolher este Instituto”, sublinha o jovem.

O último depoimento veio de Nicole Schultz, que entende que o Direcionamento Acadêmico é uma disciplina que é feita para os alunos conseguirem se inteirar mais no curso desde o primeiro momento. “Até agora, temos tido matérias do ciclo básico, junto com as engenharias e tudo o resto, e por mais que nós tenhamos que nos debruçar sobre as várias matérias, isso tudo faz parte porque é o gostamos de fazer, foi o curso que a gente escolheu, mas acho que ainda falta uma visão do que a gente vai ver no futuro, sabe? Tá bom, estou fazendo isso, mas para quê? Onde é que eu vou chegar? E eu vejo que o Direcionamento Acadêmico, com as palestras e tudo mais, ajuda a enxergar por que a gente está aqui, por que a gente está vendo isso e as oportunidades que vamos ter para chegar em algum lugar. Tem algumas palestras que a gente vê e fala: “Nossa, me interessei muito por essa área, gostei muito disso, nem sabia que isso existia, certo”? Por outro lado, temos a chance de conhecer professores diferentes. Por exemplo, quando você está fazendo um curso, como o de Física, você tem que, desde o primeiro momento, pensar em iniciação científica, projeto de pesquisa, extensão; então, você acaba conhecendo professores, conhecendo áreas que você não tinha conhecimento e já conseguindo ter um primeiro contato para que, no futuro, surja o interesse em fazer um projeto de pesquisa, uma iniciação científica. Aí, você pensa “Nossa, esse professor tem uma área que me interessa muito… posso procurar, posso mandar um email para ele, descobrir coisas que não sabia”. Então, acho que é uma disciplina muito interessante para você ter uma visão de futuro e também para você conseguir montar um melhor planejamento do que você quer fazer a partir desse momento de sua vida”, conclui a estudante.

Rui Sintra / Adão Geraldo – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

1 de outubro de 2025

Com participação do IFSC/USP – Folhas de café podem ajudar a criar soluções sustentáveis em saúde, meio ambiente e tecnologia

Um grupo internacional de cientistas, liderado pela Universidade de São Paulo (USP), descobriu uma nova forma de dar valor às folhas de café, um resíduo abundante da agricultura. Em vez de serem descartadas, essas folhas foram utilizadas para produzir nanopartículas de óxido de zinco — estruturas microscópicas com propriedades que podem transformar áreas como saúde, meio ambiente e tecnologia.

Nanopartículas são partículas tão pequenas que não podem ser vistas nem com os microscópios comuns. Apesar do tamanho invisível, elas têm um enorme potencial porque apresentam características diferentes daquelas que os mesmos materiais exibem em escala maior. No caso do óxido de zinco, quando reduzido ao tamanho nanométrico, ele ganha habilidades especiais: combate bactérias, acelera reações químicas e até pode ser usado em dispositivos eletrônicos mais sustentáveis.

Uma “química verde” feita com café

Tradicionalmente, a produção de nanopartículas envolve o uso de produtos químicos tóxicos e processos caros. O diferencial deste estudo foi usar as próprias moléculas presentes nas folhas de café para fabricar as partículas. Essa técnica é chamada de “síntese verde”, por ser mais econômica, limpa e alinhada aos objetivos globais de sustentabilidade.

As folhas de café foram escolhidas porque, além de abundantes, contêm compostos antioxidantes e bioativos, que facilitam a formação das nanopartículas. O Brasil, maior produtor mundial de café, pode se beneficiar diretamente dessa descoberta, aproveitando resíduos que hoje não têm valor comercial.

Nos testes de laboratório, as nanopartículas de café mostraram eficiência contra bactérias como Staphylococcus aureus e Escherichia coli, que estão entre os principais agentes de infecções hospitalares. Isso abre a possibilidade de desenvolver novos antimicrobianos em um momento em que o mundo enfrenta o avanço da resistência bacteriana, um dos maiores desafios da saúde pública.

Outro ponto promissor foi a capacidade das nanopartículas de quebrar moléculas de poluentes quando expostas à luz ultravioleta. Em um experimento, elas degradaram corantes usados pela indústria têxtil, que costumam contaminar rios e mananciais. Isso mostra que a tecnologia pode ser usada em estações de tratamento de água ou em processos de descontaminação ambiental.

Prof. Igor Polikarpov – IFSC/USP (Créditos – IEA-USP)

Além da saúde e do meio ambiente, os pesquisadores avançaram também na área da tecnologia. Ao combinar as nanopartículas com quitosana (um polímero obtido de cascas de crustáceos), eles criaram um dispositivo eletrônico chamado bioReRAM — uma memória de computador que armazena dados usando materiais biodegradáveis. Essa inovação abre caminho para a chamada “computação verde”, em que a fabricação de componentes eletrônicos gera menos impacto ambiental.

De acordo com o Prof. Igor Polikarpov, pesquisador do IFSC/USP e autor correspondente da pesquisa, este estudo mostra que é possível unir sustentabilidade e inovação tecnológica: “Estamos diante de uma inovação que aproveita um resíduo agrícola e o transforma em soluções para áreas vitais como saúde, meio ambiente e tecnologia”, salienta.

Se aplicada em escala industrial, a descoberta pode gerar novas fontes de renda para agricultores, reduzir o desperdício e colocar o Brasil em posição de destaque na produção de materiais avançados a partir de recursos naturais.

Em outras palavras, o café pode não apenas energizar nossas manhãs, mas também impulsionar uma nova revolução científica e tecnológica.

Assinam este estudo os pesquisadores: Vanessa de Oliveira Arnoldi Pellegrini; Aparecido de Jesus Bernardo; Bruno Roberto Rossi; Ramon Resende Leite; João Fernando Possatto; Andrei Nicoli Gebieluca Dabul; Carla Raquel Fontana; Zolile Wiseman Dlamini; Tebogo Sfiso Mahule; Belda Q. Mosepele; Force Tefo Thema; Bhekie B. Mamba; Maria Inês Basso Bernardi; Sreedevi Vallabhapurapu; Vijaya Srinivasu Vallabhapurapu; e Igor Polikarpov.

Confira AQUI o estudo publicado na revista científica internacional “Scientific Reports”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

29 de setembro de 2025

Cientistas do IFSC/USP e da Texas A&M University desenvolvem método para prever evolução da resistência bacteriana a antibióticos

Staphylococcus aureas (Créditos – “bioMerieux”)

Um estudo internacional envolvendo pesquisadores da Texas A&M University (EUA) e do IFSC/USP apresentou uma nova estratégia para acompanhar e prever como bactérias desenvolvem resistência a antibióticos ao longo do tempo.

A pesquisa, publicada na revista Antibiotics, mostra que a resistência bacteriana — problema crescente de saúde pública mundial — não deve ser vista apenas como um estado fixo, em que a bactéria é “resistente” ou “não resistente”. Pelo contrário, trata-se de um processo dinâmico e progressivo, que pode ser monitorado desde os primeiros sinais de adaptação das células.

Como funciona a técnica

Os cientistas utilizaram a espectroscopia no infravermelho (FTIR), um método capaz de identificar as “impressões digitais químicas” de biomoléculas presentes nas bactérias. Essas informações foram combinadas com algoritmos de inteligência artificial, que analisaram padrões e permitiram prever como os microrganismos reagem à exposição contínua a diferentes antibióticos.

No experimento, amostras da bactéria Staphylococcus aureus foram tratadas com três medicamentos comuns — azitromicina, oxacilina e trimetoprima/sulfametoxazol. Os pesquisadores coletaram dados em diferentes intervalos de tempo (24, 72 e 120 horas) e observaram mudanças graduais nos perfis bioquímicos das bactérias. Com a ajuda da inteligência artificial, foi possível identificar sinais precoces de resistência já nas primeiras 24 horas de contato com os fármacos, com índices de acerto que chegaram a 96%.

A resistência bacteriana acontece quando bactérias sofrem mutações genéticas ou adquirem genes de outras bactérias que as tornam capazes de sobreviver mesmo na presença de antibióticos. Isso significa que medicamentos antes eficazes passam a não funcionar mais.

Esse processo é favorecido pelo uso excessivo ou inadequado de antibióticos, como em tratamentos interrompidos antes do tempo recomendado ou no consumo de remédios sem prescrição médica. Outro fator de preocupação é o uso indiscriminado de antibióticos em animais de criação, que pode contribuir para a disseminação de bactérias resistentes no meio ambiente e nos alimentos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as chamadas “superbactérias” já causam mais de 1,2 milhão de mortes por ano no mundo. Infecções comuns — como as urinárias, respiratórias ou de pele — estão se tornando mais difíceis de tratar, e até mesmo procedimentos médicos de rotina, como cirurgias ou quimioterapia, podem se tornar arriscados se os antibióticos perderem eficácia.

Impacto da nova descoberta

Segundo os autores, o estudo aponta para uma mudança de paradigma no combate às infecções. Hoje, médicos muitas vezes só conseguem identificar a resistência quando ela já está plenamente estabelecida, limitando as opções de tratamento. A nova abordagem permitiria detectar precocemente os primeiros sinais de adaptação bacteriana, ajudando a escolher terapias mais eficazes e personalizadas antes que a resistência se consolide.

O avanço apresentado pelo grupo de pesquisa pode abrir caminho para sistemas de diagnóstico rápido em hospitais, capazes de guiar o tratamento em tempo real e reduzir o uso indiscriminado de antibióticos. Embora ainda precise ser testada em larga escala, a técnica se mostra promissora para o futuro da medicina personalizada, que busca oferecer a cada paciente um tratamento sob medida, com mais eficácia e menos riscos.

O uso consciente dos antibióticos é fundamental para que esses medicamentos continuem eficazes no futuro. Especialistas recomendam alguns cuidados simples:

*Nunca use antibióticos sem prescrição médica. A automedicação aumenta o risco de selecionar bactérias resistentes;

*Siga corretamente o tratamento prescrito. Interromper antes da hora ou tomar doses fora do horário enfraquece o efeito do remédio;

*Não compartilhe antibióticos. Cada tratamento é indicado para um caso específico;

*Não insista em antibióticos para gripes ou resfriados. Essas doenças são causadas por vírus, contra os quais os antibióticos não funcionam;

*Mantenha boas práticas de higiene. Lavar as mãos, preparar bem os alimentos e manter a vacinação em dia ajudam a reduzir o risco de infecções e a necessidade de antibióticos;

Assinam este estudo os pesquisadores: Mitchell Bonner, Claudia Barrera Patino, Andrew Ramos Borsatto, Jennifer Soares, Kate Blanco e Vanderlei Salvador Bagnato.

Confira AQUI o artigo científico sobre este assunto, publicado na revista internacional “Antibiotics”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

26 de setembro de 2025

“Diálogos Avançados 2025” – A abordagem da pluralidade da inteligência

A edição 2025 do “Diálogos Avançados”, iniciativa do Instituto de Estudos Avançados e Estratégicos (IEAE) da UFSCar e do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP – Polo São Carlos, irá abordar o conceito de inteligência a partir de amplas reflexões, explorando a sua pluralidade a partir das inteligências humanas, mais-que-humanas, artificiais, coletivas e situadas.

O evento começa no dia 7 de outubro, às 18h00, no Anfiteatro do Edifício Sérgio Mascarenhas, na Área Norte do Campus São Carlos da UFSCar, com o neurocientista e Professor Emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Lent, que falará sobre “Os circuitos secretos do cérebro”.

A mente humana será abordada a partir de contribuições filosóficas e das ciências da Saúde, buscando refletir sobre a consciência em suas múltiplas dimensões. O debate tem como proposta explorar os significados e transformações do conceito de consciência ao longo do tempo, desde suas formulações mais clássicas até as compreensões contemporâneas. Serão discutidas as interfaces entre corpo, mente e ambiente.

No dia 8 de outubro, das 14h00 às 15h30, no Anfiteatro Jorge Caron, na USP São Carlos, acontece a primeira mesa com o tema “A mente humana: o surgimento da consciência”, com Paulo Roberto Litch dos Santos, docente no Departamento de Filosofia (DFil) da UFSCar, e Ricardo Rodrigues Teixeira, docente no Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Serão discutidas as interfaces entre corpo, mente e ambiente, relacionando esses aspectos com a inteligência.

Na sequência, entre as 16h00 e as 17h30, o debate segue com o tema “Inteligências generativas: criação no encontro entre humanos e máquinas”, liderado por Almir Almas, docente no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP), e Helena de Medeiros Caseli, docente no Departamento de Computação (DC) da UFSCar.

Os docentes farão um debate sobre cruzamentos entre Arte e Ciência, explorando como algoritmos, dados e linguagens programadas participam de processos criativos e expandem os modos de imaginar, compor e expressar inteligências. A proposta é abordar como as inovações desafiam os conceitos tradicionais de criatividade e despertam para a perspectiva da cocriação.

“Inteligência artificial e o dilema da autonomia: decisão, controle e ética no mundo automatizado” é o tema da mesa que abre a programação do dia 9 de outubro, às 14h00, novamente no Anfiteatro do Edifício Sérgio Mascarenhas, na UFSCar. Participam Jacob Carlos Lima, docente no Departamento de Sociologia da UFSCar, e Moacir Antonelli Ponti, docente do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC/USP) que também atua como Especialista em Ciência de Dados no Mercado Livre.

Serão discutidos os limites da autonomia da IA, os vieses embutidos em sistemas de decisão automatizada e os impactos nas estruturas sociais, jurídicas e políticas. A mesa busca pensar criticamente os caminhos possíveis para uma governança das tecnologias que priorize valores humanos, justiça e cuidado.

A mesa “Inteligências diversas: os saberes dos corpos nas sociedades contemporâneas” encerra a programação dos “Diálogos Avançados”, às 16h00, com a participação do docente do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/USP) Pedro Lopes e a docente do Departamento de Ciências Humanas e Educação da UFSCar Viviane Melo de Mendonça.

O debate final irá propor a reflexão sobre formas plurais de inteligência ancoradas nas experiências corporais, nas práticas culturais e nos modos situados de existência. Ao reconhecer que os saberes não se limitam à cognição abstrata, os debates buscarão valorizar conhecimentos expressos por meio dos corpos individuais e coletivos, especialmente aqueles historicamente marginalizados. Serão discutidas perspectivas ligadas a gênero, raça, deficiência, territórios e tradições, com ênfase na importância da inclusão como condição para ampliar os horizontes do conhecimento.

O evento é gratuito e aberto ao público em geral.

Confira AQUI mais informações e link para inscrição.

Toda a programação do evento será transmitida ao vivo pelos canais oficias no YouTube da UFSCar (AQUI) e do IEA – Polo de São Carlos (AQUI).

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

25 de setembro de 2025

A utilização de nanopartículas de prata para turbinar a eficiência de células solares orgânicas

(Créditos – “Innovation News Network”)

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) apresentou uma inovação que pode tornar a energia solar mais eficiente, acessível e duradoura. O estudo, publicado na revista científica ACS Omega, mostra como a aplicação de nanopartículas de prata em camadas ultrafinas nas chamadas células solares orgânicas aumenta o desempenho e a estabilidade desses dispositivos.

As células solares orgânicas se diferenciam das tradicionais, feitas de silício, por utilizarem materiais plásticos especiais. Elas são mais leves, flexíveis e podem ser produzidas a custos menores. Porém, ainda enfrentam desafios – sua eficiência costuma ser mais baixa e a durabilidade limitada.

Tentando amenizar essas barreiras, os cientistas modificaram uma das camadas responsáveis pela extração da energia de dentro da célula solar, adicionando nanopartículas de prata. Essas partículas, submicroscópicas (10 mil vezes menores que o diâmetro de um fio de cabelo), reorganizam o fluxo de energia, reduzem perdas e aumentam a captura da luz.

Prof. Paulo Barbeitas Miranda

Para o pesquisador do IFSC/USP e um dos autores do estudo, Prof. Paulo Barbeitas Miranda “Embora nanopartículas de prata já tenham sido utilizadas anteriormente por outros grupos de pesquisa e para essa finalidade, a novidade aqui é que, ao contrário das nanopartículas utilizadas anteriormente e que tinham uma camada isolante em volta delas, as nossas nanopartículas estão ‘nuas’ e apresentam melhor interação elétrica com o material orgânico da célula solar. Isso aumentou consideravelmente o ganho de desempenho dos dispositivos, e com um processo de fabricação mais simples dessas nanopartículas”, sublinha o cientista.

Os resultados mostraram que os painéis solares construídos com essa técnica apresentaram maior eficiência, maior estabilidade e menor variação entre os dispositivos testados. Além disso, as nanopartículas formam uma espécie de barreira contra a umidade e o calor, dois fatores que aceleram a degradação das células solares tradicionais.

Para o Prof. Gregório Couto Faria, pesquisador do IFSC/USP e também autor do artigo “O tempo de vida das células solares é um fator crucial para sua aplicação tecnológica. De pouco adianta alcançar altas eficiências nas primeiras medições se o dispositivo não mantém seu desempenho fotovoltaico por um período prolongado. Nesse contexto, as nanopartículas têm se mostrado promissoras, pois não apenas aumentam a eficiência das células, mas também prolongam sua durabilidade — um ganho duplo”, enfatiza..

O que isso significa para o consumidor?

Na prática, essa tecnologia pode trazer benefícios diretos para quem utiliza ou pretende investir em energia solar:

Prof. Gregório Couto Faria

*Conta de luz mais baixa: ao gerar mais energia a partir da mesma quantidade de luz solar, o consumidor economiza mais na fatura mensal;

*Equipamentos mais duradouros: a proteção contra calor e umidade aumenta a vida útil dos painéis, reduzindo custos de manutenção e troca.

*Novas aplicações no dia a dia: por serem leves e flexíveis, essas células podem ser usadas em janelas que produzem energia, mochilas e roupas que recarregam celulares, ou mesmo em pequenos aparelhos portáteis.

*Acesso facilitado: como a fabricação é mais barata que a do silício, a expectativa é que os preços caiam e a energia solar se torne uma opção mais acessível para diferentes faixas de renda.

Segundo os autores, a estratégia é simples, versátil e pode ser aplicada em diversos tipos de células solares orgânicas, o que ajuda a abrir caminho para que a tecnologia chegue ao mercado em alguns anos.

O trabalho contou com financiamento do CNPq, FAPESP e Fundação Araucária, mostrando a força da pesquisa brasileira em um campo estratégico para o futuro da energia limpa.

Assinam o artigo científico deste estudo (VER AQUI) os pesquisadores – Anderson Gavim, Yosthyn Florez, Patrick Zilz, Arandi Bezerra, Jr., Rafael E. de Goes, Paula Rodrigues, Wilson da Silva, Gregorio Couto Faria, Paulo Barbeitas Miranda, Andreia Macedo, e Roberto Mendonça Faria.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

24 de setembro de 2025

Edital para Bolsa do Programa Institucional de Pós-Doutorado (PIPD)

O Programa de Pós-Graduação em Física do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC/USP) estará recebendo inscrições, no período de 01 a 20/10/2025, de candidatos(as) para uma (1) vaga de bolsa de pós-doutorado do Programa Institucional de Pós-Doutorado (PIPD) da CAPES para desenvolvimento de pesquisa nas áreas de concentração de Física Teórica, Física Experimental, Física Biomolecular ou Física Computacional.

O Edital completo disponível AQUI, na aba Processo Seletivo.

 

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

23 de setembro de 2025

Cientistas do IFSC/USP e de outras universidades nacionais e estrangeiras descobrem vírus gigante no Pantanal

Pantanal (Créditos – Lucas Leuzinger / “Pantanal.biz”)

O Pantanal brasileiro, conhecido por sua imensa riqueza natural, acaba de revelar um segredo guardado nas águas do rio Paraguai. Cientistas identificaram um novo vírus que surpreendeu até os mais experientes especialistas em microbiologia. Ele foi batizado de Naiavírus e é considerado o maior vírus com cauda já descrito pela ciência.

Apesar de invisível a olho nu, esse “gigante microscópico” mede cerca de 1.350 nanômetros. Para entender melhor: um fio de cabelo humano tem aproximadamente 80 mil nanômetros de espessura. Ou seja, caberiam mais de 50 partículas do Naiavírus lado a lado dentro de um único fio de cabelo. Ainda assim, ele é enorme se comparado aos vírus comuns, que costumam medir entre 20 e 200 nanômetros.

O que torna o Naiavírus especial

Os vírus geralmente são lembrados por causar doenças, mas o Naiavírus não afeta seres humanos. Ele infecta apenas amebas, organismos microscópicos que vivem em ambientes aquáticos e no solo.

A novidade é que, além do tamanho fora do comum, o Naiavírus tem uma estrutura inédita: um corpo envolto por uma espécie de “manto” e uma cauda flexível que se dobra e se alonga. Essa cauda funciona como uma ferramenta para se aproximar das amebas, facilitando a infecção.

“Foi como encontrar uma criatura que não se encaixa em nenhum dos padrões conhecidos”, descrevem os cientistas.

Um genoma cheio de mistérios

Dentro desse vírus está escondido um genoma imenso, quase um milhão de pares de bases de DNA. Esse material genético funciona como um manual de instruções que orienta o vírus a se multiplicar.

Visão geral das partículas de Naiavírus – Microscopia eletrônica de varredura (MEV) de partículas purificadas de Naiavírus (Créditos: “Nature Communications”)

O surpreendente é que muitos genes do Naiavírus não têm semelhança com nada já registrado pela ciência. Alguns lembram proteínas de plantas, bactérias e até genes relacionados ao metabolismo de células mais complexas. Isso indica que esses vírus gigantes podem estar envolvidos em processos evolutivos que ainda nem começamos a entender.

Por que estudar vírus gigantes?

A primeira reação ao ouvir a palavra “vírus” costuma ser medo. No entanto, os vírus gigantes como o Naiavírus são muito diferentes daqueles que causam doenças em humanos, como o da gripe ou o coronavírus.

Eles ajudam os cientistas a compreender a diversidade da vida e os limites entre o que é um organismo vivo e o que não é. Ao contrário dos vírus comuns, que possuem pouquíssimos genes, esses gigantes carregam centenas de genes, alguns com funções complexas que antes se acreditava só existirem em células complexas, como bactérias e eucariotos.

O docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Otavio Thiemann, um dos autores do estudo liderado pelo Prof. Jônatas Abrahão (ICB-UFMG) e publicado na revista científica internacional Nature Communications, salienta que estes vírus são muito antigos e que o genoma deles, das proteínas que eles têm, são originárias de uma divergência muito antiga, próxima do surgimento da vida na Terra. “Essas proteínas novas que estão sendo encontradas, essas novas enzimas, podem abrir novas portas na área de biotecnologia e na medicina, inclusive, já que são vírus que não infectam o ser humano. Elas podem ser usadas para produzir fármacos e enzimas de interesse biotecnológico, sendo que esses vírus são também muito importantes devido à sua antiguidade e pelo “gigantismo” de sua estrutura, já que são inéditos na classe de vírus, podendo contribuir para dar respostas a perguntas fundamentais da biologia, como por exemplo um processo chamado “eucariogênese”, que é a formação de núcleos em células eucarióticas primitivas”, salienta o pesquisador.

Os cientistas sabem de onde vêm as mitocôndrias, os cloroplastos, mas a “eucariogênese”, a formação do núcleo, pode ser algo que esses vírus gigantes que estão sendo descobertos podem contribuir com toda essa informação “Uma informação que nos dará luz sobre como a vida se desenvolveu no nosso planeta”, conclui o Prof. Thiemann.

Um nome inspirado na cultura indígena

Prof. Otavio Thiemann

O nome Naiavírus é uma homenagem a uma lenda Tupi-Guarani. Conta-se que Naia era uma jovem apaixonada pela Lua. Para alcançá-la, subiu a uma montanha e se jogou em direção ao reflexo prateado nas águas, onde acabou morrendo. Em sua memória, os deuses a transformaram na vitória-régia, uma das plantas mais emblemáticas da Amazônia.

Assim como a lenda, o Naiavírus carrega um toque de mistério e beleza em sua descoberta.

A descoberta só foi possível graças a um trabalho paciente: os cientistas analisaram 439 amostras de água até encontrarem sinais do vírus em uma única amostra coletada no município de Porto Murtinho (MS).

O caso mostra que, mesmo após décadas de avanços na virologia, a natureza segue cheia de enigmas. O Pantanal, já reconhecido por sua fauna e flora exuberantes, agora também se confirma como um tesouro para a ciência invisível, revelando criaturas microscópicas que podem mudar a forma como entendemos a vida.

Segundo os autores do estudo, esses gigantes invisíveis lembram que ainda sabemos muito pouco sobre os vírus e que eles podem desempenhar papéis fundamentais nos ecossistemas do planeta.

Estes vírus gigantes foram descobertos apenas em 2003, não causam quaisquer doenças em humanos, mas são fundamentais para a ciência.

Para conferir o artigo científico relativo a este tema, publicado na revista “Nature Communications”, clique AQUI.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP