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15 de janeiro de 2026

Novos reitor e vice-reitora da USP tomam posse no próximo dia 23 de janeiro

Fotomontagem – Jornal USP

Os professores Aluísio Augusto Cotrim Segurado e Liedi Légi Bariani Bernucci tomarão posse como novo reitor e nova vice-reitora da USP para o período de 2026 a 2030

No próximo dia 23 de janeiro (sexta-feira), às 15h, os professores Aluisio Augusto Cotrim Segurado e Liedi Légi Bariani Bernucci tomarão posse como novo reitor e nova vice-reitora da Universidade de São Paulo (USP) para o período de 2026 a 2030. A sessão solene do Conselho Universitário que empossará os novos dirigentes será realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

A chapa USP pelas Pessoas, formada por Segurado e Liedi, foi a mais votada na eleição para a escolha dos novos dirigentes, com 1.270 votos, e encabeçava a lista tríplice encaminhada ao governador do Estado, Tarcísio de Freitas. A eleição foi realizada no último dia 27 de novembro. A nomeação foi assinada pelo governador no dia 4 de dezembro. A chapa também foi a mais votada na consulta à comunidade universitária, realizada no dia 18 de novembro.

Aluisio Augusto Cotrim Segurado, 68 anos, formou-se na Faculdade de Medicina (FM) da USP em 1980, onde também obteve os títulos de Mestre (1991), Doutor (1994) e Livre-Docente (2001) em Doenças Infecciosas e Parasitárias. É professor titular da FM desde 2012, com trajetória científica fortemente marcada pela pesquisa em doenças infecciosas e determinantes sociais da saúde. Teve atuação expressiva no enfrentamento da epidemia de HIV no Brasil, conciliando assistência, pesquisa e formação de profissionais.

Na gestão universitária, Segurado exerceu as funções de chefia de departamento, presidência da Comissão de Pós-Graduação e presidência da Comissão de Relações Internacionais da FM. Já na administração central, foi vice-reitor executivo de Relações Internacionais (2013-2014), coordenador do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (2018-2022) e é o atual pró-reitor de Graduação. Foi, também, diretor do Instituto Central do Hospital das Clínicas (HC) durante a pandemia da covid-19, conduzindo respostas institucionais em um dos períodos mais complexos da saúde pública recente.

Liedi Légi Bariani Bernucci, 67 anos, é engenheira formada (1981) pela Escola Politécnica (Poli), onde concluiu mestrado (1985) e doutorado (1995) após estágio na ETH Zurich, instituição de referência internacional nas áreas de ciência, tecnologia e engenharia. Desde 1986 integra o corpo docente da Poli, tornando-se professora titular em 2006, com trajetória acadêmica dedicada às áreas de pavimentação, solos tropicais, infraestrutura de transportes e inovação tecnológica. Coordenou o Laboratório de Tecnologia de Pavimentação e contribuiu para a criação de um dos mais completos laboratórios de pesquisas ferroviárias do País, formando dezenas de mestres, doutores e pós-doutores.

Sua experiência em cargos de gestão inclui a chefia do Departamento de Engenharia de Transportes (2007-2014), a Vice-Diretoria (2014-2018) e a Diretoria da Poli, sendo a primeira mulher a assumir o cargo de diretora na escola, em 2018. Foi, ainda, diretora-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo (2022-2024) e integra conselhos científicos nacionais e internacionais, além da Academia Nacional de Engenharia e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp).

Os novos reitor e vice-reitora da USP terão mandato de quatro anos. Esta será a 30ª gestão reitoral na história da Universidade, fundada em 1934. O primeiro reitor da USP foi o professor da Faculdade de Direito (FD), Reynaldo Porchat, e o primeiro vice-reitor, o docente da Faculdade de Medicina (FM), Antonio de Almeida Prado.

A cerimônia de posse terá transmissão pelo Canal USP no YouTube a partir das 15h do dia 23 de janeiro (AQUI).

(Por: Adriana Cruz – Jornal da USP)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de janeiro de 2026

Bolsa de Doutorado Direto – Desenvolvimento de Semicondutores para Geração de Hidrogênio Verde via Fotoeletrocatálise da Água

O IFSC/USP abre inscrições até o dia 20 de fevereiro do corrente ano para uma bolsa de doutorado direto, sob a supervisão do Prof. Dr. Renato Vitalino Gonçalves.

O projeto faz parte do Centro de Pesquisa em Engenharia Molecular para Materiais Avançados (CEMol) e se concentra no desenvolvimento de filmes finos semicondutores baseados em BiVO4 simples e dopados para divisão fotoeletroquímica da água.

O candidato selecionado para o doutorado trabalhará na deposição de fotoânodos à base de BiVO4, incluindo elementos dopantes, e na otimização do desempenho fotoeletroquímico e da estabilidade para a produção de hidrogênio sob iluminação solar.

O projeto envolve síntese e caracterização de materiais avançados usando técnicas como XPS, XRD, Raman, UV–Vis e medições fotoeletroquímicas (PEC) no laboratório NaCA (IFSC/USP).

Os candidatos deverão ter graduação em Física, Ciência dos Materiais ou áreas afins, e com interesse em energia renovável, filmes finos e nanomateriais, são incentivados a se inscrever.

Requisitos:

*Graduação em Física, Ciência dos Materiais ou áreas afins.

*Experiência (não obrigatória) em materiais semicondutores, fotoeletroquímica ou técnicas avançadas de caracterização (XPS, Raman, XRD, UV–Vis).

*Experiência (não obrigatória) em medições elétricas e fotoeletroquímicas, como LSV, EIS e IPCE.

*Proficiência em inglês (leitura e escrita científica).

*Capacidade de trabalhar em uma equipe multidisciplinar e integrar diferentes tipos de dados.

*Por se tratar de uma bolsa de doutorado direto, não aceitaremos candidaturas de pessoas com mestrado.

Duração e Localização:

O projeto terá duração de até quatro anos, com atividades realizadas principalmente no Instituto de Física de São Carlos, Universidade de São Paulo (São Carlos, Brasil). O bolsista também contará com a infraestrutura e as colaborações do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, SP, por meio de sua associação com o CEMol, um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP.

Orientador:

Prof. Dr. Renato Vitalino Gonçalves, Instituto de Física de São Carlos, Universidade de São Paulo/ Brasil.

Como se inscrever:

Os candidatos interessados devem enviar os seguintes documentos para rgoncalves@ifsc.usp.br:

1- Carta de motivação destacando experiências anteriores relevantes para o projeto (máximo de 2 páginas);

2- Curriculum vitae (CV), incluindo links para o currículo Lattes (para candidatos brasileiros) e outros perfis acadêmicos.

Processo seletivo:

Os candidatos pré-selecionados serão convidados para uma entrevista online entre fevereiro e março de 2026.

Sobre o CEMol:

O Centro de Pesquisa em Engenharia Molecular para Materiais Avançados (CEMol) é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

O CEMol é uma iniciativa multi-institucional com sede no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) composto também por pesquisadores da USP, UFSCar, UFABC, Unifesp, Unesp, Embrapa e IPEN. Os pesquisadores do CEMol empregam técnicas de síntese e caracterização de materiais e se utilizam de ciência de dados para contribuir com o desenvolvimento de dispositivos e novos materiais.

A abordagem interdisciplinar do CEMol está voltada para produzir soluções para problemas da sociedade nas áreas de Energia Alternativa, Materiais Sustentáveis, Saúde, Materiais Quânticos e Ferramentas Científicas.

Para mais informações acesse: https://pages.cnpem.br/cepidcemol/ 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de janeiro de 2026

Cientistas encontram substâncias promissoras contra a Covid-19 em banco internacional de medicamentos

Mesmo com o avanço da vacinação e o controle da fase mais crítica da pandemia, a Covid-19 ainda representa um desafio para a saúde pública mundial. Novas variantes do coronavírus continuam surgindo, o que reforça a importância de desenvolver medicamentos capazes de combater o vírus, além das vacinas. Um estudo científico recente traz uma boa notícia nesse cenário.

Pesquisadores identificaram substâncias promissoras capazes de bloquear a multiplicação do coronavírus a partir de um banco internacional de compostos químicos de acesso aberto. O trabalho foi publicado na revista científica “ACS Omega” e contou com a participação de cientistas do IFSC/USP e de outras unidades da Universidade de São Paulo, além de pesquisadores estrangeiros,

Como o estudo foi feito

Para realizar a pesquisa, os cientistas utilizaram coleções de substâncias mantidas pela organização Internacional Medicines for Malaria Venture (MMV). Essas coleções reúnem quase 1.400 compostos que já haviam sido estudados para o tratamento de outras doenças, principalmente as chamadas doenças negligenciadas, como a malária.

A vantagem dessa estratégia é ganhar tempo: como essas substâncias já são conhecidas, o caminho até um possível medicamento pode ser mais rápido e seguro.

Em laboratório, os pesquisadores testaram essas moléculas contra partes específicas do coronavírus que são essenciais para sua sobrevivência. O foco principal foi uma enzima chamada PLpro, que funciona como uma “ferramenta” usada pelo vírus para se multiplicar dentro das células humanas e escapar das defesas do organismo.

Substância se mostrou altamente eficaz

Entre todas as moléculas testadas, uma delas chamou a atenção dos cientistas. Identificada como MMV1634397, a substância foi capaz de bloquear com eficiência a ação da enzima PLpro. Em testes com células infectadas pelo coronavírus, ela reduziu significativamente a multiplicação do vírus.

A partir desse resultado, os pesquisadores foram além: modificaram quimicamente a molécula original para tentar torná-la ainda mais potente. Esse processo levou à criação de novas versões da substância, algumas delas com desempenho ainda melhor do que a original.

Uma das versões desenvolvidas se mostrou especialmente promissora, pois conseguiu inibir o vírus em concentrações muito baixas e apresentou características importantes para um futuro medicamento, como estabilidade e bom comportamento no organismo.

Por que essa descoberta é importante

Atualmente, a maioria dos medicamentos contra a Covid-19 atua em apenas um alvo do vírus. Ao identificar substâncias que agem em uma enzima ainda pouco explorada, os cientistas ampliam as possibilidades de tratamento, inclusive contra variantes que possam surgir no futuro.

Além disso, o estudo destaca a importância da ciência aberta. Ao disponibilizar bancos de substâncias para pesquisadores do mundo todo, iniciativas como a da MMV aceleram descobertas e fortalecem a resposta global a pandemias.

Embora os compostos ainda precisem passar por novas etapas de testes antes de se tornarem medicamentos disponíveis à população, os resultados representam um passo importante no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra a Covid-19 e outras doenças causadas por vírus emergentes.

Segundo o pesquisador e autor correspondente do artigo científico, Dr. Andre Schutzer Godoy (IFSC/USP) “O estudo demonstra como a combinação entre ciência aberta, colaboração internacional e reaproveitamento inteligente de bibliotecas químicas pode acelerar significativamente a descoberta de novos tratamentos. “Ao explorar compostos já conhecidos e disponíveis em bancos de acesso aberto, conseguimos encurtar etapas do desenvolvimento de fármacos e abrir novas possibilidades terapêuticas contra a Covid-19 e outros vírus emergentes. Esse trabalho mostra que a inovação científica depende cada vez mais de cooperação, compartilhamento de dados e do uso estratégico de recursos globais”, destaca o pesquisador.

Para acessar o artigo científico, clique AQUI.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de janeiro de 2026

Atividade extensionista em Educação Ambiental e Biodiversidade oferece 60 horas para alunos da USP

Inscrições seguem abertas no sistema JúpiterWeb até 12 de fevereiro para projeto que atua em espaços e escolas públicas – Jardins polinizadores: concepção, instalação e manejo de abelhas sem ferrão em práticas de biodiversidade e Economia Solidária.

Estudantes de cursos da USP interessados em atuar em Extensão Universitária podem se inscrever em atividades de concepção, instalação e manejo de jardins polinizadores para atrair e sustentar agentes polinizadores (abelhas sem ferrão, borboletas e insetos).

No projeto pretende-se desenvolver competências pedagógicas por meio de encontros educativos e treinamentos em escolas e em espaços públicos, com amplo leque de aprendizagens e possibilidade de construção de espaços que promovam impactos ambientais positivos.

Além disto, estudantes da USP podem ampliar o aprendizado e atuar com público externo à universidade em valores, princípios e práticas de Economia Solidária: auxiliar na sistematização de experiências vivenciadas, melhoria de registros (desenvolvimento de aplicativos) e controle – por meio de registros, depoimentos, vídeos – organização/divulgação em ações de coleta, processamento e comercialização do mel e de outros produtos para usos múltiplos. A atividade de extensão tem início previsto para 23 de fevereiro de 2026, contabiliza 60 h de Extensão e recebe inscrições até 12 de fevereiro, exclusivamente pelo sistema JúpiterWeb.

Ao longo do semestre, os graduandos da USP participam ativamente do planejamento e da condução das atividades. De acordo com a professora Débora Gonçalves, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), coordenadora do projeto, e a professora Eny Maria Vieira, do Instituto de Química e São Carlos (IQSC/USP), vice-coordenadora, o foco está na formação de estudantes com interesse em áreas tais como Educação Ambiental, Ciências, Biodiversidade, Ecologia, Economia Solidária e Processos de Aprendizagem por meio de encontros, palestras e eventos comunitários em espaços rurais, públicos e em escolas, em ações comprometidas com o papel social da USP e possibilidades de transformação.

Nesta edição, serão oferecidas 20 vagas e as atividades ocorrerão entre 23 de fevereiro e 3 de julho de 2026. Para participar, é necessário ter disponibilidade para atuar uma vez por semana com dias e horários das atividades definidos posteriormente.

Saiba mais

Inscreva-se pelo sistema JúpiterWebhttps://uspdigital.usp.br/jupiterweb/webLogin.jsp

Dúvidas? Envie uma mensagem para
gdebora@ifsc.usp.br 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

14 de janeiro de 2026

Programa “Vem Saber” alcança mais de 165 mil estudantes e quase 10 mil professores em 2025

Atividades com jovens estudantes nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia) e Matemática

Programa do IFSC chega a todas as regiões do Estado de São Paulo

O programa “Vem Saber”, iniciativa de difusão científica da Universidade de São Paulo (USP) vinculada ao Instituto de Física de São Carlos (IFSC), consolida-se como uma das mais abrangentes ações de extensão universitária voltadas à educação pública no estado de São Paulo.

Com sede na área 2 do campus da USP São Carlos, no Conjunto de Apoio Didático, o programa reúne projetos que integram estudantes, professores e gestores do ensino médio em uma agenda permanente de formação, orientação acadêmica e estímulo à ciência.

Em 2025, o “Vem Saber” alcançou mais de 165 mil estudantes e aproximadamente 9.900 professores, em articulação com as Diretorias de Ensino e com parceiros institucionais como a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEDUC), o Centro Paula Souza (CPS), o Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF/FAPESP) e a USP/Esalq, por meio do Instituto PECEGE.

Entre as frentes de atuação, destaca-se a “Competição USP de Conhecimentos e Oportunidades (CUCO)”, considerada a principal ação do programa. Em 2025, a CUCO registrou 157.664 estudantes inscritos e mobilizou a colaboração de 9.552 professores. Ao longo de nove edições, a competição já atingiu 936.482 participantes da rede pública estadual paulista, com adesão de 100% das Diretorias Regionais de Ensino e participação ativa da direção central do Centro Paula Souza.

A iniciativa consolidou-se como um processo formativo, com foco especial em estudantes em situação de maior vulnerabilidade social, ao articular avaliação diagnóstica, orientação vocacional e acesso a oportunidades acadêmicas.

Para o coordenador executivo do “Vem Saber”, Dr. Herbert Alexandre João, “a força da CUCO está nos professores colaboradores, que incentivam os estudantes a conhecer o processo de acesso ao ensino superior. O engajamento impressiona até mesmo quem atua na área. Na Unidade Regional de Ensino de Caieiras, por exemplo, a colaboradora trabalha há 2 anos com estudantes em privação de liberdade da Fundação Casa, ampliando a relevância e o impacto social da CUCO”, destacou Herbert João.

Formação de professores

Outra vertente estratégica do “Vem Saber” são as visitas monitoradas ao campus da USP São Carlos, realizadas por meio do projeto Universitário por um Dia (UPD). Em 2025, o programa recebeu 57 escolas distintas, reunindo 2.121 alunos do ensino médio em atividades na Sala do Conhecimento, com a participação de estudantes provenientes de 40 cidades do estado. A experiência imersiva aproxima os jovens do ambiente universitário, apresenta carreiras científicas e tecnológicas e amplia o repertório de escolhas educacionais. Em paralelo, a plataforma do programa registrou a participação de 6.165 estudantes em cursos on-line de formação complementar, como “Decifrando seu dinheiro”, “Fotografia” e “Desenvolvimento de Aplicativos e Jogos”, ampliando o alcance territorial das ações.

Atividade de Pré-Iniciação Científica na cidade de Descalvado (SP)

No campo da formação de jovens, o projeto de pré-iniciação científica “Cientistas do Amanhã” desempenha papel central ao inserir estudantes do ensino médio em atividades orientadas de pesquisa. Entre fevereiro e dezembro de 2025, 50 estudantes participaram do projeto, dos quais 46 eram oriundos do município de Descalvado (SP), da E.E. José Ferreira da Silva. O programa concedeu 35 bolsas de fomento, sendo 34 destinadas a meninas, reforçando o compromisso institucional com a diversidade, a inclusão social e a promoção da equidade de gênero nas áreas de ciência e tecnologia.

A agenda de formação continuada de professores completa o ecossistema do “Vem Saber”. Em 2025, 290 docentes do ensino médio participaram das atividades, com a realização de quatro Orientações Técnicas envolvendo educadores das Diretorias Regionais de Ensino de Guarulhos, Zona Leste da cidade de São Paulo, Jaú, São Carlos e Araraquara. As ações priorizam metodologias ativas, atualização de conteúdos em ciências e física e a integração entre escola e universidade, contribuindo para a qualificação do ensino e para a disseminação de práticas pedagógicas inovadoras.

Ao articular competição acadêmica, visitas monitoradas, pré-iniciação científica, cursos on-line e formação docente, o “Vem Saber” constrói uma política pública de alcance estadual ancorada na cooperação interinstitucional e na vocação extensionista da USP. O programa opera como ponte entre a educação básica e o ensino superior, ampliando oportunidades, estimulando trajetórias científicas e promovendo a democratização do acesso ao conhecimento. Com resultados expressivos em 2025 e parcerias consolidadas, a iniciativa reafirma o lema que orienta sua atuação: transformar vidas por meio da educação.

Para o coordenador-geral e criador do “Vem Saber”, Prof. Antonio Carlos Hernandes, “os resultados positivos alcançados ao longo dos anos demonstram que a aproximação com a educação básica, quando bem estruturada, gera impacto real na formação e no projeto de vida dos estudantes, fortalece a escola pública e amplia as perspectivas de acesso ao ensino superior, especialmente para jovens em situação de vulnerabilidade social”, concluiu Hernandes.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

13 de janeiro de 2026

USP deposita patente da primeira bateria de Nióbio alcançando uma nova fronteira estratégica para o Brasil

Tecnologia supera bloqueio químico histórico, atinge 3 volts e avança para testes industriais

Durante décadas, o nióbio foi visto como um paradoxo na ciência de materiais. Embora seja um metal estratégico, abundante no Brasil e amplamente utilizado em ligas de alto desempenho, ninguém no mundo havia conseguido transformá-lo em uma bateria funcional, estável e recarregável. O obstáculo não estava na engenharia, mas na química extremamente complexa dos componentes ativos à base de nióbio, que se degradam rapidamente em contato com água e oxigênio.

Esse impasse histórico começou a ser superado por uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo, que resultou não apenas em um novo dispositivo tecnológico, mas em uma descoberta científica sobre como controlar a química do nióbio em baterias, protegida por depósito de patente junto à USP.

Uma descoberta científica inspirada na biologia

A história da descoberta começou há cerca de dez anos, quando o professor Frank Crespilho, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP), líder do Grupo de Bioeletroquímica e Interfaces da USP e pesquisador do Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica e Sustentabilidade (INCT), sediado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), atuava como professor visitante na Harvard University.  Na época, ele estudava sistemas biomiméticos, inspirados em processos biológicos capazes de controlar reações químicas extremamente delicadas, como ocorre em enzimas e metaloproteínas.

Do ponto de vista químico, o nióbio é um elemento com uma estrutura eletrônica singular, capaz de acessar múltiplos estados de oxidação próximos em energia. Cada um desses estados representa um nível eletrônico distinto, potencialmente utilizável para armazenamento de carga. Essa característica torna o nióbio extremamente promissor para aplicações eletroquímicas avançadas.

Prof. Frank Crespilho (IQSC/USP)

No entanto, essa mesma riqueza eletrônica sempre impôs um desafio fundamental: em ambientes eletroquímicos convencionais, especialmente na presença de água e oxigênio, o nióbio sofre com reações químicas parasitas rápidas, levando à formação de espécies inativas e à perda irreversível da atividade redox. A descoberta associada à arquitetura N-MER (Niobium Multi-stage Electronic Redox), viabilizada pelo meio redox ativo NB-RAM (Niobium Redox Active Medium), nasce da transposição de um princípio já conhecido na biologia — o controle fino do ambiente químico para estabilizar metais altamente reativos — para um sistema artificial de armazenamento de energia.

Eu já sabia que a natureza resolvia esse problema há bilhões de anos”, explica o Prof. Frank Crespilho. “Em sistemas biológicos, como enzimas e metaloproteínas, metais altamente reativos mudam de estado eletrônico o tempo todo sem se degradar, porque operam dentro de ambientes químicos muito bem controlados. A pergunta que fizemos foi simples e ousada: será que daria para copiar esse princípio e aplicar em uma bateria de nióbio? O nióbio é como um interruptor com muitos níveis, não apenas ligado e desligado. Cada nível guarda uma quantidade diferente de energia. Fora de um ambiente controlado, esse interruptor enferruja e quebra. O que fizemos foi criar uma caixa de proteção inteligente para ele; essa caixa é o NB-RAM. Dentro dela, o interruptor pode mudar de nível várias vezes, de forma controlada, sem se degradar. É exatamente isso que os sistemas biológicos fazem, e foi isso que adaptamos para a bateria de nióbio.”

Dois anos de otimização até a estabilidade

Grande parte do avanço da bateria de nióbio é resultado de um trabalho extenso de otimização conduzido pela doutoranda Luana Italiano, que dedicou dois anos ao refinamento do sistema até alcançar estabilidade e reprodutibilidade. O processo envolveu dezenas de versões experimentais, com ajustes sucessivos no ambiente químico e nos mecanismos de proteção do material ativo.

“Não bastava fazer a bateria funcionar uma única vez. Ao longo de dois anos de trabalho no projeto, nosso foco foi garantir estabilidade, repetibilidade e controle fino dos parâmetros”, explica Luana. Segundo ela, o principal desafio foi encontrar o equilíbrio entre proteger o sistema e manter seu desempenho elétrico. “Se você protege demais, a bateria não entrega energia. Se protege de menos, ela se degrada.”

Esse refinamento foi essencial para permitir que o nióbio operasse de forma reversível, alternando entre diferentes estados eletrônicos sem perda significativa de desempenho. Como resultado, o sistema passou a funcionar de forma estável não apenas em condições de laboratório, mas também em arquiteturas próximas das utilizadas pela indústria.

“Depois desse período de desenvolvimento e validação, os testes mostram que não estamos falando apenas de um conceito”, destaca a pesquisadora. “É um sistema que já funciona em formatos reais.”

Da descoberta à patente: 3 volts e validação tecnológica

Após o desenvolvimento do protótipo funcional, a tecnologia teve sua patente depositada pela USP e avançou para níveis intermediários de maturidade tecnológica (TRL-4). Essa etapa comprova que a bateria funciona não apenas em condições ideais de laboratório, mas também em ambientes e arquiteturas próximas da realidade industrial. Atingir 3 volts é um marco estratégico.

Essa é a faixa de tensão da maioria das baterias comerciais atuais, o que significa que a bateria baseada na arquitetura N-MER compete diretamente com tecnologias existentes. Para validar essa compatibilidade, a bateria foi testada em formatos industriais padrão, como células tipo coin (moeda) e pouch (laminadas flexíveis), em parceria com o pesquisador Hudson Zanin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nesses sistemas, a bateria foi carregada e descarregada diversas vezes, demonstrando a prova de conceito em ambientes controlados.

Tecnologia estratégica, interesse internacional e próximos passos

O avanço científico e tecnológico despertou o interesse de grupos internacionais, incluindo empresas chinesas do setor de baterias, que já entraram em contato para conhecer a tecnologia desenvolvida na USP. Apesar desse interesse externo, Crespilho defende que o desenvolvimento completo da bateria deve permanecer no Brasil, sob liderança do Estado de São Paulo.

Essa é uma tecnologia estratégica. O depósito da patente garante proteção, mas é o empenho institucional que assegura que ela se transforme em desenvolvimento, indústria e soberania tecnológica”, afirma o pesquisador.

Para avançar e viabilizar a fase 3 do desenvolvimento é necessário empenho institucional para a criação de um centro multimodal de pesquisa e inovação, envolvendo governos estadual e federal, universidades e startups de base tecnológica.

Crespilho finaliza, afirmando que “A bateria de nióbio desenvolvida na USP mostra que o Brasil não precisa apenas exportar recursos, mas pode liderar tecnologias; desde que a ciência seja tratada como prioridade nacional.”

(26/12/2025)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

12 de janeiro de 2026

Balanço 2025 — Ciência, memória e o papel de comunicar o que transforma

Ao recordar o ano de 2025 no Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), fazemos isso não apenas como observadores, mas como jornalistas integrados na equipe da Assessoria de Comunicação (AC) da instituição, que acompanhou de perto a ciência sendo construída, discutida e, sobretudo, traduzida para a sociedade.

Foi um ano intenso, marcado por avanços científicos relevantes e por um esforço contínuo de transformar conhecimento altamente especializado em informação acessível, compreensível e socialmente útil. O trabalho da AC ao longo de 2025 foi, em grande medida, o de se assumir como ponte: entre laboratórios e cidadãos, entre artigos científicos e notícias, entre pesquisadores e o público que, muitas vezes sem perceber, é diretamente impactado por essas descobertas. E o Instituto de Física de São Carlos ofereceu um terreno fértil para esse exercício diário de comunicação científica.

Um dos eixos mais marcantes do ano foi a consolidação de pesquisas em nanotecnologia aplicada à saúde. Acompanhamos a criação de centros, o desenvolvimento de protótipos e a articulação entre físicos, médicos e empreendedores. Nosso desafio, como jornalistas, foi explicar como nanomateriais e estruturas invisíveis a olho nu podem resultar em diagnósticos mais precoces, terapias mais precisas e tratamentos menos invasivos. Ao traduzir esses avanços em reportagens, ficou claro o quanto a ciência feita no IFSC/USP tinha potencial real de melhorar a qualidade de vida das pessoas. Outro tema recorrente nas pautas de 2025 foi o avanço em sensores de altíssima sensibilidade, baseados em metassuperfícies e novos materiais.

Ao entrevistar pesquisadores e acompanhar resultados publicados, percebemos que esses trabalhos iam muito além da física fundamental: tratavam-se de tecnologias capazes de identificar patógenos, poluentes ambientais e biomarcadores de doenças em concentrações extremamente baixas. Levar esse conteúdo ao público significou explicar, em linguagem clara, como a ciência pode antecipar riscos, salvar tempo — e vidas.

Também estivemos envolvidos na cobertura de pesquisas em fotônica e eletrônica avançada, que apontam para dispositivos mais eficientes, sensores mais precisos e aplicações industriais promissoras. Ao narrar essas histórias, buscamos sempre destacar o impacto social: o fortalecimento da indústria nacional, a geração de empregos qualificados e a possibilidade de inovação tecnológica produzida no Brasil, dentro de uma universidade pública.

Em 2025, a pauta da energia limpa ganhou espaço especial, com projetos voltados ao desenvolvimento de tecnologias para produção de hidrogênio verde, capazes de usar a luz solar de forma mais eficiente. Nosso papel foi contextualizar esses estudos dentro dos desafios climáticos globais, mostrando que a pesquisa desenvolvida no IFSC/USP não se limita ao presente, mas aponta caminhos para um futuro energético mais sustentável.

Mas, talvez o aspecto mais significativo do ano tenha sido perceber, reportagem após reportagem, que a ciência desenvolvida no Instituto de Física de São Carlos não permanece restrita aos muros da universidade. Cobrimos prêmios, parcerias com micro e pequenas empresas, soluções inovadoras que chegaram ao mercado e iniciativas que aproximaram a pesquisa acadêmica do cotidiano das pessoas. Cada texto publicado reforçou uma convicção pessoal: ciência que não é comunicada corre o risco de não cumprir plenamente sua função social. Como jornalistas institucionais, 2025 reafirmou para nós a importância estratégica da comunicação científica.

Não se trata apenas de divulgar resultados, mas de explicar processos, contextualizar descobertas, ouvir pesquisadores e, principalmente, considerar o olhar do cidadão comum. É nesse diálogo que a ciência ganha sentido público e se transforma em política, inovação, saúde e desenvolvimento.

Encerrando este balanço, podemos dizer que 2025 foi um ano em que o IFSC/USP avançou significativamente na produção de conhecimento científico de impacto — e que tivemos o privilégio de registrar, narrar e dar voz a essas conquistas.

Ao contar essas histórias, a AC tem plena consciência de que contribuiu não só para construir memória institucional, mas também reforçar o compromisso da universidade pública com a sociedade que a sustenta.

Feliz 2026!

(Equipe AC-IFSC/USP – Rui Sintra / Ricardo Rehder / Adão Geraldo / Maria Zilda Lima)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

23 de dezembro de 2025

Eleição para Diretor(a) e Vice-Diretor(a) do Instituto de Física de São Carlos da USP

PORTARIA:

Portaria IFSC 39-2025 de 11.09.2025

DATA DA ELEIÇÃO: A eleição ocorrerá no dia 04/12/2025, em até dois turnos de votação, conforme regras da Portaria supracitada.

 

COMISSÃO ELEITORAL: A condução do processo eleitoral ficará a cargo da seguinte Comissão Eleitoral:

Prof. Dr. Luiz Nunes de Oliveira;

Prof. Dr. Richard Charles Garratt;

Profª Drª Cristina Kurachi;

 

INSCRIÇÕES:

1º PERÍODO DE INSCRIÇÕES DE 15 A 24/10/2025

As chapas poderão ser compostas por Professores Titulares e Professores Associados 3.

FICHA DE INSCRIÇÃO DA CHAPA

TERMO DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO

2º PERÍODO  DE INSCRIÇÕES DE 10 a 19/11/2025

Não havendo pelo menos duas chapas inscritas, haverá um novo prazo para inscrição, nos moldes do primeiro período, hipótese em que poderão ser apresentadas candidaturas compostas também de Professores Associados 2 e 1.

FICHA DE INSCRIÇÃO DA CHAPA

TERMO DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO

Desincompatibilização: Os docentes que exercerem as funções de Diretor, Vice-Diretor, bem como Presidente e Vice-Presidente das Comissões Estatutárias, que se inscreverem como candidatos, deverão, a partir do pedido de inscrição, desincompatibilizar-se, afastando-se daquelas funções, em favor de seus substitutos, até o encerramento do processo eleitoral.

 

DO COLÉGIO ELEITORAL: São eleitores todos os membros da Congregação e dos Conselhos dos Departamentos da Unidade.

 

PLANO DE GESTÃO DA(S) CHAPA(S) DEFERIDA(S)

Plano Gestão-Chapa_Profs Adriano e Marcassa

 

RESULTADO DA ELEIÇÃO – 1º TURNO

Apuração-Sistema de Votação

 

RESULTADO DA ELEIÇÃO – 2º TURNO

 

COMUNICADOS DA COMISSÃO ELEITORAL

Comunicado 1-Comissão Eleitoral_Prof Titulares_Prof Associados3

Mensagem2-Comissão Eleitoral_Aprovação Inscrições-1operíodo

Mensagem3-Comissão Eleitoral-2operíodo inscrição_Profs Titulares e Associados 1-2-3

Mensagem4-Comissão Eleitoral_Apresentação Pública Chapa(s)

Mensagem5-Comissão Eleitoral_Apresentação Pública da Chapa Inscrita

Mensagem6-Comissão Eleitoral_Resultado Eleição

NOMEAÇÕES DO REITOR

17 de dezembro de 2025

IFSC/USP – Oportunidade de Bolsa de Pós-Doutorado (FAPESP)

O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) abre processo seletivo para uma Bolsa de Pós-Doutorado (FAPESP), vinculada ao Centro de Engenharia Molecular para Materiais Avançados (CEMol), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP, com sede no CNPEM.

Esta oportunidade é para a área de Energia Alternativa – Projeto: Engenharia de Superfície de Fotoanodos de BiVO4 e Fe2TiO5 para Divisão Fotoeletroquímica da Água.

Confira AQUI todas as informações sobre esta oportunidade.

 

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

16 de dezembro de 2025

IFSC/USP conquista 1º lugar nacional em inovação com solução inédita para procedimentos estéticos sem uso de agulhas

Troféu de primeiro lugar dos projetos de 2025 no programa Embrapii/Sebrae

O Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC/USP) alcançou destaque nacional ao receber o prêmio de primeiro lugar na categoria de projetos desenvolvidos com microempresas na parceria Embrapii/Sebrae. A premiação foi anunciada durante o Encontro Anual de Unidades Embrapii, realizado nos dias 9 e 10 deste mês em Brasília, evento que reuniu mais de 250 representantes de centros de inovação de todo o país.

Com a presença da Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o encontro promoveu debates sobre tendências tecnológicas, estratégias para fortalecer a inovação nacional e metas de desenvolvimento para os próximos anos. A apresentação de resultados de destaque, como o projeto vencedor do IFSC/USP, reforçou o papel estratégico das universidades públicas na geração de soluções que chegam efetivamente à sociedade.

Tecnologia permite aplicações estéticas sem agulha — e com mais segurança

O projeto premiado apresenta uma solução inovadora para a aplicação de ácido hialurônico em procedimentos estéticos faciais. A técnica substitui o uso tradicional de agulhas por ondas de choque, capazes de carregar e introduzir as moléculas na pele de forma não invasiva. Essa abordagem representa uma mudança profunda na prática estética e abre caminho para novos produtos e protocolos clínicos, já em desenvolvimento para lançamento pela empresa parceira.

Desenvolvido em colaboração com a NAPID – Núcleo de Apoio à Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento, o trabalho foi coordenado pelo professor Vanderlei Salvador Bagnato, com participação da pesquisadora Dra. Fernanda Carbinato e de alunos e pesquisadores vinculados à Unidade Embrapii do IFSC/USP.

Benefícios diretos da tecnologia premiada

Além da inovação técnica, o projeto se destaca pelos benefícios práticos e sociais que oferece:

1-Procedimento mais seguro – Ao eliminar agulhas, a técnica reduz significativamente riscos de intercorrências como hematomas, infecções, perfurações indevidas de vasos e reações adversas — problemas comuns em aplicações estéticas convencionais;

Gelia Martinez, Vanderlei Bagnato e Marcelo Prim, um dos diretores da Embrapii

2-Experiência mais confortável para o paciente – O método não invasivo diminui o desconforto típico das aplicações injetáveis, tornando o procedimento mais atraente para pessoas com sensibilidade ou aversão a agulhas;

3-Maior acessibilidade ao tratamento – A redução de riscos e a simplificação do processo podem tornar o procedimento mais acessível a um público maior, inclusive em clínicas de menor porte que hoje evitam aplicações injetáveis devido à complexidade e aos altos níveis de especialização exigidos;

4-Expansão das aplicações do ácido hialurônico – Ao viabilizar uma forma mais segura de entrega do produto, a tecnologia abre portas para usos além da estética facial — como hidratação profunda da pele, tratamentos dermatológicos específicos e possíveis aplicações em áreas biomédicas emergentes;

5-Potencial para padronização e redução de custos – Como o método reduz variáveis operacionais dependentes da técnica manual do profissional, há potencial para maior padronização dos resultados, o que pode reduzir custos e ampliar o acesso ao tratamento;

Pioneirismo reconhecido nacionalmente

O reconhecimento do projeto reforça a competência do IFSC/USP e destaca o pioneirismo do Instituto na transformação da ciência básica em tecnologias aplicadas, especialmente no setor produtivo ligado à saúde e ao bem-estar. A presença no evento do professor Vanderlei Bagnato e da administradora do programa Embrapii-IFSC-USP, Gelia Martinez, simboliza o engajamento institucional no avanço da inovação brasileira.

A conquista evidencia o papel do IFSC/USP como um polo de excelência em pesquisa e desenvolvimento, e reforça a importância da parceria Embrapii/Sebrae na criação de soluções tecnológicas que se traduzem em melhorias reais para a sociedade.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de dezembro de 2025

No IFSC/USP – “Noções Básicas de Fabricação Mecânica”

Ao fim de mais um semestre letivo cheio de provas, prazos e desafios nas disciplinas teóricas e práticas do IFSC/USP, uma em especial se destaca: “Noções Básicas de Fabricação Mecânica”.

Nessa disciplina, os(as) estudantes saem da sala de aula e mergulham na Oficina Mecânica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), aprendendo diretamente com o nosso time técnico, que transforma teoria em prática todos os dias.

Ao longo do semestre, eles vivenciam na prática conceitos de usinagem, metrologia, segurança e processos de fabricação, até chegar ao projeto final – a construção de um pequeno canhão didático, que integra todas as etapas do aprendizado.

Nada disso seria possível sem a dedicação, experiência e cuidado do excelente corpo técnico da Oficina Mecânica:

Ademir Morais; Araldo Luiz Isaias de Moraes; Carlos Alberto Arruda Camargo; Carlos Aparecido Pereira; Ricardo Henrique Rodrigues.

Confira AQUI o álbum de fotos.

Um agradecimento especial a todos eles.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de dezembro de 2025

USP inaugura Centro de Inovação em São Carlos e abre novo ciclo para ciência, tecnologia e desenvolvimento regional

A cidade de São Carlos, conhecida como “Capital da Tecnologia”, ganhou, no dia 8 de dezembro, um reforço importante para consolidar sua vocação científica: o Centro de Inovação da USP – Complexo São Carlos – InovaUSP/SC. A inauguração, marcada por uma cerimônia cheia de simbolismos, reuniu representantes da universidade, do governo e de entidades da sociedade civil — os três pilares do modelo de desenvolvimento baseado na chamada Hélice Tríplice da Inovação, que aposta no trabalho conjunto para gerar impacto social e econômico.

O novo espaço, instalado na área-2 do campus da USP, nasce com o propósito de ser mais do que uma estrutura física. Ele pretende funcionar como um ambiente vivo, capaz de aproximar diferentes áreas do conhecimento, incentivar projetos transdisciplinares e fortalecer o diálogo da academia com organismos públicos, empresas e organizações sociais.

Uma inauguração que espelha a força da colaboração

A Mesa de Honra da cerimônia refletia a diversidade de atores envolvidos no projeto. O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Jr., destacou em seu discurso que o Centro de Inovação marca “um passo estratégico para fortalecer a presença da Universidade no desenvolvimento socioeconômico do país”. Ao seu lado, o pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Paulo Nussenzveig, reforçou que iniciativas como o InovaUSP/SC ajudam a transformar conhecimento científico em soluções concretas para a sociedade.

O vice-prefeito de São Carlos, Roselei Françoso, lembrou que o município tem tradição em ciência e tecnologia há mais de meio século, mas que a criação de espaços de interação entre academia e setor produtivo é essencial para ampliar resultados. Também compuseram a mesa Mirlene Simões, do Instituto Angelim, e Marcos Henrique dos Santos, do Ciesp São Carlos, representando a sociedade civil organizada e o setor industrial.

A presença ainda de representantes da Embrapa Instrumentação e Sudeste Agropecuária, ParqTec, Sebrae-SP, Senai e de empresas como a Tecumseh, sinaliza que o Centro de Inovação pretende atuar de forma aberta e integrada. Várias dessas instituições apresentaram depoimentos no evento, reafirmando o interesse em estabelecer projetos conjuntos com a USP.

Transdisciplinaridade como motor da inovação

O InovaUSP/SC, coordenado pelo docente e pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Tito José Bonagamba, nasce com uma diretriz clara: promover o encontro de saberes. Em vez de laboratórios isolados ou pesquisadores atuando em áreas restritas, o Centro foi projetado para favorecer conexões entre diferentes campos — da engenharia à saúde, da tecnologia à educação, das ciências humanas às startups.

A proposta segue uma tendência internacional. Universidades de referência em inovação, como MIT e Stanford, vêm investindo em ambientes que eliminam barreiras disciplinares e estimulam o trabalho colaborativo. A USP, ao adotar esse modelo em São Carlos, busca ampliar sua capacidade de produzir soluções com impacto real na sociedade.

Prof. Tito José Bonagamba abordando as particularidades e objetivos do Centro de Inovação da USP – Complexo São Carlos – InovaUSP/SC

Segundo o documento institucional apresentado durante o evento, o Centro pretende “contribuir para o Desenvolvimento Socioeconômico Inclusivo e Sustentável do País”, missão que acompanha a Universidade desde sua criação, em 1934. Isso significa apostar em projetos que também considerem inclusão social, diversidade, sustentabilidade ambiental e o fortalecimento de comunidades locais.

Uma ponte entre a USP e a sociedade

A segunda grande missão do Centro é ampliar a presença da USP fora dos muros do campus. Para isso, a articulação com governos, empresas e organizações sociais será central. A inauguração apresentou uma série de parcerias que já vinham sendo construídas ao longo dos últimos meses — mesmo antes da conclusão da obra física.

Essas parcerias incluem ações de capacitação profissional, desenvolvimento de tecnologias, apoio a empreendedores, eventos com a comunidade e projetos de pesquisa aplicada. O coordenador do InovaUSP/SC afirmou que, nos meses anteriores à inauguração, dedicou-se intensamente a conhecer demandas da sociedade e identificar potenciais colaborações.

O objetivo é criar um fluxo contínuo entre desafios reais e soluções produzidas no ambiente acadêmico. Isso inclui desde problemas simples, como processos administrativos ou comunicação interna de entidades públicas, até questões complexas, como mobilidade urbana, transição energética, segurança alimentar ou automação industrial.

Impactos esperados para São Carlos e para o país

São Carlos já abriga mais de 150 empresas de base tecnológica, dois campi da USP, um campus da UFSCar, além de centros de pesquisa como o Embrapa Instrumentação. A chegada do InovaUSP/SC reforça esse ecossistema, oferecendo novas oportunidades para quem empreende, pesquisa ou busca desenvolvimento profissional na cidade.

Para os estudantes, o Centro poderá se tornar um ponto de encontro para estágios, mentorias, aceleração de projetos e formação empreendedora. Para as empresas, funcionará como porta de entrada para a expertise científica da USP. Para o setor público, abre caminho para o uso de conhecimento técnico na solução de problemas urbanos.

A longo prazo, iniciativas como essa tendem a fortalecer a presença da universidade no desenvolvimento regional, criar empregos qualificados e ampliar a competitividade da indústria local.

Um pequeno espaço com ambição gigante

Momento do descerramento da placa de inauguração – Prof. Tito José Bonagamba ladeado por Roselei Françoso (vice-prefeito de São Carlos) e pelo reitor da USP Prof. Carlos Gilberto Carlotti Junior

Ao final da cerimônia, uma frase chamou atenção: inspirando-se nas palavras de Neil Armstrong ao pisar na Lua, o Prof. Tito José Bonagamba lembra que o Centro de Inovação “pode ser pequeno em espaço, mas representa um salto gigantesco para a inovação”.

A declaração resume o espírito do projeto: mais do que uma inauguração, o InovaUSP/SC simboliza a aposta em um novo ciclo, no qual o conhecimento científico deixa de ser restrito à universidade e passa a circular, de forma ágil e integrada, por todos os setores da sociedade.

Se depender das instituições presentes no evento, São Carlos deverá assistir nos próximos anos ao fortalecimento de uma rede colaborativa que transforma ideias em ações — e ações em impacto para a cidade e para o país.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

12 de dezembro de 2025

Revolução na segurança de alimentos – Embalagens utilizam vírus naturais para combater bactérias

(Créditos – “AZoM”)

Pesquisadores do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano-IFSC/USP), conjuntamente com colegas de Portugal, desenvolveram uma tecnologia inovadora que pode transformar a forma como os alimentos são protegidos contra contaminações.

A solução, produzida a partir de materiais simples como o alginato — um biopolímero extraído de algas —, incorpora vírus naturais que infectam e eliminam bactérias, conhecidos como bacteriófagos, para impedir o crescimento de microrganismos responsáveis por deteriorar alimentos e causar doenças.

A nova técnica emprega um método de produção moderno e sustentável, conhecido como “ultrasonic spray coating” — ,uma espécie de pulverização ultrassônica capaz de formar filmes extremamente finos e uniformes sobre embalagens de papel ou plástico. Esse processo tem baixa perda de material e permite que, no futuro, as embalagens sejam fabricadas em grande escala.

A contaminação por bactérias continua sendo um dos maiores desafios na indústria de alimentos. Mesmo com cuidados durante o processamento, falhas como má higienização, equipamentos sujos e manipulação inadequada podem permitir que microrganismos se proliferem. Isso altera cor, sabor, cheiro e textura dos alimentos, além de provocar doenças que atingem milhões de pessoas todos os anos.

Entre as bactérias que mais preocupam estão a “Escherichia coli” e a “Pseudomonas fluorescens”, frequentemente presentes em carnes, laticínios, vegetais e alimentos minimamente processados.

Vírus que atacam bactérias

Para enfrentar esse problema, os pesquisadores recorreram aos bacteriófagos, vírus que infectam exclusivamente bactérias — totalmente inofensivos para humanos, animais e plantas.

Dois desses vírus foram isolados em uma estação de tratamento de esgoto em Portugal, um procedimento comum na ciência, já que esses ambientes

Drª Fernanda Coelho (IFSC/USP) – Primeira autora do trabalho de pesquisa

concentram uma grande diversidade natural de microrganismos. Depois de purificados e multiplicados em laboratório, os bacteriófagos foram incorporados ao alginato, formando uma espécie de “solução antimicrobiana”.

O resultado: um revestimento capaz de eliminar especificamente as bactérias responsáveis pela deterioração de alimentos, sem prejudicar a qualidade do produto e sem o uso de conservantes químicos sintéticos.

A mistura de alginato com os bacteriófagos foi aplicada de duas maneiras:

1-Como filme, formando uma película fina e flexível;

2-Como revestimento, aplicado sobre papel manteiga e poliestireno – um tipo comum de plástico usado em bandejas de supermercado.

Os testes demostraram que os vírus permanecem ativos por semanas dentro da matriz polimérica e agem rapidamente ao entrar em contato com as bactérias.

Os principais resultados foram: uma alta eficácia contra “Pseudomonas fluorescens”, bactéria comum em alimentos refrigerados e uma eficácia moderada contra “Escherichia coli”, ainda que consistente. Outros resultados obtidos foram uma boa estabilidade visual, sem alteração perceptível de cor ou textura das embalagens, e uma ação antimicrobiana detectável mesmo após 60 dias, indicando excelente estabilidade dos fagos.

Os vírus também suportaram condições de temperatura e pH semelhantes às encontradas em muitos alimentos, mantendo sua atividade especialmente em ambientes refrigerados — o que reforça o potencial de uso comercial.

Essa tecnologia pode beneficiar uma ampla variedade de produtos, como queijos, carnes frescas, hortaliças e frutas minimamente processadas, que são justamente os alimentos mais susceptíveis às bactérias avaliadas no estudo.

Além disso, o uso de bacteriófagos reduz a necessidade de tantos conservantes químicos e pode contribuir significativamente para a diminuição do desperdício de alimentos, ao impedir que microrganismos se proliferem.

Um dos pontos mais importantes da pesquisa é justamente a técnica utilizada para aplicar o revestimento: a pulverização ultrassônica. Esse método reduz drasticamente o desperdício de matéria-prima, proporciona uniformidade e permite que o processo seja integrado a linhas industriais de alta velocidade — algo essencial para baratear e popularizar a tecnologia.

Em outras palavras, a inovação não está apenas no material, mas no modo eficiente, escalável e sustentável de fabricá-lo.

Um futuro mais seguro para os alimentos

Prof. Valtencir Zucolotto – supervisor do estudo e coordenador do GNano-IFSC/USP

Os cientistas acreditam que essa tecnologia pode inaugurar uma nova geração de embalagens ativas — aquelas que não apenas armazenam, mas protegem ativamente os alimentos. A expectativa é que, com investimentos adicionais, os filmes e revestimentos com bacteriófagos possam chegar ao mercado nos próximos anos.

Segundo os autores da pesquisa, essa estratégia natural, econômica e de baixo impacto pode ajudar a evitar surtos de doenças, ampliar a vida útil dos alimentos e aumentar a segurança do consumidor.

Para o docente  e pesquisador Prof. Valtencir Zucolotto, supervisor do estudo e coordenador do GNano-IFSC/USP, “O trabalho está na fronteira do conhecimento ,pois combina duas frentes de pesquisa estratégicas como a Nanotecnologia e a Biotecnologia. No agronegócio, em particular, a Nanobiotecnologia representa um grande avanço pois permite aumentar a eficiência e shelf-life de produtos biológicos, o que representa um grande gargalo para a área.”

“É uma abordagem que combina sustentabilidade, ciência avançada e proteção alimentar, com enorme potencial para beneficiar milhões de pessoas” — destacam os pesquisadores em seu estudo.

Assinam este trabalho os pesquisadores: Fernanda Coelho (IFSC/USP) e (International Iberian Nanotechnology Laboratory – Braga/Portugal), Victor Gomes Lauriano de Souza (International Iberian Nanotechnology Laboratory – Braga/Portugal) e (Universidade Nova de Lisboa/Portugal), Lorenzo Pastrana e Sanna Sillankorva (International Iberian Nanotechnology Laboratory – Braga/Portugal), e Prof. Valtencir Zucolotto, coordenador do GNano-IFSC/USP.

Esta pesquisa teve o apoio da FAPESP (Proc. 2023/14222–7).

Confira AQUI o artigo original publicado na revista científica “Food and Bioprocess Technology”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

12 de dezembro de 2025

Estudantes de escolas públicas terão mais segurança quando participarem de ações de extensão educacionais nos campi da USP

A partir de agora, os estudantes das escolas públicas das cidades onde existem campi da USP terão cobertura para acidentes pessoais, através de um seguro financiado pelo Fundo de Cobertura de Acidentes Pessoais no âmbito da Universidade de São Paulo. Dessa forma, os jovens estudantes terão sua proteção assegurada quando utilizarem transportes disponibilizados pela instituição para participação em projetos oferecidos. A Portaria foi publicada no dia 28 de agosto último (GR Nº 8970), que altera a Portaria GR nº 5721/2012).

Com efeito, coube ao Grupo de Estudos de Ações Sociais – USP Campus São Carlos (GEAS-USP SC), que integra o Instituto de Estudos Avançados da USP de São Carlos (VER AQUI), levar esta sugestão ao atual Reitor, tendo expressado, nesse momento, a importância de facilitar e proteger o acesso dos jovens estudantes dos ensinos fundamental e médio aos espaços universitários, incentivando suas visitas e interações educacionais com a vida universitária, no contexto de um dos principais pilares da USP – a Extensão.

O sucesso dessa medida deveu-se essencialmente a duas pessoas: em primeiro lugar, à Profª Drª Marli Quadros Leite, atual Pró-Reitora de Cultura e Extensão, que, conforme seu depoimento no site do IEA/Polo de São Carlos “a medida foi extremamente importante no contexto atual da extensão, pois essas atividades ganharam importância e aumentaram potencialmente de volume em decorrência da implantação da curricularização da extensão”.

Em segundo lugar, destaque-se a intervenção em todo este processo do coordenador do GEAS, Prof. Dr. José Marcos Alves (EESC-USP), já que para ele a extensão social da USP se fortalece enormemente com a portaria já em vigor, possibilitando, dessa forma uma maior presença de estudantes de escolas públicas nos campi da Universidade para participarem de ações de extensão educacionais.

Confira o  Portal das Ações Sociais – USP Campos São Carlos.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

11 de dezembro de 2025

Início das atividades do Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF) na USP São Carlos

Prof. Vanderlei Salvador Bagnato

No último dia 08 de dezembro a comunidade científica de São Carlos se congregou para assistir à cerimônia do início das atividades do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF), cuja construção de seu edifício, na Área -2 do Campus USP São Carlos, está em fase de acabamento.

O CEPOF integra, agora, um conjunto de centros que fazem parte do Programa USP de Incentivo a Centros de Pesquisa e Inovação Especiais (os CEPIx), lançado pela atual reitoria. O projeto é voltado ao fomento e à continuidade das atividades de pesquisa, inovação e difusão anteriormente contempladas pelo projeto dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDS), financiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Falar do CEPOF, cuja abrangência e importância se tornaram nacionais e internacionais.

Criado em 1999 como um dos CEPIDS, o CEPOF é um motivo de orgulho não só para o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), onde permanecerá alocado, mas também para a Universidade de São Paulo, para a cidade de São Carlos, para o Estado e para o País. Sob a gestão de cientistas de elevado padrão – incluindo largas dezenas de jovens pesquisadores -, o CEPOF começou sua jornada agregando pessoas que apresentaram uma vontade indómita de desenvolver, da melhor forma possível, a chamada “ciência básica”.

Ao longo dos anos, o CEPOF tem marcado a sua rota trabalhando incansavelmente para que sejam gerados novos projetos na fronteira do conhecimento, em pé de igualdade com os outros países, sempre tendo como meta beneficiar a sociedade, um objetivo intrínsecamente ligado às metas da Universidade de São Paulo.

Agora, com um contingente de pessoas mais dilatado, ao mesmo tempo que avança o conhecimento da ciência com seus trabalhos de laboratório, orientações e teses, o CEPOF também fica atento, observando aonde esse conhecimento poderá ser aplicado, principalmente nas demandas mais urgentes da sociedade, como foi o caso da recente pandemia.

A apresentação dos objetivos do início das presentes e futuras novas atividades do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF) foi feita pelo seu coordenador, o docente e pesquisador do Instituto de Física de São Carlos, Prof. Vanderlei Salvador Bagnato, que, tal como em outras vezes, enfatizou o fato de a sociedade ter o direito de saber e conhecer o que se faz nesse centro.

Para o cientista são-carlense, o certo é que se trabalha com dinheiro público e, por isso, todo o momento de prestar contas para a sociedade deve ser usado.

Clique AQUI para visualizar o álbum de fotos.

Acompanhe AQUI a forma como ocorreu essa cerimônia.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

11 de dezembro de 2025

Campus Butantã recebeu o III Encontro PROIAD – Partilha de Aprendizagens e Resultados

Grupo USP São Carlos: Prof. Guilherme Sipahi, Prof Marcos Neira (Pró-reitor Adjunto de Graduação), Profa. Nelma R. S. Bossolan (coordenadora do grupo USP São Carlos), Gislaine Costa dos Santos (supervisora), Pedro Barcelos (bolsista), Benjamin Luansi (bolsista), Prof. Aluísio Segurado (Pró-Reitor de Graduação), Silvia A. M. Santos (supervisora), Pedro Colucci (bolsista), Matheus Grillo (bolsista), Laura Juskov (bolsista), Iasmim Possato (bolsista) e André Luiz da Silva (supervisor)

O Campus Butantã, da USP de São Paulo, recebeu no dia 05 de dezembro o III Encontro PROIAD – Partilha de Aprendizagens e Resultados. O PROIAD é o Programa de Iniciação e Aperfeiçoamento na Docência, da Pró-Reitoria de Graduação da USP.

O edital PROIAD PRG 01/2025 incluiu sete diferentes vertentes relacionadas à formação para a docência e considerando a multiplicidade de cursos de licenciatura existentes na universidade, com a participação de grupos dos campi de São Carlos e Piracicaba, além dos do campus de São Paulo.

O grupo da USP São Carlos, coordenado pela Profa. Nelma Regina Segnini Bossolan (IFSC e CDCC), participou da vertente “Educação Museal”, tendo sido contemplado com 8 bolsas do Programa, sob responsabilidade de 6 supervisores. Os bolsistas atuaram, de março a dezembro deste ano no desenvolvimento de atividades como: atendimento de escolas e público em geral nos espaços expositivos do CDCC (prédio-sede e Observatório Dietrich Schiel), do Espaço Interativo de Ciências (EIC/CIBFar/FAPESP/IFSC) e do Museu de Computação (ICMC); elaboração e aplicação de práticas demonstrativas, em ambiente universitário, para estudantes do ensino médio pelo Programa Vem Saber / Universitário por um dia (IFSC); elaboração e aplicação de práticas dirigidas a grupos de estudantes do ensino básico, participantes do Espaço Maker CDCC e do Clube de Ciências do EIC.

Neste III Encontro, os coordenadores das vertentes e respectivos bolsistas relataram os resultados alcançados de suas ações e seu o impacto na formação profissional. Pelo grupo de São Carlos, o público atingido por meio das ações dos bolsistas foi de cerca de treze mil pessoas, e o impacto destas na formação dos bolsistas pode ser resumido como – oportunidade de aprendizado de conteúdos específicos da área, aquisição da habilidade de comunicar conteúdos científicos para públicos diversos, fortalecimento da decisão de continuidade na carreira escolhida.

Participantes do III Encontro PROIAD 2025

O Pró-Reitor de Graduação e novo reitor da USP, Prof. Aluísio Segurado, e o Pró-Reitor Adjunto de Graduação, Prof. Marcos Neira, encerraram o evento, destacando a importância da continuidade do Programa e das ações universitárias voltadas para formação inicial do professor do ensino básico.

Os bolsistas do grupo de São Carlos, seus supervisores e respectivos locais de atuação são listados a seguir:

Pedro A. Barcelos e Laura Juskov Koptski, supervisora Dra. Silvia A. M. dos Santos, CDCC – Setor de Visitas;

Pedro G. F. Colucci, supervisor MSc. André Luiz da Silva, CDCC – Observatório Dietrich Schiel;

Matheus de Lima Grillo, supervisor Dr. Antonio Carlos de Castro, CDCC – Setor de Física

Iasmim A. A. Possato e Benjamim R. A. Luansi, supervisora MSc. Gislaine Costa dos Santos, EIC – Setor Educacional;

João V. Pilla Bruno, supervisor Dr. Herbert Alexandre João, IFSC – Programa Universitário por um dia;

Luiz A. S. Vitor, supervisor Prof. Julio Cesar Estrella, ICMC – Museu da Computação;

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

9 de dezembro de 2025

CEPIX-CEPOF (IFSC/USP) recebe novo equipamento multiusuário

Steffen Ruettinger (empresa “PicoQuant”), Mabily Bilancieri (pós-graduanda IFSC/USP, Prof. Sebastião Pratavieira (IFSC/USP) e Jairo Rotava ( empresa QT-Science )

O CEPIx-CePOF, alocado no IFSC/USP, acaba de receber um novo equipamento multiusuário que estará disponível para qualquer pesquisador interessado. Trata-se de um fluorímetro (espectrômetro de fluorescência para detecção de emissão de luz) com altíssima sensibilidade na região do infravermelho, como explica o docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Sebastião Pratavieira.

Adquirido com recursos da FAPESP no âmbito do programa de Equipamentos Multiusuários (mais detalhes em: https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/116391/emu-concedido-no-processo-201307276-1-fluorimetro-e-espectrometro-para-infravermelho-para-microscopi/ – (Processo 24/14754-1), o equipamento passa a integrar a infraestrutura aberta do CEPIx-CePOF, podendo ser utilizado por qualquer pesquisador mediante agendamento.

“É um equipamento com capacidade muito grande de detectar fótons no infravermelho, além de oferecer excelente resolução espectral tanto no visível quanto no infravermelho. Ele vem reforçar o conjunto de equipamentos já em funcionamento no CePOF, como o microscópio confocal de fluorescência (contato: Francisco Guimarães – guimaraes@ifsc.usp.br), os sistemas de microscopia Raman e de força atômica (contato: Euclydes Marega – euclydes@ifsc.usp.br) e o espectrômetro de massas com analisador do tipo triplo quadrupolo (contato: Sebastião Pratavieira – prata@ifsc.usp.br), entre outros”, destaca o professor.

Instalado no laboratório de Biofotônica do IFSC/USP, o fluorímetro permitirá avançar pesquisas nas terapias fotodinâmicas e sonodinâmicas.

“O objetivo dessas terapias é produzir um tipo especial de oxigênio, o chamado ‘oxigênio singleto’, que leva à morte das células-alvo, como células cancerígenas e bactérias. A detecção direta da emissão do oxigênio singleto nesse novo equipamento vai permitir aprimorar essas terapias”, conclui o pesquisador.

Os interessados em utilizar o equipamento podem entrar em contato com o Prof. Sebastião Pratavieira pelo e-mail: prata@ifsc.usp.br. Mais detalhes técnicos sobre o equipamento estão disponíveis no site do fabricante PicoQuant: https://www.picoquant.com/products/category/fluorescence-spectrometers/fluotime-300-high-performance-fluorescence-lifetime-spectrometer

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

4 de dezembro de 2025

Docente do IFSC/USP recebe título de “Doutor Honoris Causa” na Universidad Nacional Pedro Ruiz Gallo (Peru)

Prof. Richard Charles Garratt recebe o título das mãos do reitor da Universidad Nacional Pedro Ruiz Gallo, Dr. Enrique Cáspena Velásquez

No passado dia 26 de novembro, o docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Richard Charles Garratt, recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” atribuído pela Universidad Nacional Pedro Ruiz Gallo (UNPRG), Lambayeque, Peru.

Não sendo a primeira vez que este pesquisador é homenageado com o título “Doutor Honoris Causa”, sendo que a última distinção ocorreu em 2019, promovida pela Universidad Nacional de la Amazônia Peruana, receber este título não traduz apenas uma natural alegria, já que ele é um reconhecimento que toca a identidade profissional e pessoal do homenageado.

Desde 2011, ano em que visitou pela primeira vez a Universidad Nacional Pedro Ruiz Gallo, o Prof. Richard Garratt tem recebido inúmeros alunos da UNPRG aqui no IFSC/USP em estágios, mestrados, doutorados e até em pós-doutorados, além de ter ajudado outros alunos a encontrarem orientadores no Brasil.

Por todo esse seu envolvimento, o diploma conferido ao Prof. Charles Garratt menciona, com toda a justiça – “Pela sua incorporação à nossa universidade como Doutor honoris causa, em mérito à sua notável trajetória científica e à sua valiosa contribuição para o desenvolvimento da biologia estrutural e molecular, no âmbito do 78º aniversário do Dia do Biólogo.”

Esta dimensão internacional traz humildade a qualquer docente, já que a noção de que o que se fez contribuiu para algo maior, um sentimento de responsabilidade renovada.

A distinção funciona como um lembrete de que seu trabalho inspira outros e que é preciso continuar pesquisando, ensinando e dialogando com o mundo.

O Prof. Jorge Luis Chaname Cespedes, docente da Faculdade de Ciências Biológicas da UNPRG foi um dos proponentes da atribuição do título, juntamente com um grupo de alunos liderado por Renatto Isaac Castro Morales.

Curiosidade: o departamento de Lambayeque é justamente onde o atual papa passou uma boa parte da sua vida.  Ele foi bispo de Chiclayo, a capital do departamento de Lambayeque.

Com satisfação e orgulho, o IFSC/USP parabeniza o Prof. Richard Charles Garratt.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

4 de dezembro de 2025

Flutuando na Mesosfera com a Luz Solar – Por: Prof. Roberto N. Onody

(Figura-1) Impressão artística dos pequenos dispositivos (discos) flutuando na mesosfera como se fossem paraquedas e suportando pequenas cargas, sem precisar de motor ou combustível. No artigo é feito um estudo detalhado que leva em consideração o diâmetro do disco, sua altitude na mesosfera, o peso da carga e a intensidade da luz solar em cada época do ano

*Por: Prof. Roberto N. Onody

Cientistas da Universidade de Harvard construíram recentemente, via nanoengenharia, um dispositivo com cerca de 1 cm de diâmetro que, sob a ação de luz artificial, é capaz de flutuar no ar em baixa pressão atmosférica. Feito de material relativamente barato, ele é capaz de flutuar na camada da mesosfera  (que fica entre 50 kms e 80 kms de altura) apenas sob a ação da luz solar (Figura 1).

A mesosfera é a camada da atmosfera terrestre menos conhecida, tanto assim, que é ela muitas vezes chamada de “ignosfera”. Nela, não há satélites, posto que a altitude é muito baixa; também não há balões ou aviões, posto que a altitude é muito alta.

O mecanismo utilizado para a flutuação é o da fotoforese. Chamamos de fotoforese à movimentação de partículas ou pequenos objetos pela ação da luz e suas consequência térmicas ao redor do objeto. Ela vem sendo estudada há mais de cem anos, mas só agora, com novos materiais e a nano industrialização, está sendo possível encontrar aplicações práticas.

Não devemos confundir a força fotoforética com aquela produzida pela pressão da radiação eletromagnética. As forças fotoforéticas são bem maiores que as da radiação e desaparecem quando aumentamos o vácuo.

Basicamente, na fotoforese a luz incidente permite que o sistema opere como uma máquina térmica. As forças fotoforéticas podem superar a força gravitacional e, dessa maneira, levitar pequenas partículas como grãos de poeira, fuligem, aerossóis e pluma vulcânica (veja vídeo).

Figura 2 – O moinho de luz ou radiômetro de Crookes. A explicação da causa de seu movimento cativou muitos cientistas, incluindo J. Maxwell e A. Einstein. Várias explicações incorretas foram apresentadas sobre o seu funcionamento e, mesmo hoje em dia, estão ainda presentes como é o caso do verbete “radiometer” da Enciclopédia Britânica

A descoberta da fotoforese é atribuída a Felix Ehrenhaft ao longo de pesquisas que ele realizou na década de 1920. O fenômeno, entretanto, já estava presente no radiômetro de Crookes (Figura 2).

Inventado por Sir Williams Crookes em 1873, o radiômetro de Crookes consiste num bulbo de vidro (com vácuo parcial do ar) que tem no seu interior 4 palhetas giratórias montadas sobre um eixo rotor vertical com muito pouco atrito. Cada uma dessas palhetas têm uma face pintada na cor preta e a outra na cor prata.

Quando iluminado por luz solar ou artificial as palhetas giram. Elas giram no sentido da face preta para a face prateada. O radiômetro de Crookes é um moinho de luz!

Ambas as faces absorvem parte da energia da luz incidente aumentando a temperatura de suas superfícies. Como a face preta absorve mais luz, ela atingirá uma temperatura maior do que a face prateada, o mesmo acontecendo com o ar em contacto com elas.

No artigo de Crookes, que foi publicado em 1874, ele atribuiu, incorretamente, a rotação das palhetas como sendo um resultado da pressão de radiação eletromagnética. O revisor que aceitou o artigo foi ninguém menos do que James Clerk Maxwell, o formulador das leis do eletromagnetismo.

Foi muito fácil provar que a explicação dada era equivocada. Para isso, bastou constatar que a rotação das palhetas cessa quando a pressão do ar no interior do bulbo é: maior do que 1000 Pa (~10-2 atm), devido ao aumento da força de atrito com um ar mais denso, ou menor do que 0,0001 Pa (~10-9 atm). O fato de haver uma pressão mínima do ar para operar o radiômetro de Crookes mostra que a pressão de radiação eletromagnética (que existe mesmo no vácuo) não é a responsável pela rotação das palhetas.

Naturalmente, a pressão de radiação também está presente só que não tem força suficiente para girar as palhetas e, se tivesse, as giraria no sentido contrário (da face prata para a face preta). O radiômetro de Crookes é uma máquina térmica e precisa do ar em baixa pressão para operar.

A explicação correta do funcionamento do radiômetro de Crookes veio com Osborne Reynolds (sim, o mesmo do número de Reynolds da hidrodinâmica) em 1879. Ele estudou o fluxo de gás por um tubo isolado termicamente e que tem no meio uma placa porosa e fixa. As duas faces da placa foram mantidas em temperaturas diferentes e fixas, TA e TB. Inicialmente a pressão e a temperatura do gás são as mesmas dos dois lados da placa. Ele observou que o gás fluía através dos poros, indo do lado da face mais fria para o lado da face mais quente. Quando esse sistema atingia o equilíbrio, a razão das pressões PA/PB era igual a raiz quadrada da razão das temperaturas TA/TB . Ou seja, o lado mais quente tem também pressão maior e, se a placa porosa não estivesse fixa, ela se movimentaria no sentido da temperatura mais alta para a mais baixa. Essa forma de equilíbrio térmico por convecção do gás pelos poros, Reynolds denominou “transpiração térmica”.

Muito embora as palhetas do radiômetro de Crookes não tenham poros, elas têm bordas por onde o ar flui e, não sendo fixas, elas acabam girando. Albert Einstein chegou a calcular as forças na borda que, embora suficientes para movimentar as palhetas não lhes imprimia a aceleração correta. A força fotoforética no radiômetro de Crookes é, em geral, cem vezes menor do que o peso das palhetas, o que inviabiliza sua sustentação gravitacional e levitação.

Como é difícil miniaturizar o radiômetro de Crookes, em 2010 foi construído um micromotor com palhetas curvas (com tamanho aproximado de 1 mm). Tanto a superfície côncava quanto a convexa foram recobertas com nanocristais de ouro. O sistema todo é montado num rotor e colocado no interior de um bulbo de vidro com vácuo parcial. Quando iluminado, a superfície convexa se aquece mais do que a superfície côncava, de sorte que o motor gira do convexo para o côncavo. Na pressão de 0,00052 atm, o motor consegue rodar a 5.000 rpm!

A transpiração térmica que acabamos de discutir é uma das três  dinâmicas de fotoforese – movimentação de pequenos objetos pela ação da luz e suas consequências térmicas ao redor do objeto. Elas geram forças fotoforéticas. Para detalhes, veja H. Horvath, no artigo: “Photophoresis – a forgotten force?”

Figura 3 – Os 3 tipos de fotoforese: (a)Temperatura constante, mas, com diferentes  coeficientes de acomodação; (b) Diferentes temperaturas; (c) transpiração térmica. Na Figura, vemos também as condições necessárias para a levitação, relacionando as dimensões típicas do corpo (r), do buraco perfurado na estrutura (rh) e do livre caminho médio λ do ar

Seriam essas forças capazes de se equiparar à força gravitacional e levitar os objetos?

As 3 formas de fotoforese estão mostradas na Figura 3. Elas são responsáveis pela movimentação do aerossol na atmosfera sob a ação da luz solar. O aerossol pode ter origem natural, como as gotas de ácido sulfúrico emitidas pelos vulcões (que podem flutuar na atmosfera por até 2 anos) e a poeira dos desertos ou de origem humana, como as fumaças produzidas pela queima do petróleo, do carvão e por indústrias poluidoras.

Uma partícula, seja ela sólida ou líquida, em suspensão num gás é constantemente bombardeada pelas moléculas do próprio gás. Se, além disso, sobre ela estiver incidindo luz, seu movimento dependerá de uma complexa relação entre o aumento da temperatura de sua superfície (pela absorção de luz) e a interação desta superfície aquecida com as moléculas do gás.

Analisemos a primeira forma de fotoforese – uma partícula com temperatura constante em todo o seu corpo, mas, com diferentes valores do seu coeficiente de acomodação α nas superfícies (Figura 3a). Essa forma de fotoforese surge quando a estrutura (espessura) da partícula é muito fina. Devido à rápida condução de calor, as temperaturas das superfícies se igualam.

Seja T0 a temperatura do gás e Ts a temperatura das superfícies aquecidas da partícula (Ts > T0). As moléculas do gás, ao abandonarem a superfície aquecida da partícula, adquirem uma energia cinética adicional  que corresponde a uma temperatura T (menor ou igual a Ts). Definimos o coeficiente de acomodação α por α = (T – T0)/(Ts – T0).

O valor desse coeficiente depende do tipo de gás, da sua temperatura, da frequência e intensidade da luz incidente e o quanto dessa luz é absorvida ou refletida pela partícula.

Se uma partícula aquecida tem, em sua superfície, diferentes valores do coeficiente de acomodação, ela sentirá uma força fotoforética Δα, no sentido da face que tem o maior de α para a que tem o menor valor de  (Figura 3a). Se a força fotoforética for suficiente para superar a força gravitacional, a partícula flutuará.

Na Figura abaixo, mostramos o comportamento da força fotoforética Δα dividida pelo peso da partícula (em escala logarítmica) como função da pressão e das dimensões da partícula.

(Figura-4)

Os gases do efeito estufa como o CO2, aumentam a temperatura da Terra. A Terra tem um mecanismo natural – a erupção vulcânica, que se contrapõe a esse aumento de temperatura, ao lançar na atmosfera sulfato na forma de aerossol. Em 1991, a erupção do monte Pinatubo lançou 9 milhões de toneladas de enxofre na estratosfera, criando aerossóis de sulfato que, por um ano, aumentaram o albedo da Terra (albedo é a proporção da radiação solar que é refletida de volta ao espaço) diminuindo a temperatura terrestre em 0,5 oC.

Existem propostas de nanoengenharia para a produção de aerossóis que, lançados um pouco acima da estratosfera (para não prejudicar a camada de ozônio), aumentem o albedo terrestre amenizando o efeito estufa. Esses aerossóis flutuariam por alguns anos graças à força fotoforética.

(Figura-5)

A segunda forma de fotoforese aparece quando a partícula, ao ser iluminada pela luz, desenvolve temperaturas diferentes nas suas superfícies (Figura 3b). São partículas com baixa condutividade térmica. Com a acomodação, as moléculas do gás são refletidas com maior velocidade da superfície mais quente, gerando uma força fotoforética ΔT no sentido da superfície com maior temperatura para a de menor temperatura.

Na Figura abaixo, mostramos o comportamento da força fotoforética ΔT dividida pelo peso da partícula (em escala logarítmica) como função da pressão (em escala logarítmica) e das dimensões da partícula.

Quando a luz que incide sobre uma partícula aquece mais a face anterior do que a face posterior, a força fotoforética ΔT tem a direção e o sentido da radiação eletromagnética. É a fotoforese positiva. Para partículas que absorvem fracamente a luz, a face mais aquecida é aquela oposta sobre a qual incide a radiação, de modo que a partícula se movimenta no sentido contrário ao da luz. É a fotoforese negativa. É o que acontece, por exemplo, com as partículas de enxofre, bismuto, selênio, fósforo e tabaco.

(Figura-6)

Uma aplicação interessante da força fotoforética ΔT é a sua utilização na construção de telas tridimensionais que formam imagens de alta resolução utilizando um mecanismo de armadilhas óticas fotoforéticas. Essa é a técnica que forma imagens 3D mais próximas daquelas que vemos em filmes de ficção científica.

A terceira forma de fotoforese é a da transpiração térmica (como a do radiômetro de Crookes). Na Figura 3c vemos que (como no experimento de Osborne de 1879) podemos aumentar a força fotoforética criando pequenos furos com diâmetros rh bem menores do que do que o livre caminho médio λ do gás.

Na atmosfera terrestre, à medida que a aumentamos a altitude: o livre caminho médio aumenta, a pressão atmosférica diminui, a temperatura flutua e a radiação solar aumenta. A atmosfera da Terra é sistematicamente dividida em 5 camadas. Segue, ao lado, um quadro para entendermos melhor o que acontece acima de nossas cabeças.

Descrevemos acima os 3 tipos de fotoforese, mas, qual deles é melhor, mais eficiente, na atmosfera terrestre? Para responder a essa pergunta, temos que definir o parâmetro de rarefação δ = r/λ, onde r é o diâmetro do objeto e λ o livre caminho médio das moléculas do ar (que depende da altitude).

Figura 7 – A estrutura nano fabricada consiste em duas membranas com espessuras de  0,1 µm separadas entre si por 125 µm e com cerca de 0,5 cm de diâmetro. A alumina é um material cristalino bastante duro que funde a 2.072oC. Um número rigorosamente controlado de ligamentos cilíndricos de alumina (cada um com 0,25 µm de diâmetro) conecta essas duas membranas para lhes dar rigidez. Essas duas membranas são também perfuradas com poros de 25 µm  (1 µm corresponde a milionésima parte de 1 metro).

Se 0,1 < δ < 10 , as forças fotoforéticas Δα e ΔT são maiores do que a da transpiração térmica, se δ > 10, a força fotoforética por transpiração térmica através dos poros é dominante. Um estudo de 2024 mostrou que materiais porosos nanoestruturados com dimensão de 10 m, posicionados na mesosfera numa altura de 80 km, pode levitar objetos de até  1 kg. As forças por unidade de área da fotoforese são de dez mil a milhão de vezes maiores do que aquelas produzidas pela pressão de radiação!

Analisemos agora os experimentos realizados por Schafer et al em 2025. Eles montaram uma estrutura composta por duas membranas: uma membrana de alumina ou óxido de alumínio (Al2O3) e a outra de alumina e cromo. Essas membranas estão conectadas por ligamentos (as ´paredes´ da estrutura) que lhe dão rigidez e são perfuradas para permitir o escoamento do ar. Quando iluminada, a camada inferior (com alumina e cromo) aquece mais do que a superior (que tem somente alumina). O ar flui para baixo através das perfurações, diminuindo a pressão na parte superior de forma a permitir a levitação da estrutura (veja Figura 7).

Schafer et al fizeram um estudo pormenorizado dessa estrutura, analisando-a tanto experimentalmente quanto através de modelos teóricos e numéricos. Os parâmetros de controle utilizados foram a fração superficial dos furos e a fração volumétrica dos ligamentos. Eles calcularam que uma estrutura assim fabricada, com 80 cm de diâmetro e colocada a uma altura de 73 km, suportaria uma carga de 0,9 kg, durante o dia e na latitude zero (equador). Para latitudes maiores, o valor da carga suportada diminui. No círculo polar, ela seria de 0,2 kg.

Eles projetaram um dispositivo com 3 cm de raio e que tem o formato de um paraquedas (Figura 8). Ele é capaz de levitar cargas de 10 mg a uma altitude de 75 km na mesosfera e suportar ventos com velocidade de até 10 m/s.

Assim, sem utilizar nenhum tipo de combustão, mas, simplesmente a força silenciosa de ar rarefeito fluindo por um gradiente de temperatura, nós poderemos ter, em breve, uma nova tecnologia espacial. Schafer é cofundador de uma empresa que pretende construir e lançar seus primeiros flutuadores fotoforéticos na mesosfera em 2026.

Figura 8 – Visão futurista dos pesquisadores da Universidade de Harvard. Na próxima década, um enxame de flutuadores fotoforéticos poderá coletar, com alta precisão, dados da temperatura, pressão, composição química e velocidade dos ventos na mesosfera

*Físico, Professor Sênior do IFSC/USP

e-mail: onody@ifsc.usp.br

Meus agradecimentos ao Sr. Rui Sintra da Assessoria de Comunicação do IFSC/USP

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Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

4 de dezembro de 2025

Pesquisadores do IFSC/USP e do Instituto Nacional de Telecomunicações – Inatel projetam sensor (metassuperfície) capaz de detectar até uma única molécula

(a) Representação esquemática da metassuperfície com cilindros MOHMM. Os parâmetros geométricos são apresentados em (b) vista superior e (c) vista em corte transversal (Créditos “ACS Applied Materials & Interfaces”)

 

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e do Instituto Nacional de Telecomunicações – Inatel apresentou um avanço que pode transformar a forma como se detectam moléculas essenciais para a saúde humana, como proteínas associadas a doenças neurológicas. Eles propuseram uma superfície óptica ultrassensível (metassuperfície) capaz de identificar até uma única molécula — que será um marco para técnicas de diagnóstico e monitoramento de doenças.

O estudo teórico, publicado na revista “ACS Applied Materials & Interfaces”, propõe uma estrutura composta por minúsculos discos feitos de camadas alternadas de metal e um material ferromagnético, sensível a campos magnéticos. Quando iluminados, esses discos produzem sinais extremamente precisos que mudam conforme o ambiente ao redor — inclusive quando moléculas se aproximam.

 

A importância de detectar moléculas quirais

 

Grande parte das moléculas fundamentais para a vida — como aminoácidos, proteínas e alguns tipos de medicamentos — possui uma característica chamada quiralidade. É como a diferença entre a mão direita e a esquerda: parecidas, porém impossíveis de sobrepor. Esse detalhe, apesar de sutil, pode determinar se um remédio é eficaz ou se uma proteína se comporta de maneira saudável ou prejudicial.

 

O problema é que identificar a quiralidade de moléculas em baixíssimas concentrações é extremamente difícil, já que as técnicas atuais exigem grandes quantidades de material, ou métodos complexos, caros e lentos. Quando os sensores propostos no artigo forem produzidos, o que pode ser feito com técnicas de nanofabricação existentes, o cenário se alterará.

 

Como funciona a tecnologia

A estrutura criada funciona como uma espécie de “tapete” nanoscópico formado por nanodiscos que interagem com a luz de forma altamente controlada. Ao aplicar um pequeno campo magnético, esses discos modificam a maneira como refletem diferentes tipos de luzes circularmente polarizadas. Se uma molécula quiral está presente, mesmo que seja apenas uma, a resposta dessas luzes muda. E muda o suficiente para que os pesquisadores possam medi-la com precisão inédita.

Segundo o estudo, esse sistema pode produzir sinais 20 vezes mais intensos que as técnicas tradicionais — uma diferença que permite detectar moléculas em concentrações que antes eram consideradas impossíveis.

A inovação abre caminho para vários avanços:

*Diagnósticos mais precoces, com a detecção de proteínas associadas a doenças como Parkinson ou Alzheimer muito antes dos sintomas surgirem;

*Análise de medicamentos, com a rápida verificação se um remédio está na forma correta (quiralidade certa), o que afeta sua eficácia e segurança;

*Monitoramento de biomoléculas, através do acompanhamento de processos biológicos em tempo real e sem a necessidade de marcadores fluorescentes.

Uma das demonstrações feitas pelos autores simula a detecção de moléculas semelhantes às fibrilas de α-sinucleína — proteínas cuja alteração de forma está ligada ao desenvolvimento de Parkinson.

Os pesquisadores também obtiveram a resposta esperada com diferentes quantidades de moléculas — desde quatro por unidade da superfície, até apenas uma. Mesmo no limite mínimo, o sinal ainda era suficientemente forte para ser detectado.

Em outras palavras, a tecnologia com a metassuperfície proposta alcançará o nível considerado como o “último degrau” para sensores ópticos – a detecção de uma única molécula.

Por que isso será revolucionário

Este novo tipo de sensor une vantagens raras de se ver juntas, quais sejam uma altíssima sensibilidade em tempo real para detectar moléculas sem marcadores, e com um equipamento compacto. A combinação desses fatores permitirá fabricar dispositivos mais baratos, portáteis e eficazes, o que pode democratizar tecnologias que hoje pertencem apenas a grandes laboratórios.

Da saúde para as telecomunicações

A pesquisa em colaboração IFSC/USP / Instituto Nacional de Telecomunicações – Inatel em metassuperfícies vem sendo ampliada para diferentes áreas, uma vez que os princípios e materiais usados podem ser estendidos para qualquer aplicação em que se busque controlar ondas eletromagnéticas. Além da saúde, metassuperfícies são importantes para telecomunicações, já que elas oferecem uma forma nova de controlar ondas eletromagnéticas — incluindo a forma como os sinais de rádio, Wi-Fi, 5G e futuros sistemas 6G se propagam, se refletem e se focalizam no ambiente.

Antenas de metassuperfície podem viabilizar futuras redes de comunicação 6G (Créditos “University of Glasgow – Escócia”)

Essa importância está relacionada com diversas particularidades, como um controle preciso do sinal, em que as metassuperfícies permitem “moldar” o caminho que um sinal percorre. Isso significa que uma antena pode, por exemplo, direcionar um feixe exatamente para um receptor específico, reduzir interferências e aumentar o alcance. Por outro lado, elas permitem aumentar a capacidade das redes (essencial para 5G e 6G), pois com o enorme crescimento da utilização de dados as redes precisam transmitir mais informações entre milhares de dispositivos conectados.

Por último, as metassuperfícies promovem um menor consumo de energia. Como elas direcionam o sinal de forma mais precisa, as antenas precisam usar menos potência, o que reduz custos operacionais, diminui o aquecimento dos equipamentos e torna as redes mais sustentáveis.

Assinam este artigo os pesquisadores William Orivaldo Faria Carvalho, Jorge Ricardo Mejía-Salazar e Ana Luísa Lyra Pavanelli, todos do Instituto Nacional de Telecomunicações – Inatel, e o Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, do IFSC/USP.

Confira AQUI o artigo científico publicado na revista internacional “ACS Applied Materials & Interfaces”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP