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7 de agosto de 2026

Editais dos processos seletivos para ingresso no 1º semestre de 2027 – Física Teórica e Experimental, Física Biomolecular e Física Computacional

Os Editais dos processos seletivos para ingresso no 1º semestre de 2027, nas áreas Física Teórica e Experimental, Física Biomolecular e Física Computacional estão disponíveis em:  https://www2.ifsc.usp.br/pos/  na aba Processo Seletivo.

É importante que todos os interessados leiam os Editais e antecipem suas dúvidas.Lembramos que os(as) candidatos(as) para a área de Física Teórica e Experimental devem apresentar nota do EUF

Os candidatos para as áreas de Física Biomolecular e Física Computacional devem apresentar nota de exame realizado pela CPG cuja inscrição estará aberta no período de 10/08 até 11/09/2026.

Informações detalhadas nos editais.

Em caso de dúvidas, entrem em contato com o serviço de pós-graduação do IFSC (svposgrad@ifsc.usp.br).

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de agosto de 2026

Dia 20 de agosto – “Visita Monitorada” ao Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP)

O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) realiza no próximo dia 20 de agosto, a partir das 14h00, uma “Visita Monitorada” aberta a todos os interessados – estudantes do Ensino Médio (todos os anos), Curso Pré-Vestibular, Educadores e/ou acompanhantes -, com um roteiro abrangente.

O programa está organizado da seguinte forma:

14h00 às 14h10 – Acolhimento das famílias e visitantes no Auditório Sérgio Mascarenhas (prédio IFSC/USP – Campus 1);

14h10 – Apresentação do Instituto de Física de São Carlos:
Boas-vindas – Diretor Prof. Dr. Adriano Andricopulo;

Apresentação dos cursos:

Curso Bacharelado em Física – Prof. Dr. José Fábian Schneider;
Curso Bacharelado em Física Biomolecular – Prof. Dr. André Ambrósio;
Curso Bacharelado em Física Computacional – Prof. Dr. Gonzalo Travieso;

15h10 – Comissão de Cultura e Extensão – Profa. Dra. Ilana Camargo e/ou Guilherme Sipahi;

15h25 – Visita às instalações da Biblioteca no prédio do IFSC/USP;

15h45 – Caminhada pelos prédios de pesquisa para uma visita à área de salas de aula no IFSC/USP no Campus 1. Em seguida, haverá uma visita ao Laboratório Avançado de Física, com acompanhamento a cargo do Prof. Euclydes Marrega Júnior, e a demonstração do Show da Física com Cláudio Bretas, com término previsto, no máximo, às 17h00.

Uma iniciativa da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU/USP)

Esta é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU/USP), sendo que as “Visitas Monitoradas” são realizadas nas unidades de ensino, museus e órgãos de integração e apoio da Universidade de São Paulo (USP) e são direcionadas aos estudantes do Ensino Médio e dos Cursos Pré-Vestibulares que estão em processo de escolha de carreira para ingresso no ensino superior.

A partir desse ano as inscrições serão individuais, cada estudante deverá realizar a sua. As instituições de ensino deverão orientar os seus estudantes a acessarem o site e realizarem a inscrição na visita monitorada do interesse dos mesmos.

A duração média de uma visita monitorada é de 3 horas, podendo variar de acordo com a Faculdade/Instituto/Órgão/Museu.

Os interessados em visitar o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) no próximo dia 20 de agosto deverão se inscrever antecipadamente pelo link (AQUI).

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de agosto de 2026

Inscrições – Edital PRPG nº 08/2026 (PDSE) – Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior

A Comissão de Pós-Graduação do IFSC/USP informa que a PRPG da USP publicou o Edital de seleção de candidaturas para o Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), com saídas para os meses de março, abril ou setembro, outubro de 2027.

Os(As) doutorandos(as) interessado(a)s devem realizar a leitura atenta e completa das Orientações da CPG, do Edital PRPG nº 08/2026 (PDSE), disponíveis no endereço www.ifsc.usp.br/posgraduacao na aba Processo Seletivo.

As inscrições deverão ser realizadas até às 17:00 h do dia 21/08/2026, impreterivelmente.

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de agosto de 2026

Da dúvida sobre as ciências exatas à carreira internacional em Física Biomolecular – A nova geração de docentes do IFSC/USP

A Profª Paula Lins estava convencida de que faria Faculdade de Moda. A Física estava fora de seus planos

Professora do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), pesquisadora conta como descobriu sua vocação e construiu uma trajetória internacional, apostando agora em pesquisas com vesículas extracelulares e medicina regenerativa.

Nem sempre Paula Lins imaginou que seguiria carreira nas ciências exatas. Durante o ensino médio, acreditava que seu futuro estaria no universo da moda. Bastou, porém, uma conversa com seu professor de Física para que sua trajetória mudasse completamente.

Nesta entrevista, a nova docente do IFSC-USP relembra os momentos decisivos de sua formação, fala sobre a experiência acadêmica na Escócia e na Bélgica, explica como surgiu seu interesse pelas vesículas extracelulares e revela os desafios de iniciar a carreira como professora universitária.

Pensava que não tinha dom para as ciências exatas

Seu interesse pela área da Física Como começou de maneira inesperada. No primeiro ano do A Profª ensino médio a jovem Paula Maria Pincela Lins acreditava que não tinha qualquer aptidão para as ciências exatas e estava convencida de que faria Faculdade de Moda. “Sempre me via mais ligada às ciências humanas, mas tudo mudou quando um professor de Física perguntou qual profissão eu pretendia seguir. Ao ouvir minha resposta, ele disse que eu havia acertado todas as questões da prova e que demonstrava grande facilidade para Física e Matemática. Foi a primeira vez que alguém me fez enxergar esse potencial”, recorda a jovem docente.

A partir dali, começou a perceber que realmente tinha afinidade com as ciências exatas, especialmente por Biologia, que passou a ser sua paixão, algo que descobriu no curso de Ciências Físicas e Biomoleculares, tendo encontrado exatamente o que procurava, ou seja, uma formação capaz de integrar essas duas áreas.

Natural de Santos, Paula Lins fez todo o ensino básico nessa cidade do litoral paulista, sendo que quando chegou a hora do vestibular procurou avidamente um curso que reunisse Física e Biologia. “Na época, o curso de Ciências Físicas e Biomoleculares oferecido pelo Instituto de Física de São Carlos era praticamente único nessa proposta interdisciplinar. Fiz vestibular para outras instituições, mas, quando conheci o IFSC/USP, fiquei impressionada com sua infraestrutura e com a proposta acadêmica e a escolha acabou sendo muito natural”, pontua Paula Lins.

A internacionalização começou ainda na graduação

Ampliando sua visão sobre Biofísica

Desde o segundo ano da graduação, Paula Lins já sabia que queria seguir carreira acadêmica. Procurou uma iniciação científica com o Coordenador do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano) do IFSC/USP, Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, obtive uma bolsa da FAPESP e passou a construir sua formação pensando também na internacionalização. “De fato, participei do programa “Ciência sem Fronteiras” e fui para a Universidade de Glasgow, na Escócia, onde cursei disciplinas do bacharelado em Física, incluindo Mecânica Quântica. Além das atividades acadêmicas, realizei estágio em um grupo de pesquisa voltado para síntese de nanomateriais. Enquanto meu trabalho no Brasil investigava a interação entre nanomateriais e biointerfaces, essa experiência internacional ampliou minha visão sobre Biofísica e técnicas, como, por exemplo, ressonância magnética.

Ao retornar ao Brasil, Paula Lins ingressou no mestrado em Física Aplicada, novamente sob orientação do Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, e ambos decidiram iniciar uma linha de pesquisa envolvendo vesículas extracelulares, tema ainda pouco explorado no grupo e que apresentava desafios, principalmente relacionados aos métodos de extração e obtenção dessas estruturas em alta concentração. A pesquisa cresceu muito, ganhou novos objetivos e acabou sendo transformada em um doutorado direto na área de Física Aplicada, em 2017, ampliando significativamente o alcance dos estudos.

A jovem Paula Lins sentia que ainda precisava fortalecer sua experiência internacional, mas a pandemia interrompeu alguns planos durante o doutorado, inclusive com o cancelamento de uma bolsa. “Mais tarde, já no caminho do seu pós-doutorado, fui aprovada em um projeto desenvolvido em parceria entre uma universidade e uma empresa da região flamenga, na Bélgica. O trabalho envolvia pesquisas relacionadas à extração de vesículas extracelulares com aplicações em medicina regenerativa. Acredito que minha formação interdisciplinar foi um dos fatores decisivos para essa aprovação. Durante o pós-doutorado tive contato com uma visão bastante aplicada da pesquisa científica, onde desde o início era necessário pensar não apenas na ciência básica, mas também na possibilidade de transformar o conhecimento em produtos e tecnologias”, destaca a docente.

O que representou regressar ao IFSC/USP

Para a docente, foi uma grande satisfação retornar ao lugar onde foi formada, tendo assumido suas funções como docente do Instituto no passado mês de julho do corrente ano. “O que mais desejo é contribuir principalmente para o desenvolvimento das pesquisas com vesículas extracelulares e medicina regenerativa. Vejo uma grande oportunidade de complementar os estudos já realizados pelo Prof. Dr. Valtencir Zucolotto na área de nanomateriais sintéticos, ampliando as possibilidades de pesquisa interdisciplinar dentro do Instituto. Por outro lado, também gostaria de trazer para o IFSC/USP essa visão de inovação que adquiri durante meu pós-doutorado, aproximando cada vez mais a pesquisa fundamental de aplicações concretas para a sociedade”, sublinha a Profª Paula Lins, acrescentando que “Ainda me sinto um pouco aluna e um pouco professora”.

“Estou revisitando conteúdos, estudando constantemente e aprendendo muito com os próprios estudantes”

Para ela, o início da carreira docente é um momento de muito aprendizado. “Gosto muito da Física e da oportunidade de contribuir para a formação de novos pesquisadores. Ao mesmo tempo, percebo que ensinar também significa continuar aprendendo. Estou revisitando conteúdos, estudando constantemente e aprendendo muito com os próprios estudantes. Essa troca é extremamente enriquecedora e faz parte do processo de construção da minha identidade como docente”, conclui a docente.

Atualmente, a Profª Drª Paula Lins integra o corpo docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), onde desenvolve pesquisas em Nanotecnologia.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de agosto de 2026

Produção científica do IFSC/USP no mês de julho de 2026

Para ter acesso às atualizações da Produção Científica do IFSC/USP cadastradas no mês de julho de 2026, clique AQUI, ou acesse o Repositório da Produção USP (AQUI).

As atualizações também podem ser conferidas no Totem “Conecta Biblio”, em frente à Biblioteca.

A figura ilustrativa foi extraída do artigo publicado recentemente, por pesquisador do IFSC/USP, no periódico “Nature Communications” (VER AQUI)

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de agosto de 2026

Desenvolvido por pesquisadores do Brasil e Espanha – Sensor de papel biodegradável promete revolucionar o monitoramento da poluição do ar

(a) Ilustração esquemática da metodologia utilizada para produzir papéis de rGO; (b) Papel de rGO e sensor de papel de rGO, e (c) Ilustração esquemática do sistema de gás (Créditos – “Flexible and biodegradable paper-based reduced graphene oxide sensor for room-temperature NO₂ detection” – Microchemical Journal) 

Um grupo de pesquisadores do Brasil – IFSC/USP e UNICAMP – e da Espanha desenvolveu um sensor de papel flexível, biodegradável e de baixo custo capaz de detectar dióxido de nitrogênio (NO₂), um dos principais poluentes presentes no ar das grandes cidades. A inovação poderá facilitar o monitoramento da qualidade do ar sem gerar o volume de resíduos eletrônicos produzido pelos sensores convencionais.

O dióxido de nitrogênio é liberado principalmente por veículos, indústrias e usinas termoelétricas. A exposição prolongada ao gás está associada ao agravamento de doenças respiratórias e contribui para a formação de poluição fotoquímica nas áreas urbanas. Por isso, encontrar maneiras simples e econômicas de medir sua concentração tornou-se uma prioridade para pesquisadores em todo o mundo.

Para enfrentar esse desafio, a equipe criou um pequeno sensor com papel de celulose impregnado com uma camada de grafeno reduzido, um material derivado do grafeno que conduz eletricidade e reage quando entra em contato com o dióxido de nitrogênio. O processo de fabricação é simples, dispensando equipamentos sofisticados e permitindo produção em larga escala.

Os testes mostraram que a combinação ideal foi obtida com uma concentração específica do material e 20 etapas de impregnação do papel. Nessa configuração, o sensor apresentou elevada sensibilidade para detectar baixas concentrações de dióxido de nitrogênio, operando à temperatura ambiente, sem necessidade de aquecimento nem de alto consumo de energia.

Outra vantagem observada pelos pesquisadores foi a seletividade do dispositivo. Durante os experimentos, o sensor respondeu principalmente ao dióxido de nitrogênio, apresentando pouca interferência de outros gases normalmente presentes na atmosfera, como monóxido de carbono, amônia, sulfeto de hidrogênio e ozônio. Também manteve desempenho estável durante quase um mês de testes e produziu resultados semelhantes quando diferentes unidades foram fabricadas pelo mesmo método.

O equipamento também demonstrou resistência mecânica. Mesmo submetido a repetidas flexões, continuou funcionando normalmente, característica importante para aplicações em dispositivos portáteis e vestíveis. Além disso, os pesquisadores verificaram que a umidade aumenta a capacidade do sensor de detectar o gás, tornando-o especialmente adequado para uso em ambientes externos, onde a umidade do ar varia naturalmente.

Um dos aspectos mais inovadores do estudo é o compromisso com a sustentabilidade. Diferentemente dos sensores eletrônicos convencionais, que geram lixo eletrônico de difícil descarte, o novo dispositivo é produzido sobre papel e se degrada rapidamente quando descartado em água, sem deixar resíduos nocivos. Essa característica pode reduzir significativamente o impacto ambiental de redes de monitoramento compostas por milhares de sensores descartáveis.

Prof. Dr. Valmor Mastelaro (IFSC/USP)

Segundo os autores, o objetivo da pesquisa não foi criar o sensor mais sensível já desenvolvido, mas sim encontrar um equilíbrio entre desempenho, baixo custo, flexibilidade e respeito ao meio ambiente. O resultado demonstra que é possível desenvolver dispositivos eficientes para monitorar a qualidade do ar, utilizando materiais simples, biodegradáveis e de fácil fabricação.

A expectativa é de que essa tecnologia encontre espaço em uma ampla variedade de aplicações nos próximos anos. Em cidades inteligentes, por exemplo, sensores biodegradáveis poderão ser instalados em postes, semáforos, estações de transporte público e áreas de grande circulação para formar uma rede capaz de monitorar, em tempo real, a qualidade do ar.

Também poderão ser incorporados a equipamentos portáteis e até a dispositivos vestíveis, permitindo que pessoas com doenças respiratórias, como asma e bronquite, acompanhem os níveis de poluição nos locais por onde circulam.

Na área da saúde pública, essas informações poderão auxiliar as autoridades na emissão de alertas em dias de maior concentração de poluentes e na elaboração de políticas ambientais mais eficazes.

Ao combinar baixo custo, facilidade de fabricação e rápida degradação após o descarte, o novo sensor representa um passo importante rumo a soluções tecnológicas que conciliam inovação, proteção da saúde e redução do impacto ambiental causado pelo lixo eletrônico.

O dióxido de nitrogênio (NO₂) é um gás de cor castanho-avermelhada, de odor forte e irritante, formado por um átomo de nitrogênio e dois de oxigênio. É um dos principais poluentes atmosféricos e pode causar danos à saúde humana e ao meio ambiente.

 

O NO₂ é gerado principalmente durante processos de combustão em altas temperaturas, como:

*Motores de automóveis, caminhões e ônibus;

*Usinas termoelétricas;

*Indústrias e caldeiras;

*Queimadas e incêndios florestais;

*Fogões e aquecedores a gás, especialmente em ambientes mal ventilados;

Efeitos na saúde

A exposição ao dióxido de nitrogênio pode provocar:

*Irritação dos olhos, nariz e garganta;

*Tosse e dificuldade para respirar;

*Agravamento da asma e da bronquite;

*Redução da função pulmonar;

*Maior suscetibilidade a infecções respiratórias;

Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias são os grupos mais vulneráveis.

Impactos ambientais

O NO₂ contribui para a formação do ozônio troposférico (smog fotoquímico), chuva ácida, formação de partículas finas (PM₂,₅), que também afetam a saúde e danos à vegetação e aos ecossistemas.

Confira AQUI o artigo original desta pesquisa liderada pelo docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Valmor Mastelaro, publicado na revista internacional “Microchemical Journal”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de agosto de 2026

Descoberta revela como as células controlam nutriente essencial – Caminho aberto para novos tratamentos

Visão geral esquemática do metabolismo da glutamina e da glicose, destacando a filamentação e a regulação enzimáticas – (Créditos – Biochemical Society Transactions”)

Uma descoberta na área da biologia celular está lançando nova luz sobre a maneira como as células administram um dos nutrientes mais importantes para sua sobrevivência: a glutamina. Presente naturalmente no organismo e obtida também por meio da alimentação, ela é indispensável para a produção de energia, a renovação dos tecidos, o fortalecimento do sistema imunológico e a recuperação do organismo após lesões ou infecções. Também exerce um papel importante no crescimento de células cancerígenas.

Em uma revisão publicada na revista Biochemical Society Transactions, pesquisadores reuniram evidências de que algumas proteínas responsáveis por utilizar a glutamina conseguem mudar de comportamento quando a célula enfrenta situações de estresse, como escassez de nutrientes ou alterações no metabolismo.

Em vez de permanecerem dispersas, essas proteínas podem se agrupar e formar longas estruturas temporárias, semelhantes a pequenos filamentos. O que os pesquisadores descobriram foi que os filamentos reorganizam as mitocôndrias, como se representassem um ganho de função, protegendo-as de um fenômeno de reciclagem de organelas que as células lançam mão quando tem pouco nutrientes (mitofagia).

Os pesquisadores verificaram que esse comportamento não ocorre apenas em uma proteína específica. Diversas proteínas ligadas ao aproveitamento da glutamina apresentam capacidade semelhante, sugerindo que esse seja um mecanismo amplamente utilizado pelas células para manter o equilíbrio do organismo.

A descoberta pode trazer benefícios importantes para a saúde humana. Ao compreender melhor como as células regulam o uso da glutamina, os cientistas poderão desenvolver medicamentos capazes de atuar com maior precisão sobre esse processo.

Na área da oncologia, por exemplo, o conhecimento poderá contribuir para criar terapias que reduzam o fornecimento de glutamina às células tumorais, dificultando seu crescimento e sua multiplicação, ao mesmo tempo em que preservam o funcionamento das células saudáveis. Essa abordagem pode resultar em tratamentos mais eficazes e com menor risco de efeitos colaterais.

Os resultados também podem beneficiar pacientes com doenças inflamatórias, autoimunes e metabólicas. Como a glutamina participa da resposta imunológica e da recuperação dos tecidos, compreender seus mecanismos de controle poderá favorecer o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para acelerar a cicatrização, melhorar a recuperação após cirurgias, fortalecer pacientes em tratamento intensivo e reduzir complicações decorrentes de doenças crônicas.

Base estrutural para a filamentação da glutaminase (Créditos “Biochemical Society Transactions”)

Outro campo que poderá ser beneficiado é o das doenças neurodegenerativas. Alterações no metabolismo celular estão associadas a enfermidades como Alzheimer, Parkinson e esclerose lateral amiotrófica (ELA). Embora ainda sejam necessárias novas pesquisas, entender como as células controlam esse nutriente poderá revelar novos alvos para tratamentos capazes de proteger os neurônios e retardar a progressão dessas doenças.

Os pesquisadores ressaltam que muitas perguntas ainda permanecem sem resposta. Em alguns casos, a formação dos filamentos parece reduzir a atividade das proteínas; em outros, pode protegê-las ou até favorecer seu funcionamento. Esclarecer essas diferenças será uma das próximas etapas da pesquisa.

Apesar de os resultados ainda pertencerem à pesquisa básica, eles representam um avanço importante na compreensão do funcionamento das células. A descoberta demonstra que elas não regulam seu metabolismo apenas por sinais químicos, mas também reorganizando fisicamente suas próprias proteínas para responder de forma rápida e eficiente às necessidades do organismo.

Se esse conhecimento for confirmado por novos estudos, poderá servir de base para uma nova geração de medicamentos voltados ao tratamento do câncer, de doenças metabólicas, inflamatórias e neurodegenerativas, beneficiando milhões de pessoas nas próximas décadas.

A revisão publicada na revista Biochemical Society Transactions tem como pesquisadora correspondente a Drª Sandra Martha Gomes Dias, do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), com a participação do docente do IFSC/USP, Prof. Dr. André Luís Berteli Ambrosio.

Confira AQUI o original do estudo publicado.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

6 de agosto de 2026

Nova iluminação valoriza prédio histórico do CDCC-USP – Um novo cartão-postal de São Carlos

O edifício que abriga o Centro de Divulgação Científica e Cultural da Universidade de São Paulo (CDCC), localizado no centro de São Carlos, ganhou uma nova iluminação cênica que valoriza sua arquitetura histórica e reforça sua posição como um dos principais símbolos culturais e científicos da cidade.

Construído em 1908 para sediar a antiga Società Dante Alighieri, entidade criada por imigrantes italianos, o prédio representa um importante marco da imigração italiana em São Carlos e testemunha um período de grande desenvolvimento urbano impulsionado pela economia cafeeira e pela chegada da ferrovia. Em 1953 o prédio foi cedido para uso da Universidade de São Paulo, com a instalação ali da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). A EESC e posteriormente o antigo IFQSC (Instituto de Física e Química de São Carlos) usaram as instalações do prédio para seus laboratórios e oferecimento de aulas até 1979, quando deram lugar ao CDCC, que iniciou suas atividades em 1980.

Reconhecido pelo seu valor histórico e arquitetônico, o imóvel é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) e integra o conjunto de bens de interesse cultural do município.

Com características marcantes do estilo eclético, predominante nas cidades paulistas do início do século XX, o edifício preserva elementos ornamentais inspirados na arquitetura europeia, refletindo a identidade cultural trazida pelos imigrantes italianos. Embora tenha recebido um segundo pavimento em 1922, a construção manteve a harmonia estética original.

Iluminação destaca patrimônio e fortalece a identidade da cidade

A nova iluminação foi inaugurada durante as comemorações dos 46 anos do CDCC e dos 40 anos do “Observatório Dietrich Schiel” no último mês de maio, com a presença de inúmeros convidados que foram recepcionados pelo diretor e vice-diretora da unidade, Profs. Fernando Fernandes Paiva e Fernanda Canduri. Muito mais do que um recurso estético, o projeto luminotécnico evidencia os detalhes arquitetônicos da construção e amplia a visibilidade de um dos mais importantes patrimônios históricos de São Carlos.

A iniciativa também fortalece a vocação do CDCC como espaço dedicado à ciência, à educação e à cultura, aproximando ainda mais a universidade da população.

Entre os principais benefícios do projeto está a valorização do patrimônio histórico, com destaque para os elementos arquitetônicos que ajudam a preservar a memória da imigração italiana e reforçam a identidade cultural do município.

Outro impacto esperado é o fortalecimento do turismo cultural e científico. A iluminação transforma o edifício em um novo ponto de referência da paisagem urbana durante o período noturno, estimulando visitas, atividades culturais e maior circulação de pessoas na região central.

A revitalização do centro histórico também figura entre os resultados da iniciativa. Ambientes públicos mais iluminados favorecem a ocupação dos espaços pela população, ampliam a sensação de segurança, movimentam o comércio local e incentivam a convivência social.

Além disso, a nova iluminação amplia a presença institucional do CDCC, reforçando sua missão de promover o acesso da sociedade ao conhecimento científico e às atividades culturais desenvolvidas pela Universidade de São Paulo.

O resultado é uma intervenção que alia preservação histórica, desenvolvimento urbano, turismo, cultura e ciência, fortalecendo a imagem de São Carlos como uma cidade comprometida com o conhecimento e a inovação.

Projeto mobilizou diferentes setores da USP

A implantação da nova iluminação foi resultado de um trabalho iniciado ainda na gestão da professora Salete Linhares Queiroz, quando surgiu a proposta de modernizar os sistemas de iluminação interna e externa do edifício. A demanda partiu de José Braz Mania, responsável pelo setor de audiovisual do CDCC.

Na gestão da professora Nelma Regina Segnini Bossolan , o projeto passou a ser tratado como prioridade, dando início às articulações necessárias para sua viabilização.

Um passo decisivo ocorreu em 2024, durante visita do então chefe de gabinete da Reitoria da USP, professor Arlindo Philippi Jr., que destacou junto à Coordenadoria de Administração Geral (CODAGE) a importância da iniciativa para a preservação do patrimônio da Universidade. O apoio foi fundamental para que, no início de 2025, a obra recebesse autorização e recursos para sua execução, totalizando cerca de R$300 mil.

O projeto contou com a imprescindível atuação de diversos profissionais. Destacam-se Giovanna Tostes, responsável pelos processos administrativos de contratação; Reginaldo dos Santos, técnico de manutenção do CDCC; o engenheiro Rogério Bastos, da Prefeitura do Campus USP de São Carlos; o arquiteto Roberto Blume, autor do projeto arquitetônico; o engenheiro eletricista Edgar Arana, responsável pelo projeto elétrico, bem como o eletricista responsável por toda a instalação, Erik Cesar da Silva; a empresa Fragalli Engenharia, representada pelos engenheiros Silvio e Miguel Fragalli, encarregada da execução da obra, e Rogério Bastos e Reginaldo, responsáveis pela fiscalização da obra.

Reginaldo Roberto dos Santos (Técnico de Manutenção de Obras do CDCC); Giovanna D’Agostini dos Santos (Chefe de Serviço Administrativo do CDCC); Profª Drª Nelma Regina Signini Bossolan (Ex-Diretora do CDCC); José Braz Mania (Responsável pelo Setor de Audiovisual do CDCC)

A nova identidade visual reforça a presença da Universidade de São Paulo junto à sociedade. Ao transformar um prédio centenário em um marco luminoso da cidade, a USP evidencia seu compromisso não apenas com a produção do conhecimento, mas também com a preservação da memória, da cultura e da história de São Carlos.

Outro aspecto relevante é a versatilidade do sistema de iluminação, que permitirá ao edifício assumir diferentes configurações cromáticas em datas comemorativas e campanhas de conscientização. Em ocasiões como o Natal, o aniversário de São Carlos ou campanhas de saúde pública, como o “Outubro Rosa” e o “Novembro Azul”, a fachada poderá ganhar novas cores, tornando-se um instrumento de comunicação visual capaz de sensibilizar a população e fortalecer o vínculo entre a universidade e a comunidade.

Assim, a nova iluminação transcende sua função estética, representando um investimento na valorização do patrimônio histórico, na qualificação do espaço urbano e na aproximação entre ciência, cultura e sociedade.

Ao iluminar um dos seus edifícios mais emblemáticos, São Carlos ganha não apenas uma fachada renovada, mas um novo símbolo de sua história e de sua vocação para o conhecimento.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

5 de agosto de 2026

Quando a Biblioteca se torna um lar – A história de Maria Helena Di Francisco com mais de cinco décadas dedicadas à USP

O Vice-Diretor do IFSC/USP, Prof. Dr. Luis Gustavo Marcassa; Ana Mara do Prado, Chefe Técnica do Serviço de Biblioteca e Informação do IFSC/USP; Maria Hela Di Francisco; e o Diretor do IFSC/USP, Prof. Dr. Adriano Defini Andricopulo

Há pessoas que passam por uma instituição. Outras deixam nela a marca da própria existência. Maria Helena Di Francisco pertence, sem dúvida, a esse segundo grupo.

Após mais de cinquenta anos de dedicação à Universidade de São Paulo (USP), a bibliotecária encerrou, no dia 31 de julho, uma trajetória rara, construída com discrição, competência e um profundo compromisso humano. O que começou em 1975, como um estágio na antiga Biblioteca do IFQSC-DFCM, transformou-se em uma história de vida inseparável da Biblioteca do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).

Formada em Biblioteconomia em 1976, Maria Helena assumiu oficialmente a função de bibliotecária e, em 1979, recebeu a missão de dirigir a Biblioteca, responsabilidade exercida durante 33 anos. Mais do que administrar um setor, ela ajudou a construir um espaço onde conhecimento e acolhimento sempre caminharam lado a lado. Para milhares de estudantes, pesquisadores, professores e servidores, a Biblioteca tornou-se um lugar de aprendizado, confiança e inspiração — muito em razão de sua presença serena e generosa.

Ao longo de cinco décadas, testemunhou profundas transformações na universidade. Viu os antigos catálogos de fichas darem lugar aos sistemas digitais, acompanhou o crescimento da produção científica e incorporou novas tecnologias sem jamais perder de vista aquilo que sempre considerou essencial: as pessoas.

Ana Mara do Prado, Chefe Técnica do Serviço de Biblioteca e Informação do IFSC/USP, Maria Helena Di Francisco e a Secretária da Diretoria do IFSC/USP, Claudia Tofaneli

Quem teve o privilégio de conviver com Maria Helena sabe que seu maior legado não pode ser medido por relatórios, números ou indicadores. Ele está na paciência com que orientava um estudante em sua primeira pesquisa, na palavra de incentivo oferecida a um colega, na serenidade diante das dificuldades e na capacidade de formar equipes unidas pelo respeito, pela ética e pela busca da excelência.

Esse trabalho encontrou reconhecimento institucional em 2008, quando a Biblioteca conquistou o Prêmio Paulista da Qualidade em Gestão (PPQG). Embora fruto de um esforço coletivo, a conquista refletiu uma liderança que inspirava pelo exemplo e que soube transformar desafios em oportunidades de crescimento.

Entretanto, talvez nenhuma homenagem seja tão significativa quanto as palavras da própria Maria Helena: “A Biblioteca tem sido meu segundo lar durante todos esses anos.”

Essa simples frase revela uma verdade que dispensa explicações. Quando uma vida inteira é dedicada ao mesmo lugar, a instituição deixa de ser apenas um ambiente de trabalho. Ela passa a fazer parte da própria identidade. Seus corredores tornam-se testemunhas de amizades, conquistas silenciosas, desafios superados e incontáveis histórias compartilhadas.

Para seus colegas, Maria Helena nunca foi apenas uma diretora ou uma bibliotecária. Foi uma referência humana. Uma presença constante, acolhedora e inspiradora, capaz de ensinar sem impor, liderar sem autoritarismo e incentivar pelo exemplo. Sua atuação ajudou a formar gerações de profissionais e consolidou a Biblioteca do IFSC/USP como um espaço de excelência acadêmica e, sobretudo, de humanidade.

Em uma reunião especialmente marcada pela emoção, o Diretor e o Vice-Diretor do IFSC/USP, professores Adriano Defini Andricopulo e Luís Gustavo Marcassa, entregaram-lhe uma carta de agradecimento em nome de toda a comunidade acadêmica. Nela, expressaram o desejo de que esta nova etapa seja repleta de serenidade, saúde, convivência com a família e os amigos, novos projetos e sonhos finalmente realizados.

O Diretor do IFSC/USP, Prof. Dr. Adriano Defini Andricopulo e Maria Helena Di Francisco

A Direção do Instituto registrou sua profunda gratidão por uma contribuição que ultrapassa o âmbito profissional. Seu trabalho ajudou a construir uma instituição mais forte, mais acolhedora e mais comprometida com a excelência. Seu legado permanecerá vivo nas pessoas que formou, nas amizades que cultivou e nos valores que transmitiu.

Maria Helena encerra, assim, um importante capítulo de sua caminhada. Mas histórias como a sua não terminam com a aposentadoria. Continuam presentes na memória daqueles que tiveram o privilégio de compartilhar sua convivência, nos ensinamentos que permanecerão vivos e na inspiração que continuará guiando novas gerações.

A rotina da Biblioteca seguirá seu curso, como sempre acontece. No entanto, algumas presenças jamais se despedem por completo. Permanecem nos gestos, nos exemplos, nas lembranças e no afeto daqueles que aprenderam que o verdadeiro valor de uma instituição está nas pessoas que lhe dedicam o melhor de si.

Porque algumas pessoas trabalham em uma biblioteca durante muitos anos.

Outras tornam-se parte inseparável de sua própria história.

Maria Helena Di Francisco é, para sempre, uma delas.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

4 de agosto de 2026

“Tardes de Férias” do CDCC/USP – Iniciativa reuniu ciência e diversão para todas as idades

As férias escolares representam um período de descanso, mas também uma oportunidade para descobrir novos conhecimentos, desenvolver a criatividade e vivenciar experiências inesquecíveis.

É exatamente essa a proposta das tradicionais “Tardes de Férias” do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, iniciativa que ao longo das décadas se consolidou como uma das mais importantes ações de divulgação científica voltadas ao público infantojuvenil, aproximando crianças, jovens e suas famílias do fascinante universo da ciência.

Muito além de preencher o tempo livre durante o recesso escolar, as “Tardes de Férias” transformam o aprendizado em uma experiência prazerosa e envolvente. Este ano, durante a semana entre os dias 20 e 24 de julho, o CDCC, juntamente com o Espaço Interativo de Ciências (EIC),  órgão que faz parte das atividades do projeto de pesquisa inovação e difusão do conhecimento – Educação e Difusão Científica do Centro de Pesquisa e Inovação Especial em Ciências da Descoberta de Medicamentos (CEPIMED).

A programação reuniu atividades elaboradas pelos diversos setores do CDCC e do EIC, abrangendo áreas como Biologia, Física, Química, Matemática, Astronomia e Educação Ambiental. Oficinas, experimentos, jogos educativos, desafios científicos, visitas monitoradas, brincadeiras e atividades interativas estimulam a observação, a investigação e o pensamento crítico. Em cada experiência, as crianças são incentivadas a formular perguntas, levantar hipóteses, testar ideias e construir respostas por meio da experimentação, desenvolvendo uma relação natural e prazerosa com o conhecimento científico.

Público encantado com a iniciativa

Famílias inteiras participaram dos cinco dias desta iniciativa, contribuindo para o colorido e movimentação dos mais novos nos espaços do CDCC.

Alana, moradora em São Carlos, levou, com a ajuda de sua sogra, seu filho Henrique e o sobrinho Vinicius para conhecerem o espaço e todas as experiências que estavam sendo oferecidas na iniciativa. “Estamos aqui já faz duas horas (risos) e os garotos ainda não pararam. Já participaram de experiências na área de química e tenho a certeza de que aprenderam bastante, e agora estamos aqui no espaço externo, onde eles estão brincando, conhecendo novos amigos e adquirindo novas experiências com os materiais aqui expostos. Tem sido fantástico”, sublinhou Alana.

Danilo, também morador em São Carlos, não conhecia a iniciativa e nunca tinha visitado o CDCC. Acompanhado por sua esposa Juliane e por seu filho Davi e por sua filha com oito meses, confessou ter ficado surpreendido com tudo o que encontrou no espaço. “Meu filho está adorando, é um espaço muito interessante e acima de tudo importante. Hoje em dia a criançada fica grudada no celular e um ambiente assim oferece outro atrativo, ajuda a criança a “desconectar” e, claro, educa e promove interação entre as pessoas”, destaca o visitante.

Leonardo veio da cidade de Rio Claro para uma consulta em São Carlos e não resistiu em participar nas “Tardes de Férias” do CDCC. “Minha esposa já conhecia esta iniciativa e aproveitou para me “arrastar” até aqui, junto com meu filho Levi e minha filha Elenice, para nos apresentar a iniciativa. Eles estão muito felizes e entusiasmados com esta iniciativa. Muito legal, mesmo”, pontua Leonardo.

O grande trabalho dos monitores

Um pouco por todos os espaços os monitores marcaram presença, ajudando os visitantes

Entretanto, um dos maiores diferenciais das “Tardes de Férias” está na atuação dos monitores, que desempenham um papel essencial na qualidade e no sucesso das atividades. Com entusiasmo, dedicação e sensibilidade pedagógica, eles transformam conceitos científicos em experiências acessíveis, despertando a curiosidade e incentivando a participação ativa de cada criança. Mais do que orientar oficinas ou acompanhar experimentos, os monitores acolhem os participantes, estimulam o diálogo, respondem às perguntas, incentivam novas descobertas e criam um ambiente de confiança, onde aprender torna-se uma aventura divertida.

Grande parte desses monitores é formada por estudantes universitários que encontram nas “Tardes de Férias” uma valiosa oportunidade de colocar em prática seus conhecimentos e desenvolver habilidades de comunicação, ensino e extensão universitária. Essa convivência aproxima a universidade da comunidade, fortalece a formação acadêmica dos futuros profissionais e evidencia o compromisso da USP com a democratização do conhecimento científico. A linguagem simples, a paciência e o entusiasmo dos monitores fazem com que cada atividade seja muito mais do que uma demonstração científica: ela se transforma em uma experiência marcante, capaz de despertar vocações e inspirar novos olhares sobre a ciência.

Outro mérito do programa é tornar a ciência verdadeiramente acessível. Em vez de fórmulas complexas ou explicações excessivamente técnicas, os participantes vivenciam situações concretas que demonstram como os fenômenos científicos estão presentes no cotidiano. Essa abordagem favorece a compreensão, estimula o raciocínio crítico e contribui para formar cidadãos mais curiosos, conscientes e preparados para compreender o mundo à sua volta.

Uma inquestionável função social e um orgulho para a organização

Um dos espaços do EIC

As “Tardes de Férias” também exercem uma importante função social. Ao reunir crianças de diferentes escolas, bairros e contextos sociais, promovem integração, convivência e troca de experiências, fortalecendo valores como respeito, cooperação e trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, as famílias passam a conhecer melhor o CDCC e descobrem espaços permanentes de educação, cultura e divulgação científica, que permanecem abertos à comunidade, oferecendo exposições, oficinas, cineclube, observações astronômicas e diversas atividades educativas.

Em uma sociedade marcada pelo rápido fluxo de informações e pela necessidade crescente de desenvolver o pensamento crítico, iniciativas como as “Tardes de Férias” tornam-se cada vez mais relevantes. Elas despertam o interesse pela pesquisa, incentivam a criatividade, aproximam crianças e jovens do método científico e demonstram que aprender pode ser uma experiência divertida, participativa e transformadora.

Ao completar décadas de atuação na divulgação científica, o CDCC reafirma sua missão de aproximar a universidade da sociedade por meio do conhecimento.

As “Tardes de Férias” representam muito mais do que um evento recreativo: constituem um espaço de descoberta, convivência e inspiração, onde cada atividade, cada experimento e cada conversa com os monitores pode despertar uma paixão permanente pela ciência.

Afinal, uma única tarde de descobertas pode ser o primeiro passo para formar futuros pesquisadores, professores, engenheiros, médicos ou, simplesmente, cidadãos mais curiosos, críticos e comprometidos com a construção de uma sociedade baseada no conhecimento.

Prof. Dr. Fernando Fernandes Paiva – “O sucesso das “Tardes de Férias” é resultado do trabalho coletivo de toda equipe do CDCC e do compromisso de cada um em proporcionar experiências significativas ao público”

Para o diretor do CDCC, Prof. Dr. Fernando Fernandes Paiva, a realização de mais uma edição das “Tardes de Férias” reafirma o papel do CDCC como um espaço de encontro entre a ciência, a cultura e a comunidade, tendo sido bastante gratificante ver o prédio do CDCC e o “Observatório Dietrich Schiel” receberem centenas de crianças, jovens e famílias, todos motivados pela curiosidade e pela vontade de aprender de forma divertida.

“Ao longo das atividades, percebemos o entusiasmo dos participantes em oficinas, experimentos, jogos, exposições e demais ações preparadas por nossa equipe.  Cada interação reforçou a importância da divulgação científica como instrumento de formação, inclusão e aproximação da sociedade com a Universidade”, conclui o docente.

Por fim, sublinhamos que o CDCC atendeu ao longo da semana 1.466 visitantes, o que comprova o êxito alcançado com a iniciativa.

Clique AQUI para acessar o álbum de fotos relativo a esta bonita iniciativa.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

3 de agosto de 2026

Prof. Dr. Antonio Carlos Hernandes é eleito presidente da diretoria da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP)

O docente e pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Dr. Antonio Carlos Hernandes, foi eleito presidente da diretoria da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP) para o próximo triênio, substituindo, no cargo, o Prof. Dr. Adriano Defini Andricopulo, que finaliza seu mandato.

A ACIESP é uma das mais importantesentidades científicas do Brasil. Fundada em 8 de outubro de 1974, esta Academia é uma associação independente, não governamental e sem fins econômicos, criada para promover o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da educação no Estado de São Paulo, tendo como sua principal missão reunir cientistas de reconhecida excelência para atingir os seguintes objetivos:

*Promoção do avanço da ciência e da inovação;

*Defesa da liberdade da pesquisa científica e do ensino;

*Contribuição para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências;

*Estimular a educação científica e a divulgação do conhecimento;

*E fortalecimento do papel da ciência no desenvolvimento econômico, social e ambiental de São Paulo e do Brasil.

Satisfação em poder contribuir com a ACIESP

Prof. Dr. Antonio Carlos Hernandes

Sabendo-se que o cargo representa uma enorme responsabilidade, principalmente com o compromisso de fortalecer a Academia, promover a ciência, estimular o diálogo com a sociedade e defender o conhecimento científico, o novo presidente da ACIESP considera que é uma satisfação muito grande poder contribuir com Academia e avançar ainda mais naquilo que já foi feito até agora. “Nosso objetivo é fazer com que a ACIESP ganhe ainda mais visibilidade e que possa acolher, cada vez mais, pesquisadores que possam contribuir para a ciência do Estado de São Paulo. Temos algumas ideias de projetos a serem executados para os próximos três anos, só que primeiro existe a necessidade de se fazer uma discussão com a nova diretoria e com o conselho, assim que assumirem, para que possamos fazer uma ampla divulgação. Fico muito feliz em poder estar contribuindo com a Academia e, obviamente, representar o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP)”, salientou o novo presidente da ACIESP.

Em sua mensagem, o presidente cessante, Prof. Dr. Adriano Defini Andricopulo,  considerou. “Gostaria de dar os parabéns ao colega, Prof. Antonio Carlos Hernandes, do IFSC/USP, que acaba de ser eleito presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP) para o triênio 2026-2029, bem como a todos os integrantes da nova Diretoria e do novo Conselho Diretor. Podemos observar que temos uma equipe de excelência que reúne experiência, liderança e compromisso com a ciência. Desejo a esta nova gestão pleno êxito na missão de fortalecer ainda mais a ACIESP, ampliar a sua presença institucional e contribuir para o avanço da ciência, da tecnologia e da educação em São Paulo e no Brasil”.

A ACIESP congrega mais de 250 cientistas de diversas áreas do conhecimento, vinculados às principais universidades e centros de pesquisa do estado, como USP, Unicamp, Unesp, Instituto Butantan, IPEN, Embrapa e outras instituições de excelência. Os membros são eleitos pelos próprios acadêmicos, em reconhecimento às suas contribuições científicas, havendo duas categorias principais: Membros Titulares, de caráter permanente, e Membros Afiliados, destinados a pesquisadores mais jovens por período determinado.

Composição da Diretoria e do Conselho Diretor da ACIESP para o triênio 2026–2029.

Diretoria

*Presidente: Antonio Carlos Hernandes ;

*Vice-Presidente: Vanderlan da Silva Bolzani ;

*Diretor-Executivo: Paulo Cezar Vieira ;

*Diretora-Financeira: Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva ;

Prof. Dr. Adriano Defini Andricopulo

Conselho Diretor

*Ciências Matemáticas: Flavio Ulhoa Coelho (Titular);

*Ciências Físicas: Antonio Martins Figueiredo Neto (Titular);

* Ciências Químicas: Norberto Peporine Lopes (Titular) e Maurício da Silva Baptista (Suplente);

*Ciências da Terra: Paulo Artaxo (Titular) e Alexander Turra (Suplente);

*Ciências Biomédicas: Carlos Frederico Martins Menck (Titular) e Antonio Jose Lapa (Suplente);

*Ciências da Saúde: Josué de Moraes (Titular);

*Ciências Agrárias: Maria Lucia Carneiro Vieira (Titular);

*Ciências da Engenharia: Isolda Costa (Titular) e José Antonio Eiras (Suplente);

*Ciências Humanas e Sociais: Pedro Luiz Valls Pereira (Titular);

*Ex-presidente: Adriano Defini Andricopulo (Titular) – Nos termos do Estatuto Social da ACIESP, o ex-presidente Adriano Defini Andricopulo passa a integrar o Conselho Diretor na qualidade de membro nato.

Ao longo de sua história, a ACIESP foi presidida por cientistas de grande prestígio nacional e internacional, como Crodowaldo Pavan, Sérgio Mascarenhas, Oscar Sala, Walter Colli, José Eduardo Krieger, Vanderlan Bolzani e Adriano Andricopulo, entre outros.

O Prof. Dr. Antonio Carlos Hernandes é Professor Titular do Instituto Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo. Doutor em Física pela Universidade de São Paulo (1993), com estágio na Universitá di Genova, Itália. Membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP). É um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) e da Associação Brasileira de Crescimento de Cristais. Desenvolve pesquisa na área de Física dos Materiais, Ciência dos Materiais e em Ensino e Divulgação Científica. Foi Diretor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) no período de 2010-2014, Pró-Reitor de Graduação da USP, no período de 2014-2018 e Vice-Reitor da Universidade de São Paulo, no período de 2018-2022.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

31 de julho de 2026

Tecnologias portáteis – Testes rápidos prometem revolucionar o monitoramento da exposição a agrotóxicos

Tecnologias portáteis capazes de detectar, em poucos minutos, sinais de exposição a pesticidas podem mudar a forma como governos, hospitais e profissionais de saúde acompanham os riscos relacionados aos agrotóxicos. Além de beneficiar trabalhadores rurais, esses dispositivos têm potencial para ampliar a vigilância epidemiológica e prevenir doenças em toda a população.

O uso de agrotóxicos tornou-se indispensável para sustentar a produção agrícola mundial, mas seus impactos sobre a saúde humana continuam despertando preocupação. Estima-se que milhões de toneladas dessas substâncias sejam utilizadas anualmente, sendo o Brasil o maior consumidor global. A exposição frequente a alguns pesticidas está associada ao aumento do risco de problemas neurológicos, alterações hormonais, distúrbios reprodutivos e determinados tipos de câncer.

Apesar da existência desses riscos, identificar precocemente quem foi exposto ainda representa um desafio. Hoje, os exames dependem de laboratórios especializados, equipamentos sofisticados e profissionais altamente treinados, o que dificulta a realização de testes em comunidades rurais, regiões distantes e locais onde o contato com agrotóxicos é mais intenso.

Uma revisão publicada na revista “Trends in Analytical Chemistry” mostra, entretanto, que essa realidade pode estar prestes a mudar. Pesquisadores da Inglaterra, Itália e Brasil, neste último caso através do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), analisaram os avanços de uma nova geração de sensores portáteis capazes de detectar pesticidas ou seus marcadores biológicos em amostras de sangue e urina, oferecendo resultados rápidos e com baixo custo.

Diagnóstico em minutos, sem depender de grandes laboratórios

A proposta é semelhante à de um teste rápido de glicemia ou dos exames utilizados durante a pandemia de Covid-19. Utilizando apenas uma pequena amostra de sangue obtida por uma picada no dedo ou algumas gotas de urina, os dispositivos conseguem identificar sinais de exposição aos pesticidas em poucos minutos.

Além da rapidez, os equipamentos apresentam outras vantagens importantes, como:

*Baixo custo de fabricação;

*Facilidade de transporte;

*Operação simples;

*Possibilidade de utilização em postos de saúde, ambulatórios e unidades móveis;

*Integração com smartphones para registrar, interpretar e armazenar os resultados automaticamente.

O pesquisador do IFSC/USP, Thiago S. Martins, primeiro autor da revisão publicada na revista “Trends in Analytical Chemistry”  (Foto do arquivo pessoal)

Segundo os pesquisadores, essas características tornam a tecnologia especialmente interessante para países de grande extensão territorial e forte atividade agrícola, como é o caso do Brasil.

Nanotecnologia amplia a precisão e beneficia saúde pública

O desempenho desses dispositivos depende do uso de nanomateriais, estruturas capazes de reconhecer quantidades extremamente pequenas de substâncias químicas. Essa elevada sensibilidade permite identificar níveis de exposição muito antes que surjam sintomas clínicos, favorecendo intervenções precoces e reduzindo a probabilidade de complicações decorrentes do contato prolongado com pesticidas.

Embora o objetivo inicial seja monitorar trabalhadores rurais, os impactos dessa tecnologia vão muito além do ambiente agrícola. A possibilidade de realizar exames rápidos em larga escala poderá transformar a vigilância em saúde ambiental e ocupacional. Em vez de investigar apenas casos suspeitos após o surgimento de doenças, autoridades sanitárias poderão acompanhar continuamente grupos de maior risco, identificando situações de exposição antes que provoquem danos permanentes.

Isso permitirá:

*Detectar precocemente surtos de intoxicação em comunidades agrícolas;

*Monitorar trabalhadores durante períodos de aplicação intensiva de pesticidas;

*Avaliar a eficácia das medidas de proteção individual;

*Identificar regiões com níveis mais elevados de exposição ambiental a pesticidas;

*Orientar ações de fiscalização e educação em saúde;

*Produzir dados confiáveis para políticas públicas voltadas à redução dos riscos relacionados aos agrotóxicos.

Outro benefício importante é a redução da subnotificação. Muitos episódios de intoxicação leve nunca chegam aos serviços de saúde porque os sintomas são inespecíficos. Com testes simples e acessíveis, será possível ampliar significativamente o número de diagnósticos, permitindo que gestores conheçam com maior precisão a dimensão real do problema.

Economia para os sistemas de saúde

Segundo o primeiro autor do estudo, o pesquisador do IFSC/USP, Dr. Thiago S. Martins, a identificação precoce da exposição possibilita intervenções antes do desenvolvimento de doenças mais graves, reduzindo internações, exames de alta complexidade e tratamentos prolongados. Além disso, trabalhadores afastados por intoxicações poderão receber acompanhamento mais rápido, diminuindo perdas de produtividade e custos previdenciários.

Os pesquisadores destacam que dispositivos de baixo custo poderão ser utilizados em programas de triagem da população, reduzindo a dependência de laboratórios especializados e ampliando o acesso ao diagnóstico em municípios de pequeno porte.

O docente e pesquisador do IFSC/USP e autor correspondente da revisão publicada na revista “Trends in Analytical Chemistry”, Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior

A revisão publicada reúne diversos exemplos de sensores experimentais que apresentaram excelente desempenho. Entre eles estão dispositivos que detectam simultaneamente diferentes pesticidas diretamente na urina de trabalhadores rurais em pouco mais de um minuto. Outro equipamento utiliza apenas uma gota de sangue da ponta do dedo para avaliar alterações provocadas por pesticidas que afetam o sistema nervoso.

Também são mencionados sensores descartáveis em papel, semelhantes a tiras de teste, que conseguem identificar resíduos de herbicidas na urina de forma rápida e econômica.

Inteligência artificial poderá ampliar o monitoramento

Outro diferencial apontado pela revisão é a integração dos sensores com ferramentas de inteligência artificial. Aplicativos poderão interpretar automaticamente os resultados, armazenar históricos individuais, emitir alertas quando forem detectados níveis elevados de exposição e produzir mapas epidemiológicos em tempo real.

Esses recursos poderão fortalecer programas de vigilância sanitária, permitindo identificar áreas críticas, acompanhar tendências de exposição e direcionar ações preventivas com muito mais rapidez.

Apesar do enorme potencial, os pesquisadores ressaltam que a maior parte dessas tecnologias ainda está em fase experimental. Antes de serem incorporadas aos sistemas públicos de saúde, será necessário validar seu desempenho em diferentes populações, comprovar sua confiabilidade em condições reais de uso e atender aos requisitos exigidos pelos órgãos reguladores. Também será preciso estabelecer protocolos padronizados para garantir que os resultados sejam comparáveis entre diferentes regiões e serviços de saúde.

Um novo instrumento para prevenir doenças

O docente e pesquisador do IFSC/USP e autor correspondente da revisão publicada na revista “Trends in Analytical Chemistry”, Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, considera que os autores concluem que os testes rápidos representam um dos caminhos mais promissores para modernizar o monitoramento da exposição humana aos agrotóxicos. Mais do que facilitar o diagnóstico individual, essas tecnologias poderão fortalecer toda a estrutura de vigilância em saúde pública, permitindo identificar riscos de forma precoce, orientar políticas preventivas e reduzir o impacto das doenças relacionadas aos pesticidas. “Se confirmarem os resultados obtidos até agora, esses dispositivos poderão representar uma mudança de paradigma: em vez de agir apenas quando surgem os casos de intoxicação, será possível prevenir o adoecimento, proteger populações vulneráveis e produzir informações estratégicas para tornar a agricultura mais segura e a saúde pública mais eficiente”, destaca o pesquisador.

Este estudo contou com o apoio da FAPESP.

Confira no link a revisão publicada na revista “Trends in Analytical Chemistry”, cujo primeiro autor é o pesquisador do IFSC/USP, Thiago S. Martins – https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0165993626002360?via%3Dihub

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

31 de julho de 2026

Artigos do IFSC/USP mais citados no Essential Science Indicators – Bimestre março/abril de 2026

 

A Biblioteca do IFSC apresenta os artigos científicos produzidos pelos seus docentes e pesquisadores que foram identificados como mais citados (Highly and Hot Cited Papers) no bimestre MAR/ABR de 2026 pela Essential Science Indicators, um dos produtos de citação da agência Clarivate Analytics/Thomson Reuters. Lembramos que o acesso ao texto completo é liberado para comunidade USP ou quem tem acesso ao Portal CAPES.

Para mais informações: sbiprod@ifsc.usp.br

 

ÁREA:  Agricultural Sciences

Sustainable and biodegradable polymer packaging : perspectives, challenges, and opportunities

 

ÁREA:  Chemistry

The past and the future of Langmuir and Langmuir-Blodgett Films

Folding of xylan onto cellulose fibrils in plant cell walls revealed by solid-state NMR

A review on chemiresistive room temperature gas sensors based on metal oxide nanostructures, graphene and 2D transition metal dichalcogenides

Plasmonic biosensing focus review

Optimizing active sites for high co selectivity during CO2 hydrogenation over supported nickel catalysts

Good Practices in Database Generation for Benchmarking Density Functional Theory

Emergence of complexity in hierarchically organized chiral particles

 

ÁREA:  Clinical Medicine

Features of third generation photosensitizers used in anticancer photodynamic therapy: review x

 

ÁREA:  Computer Science

Clustering algorithms: a comparative approach

Principal Component Analysis: A Natural Approach to Data Exploration

 

ÁREA:  Engeneering

Precursor effect on the hydrothermal synthesis of pure ZnO nanostructures and enhanced photocatalytic performance for norfloxacin degradation

 

ÁREA:  Materials Science

Boosting CO2 photoreduction efficiency of carbon nitride via S-scheme g-C3N4/Fe2TiO5 heterojunction

A non-volatile organic electrochemical device as a low-voltage artificial synapse for neuromorphic computing

 

ÁREA:  Neuroscience & Behavior

 Mechanosensing is critical for axon growth in the developing brain

 

ÁREA:  Pharmacology & Toxicology

ADMET modeling approaches in drug discovery

 

ÁREA:  Physics

Hot paper The anomalous magnetic moment of the muon in the standard model: an update

The Kuramoto model in complex networks.

Revisiting the optical bandgap of semiconductors and the proposal of a unified methodology to its determination

Generalized geometric quantum speed limits

Towards understanding the origin of cosmic-ray positrons

Antiproton flux, antiproton-to-proton flux ratio, and properties of elementary particle fluxes in primary cosmic rays measured with the alpha magnetic spectrometer on the international space station

Observation of the identical rigidity dependence of He, C, and O cosmic rays at high rigidities by the alpha magnetic spectrometer on the international space station

Precision measurement of the boron to carbon flux ratio in cosmic rays from 1.9 GV to 2.6 TV with the alpha magnetic spectrometer on the international space station

Thermodynamics of the quantum Mpemba effect

Hot paper Roadmap on quantum thermodynamics

 

ÁREA:  Space Science

Multi-messenger observations of a binary neutron star merger

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

30 de julho de 2026

Professora transforma dificuldades em motivação para ensinar física – A nova geração de docentes do IFSC/USP

Profª Drª Krissia de Zawadzki – Formação acadêmica e quatro pós-doutorados

Krissia de Zawadzki (38) faz parte do grupo chamado “prata da casa” do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), tendo começado como simples aluna de graduação e se transformado em uma das mais respeitadas professoras do Instituto. O interesse da Profª Krissia pelas ciências exatas começou muito antes de seu ingresso na universidade. Ainda no ensino fundamental, ela já tinha a certeza de que seguiria a carreira docente. Na época, porém, os seus planos estavam voltados para a Matemática. Preparava-se para prestar vestibular para uma licenciatura na área e alimentava o sonho de se tornar professora da disciplina.

A mudança aconteceu em 2003, quando Krissia estava na oitava série do ensino fundamental. Um professor de Matemática, que também ministrava aulas de Física no ensino médio supletivo, percebeu sua facilidade com os números e convidou-a para acompanhar uma de suas aulas.

O convite – aparentemente simples – alterou completamente os seus planos profissionais. Depois daquele primeiro contacto com a Física, a jovem estudante ficou fascinada pela disciplina. O interesse foi tão intenso que a antiga intenção de cursar Matemática deu lugar a uma nova convicção – seria professora de Física.

A decisão também foi influenciada pelas dificuldades encontradas na escola pública em que estudava. Durante o ensino médio, Krissia não teve um professor fixo de Física. As aulas eram frequentemente ministradas por profissionais substitutos, o que dificultava a continuidade do aprendizado. Nos três anos do ensino médio, apenas dois professores formados em Física puderam acompanhar a turma por algumas semanas. As aulas desses professores também foram decisivas para influenciá-la.

Diante daquela realidade, a jovem concluiu que a falta de docentes especializados não deveria apenas ser lamentada, mas, acima de tudo, enfrentada.

Aos 15 anos, já afirmava que se tornaria professora de Física justamente por ter verificado que havia poucos profissionais disponíveis para ensinar a disciplina. Naquele momento, a ausência de professores transformou-se numa motivação pessoal e num projeto de vida.

Mudança para o interior de São Paulo e dificuldades acrescidas

Nascida e criada na cidade de São Paulo, Krissia enfrentou ainda na infância uma mudança profunda em sua vida familiar. Seu pai faleceu quando ela tinha oito anos, pelo que dois anos depois, diante das dificuldades econômicas e do elevado custo de vida na capital paulista, a família decidiu mudar-se para Araras, no interior do estado, onde passou a morar com uma tia. Dessa forma, a mudança não representou apenas uma alteração de endereço.

Foi em Araras que Krissia chegou à adolescência e cursou o ensino médio. Desde cedo, sabia que não teria condições de pagar uma faculdade particular. Por isso, ingressar numa universidade pública era a única possibilidade real de continuar os estudos.

Como vários de seus professores tinham sido formados pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), ela passou a considerar a instituição como o destino mais provável. Acreditava que cursaria Licenciatura em Física no campus de Rio Claro e já se preparava para prestar o vestibular.

Krissia de Zawadzki ingressou como professora universitária aos 35 anos e embora já tivesse experiência em pesquisa, pós-doutorados internacionais e contacto com alunos, assumir a responsabilidade por turmas e projetos próprios revelou-se mais desafiante do que imaginava

A possibilidade de estudar no campus de São Carlos, da Universidade de São Paulo, surgiu por influência de sua irmã gêmea, que desejava cursar Química e descobriu o Instituto de Química numa “cidade vizinha”, pois o campus de São Paulo também não era viável para ambas. A ideia de as duas estudarem na mesma cidade também parecia vantajosa, pois permitiria dividir despesas e enfrentar juntas os desafios de uma nova vida – a vida universitária.

Até então, a jovem Krissia pouco conhecia sobre os cursos oferecidos em São Carlos. Na escola em que estudava, o ingresso numa universidade pública não era um plano para a maioria dos alunos. A professora comenta que, naquela época, parecia haver um sentimento coletivo de que a aprovação na USP era praticamente impossível sem um cursinho. Mesmo diante dessa sensação de que a universidade estava distante de sua realidade, as duas decidiram tentar a empreitada na USP.

Formação acadêmica e quatro pós-doutorados

Depois de ingressar no Bacharelado em Física Computacional, Krissia iniciou uma longa trajetória de formação acadêmica. Concluiu a graduação e prosseguiu os estudos no mestrado e no doutorado. A carreira científica levou-a também a realizar quatro estágios de pós-doutorado, alguns deles em importantes centros internacionais de investigação.

Em 2018, mudou-se para Boston, nos Estados Unidos, após conquistar uma bolsa na Schlumberger Foundation destinada a mulheres cientistas provenientes de países em desenvolvimento. O programa oferecia apoio para que pesquisadoras realizassem doutorado ou pós-doutorado fora de seus países de origem. A bolsa permitiu que Krissia permanecesse durante dois anos em Boston e trabalhasse num grupo de investigação com o qual desejava colaborar havia algum tempo. A experiência representou a concretização de uma oportunidade acadêmica importante, além do reconhecimento de seu percurso como mulher na ciência.

Em 2020, regressou ao Brasil e iniciou outro pós-doutorado, dessa vez no International Centre for Theoretical Physics (ICTP), na UNESP. O período, porém, coincidiu com o início da pandemia de Covid-19, quando universidades, laboratórios e grupos de investigação ainda procuravam adaptar-se às restrições e às incertezas daquele momento.

A pandemia também alterou os planos de retorno permanente ao Brasil. Por razões familiares, Krissia precisou se realocar para Londres e lá iniciou um pós-doutorado na Royal Holloway University of London.

Já com a situação se acalmando no mundo, Krissia pôde repensar sua trajetória. No final de 2022 ela recebeu uma oferta de pós-doutorado em um reconhecido grupo de termodinâmica quântica e computação quântica do Trinity College Dublin, na Irlanda, e lá permaneceu aproximadamente um ano e meio antes de regressar ao Brasil.

Paixão pela pesquisa começou na iniciação científica

A decisão de seguir a carreira universitária foi motivada principalmente pela paixão pela pesquisa. Krissia descobriu esse interesse durante a iniciação científica, ainda na graduação. O primeiro projeto desenvolvido por ela não estava relacionado à Física Quântica, área em que mais tarde se especializou. Naquele período, trabalhou com neurociência computacional e reconhecimento de padrões. A experiência permitiu-lhe compreender o funcionamento da pesquisa acadêmica e despertou o desejo de continuar a investigar problemas científicos.

Ao mesmo tempo, o gosto pelo ensino já fazia parte de sua vida. Desde o ensino fundamental e médio, Krissia dava aulas particulares aos colegas. A combinação entre o prazer de ensinar e o entusiasmo pela investigação fez com que a carreira universitária surgisse como um caminho natural, enquanto outro fator teve peso significativo em sua decisão: a baixa presença de mulheres entre os professores e pesquisadores da área.

Física Quântica – A verdadeira paixão da jovem professora (Créditos “Medium”)

A representatividade, nesse sentido, não era apenas uma questão estatística. Para Krissia, tornar-se professora universitária significava mostrar que uma pessoa com uma trajetória pessoal marcada por dificuldades durante a infância e adolescência, principalmente ligadas a questões de saúde de sua família e dela própria.

Enquanto realizava o pós-doutorado em Dublin, começaram a surgir concursos para a carreira acadêmica no Brasil. Colegas e pesquisadores escreveram-lhe para avisar sobre as vagas e incentivá-la a candidatar-se, destacando que seu currículo era competitivo.

Um desses concursos era justamente para a instituição em que havia estudado. A candidatura teve um peso emocional especial. Krissia sentiu-se intimidada e questionou se estaria à altura de regressar como professora. Apesar das inseguranças, candidatou-se e foi aprovada.

Regresso como professora e novos desafios

Krissia ingressou como professora universitária aos 35 anos. Embora já tivesse experiência em pesquisa, pós-doutorados internacionais e contacto com alunos, assumir a responsabilidade por turmas e projetos próprios revelou-se mais desafiante do que imaginava.

Um dos primeiros desafios foi orientar estudantes de graduação. Diferente da experiência de coorientação nos pós-doutorados, Krissia passou a acompanhar alunos que ainda estavam aprendendo os conceitos fundamentais da Física e dando os primeiros passos na investigação científica.

A jovem professora chegou com muita energia e imaginou que poderia orientar rapidamente um grupo grande de alunos. A prática mostrou que formar um grupo de investigação exige tempo, estrutura e acompanhamento cuidadoso. É necessário estimular a formulação de perguntas científicas, a leitura constante de artigos, o domínio das ferramentas de investigação e a organização de resultados. Ela comenta também que, olhando retrospectivamente, atribuiu projetos de pesquisa um tanto ambiciosos aos seus orientandos no primeiro ano na casa. Aos poucos, Krissia vem desenvolvendo estratégias para conciliar expectativas e realidades no desenvolvimento de projetos de pesquisa.

As aulas foram igualmente desafiadoras e trouxeram responsabilidades significativas. A jovem professora assumiu turmas com mais de 90 estudantes, muitos deles calouros recém-chegados à universidade e tendo a sua primeira experiência neste ambiente. Além da quantidade de alunos, ela percebeu diferenças importantes entre sua geração e a atual.

Apoio a estudantes em situação de vulnerabilidade

Além das atividades formais de ensino e pesquisa, a Profª Drª Krissia Zawadzki deseja contribuir com alunos que enfrentam dificuldades econômicas, sociais ou acadêmicas. Sua própria experiência como estudante de origem popular permite-lhe compreender os obstáculos encontrados por jovens que chegam à universidade sem uma rede de apoio. A professora considera necessário criar mecanismos de atenção para estudantes que dependem de assistência estudantil ou que ainda não sabem como aproveitar as oportunidades oferecidas pela instituição.

Uma orientação adequada pode ajudá-los a encontrar caminhos, estabelecer objetivos e aproximar-se dos professores. Para a docente, é importante que o estudante receba apoio antes mesmo de saber exatamente o que perguntar ou a quem recorrer.

Computação quântica (Créditos “Tech Decode”)

Divulgação científica na área quântica

Outro objetivo da professora é ampliar as atividades de extensão e divulgação científica, especialmente na área da Física Quântica. Na avaliação de Krissia, a comunidade científica desse campo ainda não possui uma presença pública tão intensa quanto outros setores da Física.

Grupos de astrofísica, por exemplo, costumam desenvolver projetos amplos de comunicação, produzir materiais acessíveis e manter contacto frequente com o público. Na área quântica, embora exista grande interesse dos estudantes e da sociedade, as iniciativas ainda são mais modestas.

A procura, porém, é crescente. Krissia afirma receber semanalmente vários e-mails de alunos interessados em realizar iniciação científica em temas relacionados à Física Quântica e Computação Quântica. A quantidade de mensagens demonstra que existe uma demanda concreta por formação nesse campo.

Objetivo é consolidar um grupo próprio de pesquisa

Para o futuro, Krissia pretende consolidar uma linha própria de investigação dentro do grupo de Física Teórica. Essa consolidação deverá ser medida pela formação de alunos, pela conclusão de trabalhos de graduação, pela defesa de mestrados e doutorados e pelo crescimento das pesquisas em Computação Quântica.

A professora também aguarda a avaliação de um projeto de financiamento que poderá ajudar na montagem da estrutura necessária. Recursos para bolsas, equipamentos, participação em conferências e contratação de estudantes são fundamentais para que um novo núcleo de investigação possa crescer.

Na área do ensino, ainda ministra disciplinas de acordo com as necessidades do instituto, mas pretende contribuir mais diretamente com a pós-graduação em Computação Quântica e sua aplicação e interface com outras áreas, como, por exemplo, Aprendizado de Máquina. Entre os temas que considera promissores está o aprendizado de máquina quântica, uma área recente que combina conceitos de inteligência artificial e processamento quântico de informações.

“Considero fundamental que o conhecimento produzido com recursos públicos ultrapasse os limites dos laboratórios e das salas de aula. A ciência só cumpre integralmente sua função social quando consegue dialogar com a população, despertar curiosidade e mostrar de que maneira as pesquisas podem influenciar o cotidiano”

Para a professora, as universidades precisam contar com profissionais que possuam conhecimento técnico, maturidade científica e capacidade crítica para abordar esses assuntos. Sem pesquisadores preparados para separar os avanços reais das expectativas exageradas, determinadas áreas podem permanecer estagnadas ou ser conduzidas de forma superficial.

Ciência para além dos muros da universidade

A divulgação científica permanece como uma das metas mais ambiciosas de sua carreira. Krissia já participa de algumas iniciativas, mas gostaria de atuar de forma mais organizada e frequente.

Uma das propostas seria reunir alunos interessados em comunicação científica para produzir materiais voltados às redes sociais. A intenção é traduzir conceitos complexos para uma linguagem acessível, aproximando a Física Quântica de públicos que normalmente não têm acesso a conteúdos especializados.

A professora reconhece, porém, que esse trabalho não é simples. Produzir materiais de qualidade exige tempo, planejamento, conhecimento de comunicação e participação contínua dos estudantes.

Ainda assim, considera fundamental que o conhecimento produzido com recursos públicos ultrapasse os limites dos laboratórios e das salas de aula. A ciência só cumpre integralmente sua função social quando consegue dialogar com a população, despertar curiosidade e mostrar de que maneira as pesquisas podem influenciar o cotidiano.

Como pudemos observar, a trajetória da Profª Krissia reúne perdas familiares, dificuldades pessoais, ensino público, investigação internacional e o regresso à universidade como professora. Mais do que uma história individual de sucesso, seu percurso evidencia o papel transformador das oportunidades educacionais.

A adolescente que decidiu ser professora porque sua escola não tinha docentes de Física tornou-se pesquisadora, realizou quatro pós-doutorados e passou a formar novos cientistas.

Agora, procura usar a experiência acumulada para criar oportunidades semelhantes para estudantes que, como ela no passado, ainda podem acreditar que determinados espaços acadêmicos não foram feitos para eles.

Por todos esses motivos, é um orgulho para a comunidade do IFSC/USP ter docentes como Krissia de Zawadzki.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

29 de julho de 2026

Em agosto: Minicurso – “Quantum Field Theory on the Lattice”

O IFSC/USP realiza nos dias 10, 12, 17 e 19 do próximo mês de agosto, na “Sala Celeste do Instituto”, o Minicurso – “Quantum Field Theory on the Lattice” que será ministrado pelo Prof. Dr. (Visitante) Wolfgang Bietenholz, do Institute of Nuclear Sciences (UNAM) – México.

Os estudantes interessados deverão se inscrever na disciplina SFI5898 – Tópicos Avançados de Pós-Graduação II, no período de 20/07 a 05/08/2026, através dos formulários online nos seguintes links:

*Alunos regulares de pós-graduação da USP, devem usar esse formulário: https://forms.gle/QkahZeDDUh8N4Sg86

*Alunos ativos de graduação da USP, alunos de pós-graduação externos à USP ou graduados de qualquer IES, devem usar esse formulário: https://forms.gle/sobiEy7dsGNDQREo7

Clique AQUI para acessar a programação completa e horários estipulados.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

28 de julho de 2026

Ampliado o conhecimento sobre alguns dos objetos mais energéticos do Universo – Estudo internacional contou com participação do IFSC/USP

Uma equipe internacional de pesquisadores, com a participação dos docentes do IFSC/USP, Profs. Drs. Luiz Vitor de Souza Filho e Aion da Escossia Melo Viana, publicou um novo estudo que amplia o conhecimento sobre alguns dos fenômenos mais intensos já observados no Universo.

O trabalho reúne novas observações de galáxias extremamente ativas, capazes de emitir enormes quantidades de energia, oferecendo informações importantes sobre o funcionamento dessas estruturas e sobre a evolução do cosmos.

As galáxias analisadas possuem, em seu centro, um buraco negro de dimensões gigantescas. Ao atrair grandes quantidades de matéria, esses buracos negros liberam enormes volumes de energia, que podem ser detectados por telescópios especializados instalados em diferentes partes do mundo.

Para realizar o levantamento, os cientistas utilizaram o conjunto de telescópios “Magic”, localizado no Observatório do Roque de los Muchachos, nas Ilhas Canárias (Espanha), um dos principais centros mundiais de observação do Universo, além de equipamentos capazes de observar essas galáxias em diferentes tipos de luz, incluindo radiações invisíveis ao olho humano. A combinação dessas observações permitiu obter uma visão mais completa do comportamento desses objetos.

O estudo identificou novas fontes de energia extremamente intensa e confirmou que muitas dessas galáxias apresentam um comportamento relativamente estável ao longo do tempo, embora possam registrar períodos de maior atividade.

Essas variações ajudam os pesquisadores a compreender melhor como a matéria se comporta sob condições extremas, próximas aos buracos negros.

Este novo estudo apresenta a segunda edição do catálogo de “blazares” extremos (sete galáxias extremamente ativas) observados pelos telescópios “Magic”, ampliando o levantamento iniciado em 2019 e incorporando novas observações realizadas entre 2017 e 2025.

Quanto maior o número de objetos estudados, mais precisas se tornam as comparações entre eles, permitindo identificar padrões e aperfeiçoar as teorias sobre a formação e a evolução das galáxias.

Os resultados também servirão de base para futuras pesquisas utilizando telescópios ainda mais modernos, que entrarão em operação nos próximos anos.

Com equipamentos mais sensíveis, os cientistas esperam observar detalhes inéditos desses fenômenos e responder perguntas que permanecem em aberto sobre o funcionamento do Universo.

O estudo reforça a importância da cooperação internacional em grandes projetos científicos e demonstra como a união de observatórios espalhados pelo mundo permite ampliar o conhecimento sobre regiões do espaço que ainda guardam muitos mistérios.

Clique no link para acessar o artigo original – https://iopscience.iop.org/article/10.3847/1538-4357/ae5a8a

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

27 de julho de 2026

Até 30 de setembro – Capes abre edital de 2026 para Doutorado-sanduíche no exterior

A CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) anunciou o edital de 2026 para bolsas de doutorado-sanduíche. O fomento é voltado para estudantes de doutorado de instituições brasileiras que desejam passar um semestre em uma universidade de fora do Brasil.

Para esta edição, a seleção interna dos candidatos pela universidade será feita até o dia 30 desetembro.

A inscrição das candidaturas no sistema da Capes, incluindo preenchimento do formulário de inscrição online e envio da documentação obrigatória, deverá ser feita de 1º de outubro a 3 de novembro. A duração das bolsas varia de três a seis meses.

Os subsídios incluem a mensalidade, auxílio para viagem, moradia, seguro-saúde e abre possibilidade para cobertura de outras despesas.

Sobre o programa de Doutorado-sanduíche

O Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior (PDSE) tem como objetivo promover a internacionalização da pesquisa e universidades do Brasil. Nele, os alunos recebem subsídios para estudar por um semestre em uma universidade do exterior e têm a obrigação de voltar para o país após o intercâmbio.

Para mais informações, clique AQUI.

Acesse AQUI o edital completo.

(In: “Estudar Fora”)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

24 de julho de 2026

Estudo revela como atua uma das principais toxinas do veneno da surucucu – Caminho está aberto para avanços em antivenenos

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e da Universidade Nacional de San Agustin de Arequipa (Peru) deram um importante passo para entender melhor como o veneno da surucucu (Lachesis muta) – a maior serpente peçonhenta das Américas e uma das mais perigosas da Amazônia – age no organismo humano. Pela primeira vez, eles conseguiram revelar a estrutura tridimensional e confirmar a atividade de uma das principais toxinas do veneno da espécie, uma enzima do tipo fosfolipase A2, descoberta que poderá contribuir para o desenvolvimento de antivenenos mais eficazes e até de novos medicamentos.

A proteína estudada pertence ao grupo das fosfolipases A2, enzimas responsáveis por boa parte dos danos provocados pelo veneno. Elas atacam as membranas das células, causando inflamação, destruição de tecidos e outras alterações que tornam o envenenamento grave.

Para realizar o estudo, que foi publicado recentemente na revista “Acta Crystallographica Section F: Structural Biology Communications”, os cientistas isolaram essa proteína do veneno da surucucu, comprovaram que ela permanecia ativa e, em seguida, utilizaram técnicas avançadas de cristalografia de raios X para visualizar sua estrutura em nível atômico. O trabalho foi realizado com o auxílio do Sirius, acelerador de partículas localizado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP).

Descobertas importantes

Os resultados mostraram que a proteína possui uma estrutura muito semelhante à de outras toxinas encontradas em serpentes, mas apresenta características próprias que ajudam a explicar sua eficiência em atacar as células. A análise da estrutura indica ainda que a proteína pode se organizar em grupos de quatro moléculas, um arranjo que poderia aumentar sua capacidade de agir sobre as membranas celulares, mas que ainda precisa ser confirmado experimentalmente.

Outra descoberta importante foi a identificação de uma região da proteína com forte carga elétrica positiva. Essa característica facilita a aproximação da toxina das células, permitindo que ela se ligue mais facilmente às membranas e exerça sua ação destrutiva.

Embora ainda sejam necessários novos estudos para confirmar esse comportamento no organismo, a descoberta oferece pistas importantes sobre o funcionamento do veneno.

Os testes realizados em laboratório também confirmaram que a proteína mantém elevada atividade biológica. Quanto maior a concentração da enzima, maior foi sua capacidade de degradar substâncias presentes nas membranas celulares, confirmando seu papel como uma das principais responsáveis pelos efeitos do envenenamento causado pela surucucu.

O desenvolvimento de novos medicamentos

Segundo os pesquisadores, conhecer em detalhes a estrutura dessas toxinas é fundamental para aprimorar os soros antiofídicos. Ao identificar exatamente como a proteína atua e quais regiões são responsáveis por sua atividade, torna-se possível desenvolver substâncias capazes de bloquear sua ação de forma mais eficiente, aumentando a eficácia dos tratamentos contra acidentes com serpentes.

O pesquisador do IFSC/USP – Dr. Diego Antonio Leonardo

Os resultados também ultrapassam o campo da toxicologia. O estudo fornece informações valiosas para o desenvolvimento de novos medicamentos. Moléculas presentes em venenos de serpentes já deram origem a fármacos utilizados no tratamento de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, demonstrando o potencial terapêutico dessas substâncias quando estudadas em profundidade.

Ao revelar, em nível atômico, a estrutura dessa proteína da surucucu, os pesquisadores oferecem uma base para que futuros estudos possam desenvolver compostos capazes de controlar processos inflamatórios, proteger tecidos contra lesões ou atuar em outras doenças que envolvem alterações nas membranas celulares.

Embora essas aplicações ainda dependam de novas pesquisas e testes, o conhecimento obtido representa um passo importante para transformar uma toxina altamente perigosa em fonte de novas estratégias terapêuticas.

A importância de colaborações internacionais

Os autores da pesquisa destacam que esta é a primeira descrição conjunta da estrutura e da atividade de uma fosfolipase A2 do tipo Asp49 da surucucu.

Para o pesquisador do IFSC/USP, Dr. Diego Antonio Leonardo, autor correspondente do estudo, o trabalho demonstra a importância da colaboração internacional na investigação de compostos naturais com potencial biomédico. “Este trabalho é o resultado de um esforço de muitos anos para introduzir e consolidar a biologia estrutural no Peru, em parceria com instituições peruanas. Ver uma toxina amazônica purificada e caracterizada e ter sua estrutura resolvida no Sirius e publicada internacionalmente é a concretização de um objetivo que perseguimos desde 2014. Mas, mais importante do que a estrutura em si é o que ela representa: pesquisadores peruanos formados em cristalografia, resolvendo estruturas de toxinas da própria biodiversidade do país. Coube a mim atuar como ponte entre esses dois lados, um papel que o Prof. Richard Garratt, docente e pesquisador do IFSC/USP que também assina esta pesquisa, fomentou e apoiou desde o início, e cada publicação como esta mostra que esse caminho é viável e nos aproxima de tornar a biologia estrutural uma realidade permanente no Peru.”

Além de ampliar o conhecimento sobre os mecanismos do envenenamento, a pesquisa cria uma base científica sólida para o desenvolvimento de antivenenos mais específicos e para a descoberta de novos medicamentos inspirados em moléculas naturais presentes no veneno dessa serpente.

Confira no link o original da pesquisa – https://journals.iucr.org/f/issues/2026/05/00/nq5002/index.html

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

24 de julho de 2026

Jovem física alia excelência acadêmica à investigação de novas fronteiras em materiais quânticos – A nova geração de docentes do IFSC/USP

“Espero conseguir compartilhar tudo o que aprendi e contagiar os alunos com a paixão pela pesquisa”

Aos 35 anos, a física Thaís Victa Trevisan reúne uma trajetória acadêmica marcada pela excelência e pela experiência internacional. Natural de Mirassol (SP), mas criada em Campinas, construiu toda a sua formação na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde concluiu a graduação, o mestrado e o doutorado em Física. Desde 2024, integra o corpo docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), levando consigo uma sólida bagagem científica e o entusiasmo de quem acredita no poder transformador da pesquisa.

Ainda durante o doutorado, Thaís foi contemplada com uma Bolsa de Estágio em Pesquisa no Exterior (BEPE), da FAPESP, oportunidade que lhe permitiu desenvolver um estágio de pesquisa na Universidade de Minnesota, em Minneapolis (EUA). A experiência abriu caminho para novas etapas de sua carreira acadêmica internacional: entre 2019 e 2022 realizou um primeiro pós-doutorado na Universidade Estadual de Iowa e no Laboratório Nacional de Ames e, na sequência, entre 2022 e 2023, desenvolveu um segundo pós-doutorado na Universidade da Califórnia, Berkeley e no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley.

Após esse período de aperfeiçoamento científico, decidiu disputar o concurso para docente do IFSC/USP, sendo aprovada em 2024. A motivação que sempre guiou sua carreira permanece a mesma: a curiosidade científica.

“Gosto de aprender, e a Física nos proporciona isso todos os dias. Estamos constantemente descobrindo e compreendendo novos fenômenos da Natureza”, afirma a pesquisadora.

Formar pesquisadores para o futuro

Materiais quânticos (Créditos – “SciTechDaily”)

Mais do que desenvolver pesquisas de ponta, Thaís acredita que uma das suas principais contribuições ao Instituto será participar da formação das novas gerações de cientistas.

Seu objetivo é transmitir aos estudantes não apenas conhecimento técnico, mas também o entusiasmo pela pesquisa científica.

“Espero conseguir compartilhar tudo o que aprendi e contagiar os alunos com a paixão pela pesquisa, especialmente nas áreas de Física Teórica e Física da Matéria Condensada”, destaca.

A Física da Matéria Condensada sem mistérios

Embora seja considerada uma das áreas mais amplas da Física contemporânea, Thaís resume a essência da Física da Matéria Condensada de forma simples: compreender as propriedades macroscópicas dos materiais a partir do comportamento e das interações entre seus constituintes microscópicos.

Segundo ela, trata-se de um campo extremamente diversificado, que reúne inúmeras linhas de investigação. Seu trabalho concentra-se justamente na interface entre algumas dessas áreas.

Entre os principais temas de pesquisa está a supercondutividade, uma fase exótica e fascinantes da matéria condensada.

Nesse estado, explica a pesquisadora, os elétrons passam a se comportar de maneira completamente diferente da observada em metais convencionais.

“Quando a corrente elétrica percorre um fio metálico comum, como o filamento de tungstênio de uma lâmpada incandescente, parte da energia é dissipada na forma de calor por causa da resistência elétrica. Em um supercondutor, abaixo de uma temperatura característica, a corrente pode fluir sem essa”, explica.

Ciência fundamental com enorme potencial tecnológico

Além de seu enorme interesse científico, a supercondutividade representa uma das áreas mais promissoras para futuras aplicações tecnológicas.

Ao compreender o comportamento dos elétrons, pesquisadores podem desenvolver novos materiais capazes de apresentar supercondutividade em temperaturas cada vez mais elevadas. Um dos grandes desafios da comunidade científica é alcançar materiais que mantenham essa propriedade em temperatura ambiente.

Caso esse objetivo seja atingido, os impactos poderão ser revolucionários.

“Imagine transmitir eletricidade da usina até as residências sem as perdas de energia causadas pela resistência elétrica dos cabos. Essa é uma das grandes motivações dessa área de pesquisa: descobrir ou desenvolver materiais supercondutores que funcionem em temperatura ambiente”, ressalta Thaís.

Enquanto essa meta ainda mobiliza pesquisadores em todo o mundo, sua motivação continua sendo compreender, cada vez mais profundamente, como os elétrons interagem e determinam as propriedades dos materiais.

IFSC/USP – Um ambiente fértil para fazer ciência

 

Para Thaís Victa Trevisan, integrar o IFSC/USP representa a oportunidade de desenvolver pesquisas em um ambiente altamente qualificado e colaborativo.

“Estou muito feliz por fazer parte de um ambiente extremamente fértil para a pesquisa e por integrar um grupo científico extraordinário”, conclui.

Com uma carreira construída sobre sólida formação acadêmica, experiências internacionais e entusiasmo permanente pela descoberta científica, a nova docente reforça o compromisso do IFSC/USP com a excelência em pesquisa, inovação e formação de novos pesquisadores.

A docente prepara-se agora para viajar aos Estados Unidos para desenvolver, na Universidade de Illinois Urbana-Champaign, o projeto conjunto denominado “Interação luz/matéria em materiais quânticos”.

O compromisso do IFSC/USP com a excelência em pesquisa, inovação e formação de novos pesquisadores

Este projeto refere-se a uma linha de pesquisa avançada que busca compreender como a luz interage com materiais nos quais as interações entre os elétrons produzem comportamentos coletivos, que não podem ser compreendidos tratando cada elétron isoladamente. Dessas interações surgem novas fases da matéria e fenômenos como magnetismo, supercondutividade e propriedades topológicas. Na Universidade de Illinois Urbana-Champaign, esse tipo de pesquisa reúne físicos, engenheiros, cientistas de materiais e especialistas em computação para investigar fenômenos fundamentais e desenvolver novas tecnologias. Situada na fronteira da ciência, essa pesquisa busca compreender e controlar fenômenos que poderão fundamentar a próxima geração de tecnologias.

O domínio dessas interações pode viabilizar, em longo prazo, o desenvolvimento de computadores quânticos mais eficientes, dispositivos fotônicos ultrarrápidos, novos materiais inteligentes e sensores de alta precisão, com aplicações que vão da eletrônica e telecomunicações à medicina e à indústria.

Trata-se de uma área em que avanços na física básica frequentemente se traduzem, decorridos alguns anos, em inovações tecnológicas com grandes impactos econômicos e científicos, algo que para a Profª Thaís Trevisan é extremamente atrativo na sua vida acadêmica.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

22 de julho de 2026

Até dia 24/07 – Visitantes poderão participar das “Tardes de Férias do CDCC/EIC”

Entre os dias 20 e 24 deste mês de julho, o Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP (CDCC) organiza as “Tardes de Férias do CDCC/EIC”, com um conjunto de atividades dedicadas aos mais novos (e não só) no horário compreendido entre as 14h00 e as 17h00.

Em simultâneo, o Planetário, que se encontra edificado junto ao “Observatório Dietrich Schiel”, localizado no Campus USP de São Carlos, irá oferecer três sessões diárias voltadas para crianças com idades entre os 5 e 7 anos, sem necessidade de inscrição prévia, com entrada por ordem de chegada até o preenchimento da capacidade de cada sessão (40 pessoas).

Saliente-se que, mesmo com as vagas das oficinas já esgotadas, o público poderá visitar os espaços de exposição do CDCC, sendo que durante todo o período um grupo de monitores estará disponível para orientar os visitantes e realizar a mediação das atividades e exposições, proporcionando uma experiência ainda mais enriquecedora para as famílias.

Importante salientar que em todas as atividades das “Tardes de Férias do CDCC/EIC” as crianças deverão estar acompanhadas por um responsável.

Confira AQUI a programação desta sensacional iniciativa.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP