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5 de março de 2021

Oportunidade de Pós-Doutorado com Bolsa CAPES

Uma vaga de pós-doutorado está disponível para pesquisador das áreas de ciências da computação, química, física ou farmácia, com bolsa da CAPES

A bolsa, com início imediato e vigência de 12 meses, tem valor mensal de R$ 4.100,00.

O projeto tem como foco diversas atividades de programação e implementação de ferramentas computacionais para estudos com bases de dados de química medicinal e produtos naturais (https://nubbe.iq.unesp.br/portal/nubbe-search.html), e envolve uma colaboração entre os grupos coordenados pela Profa. Dra. Vanderlan S. Bolzani, do Instituto de Química da UNESP-Ar, e pelo Prof. Dr. Adriano D. Andricopulo, do Instituto de Física de São Carlos da USP.

Os candidatos devem possuir o título de Doutor e experiência em quimioinformática e linguagens de programação, além de ótima capacidade para trabalhar em equipes interdisciplinares.

Os interessados devem enviar uma breve carta de motivação e o link do Currículo Lattes para o e-mail: mariliava@gmail.com.

As inscrições permanecerão abertas até que a vaga seja preenchida.

As atividades do projeto serão desenvolvidas no Laboratório de Química Medicinal e Computacional (LQMC) do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

5 de março de 2021

Atualização da produção científica do IFSC/USP em fevereiro de 2021

Para ter acesso às atualizações da Produção Científica cadastradas no mês de fevereiro de 2021, clique AQUI, ou acesse o Repositório da Produção USP (AQUI).

A figura ilustrativa foi extraída do artigo publicado recentemente, por pesquisador do IFSC/USP, no periódico Information Sciences (VER AQUI).

 

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

5 de março de 2021

IFSC/USP – Vaga para pesquisador (INCT) com Bolsa de Pós-Doutorado em Biofotônica

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Óptica Básica e Aplicada às Ciências da Vida – apoiado pela FAPESP e com sede no Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP) – está buscando pesquisador candidato com experiência em Biofotônica, nos seguintes tópicos de interesse:

– Avanços em Terapia Fotodinâmica combinada à Radioterapia;

– Fotobiomodulação combinada à Radioterapia;

– Instrumentação óptica para dispositivos médicos.

Os projetos visam investigar aspectos inovadores em Biofotônica.

O candidato deve ter obtido título de Doutor em Física, Física Médica, Biologia, Engenharia, Química, Ciências Biomédicas, e áreas relacionadas, nos últimos 5 anos.

Documentos necessários (a serem enviados para lili@ifsc.usp.br):

– Duas cartas de recomendação (informação de contato);

– CV com lista de publicações e expertise;

– Declaração de uma página sobre o interesse (deixar claro o(s) tópico(s) de interesse específico).

Inscrições até o dia 30 de março de 2021.

Previsão de início: julho de 2021.

O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 7.373,10 mensais e Reserva Técnica equivalente a 10% do valor anual da bolsa para atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

 

5 de março de 2021

Profª Yvonne Mascarenhas vence prêmio instituído pela SBF

A Profª Yvonne Mascarenhas (IFSC/USP) acaba de conquistar o “Prêmio Joaquim da Costa Ribeiro – 2021”, outorgado pela Sociedade Brasileira de Física (SBF), “por suas atividades de pesquisa pioneiras em cristalografia de raios X e por iniciar uma sólida comunidade científica nesta área no Brasil”.

A Profª Yvonne é, assim, a primeira mulher a conquistar este prêmio que, anualmente e desde 2019, tem o intuito de reconhecer o trabalho de um pesquisador e pela contribuição, ao longo de sua carreira, para a Física da Matéria Condensada e de Materiais no Brasil.

(In Jornal da Ciência/SBF) “Yvonne Primerano Mascarenhas nasceu em Pederneiras, interior de São Paulo em 1931. Após mudar-se para o Rio de Janeiro com a família, formou-se Bacharel em Química em 1954 pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Em 1956 mudou-se para São Carlos–SP e, junto com seu esposo, Sergio Mascarenhas, abraçou o desafio de tornar a cidade um centro de referência internacional em pesquisa de Materiais. Como a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Escola de Engenharia da Universidade de São Paulo em São Carlos, viria a desempenhar um papel fundamental na atração de outros pesquisadores brasileiros e estrangeiros de altíssimo nível para a cidade, tendo também atuado como pivô na fundação do então Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC). Em 1959, recebeu uma bolsa de estudos Fullbright e passou dois anos trabalhando no laboratório de G. A. Jeffrey e B. Craven, na Universidade de Pittsburgh, EUA. Era o início de sua paixão pela Cristalografia e um importante passo para a introdução e consolidação dessa área de pesquisa no Brasil, facilitada por sua habilidade impressionante em atrair colaboradores e visitantes internacionais renomados ou em ascensão, tendo alguns deles inclusive se fixado em outros centros brasileiros como IPEN, UNICAMP, LNLS e USP. Ao longo de sua trajetória, trabalhou em instituições de prestígio como Harvard, Princeton e Birkbeck College e participou do grupo responsável pelo desenvolvimento do banco de dados cristalográficos de Cambridge (CCDC). Além de fundadora e primeira presidente da Associação Brasileira de Cristalografia (ABCr), onde também atuou em outras funções, é notável sua participação administrativa nas instituições derivadas da EESC, como o IFQSC e, posteriormente, os institutos independentes de Química (IQSC) e de Física (IFSC).

Em sua produtiva e continuada carreira, a Prof. Yvonne supervisionou cerca de 40 estudantes de mestrado e doutorado, publicou aproximadamente 200 artigos indexados e produziu numerosas contribuições em conferências e simpósios. Seu grupo de pesquisa se tornou um dos centros mais importantes em Cristalografia Química e Biologia Estrutural da América do Sul. Entre seus feitos, destaca-se a colaboração que resultou na determinação da estrutura cristalina da oxitocina (Science, 1986) e de toxinas de veneno de cobras (Eur. Biophys. J., 1992). Além da pesquisa, é notável e incessante seu interesse e dedicação pessoal no treinamento de jovens e suas ações para a promoção de meninas e mulheres nas Ciências. Aliás, a Profa. Yvonne – cientista, esposa, mãe de quatro filhos, é, não somente um ícone da Ciência Brasileira, mas um motivo de grande orgulho e exemplo para suas colegas, mulheres, cientistas”.

A comissão julgadora do prêmio foi formada pelos Professores Sergio Rezende (UFPE) e Félix Ynduráin (Universidad Autónoma de Madrid).

O prêmio será entregue em sessão solene que ocorrerá durante o Encontro de Outono da Sociedade Brasileira de Física, evento marcado entre os dias 21 e 25 do próximo mês de junho.

Para saber mais sobre este prêmio, clique AQUI.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

5 de março de 2021

Colação de Grau – Cursos do IFSC/USP (23/02/2021)

Diretor do IFSC/USP, Prof. Dr. Vanderlei Bagnato

Pela primeira vez em sua história, o IFSC/USP levou a efeito uma Colação de Grau integralmente virtual. O evento aconteceu no dia 23 de fevereiro e reuniu professores, alunos, familiares e amigos, todo mundo em suas casas, logados e atentos à cerimônia.

Colaram Grau os alunos da 28ª Turma do Curso de Bacharelado em Física, 12ª Turma do Curso de Bacharelado em Física Computacional, 12ª Turma do Curso de Bacharelado em Ciências Físicas e Biomoleculares, e da 25ª Turma do Curso Interunidades de Licenciatura em Ciências Exatas, perante o Diretor do Instituto, Prof. Dr. Vanderlei Bagnato, o Presidente da Comissão de Graduação, Prof. Dr. Luís Gustavo Marcassa, a Coordenadora da Comissão Coordenadora do Curso Interunidades de Licenciatura em Ciências Exatas, Profª Drª Cibelle Celestino Silva e, como convidados especiais, os vice-diretores das Unidades parceiras do IFSC/USP, Prof. Dr. Hamilton Varela (IQSC/USP) e Prof. Dr. André Carlos Carvalho (ICMC/USP), entre muitos outros docentes que fizeram questão de acompanhar o evento.

O diretor do IFSC/USP, Prof. Vanderlei Bagnato, que presidiu à cerimônia ocupando a grande Sala de Congregações do Instituto, apenas assessorado pela responsável da Assistência Técnica Acadêmica, Elizabeth Cristina Conti, confessou que o momento, embora festivo, era estranho, já que nunca na sua vida tinha presidido uma cerimônia com sala vazia. Ao agradecer a presença de todos, Vanderlei Bagnato fez um agradecimento especial in memoriam ao Prof. Dr. Ricardo De Marco, falecido semana antes vítima de um acidente. “Gostaria de pedir um minuto de silêncio e os agradecimentos a essa vida relativamente curta, mas dedicada ao nosso Instituto e aos seus alunos, do Prof. Ricardo De Marco, professor do curso de Ciências Físicas e Biomoleculares. Independentemente de onde ele estiver, eu peço a ele que se junte a nós na missão de continuar a ensinar e a formar pessoas como vocês, aqui presentes remotamente nesta Colação de Grau”. Ainda no capítulo dos agradecimentos, o diretor do IFSC/USP enfatizou a ação dos pais e familiares, tendo salientado que a Colação de Grau era dedicada a todos eles, não só pelo esforço realizado e pelos momentos de sacrifício, como pelo total apoio dado aos jovens. Aos alunos, Bagnato dedicou um momento especial: “Queria agradecer aos alunos a sua presença neste evento, uns dentro da garagem, outros nos quartos, outros ainda dentro das “Kombi”. Gostaria de ter todos aqui, mas não é possível e entre não fazer nada, ou fazer o melhor possível em um ato tão importante como este, nós escolhemos a segunda opção. Só que esta opção não tira de vocês a responsabilidade de, futuramente, quando as condições sanitárias permitirem, virem em São Carlos e juntarem seus professores e colegas para, todos juntos, fazermos a celebração que este momento pede. Esta é a primeira vez na minha vida que participo de uma colação de grau remota, e com certeza para vocês vai ficar para a história. Estamos passando um momento de uma verdadeira guerra, que tem ceifado centenas de milhares de pessoas, uma guerra contra um inimigo cruel e silencioso. No pós-guerra iremos precisar de profissionais preparados  para levantar de novo aquilo que tínhamos antes, ou recomeçar aquilo que gostaríamos de conquistar – e não preciso dizer qual é o fim da frase: temos que formar mais gente do que nunca, pois as perdas humanas foram enormes”, sublinhou o diretor do IFSC/USP, antes de fazer seu discurso de abertura.

Diretor do IFSC/USP, Prof. Dr. Vanderlei Bagnato, Presidente da Comissão de Graduação, Prof. Dr. Luís Gustavo Marcassa, e a Coordenadora da Comissão Coordenadora do Curso Interunidades de Licenciatura em Ciências Exatas, Profª Drª Cibelle Celestino Silva

 

Discurso do Diretor – “Não se agarrem aos fracassos e nem os usem para frustrar a brilhante carreira que terão pela frente”

Foi com emoção que o diretor do IFSC/USP proferiu seu discurso de abertura nesta Colação de Grau muito especial para todos:

“Chegando ao final desta etapa, vocês devem estar bastante felizes e com um sentimento de missão cumprida. Quando chegamos a um momento como este percebemos que não é o conhecimento que muda o mundo, mas são as pessoas que detém esse conhecimento que são capazes de o mudar. Agora, vocês são parte disso, especialmente neste momento de crise, onde temos que levantar uma Nação. De nada serve o esforço feito por nós e por vocês para adquirir conhecimento, se ele não for aplicado para melhorar o Homem e tudo o que se encontra ao seu redor. Todos dizem neste país que só a Educação mudará nossa realidade: então, o que estamos esperando para começar a mudar o País? Esperar atitudes do governo, não dá certo; por isso, temos que ter a iniciativa de mudar com aquilo que possuímos no momento, e o que nós temos de precioso exatamente neste momento são pessoas como vocês. Lembrem-se que temos a tarefa de melhorar a nossa sociedade, especialmente vocês que estudaram aqui, mantidos pelo suor de milhões de brasileiros. O passo que vocês estão dando hoje, neste dia, é algo muito recente e podem crer que irão ter saudades uns dos outros, terão momentos de lembranças que não mais voltarão. O tempo de graduação é inesquecível. Como diz um provérbio que eu sempre menciono – só que não sei o autor – “Tudo que é bom dura o tempo suficiente para ser inesquecível”. E, acreditem, a graduação tem a duração necessária para ser inesquecível e é o tempo necessário para cada um de vocês. Agora é o momento para refletirem “Como passei por esta etapa?”; “Será que conquistei tudo e todos?”; “Aproveitei tudo que pude?”; “Fiz bons amigos?”; “Fiz esta etapa com paixão?”. Lembrem-se da famosa frase  “Nada de grande nesse mundo foi feito sem a devida dose de paixão”. Isso significa que vocês, com sua capacidade, podem sempre conquistar grandes coisas, mas coisas ainda maiores serão sempre conquistadas se vocês fizerem com paixão. Nós esperamos que vocês tenham aprendido aqui coisas fascinantes, esperamos que tenham aprendido a matemática do fascínio, que não é feita com números, mas com emoções. Esta é uma matemática que não divide, apenas multiplica, uma matemática que não subtrai, apenas soma. Esperamos que vocês saiam daqui não apenas mais inteligentes, mas acima de tudo mais sábios. O inteligente e o sábio são bem diferentes. O inteligente sabe conduzir e o sábio sabe aproveitar todos os erros que estão ao seu redor, os dele e os dos outros. Do ponto de vista institucional, me orgulho de fazer parte de uma equipe de professores que vê na educação dos nossos alunos uma fronteira sem fim, preocupando-nos todo o tempo em sermos inovadores neste assunto, transferindo para vocês a ideia de que não os estamos educando para que se formem barreiras disciplinares, mas para quebrá-las. Nesse sentido, vocês serão nossos emissários perante uma sociedade que, com bastante sacrifício, ajudou a mantê-los aqui por todos esses anos e que agora espera – e pede -, como retorno, nada mais do que o seu melhor. Ter orgulho de ter sido estudante do Instituto de Física de São Carlos e da USP, se já não está enraizado em vossos peitos, certamente estará dentro de pouco tempo. Agora, ainda está muito recente os diversos sacrifícios feitos à imagem daquele professor que não cedeu, nem um pouquinho, na avaliação, etc., mas todos eles serão lembrados com ternura. O importante de uma graduação é que aprendemos como ser e como não ser. Talvez um rio seja uma analogia que podemos fazer nesse sentido. Um rio contorna todos os obstáculos para atingir seu objetivo natural final, que é chegar ao oceano. Muitos pensam que ele se perde ao atingir o oceano, e talvez seja isso mesmo que as montanhas tentam fazer, mas apenas ele, o rio, sabe que, na verdade, se transformará no próprio oceano. Assim são vocês… Contornaram inúmeros obstáculos, mas estão começando a ver coisas mais grandiosas surgindo. Não se preocupem com os fracassos, pois eles existem para que os momentos de glória tenham maior valor. Voltando à nossa analogia com o rio, lembrem-se que para alguns rios o caminho é maior e mais tortuoso, mas no final todos atingem seu ponto final. O fracasso é parte integrante da atividade científica e dessa forma não poderia ficar fora da formação de um cientista, ou de um profissional inserido na área científica. Procuramos treiná-los para achar formas de superar os fracassos; não se agarrem nos fracassos e nem os usem para frustrar a brilhante carreira que terão pela frente”.

Após o discurso de abertura, foi entoado o Hino Nacional, tendo-se seguido os discursos do Presidente da Comissão de Graduação e da Coordenadora da Comissão Coordenadora do Curso Interunidades de Licenciatura em Ciências Exatas, com a chamada dos alunos, as Oratórias dos três Cursos de Bacharelado e do Curso de Licenciatura, a cargo dos formandos Yuri Peres Asnis e Marcos Vinicius Ribeiro Ferreira, o Juramento e a Conferência de Grau, a entrega do “Prêmio Bernhard Gross” aos estudantes que obtiveram o melhor desempenho acadêmico durante todos os cursos, e o encerramento do evento.

Recorde toda a cerimônia no Canal Youtube (CLIQUE AQUI)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação IFSC/USP

5 de março de 2021

No IFSC/USP – Minicurso de Espectroscopia de Fotoelétrons Excitados por Raios-X (XPS)

Realiza-se entre os dias 8 e 10 de março do corrente ano um minicurso de Espectroscopia de Fotoelétrons Excitados por Raios-X (XPS), organizado pelo Prof. Dr. Renato Vitalino Gonçalves.

O objetivo principal do curso é apresentar os princípios fundamentais da técnica de XPS e da análise de dados.

O curso será realizado em modo virtual, utilizando a plataforma de videoconferência Google Meet.

O evento será organizado em palestras, que abordarão os seguintes tópicos:

– Interação da radiação com a matéria;
– Efeito fotoelétrico;
– XPS: Uma abordagem histórica;
– Notação espectroscópica de raios-X;
– Acoplamento spin-órbita;
– Deslocamento químico;
– Tipos de amostras;
– Exemplos de contaminação;
– Overview sobre a calibração pelo carbono adventício;
– Análise de dados;
– Exercícios práticos utilizando o software CasaXPS.

As inscrições são gratuitas e haverá um número limitado de participantes.

A seleção ocorrerá a partir das inscrições feitas por formulário eletrônico (VER AQUI).

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

3 de março de 2021

Novo prêmio do ICTP-SAIFR para pesquisas relacionadas com  Ondas Gravitacionais

O ICTP-SAIFR acaba de criar mais uma premiação, desta vez dedicada a pesquisadas relacionadas com Ondas Gravitacionais, denominada “ICTP-SAIFR Prize in Classical Gravity and Applications.

A premiação anual reconhecerá teses de doutorado e pesquisas de excelência na área de gravidade clássica e suas aplicações em física de ondas gravitacionais, astrofísica e cosmologia. O objetivo é incentivar e impulsionar o cenário latino-americano de pesquisa nas áreas relacionadas às Ondas Gravitacionais.

A existência de ondas gravitacionais, previstas na Teoria da Relatividade Geral de Einstein, foi comprovada indiscutivelmente em 2015, pela detecção direta feita pelo LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory), por meio da observação de ondas originadas pela fusão de dois buracos negros. Esse acontecimento foi um marco nas pesquisas cosmológicas e astronômicas, não apenas por ser mais uma proposição correta da Teoria da Relatividade Geral, mas também, e principalmente, por apresentar uma nova forma de estudar o Universo e seus componentes.

Até então, cientistas contavam basicamente com dados obtidos a partir da radiação eletromagnética (como luz visível, raios-x, ondas de rádio, microondas, etc), as Ondas Gravitacionais, entretanto, são uma fonte de dados completamente diferente. Por conta disso, acredita-se que o estudo das Ondas Gravitacionais abriu uma nova janela para compreensão do Universo. Segundo Gabriela Gonzalez, colaboradora do LIGO e membro do conselho do ICTP-SAIFR, “é como se agora tivéssemos um filme com cor e áudio. A cor é toda a luz emitida por corpos celestes, enquanto o som são as Ondas Gravitacionais reverberando pelo espaço”.

Outra característica importante é que as ondas gravitacionais interagem muito fracamente com a matéria (ao contrário da radiação eletromagnética) e, portanto, viajam pelo espaço de maneira praticamente livre, levando consigo informações sobre suas origens sem distorções ou alterações. Detectar e analisar as informações transportadas permite observar o Universo e estudar suas origens de uma forma nunca antes possível, empolgando astrônomos e outros cientistas com as novas possibilidades.

É reconhecendo a relevância do estudo das Ondas Gravitacionais que o ICTP-SAIFR criou essa nova premiação. Podem se inscrever recém-doutores de qualquer país da América Latina que tenham desenvolvido sua pesquisa na área de gravitação clássica e suas aplicações. A premiação consistirá na quantia de R$ 1000,00, um certificado e despesas de viagem e alocação para apresentar uma palestra convidada no ICTP-SAIFR Workshop in Classical Gravity and Applications.

As nomeações para o prêmio devem ser feitas até o dia 30 de abril de 2021, preferencialmente pelos orientadores dos recém-doutores, e devem ser enviadas para o endereço gravityprize@ictp-saifr.org.

Para obter mais informações e acessar a lista de documentos exigidos, clique AQUI.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

3 de março de 2021

“Projeto Portinari” divulga 42 anos de palestras de João Candido Portinari

O “Projeto Portinari”, criado em 1979 por João Candido Portinari, filho do saudoso artista plástico brasileiro Candido Portinari (Brodowski, 29/12/1903 – Rio de Janeiro, 06/02/1962), acaba de lançar a listagem de todas as palestras e lives que João Candido realizou ao longo de 42 anos.

O intuito é dar a conhecer ao público o “universo Portinari”, obra, vida e época do pintor, bem como do próprio “Projeto Portinari” que possui em seu acervo documental os principais documentos de identidade pessoais do artista.

Para acessar a listagem, acesse:

1-de 1983 a 2018, sem gravação (AQUI)

2-até 2019, inclusive, com gravação (AQUI)

3-Em 2020, com gravação (AQUI)

4-Em 2021, com gravação (AQUI)

Dúvidas e comentários sobre esta iniciativa deverão ser dirigidos para o email portinari@portinari.org.br

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

3 de março de 2021

COVID-19: pesquisadores do IFUSP participa de estudo internacional em tomografia computadorizada

Há uma falta de padronização sobre protocolos específicos de realização de tomografia computadorizada (CT) em pacientes com COVID-19. Estudo conduzido por colaboração de pesquisadores ligados à a Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) teve como objetivo avaliar variações na utilização da tomografia computadorizada para o imageamento torácico destes pacientes.

No escopo do levantamento estão incluídos 54 centros de saúde em 28 países, em que foram mapeados os exames de CT realizados em pacientes com COVID-19. O questionário obteve informações variadas sobre políticas específicas do uso da tomografia em pacientes com COVID, e os dados coletados incluem informações gerais do paciente, do equipamento de tomografia, protocolos de varredura e dosagem da radiação.

A colaboração brasileira na pesquisa, coordenada por físicos do IAEA e médicos da Universidade de Harvard, consistiu na coleta de dados de pacientes que realizaram procedimentos de TC no Hospital das Clínicas.
O maior desafio do estudo foi extrair, a partir da enorme quantidade de dados, as informações mais relevantes que demonstrassem o cenário da utilização desta técnica para o diagnóstico de pacientes com COVID-19, associando as técnicas utilizadas e as doses associadas a estes procedimentos.” comenta Paulo Roberto Costa, do Grupo de Dosimetria das Radiações e Física Médica do IFUSP, co-autor do artigo. Destaca também a participação da física Denise Y. Nersissian, do mesmo grupo, e da residente em Física Médica Julianna Castro.

Verificou-se assim que o uso de tomografia computadorizada mostrou grande variação entre os locais, dentro do mesmo país e entre diferentes países. Muitos pacientes foram submetidos ao procedimento de imagem  várias vezes ou com protocolos de tomografia computadorizada multifásicos. Veja os resultados completos do estudo no artigo publicado no periódico Radiology da Radiological Society of North America, disponível em https://pubs.rsna.org/doi/10.1148/radiol.2020203453.

 (In: IFUSP)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

1 de março de 2021

Na USP – “Mulheres na Ciência – Destaques 2020”

A Pró-Reitoria de Pesquisa realiza no próximo dia 08 de março (Dia Internacional da Mulher) o evento ”Mulheres na Ciência – Destaques 2020, em parceria com o ECar – Escritório de Desenvolvimento de Carreiras – Pró-Reitoria de Graduação),  no dia 08 de março, das 17h às 20h.

O objetivo do evento é homenagear nossas pesquisadoras e discutir alguns temas relativos a gênero no meio acadêmico.

Também serão premiadas algumas pesquisadoras que se destacaram em 2020 com trabalhos relacionados ao combate à COVID-19.

Confira abaixo, no cartaz, a programação deste evento.

“Mulheres na Ciência – Destaques 2020” será transmitido pelo Youtube – Canal USP (AQUI), com a participação do Reitor, Vice-Reitor e Pró-Reitores da Universidade de São Paulo, num evento que tem o objetivo de homenagear as mulheres e, neste caso, as pesquisadoras da USP.

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

1 de março de 2021

Aplicações da Nanotecnologia em Saúde: Materiais e técnicas para o desenvolvimento de biossensores para diagnóstico

Pesquisar e estudar novos materiais e técnicas para a criação de biossensores portáteis e baratos, tendo em vista desenvolver métodos rápidos de auxílio ao diagnóstico de várias doenças, sem necessitar de procedimentos laboratoriais: o foco é a utilização do óxido de grafeno, um derivado de grafeno.

Este foi o direcionamento de um estudo realizado por pesquisadores do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano-IFSC/USP), em colaboração com colegas da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar – Campus de Araras), utilizando um derivado do grafeno como candidato prioritário para esse fim, numa pesquisa recentemente publicada na revista internacional “Applied Surface Science”.

Nirton Vieira

Descoberto em 2004, o grafeno consiste em uma monocamada de átomos de carbono arrumados, como em um favo de mel, possuindo propriedades particulares e excepcionais. Como a pesquisa em torno desse material ainda é relativamente recente, muitos desafios existem para viabilizá-lo comercialmente. “Neste projeto focamos nossa atenção em uma solução que objetivasse o desenvolvimento de um método a um custo inferior em relação a outros processos existentes. Para isso, utilizamos o óxido de grafeno reduzido (rGO), que pode ser tão eficiente quanto outros candidatos, dependendo da aplicação, como o grafeno puro. No caso do grafeno produzido por CVD (deposição química a vapor), somente o custo da matéria prima tem um valor inicial acima de 500 dólares por amostras de 4 polegadas, sem contar ainda o custo de processamento e de todo os problemas ambientais envolvidos nesse tipo de fabricação, que origina com grande quantidade de rejeitos tóxicos. Nosso processo ainda envolve alguns agentes químicos, mas o processamento do material como camada ativa dos sensores é todo feito em meio aquoso, dispensando o uso de solventes orgânicos agressivos”, esclarece o professor do Instituto de Ciência e Tecnologia da UNIFESP e um dos autores do estudo, Prof. Dr. Nirton Vieira.

Sucintamente, o que os pesquisadores fizeram foi investigar a qualidade e as características do óxido de grafeno reduzido com o intuito de aumentar a sensibilidade em biossensores para o futuro desenvolvimento de métodos rápidos de auxílio ao diagnóstico, sem a necessidade de um laboratório de análises clínicas. “No artigo em questão, provamos ser possível a detecção de um biomarcador de disfunção renal em amostras de urina sintética. Esperamos, no futuro, alcançar um dispositivo eletrônico miniaturizado que possa ser acoplado a um sistema embarcado, com a possibilidade de usar apenas um celular para processamento e leitura dos sinais”, esclarece o Prof. Nirton.

Fabrício Santos

Nesta pesquisa, os cientistas utilizaram como matéria prima o grafite, que foi oxidado para formar folhas de óxido de grafeno (GO). Contudo, durante o processo de oxidação, este material se transforma em um isolante elétrico, o que o torna pouco atrativo para este tipo de aplicação (dispositivos eletrônicos). Em face às dificuldades, os pesquisadores decidiram fazer o processo inverso, como explica Fabrício dos Santos, pesquisador do GNano.

“Reduzimos quimicamente o GO, tornando-o condutor e viabilizando o seu uso como um transistor de efeito de campo (FET). Essa forma de processamento de grafeno é muito versátil, pois é possível controlar diversas propriedades, como elétricas, óticas e térmicas. E nessa pesquisa usamos duas metodologias para obter dois tipos de grafeno quimicamente reduzido – um funcionalizado para termos um material com carga positiva, e outro dopado com nitrogênio, com carga negativa e maior mobilidade eletrônica”, pontua o pesquisador, sublinhando que a maior dificuldade neste estudo foi encontrar um ponto onde fosse possível manter a estabilidade do material em solução aquosa com a propriedade desejada, que, no caso, foi a condutividade, pois quanto mais se reduz o óxido grafeno mais ele tende a agregar, impossibilitando assim produzir os filmes desejados.

O baixo custo de processamento do rGO possibilitará o desenvolvimento de eletrodos descartáveis, aliado à vantagem de ter um dispositivo sem a necessidade do uso de um laboratório de análises clínicas, permitindo seu uso em qualquer fluído corporal (sangue, urina, saliva) para a detecção de outros biomarcadores de doenças.

Valtencir Zucolotto

“As principais vantagens de dispositivos biossensores à base de derivados de grafenos são a alta condução e a biocompatibilidade, que podem gerar dispositivos com baixos limites de detecção e que futuramente esperamos que sejam opções comerciais na área médica”, explica o Prof. Dr. Bruno Janegitz, da UFSCar – Campus Araras, colaborador e co-autor do trabalho.

Para o Coordenador do GNano-IFSC/USP, Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, este estudo retrata muito bem as expertises do GNano, que focaliza a aplicação da Nanotecnologia em áreas de saúde e agricultura. O dispositivo desenvolvido possui tecnologia e conhecimento embarcados e capacidade de ser produzido em escalas maiores.

Assinam este artigo os pesquisadores Fabrício Santos (GNano-IFSC/USP), Nirton Vieira (UNIFESP), Naiara Zambianco (GNano-IFSC/USP), Bruno Janegitz (UFSCar – Campus de Araras) e Valtencir Zucolotto (GNano-IFSC/USP)

Para conferir o artigo científico, clique AQUI.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

26 de fevereiro de 2021

Pesquisador da ESALQ/USP visita campi da USP São Carlos e avalia situação ambiental

Com o intuito de fazer um levantamento da situação arbórea em duas Áreas do Campus da USP de São Carlos, nominalmente nas Áreas 1 e 2, até para prevenir eventuais acidentes, o Prefeito do Campus, Prof. Dr. Sérgio Paulo Campana Filho, realizou no dia 25 de fevereiro visitas às duas áreas, acompanhado pelo pesquisador e docente da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), Prof. Dr. Demóstenes Ferreira da Silva Filho, cuja colaboração com a USP de São Carlos remonta a anos anteriores.

Tal como a maior parte dos Campi da USP espalhados pelo Estado de São Paulo, o Campus de São Carlos possui áreas extensas muito arborizadas e, segundo o pesquisador, é necessário ter sempre o máximo cuidado com a preservação das espécies arbóreas e de todas as outras espécies vegetais, até porque existem diversos conflitos, como, por exemplo, entre as árvores e as construções e, em segundo plano e como consequência, entre as árvores e o ser humano. Assim, o adequado manejo arbóreo é uma importante estratégia que deve ser encarada como uma prioridade visando à prevenção de acidentes, mas essa prevenção não significa apenas cortar árvores. “Não dá para cortar tudo e ficar sem árvores. De fato, a minha presença aqui foi para fazer um levantamento para um projeto que estamos executando em todos os Campi da Universidade de São Paulo, levantamento esse que integrará um plano para monitorar todas as árvores através de um sistema informatizado, georreferenciado, que será utilizado no futuro e que acompanhará a evolução das espécies arbóreas nos Campi, de forma a cuidarmos das árvores e diminuir radicalmente os conflitos que possam surgir. Ao fazermos isso, estamos também melhorando os benefícios que as árvores oferecem ao ser humano e ao meio ambiente.” O projeto incluirá uma base de dados que será  constantemente atualizada, para que, segundo o pesquisador, haja uma gestão eficiente, incluindo um lote de informações que estará disponível para o público. “A ideia é que cada árvore possa ter um QRCode cuja leitura dá acesso ao público às características dela, além de informações sobre potenciais riscos, problemas inerentes ao crescimento das raízes, galhos secos que podem constituir perigo, etc., informações essas que serão também de extrema utilidade para que os serviços responsáveis possam ser acionados”, conclui o Prof. Demóstenes.

Certamente que um projeto destes poderia ser implementado em diversas cidades brasileiras, com altos benefícios para a sociedade.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

25 de fevereiro de 2021

03 de março – “Iniciativas Mercado Convida” – 4ª edição

Na 4ª edição do evento “Iniciativas Mercado Convida”, o grupo, em parceria com a Semana da Engenharia da Computação e Secretaria Acadêmica da Engenharia da Computação, trará no dia 03 de março, às 19h00, pela plataforma YouTube, as startups Rentbrella e BeUni, de São Carlos, e também os profissionais Antônio Carlos Murayama e Dominic de Souza, que possuem mais de 25 anos de experiência na área de tecnologia.

O evento tem como objetivo aproximar os alunos a essa área, apresentando possibilidades de carreira no ramo.

Para saber mais, confira as informações nas redes sociais do grupo e  se inscreva AQUI.

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

25 de fevereiro de 2021

A Síndrome de Wolfram – um laboratório para a terapia genética

Proteínas mal enoveladas (laranja) no Retículo Endoplasmático -responsáveis pelo mal de Wolfram (Crédito: V. ALTOUNIAN/SCIENCE)

Por: Prof. Roberto N. Onody *

A síndrome de Wolfram é uma doença hereditária fatal e muito rara. Estima-se que cerca de 15.000 a 30.000 pessoas, em todo o mundo, sejam portadoras desse mal 1.

Durante a Grande Depressão na década de 30, quatro crianças diagnosticadas com diabetes e que estavam ficando cegas, foram examinadas pelo Dr. Donald Wolfram em Rochester, Minnesota. Ele e seu colega oftalmologista, descartaram a hipótese de uma dieta pobre e de má nutrição (à época, o diagnóstico prevalecente) dessas crianças, como causadoras dos sintomas. Em 1938, eles concluíram que os sintomas eram “uma manifestação hereditária ou lesão cerebral adquirida”.

A síndrome de Wolfram é uma doença de corpo inteiro. Seu primeiro sintoma, é o diabetes mellitus ou diabetes do tipo 1, um distúrbio metabólico causado pelo excesso de glicose no sangue (em geral, pela baixa produção de insulina no pâncreas). O diabetes já se manifesta nos primeiros anos de vida. A maior parte dos pacientes também desenvolvem o Diabetes insipidus, quando a glândula pituitária não produz hormônios suficientes para o balanceamento do fluido corporal, levando os rins a produzirem níveis elevados de urina. A doença ataca também o cerebelo, levando à perda de coordenação e controle do movimento. À medida que a doença progride, o paciente passa a ter perda de visão, surdez, dificuldade de respirar, de caminhar e de engolir. A maior parte dos portadores da síndrome Wolfram morrem antes completar 40 anos de idade.

Por ser uma doença rara, é muito difícil angariar fundos para financiar o seu estudo. Porém, em anos recentes, isso vem se alterando. Descobriu-se que o principal responsável pela síndrome é o mal funcionamento do reticulo endoplasmático ou ergastoplasma (Figura 1). O reticulo endoplasmático (RE) é uma organela da célula que participa da formação final de proteínas, enovelando-as. Cerca de 1/3 das proteínas ganham sua forma correta ali.

No ser humano, de 20 a 25 mil genes codificam perto de 2 milhões de proteínas. O gene WFS-1 é o responsável pela proteína wolframina. Uma mutação recessiva nesse gene, faz com que a wolframina se enovele incorretamente no RE. O acúmulo de wolframinas mal enoveladas, leva ao chamado estresse do RE. Mas, o estresse do RE é, sabidamente, uma condição também existente em várias outras doenças como o diabetes tipo 2, mal de Parkinson, mal de Alzheimer e a esclerose lateral amiotrófica. Por conseguinte, investigar a síndrome de Wolfram também auxiliará no estudo e na compreensão daquelas outras doenças.

A síndrome de Wolfram é uma doença monogênica progressiva. Por ser monogênica é muito mais ‘simples’ estudá-la. Segundo Fumihiko Urano, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, “A síndrome de Wolfram é o protótipo de uma desordem no retículo endoplasmático”. É um laboratório para se investigar o estresse do RE. Quando as células não conseguem aliviar esse estresse, elas se autodestroem. Daí o porquê de tantos neurônios e células beta (que sintetizam a insulina) mortas.

Segundo a fisiologista Barbara Ehrlich, da Escola de Medicina de Yale, a wolframina defeituosa pode afetar as células de uma outra maneira. O RE, continuamente, absorve e libera íons de cálcio. Na presença da wolframina malformada, o fluxo de cálcio se desregula levando, por exemplo, à contração das células do músculo do coração. Nessa mesma linha, uma equipe da Agência Francesa de Pesquisa Biomédica (INSERM) descobriu que, nas células dos portadores da síndrome de Wolfram, a mitocôndria recebia menos cálcio do RE, produzindo, então, menos energia e desencadeando, eventualmente, a morte das células do nervo ótico.

Testes clínicos com o relaxante muscular Dantrolene começaram em 2016. Em muitos pacientes, as células beta melhoraram seu desempenho aumentando a produção de insulina, mas não houve nenhum benefício para a visão. Um outro experimento, realizado em 2018 no Reino Unido, testou, em laboratório, o medicamento Valproato de Sódio (usado, originalmente, para tratamento de epilepsia e desordem bipolar). Houve uma diminuição substancial da morte das células com malformação da wolframina. Em artigo publicado este ano, K. Seppa et al. 2, realizaram experimentos em ratos portadores da síndrome de Wolfram. Eles constataram que o tratamento com as drogas Liraglutida (utilizada para diabetes) e 7,8 Dihydroxyflavone impedia a progressão da perda de visão e do declínio cognitivo. Em alguns casos, os ratos apresentaram um aumento na acuidade visual e regeneração de neurônios.

Num ataque mais direto às causas do que aos efeitos da doença, estão em desenvolvimento duas linhas de pesquisas baseados em terapia genética.

Na primeira técnica, células de portadores da síndrome são levadas ao laboratório, onde são injetadas cópias de genes saudáveis (que produzem a wolframina corretamente enovelada). Em seguida, analisa-se se há restauração do funcionamento normal das células e redução da morte celular.

A segunda técnica, utiliza o editor de genoma CRISPR. CRISPR (que significa Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats) é um avanço espetacular de engenharia genética que permite, localizar, remover e substituir genes em organismos vivos! As cientistas Doudna e Charpentier, receberam o Prêmio Nobel de Química de 2020, por esse desenvolvimento. A equipe de K. G. Maxwell 3, utilizando o editor CRISPR, removeu os genes defeituosos das células tronco de um paciente portador da síndrome de Wolfram, substituindo-os pela versão saudável. Essas células tronco foram, então, diferenciadas para se tornarem células beta e transplantadas em ratos com diabetes. Os animais retornaram a um nível saudável de açúcar no sangue, sem diabetes.

Esse experimento e seus resultados animadores, fazem da síndrome de Wolfram, um laboratório ideal para aplicar e se acompanhar o desenvolvimento de uma terapia genética. A morte das células, causada pelo mal enovelamento de proteínas, é bastante comum em doenças neurodegenerativas. Por exemplo, no mal Alzheimer, várias proteínas malformadas se acumulam tanto dentro quanto fora dos neurônios comprometidos. O tratamento por terapia genética é bem mais difícil, pois as proteínas envolvidas estão ligadas a múltiplos genes.

*Físico, Professor Sênior do IFSC – USP

(Agradecimento: ao Sr. Rui Sintra da Assessoria de Comunicação)

Referências

1 The race to treat a rare, fatal syndrome may help others with common disorders like diabetes | Science | AAAS (sciencemag.org)

Mitch Leslie, doi:10.1126/science.abh0281

2 Liraglutide, 7,8-DHF and their co-treatment prevents loss of vision and cognitive decline in a Wolfram syndrome rat model | Scientific Reports (nature.com)

K.Seppa et al. Scientific Reports volume 11, 2275 (2021)

3 Gene-edited human stem cell–derived β cells from a patient with monogenic diabetes reverse preexisting diabetes in mice | Science Translational Medicine (sciencemag.org)

10-G. Maxwell et al., DOI: 10.1126/scitranslmed.aax9106

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Físico, Professor Sênior do IFSC – USP

Agradecimento: ao Sr. Rui Sintra da Assessoria de Comunicação

 

Referências:

 

22 de fevereiro de 2021

Sessão Solene de Colação de Grau (remota) dos Cursos do IFSC/USP

-28ª Turma de formandos o curso de Bacharelado em Física;
-12ª Turma de formandos do curso de Bacharelado em Física Computacional;
-12ª Turma de formandos do curso de Bacharelado Ciências Físicas e Biomoleculares;
-25ª Turma de formandos do curso Interunidades de Licenciatura em Ciências Exatas;
Assessoria de Comunicação – IFSC/USP
19 de fevereiro de 2021

USP – 46 propostas de consórcios acadêmicos foram selecionadas para 2021

A Pró-Reitoria de Graduação selecionou 46 projetos para a formação de Consórcios Acadêmicos para a Excelência do Ensino de Graduação (CAEG). Os projetos devem ser executados durante o ano de 2021.

O consórcio acadêmico é uma associação de docentes de diferentes cursos e campi da Universidade, criado para desenvolver atividades integradas, em todas as áreas do conhecimento, com impactos diretos na formação diferenciada dos estudantes.

Ao todo, serão investidos R$ 3 milhões, sendo o valor máximo para cada CAEG de R$ 120 mil. Os recursos poderão ser utilizados em material de consumo, equipamentos, diárias de docentes, despesas de mobilidade e bolsas de estudo para estudantes de graduação e de pós-graduação.

“É importante ressaltar a grande adesão dos docentes a esse programa, que visa à excelência do ensino de graduação em diferentes vertentes: inovação e integração docente, avaliação, inclusão e formação de professores para a Educação Básica. As 49 propostas que foram submetidas mostram que houve uma grande integração de diferentes cursos, departamentos, unidades e campi da Universidade”, afirmou o pró-reitor de Graduação, Edmund Chada Baracat.

Dos 46 projetos aprovados, 32 são da categoria “Inovação e integração docente no Ensino de Graduação”; seis são da categoria “Avaliação como instrumento para aperfeiçoar o Ensino de Graduação”; três da categoria “Avaliação e monitoramento da política de inclusão e ingresso na USP”; e cinco da categoria “Formação de professores para a Educação Básica no cenário 2030”.

Para a pró-reitora adjunta de Graduação, Maria Vitória Lopes Badra Bentley, “os CAEGs aprovados inserem os estudantes de graduação em um contexto multi, inter e transdisciplinar, que vai além de seus cursos e unidades. Em alguns casos, trarão aos estudantes experiências de diferentes campi da USP e instituições externas”.

Ensino Inovador

O propósito dos consórcios acadêmicos é fortalecer parcerias de integração dentro da Universidade e promover o compartilhamento de recursos humanos, infraestrutura, conhecimento e experiências bem-sucedidas no ensino de graduação.

Outra característica é o caráter multidisciplinar, que deve enfatizar a importância de tratar de forma integrada os temas relacionados ao ensino de graduação, inserindo os estudantes em um contexto inter ou transdisciplinar.

Os CAEGs devem ser compostos de unidades de diferentes campi da USP e atuar em uma das quatro áreas:

-Inovação e integração docente no Ensino de Graduação: compartilhamento de experiências de ensino no formato híbrido e em disciplinas de caráter específico para a formação de professores.

-Formação de professores para a Educação Básica no cenário 2030: ações inovadoras no projeto pedagógico dos cursos de licenciatura e elaboração de pesquisas aplicadas aos Ensinos Fundamental e Médio.

-Avaliação como instrumento para aperfeiçoar o Ensino de Graduação: ferramentas ou indicadores para avaliar a qualidade do ensino oferecido nos cursos de graduação da USP.

-Política de inclusão e o ingresso na USP: estratégias, recursos ou ferramentas para diferenciar e promover a política de ingresso na Universidade.

Confirma a lista das propostas selecionadas:

Inovação e integração docente no Ensino de Graduação

-Caminhos para a disrupção no processo de ensino e aprendizagem em cursos de graduação em Gestão (FEA, FEARP, EACH, ESALQ);

-Aprendendo e transformando: ensino de graduação vinculado à extensão universitária interdisciplinar e empreendedora (Piloto via Projeto Periferia Livr@) (FEA, ECA, FFLCH, FE, IP, Poli, ICMC);

-Construção e estruturação de disciplinas, visita técnica anual e material didático – roteiros urbanos e trilhas e caminhadas de longa distância (educação, lazer e turismo) (EACH, FAU, FFCLRP);

-Modelo híbrido de ensino presencial e remoto entre cursos de graduação de Exatas envolvendo áreas aplicadas à Medicina e à Biologia (FFCLRP, FMRP, EESC, IFSC);

-Interpretação de Exames Laboratoriais para a Área da Saúde (ICB, EE, FMRP, FFCLRP);

-Utilização de ferramentas digitais, gaming e aprendizagem baseada em problemas (ABP) no ensino híbrido de Biologia do Desenvolvimento (ICB, IB, EACH, FMRP, FCFRP)

-Prospecção do conhecimento e mineração da informação no ensino de graduação: uma integração entre as Engenharias de Minas e de Petróleo com as Geociências (EP, IGc, UFPA, UNIFESSPA)

-Pró-Pescado – ensino prático para produção de alimento saudável (IO, FMVZ , IB, ICB, CEBIMar);

-A Transdisciplinaridade Integrando Tecnologias, Ciências do Trabalho, Fatores Humanos e Sustentabilidade (EEL, FAU, EACH, FSP, FM, EP, FFCLRP);

-Unindo Competências e Habilidades em Sistemas de Informação e Administração de Negócios a partir da Criação e Execução de Projetos Integradores Interdisciplinares (ICMC, FEARP);

-Do Acolhimento à Mentoria: Formação de docentes para o desenvolvimento de estratégias de adaptação e competências socioemocionais em alunos de graduação (FFCLRP, FEARP, ICMC, EESC);

-Inovação no ensino de processos industriais farmacêuticos e biotecnológicos na era da indústria 4.0: uma abordagem multidisciplinar e interinstitucional (FCFRP. EP, FM, FCF, Instituto Butantan, FFCLRP, Universidade Nacional del Litoral, Argentina, Super Parque – In Situ Terapia Celular – Startup, Hemocentro de Ribeirão Preto, UNB, Unicamp);

-Formação interprofissional sobre segurança do paciente na graduação e sua interface com o Plano de Ação 2021-2030 da Organização Mundial de Saúde (EERP, FCFRP, FFCLRP, FORP, EEFERP, FMRP);

-“1 + 1 + 1 = 4”: orquestrando USP, desenvolvimento sustentável e combate à desinformação (ICB, IQ, FMVZ, FCF, FFLCH, ECA, IME);

-Microbioma Humano: Interfaces com a Prática Clínica (FORP, FOB, FMRP, FCFRP, EERP, EEFERP, UFRJ, IFRJ, University of Michigan);

-Laboratório de Simulações e Desenvolvimento de Habilidades Práticas Baseadas em Problemas para Ensino-Aprendizagem em Medicina Veterinária (FMVZ, FZEA);

– Pedagogia DIGITAL (FEARP, FEA, FO, FI, EP, FSP);

-Consórcio IAU/FAU para o uso de ferramentas inovadoras no ensino de conforto ambiental (IAU, FAU);

-Compreendendo a cidade em suas múltiplas dimensões: planejamento, finanças públicas e direito (FAU, EACH, FD, IAU);

-Empreendedorismo em Ciências da Vida – Integrando o Conhecimento para o Futuro (FFCLRP, IB, ICB, EP);

-CAEG AgroBotics: Engenharias Integradas para o Desenvolvimento do Setor Agropecuário Brasileiro (EESC, ESALQ, FZEA);

-Laboratório de Inovação e Empreendedorismo (FEA, EACH, EP, FAU, FM, FEARP, EESC, FZEA);

-Uma proposta de ensino híbrido para a disciplina Análise Real (IME, ICMC, FFCLRP, EP, IF);

-Práticas de Leitura e escrita acadêmicas (PLEA) (FFLCH, EACH, FDRP);

-Implantação e Avaliação de Simulador de Anestesia Odontológica com Realidade Virtual (RV) (FOB, EP, EACH, FO, FORP);

-Inovação no Ensino de Graduação através da Integração entre os cursos de Bacharelado em Química do DQ-FFCLRP e IQSC (FFCLRP, IQSC);

-Formação interprofissional na atenção primária à saúde: inovação e integração entre universidade, serviço e comunidade (FMRP, FORP, FCFRP, FFCLRP, EEFERP, EERP);

-Consórcio Integrado para Excelência do Aprendizado de Medicina – CIEAM (FM FOB, FM, FMRP, ICB);

-Formação socioambiental na graduação: ações interdisciplinares para a construção da cultura da sustentabilidade (IB, IGc, IO, IEA, IEE, ESALQ, FFCLRP);

-Inovação e políticas sociais: integração de conhecimentos na formação interdisciplinar no território (FE, FSP, EE);

-SimuLab USP: Simulações e Jogos como Instrumentos de Ensino de Graduação (FEA, IRI, Museu do Ipiranga, EACH, ESALQ, FZEA, IQSC, EEL, FEARP, FD, OSUSP, ECA);

-Fortalecimento da Educação interprofissional na Universidade e na rede de atenção em saúde do Sistema Único de Saúde (EE, FM, EEFE, EACH, FCF, FMVZ, FO, FSP, IP, HU e Centro de Saúde Escola Butantã);

-Integrando as engenharias USP para excelência no ensino (EESC, EEL, POLI);

-Programa de ensino dirigido de neurologia para alunos de medicina no internato (FMRP, FM);

 

Avaliação como instrumento para aperfeiçoar o Ensino de Graduação

-Avaliação Formativa de Habilidades Clínicas na Área da Saúde: Modelagem e Desenvolvimento Interdisciplinar de Protótipo Híbrido com o emprego de Tecnologias Digitais, envolvendo Medicina, Enfermagem, Odontologia, Artes Cênicas e Engenharia (FO, FM, EE, ECA, POLI);

-Avaliação dos alunos e pelos alunos como parte do processo pedagógico (EP, IME, IF);

-Consórcio do teste de progresso: Colaboração Interinstitucional para Avaliação, Qualificação e Fortalecimento da Formação em Enfermagem (EERP, EE, FMRP);

-Laboratório de Avaliação Integrada da Formação Profissional em sua Totalidade (EEFE, EP, FFLCH, EACH);

 

Avaliação e monitoramento da política de

inclusão e ingresso na USP

-Promoção da Inclusão Feminina nos Cursos Superiores de Computação da USP (IME, ICMC, EACH);

-Vem Pra USP Fase 3 (IQ, EACH, IF, EEFE);

-Construindo uma política interdisciplinar de acolhimento dos estudantes cotistas na FFLCH/USP (FFLCH);

 

Formação de professores para a Educação Básica

no cenário 2030

-Ensino, Aprendizagem e Neurociência (FMRP, IP, IME, FFCLRP);

-O CANTEIRO como ESCOLA e o NOVO ENSINO MÉDIO – Programa de Formação de Estudantes do Ensino Médio em Tecnologias Construtivas de Baixo Carbono – São Carlos/SP (Canteiro Escola TCBC) (IAU, EESC, FAU);

-Licenciaturas em Ciências Agrárias, Ciências Biológicas e Química: espaços formativos integrados (FFCLRP, ESALQ);

-Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP (CDCC/USP): parceria entre espaços formais e não formais na formação de professores (IQSC, ESALQ, IFSC, FFCLRP);

-A questão de gênero na formação de professores para a Educação Básica: um olhar transdisciplinar (EEFE, FE, IME);

(In: Jornal da USP / Erika Yamamoto)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

17 de fevereiro de 2021

Nota de falecimento: Prof. Dr. Ricardo De Marco (IFSC/USP)

O IFSC/USP comunica, com extremo pesar, o falecimento do Prof. Dr. Ricardo De Marco, docente do Grupo de Biofísica Molecular “Sérgio Mascarenhas” (FCI/IFSC-USP), vítima de acidente.

O Prof. Ricardo De Marco possuía graduação em Química pela Universidade de São Paulo (1998), doutorado em Ciências Biológicas (Bioquímica) pela Universidade de São Paulo (2003) e livre-docência pela Universidade de São Paulo (2015), com experiência na área de Biologia Molecular e bioinformática, atuando na área de genômica, transcriptomica e expressão heteróloga de proteínas e era professor associado do Instituto de Física de São Carlos – USP.

O sepultamento será realizado hoje (17/07), às 16h00, no Cemitério Jardim da Paz, em São Carlos.

Extremamente  abalada com esta noticia, a comunidade do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) endereça aos familiares e amigos do Prof. Ricardo De Marco seus sentidos pêsames.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

17 de fevereiro de 2021

COVID-19: Manifesto do Conselho Gestor do Campus USP de São Carlos

Professores do Ensino Fundamental são essenciais e deveriam pelo menos ter sido lembrados

“No passado dia 17, o Conselho Gestor do Campus USP de São Carlos, através de seu atual Presidente, divulgou um “Manifesto” onde se posicionou a favor da inserção dos professores do Ensino Fundamental no denominado “grupo prioritário” no atual processo de vacinação, cujo conteúdo reproduzo abaixo.

“Há praticamente um ano vivenciamos esta situação de pandemia, que tem nos obrigado a mudar a rotina de nossa vida, a nossa forma de trabalhar e de nos relacionarmos. Em uma pandemia de escala mundial não temos escolha senão obedecer às regras sanitárias impostas para podermos sobreviver, enquanto as soluções vão sendo criadas pelo desenvolvimento científico e tecnológico, em uma corrida contra o relógio.

Muitos setores da sociedade precisaram continuar suas atividades. Somos gratos a todos esses anônimos que arriscaram e continuam a arriscar suas vidas para que se possa contornar esta situação dramática. A despeito de atitudes e mensagens muitas vezes incoerentes por parte das autoridades, parcela significativa da população vem tentando fazer o que está ao seu alcance para reduzir a propagação da epidemia.

A vacina é a grande esperança de todos nós para superar esta situação. Obviamente, é essencial proteger a todos, começando pelos mais vulneráveis. A decisão de priorizar a aplicação da vacina em determinados grupos parece correta e embute, inclusive, uma componente de justiça social, além da solidariedade que deveria ser inerente ao ser humano. Sem teto, idosos em lares de longa permanência, indígenas, bem como os profissionais de saúde, cuja atuação tem sido essencial, precisam estar nas primeiras filas do processo de vacinação.

As crianças no Ensino Fundamental

Nesse cenário, as autoridades decretaram a retomada das aulas presenciais, principalmente para as crianças do Ensino Fundamental, medida esta que tem apoio de parte da população, e é rejeitada por outra parte. Apesar do desencontro de opiniões, os ensinos público e privado estão retomando as aulas presenciais com base no entendimento de que o dano potencial sobre as crianças provocado pelo afastamento da rotina escolar é extremamente grave e tem implicações que vão muito além de conteúdos não aprendidos. O isolamento produz impactos psicológicos e na saúde emocional de crianças e familiares, amplia a desigualdade e os riscos de evasão escolar, com consequências danosas para as crianças e altos custos sociais.

Não podemos esquecer os professores do Ensino Fundamental

Entretanto, os professores dessas crianças, docentes do Ensino Fundamental, já sacrificados de várias formas, são neste momento novamente desvalorizados ao não serem incluídos como prioritários no processo de vacinação. Assim como a atuação dos profissionais de saúde é fundamental para preservar vidas, a atuação dos professores do ensino fundamental é fundamental para preservar a saúde e o futuro de nossas crianças e da nossa sociedade.

O Conselho Gestor do Campus da USP de São Carlos quer se manifestar, através deste texto, pedindo que as autoridades no mínimo valorizem os professores, que são essenciais, e como tal deveriam ter sido ao menos lembrados no difícil momento que estamos atravessando.

Não ter vacina em quantidade suficiente para imunizar toda a população, como seria esperado, é um grande problema, mas ignorar os pilares de nossa sociedade é um erro e uma injustiça.

Prof. Vanderlei Salvador Bagnato

Presidente do Conselho Gestor do Campus USP de São Carlos”

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de fevereiro de 2021

Missões espaciais fazem congestionamento em Marte

Figura 1 – A sonda Hope com seus painéis solares estendidos. (Crédito: Mohammed bin Rashid Space Centre (MBRSC))

Por: Prof. Roberto N. Onody *

Três missões espaciais com destino a Marte fazem o planeta vermelho ser, hoje, o mais cobiçado alvo da pesquisa espacial. Todas as três espaçonaves (que pertencem a três países diferentes) foram lançadas no mês de julho de 2020, aproveitando as condições favoráveis, mais precisamente, a oposição (menor distância) de Marte em relação à Terra que ocorreu em outubro de 2020.

A primeira sonda que chegou em Marte foi a Al Amal ou Hope (Esperança), foi construída pelos Emirados Árabes Unidos em parceria com a NASA e várias Universidades norte-americanas (Figura 1). Ela foi lançada pelo foguete Mitsubishi H-IIA no centro espacial japonês de Tanegashima. O projeto é comandado pela agência espacial dos Emirados Árabes Unidos (criada há apenas 7 anos) e tem um custo estimado de 200 milhões de dólares.

Hope1 entrou em órbita marciana no dia 09 de fevereiro de 2021. Segundo Sarah Al Amiri, gerente do projeto, a parte mais difícil da missão foi a inserção da sonda Hope na sua órbita (que é bastante elíptica e tem período de 55 horas) em torno de Marte. Este procedimento consumiu cerca de 50% do combustível da espaçonave, ao reduzir sua velocidade de 121.000 km/h para 18.000 km/h. Embora a missão tenha se completado dentro do calendário e do orçamento previstos, a pandemia do Covid-19 representou também um desafio, pois grupos de engenheiros eram enviados ao Japão, de duas em duas semanas, para que se cumprisse a quarentena obrigatória de 14 dias. O objetivo da missão é estudar o clima do planeta. Para isso, a Hope tem a bordo, equipamentos que operam nos comprimentos de luz visível, infravermelho e ultravioleta.

A segunda espaçonave que chegou em Marte foi a Tianwen-1 (que significa “perguntas celestiais”) lançada pela China a partir da ilha Hainan 2. O foguete lançador utilizado foi o “Longa Marcha 5”.

A Tianwen-1 entrou em órbita de Marte no dia 10 de fevereiro de 2021, exatamente um dia depois da Hope.  Em 2011, a China em parceria com a Rússia, construiu uma sonda para pousar no satélite Fobos, mas a missão fracassou. Depois disso, a China investiu forte em ciência e tecnologia espacial, trazendo amostras do solo lunar através da missão Chang’e 5 (2020), agora orbitando Marte (2021) e preparando a sua Estação Espacial Chinesa Tiangong-3 com lançamento previsto para 2023 (um módulo já está pronto).

A Tianwen-1 (Figura 2) pesa 5 toneladas e carrega um módulo de aterrissagem, um orbitador e um rover. Ainda não foi escolhido o nome do rover. Na página da gigante de Internet Baidu há uma lista de 10 nomes (até o dia 28 de fevereiro) para ser votado.

Figura 2 – A sonda Tianwen-1, fotografada por uma pequena câmera que foi ejetada da espaçonave quando estava a 24 milhões de quilômetros da Terra. (Crédito: China National Space Administration)

O local escolhido para pousar o rover é a Utopia Planitia, uma enorme planície com rochas vulcânicas onde, há mais de 30 anos, desceu a nave Viking 2 da NASA. O rover, que deve pousar no solo marciano somente no mês de maio, deve funcionar por cerca de 90 dias em solo marciano. Leva instrumentos para análise do solo, topografia, um magnetômetro, um radar que penetra o solo e que trará importantes informações sobre as camadas geológicas e, eventualmente, a presença de água. O orbitador carrega câmeras de alta resolução e instrumentos para análise do clima.

A terceira sonda, a Perseverance3 (Perseverança) foi lançada pela NASA a partir do Cabo Canaveral por um foguete Atlas V. Ela teve alguns problemas iniciais de telemetria que foram superados. Está programada para pousar (de paraquedas, exatamente como seu antecessor, o Curiosity) em 18 de fevereiro. Será transmitida ao vivo (com atraso de alguns minutos) pelo YouTube4.

Este rover (Figura 3) pesa uma tonelada, transporta 19 câmeras e 2 microfones. Possui um braço mecânico de dois metros e baterias carregadas por plutônio. Ele é bem mais forte e mais rápido do que o rover Curiosity (pousou em Marte em 2012), podendo percorrer distâncias de 200 metros por dia.

Figura 3 – Concepção artística da sonda Perseverance perfurando solo marciano (Crédito: NASA)

O objetivo principal da missão é descobrir se Marte já teve ou se tem vida. O rover vai coletar amostras de rochas em tubos que deverão ser recolhidos e trazidos de volta à Terra numa próxima expedição espacial. O rover Perseverance pretende pousar na cratera de Jezero, que os cientistas acreditam tenha sido anteriormente um delta de um rio ou lago.

Deverá também, tentar fazer decolar o helicóptero Ingenuity (peso 1,8 kg) na atmosfera de Marte, cuja densidade é 1% da atmosfera terrestre. O helicóptero deverá escoltar o rover Perseverance analisando, com antecedência, o terreno por onde ele passará. Os dois microfones a bordo, devem permitir não só a revelar os ventos e os sons de Marte, mas também fazer com que sejam ouvidos eventuais problemas nos motores ou nas rodas do rover.

O rover Perseverance será o terceiro veículo em solo marciano, pois lá também estão (ainda ativos) o Curiosity e o InSight. Em órbita também estão, além do Hope e o Tianwen-1, mais seis orbitadores das missões: Mars Odyssey (da NASA, desde 2001), Mars Express (da European Space Agency, desde 2003), Mars Reconnaissance Orbiter (da NASA, desde 2006), Mars Orbiter Mission (da Indian Space Reseach Organization, desde 2014), Maven (da NASA, desde 2014) e a ExoMars Trace Gas Orbiter (da European Space Agency em conjunto com a Roscosmos, desde 2016). Haja trânsito!

*Físico, Professor Sênior do IFSC – USP

(Agradecimento: ao Sr. Rui Sintra da Assessoria de Comunicação)

Referências:

1 Elation as first Arab Mars mission reaches orbit (nature.com)

https://doi.org/10.1038/d41586-021-00347-x

2 China’s Tianwen-1 enters Mars orbit | Science | AAAS (sciencemag.org) https://doi.org/10.1126/science.abh0268

3 Mars Perseverance Rover | NASA

4 (98) JPLraw – YouTube ou (12) NASA Jet Propulsion Laboratory – YouTube

Deverá pousar 5ª.f, dia 18/02/2021, às 16:15 h, horário de Brasília

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de fevereiro de 2021

Dias 02 e 03 de março – Seminário latino-americano de ciência aberta e acesso aberto

Como as instituições acadêmicas e de pesquisa podem estimular a publicação em open access e aumentar a visibilidade e o impacto de suas pesquisas

A American Chemical Society (ACS), maior sociedade científica do mundo, e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), recentemente estabeleceram um acordo de acesso aberto com o objetivo de garantir amplo acesso e visibilidade à pesquisa científica desenvolvida na Universidade. A parceria representa um grande marco e um passo altamente relevante para a expansão da publicação em acesso aberto no Brasil e na América Latina.

Por esse motivo, as duas entidades realizam nos dias 02 e 03 do próximo mês de março, entre as 14h00 e as 16h00, o Seminário Latino-Americano de Ciência Aberta e Acesso Aberto, uma iniciativa que visa compartilhar e lançar o projeto em questão, buscando também ampliar as discussões em torno das tendências, oportunidades e desafios relativos aos temas, bem como abordar o papel das instituições acadêmicas e de pesquisa no estímulo à publicação em open access, visando o aumento da visibilidade e do impacto de suas pesquisas.
 
A Ciência Aberta refere-se às iniciativas de tornar a pesquisa e sua disseminação abertas e acessíveis em todas as suas fases – desde os dados brutos e laboratoriais até os processos de pesquisa, pré-impressões e publicações dos artigos acadêmicos, visando a múltipla colaboração e a máxima transparência de todo o processo. Alinhado a esse percurso, o Acesso Aberto refere-se ao movimento que busca tornar os resultados das pesquisas científicas amplamente disponíveis e acessíveis, sob termos específicos ou licenças que permitam a reutilização, a qualquer pessoa ou instituição que queiram acessá-los.

O evento é totamente gratuito e haverá tradução simultânea para português e espanhol e certificados serão emitidos posteriormente a todos os participantes.

Dúvidas e informações, entrar em contato através dos e-mails mgrassi@acs-i.org e mlmarco@unicamp.br

Para se inscrever, clique AQUI.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

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