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11 de dezembro de 2020

Pesquisadora do IFSC/USP conquista prêmio “The World Academy of Sciences” (TWAS)

A Pós-Doutoranda do IFSC/USP, Drª Anna Caroline Campos Aguiar, pertencente ao Grupo de Cristalografia de nosso Instituto, conquistou no final deste mês de novembro o TWAS- LACREP Young Scientists Prize 2020, na área de Ciências Médicas, atribuído pelo The World Academy of Sciences (TWAS).

Anna Caroline (33), com Mestrado e Doutorado realizados na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é neste momento Pós-Doutoranda no IFSC/USP e, também, professora afiliada na UNIFESP (Campus da Baixada Santista). No final do mês de novembro deste ano, a jovem pesquisadora viu seu memorial científico ser destacado na The World Academy of Sciences (TWAS), com a conquista do Prêmio TWAS-LACREP, que é o reconhecimento internacional dado às contribuições de jovens pesquisadores ativos, com idades até 40 anos, que desenvolvem seus trabalhos na América Latina e no Caribe.

A qualidade dos trabalhos de pesquisa de Anna Caroline chamaram a atenção da TWAS, principalmente pelo foco dado ao combate à malária. “A minha vida acadêmica e científica sempre foi focada no combate à malária, principalmente no desenvolvimento de anti-maláricos. Foi uma causa que abracei logo desde o início, procurando incessantemente por compostos bioativos que pudessem ter interatividade para bloquear o ciclo de vida do parasita. E esse entusiasmo, essa entrega, foram consolidados quando eu fiz meu “doutorado sanduiche” na Universidade Johns Hopkins (Escola de Saúde Pública), que é muito forte nesse tema. Outro momento importante na minha vida científica foi quando, posteriormente, iniciei meu trabalho de campo em Porto Velho, em 2011. Assim, desde esse ano que desenvolvo minha pesquisa nessa região, que é altamente endêmica para malária”, sublinha Anna Caroline.

Quando terminou seu doutorado, a jovem pesquisadora começou a trabalhar para a Medicines for Malaria Venture (MMV), desenvolvendo vários projetos igualmente relacionados com a malária, já que o principal objetivo dessa organização é encontrar candidatos clínicos para o tratamento da doença. “Todas as minhas contribuições científicas foram no sentido de avançar o conhecimento na busca de novos medicamentos contra a malária. É isso que faço até hoje”, enfatiza Anna Caroline, que acaba de ver aprovado um projeto seu na categoria de Jovem Pesquisador da FAPESP, na mesma área de pesquisa, através da UNIFESP e do IFSC/USP.

Em relação ao prêmio conquistado, no valor de 2.000 USD, Anna Caroline afirma que esse dinheiro vai ser aplicado em ciência. “Não vejo outra forma de gastar o dinheiro. O combate à malária é, para mim, uma meta, um modo de estar na vida, uma paixão, um destino. Não me vejo atuando em outra área qualquer. Este prêmio foi o reconhecimento do que eu venho fazendo desde os meus vinte e um anos, ou seja, durante doze anos consecutivos. Sinto cada vez mais que posso dar contribuições concretas no combate à malária em particular, e às doenças negligenciadas, como um todo”, conclui Anna Caroli, que pretende continuar a dividir seu tempo entre a ciência e a docência, já que, para ela “A formação de recursos humanos também não pode parar. Tenho igualmente a missão de repassar meus conhecimentos, minha experiência e minha filosofia de vida para os outros, para os estudantes”.

O IFSC/USP parabeniza Anna Caroline pelo sucesso alcançado, desejando-lhe as maiores felicidades para seu futuro.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação IFSC/USP

10 de dezembro de 2020

“Negligência Mortal” – um Game que ensina sobre doenças negligenciadas

O Jogo foi desenvolvido no Espaço Interativo de Ciências (São Carlos, SP), sede das atividades de Educação e Difusão Científica do CIBFar, com sede no IFSC/USP

Negligência Mortal (NM) foi desenvolvido como atividade pedagógica para estudantes do Ensino Fundamental e Médio. É uma mídia interativa onde o usuário irá atuar como um investigador no processo de aprendizagem sobre quatro doenças negligenciadas:  Malária, Doença de Chagas, Esquistossomose e Leishmaniose.

Essas doenças são temas de textos escolares e afetam populações ribeirinhas, de zonas rurais e urbanas, onde faltam tratamento de água, esgoto e meio ambiente degradado.

No jogo NM, o estudante assume o papel da Dra. Odete, médica epidemiologista brasileira que tem a missão de descobrir qual foi a doença que uma jornalista norte-americana contraiu durante uma visita de trabalho ao Brasil. Ao retornar ao seu país, a jornalista apresentou sintomas diversos, mas os médicos não conseguiram chegar a um diagnóstico. Foi então solicitada ajuda ao Ministério da Saúde no Brasil no sentido de auxiliar a equipe médica americana.

O desafio do jogador é descobrir que doença a jornalista contraiu, para isso ele ajudará a epidemiologista Odete a percorrer as regiões em que ela visitou. Durante o percurso, o jogador irá interagir com a população, fará anotações, e observará o ambiente em que vivem. No final, o jogador deve relacionar sintomas às enfermidades correspondentes e assim chegar ao diagnóstico da doença da jornalista.

Além do Negligência Mortal, o EIC/CIBFar já desenvolveu cerca de 30 games, sobre diferentes temas e formatos, como InfoGypti, Liga dados, Conhecimento na ponta dos dedos, Caça Palavras, Microscópio Virtual e outros. Alguns podem ser baixados de lojas de aplicativos e diretamente do site https://eic.ifsc.usp.br, alguns com versões para celulares, tablets, notebooks.

No link abaixo pode ser visto um “trailer” do jogo:

https://drive.google.com/file/d/14calWFwMeAbADfE109XEGqmFbFTHt8_4/view?usp=sharingPCs.

O EIC/CIBFar também está nas mídias sociais:

www.facebook.com/EIC.USP/

https://www.instagram.com/eiciencia/ https://www.youtube.com/c/EspaçoInterativodeCiências/

Contato: Profa. Leila Maria Beltramini – leila@ifsc.usp.br

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

9 de dezembro de 2020

Novo equipamento desenvolvido no IFSC/USP na detecção de algumas formas de câncer

Lorenzo Buscaglia

O IFSC/USP acaba de desenvolver um protótipo portátil de um espectrômetro de impedância elétrica capaz de medir propriedades elétricas de diversos materiais, principalmente fluidos biológicos. Com esse novo instrumento, abre-se uma nova porta para a detecção de contaminações por vírus e bactérias, além de diversas doenças, como o câncer de mama, pâncreas, cabeça e pescoço, e próstata.

Desenvolvido pelo Pós-Graduando Lorenzo Buscaglia (24) no decurso de seu mestrado em Física Aplicada/Instrumentação no IFSC/USP, sob supervisão do Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, com a colaboração do Prof. João Paulo Pereira do Carmo, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP) e com patrocínio da FAPESP, este novo equipamento portátil poderá detectar doenças através de sangue, suor, ou saliva, de forma rápida e barata, comparativamente a outros equipamentos do mercado, importados, e com alto custo, conforme explica Lorenzo. “De fato, já existem equipamentos que fazem estas detecções, mas eles são extremamente caros, pois além de incluir hardware de maior custo, são importados. Nosso grupo de pesquisa apostou em um modelo portátil e de baixo custo, pois a maioria também é pesada e não pode ser transportada. A versão comercial mais similar atualmente entrou no mercado em 2018, mas seu custo é da ordem de dois mil dólares, o que é inviável para muitas aplicações”, sublinha Lorenzo. O novo equipamento foi designado SIMPLE-Z, teve seu registro solicitado junto à Agência de Inovação da USP (AUSPIN) e está pronto para a fabricação em escala. Poderá ser facilmente adquirido pela classe médica, além de poder ser empregado em laboratórios de ensino em universidades e no ensino médio.

“A técnica de espectroscopia de impedância pode ser aplicada em inúmeras áreas da saúde e, inclusive, pode ser acoplada a dispositivos vestíveis. Dependendo do software instalado, poderá fornecer informações à distância, o que abre um novo universo de oportunidades”, comemora Lorenzo.

Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior

Para o Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior “Um instrumento como o Simple-Z é um sonho antigo do Grupo de Polímeros e de seus parceiros nos trabalhos de sensores e biossensores. Sempre ficávamos frustrados de não poder fazer a detecção fora de um ambiente de laboratório, e os espectrômetros portáteis são muito caros. Com o Simple-Z, poderemos finalmente fazer medidas em qualquer lugar e a baixo custo. Ressalto que o custo do instrumento é barato porque o Lorenzo propôs soluções de software que eliminaram limitações dos componentes eletrônicos utilizados”.

O Simple-Z inclui circuitos que geram os sinais e medem a resposta, transmitindo a mesma de forma instantânea para o computador, onde fica registrada em uma base de dados. Para fazer a medição de qualquer fluido, basta ligar o aparelho num sensor ou biossensor sobre o qual é depositado o fluido. A detecção é assim feita em poucos minutos. Neste momento, falta apenas desenvolver uma interface amigável para um usuário sem nenhum tipo de treinamento.

Segundo o jovem pesquisador, o custo de mercado deste equipamento poderá ser de cerca de R$ 1.300,00 (~ U$D 250) cada unidade.

O “Simple-Z”

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

8 de dezembro de 2020

IFSC/USP seleciona voluntários para pesquisa em tratamento da Disfunção Temporomandibular (DTM)

O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) está selecionando voluntários de ambos os sexos, com idades entre 18 e 60 anos, para participarem da pesquisa de tratamento de Disfunção Temporomandibular (DTM), com o equipamento Vacumlaser, que promove a pressão negativa associada ao laser, e um outro equipamento – o Recúpero – que é constituído de ultrassom associado ao laser.

A DTM está muitas vezes associada a dores fortes na articulação temporomandibular, dor nos músculos da mastigação, dor ou desconforto para abrir a boca, pacientes que rangem os dentes e tem dor na face.

Esta é uma iniciativa do IFSC/USP, com o apoio da FAPESP e da empresa MMOPTICS, onde estarão vetados de participar pessoas com as seguintes características:

– Portadores de diabetes;

– Portadores de marca-passo;

– Pessoas com alterações de pressão arterial;

– Pessoas sob suspeita de infeção por COVID-19

– Grávidas;

– Portadores de fibromialgia;

Este tratamento está aprovado pelo Comité de Ética da Santa Casa da Misericórdia de São Carlos (SCMSC) sob o número CAE-09096219000008148.

Esta pesquisa de tratamento será realizada pela doutoranda Patricia Tamae, com supervisão do Dr. Vitor Hugo Panhoca e Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, pesquisadores do IFSC/USP.

Os interessados em participar desta pesquisa para tratamento da DTM deverão se inscrever, para realizar a triagem, enviando mensagem no whatsapp da pesquisadora Profa. Patricia Tamae, no número 16-99798-4665.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

4 de dezembro de 2020

USP e Secretaria de Educação de São Carlos juntas no projeto “Educação para Todos”

Numa feliz parceria entre a USP e a Secretaria Municipal de Educação de São Carlos, foi lançado no dia 03 do corrente mês, nas instalações da Fundação Educacional de São Carlos (FESC), o projeto denominado “Educação para Todos”, cujo principal objetivo é proporcionar o acesso dos estudantes do Ensino Fundamental I (1º ano aos 5º anos) e do Ensino Fundamental II e EJA (6º ao 9º ano) a atividades pedagógicas não presenciais, com a transmissão de videoaulas de reforço, produzidas e gravadas pela empresa de produção de vídeos educativos PROVE, parceira do Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF), sediada no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP). Participam destas transmissões as emissoras TVE, TV-USP – São Carlos, e TV Ônix.

Dentre os convidados que participaram neste lançamento presencial, que foi devidamente organizado, respeitando as medidas de segurança sanitária, estiveram presentes a Secretária Municipal de Educação, Cilmara Ruy e o diretor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e coordenador do CEPOF, Prof. Vanderlei Bagnato.

Para Cilmara Ruy, o nome escolhido para esta iniciativa – “Educação para Todos” – praticamente diz tudo, ou seja, o objetivo é que todos tenham acesso à Educação, através de soluções que auxiliem os jovens alunos a superarem as dificuldades causadas pela pandemia da COVID-19. “Fomos desenvolvendo ações que permitissem ajudar nossos alunos e aí surgiu a hipótese de realizar videoaulas, numa estreita parceria com a USP de São Carlos, e principalmente com o Prof. Vanderlei Bagnato e aí consolidamos um formato adequado para os nossos jovens alunos”, pontuou a Secretária Municipal de Educação, sublinhando o esforço que foi feito pela Prefeitura Municipal de São Carlos e pela USP de São Carlos. “As videoaulas tiveram a colaboração de professoras da rede municipal, que viram seu trabalho valorizado com a qualidade dos recursos oferecidos pela USP e pelo IFSC. De fato, é a primeira vez que estamos tendo contato com o sistema de videoaulas e só me resta agradecer aos professores e ao Prof. Vanderlei Bagnato, pedindo para que todos dêem sua melhor colaboração neste projeto”.

“A Prefeitura Municipal de São Carlos não tem que agradecer, pois somos uma instituição de ensino e pesquisa. Não estou fazendo um favor, já que é minha obrigação enquanto educador”. Foi assim que o Prof. Vanderlei Bagnato iniciou seu discurso improvisado, tendo seguidamente parabenizado os professores que contribuiram para a realização das videoaulas, enfatizando que “a escola é um lugar onde também se aprende a ser cidadão”.

Para Vanderlei Bagnato, os professores são verdadeiros heróis, sendo que a função do poder público é assumir a gestão e organização da educação. “Esta iniciativa comprova exatamente isso”, acrescentou o diretor do IFSC/USP, que terminou seu discurso afirmando: “Este material agora produzido deverá ser um ponto de apoio para a organização de mais ações similares para consolidar o projeto no futuro, mesmo que retomemos ao “normal”. Os dirigentes têm que ter a mesma coragem demonstrada agora pela Secretaria Municipal de Educação de São Carlos. A USP está totalmente disponível não só para este projeto, como para outros que venham a ser cogitados”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

4 de dezembro de 2020

Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior é eleito membro titular da ABC

O docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, foi eleito, no passado dia 03 de novembro, Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), na área de Ciências Físicas, em Assembleia-Geral Ordinária realizada pela entidade, onde também foram eleitos Membros Correspondentes, Colaboradores e Afiliados.

Osvaldo Novais tomará posse no dia 01 de janeiro, juntamente com os restantes eleitos, em cerimônia que será avaliada pela ABC devido à pandemia.

A comunidade do Instituto de Física de São Carlos congratula o Prof. Osvaldo por sua eleição.

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

2 de dezembro de 2020

FO/UNESP e IFSC/USP conquistam prêmio conjunto no 12º SBENDO

Um trabalho conjunto elaborado por pesquisadores da Faculdade de Odontologia da UNESP (Campus de Araraquara) e do IFSC/USP, apresentado de forma virtual na décima segunda edição do Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Endodontia (SBEndo), que este ano se subordinou ao tema O impacto da ciência e tecnologia no protocolo clínico, conquistou o primeiro lugar na categoria “Poster Científico”.

O trabalho foi assinado pelos pesquisadores Fernanda Ferrari Torres, Jáder Camilo Pinto, Juliane Maria Guerreiro-Tanomaru e Mário Tanomaru-Filho (todos da Faculdade de Odontologia da UNESP) e por Éverton Lucas-Oliveira e Tito José Bonagamba, do IFSC/USP, que contribuíram com sua expertise na técnica de microtomografia por raios-x (microct).

O título deste trabalho premiado foi Obturação de canais curvos: Avaliação por MICROCT variando tamanhos de Voxel e Métodos de Segmentação”.

A Sociedade Brasileira de Endodontia é uma entidade que busca promover a Endodontia como campo de estudo e atuação, valorizando os pesquisadores e profissionais dessa especialidade através de ações que auxiliam na formação e aperfeiçoamento dos endodontistas.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

1 de dezembro de 2020

Em experimentos realizados nos LSND e FERMILAB – O quarto Neutrino

Resultados experimentais (Fermilab). Probabilidade de oscilação dos neutrinos versus distância (em escala logarítmica). Neutrinos do múon (vermelho), Neutrinos do tau (azul), Neutrinos do elétron (verde) e Neutrinos estéril (cinza). – Crédito: American Physical Society/ Carin Cain

Por: Prof. Roberto N. Onody*

Os neutrinos são partículas elementares que interagem através da força gravitacional e da força nuclear fraca. São muito evasivos e de difícil detecção. Eles são produzidos pela interação fraca e estão sempre associados a um lépton carregado: um elétron, um múon ou um tau. Dizemos que há 3 tipos de neutrinos ou 3 sabores (na linguagem da mecânica quântica). Há cerca de duas décadas sabe-se que esses três tipos podem se transformar uns nos outros – a chamada oscilação do neutrino. Essa descoberta levou ao Prêmio Nobel de Física de 2015.

A possibilidade de existir um quarto neutrino, o neutrino estéril, surgiu após os resultados de experimentos realizados no Laboratório Nacional de Los Álamos (LSND) e no Fermilab (Mini Booster Neutrino Experiment, MiniBooNE) 1.  Esses experimentos detectaram um excesso de neutrinos do elétron a partir de um feixe de neutrinos do múon. Para reconciliar os dados experimentais com a teoria, foi proposto um quarto neutrino. Eles calcularam que diferença da massa ao quadrado entre o neutrino estéril e do neutrino do elétron, isto é, m2estéril – m2elétron, deveria ser de 1 eV2 (eletronvolt ao quadrado).

O neutrino estéril não interage pela força fraca, mas poderia participar do processo de oscilação dos outros três (ativos) neutrinos e, eventualmente, causar a transformação do neutrino do múon em neutrino do elétron em curtas distâncias.

Se ele existir, o Modelo Padrão (atualmente, nossa melhor teoria para as partículas elementares e suas interações) teria de ser modificado ou estendido. Os neutrinos estéreis seriam também ótimo candidatos para compor a Matéria Escura, com consequências importantes na Cosmologia.

A distância necessária para que um neutrino se transforme em outro tipo de neutrino, depende das energias dos neutrinos envolvidos e da diferença de suas massas ao quadrado.

Recentemente 2, dois enormes grupos internacionais de pesquisa, com mais de 260 cientistas, realizaram experimentos que testaram a existência do neutrino estéril.

O grupo MINOS+ 2 investigou o desaparecimento de neutrinos do múon, produzidos por um acelerador no Fermilab. Com seus detectores posicionados a distâncias entre 1 e 735 km, eles obtiveram a curva de probabilidade de oscilação do neutrino como função da distância3 (veja figura). Vemos que a probabilidade de formação do quarto neutrino é praticamente nula, a não ser a curtas distâncias de uns poucos quilômetros. Por outro lado, a uma distância de cerca de 500 km, a probabilidade de o neutrino do múon ter-se transformado em neutrino do tau é de quase 50%.

Já o grupo Daya Bay 2, na China, acompanhou o desaparecimento de anti -neutrinos do elétron produzidos por seis reatores nucleares, com 8 detetores colocados a distâncias entre 360m e 1,9 km.

Os grupos do MINOS+ e do Daya Bay combinaram, então, seus dados. Seus resultados eliminaram qualquer possibilidade de que a diferença dos quadrados das massas do neutrino estéril e do neutrino do elétron (mass splitting) esteja no intervalo entre 10 – 4 a 10 3 eV2, o que contradiz o valor de 1 eV2, estimado pelos próprios autores que propuseram a existência do neutrino estéril 1.

Conclusão – muito embora a existência do neutrino estéril ainda não possa ser totalmente descartada, sua realidade é bastante improvável.

Referências:

1 A. Aguilar et al. (LSND Collaboration), Phys. Rev. D 64, 112007 (2001) e A. Aguilar-Arevalo et al. (MiniBooNE Collaboration), Phys. Rev. Lett. 110, 161801 (2013).

2 P. Adamson et al, Phys. Rev. Lett. 125, 071801 (2020)

3 V. Niro e P. Machado, Physics 13, 123 (2020)

*Físico, Professor Sênior do IFSC – USP

(Agradecimento: Sr. Rui Sintra da Assessoria de Comunicação)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

 

27 de novembro de 2020

Bio-impressão 3D para o estudo do aneurisma cerebral

Por: Prof. Roberto N. Onody*

Um aneurisma cerebral é uma dilatação anormal da parede de uma artéria no cérebro que, ao romper-se, provoca hemorragia que pode resultar num acidente vascular cerebral (AVC). No AVC há perda de circulação e oxigenação do cérebro que, se não socorrido prontamente, pode levar ao óbito.

O modelo de aneurisma bio-impresso. Em verde, as células endoteliais, em vermelho o coágulo. (Crédito: Jang et al. 1)

Os aneurismas podem ser congênitos ou formados por traumas, infecções e hipertensão arterial. Acredita-se que 1 em cada 15 pessoas desenvolva um aneurisma ao longo de sua vida. Após a ruptura do aneurisma cerebral, há cerca de 25% de probabilidade de morrer em 24 horas, 25% de vir a falecer em 3 meses e 25% de deixar uma sequela permanente. O socorro médico, em geral, consiste em dois tratamentos: clipagem do aneurisma com microcirurgia intracraniana e endovascular, com a embolização ou oclusão do aneurisma com stents ou espirais de platina. Após a inserção da mola de platina no saco formado pelo aneurisma, forma-se um trombo que estanca a hemorragia. O tratamento endovascular tem sido o preferido pelos médicos nos últimos anos, pois é menos invasivo, mais barato e o paciente permanece menos tempo hospitalizado. Dessa maneira, a pesquisa recente tem sido direcionada para desenvolver novos dispositivos e novos materiais para a técnica endovascular. Certamente, uma avaliação in vitro da performance de coagulação desses dispositivos e de previsão antecipada dos seus efeitos, antes de implantá-los no paciente, é muito importante.

Com esse objetivo, cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Livermore1 (EUA) utilizaram hidrogel de fibrina-gelatina para imprimir, em 3D, uma estrutura na forma de um aneurisma. O material utilizado – hidrogel de fibrina-gelatina, foi escolhido por dois motivos: ter a mesma rigidez mecânica dos tecidos cerebrais e por ser transparente, permitindo visualizar e medir a variação do fluxo do plasma nos vasos bio-impressos. Isso tornou possível a equipe comparar seus resultados experimentais com aqueles computacionais, baseados em modelos 3D de dinâmica dos fluidos.

Esses vasos bio-impressos tiveram suas paredes internas revestidas com células endoteliais microvasculares do cérebro humano. Em seguida, eles injetaram plasma sanguíneo de bovinos nos vasos. Controlando a velocidade do plasma, eles provocaram hemorragia no saco do aneurisma (pré-fabricado na junção de três vasos, veja figura). Iniciaram então, o tratamento médico propriamente dito. Conduziram, através de um micro cateter, uma espiral de platina até o aneurisma.  Em pouco tempo, eles observaram a formação de um coágulo em torno da mola de platina!

Portanto, essa técnica abre espaço para se estudar novos materiais bio-compatíveis, a eficiência de dispositivos de embolização, fornece informações hemodinâmicas e permite determinar o tempo de cura do tratamento utilizado 2.

1 Lindy K Jang , Javier A Alvarado , Marianna Pepona , Elisa M Wasson , Landon D Nash , Jason M Ortega , Amanda Randles, Duncan J Maitland , Monica L Moya and William F Hynes, Biofabrication 13 (2021) 015006

2 https://www.sciencealert.com/scientists-have-3d-printed-a-living-brain-aneurysm-out-of-human-cells

*Físico, Professor Sênior do IFSC – USP

(Agradecimento: Sr. Rui Sintra da Assessoria de Comunicação)

Figuras: Simptomi Bolesti e Bio-impressão 3D para o estudo do aneurisma cerebral

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

27 de novembro de 2020

IFSC/USP – Bolsa de Pós-Doutorado em Astrofísica de Partículas

O Grupo de Astrofísica de Partículas do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo convida para aplicações para uma posição de pós-doutorado com foco especial no âmbito científico do Observatório CTA.

Os principais assuntos de interesse são: conexão de raios gama e raios cósmicos, incluindo efeitos de propagação, matéria escura, violação da invariância de Lorentz e física de chuveiros atmosféricos extensos.

Data limite para inscrições – 15 de dezembro de 2020.

A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros.

Exigências:

– Doutorado em física, astronomia ou equivalente, defendido nos últimos 7 anos;

– Papel ativo no cenário internacional;

– Excelentes habilidades de trabalho em equipe;

– Excelentes habilidades de comunicação e bons conhecimentos de inglês.

Condições: a bolsa de estudos é oferecida pela FAPESP dentro do Projeto Temático por um período de 12 meses. O(A) candidato(a) selecionado(a) deverá começar a trabalhar no início de 2021.

Inscrição: as inscrições devem incluir um Curriculum Vitae curto com uma lista de publicações (favor destacar 5 publicações) e endereços de e-mail de duas pessoas que possam ser contactas para referências.

As inscrições devem ser enviadas para vitor@ifsc.usp.br.

O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 7.373,10 mensais e Reserva Técnica equivalente a 15% do valor anual da bolsa para atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

27 de novembro de 2020

Semana da conscientização sobre o antibiótico em todo o mundo

Por: Profa. Dra. Ilana L. B. C. Camargo – Responsável pelo Laboratório de Epidemiologia e Microbiologia Moleculares (LEMiMo-IFSC-USP)

Em maio de 2020, a Organização Mundial de Saúde juntamente com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Mundial para Saúde Animal (OIE) definiram esta semana (18 a 24 de novembro) para levar à população o conhecimento sobre os antimicrobianos, dentre os quais estão os antibióticos. É preciso lembrar que atualmente passamos por uma falta de novas alternativas de tratamento para as infecções causadas por certos microrganismos que são resistentes à maioria dos antimicrobianos

Nós precisamos evitar o surgimento e a disseminação de microrganismos resistentes aos antimicrobianos. A resistência antimicrobiana pode ser observada em bactérias, fungos, vírus e parasitas quando eles resistem aos efeitos das medicações fazendo com que seja mais difícil o tratamento das infecções relacionadas, aumentando assim o risco de morte dos pacientes infectados.

Antimicrobianos são usados para o tratamento de doenças infeciosas em humanos bem como em outros animais e plantas. Quando a resistência antimicrobiana surge, ela faz com que haja menos antimicrobianos disponíveis para o tratamento. A situação atual se mostra demasiadamente crítica, pois muitos microrganismos são multirresistentes, ou seja, resistentes a vários antimicrobianos, e alguns já são resistentes a todas as alternativas de tratamento disponíveis, sendo chamados de panrresistentes.

Determinação da concentração inibitória mínima de cinco antibióticos por E-test para uma linhagem de Enterococcus faecium. Esta bactéria apresentou resistência a todos os antibióticos testados neste ensaio, a maioria sem a presença de halo de inibição ao redor da fita contendo antimicrobiano

Nos Estados Unidos, estimam-se que 35.900 pessoas morrem anualmente em decorrência de infecções causadas por microrganismos resistentes aos antimicrobianos. Na Europa, o número de pessoas que morrem por infecções por bactérias multirresistentes ultrapassa 33.000 anualmente. Além do fato de resultar em mais mortes, a resistência antimicrobiana também aumenta o tempo de internação e do custo do tratamento de pacientes internados. Nos Estados Unidos, já foi demonstrado que o custo do tratamento de uma infecção por microrganismo resistente em um paciente é maior em cerca de US$ 1.383,00 quando comparado ao custo de um tratamento da infecção por um microrganismo sensível aos antimicrobianos. Com a estimativa de que mais de 2 milhões de infecções anuais já foram registradas nos EUA, a conta fecha em um gasto extra anual de US$ 2,2 bilhões devido à resistência antimicrobiana.

Você já se perguntou o que leva à multirresistência?? Principalmente, o uso indevido de antimicrobianos em humanos, animais e na agricultura.

Você sabia que em alguns lugares do mundo antibióticos são usados na criação de animais para acelerar a produção, a engorda dos animais e o abate? Este é um uso indevido que acaba por selecionar microrganismos resistentes ao antibiótico no trato intestinal do animal, que excretará estes microrganismos resistentes no ambiente e ainda poderá contaminar água de rios, a carne e até o manipulador no momento do abate. A carne contaminada poderá levar esse microrganismo resistente até a sua casa e sua família. Uma vez contaminado, o manipulador pode levar este microrganismo até os hospitais.

Você sabia que nem sempre uma dor de garganta se trata com antibióticos? Infecções virais podem ser autolimitantes ou serem tratadas com antivirais específicos. Usar antibióticos, que são indicados para bactérias, para tratar todas as infecções de garganta é um dos usos inadequados que são observados.

Muitas vezes, vacinas desempenham um importante papel na prevenção de doenças virais. No entanto, há também aquelas que evitam doenças bacterianas, diminuindo a necessidade de uso de antimicrobianos. Por isso, a vacina é muito importante.

Estamos vivendo um momento de pandemia de COVID-19 que demonstra tipicamente o que acontece quando não existe um tratamento ou uma vacina para a doença infecciosa. Não podemos negar que, em paralelo, ocorre a disseminação silenciosa da resistência antimicrobiana. Não podemos deixar de divulgar esse fato para que não cheguemos à uma “Era Pós-Antibiótica” – quando não exista mais tratamentos disponíveis para as infecções mais simples e conhecidas há décadas.

Como você pode ajudar a diminuir a resistência antimicrobiana???

– Se você é pecuarista, crie seus animais devidamente;

– Esteja em dia com sua caderneta de vacinação;

– Lave sempre as mãos com água e sabão;

– Prepare seus alimentos com a devida higiene, sem misturar carnes cruas – que serão cozidas – com verduras que serão consumidas cruas;

– Use camisinha, praticando “sexo seguro”;

– Exija seu direito quanto ao saneamento básico e acesso à água potável;

– Não compartilhe antibióticos com outras pessoas;

– Se você tem alguma infecção, consulte um médico. Sempre tome o antibiótico receitado conforme a indicação médica e se isole para evitar a propagação da doença.

Desta forma, você já estará evitando o surgimento da resistência antimicrobiana.

Clique AQUI para obter mais informações sobre este tema na página da OMS.

Clique AQUI para conferir a avaliação que foi feita nos Estados Unidos sobre este tema, em 2019.

Assessoria de Comunicação IFSC/USP

25 de novembro de 2020

IceCube: Opening a new window on the Universe from the South Pole

Na edição do “Colloquium diei” relativa ao dia 13 de novembro de 2020, transmitida ao vivo no Canal Youtube do IFSC/USP, Francis Halzen (Wisconsin IceCube Particle Astrophysics Center / Department of Physics, University of Wisconsin–Madison – USA) dissertou sobre o tema “IceCube: opening a new window on the on the Universe from the South Pole.

Recorde, clicando na imagem abaixo, como foi esse colóquio promovido pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

24 de novembro de 2020

Lefaudeux consegue a melhor fotografia astronômica de 2020

Por: Prof. Roberto N. Onody*

Na 12ª. edição do concurso de fotografia Astronomy Photographer of the Year, patrocinado pela Royal Observatory Greenwich, BBC Sky at Night Magazine e a Insight Investment, o vencedor geral, entre todas as categorias, foi o francês Nicolas Lefaudeux.

Ele fotografou a galáxia de Andrômeda utilizando um efeito chamado tilt-shift, com as bordas externas da foto desfocadas (veja foto). O valor do seu prêmio foi de 10.000 libras esterlinas. Sua foto foi selecionada entre 5.000 imagens concorrentes de vários continentes.

A melhor fotografia astronômica de 2020 (Crédito: Nicolas Lefaudeux – França)

O concurso também premiou categorias como Nossa Lua, Aurora, planetas, cometas e asteroides etc. Na categoria pessoas e espaço, o vencedor foi o húngaro Rafael Schmall, que fotografou a estrela dupla Albireo. Em longa exposição, a foto mostra as trilhas deixadas pelos satélites da Starlink que obstruem a imagem1.

Referência:

1 https://gizmodo.uol.com.br/melhores-fotos-astronomia-2020/

*Físico, Professor Sênior do IFSC – USP

(Agradecimento: Sr. Rui Sintra da Assessoria de Comunicação)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

24 de novembro de 2020

IFSC/USP produz “pseudo-virus” SARS-Covid-2 em laboratório comum

Uma pesquisa realizada no Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) permitiu desenvolver um “pseudo-vírus” do SARS-Covid-2 destinado a estudar a ação e eficácia de novos fármacos em laboratórios de classe-2, ou seja, em laboratórios considerados perfeitamente comuns, existentes nas universidades e em centros de pesquisa

O pesquisador do IFSC/USP, Prof. Francisco Gontijo Guimarães, coordenador das pesquisas relacionadas ao “pseudo-vírus”, explica que esse falso vírus – produzido pelo bolsista da FAPESP, Dr. Mohammad Sadraeian – é uma partícula viral que possui todas as propriedades do vírus SARS-Covid-2, com a diferença que ele não infecta as células, permitindo que se estude aprofundadamente a eficácia de um fármaco no vírus real, ou a neutralização de sua ação nas células

Produzido nos laboratórios do IFSC/USP, o “pseudo-vírus” já foi sujeito a um estudo aprofundado sobre sua interação e internalização em células pulmonares, a neutralização do vírus pelos anticorpos específicos que o corpo humano produz, e, ainda, suas características físicas.

Por outro lado, estão sendo realizados estudos no sentido de se netutralizar o vírus por ação de Terapia Fotodinâmica e o uso de radiação UVC (in vivo). “ A grande vantagem do desenvolvimento do “pseudo-vírus” é que podemos fazer as pesquisas de forma fácil em laboratórios menos complexos. Assim, em vez de trabalharmos com o vírus real, que é impossível neste momento, trabalhamos com uma cópia fiel e inofensiva”, sublinha Francisco Guimarães.

Esta pesquisa está inserida em um projeto aprovado pela CAPES para o fomento às pesquisas da COVID-19, projeto esse que também aprovou outras duas pesquisas realizadas em nosso Instituto e que serão divulgadas em breve, pelo que todas elas se cruzam entre si em uma única direção. A primeira, desenvolvida pelo Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano), coordenado pelo Prof. Valtencir Zucolotto, tem como objetivo criar sistemas de entrega de moléculas para tratamento da COVID-19, enquanto a segunda, desenvolvida no Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar), coordenada pelos Profs. Glaucius Oliva e Rafael Guido, tem como objetivo o desenvolvimento de novos fármacos para combater a COVID-19.

Estes trabalhos de pesquisa vêm consolidar a tradição que o  IFSC/USP tem em estudos para o tratamento de vírus, como, por exemplo, aquele que foi feito para o HIV.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

23 de novembro de 2020

EMBRAPii-IFSC/USP lança entrega de projetos de empresas parceiras

A Unidade EMBRAPii do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) – primeira unidade Embrapii credenciada na região – irá realizar a partir do dia 27 de novembro, o lançamento dos mais significativos resultados dos projetos tecnológicos mais relevantes desenvolvidos no Instituto, em parceria com cerca de duas dezenas de empresas, cujo foco se centraliza na área da saúde humana, saúde ambiental ou melhoria na produção de alimentos, com grandes benefícios para a sociedade.

Assim, no dia 27 de novembro, às 17h00, será lançado o projeto intitulado Desenvolvimento de Instrumentação para monitoramento da fermentação do mosto de bebidas por espectroscopia infra-vermelho e da bebida final, realizado em parceria com a empresa BR Tecnologia em Bebidas Lda.. Nesta apresentação, serão divulgados os resultados do citado projeto e a apresentação de um novo produto que auxiliará as cervejarias de todos os tipos a avaliar a cor e o amargor da cerveja.

O segundo projeto a ser apresentado será lançado no dia 04 de dezembro, às 17h00, subordinado ao tema Desenvolvimento de Processo e Planta para a Síntese Química de Curcumina e Aplicações do Ativo como Fotossensibilizador em Estudos que envolvam Terapia Fotodinâmica, pela empresa PDT Pharma Indústria e Comércio de Produtos Farmacêuticos Lda..

Todos os eventos serão online e abertos à participação de todos os interessados, com explicações e demonstrações sobre os temas.

A Unidade EMBRAPPii do IFSC/USP tem plena certeza de que as parcerias estabelecidas com os setores empresarial e industrial são as formas mais eficazes de transferir o conhecimento inovador gerado na Universidade diretamente para a sociedade, consolidando, assim, a contribuição da cidade de São Carlos para o desenvolvimento do País.

Para participar nos eventos acima citados, clique AQUI.

Para obter informações adicionais, utilize o email gussen@ifsc.usp.br

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

23 de novembro de 2020

Divulgado o “Prêmio Ciência-Tecnologia São Carlos – 2020”

Divulgação dos Classificados na Feira Virtual de Ciência e Tecnologia

Foram conhecidos no dia 18 de novembro os vencedores do “Prêmio Ciência-Tecnologia – 2020”, honraria promovida pela Prefeitura Municipal de São Carlos e que tem o intuito de reconhecer o trabalho desenvolvido por cientistas e professores que contribuíram e contribuem para o desenvolvimento cientifico nacional e internacional. A Comissão de Avaliação do “Prêmio Ciência –Tecnologia São Carlos -2020”, é composta por Professores Universitários, Pesquisadores e Secretários Municipais.

Vencedores

Na categoria Pesquisador Sênior, com empate, foram vencedores: o Prof. Dr. Victor Carlos Pandolfelli, da Universidade Federal de São Carlos e o Prof. Dr. Osvaldo de Oliveira Junior, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).

Na categoria Jovem Pesquisador o vencedor foi o Prof. Dr. Hugo Miguel Preto de Morais Sarmento, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Na categoria Clubes de Ciências também houve um empate, e os vencedores foram: Profª Caroline Paganelli Correa dos Santos, da escola E.E. João Jacinto Nascimento, e o Clube de Ciências do Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica do IFSC/USP, em parceria com a Diretoria Regional de Ensino de São Carlos, composta pelos pesquisadores e professores: Profª Wilma Regina Barrionuevo, Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, Prof. Dr. Euclydes Marega Junior, Profª Débora Gonzalez Costa Blanco e a Profª Marilia Faustino da Silva.

Na categoria Professor de Ciências, foi vencedora a Profª Joice Bissolati Brigati, da E.E. André Donatoni.

Na categoria Jovem Cientista, a vencedora foi a estudante Stefany de Mello da EE. João Jorge Marmorato.

No ano de 2019, a Comissão uma homenagem aos Cientistas Eméritos de São Carlos, onde o Secretário Municipal de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação, José Galizia Tundisi, apresentou as opções de “Prêmio aos Cientistas Eméritos”, que por concordância dos membros presentes, foram aprovados. E são eles os homenageados de 2020: A Profª Drª Odete Rocha da UFSCar, o Prof. Dr. João Batista Fernandes da UFSCar e a Profª Wilma Regina Barrionuevo do CEPOF- IFSC da USP.

CEPOF-IFSC/USP e Diretoria de Ensino realizam Feira Virtual de Ciências

Durante as últimas semanas foram realizados a “Feira Virtual de Ciência e Tecnologia do CEPOF/USP/DE 2020”, bem como o evento de “Homenagem aos Professores da Rede Estadual de Ensino” nos 7 municípios de abrangência da Diretoria de Ensino-Região de São Carlos.

O tema da Feira de Ciências foi: “As Grandes Invenções que Mudaram o Mundo”. Ao refazer a trajetória dos principais cientistas e inventores e aprender o princípio das suas invenções os jovens estudantes e seus professores puderam adentrar, de modo expressivo, na produção da ciência e não apenas no uso da mesma.

A fase preparatória da Feira iniciou-se em novembro de 2019, por meio da capacitação dos professores e coordenadores interessados. Em seguida, foram formados 91 Clubes de Ciências, os quais desenvolveram seus experimentos e pesquisas desde o início do ano de 2020. Com o imprevisto contexto de pandemia e isolamento social, optou-se por realizar a feira em caráter virtual. Os Clubes de Ciências produziram, então, vídeos educacionais e uma monografia, a partir da pesquisa sendo realizada. Ao longo do ano os estudantes e professores foram orientados por meio de encontros virtuais realizados com a coordenadora de difusão científica do CEPOF, Profa. Wilma Barrionuevo. Durante o mês de outubro tais materiais foram julgados por cerca de 30 professores e pesquisadores da USP, coordenados pelos professores do IFSC/USP Vanderlei Bagnato, Euclydes Marega Junior e Sebastião Pratavieira. Ao final, foram classificados cerca de 50 Clubes, sendo que 10 Clubes empataram em primeiro lugar. A divulgação foi feita durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Os Clubes classificados receberam troféus, além de medalhas de ouro, prata, e bronze. Todas as escolas receberam troféus de participação. As coordenadoras pela Diretoria de Ensino foram a Dirigente Débora Gonzalez Costa Blanco e a professora Marília Faustino, representando o Núcleo Pedagógico da Diretoria de Ensino.

Ao longo desses 5 anos de existência dos Clubes de Ciências, as atividades desenvolvidas incluíram as seguintes ações:

(1) Criação de mais de 200 Clubes de Ciências em escolas públicas estaduais; (2) Capacitação de professores e coordenadores, (3) Capacitação dos alunos e montagem dos experimentos, (4) Realização de aulas técnicas ao vivo, pela internet; (5) criação e distribuição de kits educacionais de áreas diversas da ciência para todas as escolas estaduais inscritas; (6) Realização da Feira de Ciência e Tecnologia da USP para exposição dos experimentos e para atrair estudantes ao ambiente universitário; (7) Exposição dos experimentos produzidos nas escolas estaduais e em espaços públicos; (8) videoaulas pela TV e internet; (9) Aulas eletivas em escolas estaduais para capacitação na plataforma computacional Arduino e em Robótica e formação de novos Clubes de Ciências. Ao final, foram alcançadas cerca de 40 mil pessoas, por meio dos Clubes de Ciências, capacitações de Professores, Feiras de Ciências, Exibições em Praça Pública, videoaulas pela internet e aulas pela TV.

Escolas que foram agraciadas com Medalha de Ouro:

EE Attília Prado Margarido -Clube de Ciências: Regando Conhecimento –  São Carlos

EE Luciano Ivo Tognetti – Clube de Ciências: ERROR 404 – Descalvado

EE José Ferreira da Silva – Clube de Ciências: FrankSTEM – Descalvado

EE Aracy Leite Pereira Lopes, D.- Clube de Ciências: Velozes e Fumegantes – Descalvado

EE José Ferreira da Silva-Clube de Ciências: Enigma –  Descalvado

EE Maria Ramos – Prof.ª- Clube de Ciências: MaRa Sabino – São Carlos

EE Orlando Perez- Clube de Ciências: Rainha Vermelha – São Carlos

EE Maria Ramos – Profª – Clube de Ciências: Incríveis Máquinas Voadoras! – São Carlos

EE Orlando Perez- Clube de Ciências: Força Jovem – São Carlos

EE Edésio Castanho- Clube de Ciências: Estrelas da Ciência – Ibaté

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

 

20 de novembro de 2020

Uma nova liga que é superelástica num grande intervalo de temperatura

Por: Prof. Roberto N. Onody*

Ligas superelásticas são ligas metálicas que podem sofrer grandes deformações, de até 20%, e retornam, automaticamente, à sua forma original. Essa característica desejável tem aplicações importantes em medicina e ortodontia. Explica-se o surgimento da superelasticidade em materiais nos quais a tensão induz a presença de transformações martensíticas (transformações martensíticas são aquelas em que nenhum átomo da estrutura cristalina se desloca mais do que um parâmetro de rede, ou seja, são transformações praticamente reversíveis).

Um exemplo, muito comum, de liga superelástica é a liga de Níquel-Titânio. Largamente utilizado em aplicações médicas tem, além de suas ótimas propriedades mecânicas, excelente resistência à corrosão. Há, porém, dois problemas. O primeiro é o efeito destruidor da superelasticidade pela temperatura. O segundo está no custo do material. Dessa forma, os pesquisadores vêm investigando materiais mais baratos e que permaneçam, na fase superelástica, num grande intervalo (“janela”) de temperatura. Fundamentalmente, todos esses protótipos se baseiam no elemento químico Ferro 1.

Recentemente, em um estudo publicado na Science 2, um grupo de pesquisadores da Universidade de Tohoku do japão investigou as propriedades de uma liga de Fe-Mn-Al-Ni com adição de Cromo. Eles demonstraram que o acréscimo do Cromo praticamente não leva a nenhuma variação da entropia. Para isso, eles utilizaram a relação de Clausius-Clapeyron, que é uma relação linear entre a variação de entropia e a variação da tensão crítica com a temperatura. A tensão crítica é a tensão acima da qual o material tem deformação plástica, não mais retornando ao seu estado original.

Figura: Legenda: B) As “Janelas” de temperatura’ (na escala Kelvin) de vários materiais. Compare, em particular, a diferença entre o novo material (em vermelho) e a usual liga de Níquel-Titânio (preto); C) As “janelas” de variações de temperatura durante o dia e à noite na Lua, Marte e Terra. Crédito: Ji Xia et al. 2

Eles obtiveram uma liga que se mantém superelástica num grande intervalo de temperatura. Mais especificamente, para temperaturas entre -263 oC  e + 200 oC (veja figura B). Claro, talvez as aplicações médicas ou odontológicas não necessitem dessa enorme “janela” de temperatura, mas certamente desperta o interesse da indústria aeroespacial, pois as variações de temperatura de dia e à noite na Lua, em Marte e na Terra se enquadram perfeitamente na “janela” de temperatura em que o novo material é superelástico.

1 https://science.sciencemag.org/content/369/6505/855

2 Ji Xia , Yuki Noguchi , Xiao Xu , Takumi Odaira , Yuta Kimura , Makoto Nagasako , Toshihiro Omori1, Ryosuke Kainuma , Science 14 Aug 2020: Vol.369, Issue 6505, pp. 855-858

*Físico, Professor Sênior do IFSC – USP

(Agradecimento: Sr. Rui Sintra da Assessoria de Comunicação)

 Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

17 de novembro de 2020

Na Escola de Medicina de Yale: Removendo células neuronais mortas

Por: Prof. Roberto N. Onody*

Um grupo da Escola de Medicina de Yale1 conseguiu captar imagens do processo de remoção de neurônios mortos no cérebro de camundongos vivos. A morte das células e sua remoção é essencial à saúde dos animais e vegetais, um mal funcionamento desse mecanismo pode acarretar o surgimento de processos cancerígenos, comprometer a regulagem do sistema imunológico e a defesa contra patógenos infecciosos intracelulares.

Em geral, as células morrem ou de maneira acidental, com necrose provocada por trauma, interrupção do fluxo sanguíneo etc. ou por apoptose – a morte celular programada. No ser humano morrem, todo dia, bilhões de células entre as cerca de 30 trilhões de células que temos no nosso corpo. A observação da morte de células por apoptose é particularmente difícil por dois motivos: não sabemos quando e nem onde ocorrerá a sua morte e a remoção dessas células moribundas, feita pelos fagócitos, é muito rápida.

Damisah et al 1, empregaram técnicas fotoquímicas e de metodologias virais para induzirem a morte de células que, combinadas com imagem de microscopia intravital, permitiram o mapeamento e acompanhamento dos fagócitos envolvidos na eliminação do neurônio morto 2. Os fagócitos envolvidos na eliminação do neurônio foram o astrócito e a micróglia.  O estudo revelou um trabalho harmônico, equilibrado e coordenado entre os dois fagócitos, com cada um desempenhando uma função bem especializada. As micróglias encarregam-se do corpo e do núcleo do neurônio enquanto os astrócitos destroem os dendritos.

O estudo também comparou a resposta de camundongos novos, com cerca de 4 meses de idade, com camundongos mais velhos com média de 26 meses de idade. Logo após aplicação do método de morte induzida nas células, chamado de 2Phatal (utiliza laser pulsado de fentossegundos), o núcleo das células neuronais se condensa, isso é uma sinalização para a entrada em ação dos fagócitos que removerão as células mortas. Não houve grande discrepância entre o número de células mortas em camundongos jovens e velhos. Entretanto, quando se comparou o tempo de limpeza e remoção dessas células mortas, a diferença foi enorme. O grupo jovem teve a limpeza completada em cerca de 26 horas, já no grupo idoso levou aproximadamente 58 horas. Essa demora em descartar o lixo pode ser um novo mecanismo de quebra de equilíbrio homeostático levando eventualmente a processos neurodegenerativos e de autoimunidade.

Legenda da foto: Células especializadas chamadas micróglias engolfam o corpo do neurônio morto, enquanto os astrócitos destroem as conexões desse neurônio.

Crédito: Eyiyemisi et al 1

1 Eyiyemisi C. Damisah, Robert A. Hill, Anupama Rai , Fuyi Chen , Carla V. Rothlin, Sourav Ghosh, Jaime Grutzendler, Science Advances, jun/2020, vol. 6, no. 26, eaba3239

DOI: 10.1126/sciadv.aba3239

2 https://www.youtube.com/watch?v=_BixMMfPkhU&feature=emb_title

*Físico, Professor Sênior do IFSC – USP

(Agradecimento: Sr. Rui Sintra da Assessoria de Comunicação)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

16 de novembro de 2020

Pesquisadores do IFSC/USP entre os mais influentes do mundo

Um estudo publicado na revista Plos Biology, em sua edição de 16 de outubro último, revela um banco de dados com os rankings atualizados dos cientistas entre os 2% mais influentes do mundo ao longo da carreira e no ano de 2019 (100.00 pesquisadores).

A pesquisa foi conduzida por uma equipe da Universidade de Stanford (EUA), liderada por John Ioannidis e intitulada “Updated science-wide author databases of standardized citation indicators”.

Nos quadros abaixo apresentamos a lista de pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) incluídos no ranking dos mais influentes do mundo ao longo da carreira (1) e os que se destacaram em 2019 (2).

Para consultar o ranking, clique AQUI.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

 

 

13 de novembro de 2020

Reunião plenária da Pontifícia Academia das Ciências do Vaticano

Plataforma virtual da reunião plenária da Pontifícia Academia das Ciências

Outubro, 2020

Por: Pablo Aurelio Gómez García

A sessão plenária anual da Pontifícia Academia das Ciências do Vaticano (PAS) ocorreu nos passados dias 7, 8 e 9 de outubro e, pela primeira vez na sua história, de forma virtual —devido às restrições impostas pela pandemia do coronavírus— longe, portanto, quer da Capela Sistina, ou dos solenes jardins do Vaticano.

Cerca de sessenta pessoas participaram, incluindo acadêmicos e palestrantes convidados. Alguns minutos antes de que o presidente da PAS, o economista Joachim von Braun, abrisse oficialmente o evento, os membros da Academia se cumprimentaram através das câmeras e dos microfones. Atrás deles, os cômodos típicos da agremiação: amplitude e tetos altos, móveis de madeira, livros empilhados em mesas ou estantes e uma variedade de objetos singulares, colheita das suas viagens pelo mundo. A cena surpreende pela ternura: os cientistas mais renomados do nosso tempo, dispostos na tela como um conclave de sábios, estavam realmente felizes por se encontrarem mais um ano. Então alguém disse: “Not too many women…”, um desequilíbrio que já pauta a agenda das principais instituições científicas, assim como da Igreja Católica. Em seguida, conversaram informalmente sobre o Prêmio Nobel, concedido uns dias atrás, e concordaram em que o veredito fora justo.

O encontro intitulou-se: “Um olhar sobre o SARS-CoV-2 e as relações entre os riscos em grande escala à vida neste planeta e as oportunidades da ciência para lidar com eles”. A leitura da carta papal deu início ao evento. Nela, o Papa Francisco defendeu as principais teses da bioética, advogando pelo cuidado do planeta e dos mais desfavorecidos em ações coordenadas que transcendam as fronteiras. Ele depositou suas esperanças nos cientistas para resolver os problemas causados ​​pela pandemia do coronavirus e prevenir à humanidade dos problemas que virão. Nessa mesma linha, Tedros Adhanom, diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), fez uma breve declaração em que argumentou que os problemas globais exigem soluções globais. “As vacinas da COVID-19, quando estiverem prontas, devem chegar a todos”, disse. As discussões que aconteceriam ao longo daquele dia e dos seguintes mostraram que, dada a atual ordem do mundo, tão desigual e delimitada por interesses discrepantes, nem sempre é fácil colocar em prática essas ideias.

Participação do Prof. Ara Darzi discorrendo sobre políticas de saúde pública

Nas palestras, foram apresentados resultados de ciência básica (objetivos terapêuticos e mecanismos moleculares da infecção) e ciência aplicada (desenvolvimento de vacinas, terapias e métodos diagnósticos). Percebe-se que o evento é importante, os acadêmicos são pessoas exigentes e de uma extrema competência, mas parece que nas reuniões da PAS não há lugar para hostilidades: o ambiente é familiar. O físico brasileiro Vanderlei Bagnato, que participou do encontro como membro do conselho da PAS, apresentou diversas aplicações da terapia fotodinâmica desenvolvidas no Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC, USP) que, por sua alta relação “eficácia-custo”, têm capacidade para atender uma grande parte da população. Os acadêmicos se mostraram orgulhosos dos avanços atingidos pela ciência nos últimos meses. Concordaram em que nunca se tinha visto tamanha velocidade na produção e divulgação de resultados científicos rigorosos. Eles também discutiram possíveis estratégias para a implementação desses desenvolvimentos nos sistemas de saúde pública dos diferentes países. Em particular, o médico e professor do Imperial College de Londres, Ara Darzi, forneceu uma ampla gama de dados e argumentos, tanto clínicos como econômicos, a favor da medicina preventiva. “É necessária uma mudança de paradigma nos sistemas públicos de saúde; investir na prevenção é a coisa mais rentável e eficiente a fazer”, disse. Depois justificou que a saúde pública deveria ser elevada ao grau de questão de “segurança nacional” e advogou por uma lei que obrigue às empresas farmacêuticas e de biotecnologia a compartilhar dados relevantes com as instituições públicas.

Os acadêmicos consideram que boa parte do destino do ser humano está nas mãos da ciência e se sentem chamados e capazes de dar respostas. O neurocientista alemão Wolf Singer o expressou numa frase: “nós, cientistas, devemos cuidar da sustentabilidade do mundo”. Por isso o tom geral da reunião foi de responsabilidade face à “gravidade dos acontecimentos”, mas não de renúncia ou derrota. A pandemia era vista como o último desafio a superar: uma oportunidade para aprender e inovar. Em suas análises, que foram além das causas e consequências imediatas da pandemia, os acadêmicos procuravam responder à pergunta: o que nos faltou para dar uma resposta melhor a esta crise? E houve um grande consenso: a ciência funciona, mas para levar adiante uma luta eficaz contra o coronavírus e outros riscos futuros, existem certos elementos indispensáveis. Para isso, a nossa sociedade precisa de: cooperação internacional, educação de qualidade em todos os países, transparência, sistemas de saúde fortes e globais, desenvolvimento econômico sustentável, igualdade e estabilidade social, aumento do investimento em pesquisa e decisões políticas baseadas no conhecimento científico. Também houve um grande consenso de que é fundamental reconquistar a confiança da população nas instituições. Mas como evitar que essas grandes mensagens soem como slogans vazios? Como recarregá-los com conteúdo?

Participação do Prof. Vanderlei Bagnato apresentando o desenvolvimento de métodos terapêuticos

O matemático David Spiegelhalter reconheceu que a ciência não é infalível e que depende primeiro das interpretações: “(…) os dados não falam por eles mesmos”, e das implementações práticas depois. “A responsabilidade dos cientistas é, em última instância, ser claros na apresentação dos resultados e reconhecer as incertezas”, disse ele, ciente da problemática de participar na vida pública de maneira “objetiva”. Sob esse tipo de questões, implicitamente, se coloca a pergunta: é possível, por meio do conhecimento científico, distinguir de forma clara e “neutra” entre o bem e o mal? A moral não é, em última análise, arbitrária? A experiência mostra que, apesar de ter —como os acadêmicos e a comunidade científica em geral têm— bem definido que os objetivos principais são a sobrevivência e o progresso da humanidade, os dilemas surgem constantemente. Durante a plenária da PAS, foram discutidos dois temas de relevância que ilustram essas dificuldades.

O primeiro foi levantado pela geofísica Marcia McNutt, diretora da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NAS), quando apresentou seu projeto de colaboração com os principais buscadores da internet (Google, Bing, etc). O objetivo é combater os perigos representados por informações “falsas” que circulam na Internet. Assim, por meio do programa “Based on Science” esses buscadores privilegiam conteúdos baseados em evidências científicas acima de outros. O médico hondurenho Salvador Moncada apontou a controvérsia: “(…) esse tipo de manobra poderia limitar a liberdade dos cidadãos”. Foram muitos os que participaram no debate, que finalmente ficou em aberto.

O segundo foi proposto pelo físico norte-americano William Phillips: “(…) seria correto fazer estudos clínicos de vacinas em que os voluntários são expostos intencionalmente ao vírus ativo?” Com esse tipo de ensaio, a eficácia seria avaliada mais rapidamente, mas a saúde dos participantes seria colocada em risco. Diante dessa questão tão atual, defendeu-se, por um lado, a seguinte posição: desde que a participação seja voluntária e que o benefício coletivo ultrapasse o prejuízo individual, seria eticamente correto. Em uma posição contrária, o cirurgião e professor de Harvard Francis Delmonico declarou-se a favor da preservação da integridade pessoal acima de tudo: “(…) sem um tratamento disponível, estes tipos de estudos clínicos são inaceitáveis”, afirmou. O debate também ficou em aberto.

A plenária estava quase no fim e uma pergunta ainda pairava no ar; é a mesma que todo o mundo se faz: quando teremos a vacina do coronavírus? Ou colocada de outra maneira: quando poderemos retomar nossas vidas “normais”? O geneticista Francis Collins, atual diretor dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), declarou-se relativamente otimista, mas cauteloso: “(…) ainda temos de esperar para dar uma resposta; talvez nos primeiros meses de 2021 possamos começar a vacinar: os profissionais de saúde e as pessoas de risco terão prioridade”, afirmou, mas deixando a porta aberta para complicações e atrasos inesperados.

Em seu discurso final, Monsenhor Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da PAS, assinalou o caminho do concílio entre a verdade revelada e a verdade obtida pela razão: “(…) este vírus é mais um exemplo de nossa limitada compreensão do mundo”, disse. “Para um entendimento completo, o conhecimento científico deve ser enriquecido pela fé”, e convidou aos acadêmicos, e ao resto dos cristãos, à reza. As propostas deste caráter tendem a chiar nos ouvidos das pessoas modernas, mas não deveriam ser descartadas tão levianamente, já que apontam para o centro da epistemologia; para os fundamentos do eterno problema do “o que eu posso conhecer?” Uma questão que os pensadores de referência da nossa civilização, desde a antiga Grécia até os tempos atuais, têm tratado infatigavelmente de resolver. De maneira que, seja por meio da cultura ou de outras fontes ainda mais difusas, o problema do conhecimento vive dentro de nós, embora não o percebamos. Por último, Joachim von Braun propôs uma série de pontos para a redação do relatório oficial da reunião, coletou as reflexões de alguns participantes e encerrou o evento. Os acadêmicos, sorridentes, despediram-se dizendo “bye bye; good bye” e balançando as mãos no ar. Para alguns, era hora de ir para a cama, para outros, de continuar com o trabalho. Estavam muito contentes por terem se encontrado.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

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