COVID-19

20 de maio de 2020

Novo modelo matemático para modelagem da COVID-19 no Brasil

Um novo estudo realizado por pesquisadores da USP de São Carlos, nomeadamente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC/USP), foi recentemente publicado em nível internacional, onde é apresentada uma nova abordagem para modelar e caracterizar a epidemia COVID-19 no nosso país, usando uma rede complexa de múltiplas camadas. Sabendo-se que existem vários fatores envolvidos na disseminação da epidemia, como as características individuais de cada cidade/país, este trabalho confirma que a verdadeira forma da dinâmica da epidemia é um sistema grande e complexo, como a maioria dos sistemas sociais. Nesse contexto, redes complexas são um ótimo candidato devido à sua capacidade de lidar com propriedades estruturais e dinâmicas.

O modelo aprimora o SIR tradicional e é aplicado ao estudo da epidemia brasileira, analisando possíveis ações futuras e suas consequências. A rede é caracterizada por considerar estatísticas de infecção, morte e tempo de hospitalização. Para simular isolamento, distanciamento social, ou medidas de precaução, em seu trabalho os pesquisadores removeram camadas e/ou reduziram a intensidade dos contatos sociais. Os resultados mostram que, mesmo tomando várias premissas otimistas, os atuais níveis de isolamento no Brasil ainda podem levar ao colapso do sistema de saúde e a um número considerável de mortes (média de 149.000).

Se todas as atividades voltarem ao normal, o crescimento da epidemia sofre um aumento acentuado em relação ao padrão atual, e a demanda por leitos de UTI supera 3 vezes a capacidade do país. Isso, certamente levaria a um cenário catastrófico, já que nossa estimativa atinge uma média de 212.000 mortes, mesmo considerando que todos os casos são efetivamente tratados.

O aumento do isolamento (até um bloqueio) mostra ser a melhor opção para manter a situação sob a capacidade do sistema de saúde, além de garantir uma diminuição mais rápida de novas ocorrências de casos (meses de diferença) e um número de mortes significativamente menor (média de 87.000).

Para conferir este trabalho da autoria dos pesquisadores Leonardo Scabini, Altamir Júnior e Odemir Bruno, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), e de Lucas Ribas, Mariane Neiva e Alex Farfán, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC/USP), clique AQUI.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

 

 

8 de maio de 2020

Em aproximadamente uma semana poderão faltar UTI’s no estado

Em aproximadamente uma semana poderão faltar UTI’s no estado de São Paulo, se forem confirmadas as tendências de proliferação do novo coronavírus no país.

O docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Luiz Vitor de Souza, analisa, em vídeo, sua opinião pessoal sobre a evolução do novo coronavirus no Brasil e, particularmente, no estado de São Paulo, tomando em consideração as curvas de incidência do vírus no nosso país, comparadas com as da Coreia do Sul e Itália.

Embora os resultados da fraquíssima quarentena registrada no Brasil tenha reduzido a velocidade da propagação da COVID-19, é quase certo, segundo o pesquisador do IFSC/USP, que essa medida não está sendo suficiente para evitar a falta de leitos de UTI’s no país, provocando um inevitável colapso do sistema de saúde.

Para assistir o vídeo, clique na imagem abaixo.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

5 de maio de 2020

05 de maio – Dia Mundial de Conscientização da Lavagem das Mãos

Dia 05 de maio é considerado o “Dia Mundial de Conscientização da Lavagem de Mãos”, uma iniciativa que se surgiu e intensificou durante a pandemia da COVID-19.

Numa iniciativa conjunta do IFSC/USP, CIBFar, e LEMIMO, com o apoio da FAPESP, a Profª Illana da Cunha Camargo, coordenadora do Laboratório de Epidemiologia e Microbiologia Molecular (LEMIMO/IFSC/USP) coordenou a produção de um pequeno vídeo de conscientização sobre a importância e forma correta de lavar as mãos, num trabalho especialmente dedicado à sociedade.

A lavagem correta das mãos não só é necessária neste período de pandemia, como também no cotidiano de todos nós, preservando-nos contra outros tipos de bactérias, fungos e vírus.

A higiene das mãos é um ato reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos mais efetivos na prevenção de doenças. Por isso, em meio à pandemia do coronavírus, o que nos cabe é adotá-la como um hábito permanente e frequente e, dessa maneira, nos unirmos para barrar o contágio.

Para além dos momentos mais habituais (antes e depois do preparo de alimentos, assim como após o uso do banheiro), é importante lavar as mãos todas as vezes em que tiver contato com maçanetas de portas externas, botões e superfícies de elevadores, corrimãos, balcões em geral, carrinho e cestas de supermercados, máquinas de cartão e outros objetos compartilháveis.

Caso não seja possível lavar as mãos logo após situações como essas, o Ministério da Saúde orienta não tocar olhos, boca e nariz até que a higiene de fato seja realizada. Lembrando que, se for possível ter por perto um frasco de álcool gel, a proteção imediata estará garantida.

Para acessar o vídeo, clique na imagem abaixo.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

5 de maio de 2020

IFSC/USP: Ajudando a entender estruturas como as do COVID-19

Em artigo publicado no dia 9 do corrente mês, na prestigiada revista científica Science, intitulado Emergence of Complexity in Hierarchically Organized Chiral Particles, um grupo de cientistas internacionais – entre os quais brasileiros – conseguiu resultados importantes para o entendimento de partículas que apresentam estruturas complexas muito semelhantes às que existem em diversos seres vivos na natureza, incluindo vírus como o Sars-Cov-2 (covid-19).

O Prof. Sérgio Ricardo Muniz, pesquisador do IFSC/USP, faz parte dessa equipe, sendo um dos autores do artigo, e contribuiu com o entendimento da interação da luz com essas estruturas, que revela informações importantes a respeito desses sistemas.

Objetivos e particularidades da pesquisa

O objetivo da pesquisa, de um modo geral, está ligado ao entendimento dos mecanismos físico-químicos que levam ao surgimento de estruturas complexas observadas na natureza, especialmente no contexto de sistemas complexos auto-organizados. Isto é, estruturas que “se montam sozinhas” a partir de blocos fundamentais, seguindo leis físicas que regem as interações moleculares. Quanto à importância deste trabalho, Sérgio Muniz destaca que um dos grandes avanços apresentados neste estudo, e uma das razões pelo que mereceu tanto destaque internacional “(…) é que ele mostra como realizar e entender  – do ponto de vista fundamental – a formação de estruturas sintetizadas em laboratório, com grau de complexidade comparável – ou até maior – que as produzidas por sistemas biológicos, na natureza(…)”, destacando que isso não era conhecido antes. O estudo fornece princípios físicos e estratégias que podem ser usados para contornar dificuldades práticas para produzir estruturas com esse grau de complexidade, no laboratório, a partir de moléculas simples.

Os pesquisadores demonstraram um sistema físico-químico concreto e acessível, como modelo experimental para explorar as diversas variáveis envolvidas no problema geral, que é bastante complexo. O estudo concentrou-se nesse sistema modelo, baseado em estruturas de Au-Cys (átomos de ouro com o aminoácido cisteína), e apresenta uma gama impressionante de estudos experimentais, usando uma variedade de técnicas bastante avançadas e modernas, para atacar o problema.

“Esses resultados experimentais são comparados e corroborados por modelos e cálculos computacionais, com parâmetros realísticos, do sistema molecular proposto. O mais importante, porém, é que apesar da complexidade e número de variáveis do problema, o estudo consegue concluir e apontar os princípios físicos gerais que servem de guia para entender o processo e abrir caminhos para novas técnicas de síntese de sistemas complexos (com várias aplicações práticas). Esses mesmos princípios físico-químicos guiam a produção de estruturas complexas em sistema biológicos naturais, abrindo também possibilidades de aplicações nessa área, no futuro”, salienta Sérgio Muniz.

A contribuição do IFSC/USP

A contribuição do Prof. Sergio Muniz nesta pesquisa iniciou-se em junho de 2019, quando o Prof. André Farias de Moura, do Departamento de Química da UFSCar, o procurou para fazer um experimento de aprisionamento óptico  com essas micropartículas especiais, de Au-L-Cys e Au-D-Cys, que têm propriedades quirais e uma estrutura de aparência “espinhosa” (parecida com um ouriço-do-mar), conforme explica o pesquisador do IFSC/USP. “Essas micropartículas são produzidas artificialmente, através de um processo espontâneo de “auto-organização” e “automontagem” (‘self-assembly’), desenvolvido pelo grupo da Universidade de Michigan (UM), e têm algumas propriedades físicas e físico-químicas incomuns para partículas desse tipo, chamadas de coloides. Além dessas propriedades, elas têm uma forma estrutural bastante complexa, comparável à de sistemas biológicos, ou em processos físico-químicos produzidos por organismos vivos. Estruturas microscópicas desse tipo têm sido notoriamente difíceis de produzir por meio de processos artificiais. Como esse tipo de material pode ter várias aplicações práticas e tecnológicas, ele tem sido bastante estudado no últimos anos. Materiais como esses, inspirados em sistemas biológicos (bio-inspirados), também são denominados de materiais biomiméticos. O grupo do Prof. Nicholas Kotov (UM) é um dos especialistas mundiais nessa área de pesquisa, enquanto o grupo do Prof. André Moura é especialista em modelos e cálculos computacionais de propriedades físico-químicas de sistemas moleculares”, elucida Sérgio Muniz.

O desafio de aprisionar opticamente essas novas partículas despertou o interesse imediato do pesquisador do IFSC/USP, tendo em vistas que um dos focos de seu laboratório é entender processos nano-termodinâmicos (isto é, relações entre energia, calor e trabalho) em máquinas extremamente pequenas, como nanomáquinas e máquinas moleculares. Segundo Muniz, estudos recentes em sistemas quânticos têm mostrado que nanomáquinas (no contexto da física quântica) têm propriedades especiais muito interessantes, talvez com limites diferentes dos impostos às máquinas clássicas. Esse é um tema de pesquisa efervescente e extremamente relevante, pois além de oferecer um entendimento dos processos fundamentais da natureza, pode vir a ter aplicações tecnológicas importantes, como, por exemplo, indicando novos caminhos para produção de novas fontes de energia, mais eficientes e sustentáveis. “De fato, esse é um dos grandes temas de pesquisa que estamos explorando em São Carlos, tanto em experimentos no meu laboratório, como em colaboração com colegas teóricos no IFSC/USP e do exterior, mas há muita pesquisa a ser feita ainda para responder essas grandes perguntas”, sublinha Sérgio.

Imagem de microscopia eletrônica da partícula sintetizada pelos pesquisadores (Crédito: Divulgação)

“Após alguns meses de trabalho, envolvendo dois estudantes de pós-graduação – a doutoranda Thalyta Tavares Martins e o mestrando Pedro Faleiros Silva, ambos do meu laboratório no IFSC/USP –, conseguimos demonstrar não só o aprisionamento óptico dessas partículas, mas também o controle do movimento e rotação dessas micropartículas, efetivamente criando micro-rotores controlados por luz. Em outras palavras, micromáquinas que podem ser controladas por certas propriedades ópticas da luz do laser de aprisionamento. Usando técnicas especiais, podemos controlar essas propriedades, com grande precisão no laboratório. Os resultados iniciais, porém, eram diferentes das previsões iniciais. Esses efeitos estão diretamente ligados à forma como essas partículas interagem com a luz. Em dezembro de 2019, numa reunião para discutir e tentar entender essas observações, percebi que havia aspectos do problema que não eram bem entendidos e que poderíamos resolver isso usando outras técnicas. Essas novas medidas combinaram espectroscopia e microscopia óptica de fluorescência, com técnicas de imagem resolvidas no tempo (com resolução temporal da ordem picosegundos) e foram importantes para entender melhor os processos internos de transferência de energia nessas estruturas” enfatiza o pesquisador, acrescentando que a análise desses dados também ajudou a entender a interrelação da estrutura nanométrica (nanoplaquetas de Au-Cys) com as estruturas supramoleculares, e, especialmente, as propriedades da luz emitida (fluorescência) por essas partículas, quando excitadas com luz ultravioleta (UV).  “Também nos indicou que deveria haver dois tipos de processos envolvidos nas propriedades de polarização da luz emitida e espalhada por essas partículas, que são importantes para aplicações práticas”.

 A estrutura do vírus da COVID-19 e o desenvolvimento de vacinas e tratamentos

O Prof. Sergio Muniz é enfático ao afirmar que a pesquisa realizada não está diretamente ligada ao desenvolvimento de vacinas ou tratamentos para o vírus COVID-19, lembrando que ela foi iniciada bem antes da pandemia. Admite, porém, que seus resultados e conclusões podem inspirar novas ideias e iniciativas envolvendo sistemas biológicos.

Por outro lado, segundo o pesquisador, os resultados estão ligados a propriedades físicas e químicas de grande interesse prático em diversas aplicações, como, por exemplo, propriedades de estabilidade física e química de coloides em soluções e aerossóis, e em processos de catálise assimétrica, para síntese química. Especialmente, para processos de síntese controlados por luz (fotocatálise). Além disso, propriedades ópticas, como polarização e emissão/absorção de luz, têm aplicações nas áreas de fotônica e optoeletrônica. “O conhecimento e compreensão dos princípios físicos e químicos que dirigem a complexidade de estruturas biológicas – desde a nano-escala , como nos vírus -, até a interação seletiva de nanopartículas ou micropartículas de interesse terapêuticos, por exemplo, em sistema de entrega dirigida de fármacos a alvos específicos dentro do organismo -, são guiados pelos mesmos princípios físico-químicos investigados neste estudo. A síntese de estruturas com simetria parecida com as do vírus COVID-19, por exemplo, ou no desenvolvimento de estruturas moleculares ,para atacar ou desativar a ação do vírus nas células”.

A infraestrutura do IFSC/USP (CEPOF)

O laboratório de pesquisa do Prof. Sergio Muniz, no IFSC/USP, é um dos mais novos laboratórios do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CePOF), que é um dos CEPID-FAPESP. O laboratório estuda propriedades quânticas da matéria, desde a escala atômica até a escala macroscópica. Em linhas gerais, estuda Tecnologias Quânticas, tanto do ponto vista da pesquisa fundamental (básica) como aplicada, usando a Óptica como ferramenta principal. Os pesquisadores usam lasers (luz) para aprisionar e controlar átomos, moléculas e estruturas, que vão desde a escala atômica (sub nanométrica) até micropartículas, na escala de dezena de micrometros. No laboratório relacionado à pesquisa publicada na Science, utilizam-se “pinças ópticas” (tema do prêmio Nobel de Física de 2018), para aprisionar micro e nanopartículas, observadas num microscópio especial, construído no próprio laboratório. Esse é o sistema experimental que deu início à colaboração com os pesquisadores do artigo, embora não diretamente relacionado aos resultados publicados nesse primeiro artigo. “Temos outros estudos em andamento, com resultados parciais muito interessantes, ainda não publicados”, conclui Sérgio Muniz, que ainda enfatizou a importância da infraestrutura de pesquisa disponível no IFSC/USP, especialmente devido ao apoio da FAPESP nas últimas décadas, como algo fundamental para o sucesso da sua participação nesse trabalho, recentemente publicado. “Se a infraestrutura não estivesse já disponível, com a qualidade necessária, quando tivemos a ideia não teria sido possível fazer no tempo que foi feito. Isso ressalta, uma vez mais, a importância de investimentos estáveis, e de longo prazo, na pesquisa brasileira.”, alerta o pesquisador.

Além dos professores Sérgio Muniz e André Moura, o artigo tem vários autores brasileiros, alunos e ex-alunos de Moura. Nicholas Kotov (Univ. de Michigan) e Christopher Murray (Univ. da Pensilvânia) são também autores principais da pesquisa, com seus estudantes e outros pesquisadores dos EUA e da China. O financiamento do lado brasileiro da pesquisa, teve recursos da FAPESP, através de dois CEPIDs (CePOF e CDMF) e outros projetos, do CNPq e da CAPES.

Links relacionados:

DOI: 10.1126/science.aaz7949

ALTMETRIC

SCIENCE

 

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

5 de maio de 2020

EPTV destaca trabalho do Prof. Glaucius Oliva (IFSC/USP)

Nunca se falou tanto de ciência, cientistas e pesquisadores , como agora, num momento em que uma pandemia caiu sobre a cabeça de todos os povos do mundo. E, infelizmente, foi através desses momentos difíceis, como os que se vivem hoje, que as pessoas começaram a dar mais valor e a prestar atenção aos profissionais da saúde e aos cientistas que, de repente, suspenderam suas próprias pesquisas em andamento e triplicaram seus esforços para entrar no olho do furacão da COVID-19.

Em São Carlos, quase todo o mundo acompanha os últimos desenvolvimentos relacionados ao combate à pandemia, um combate que nasce nos laboratórios das universidades e instituições públicas sediadas na cidade – UFSCar, USP e EMBRAPA-, bem como em outras instituições de pesquisa e em empresas de tecnologia avançada.

E quem trabalha perto da ciência sabe o quanto um pesquisador se dedica, se empenha e se sacrifica para que algo inovador possa ser criado em benefício da sociedade, do país.

Num gesto nobre, a EPTV de São Carlos lançou no decurso desta semana uma série de reportagens intitulada “Craques da Ciência”. Na terceira reportagem desta série (23/04), o destaque foi para o docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Glaucius Oliva, que, por pertencer ao grupo de risco, está em isolamento em sua residência.

Além de ser um dos mais destacados pesquisadores nacionais e ex-presidente do CNPq, Glaucius Oliva é uma pessoa que irradia boa disposição, presta muita atenção às pessoas que o rodeiam, e tem um elevado espírito humanista.

Nesta terceira reportagem da série “Craques da Ciência”, são também destacados, em fotos, alguns dos principais pesquisadores que trabalham no CIBFar – Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (FAPESP), onde Glaucius Oliva é coordenador:

Arlene Correa (DQ/UFSCar);
Paulo Cesar Vieira (FCFRP/USP);
Vanderlan Bolzani (IQ/UNESP);
Adriano Andricopulo (IFSC/USP);
Rafael Guido (IFSC/USP);
Mônica Pupo (FCFRP/USP);

Para assistir a esta reportagem, clique na imagem abaixo.

(Imagens de: Léo Ramos Chaves/Fapesp e Adri Felden)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

27 de abril de 2020

Desenvolvimento de genossensores para câncer de cabeça e pescoço

Um trabalho de pesquisa em colaboração entre o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e o Hospital de Amor, de Barretos, mereceu destaque com a capa de uma revista científica internacional, de nome “Talanta”.

O destaque é atribuído a uma metodologia inovadora para detectar, com um dispositivo de baixo custo, a propensão de humanos em desenvolver câncer de cabeça e pescoço. Esse dispositivo é um genossensor, ou seja, detecta um gene ou sequência de DNA em células de pacientes. Para o trabalho em questão, a detecção foi feita com um filme nanoestruturado que continha uma sequência de DNA específica para detectar marcadores de câncer de cabeça e pescoço.

Segundo o Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Jr., do IFSC-USP, um dos pontos mais relevantes do trabalho foi o design dessa sequência pelos colaboradores do Hospital de Barretos. Chamou a atenção, também, a ausência de falsos positivos e negativos para células tumorais e células sadias, apesar de a técnica de detecção ser bastante simples, a partir de medidas de impedância eletroquímica.

Porque motivo esta técnica de detecção ainda não foi cogitada para o combate da COVID-19?

A menção à técnica de detecção ganha muita relevância no contexto atual da luta contra o Covid-19, cuja detecção mais eficiente é feita com a técnica PCR (do inglês polymerase chain reaction). Um teste de PCR é equivalente a um teste com um genossensor, como o desenvolvido pelas equipes do IFSC/USP e do Hospital de Amor de Barretos. A diferença principal está no alto custo e na necessidade de equipamentos sofisticados com operadores altamente qualificados para a técnica de PCR. Medidas elétricas ou eletroquímicas, como as usadas para os genossensores das equipes brasileiras, podem ser realizadas com equipamentos muito mais simples e a um custo muito menor do que com PCR.

É de se perguntar porque motivo esse tipo de metodologia de genossensores não ter sido difundido para a batalha de testes que são agora necessários para o Covid-19.

O Prof. Osvaldo enfaticamente sublinha: “Em todos os nossos artigos de biossensores, incluindo os genossensores e imunossensores (como os que detectam anticorpos de infectados com o Covid-19), ressaltamos a importância de desenvolver métodos de mais baixo custo. Essa ênfase também é dada por pesquisadores no mundo todo, atuando em biossensores. Ocorre que, para transformar os resultados científicos com esses biossensores em testes clínicos com certificação, são necessários vultosos recursos. Dentre outras ações de pesquisa e desenvolvimento, devem-se implementar processos de manufatura para produção em grande escala dos biossensores e criar equipamentos de medida portáteis e fáceis de usar. Como o número de testes requerido para muitas doenças é relativamente baixo, empresas e governos acabaram por não investir para tornar a tecnologia de biossensores uma realidade para toda a sociedade. Se alguém pudesse imaginar que um dia precisaríamos de milhões de testes de uma vez só, certamente os investimentos teriam sido feitos. Espero que com essa grande crise mundial os investimentos apareçam

Mas, como a Covid-19 é uma infecção inteiramente nova, seria possível adaptar a tecnologia de genossensores rapidamente? A resposta é sim, diz o Prof. Osvaldo. “Para a detecção do Covid-19, a única inovação crucial seria introduzir as sequências que detectam o vírus, algo que poderia ser feito com a identificação do genoma do vírus, como grupos brasileiros já o fizeram.

Para acessar o artigo científico, clique AQUI.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

 

26 de abril de 2020

COVID-19: estrutura exclusiva do GSF garante atendimento em São Carlos

Diante da pandemia causada pelo novo coronavírus, o Grupo São Francisco – que faz parte do Sistema Hapvida – tem adotado medidas para qualificar sua rede de atendimento, além de ampliar diversos serviços para melhor atender os clientes e combater a Covid-19.

Em São Carlos, o grupo possui uma estrutura completa para o cuidado de seus beneficiários.

Por meio de sua unidade própria e equipada de Pronto Atendimento (PA), o São Francisco conta com profissionais altamente capacitados tanto para o atendimento geral como para possíveis pacientes com suspeitas de Covid-19.

Para os casos que necessitam de internações, o grupo dispõe da estrutura hospitalar da Santa Casa de São Carlos, onde possui uma ala exclusiva para internação com leitos de UTI.

A Santa Casa possui 113 leitos destinados aos planos de saúde, sendo uma ala exclusiva e personalizada para beneficiários São Francisco. Esta estrutura ainda contempla 20 leitos de UTI adulto, 10 pediátricos e 10 neonatal; e uma maternidade também exclusiva e personalizada para os clientes do plano.

Além disso, o Grupo São Francisco possui a retaguarda e a garantia de atendimento em seus hospitais próprios, o que proporciona tranquilidade e qualidade aos profissionais de saúde e beneficiários.

Ações diferenciadas

Mais do que garantir uma estrutura hospitalar completa, o Sistema Hapvida também investe constantemente na sua rede própria de atendimento. Para o ano de 2020, R$ 250 milhões foram previstos para a rede hospital, sendo R$ 50 milhões já sido investidos com custos adicionais, por conta das ações à Covid-19. Fornecimento de suprimentos e dispositivos que garantam a segurança da equipe médica e clientes também é realizado frequentemente. Por meio do fretamento de aeronaves, equipamentos de proteção individual são distribuídos, com frequência, para as unidades de todo o Sistema Hapvida, em todas as cinco regiões.

Ao mesmo tempo, a empresa direcionou dispositivos de segurança para o momento do entubamento de pacientes. Em paralelo, para contribuir com a nova rotina de isolamento domiciliar e distanciamento social de seus clientes, criou canais diretos de comunicação com a equipe de profissionais da saúde.

Por meio do site www.saofrancisco.com.br o serviço de chat está disponível para atender os beneficiários, com enfermeiros e psicólogos. O horário de funcionamento é das 8 às 18 horas, todos os dias. Pelo número 08007373838 – Opção 2, do Grupo São Francisco, é possível tirar dúvidas sobre a doença com os nossos médicos, 24 horas por dia. Além disso, pelo site, é possível fazer uma teleconsulta por vídeo com médicos, sem sair de casa. Já no Instagram – @hapvidasaude -, profissionais dão aulas para que as pessoas fiquem ativas, tiram dúvidas e dão dicas sobre como manter a saúde. São 5 horas de programação ao vivo, todos os dias.

Confira a programação nas redes sociais:

Todos os dias, a partir das 8h:

08h às 08h40 – Yoga

09h às 09h40 – Hiit/Treino Funcional

10h às 10h40 – Aula de ritmos

Todos os dias, às 15h30:

Lives com nossos especialistas sobre diversos temas

Onde assistir:

Instagram: https://www.instagram.com/hapvidasaude/

YouTube: https://www.youtube.com/hapvidasaude

Facebook: https://www.facebook.com/hapvida.saude

Confira, clicando na imagem abaixo, as declarações do Provedor da Santa Casa da Misericórdia de São Carlos, Dr. Antônio Valério Murillas, sobre o convênio que existe com o Grupo São Francisco.

23 de abril de 2020

Programa “USP VIDA” em apoio à pesquisa na Universidade

A Universidade de São Paulo (USP), ao participar intensamente no enfrentamento da COVID-19, com a atuação de seus cientistas, pesquisadores, professores e funcionários técnicos e administrativos, confirma que a ciência ocupa papel central nos desafios apresentados por uma pandemia que tem trazido impactos em todo o mundo.

Diante dessa que pode ser considerada a pior crise dos últimos tempos, as universidades, centros e laboratórios de pesquisa têm desempenhado sua missão de modo extraordinário na busca incessante para encontrar meios de conter a doença, sendo que a USP tem despendido todos seus esforços na busca de soluções em vacinas, medicamentos, desenvolvimento de testes, higienização, equipamentos e logística. E, ao mesmo tempo, não deixa de atuar direta e indiretamente nos diagnósticos, no atendimento hospitalar e nas internações.

Exemplos recentes podem ser destacados: o sequenciamento do vírus feito em tempo recorde o que possibilitou o trabalho de muitos laboratórios na busca incessante de antivirais e fármacos; e o desenvolvimento de um ventilador pulmonar mecânico, que poderá ser produzido por custo de R$ 1 mil frente aos R$15 mil cobrados em média no mercado.

Também foi criada a Rede USP para o Diagnóstico da Covid-19 em cinco centros de pesquisa da Universidade, com a missão de realizar diagnósticos moleculares, e o envolvimento de 17 laboratórios.

A luta frente à COVID-19, entretanto, é ampla.

A USP pode e deve fazer muito mais, mas precisa de sua ajuda. O Programa USP Vida foi criado com a finalidade de fazer avançar as pesquisas e ações na superação da covid-19.

Sua doação é a chave para progredirmos. Você poderá escolher em que pesquisa prefere doar – aplicar no desenvolvimento de vacina; em ações diagnósticas; no desenvolvimento de novos fármacos; em material de proteção para pacientes, profissionais da saúde e a sociedade em geral; ou no desenvolvimento de equipamentos. Pode, ainda, direcionar sua doação para um fundo único para que o Comitê Gestor aplique na pesquisa mais avançada no momento.

No site https://www.fusp.org.br/usp-vida você encontrará as formas de doações para pessoas jurídicas e físicas. As doações podem ser feitas por meio de depósito em conta corrente ou por pagamento em cartão de crédito.  Os recursos arrecadados serão gerenciados por um Comitê Gestor de Cientistas, coordenado pelo pró-reitor de Pesquisa da USP, e alocados em conta específica na Fundação de Apoio da Universidade de São Paulo – FUSP. Informações adicionais ou dúvidas podem ser encaminhadas ao e-mail: parcerias_usp@usp.br

Faça a diferença, doe e contribua para ajudar a salvar vidas.

DOE AGORA! Acesse https://www.fusp.org.br/usp-vida.

PROGRAMA USP Vida

(Com informações e imagens do Jornal USP)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

18 de abril de 2020

IFSC/USP desenvolve câmara de ozônio para descontaminar máscaras

A atual situação de uso intenso de máscaras de proteção respiratória pela população e pelos profissionais da saúde vem causando uma escassez de máscaras respiratórias profissionais  em todo mundo. Isto faz com que se comece a considerar a reciclagem daquilo que era para ser descartado e de uso único.

As máscaras de uso mais comum nos hospitais (EPI- equipamentos de proteção individual) são  as chamadas TNT e PFF, com e sem filtros, inclusive a KN95. Estamos vivendo agora um momento de escassez, ao ponto de profissionais da saúde estarem usando máscaras por até sete dias, ou mais. Isto é um problema que coloca em risco os profissionais da saúde, que neste momento são os que devem ser mais preservados. Para amenizar este problema, teremos que reciclar as máscaras.

Métodos convencionais de autoclave não são apropriados, por destruírem a estrutura destes EPI. O uso do UV (ultra-violeta) pode não ser o mais indicado neste momento, pois os micro-organismos estão emaranhados na estrutura das malhas ou no filtro das máscaras, fazendo com que o UV não penetre nestas regiões.  O melhor, no momento, é o uso de ozônio, que é um gás de grande penetrabilidade e que pode resolver o problema.

O ozônio (molécula reativa de oxigênio – O3) é conhecido como um  dos mais rápidos e eficazes agentes microbicidas, tanto para bactérias quanto para vírus.  Sua ação oxidativa destrói,  principalmente,  lipídios, proteínas e aminoácidos, sendo também bastante agressivo para o material genético.  Especialmente nos vírus, o ozônio age oxidando a camada proteica (envelope do vírus), modificando sua estrutura e destruindo completamente sua funcionalidade, sendo que bactérias e fungos também não resistem a ele. O único problema é sua manipulação, pois ele  também oxida nossos brônquios, se respirarmos ozônio em alta concentração.

Não há dúvida da ação do ozônio como método para descontaminar as máscaras.  A grande vantagem é que o ozônio, depois de trinta minutos, se transforma em oxigênio, e portanto é também amigável ao meio ambiente. A descontaminação é feita em via seca, sem temperatura e sem danos na estrutura das máscaras.

A solução que encontrada pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) foi criar uma câmara de ozônio garantidamente segura, e que, ao colocar em seu interior  as máscaras, o sistema passe por ciclos de vácuo e atmosfera saturada de ozônio, penetrando em todos os lugares das máscaras e promovendo sua descontaminação, sendo que a câmara não necessita de estrutura especial para a operação. Tubos especiais permitem fazer a exaustão do ar de seu interior e do ozônio para fora do local. A tampa da câmara de ozônio é hermeticamente fechada, dando adequada proteção de uso, sendo um sistema totalmente automatizado. Basta colocar as máscaras, apertar o botão e aguardar o tempo: uma luz indica o final da operação.

A operação é feita  da seguinte forma: Primeiro, as máscaras usadas são colocadas dentro de um saco de poliester trançado e colocadas no interior da câmara. Em seguida, inicia-se o processo através de ciclos de vácuo (remoção do ar da câmara) e injeção de ozônio produzido por um gerador próprio acoplado à máquina. Após 7 ciclos, levando um tempo total de 2h, todas as máscaras estarão descontaminadas e prontas para serem usadas novamente. O sistema de válvulas controladas por um microprocessador, comanda todos os passos.

Após remoção da câmara, as máscaras são colocadas em sacos plásticos, também descontaminados com ozônio, e ficam prontas para reutilização. A câmara tem capacidade de descontaminar até 800 a 1000 máscaras por ciclo, podendo também descontaminar outros tipos de EPI (equipamentos de proteção individual). O sistema é todo microprocessado e trabalha com ciclos de vácuo e exposição ao ozônio, que otimizam a eliminação dos micro-organismos.

Após 4 ciclos, todos os micro-organismos foram eliminados, mas os pesquisadores do IFSC/USP operam  com 7 ciclos, para garantia. São 7 ordens logarítmicas (10 milhões de vezes) na diminuição microbiana em todas as partes de cada máscara.

Demonstração da sequência da operação de descontaminação de máscaras por atmosfera saturada de ozônio

Para o Prof. Vanderlei Bagnato, pesquisador do Grupo de Óptica do IFSC/USP, que idealizou e desenvolveu o equipamento, é recomendado que as máscaras sejam identificadas por seus usuários (pequena etiqueta de fita com nome) – para que o mesmo usuário sempre utilize sua própria máscara após a descontaminação. Embora este procedimento não seja obrigatoriamente necessário, o mesmo deixa os usuários mais confortáveis.

Central de Descontaminação

O Grupo de Óptica do IFSC/USP está cogitando criar uma central de descontaminação de máscaras  em  São Carlos, para que os hospitais, UPAS E UBS da região possam trazer suas máscaras a cada dois, ou três dias, para serem descontaminadas e devolvidas à procedência. Desta forma, apenas uma unidade poderia dar conta de uma região, o que nada impede que cada hospital tenha sua unidade própria.

Da forma como o sistema foi criado, ele se apresenta seguro, retirando a principal  objeção com respeito aos cuidados com a manipulação do ozônio. O método é seguro e muito conhecido como eficaz na inativação de vírus e bactérias. Aliás, a preocupação não é só com o novo Coronavirus, mas também com as bactérias que existem um pouco por todo o lado.

O Centro de Óptica e Fotônica do IFSC-USP recebe financiamento da FAPESP, CNPq e Embrapii, e trabalha há mais de 10 anos em processos de descontaminação de alimentos, órgãos para transplantes e infecções do trato respiratório, usando ação fotodinâmica, UV e ozônio.

Muitos trabalhos científicos foram  publicados no tema  pelos nossos pesquisadores ao longo dos últimos anos e estão disponíveis no site http://cepof.ifsc.usp.br

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação  – IFSC/USP

11 de abril de 2020

Grupo de alunos da USP São Carlos incentiva pesquisadores

Alunos da USP de São Carlos criaram, recentemente, um grupo de comunicação científica denominado “Bacuara”, para levar a toda a sociedade informações sobre os esforços que estão sendo realizados pela comunidade científica para combater a COVID-19 – desde a criação de vacinas, medicamentos, equipamentos e até mesmo soluções para enfrentar os problemas econômicos que se avizinham.

Embora tenha sido criado por alunos da USP São Carlos, o “Bacuara” está aberto à participação de todos os estudantes das universidades sediadas na cidade de São Carlos e região.

Desta forma, este movimento serve para incentivar pesquisadores a usarem suas redes sociais para comunicar a população sobre as pesquisas científicas realizadas sobre estes assuntos, utilizando a hashtag #DescrevaUmArtigo, uma forma de conscientizar a sociedade sobre as melhores decisões que devem ser tomadas por todos.

Sigam as redes sociais para se informar sobre a movimentação de pesquisadores sobre o tema.

twitter.com/Bacuara1

instagram.com/bacuara1

fb.com/baquara

linkedin.com/company/bacuara1

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

10 de abril de 2020

O poder da luz ultravioleta (UV-C) no combate à COVID-19

Qual é o poder que a luz ultravioleta tem no combate à COVID-19?

Como ela pode ser utilizada?

O Diretor do Instituto de Física de São Carlos, Prof. Vanderlei Bagnato, pesquisador do Grupo de Óptica do Instituto, responsável por

desenvolver diversos equipamentos com base na luz ultravioleta (UV-C), explica em breves palavras como tudo acontece.

Clique na imagem abaixo para assistir o vídeo.

(Entrevista concedida a Rui Sintra – IFSC/USP)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de abril de 2020

Cientistas da cidade lançam apelo à comunidade de São Carlos e região

O Subcomitê de Comunicação, pertencente ao Comitê Emergencial de Combate ao Coronavirus, emitiu no dia 31 de março um comunicado assinado pela comunidade científica de São Carlos, dirigido a toda comunidade de São Carlos e região, no que respeita à gravidade da situação provocada pela pandemia do COVID-19 e os riscos que a mesma traz para toda a população.

Com a devida vênia, transcrevemos abaixo o conteúdo do comunicado:

“A comunidade científica de São Carlos, representada pela Magnífica Reitora da UFSCar, pelos Diretores da Escola de Engenharia de São Carlos, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, do Instituto de Física de São Carlos, do Instituto de Química de São Carlos, e do Instituto de Arquitetura e Urbanismo, pelos chefes da Embrapa Instrumentação e da Embrapa Pecuária Sudeste, por pesquisadores e cientistas membros da Academia Brasileira de Ciências, vêem a público manifestar a sua preocupação e posição quanto às ações referentes à prevenção e tratamento da pandemia do novo coronavírus (COVID 19), na cidade de São Carlos e região:

-Considerando a gravidade desta pandemia e os riscos a toda a população e a todas as idades;

-Considerando que a expansão da doença se mostra rápida e inexorável, causando morbidade e internações em massa e colocando em risco o sistema de saúde do município;

-Considerando que todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde, e do Governo Estadual insistem na necessidade de isolamento social e quarentena restrita de toda a população, com base em dados científicos e estatísticas disponíveis e de amplo conhecimento da comunidade cientifica;

-Considerando que todos os países e regiões que não atenderam a estas recomendações, a exemplo da Itália, Espanha e Estados Unidos, estão pagando um alto preço em mortalidade, internações em massa, expansão da doença, colapso do sistema de saúde e impactos econômicos e sociais desta pandemia. Recomenda fortemente aos governantes do Munícipio de São Carlos manter a quarentena da população até, no mínimo, o dia 30 de abril.

A comunidade cientifica está ciente e consciente do impacto econômico destas medidas de restrição. Entretanto, a ampla expansão da doença decorrente e a perda de vidas que certamente virão como resultado de uma precoce abertura total do comércio e consequente mobilidade da população, causarão prejuízos econômicos e sociais de ainda maior monta, no longo prazo, do que os prejuízos decorrentes da adoção da quarentena restrita.

Entendemos que neste momento é fundamental acatar as recomendações que têm forte embasamento científico. A ciência e os cientistas sempre trabalharam pela cidade não apenas elevando seu nome em todos os locais do mundo, mas provendo tecnologias que alimentam as empresas e contribuem para a vitalidade econômica da cidade. Continuaremos dispostos a ser úteis para a cidade e trabalhar ainda mais intensamente, se necessário for em prol de alavancar a economia e nosso comércio. Porém neste momento, temos que estar juntos para proteger aqueles que serão a grande força após o término desta situação: os cidadãos de São Carlos.

São Carlos, 31 de março de 2020.

Pelos cientistas e pesquisadores de São Carlos:

*Professora Doutora Wanda Hoffman – Magnifica Reitora da Universidade Federal de São Carlos;

*Professora Doutora Yvone Primerano Mascarenhas – Ex-Diretora do Instituto de Física /USP São Carlos;

*Professora Doutora Maria Cristina Ferreira de Oliveira, Diretora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação /USP São Carlos;

*Professor Doutor Vanderlei Salvador Bagnato Diretor do Instituto de Física /USP São Carlos

*Professor Doutor Edson Cezar Wedland Diretor da Escola de Engenharia de São Carlos/ USP São Carlos.

*Professor Doutor Emanuel Carrilho – Diretor do Instituto de Química /USP São Carlos;

*Professor Doutor Miguel Antônio Buzzar – Diretor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo /USP São Carlos;

*Professor Doutor Glaucius Oliva – Professor Titular do Instituto de Física de São Carlos – ex-presidente do CNPq;

*Doutor João, de Mendonça Naime – Chefe Geral Embrapa Instrumentação. São Carlos.

*Doutor Rui Machado – Chefe Geral Embrapa Pecuária Sudeste São Carlos;

*Doutor Silvio Crestana – Pesquisador Embrapa Instrumentação – Ex-Presidente da Embrapa – Brasil;

*Professor Doutor Sérgio Campana Filho – Prefeito do Campus de São Carlos/USP;

*Doutor José Galizia Tundisi – Professor Titular Aposentado da EESC- USP/ São Carlos – Presidente do Instituto Internacional de Ecologia e ex-presidente do CNPq”.

(original para conferir AQUI)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

 

6 de abril de 2020

“O IFSC/USP e a COVID-19” – Todos os setores organizados

Atendendo a todas as recomendações das autoridades do país e Reitoria da USP, este Instituto de Física de São Carlos comunica as medidas emergenciais adotadas até o momento, visando preservar ao máximo a manutenção das atividades essenciais e de colaboração com a sociedade sem, contudo, colocar os seus colaboradores em situação de risco. Em todas as decisões prevalece a garantia da segurança física e mental da nossa Comunidade. Aproveitamos para agradecer os esforços de cada um neste triste cenário.

No Ensino:

Todas as aulas presenciais (graduação e pós-graduação) estão suspensas por tempo indeterminado, desde o dia 16 de março. Enquanto isso, estão sendo adotadas medidas para minimizar impactos nos programas de ensino. Neste sentido, os docentes foram incentivados a ministrarem atividades remotas, inclusive com aulas online em tempo real e gravadas.

O atendimento aos estudantes está sendo feito por meio eletrônico.

E-mails para contato: grad@ifsc.usp.br, svposgrad@ifsc.usp.br, atac@ifsc.usp.br

 

Na Extensão:

As visitas monitoradas ao programa “Universitário por um dia” estão suspensas, assim como as demais atividades culturais e de extensão.

Atendendo recomendações do Ministério da Saúde, OMS e decreto estadual, as atividades presenciais estão suspensas, mas as equipes seguem trabalhando para promover a extensão universitária, seja por meio de videoaulas para o Cursinho popular, como também a produção de materiais de divulgação para redes sociais.

E-mails para contato: herbert@ifsc.usp.br, ccex@ifsc.usp.br

 

Na Pesquisa

Parte das atividades de pesquisa do IFSC estão sendo realizadas remotamente, sendo que aquelas cuja interrupção não trariam prejuízo estão suspensas. Pesquisas essenciais ou que não poderiam ser interrompidas estão sendo mantidas seguindo todas as normas estabelecidas.

E-mails para contato: atac@ifsc.usp.br, cpq@ifsc.usp.br

 

Na Biblioteca: 

Os Espaços 24h e a Biblioteca estão fechados ao público.

Atendimentos individualizados, absolutamente necessários, poderão ser realizados pela equipe da biblioteca através dos seguintes meios de comunicação:

WhatsApp (3373-9778) ou através dos telefones pessoais da equipe da biblioteca (disponíveis na portaria do IFSC) ou pelo e-mail: bib@ifsc.usp.br e também pelas redes sociais da biblioteca.

As devoluções foram prorrogadas para 22/04, mas se necessário utilizem as caixas de devolução 24h.

 

Na Informática: 

A Seção de Informática está em constante monitoramento dos serviços essenciais de Informática, mantendo os sistemas, servidores computacionais, sites web, rede Intranet e Internet do IFSC em pleno funcionamento.

Continua realizando suporte aos docentes em dúvidas técnicas na utilização do sistema e-disciplinas da USP para aulas online e, aos funcionários e usuários em geral, fornecendo auxílio técnico para que possam trabalhar em home office.

Os canais para atendimento aos usuários podem ser pelo próprio sistema de solicitação de serviços.ifsc.usp.br (acessível através da VPN USP) ou pelo e-mail scinfor@ifsc.usp.br.

 

Na Assessoria de Comunicação:

Todo o trabalho está sendo realizado em sistema remoto, em tempo integral, atualizando e difundindo as informações mais importantes inerentes ao Instituto, não só em seu site institucional como também em todas as suas mídias sociais – Facebook, Instagram, Youtube e Tweeter -, dando sequência aos pedidos de solicitação de entrevista feitos pela mídia, por telefone, principalmente com o Diretor.

Os contatos com a Assessoria de Comunicação do IFSC/USP serão feitos através do email comunicifsc@ifsc.usp.br ou pelo Whatsapp (16) 98129-7026.

 

No Atendimento Geral:

Os servidores técnico-administrativos estão desenvolvendo suas atividades durante a jornada de trabalho, enquadrando-se em uma das seguintes categorias:
– Turno de revezamento (dias alternados) e/ou escalonamento (entrada e saída diferenciados) para atividades  essenciais que não permitam o trabalho remoto;
– Essencialmente em domicílio, realizando trabalho remoto. Enquadram-se nessa categoria os servidores que possam desempenhar atividades remotas e principalmente os servidores que se enquadram ou que residem com pessoas que se enquadram nas situações abaixo:
(a) com 60 anos de idade ou mais (compulsoriamente);
(b) responsável pelos cuidados de idosos com mais de 60 anos;
(c) com doenças respiratórias crônicas, cardiopatias, diabetes, hipertensão ou outras afecções que deprimam o sistema imunológico;
(d) pai/mãe de criança de até 10 anos;
(e) gestantes e pais de filhos com previsão de nascimento em até 30 dias.

O atendimento por telefone e/ou e-mail está mantido em todos os setores, podendo o servidor em domicílio ser convocado remota ou presencialmente, conforme a necessidade institucional.

Atenciosamente:

Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato

Diretor do IFSC-USP

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

2 de abril de 2020

COVID-19 – A saúde mental de todos nós em tempos de quarentena

Com o surgimento da COVID-19, houve uma mudança brusca na forma como vivemos, o que pode impactar na condição de saúde mental de todos.  Seja pela mudança da rotina, isolamento social, convivência forçada com pessoas em nossas casas, pela sensação de desamparo e incertezas, além de tantas outras situações envolvidas neste novo cenário, sentimentos e emoções negativas podem emergir e acarretar na vivência um sofrimento psíquico.

Sensações de medo, desesperança, percepção de finitude, ansiedade, depressão e outras emoções, são comuns em contextos de crise, como a que estamos vivendo e algumas pessoas podem ser mais abaladas do que outras.

Considerando estes fatos, cuidar da saúde mental é fundamental.

Estão incluídos nestes cuidados a promoção de bons relacionamentos com aqueles que convivemos; manter proximidade, de forma virtual, de amigos e entes queridos; manter rotina de sono, alimentação e atividade física; além de ser criativo para improvisar alternativas para a nova realidade (como propor atividade para as crianças da casa, novas formas de entretenimento com a família etc).

Estes são, em suma, os principais conselhos da psicóloga do IFSC/USP, Bárbara Kolstok, que através de um curto vídeo nos orienta como proceder neste período marcado por uma quarentena obrigatória.

Clique na imagem abaixo para acessar o vídeo.

Os atendimentos no IFSC serão mantidos, porém adaptados, sendo realizado virtualmente.

Abaixo estão disponíveis alguns links para materiais que podem ajudar neste momento.

Cartilha com dicas de saúde mental – AQUI.

Orientação da OMS sobre saúde mental e COVID-19 – AQUI.

Saúde Mental: Importância e sugestões de atividades físicas – AQUI.

Desejo muita saúde e cuidado a todos!

Até breve!

Bárbara Kolstok Monteiro

CRP: 06/99394

(Imagem inicial – Zbigniew Bzdak/AP)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

 

31 de março de 2020

Cloroquina e hidroxicloroquina trazem riscos graves à saúde

Publicado no último dia 23 de março do corrente ano, na revista “Questão da Ciência”, o pesquisador e docente do IFSC/USP, Prof. Adriano Andricopulo, explica, em artigo, os motivos pelos quais a Cloroquina e Hidroxicloroquina trazem riscos para a saúde e não devem ser administrados para o tratamento do Covid-19.

Transcrevemos, abaixo, o conteúdo integral desse artigo.

“O mundo é outro, distinto daquele a que estávamos acostumados. Olhamos ao nosso redor e percebemos que estamos vivendo um momento único, difícil e completamente novo. O novo coronavírus (SARS-CoV2, causador da doença respiratória COVID-19) impôs mudanças drásticas, restrições, medidas de higiene e isolamento social. No momento em que escrevo (22/03 às 19h30), no mundo todo, são 335.403 casos confirmados, com 223.156 casos ativos, 97.636 casos recuperados e 14.611 mortes. No Brasil, são 1.546 casos confirmados e 25 mortes (para o monitoramento da propagação do coronavírus em tempo real no mundo todo, siga mapa interativo – rastreador da COVID-19) .

Se não bastassem todas as implicações deste tsunami global, estamos diante de outra epidemia de grandes proporções: a da desinformação, que ganhou força devastadora nas redes sociais. Neste momento, devemos nos unir e elevar o tom, porque a voz da Ciência tem de ser ouvida no enfrentamento da desinformação e dos boatos e opiniões absurdas sobre temas capitais, tratados sem o menor compromisso com a verdade.

Ninguém está imune ao novo vírus: nem crianças, nem jovens, adultos ou idosos. Da mesma maneira, não estamos protegidos desta nova epidemia da desinformação. É uma situação complexa, que expõe a nossa vulnerabilidade em aspectos fundamentais, sociais e de saúde pública.

Um dos assuntos mais discutidos no momento está relacionado aos possíveis tratamentos para a doença. Tem circulado a (des)informação de que os medicamentos que contêm os princípios ativos cloroquina e hidroxicloroquina (um análogo simples da cloroquina) são úteis para a profilaxia, tratamento ou cura da infecção causada pelo novo coronavírus.

Cloroquina

Apesar dos resultados promissores descritos por alguns estudos na literatura científica, não há evidências ou dados conclusivos que comprovem a eficácia do uso desses medicamentos para o tratamento do novo coronavírus.

Os resultados disponíveis ainda são preliminares e questionáveis, e, portanto, devem ser ampliados, permitindo ampla discussão sobre vários aspectos que precisam ser corretamente considerados. Não existem recomendações de agências reguladoras no mundo para o uso destes medicamentos para a COVID-19. Este é também o caso no Brasil: não há recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus.

Deve ficar claro que, para a inclusão de novas indicações terapêuticas em medicamentos, é indispensável conduzir estudos clínicos em uma amostra representativa de seres humanos, demonstrando não somente a eficácia, mas também a segurança do uso pretendido. Novos e melhores testes estão em andamento, e é preciso aguardar os resultados clínicos e analisá-los, com critérios científicos bem estabelecidos, para subsidiar a nossa interpretação e compreensão dos fatos. Por essa razão, nada justifica a correria desenfreada pela compra destes medicamentos.

Além da simples perda de tempo e dinheiro, tais ações prejudicam as pessoas que realmente precisam dos medicamentos para os tratamentos ativos indicados. O problema foi agravado por declarações desastrosas de alguns governantes, citando estes medicamentos como solução para a pandemia sem, contudo, apresentar dados científicos e comprovação clínica. A falsa esperança levou ao esgotamento dos medicamentos em diversas farmácias.

Mais cedo, foram anunciadas oficialmente, na Nigéria, as primeiras mortes por intoxicação por cloroquina, como consequência do uso indevido para o coronavírus. Contrapondo-se ao surto de falta de bom senso geral, a Anvisa tomou uma decisão correta, em 20/03, ao incluir a hidroxicloroquina e a cloroquina na categoria dos medicamentos de controle especial. Esses medicamentos somente poderão ser entregues mediante receita branca especial, em duas vias.

No Brasil, alguns laboratórios comercializam o difosfato de cloroquina e o sulfato de hidroxicloroquina. Mas é imprescindível lembrar que as únicas indicações aprovadas para uso em seres humanos são para o tratamento de:

A automedicação pode representar um grave risco à saúde das pessoas. As manifestações tóxicas da cloroquina estão relacionadas com efeitos cardiovasculares (hipotensão, vasodilatação, supressão da função miocárdica, arritmias cardíacas, parada cardíaca) e do sistema nervoso central (confusão, convulsões e coma). As doses terapêuticas usadas no tratamento oral podem causar, entre outros efeitos colaterais, cefaleia, irritação do trato gastrointestinal, tontura, distúrbios visuais, urticária. Doses diárias altas podem resultar em retinopatia e problemas auditivos irreversíveis.

O tratamento prolongado com altas doses pode causar, entre outros problemas, miopia tóxica, cardiopatia e neuropatia periférica, visão borrada, confusão, convulsões, erupções e queloides na pele, e embranquecimento dos fios do cabelo. Em casos raros, podem ocorrer problemas graves no sangue. A cloroquina é um fármaco que apresenta estreita margem de segurança, e uma dose única de 30 mg/kg (30 miligramas por quilo de massa corporal, ou cerca de 2 gramas para uma pessoa de 70 quilos) pode ser fatal.

Além disso, há o problema das interações medicamentosas, comum a maioria dos princípios ativos que são administrados oralmente. A cloroquina interage no organismo humano com uma variedade de fármacos, podendo:

Embora o perfil de segurança da hidroxicloroquina seja relativamente superior ao da cloroquina, o seu uso está igualmente sujeito a várias das interações medicamentosas descritas para a cloroquina. A cloroquina e a hidroxicloroquina apresentam sérios efeitos adversos que podem ser experimentados pelas pessoas que optaram pela automedicação contra a COVID-19. É uma condição que poderia ser evitada, mas que tem potencial para representar o desenho de uma nova e indesejável condição, a da epidemia de intoxicações.

Somando-se a todos os problemas mencionados anteriormente, é preciso observar que a cloroquina exibe uma farmacocinética – o modo como se comporta no corpo humano, incluindo os processos de absorção, distribuição, metabolismo e eliminação – complexa. Os níveis do fármaco no sangue são determinados pela velocidade de distribuição (após entrar na via sistêmica, o princípio ativo é distribuído pelos diversos tecidos), e não pela de eliminação (os fármacos são eliminados do organismo humano tanto em sua forma intacta, sem sofrer biotransformações, quanto modificada quimicamente pelo metabolismo).

Prof. Adriano Andricopulo

Há uma extensa ligação com os tecidos, o que requer uma dose de ataque para obter concentrações plasmáticas eficazes. A meia-vida da cloroquina no corpo aumenta aos poucos, à medida que os níveis plasmáticos declinam. A meia-vida terminal varia de 30 a 60 dias, e vestígios do fármaco podem ser encontrados na urina durante anos após o uso terapêutico.

Deve-se ressaltar que algumas outras dezenas de princípios ativos também estão sendo avaliadas no mundo todo para o tratamento da COVID-19. Se os resultados dos estudos em andamento com a cloroquina e hidroxicloroquina forem positivos e resultarem numa indicação para o novo coronavírus, outra questão ganhará grande importância: a produção em larga escala dos medicamentos para o tratamento de centenas de milhares de pessoas.

Laboratórios especializados em medicamentos genéricos nos Estados Unidos, como a Teva e a Mylan, já anunciaram o aumento da produção, o que parece uma medida prudente. No Brasil, a Cristália, que produz o difosfato de cloroquina, e a Apsen, que produz o sulfato de hidroxicloroquina, poderiam se mobilizar no mesmo sentido.

Ao fim e ao cabo, é necessário oferecermos as pessoas os melhores esclarecimentos para que elas sejam capazes de tomar decisões informadas, ou seja, de não comprar medicamentos sem a devida orientação e prescrição médica, e de não tomar nenhum medicamento por conta própria na esperança de um efeito profilático, de um possível tratamento ou mesmo cura para o novo coronavírus.

É sempre importante seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), das Agências Reguladoras e do Ministério da Saúde, porque proteger a vida humana deve sempre estar acima de qualquer outro interesse”.

Adriano D. Andricopulo é professor titular do Instituto de Física de São Carlos IFSC/USP, especialista em Química Medicinal, Fármacos e Medicamentos e diretor-executivo da Academia de Ciências do Estado de São Paulo.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

31 de março de 2020

Docentes e pesquisadores seniores: criada linha de apoio “IFSC-USP/COVID-19”

Tendo em vista a atual limitação de deslocamento devido a pandemia de COVID-19, o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), por intermédio de sua diretoria, acaba de criar uma linha de apoio (IFSC-USP/COVID-19) exclusivamente destinada a docentes e pesquisadores com ou mais de 60 anos, que  são aconselhados a ficar em casa, em isolamento social.

Essa linha de apoio prevê a entrega, em domicílio – POR SOLICITAÇÃO EXPRESSA -, de produtos alimentares e de higiene pessoal, bem como, medicamentos e outros artigos de primeira necessidade nas residências dos solicitantes, dentro da cidade de São Carlos.

Os contatos deverão ser feitos via WhatsApp pelos professores e docentes inseridos no citado grupo de risco, mediante identificação, endereço e contato de celular ou telefone, que serão confirmadas pela Secretaria da Diretoria do IFSC/USP.

O serviço de apoio estará disponível de 2ª a 6ª feira, entre as 09h00 e as 18h00, enquanto predominarem as  orientações para o  isolamento social desse grupo de risco.

Os voluntários deste serviço de apoio estarão devidamente identificados, entregando os produtos NO EXTERIOR das residências, evitando qualquer contato físico, sendo que o pagamento dos produtos será feito mediante apresentação de nota fiscal do estabelecimento fornecedor.

(Imagem: “China Daily”)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

30 de março de 2020

IFSC/USP entrega dois “Rodos UV-C” à Santa Casa de São Carlos

O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) cedeu hoje (30/03) à Santa Casa da Misericórdia de São Carlos (SCMSC) dois “Rodos UV-C” para a descontaminação dos pisos do hospital, equipamentos desenvolvidos no próprio Instituto e que têm a particularidade de descontaminar grandes superfícies.

O desenvolvimento deste novo aparelho, pelo Grupo de Óptica do IFSC/USP, que emite radiação ultra-violeta (UV), vem ao encontro das medidas adotadas na prevenção e combate ao COVID-19, neste caso concreto para a descontaminação dos pisos, evitando a propagação do vírus através dos sapatos, atendendo a que os cientistas sabem que os vírus podem persistir durante muitas horas em diversas superfícies, como metais, vidros, plásticos, porcelanas, madeiras, etc..

A radiação ultravioleta é a fração do espectro eletromagnético que abrange os comprimentos de onda abaixo da luz visível, variando de 200 a 400 nm. Essa fração é ainda subdividida em três tipos: UV-A com comprimentos de onda variando de 320 a 400 nm; UV-B com comprimentos de onda variando de 280 a 320 nm; e UV-C com comprimentos de onda variando de 200 a 280 nm. Cada tipo de radiação UV é responsável por causar algum dano biológico. A radiação UV-A é a responsável por provocar alterações na pele, causando o envelhecimento; a radiação UV-B, além de atuar no envelhecimento da pele, é a principal responsável por causar mutações genéticas que levam ao desenvolvimento de câncer de pele; mas, é a radiação UV-C que é considerada a mais deletéria, ou seja, a faixa germicida.

Para total eficácia, estes “Rodos UV-C” deverão ser utilizados durante 1 minuto em cada metro quadrado da superfície a ser descontaminada, atendendo a que a luz UV-C destrói a capa proteica e o material genético de qualquer vírus, aniquilando-o.

Recordamos que esta fonte de luz UV-C também está sendo testada com êxito para, em conjunto com outros fatores, descontaminar por completo órgãos humanos para transplante, num trabalho de pesquisa realizado conjuntamente pelo IFSC/USP e Universidade de Toronto (Canadá), já descrito em artigo científico publicado na Nature Communications (VER AQUI).

Rui Sintra (jornalista) – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

30 de março de 2020

Posto de apoio da FAPESP (EESC/USP) interrompe atendimento

A Assistência Técnica Administrativa (ATAd) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP) informa que o Posto de Apoio da FAPESP não está funcionando devido às diretrizes da Reitoria em prevenção ao coronavírus, as quais determinam o teletrabalho dos servidores.

Documentos e correspondências à Fundação podem ser enviados por via postal, com Aviso de Recebimento (AR).

Uma atenção especial é dada ao comunicado enviado pela FAPESP (que abaixo reproduzimos)

Comunicado sobre atendimento

Em função do agravamento da epidemia de COVID-19 (coronavirus 2019 disease), informamos que o atendimento telefônico da FAPESP será suspenso a partir de 24/03/2020. A partir desta data somente serão prestados atendimentos apresentados via Converse com a FAPESP (www.fapesp.br/converse).

Nos dias 19, 20 e 23/03/2020 foi realizado atendimento telefônico emergencial com contingente reduzido, no período das 9h às 11h.

Somente serão atendidos casos de urgência, não sendo prestados esclarecimentos sobre situações usuais ou relacionadas a normas e procedimentos que possam ser esclarecidas pelo Converse com a FAPESP.

Converse com a FAPESP

ATENDIMENTO DO SETOR DE LIBERAÇÃO DE RECURSOS 

Em razão da epidemia de COVID-19 e em continuidade a implementação do novo Sistema de Administração Financeira (SIAF) para liberação de verba de Auxílio à Pesquisa, a FAPESP informa que, a partir de 19/03/2020, o atendimento do Setor de Liberação de Recursos será realizado exclusivamente por meio do site da FAPESP.

As liberações de verba de Auxílios devem ser solicitadas pelo Sistema SIAF em www.fapesp.br/converse ➜ Para Pesquisadores ➜ Solicitações ➜ Finanças ➜Solicitação de liberação de verba.

As liberações de recursos de Reserva Técnica de Bolsas no País devem ser solicitados emwww.fapesp.br/converse ➜ Para Bolsistas ➜ Solicitações ➜ Finanças ➜ Solicitação de liberação de verba de reserva técnica de bolsas no país.

Orientações sobre o Cartão BB Pesquisa podem ser obtidas em www.fapesp.br > Índice > Cartão BB Pesquisa.

As demais dúvidas e solicitações devem ser encaminhadas pelo Converse com a FAPESP utilizando o link correspondente ao assunto em questão.

Lembramos que o acesso ao SIAF é feito com uso do mesmo usuário e senha dos pesquisadores no SAGe. Também é possível o acesso por membro de Escritório de Apoio que já tenha sido cadastrado pela FAPESP no SAGe, ou por pessoa física usuária do SAGe, mediante permissão do(a) responsável pelo processo. A permissão é dada por meio da funcionalidade “Concessão de Permissão de Acesso”, disponível no “Menu Processos”, no SAGe.

RECEBIMENTO DE TERMOS DE OUTORGA

Devido às medidas de restrição que visam conter o avanço da pandemia de COVID-19, a FAPESP passará a aceitar excepcionalmente a assinatura digitalizada de outorgados e dirigentes de instituições sede nos Termos de Outorga e Aditivos aos Termos de Outorga.

O envio do documento deverá ser feito exclusivamente por meio do Converse com a FAPESP, em Recebimento de Termo de Outorga e Aditivos por meio eletrônico (www.fapesp.br/converse/solicitacoes-pesquisador/140/).

Lembramos que o envio do documento original continua sendo obrigatório. O Termo de Outorga deverá ser enviado assinado em duas vias após a retomada das atividades, em data a ser comunicada aos pesquisadores.

As demais dúvidas e solicitações devem ser encaminhadas pelo Converse com a FAPESP utilizando o link correspondente ao assunto específico.

Mais informações sobre o atendimento das FAPESP: www.fapesp.br/14095.

(Com informações da Assessoria de Comunicação EESC/USP)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

24 de março de 2020

Equipamentos desenvolvidos no IFSC/USP descontaminam superfícies

“Surface UV” na desinfecção de pequenas superfícies

Através de uma parceria entre o Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF) do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e a empresa MMO, com o apoio do Laboratório de Apoio Tecnológico, coordenado pelo docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Vanderlei Bagnato, e contando com a participação de diversos pesquisadores e engenheiros, foram recentemente desenvolvidos dois dispositivos para descontaminação de superfícies.

O primeiro equipamento, ao qual foi dado o nome de Surface UV, pode ser utilizado como uma alternativa na desinfecção de pequenas superfícies, instrumentos, e até mesmo de pequenos locais, tendo como principal objetivo inativar microrganismos e reduzir a disseminação dos mesmos, controlando a incidência de infecções nos ambientes. Por outro lado, um outro equipamento ainda em testes finais no IFSC/USP, tem a mesma finalidade, só que o foco é a descontaminação de grandes superfícies – pisos, paredes, grandes superfícies em vidro, etc..

Prototipo de novo equipamento para desinfecção de grandes superfícies (em testes)

O desenvolvimento destes novos aparelhos vem ao encontro do aumento registrado na propagação dos vírus da gripe – dentre eles o COVID-19 -, sendo cada vez maior a necessidade de introduzir novos métodos para descontaminação de ambientes e superfícies para evitar que a contaminação se propague com maior rapidez. Em relação aos processos de desinfecção, existem vários métodos químicos e físicos capazes de destruir a forma vegetativa dos microrganismos nos ambientes. No entanto, um procedimento que tem mostrado segurança e eficácia na inativação dos microrganismos, como o COVID-19, é a radiação ultravioleta (UV), presente nestes novos equipamentos, que evita que a contaminação se propague, já que os cientistas sabem que os vírus podem persistir durante muitas horas em diversas superfícies, como metais, vidros, plásticos e madeiras.

Pesquisadora Thaila Quatrini Correa

Diferentemente dos outros métodos empregados para a desinfecção, a radiação UV-C é capaz de proporcionar uma inativação rápida e eficaz dos microrganismos mediante um processo físico que atua diretamente no material genético de bactérias, fungos e vírus, sem deixar vestígios ou subprodutos no local. A principal vantagem que a técnica apresenta em relação aos desinfetantes, é que ele não é um consumível. Os desinfetantes podem acabar e a limpeza constante com água pode levar ao excessivo uso de um recurso natural escasso, enquanto que a tecnologia com luz ultravioleta mantém-se operacional.

A radiação ultravioleta é a fração do espectro eletromagnético que abrange os comprimentos de onda abaixo da luz visível, variando de 200 a 400 nm. Essa fração é ainda subdividida em três tipos: UV-A com comprimentos de onda variando de 320 a 400 nm; UV-B com comprimentos de onda variando de 280 a 320 nm; e UV-C com comprimentos de onda variando de 200 a 280 nm. Cada tipo de radiação UV é responsável por causar algum dano biológico. A radiação UV-A é a responsável por provocar alterações na pele, causando o envelhecimento; a radiação UV-B, além de atuar no envelhecimento da pele, é a principal responsável por causar mutações genéticas que levam ao desenvolvimento de câncer de pele; mas, é a radiação UV-C que é considerada a mais deletéria, ou seja, a faixa germicida.

“Por possuir elevada efetividade, a radiação UV-C tem sido amplamente utilizada com segurança na desinfecção de superfícies em geral, como em hospitais, salas cirúrgicas, clínicas, laboratórios e também nas indústrias farmacêuticas, cosméticas, alimentícias, de laticínios, entre outros ambientes.” destaca a doutora em biotecnologia do IFSC/USP, Thaila Quatrini Correa.

No que diz respeito ao Surface UV, ele é um equipamento portátil e de fácil manuseio, ideal para realizar a rotina de desinfecção dos locais de trabalho, bem como de todos os utensílios e equipamentos presentes nesses locais. Com o seu uso regular, o dispositivo pode promover a diminuição de possíveis infecções veiculadas pelas superfícies, instrumentos, objetos e quaisquer outros materiais contaminados.  Em locais públicos com grande circulação de pessoas, os sistemas com luz ultravioleta podem ser utilizados para reduzir a possível presença de COVID-19. O sistema pode ser aplicado, por exemplo, em ônibus, mobiliários, bancadas, pias, leitos, equipamentos, pisos, paredes, portas, janelas, grades de ar condicionado, banheiros públicos, corredores,  mobílias, maçanetas, corrimãos, teclados e mouses de computador, caixas eletrônicos, ou seja, locais onde as pessoas normalmente colocam as mãos.  Em outros países,  a técnica tem sido utilizada para descontaminar aviões e hospitais.

Desinfecção de objetos

O Surface UV foi testado e sua ação em inativar microrganismos foi comprovada cientificamente em um estudo publicado na revista internacional Photomedicine and Laser Surgery, em 2017 de autoria dos pesquisadores Thaila Quatrini Correa, Kate Cristina Blanco,  Natalia Mayumi Inada, Maisa de Fatima Hortenci, Angela Aparecida Costa, Evaine da Silveira Silva, Patricia Pereira da Costa Gimenes, Soraya Pompeu, Raphael Luiz de Holanda e Silva, Walter Manso Figueiredo, e Vanderlei Salvador Bagnato.

Prof. Sebastião Pratavieira

A pesquisa científica avaliou a efetividade do dispositivo na redução de bactérias Gram-positivas, como as espécies Staphylococcus aureus, Streptococcus mutans e Streptococcus pneumoniae; bactérias Gram-negativas, como as espécies Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli, além da espécie fúngica Candida albicans, todas causadoras de doenças infecciosas.

Além disso, o mesmo estudo avaliou a ação do Surface UV na desinfecção de superfícies de locais diferentes dentro de um ambiente hospitalar, isto é, em ambientes reais de contaminação. Dez superfícies foram escolhidas para receber a desinfecção: bancada de trabalho do laboratório de bacteriologia, cadeira de coleta de sangue, bancada de troca dos bebês do atendimento infantil, mesa de atendimento da sala de vacinação, mesa de atendimento da sala de tuberculose, dengue e clínica médica, mesa de atendimento da sala de DST/AIDS, mesa de atendimento da sala de dermatologia, cadeira ginecológica da sala de saúde da mulher, e suporte com material para curativos da sala de hanseníase. Todos os resultados mostraram redução na carga microbiana presente nestas superfícies, indicando que o dispositivo pode auxiliar na desinfecção desses locais.

O docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Sebastião Pratavieira, sublinha que, com relação ao COVID-19 ainda não existem estudos específicos: “Todavia, baseado no que encontramos na literatura, o UV-C tem potencial para inativar toda e qualquer bactéria, fungo ou vírus, nessas superfícies. Vamos ter que aguardar para fazer os testes para o novo coronavirus, mas estamos convictos de que o UV-C é eficaz. O equipamento é extremamente seguro para quem manuseia e a única advertência é que este aparelho não pode ser utilizado diretamente na pele humana, nem em animais”, conclui o pesquisador.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação IFSC/USP

24 de março de 2020

Solidariedade: IFSC/USP empresta quatro leitos hospitalares à SCMSC

O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), respondendo de forma positiva à solicitação da Santa Casa da Misericórdia de São Carlos (SCMSC), emprestou, por tempo indeterminado, quatro leitos hospitalares para ampliação do atendimento de pessoas que eventualmente fiquem sob tratamento do Covid-19.

Os leitos do IFSC/USP, que estavam sendo utilizados em diversas pesquisas do IFSC/USP relacionadas com a área da saúde, são novos, de excelente qualidade e seguindo todas as regras hospitalares.

Todos que puderem devem contribuir com a SCMSC

Num momento como este que a sociedade está atravessando, onde a SCMSC é o principal hospital da cidade e da região, é fato que ela necessita necessita de mais leitos, até como medida de prevenção. Para o diretor do IFSC/USP, Prof. Vanderlei Bagnato “Esta nossa ação é uma forma de poder garantir um reforço na atenção às pessoas que eventualmente necessitem, e um apoio incondicional ao trabalho que está sendo executado pela SCMSC. A USP, através do nosso Instituto, tem estes quatro leitos que estão sendo usados em pesquisa e devido à emergência sanitária local e nacional, temos a satisfação de poder cedê-los, a título de empréstimo por tempo indeterminado, contribuindo assim com a SCMSC nesse momento de necessidade”.

Bagnato é enfático ao afirmar que se espera que todos aqueles que possam ajudar a SCMSC, principalmente as empresas e/ou instituições, o façam, para o bem da sociedade, ajudando enormemente as equipes de saúde. “Temos tantas opiniões, comentários e mensagens circulando na internet, mas o que é necessário, de fato, é ter mais ações concretas, como, por exemplo, levar material diverso – máscaras, leitos, respiradores, etc.. Se a sociedade se mobilizar para fornecer imediatamente o que a SCMSC precisa, será um ganho enorme para todos nós”

(Para qualquer contato com a Assessoria de Comunicação do IFSC/USP, por favor utilizar o Whatsapp 98129-7026)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

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