Notícias

8 de novembro de 2011

Como a Física pode salvar nosso planeta

Dos motivos que estão, literalmente, fazendo a Terra ferver, algumas soluções tem se mostrado eficientes em salvá-la e deixar nosso dia-a-dia mais ameno.

Mas, se o homem, até agora, teve poder para transformar o meio ambiente num lugar menos aprazível, ele pode, com as ferramentas certas e estudos muito bem direcionados, encontrar alternativas que melhorem o cenário que, ao longo dos anos, ele próprio tem destruído.

Esforços multidisciplinares têm sido feitos. Através da biologia, química, engenharia e, inclusive, física, ferramentas têm sido aperfeiçoadas, em busca de alternativas inteligentes e eficientes para melhorar o ambiente que nos cerca.

O físico e as energias alternativas

Frmula-1Alguns fatos da atualidade têm contribuído, significativamente, para o aquecimento global. O crescimento populacional desenfreado, especialmente nos países de baixa renda, acompanhado do aumento do consumo nesses países e, consequentemente, da emissão de gases poluentes na atmosfera, tem direcionado estudiosos a buscar combustíveis mais limpos para mover, principalmente, veículos automotores. “Atualmente, 12 a 13% dos combustíveis que vem sendo produzidos, no mundo, são de fontes alternativas de energia. O destaque vai para energia solar, eólica e de biomassa. Todas podem ser aproveitadas e repostas no meio ambiente”, conta Igor Polikarpov, docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e pesquisador de combustíveis alternativos.

Para produção desse tipo de energia, diversos processos físicos estão, diretamente, envolvidos. Transformar a biomassa em combustível envolve hidrólise enzimática; transformação de fótons de luz solar em energia elétrica envolve materiais semicondutores e transistores; produção de energia eólica passa por processos de engenharia, com forte embasamento em processos físicos. “Estuda-se, atualmente, o movimento mecânico de ondas do mar acoplados a geradores de eletricidade como uma nova forma de produzir energia elétrica”, conta Igor.

A mais nova e uma das mais promissoras fontes de energia alternativa, onde os projetos de Igor estão, diretamente, envolvidos, é através de biomassa, que utilizam bagaço da cana e cascas de eucalipto como matéria-prima para produção de biocombustíveis. “O conhecimento sobre processos de pré-tratamento de biomassa, desenvolvimento de catalisadores que vão desestruturá-la, possibilidades de extração de combustível da própria biomassa, tudo se utilizará de ferramentas físicas para que sejam bem-sucedidos”.

Para o pesquisador, não só desenvolver novos combustíveis, mas, sobretudo, utilizá-los de maneira racional, é uma premissa importante para que o aproveitamento seja efetivo. “De nada adianta produzirmos muita energia alternativa, mas desperdiçá-la. No mundo afora, físicos já trabalham, também, nesse quesito: desenvolver energia elétrica e usá-la de maneira inteligente”.

Ele exemplifica com a atual produção de carros híbridos- que funcionam com gasolina e energia elétrica. “Tenho certeza que, para preservação do meio ambiente, a solução se encontra nos estudos de conceitos básicos de físicas, com a aplicação de energia renovável e seu uso otimizado”, afirma Igor.

O físico e o saneamento básico

A degradação do meio ambiente é acelerada pela falta de saneamento básico, no Brasil e no mundo. A poluição gerada pelo lixo mal direcionado ou, simplesmente, pela precária infraestrutura, é um problema. “Não temos plataformas bem desenvolvidas para o tratamento de esgoto. Países desenvolvidos não têm esse problema tanto quantos aqueles em desenvolvimento, como Índia e China. Isso, de certa maneira, força o estudo de tecnologias voltadas para resolver problemas desse tipo, como o tratamento de água poluída”, explica Igor. “Nisso o físico entra para trabalhar no estudo das propriedades de materiais nanoestruturados, por exemplo”.

O estudo de materiais e processos físicos serve, quase, como o alicerce para solucionar os diversos- e crescentes problemas- relacionados ao meio ambiente. Mas, é óbvio que profissionais de diversas áreas estão fazendo esforços conjuntos. “É importante frisar que, além de estudos fundamentais relacionados à física, outros, que transcendam uma única disciplina, são essenciais. Meio ambiente envolve, necessariamente, química, biologia, física, engenharia etc. A maioria dos estudos são, tipicamente, interdisciplinares e supra departamentais”, esclarece Igor.

IgorPorém, mesmo tendo-se em mente a importância de outras áreas, diversas leis de física é que guiam e descrevem muitos processos conhecidos por todos nós: as leis de mecânica de fluidos impactam os trabalhos de “catadores de vento”; leis que de descrevem efeitos fotovoltaicos, como absorção e transferência de luz, interferem no funcionamento das placas de energia solar; processos hidro e aerodinâmicos são, novamente, guiados por muitas leis de física (entre elas, a mais conhecida, certamente, é a lei de Newton).

Mas, uma coisa é certa: não são, somente, químicos, físicos, biólogos e engenheiros que poderão salvar nosso planeta. É necessário um esforço conjunto. Pesquisadores já estão fazendo a parte deles, mas e você? Já está fazendo a sua?

Assessoria de Comunicação

Imprimir artigo
Compartilhe!
Share On Facebook
Share On Twitter
Share On Google Plus
Fale conosco
Instituto de Física de São Carlos - IFSC Universidade de São Paulo - USP
Obrigado pela mensagem! Assim que possível entraremos em contato..