“Nobel de Física 2026” – Francis Halzen transforma o gelo da Antártida em uma janela para os mistérios do Universo

Físico belga-americano é reconhecido pelas contribuições decisivas ao Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia vindos do espaço Transformar uma imensa massa de gelo localizada em um dos lugares mais inóspitos do planeta em um gigantesco observatório capaz de investigar alguns dos fenômenos mais violentos do Universo. A ideia parece […]

“Nobel de Física 2026” – Francis Halzen transforma o gelo da Antártida em uma janela para os mistérios do Universo

Físico belga-americano é reconhecido pelas contribuições decisivas ao Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia vindos do espaço Transformar uma imensa massa de gelo localizada em um dos lugares mais inóspitos do planeta em um gigantesco observatório capaz de investigar alguns dos fenômenos mais violentos do Universo. A ideia parece […]

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Posição de Pós-Doutorado – Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) – Pesquisa em Tecnologias Quânticas

O Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP) anuncia a abertura de duas vagas de Pós-Doutorado na área de Tecnologias Quânticas, com início previsto para o primeiro semestre de 2027.

O candidato selecionado desenvolverá pesquisas avançadas em um dos seguintes temas:

1-Desenvolvimento de microscópio por correção de fótons, visando superar limitações de resolução e sensibilidade em sistemas de imageamento óptico por meio de estratégias quânticas inovadoras;

2-Sistemas quânticos fora de equilíbrio como simuladores quânticos, explorando dinâmicas complexas, fenômenos coletivos e novos paradigmas para simulação de sistemas de muitos corpos a serem usados como simuladores;

Buscam-se candidatos com sólida formação em Física, Engenharia Física, Óptica, Informação Quântica, Física Atômica ou áreas correlatas, com forte interesse em pesquisa experimental e/ou teórica de fronteira.

Condições da posição:

*Início previsto: início de 2027.

*Duração inicial de 1 ano, com possibilidade de renovação anual por até 3 anos, mediante desempenho satisfatório.

*Ambiente de pesquisa altamente interdisciplinar, com acesso a infraestrutura avançada e oportunidades de colaboração nacional e internacional.

Contato:

Os interessados devem enviar currículo atualizado e uma breve descrição de seus interesses de pesquisa para Prof. Daniel Varela Magalhães/ Prof. Vanderlei S. Bagnato – Instituto de Física de São Carlos – Universidade de São Paulo (IFSC-USP);

Contato: BEATRIZ REIS OPTICA – apoiogo@ifsc.usp.br

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

USP rompe barreira histórica e entra pela primeira vez entre as 150 melhores universidades do mundo

A Universidade de São Paulo (USP) acaba de alcançar um resultado que merece ser observado para além dos números. Pela primeira vez, a maior universidade pública paulista figura entre as 150 melhores instituições de ensino superior do mundo no “THE World University Ranking”, uma das mais importantes avaliações universitárias internacionais.

Na edição 2027 do levantamento, divulgado pela consultoria britânica “Times Higher Education” (THE), a USP aparece na 141ª posição mundial, conquistando a melhor colocação de sua história nesse ranking e mantendo-se como a universidade ibero-americana mais bem classificada. O avanço torna-se ainda mais expressivo quando comparado com o resultado do ano anterior, quando a instituição estava situada no grupo entre a 201ª e a 250ª posições.

Mais do que uma simples mudança de posição numa tabela internacional, o resultado traduz a dimensão do trabalho desenvolvido diariamente nos campi, institutos, faculdades, escolas e centros de pesquisa da Universidade. É o reconhecimento de uma estrutura acadêmica sustentada pelo ensino, pela produção científica, pela inovação, pela formação de recursos humanos altamente qualificados e, principalmente, pelo compromisso de devolver à sociedade parte significativa do conhecimento produzido dentro da instituição.

O próprio reitor da USP, Aluízio Segurado, atribuiu o resultado ao esforço coletivo de estudantes, servidores e docentes, ressaltando a liderança da Universidade entre as instituições ibero-americanas.

E não se trata de uma competição pequena. Nesta edição, o THE avaliou 2.297 instituições de ensino superior de 118 países, considerando 18 indicadores distribuídos por cinco grandes áreas: Ensino, Ambiente de Pesquisa, Qualidade da Pesquisa, Indústria e Internacionalização.

No topo da classificação mundial permanece a Universidade de Oxford, do Reino Unido, seguida pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos. Princeton e Stanford aparecem empatadas na terceira colocação. Entre as dez primeiras universidades do planeta, sete são norte-americanas, demonstrando a enorme concentração de instituições dos Estados Unidos nas primeiras posições.

É justamente nesse ambiente altamente competitivo que a presença da USP na 141ª colocação assume especial significado.

Brasil ganha destaque na América Latina

O resultado também chama a atenção para a presença brasileira no cenário universitário latino-americano. Depois da USP, aparece a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), situada no grupo entre a 326ª e a 350ª posições. O Brasil conta, ao todo, com 58 instituições classificadas no levantamento.

A posição alcançada pela USP não deve, entretanto, ser interpretada apenas como consequência de uma corrida por rankings internacionais. Há um trabalho institucional destinado a garantir que aquilo que efetivamente é realizado pela Universidade seja corretamente registrado e apresentado aos organismos responsáveis pelas avaliações.

A coordenadora do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida), Renata Eloah de Lucena Ferretti-Rebustini, destaca justamente esse aspecto. Segundo ela, a USP vem aperfeiçoando de forma sistemática a qualidade, a consistência e a completude das informações institucionais fornecidas, incluindo dados relacionados aos recursos captados para pesquisa e provenientes das principais agências de fomento.

Essa preocupação é importante porque uma universidade com a dimensão da USP não pode ser avaliada somente pelo que produz, mas também pela capacidade de demonstrar, de maneira organizada e transparente, a extensão e o impacto dessa produção.

Um reconhecimento que não está isolado

A chegada ao grupo das 150 melhores universidades no “THE World University Ranking” soma-se a outros resultados internacionais conquistados pela USP em 2026.

No “QS World University Ranking”, elaborado pela Quacquarelli Symonds, a Universidade de São Paulo alcançou a 133ª posição e foi novamente a instituição brasileira mais bem colocada.

Já no “Academic Ranking of World Universities” (ARWU), produzido pela Shanghai Ranking Consultancy, a USP apareceu no grupo compreendido entre a 101ª e a 150ª posições, novamente como a universidade ibero-americana mais bem classificada.

Outro dado merece destaque. No ranking “THE by Subject”, que analisa o desempenho das instituições em diferentes áreas do conhecimento, a USP foi a universidade brasileira mais bem posicionada em todas as 11 áreas avaliadas. Em quatro delas conseguiu permanecer entre as 100 melhores do mundo: Direito, na 52ª posição; Educação, na 61ª; Medicina e Saúde, na 81ª; e Artes e Humanidades, na 96ª colocação.

São resultados que, considerados em conjunto, demonstram que a presença internacional da Universidade não está limitada a um único levantamento ou indicador.

Uma conquista construída por muitas mãos

Rankings universitários possuem metodologias próprias e, naturalmente, não conseguem traduzir toda a complexidade de uma instituição de ensino superior. Uma universidade não pode ser resumida a uma posição numa tabela. Sua verdadeira dimensão também está nos profissionais que forma, nas pesquisas que realiza, nas respostas que oferece aos problemas da sociedade e na capacidade de transformar conhecimento científico em benefícios concretos para a população.

Ainda assim, quando diferentes avaliações internacionais começam a apontar resultados consistentes, existe ali um sinal que merece atenção.

A 141ª posição conquistada pela USP representa, sobretudo, o reconhecimento internacional de um trabalho construído durante décadas. Por trás desse número estão milhares de professores, pesquisadores, estudantes, servidores técnicos e administrativos que diariamente movimentam uma das maiores estruturas de ensino e pesquisa da América Latina.

Entrar pela primeira vez no grupo das 150 melhores universidades do mundo é, portanto, uma conquista histórica. Mas talvez seja também algo mais importante: uma demonstração de que a universidade pública brasileira, quando recebe condições para produzir conhecimento, formar pessoas e desenvolver ciência de qualidade, possui capacidade para ocupar espaços de destaque no cenário acadêmico internacional.

E, nesse caso, a conquista ultrapassa os limites da própria USP. É também uma afirmação da ciência, da educação superior e da pesquisa produzidas no Brasil.

Mais informações sobre o ranking podem ser obtidas no link da página do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida) da USP – https://egida.usp.br/rankings/

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

“Ciência que transforma” – IFSC/USP reúne pesquisadores e estudantes na “XV Semana da Física”

Organizado por estudantes do Instituto de Física de São Carlos  IFSC/USP, evento reúne pesquisadores, minicursos, apresentação de trabalhos e debates sobre física, inovação, inteligência artificial e o papel da ciência diante da desinformação

A ciência produzida no Brasil, sua trajetória histórica, seus desafios e, principalmente, sua capacidade de transformar a sociedade estarão no centro dos debates da “XV Semana Integrada da Física de São Carlos – SIFSC”, promovida pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP). Com o tema “Ciência no Brasil”, o evento reúne pesquisadores, estudantes e convidados em uma programação que combina palestras, minicursos, apresentação de trabalhos científicos, rodas de conversa e atividades culturais.

Uma das características da SIFSC é o protagonismo estudantil, já que o evento é organizado e gerido integralmente por alunos de graduação e pós-graduação do IFSC/USP. Criada em 2011, a Semana surgiu da união da antiga Semana da Física (SEMAFIS) com o Workshop da Pós-Graduação e consolidou-se como espaço de integração entre diferentes níveis de formação, além de funcionar como uma vitrine da pesquisa desenvolvida no Instituto.

Nesta 15ª edição, a programação procura ampliar esse diálogo ao colocar em discussão não apenas resultados científicos, mas também a própria construção da ciência brasileira, sua relação com a sociedade e os novos desafios impostos por transformações tecnológicas e pela circulação de desinformação.

Um olhar para a história da Física brasileira

A programação, que ocorrerá no Auditório “Prof. Sérgio Mascarenhas” começa com uma reflexão sobre a trajetória da Física no País. O professor Sylvio Canuto, da Sociedade Brasileira de Física (SBF), apresenta no dia 05/10, às 09h00, a palestra “História e desenvolvimento da Física no Brasil”, abordando momentos, instituições e pesquisadores que contribuíram para a consolidação da área, além dos desafios enfrentados ao longo desse percurso.

Na sequência, Climério Paulo da Silva Neto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), apresentará às 10h30 “De Lattes ao CERN: repensando a história da física no Brasil”. A proposta é observar essa história também a partir dos instrumentos científicos e da tradição experimental brasileira.

Além de César Lattes, a apresentação recupera as contribuições de nomes como Sérgio Porto, Elisa Frota Pessoa e Emico Okuno e aborda a participação de cientistas brasileiros no início da colaboração entre instituições do País e o CERN, um dos principais centros de pesquisa em física de partículas do mundo.

A programação reserva ainda espaço para apresentações de pôsteres, permitindo que estudantes e pesquisadores apresentem seus trabalhos e compartilhem resultados com a comunidade acadêmica.

Do lado escuro do Universo à descoberta de novos fármacos

A diversidade da ciência brasileira aparece com destaque ao longo da Semana. Uma das palestras, “Notícias do lado escuro”, apresentada por Edivaldo Moura no dia 06/10, às 14h00, mergulha em um dos grandes mistérios da física contemporânea: a matéria escura.

O encontro aborda as evidências gravitacionais acumuladas desde a primeira metade do século XX e as tentativas experimentais de detectar possíveis interações entre partículas de matéria escura e a matéria conhecida. O tema envolve fenômenos observados em galáxias, aglomerados e lentes gravitacionais, além das buscas realizadas com diferentes tipos de detectores.

Em outra frente, a professora Maria Cristina Nonato apresenta nesse mesmo dia, às 15h30, “Ciência que nasce aqui e transforma vidas: da biologia estrutural à descoberta de fármacos no Brasil”. A palestra mostra como pesquisas fundamentais podem abrir caminhos para aplicações diretamente relacionadas à saúde.

A pesquisadora apresenta sua trajetória na biologia estrutural e na descoberta de fármacos, destacando como o conhecimento sobre estrutura, função e dinâmica de proteínas pode contribuir para a identificação de novos alvos terapêuticos e para o desenvolvimento de moléculas bioativas, especialmente voltadas ao enfrentamento de doenças infecciosas e negligenciadas.

A aproximação entre pesquisadores e público também ultrapassa os espaços tradicionais da universidade. A programação para o dia 06/10, às 19h30, inclui o “Papos de Física”, com participações de Diogo Boito, do IFSC/USP, e Eliceo Cortes Gomez, da Institución Universitaria de Barranquilla.

Formação científica e valorização de jovens pesquisadores

A SIFSC também dedica espaço importante à formação dos estudantes. Além dos minicursos, estão previstas apresentações do “Prêmio Yvonne Mascarenhas” no dia 07/10 a partir das 09h00, contemplando trabalhos de iniciação científica e de pós-graduação.

A premiação integra a proposta da Semana de reconhecer trabalhos acadêmicos de destaque e estimular a participação dos jovens na produção científica. A programação inclui ainda uma conversa com egressos relacionada aos 20 anos de Fiscomp e Biomol, que ocorrerá igualmente no dia 07/10, às 10h30, estabelecendo uma ponte entre a formação universitária e diferentes trajetórias profissionais.

Outro tema abordado é a relação entre conhecimento científico, tecnologia, empreendedorismo e inovação. Na palestra “Do IFSC para o mundo: A Jornada da deeptech brain4care”, que ocorrerá às 10h00 do dia 08/10, o público poderá conhecer um caso de transformação da pesquisa acadêmica em uma inovação destinada a ultrapassar os limites do laboratório e produzir impacto na sociedade.

Ciência, fake news e inteligência artificial

Na etapa final da programação, a SIFSC direciona os debates para duas questões que ganharam especial relevância na sociedade contemporânea: a desinformação e a inteligência artificial.

Na palestra “Por que fazer ciência em tempos de fake news?”, que ocorrerá também no dia 08/10, às 14h00, Marcia Barbosa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), discute a confiança social no conhecimento e nas instituições acadêmicas. A proposta é refletir sobre os caminhos necessários para fortalecer a confiança na autoridade construída pelo conhecimento científico.

Logo depois, às 15h30 desse mesmo dia, Nina da Hora apresenta “A IA não é ciência (ainda): confiança, evidência e quem tem o direito de interpretar?”. A discussão parte das diferenças entre a forma como sistemas de inteligência artificial são apresentados ao público e práticas tradicionalmente associadas à produção científica, como abertura de dados, replicação, revisão por pares e transparência sobre erros.

A palestra propõe uma reflexão sobre a crescente confiança depositada nas respostas fornecidas por sistemas de IA e sobre quem passa a ocupar o papel de intérprete do conhecimento na sociedade. O debate envolve ainda a comunicação científica e a responsabilidade dos pesquisadores em estabelecer diálogo com o público.

Ciência para além dos laboratórios

Mais do que uma sequência de palestras, a “XV Semana Integrada da Física de São Carlos” apresenta a ciência como uma atividade que se constrói por meio da formação de pessoas, da troca de conhecimento e do diálogo com a sociedade.

Essa proposta aparece na própria estrutura do evento: pesquisadores experientes dividem espaço com estudantes de iniciação científica e pós-graduação; temas históricos convivem com questões de fronteira; pesquisas fundamentais encontram aplicações tecnológicas; e discussões sobre matéria escura, descoberta de fármacos e inteligência artificial são acompanhadas por debates sobre confiança, comunicação e desinformação.

A programação também incorpora atividades culturais, incluindo “Show de Talentos” e um encerramento cultural no dia 08/10, às 19h00. Antes disso, a partir das 16h30 estão previstas uma mesa-redonda, cerimônia de encerramento e premiação dos vencedores do “Prêmio Yvonne Mascarenhas”.

Ao colocar “Ciência no Brasil” como tema central, a “XV SIFSC” reforça uma mensagem que atravessa toda a programação: a produção científica não se restringe aos laboratórios e às publicações especializadas. Ela envolve formação, história, inovação, comunicação e, sobretudo, a capacidade de transformar conhecimento em benefício para a sociedade.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

Staphylococcus aureus – Luz e curcumina podem ampliar ação de antibiótico contra bactéria ligada a infecções persistentes

 

Staphylococcus aureus – Uma bactéria capaz de causar diferentes tipos de infecção, algumas delas graves, envolvendo pulmões, coração, ossos e até a corrente sanguínea

 

Estudo desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) mostra que a combinação de uma técnica baseada em luz com antibióticos pode aumentar a eliminação de Staphylococcus aureus, mas revela que o momento de aplicação do medicamento é decisivo para o resultado.

Uma estratégia que combina luz, curcumina — substância encontrada na cúrcuma — e antibióticos pode abrir novas possibilidades para combater bactérias capazes de sobreviver aos tratamentos convencionais e responsáveis por infecções recorrentes. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores do IFSC/USP, que investigou o comportamento da bactéria Staphylococcus aureus diante de uma técnica conhecida como inativação fotodinâmica.

O trabalho, publicado na revista científica “Photochemistry and Photobiology”, é assinado por Maria Vitória Silva Pereira, Bruna Carolina Corrêa, Vanderlei Salvador Bagnato e Kate Cristina Blanco. Os pesquisadores estão ligados ao Instituto de Física de São Carlos e Bagnato também aparece vinculado à área de Engenharia Biomédica da Texas A&M University, nos Estados Unidos.

A pesquisa procurou enfrentar um problema que vai além da resistência tradicional aos antibióticos: a chamada persistência bacteriana. Em determinadas populações, algumas bactérias conseguem reduzir temporariamente sua atividade e permanecer em uma espécie de estado de “espera”. Como muitos antibióticos funcionam melhor quando os microrganismos estão ativos e se multiplicando, essas bactérias podem escapar do tratamento. Mais tarde, ao retomarem suas atividades, podem contribuir para o reaparecimento da infecção.

Esse comportamento é diferente da resistência aos antibióticos. Na resistência, alterações permitem que a bactéria continue sobrevivendo mesmo diante do medicamento. No caso das chamadas bactérias persistentes, a proteção é temporária e não é necessariamente transmitida às novas gerações. Os experimentos do estudo confirmaram justamente essa característica: as bactérias sobreviventes não passaram a apresentar uma resistência hereditária maior ao antibiótico.

Uma bactéria de grande importância médica

A escolha do Staphylococcus aureus não é casual. Trata-se de uma bactéria capaz de causar diferentes tipos de infecção, algumas delas graves, envolvendo pulmões, coração, ossos e até a corrente sanguínea. Sua capacidade de adaptação torna o tratamento particularmente desafiador em determinados casos.

Para estudar formas alternativas de combatê-la, os pesquisadores recorreram à inativação fotodinâmica. De maneira simplificada, a técnica utiliza uma substância sensível à luz e uma fonte luminosa adequada. Quando iluminada, essa substância desencadeia reações capazes de danificar estruturas essenciais dos microrganismos.

No experimento, a substância escolhida foi a curcumina, composto derivado da cúrcuma, e a fonte utilizada foi luz azul. Os testes mostraram que nem a curcumina sozinha, no escuro, nem a exposição à luz por si só produziram uma redução significativa das bactérias nas condições avaliadas. O efeito mais expressivo ocorreu quando os dois elementos foram empregados conjuntamente.

Os resultados foram marcantes. À medida que a concentração de curcumina aumentava, diminuía a quantidade de bactérias sobreviventes. Nas condições mais intensas testadas, com concentrações de 2 e 2,5 micromolar de curcumina, a quantidade de bactérias caiu abaixo do limite de detecção do experimento para as duas doses de luz utilizadas.

Sobreviver não significa tornar-se resistente

A equipe, porém, estava particularmente interessada nas bactérias que conseguiam sobreviver à aplicação da técnica. E foi justamente aí que surgiu um dos aspectos mais importantes do trabalho.

Imediatamente depois do tratamento com luz e curcumina, algumas bactérias sobreviventes apresentaram um comportamento semelhante ao de microrganismos temporariamente tolerantes ao antibiótico. Os pesquisadores verificaram, entretanto, que elas não haviam se tornado efetivamente mais resistentes ao medicamento: os testes utilizados para medir a sensibilidade ao antibiótico permaneceram inalterados.

A explicação levantada pelos autores é que o próprio estresse provocado pelo tratamento fotodinâmico pode fazer algumas bactérias diminuírem temporariamente suas atividades. É como se, diante da agressão, entrassem em um período de baixa atividade, tornando-se momentaneamente menos vulneráveis ao antibiótico.

Os experimentos acompanharam esse processo. Durante as primeiras quatro horas após o tratamento fotodinâmico, a população bacteriana apresentou atraso significativo no crescimento. Depois de aproximadamente seis horas, entretanto, houve uma retomada mais acentuada da atividade das bactérias, indicando que elas estavam saindo desse estado temporário.

Essa observação levou os pesquisadores a uma questão essencial: o que aconteceria se o antibiótico fosse aplicado depois que as bactérias recuperassem sua atividade?

O momento certo pode fazer diferença

O resultado foi um dos principais achados da pesquisa. Quando as bactérias sobreviventes tiveram tempo para recuperar sua atividade após o tratamento com luz e curcumina e só então foram novamente expostas ao antibiótico, a velocidade de eliminação bacteriana aumentou.

Em outras palavras, o tratamento fotodinâmico aparentemente deixou danos nas bactérias. Depois que elas saíram do estado temporário de baixa atividade, tornaram-se mais vulneráveis à ação do medicamento. O estudo observou uma taxa maior de morte bacteriana nessa situação do que tanto no tratamento realizado imediatamente após a exposição à luz quanto no teste convencional com antibiótico sem aplicação prévia da técnica fotodinâmica.

O resultado chama atenção para uma questão que pode ser tão importante quanto a própria combinação dos tratamentos: a ordem e o intervalo entre eles.

Segundo a interpretação apresentada pelos pesquisadores, administrar o antibiótico imediatamente após a inativação fotodinâmica pode encontrar parte das bactérias em um período de baixa atividade, reduzindo a eficiência do medicamento. Aguardar sua recuperação, por outro lado, pode permitir que o antibiótico encontre células novamente ativas, mas ainda fragilizadas pelos danos provocados anteriormente pela luz e pela curcumina.

Isso significa que não basta simplesmente combinar duas formas de tratamento. É necessário compreender como a bactéria reage ao primeiro ataque e determinar qual é o momento mais adequado para realizar o segundo.

Bactéria resistente apresentou comportamento diferente

O estudo também analisou uma linhagem de Staphylococcus aureus resistente à meticilina, conhecida pela sigla MRSA. Nesse caso, o comportamento foi diferente. Os pesquisadores não observaram o mesmo aumento de tolerância após o tratamento fotodinâmico verificado na linhagem sensível.

Profª Drª Kate Cristina Blanco (IFSC/USP) – Uma das autoras do estudo

Uma das hipóteses apresentadas é que as bactérias resistentes disponham de mecanismos que as ajudam a enfrentar melhor o estresse provocado pelo tratamento. Os próprios autores ressaltam, entretanto, que essa questão precisa ser aprofundada em novos estudos.

Os resultados com MRSA, portanto, não permitem simplesmente estender para bactérias resistentes as conclusões obtidas com a linhagem sensível. O artigo aponta a necessidade de novos experimentos, inclusive utilizando outros antibióticos e diferentes condições de tratamento.

Caminho para novas estratégias contra infecções persistentes

O trabalho realizado no IFSC/USP ajuda a mostrar que a luta contra infecções bacterianas não depende apenas de encontrar medicamentos mais potentes. Compreender quando e como as bactérias ficam vulneráveis também pode ser fundamental.

A inativação fotodinâmica tem a vantagem de atacar os microrganismos por um mecanismo diferente daquele empregado pelos antibióticos. No estudo, a associação com curcumina e luz azul mostrou grande capacidade de reduzir a população bacteriana. Ao mesmo tempo, os experimentos revelaram que as bactérias sobreviventes podem passar temporariamente por um período no qual respondem de maneira diferente ao medicamento.

A principal contribuição do trabalho está justamente nessa dinâmica. Depois que as células sobreviventes recuperaram sua atividade, o antibiótico tornou-se mais eficiente na eliminação da população bacteriana. Os resultados sugerem, portanto, que uma combinação cuidadosamente programada entre tratamento fotodinâmico e antibiótico pode aumentar a ação contra Staphylococcus aureus persistente.

Ainda se trata de uma pesquisa experimental, realizada em condições de laboratório, e não de um protocolo clínico pronto para utilização em pacientes. Os próprios pesquisadores apontam a necessidade de novos estudos para definir melhor os intervalos entre os tratamentos e compreender como diferentes tipos de bactérias respondem à estratégia.

A pesquisa contou com apoio da FAPESP e da CAPES, além da infraestrutura e do suporte técnico do IFSC/USP. O trabalho também teve apoio do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF) financiado pela FAPESP.

Em um cenário no qual infecções persistentes representam um desafio para a medicina, os resultados colocam em evidência uma possibilidade importante: em vez de depender exclusivamente de doses cada vez maiores de medicamentos, usar luz para fragilizar as bactérias e escolher cuidadosamente o momento de atacá-las com antibióticos pode se transformar em uma nova frente de investigação para tornar os tratamentos mais eficazes.

Clique AQUI para acessar o original da pesquisa publicado na revista científica internacional Photochemistry and Photobiology.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

IFSC EM PROL DA SOCIEDADE

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