Como já divulgado anteriormente, o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) promoveu, nos dias 27 de junho e 4 de julho deste ano, o minicurso “Tecnologias Analógicas e Digitais: do Cotidiano à Sala de Aula de Física do Ensino Médio”. Coordenada pelo professor Reynaldo Daniel Pinto, a iniciativa foi idealizada e conduzida por estudantes do curso de Licenciatura em Ciências Exatas e reuniu 24 alunos da rede pública estadual de São Carlos.
Participaram estudantes das escolas estaduais Professor Aduar Kemell Dibo, Conde do Pinhal, Professor João Batista Gasparin e Professor Sebastião de Oliveira Rocha.
O minicurso integra a disciplina SLCO652 – Estágio Supervisionado em Ensino de Física I e tem como principal objetivo aproximar os conceitos da Física das tecnologias presentes no cotidiano dos estudantes. Para isso, adota uma metodologia baseada em atividades práticas, demonstrações experimentais e estratégias de aprendizagem ativa.
Em vez de privilegiar apenas aulas expositivas, o programa foi estruturado em atividades laboratoriais nas quais os participantes manipulam circuitos, sensores e equipamentos, como osciloscópios, permitindo a observação, em tempo real, dos fenômenos físicos estudados.

Breno Silvio Guarnieri Pereira e Maria Augusta Fernandes Faria
Para Breno Silvio Guarnieri Pereira, de 15 anos, aluno do primeiro ano da Escola Estadual Professor Aduar Kemell Dibo, a experiência apenas reforçou sua intenção de ingressar no curso de Licenciatura em Ciências Exatas do IFSC/USP.
“Essa escolha tem a ver com uma área com a qual me identifico plenamente e na qual obtenho meus melhores resultados. Participar do minicurso confirmou que estou no caminho certo. Além de conhecer experimentos inéditos para mim, tive a oportunidade de aprender com professores fantásticos.”
Já Maria Augusta Fernandes Faria, de 16 anos, estudante do segundo ano da Escola Estadual Conde do Pinhal, admite que o maior desafio foi lidar com a parte experimental.
“No início fiquei um pouco confusa diante dos experimentos. Acho que era apenas nervosismo por ser a primeira vez. Depois percebi que aprender fazendo faz muito mais sentido para mim do que apenas estudar os conceitos teóricos.”
A proposta também representou um importante aprendizado para os licenciandos responsáveis pelas atividades.

João Márcio Godoy Rodrigues e Laura Juskov Koptski
Para João Márcio Godoy Rodrigues, de 22 anos, estudante da Licenciatura em Ciências Exatas do IFSC/USP e estagiário na Escola Estadual João Batista Gasparin, os alunos da educação básica não apenas estão preparados para novas metodologias, como necessitam delas. “Muitos estudantes ainda enxergam disciplinas como Matemática, Física e Química apenas como conteúdos teóricos. Nem sempre percebem que essas áreas explicam as tecnologias presentes no nosso cotidiano. É fundamental que eles saiam do papel e da lousa para colocar a mão na massa.”
Segundo João Márcio, o maior desafio foi romper com seu próprio modelo de ensino. “Sempre estive acostumado com aulas expositivas. Este minicurso me fez sair da zona de conforto e experimentar novas formas de ensinar, algo que contribuiu tanto para os alunos quanto para minha própria formação.”
Também licencianda e estagiária na Escola Estadual Professor Sebastião de Oliveira Rocha, Laura Juskov Koptski, de 21 anos, destaca que um dos principais desafios foi manter a atenção dos estudantes diante das constantes distrações proporcionadas pelas redes sociais.
“O maior desafio foi fazer com que eles deixassem um pouco de lado o celular para se concentrarem na parte experimental. Isso aconteceu de forma muito natural quando foram convidados a construir um voltímetro. Eles ficaram realmente entusiasmados com os resultados e foi muito gratificante observar esse envolvimento.”
Na avaliação do coordenador do projeto, professor Reynaldo Daniel Pinto, o minicurso proporcionou uma experiência extremamente enriquecedora tanto para os licenciandos quanto para os estudantes do ensino médio.

Prof. Dr. Reynaldo Daniel Pinto (IFSC/USP) – Coordenador do Minicurso
Segundo ele, os futuros professores tiveram a oportunidade de desenvolver materiais didáticos e trabalhar conceitos científicos em um ambiente não formal de aprendizagem, utilizando metodologias ativas bastante diferentes das práticas tradicionalmente encontradas nas escolas públicas. “Buscamos despertar a curiosidade dos estudantes e desenvolver conceitos a partir de experimentos relacionados ao cotidiano. Esse formato exigiu grande dedicação dos licenciandos e mostrou que os alunos do ensino médio respondem muito melhor quando participam ativamente das atividades.”
O docente observa que, durante os momentos mais longos de exposição teórica, era perceptível um certo cansaço e perda de atenção dos participantes. Entretanto, o interesse era rapidamente recuperado quando retornavam às atividades práticas, mesmo após jornadas de aproximadamente sete horas de curso.
Para Reynaldo Pinto, essa metodologia representa uma alternativa promissora para enfrentar a crescente dificuldade de engajamento dos estudantes tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio.
Ao fazer um balanço da iniciativa, o coordenador considera que os resultados foram amplamente positivos. “Tivemos um duplo sucesso. Os licenciandos aprofundaram seus conhecimentos sobre ensino em ambientes não formais, enquanto os estudantes do ensino médio demonstraram grande interesse pelas atividades. Embora esperássemos alguma evasão no segundo sábado, devido às dificuldades de transporte e ao horário, todos os 23 participantes que compareceram ao primeiro encontro retornaram para o segundo dia, bastante motivados.”
O professor chama atenção, entretanto, para um desafio importante: a baixa participação feminina.
Apenas três das 23 pessoas participantes eram meninas, percentual pouco superior a 10%. Considerando que as turmas escolares apresentam distribuição semelhante entre estudantes dos dois sexos, Reynaldo avalia que ainda é necessário desenvolver estratégias mais eficazes para aproximar jovens do sexo feminino das áreas de Ciências Exatas. “Mesmo mostrando aplicações da Física em áreas como Biologia, Medicina e Neurociências, não conseguimos atrair mais alunas. Encontrar formas de despertar esse interesse é um desafio urgente para a formação de novos professores.”

Alunos junto com professores e colaboradores
A organização do minicurso agradece o apoio da Diretoria do IFSC/USP, responsável pelo café da manhã oferecido aos participantes; do Departamento de Física e Ciência Interdisciplinar (FCI), que forneceu os almoços; do Laboratório de Ensino de Física (LEF); e do servidor Antenor Fabbri Petrilli Filho, pelo suporte didático prestado durante toda a realização da atividade.
Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP