Eleição dos representantes discentes junto ao Conselho Deliberativo do CDCC

Estão abertas até às 16h00 do dia 23 de novembro do corrente ano as inscrições para a eleição dos representantes discentes junto ao Conselho Deliberativo do CDCC, conforme disposto na Portaria CDCC – 379, de 20-10-2026. O pedido de inscrição individual ou por chapa dos candidatos, formulado por meio de requerimento, será recebido na Administração do CDCC, no email […]

Tuberculose – Nanopartículas abrem caminho para teste mais rápido e simples da doença

Estudo com participação de pesquisadores do IFSC/USP desenvolve sensor capaz de identificar, em cerca de 30 minutos, proteínas associadas à bactéria causadora da doença. A busca por métodos mais rápidos, simples e acessíveis para o diagnóstico da tuberculose ganhou uma nova possibilidade com um trabalho desenvolvido por pesquisadores ligados ao Instituto de Física de São […]

Eleição dos representantes discentes junto ao Conselho Deliberativo do CDCC

Estão abertas até às 16h00 do dia 23 de novembro do corrente ano as inscrições para a eleição dos representantes discentes junto ao Conselho Deliberativo do CDCC, conforme disposto na Portaria CDCC – 379, de 20-10-2026. O pedido de inscrição individual ou por chapa dos candidatos, formulado por meio de requerimento, será recebido na Administração do CDCC, no email […]

Tuberculose – Nanopartículas abrem caminho para teste mais rápido e simples da doença

Estudo com participação de pesquisadores do IFSC/USP desenvolve sensor capaz de identificar, em cerca de 30 minutos, proteínas associadas à bactéria causadora da doença. A busca por métodos mais rápidos, simples e acessíveis para o diagnóstico da tuberculose ganhou uma nova possibilidade com um trabalho desenvolvido por pesquisadores ligados ao Instituto de Física de São […]

EVENTOS

COLÓQUIOS E SEMINÁRIOS

NOTÍCIAS

ACIESP – Nova gestão com compromisso de aproximar a ciência da sociedade e combater a desinformação

Mesa de Honra

Em cerimônia realizada na Universidade de São Paulo, o docente do IFSC/USP, Prof. Dr. Antônio Carlos Hernandes, assumiu a presidência da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP), defendendo a valorização do conhecimento científico, o fortalecimento da educação e uma participação mais efetiva da ciência nas decisões que determinam o futuro do País.

A ciência brasileira enfrenta desafios que ultrapassam os limites dos laboratórios, das universidades e dos centros de pesquisa. Num mundo marcado pela velocidade da informação, pelo avanço da inteligência artificial e pela crescente disseminação de notícias falsas, aproximar o conhecimento científico da sociedade tornou-se uma necessidade cada vez mais urgente. Foi precisamente esta preocupação que marcou a cerimônia de posse da nova diretoria e do Conselho Diretor da ACIESP, realizada no dia 9 de outubro, no Auditório da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Universidade de São Paulo (USP).

O encontro reuniu importantes representantes da comunidade científica e acadêmica brasileira, numa cerimônia que assinalou não apenas a renovação da direção da entidade, mas também a reafirmação do papel que a ciência deve desempenhar no desenvolvimento econômico, social e tecnológico do Brasil.

Prof. Antonio Carlos Hernandes – “O combate à desinformação deverá constituir uma das prioridades da ACIESP nos próximos anos”

O Prof. Dr. Antônio Carlos Hernandes assumiu a presidência da ACIESP, sucedendo ao docente do IFSC/USP, Prof. Dr. Adriano Andricopulo, responsável pela condução da instituição durante o período de 2023 a 2026. A nova diretoria conta ainda com a Profª Drª Vanderlan da Silva Bolzani, na vice-presidência, o Prof. Dr. Paulo César Vieira, como diretor executivo, e a Profª Drª Maria de Fátima das Graças Fernandes da Silva, na direção financeira.

A solenidade teve início com uma apresentação do quarteto de cordas da Orquestra de Câmara da Escola de Comunicações e Artes da USP, seguindo-se os pronunciamentos das autoridades e os atos de transmissão da presidência e posse dos novos dirigentes.

Uma academia que nasceu em São Carlos

A história da ACIESP possui uma ligação particularmente significativa com a cidade de São Carlos, reconhecida nacionalmente pela sua vocação científica e tecnológica.

Foi precisamente em São Carlos, no dia 8 de outubro de 1974, que um grupo de pesquisadores deu início à trajetória da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Passados 52 anos, a instituição continua a reunir cientistas de reconhecida competência, contribuindo para a valorização da pesquisa e para o fortalecimento das instituições científicas paulistas.

Ao recordar essa origem, o novo presidente destacou que a renovação da diretoria representa também uma oportunidade para reafirmar os princípios que orientam a atuação da Academia: a excelência científica, a responsabilidade institucional e, sobretudo, o compromisso de fazer com que o conhecimento produzido pelos pesquisadores alcance efetivamente a população.

A referência à fundação da ACIESP em São Carlos reveste-se de especial importância, considerando a contribuição histórica das instituições de ensino e pesquisa instaladas na cidade para o desenvolvimento científico brasileiro.

Antônio Carlos Hernandes defende ciência mais próxima da população

No seu discurso de posse, Antônio Carlos Hernandes reconheceu a extraordinária capacidade científica do Estado de São Paulo, sustentada por universidades de excelência, institutos de pesquisa, centros de inovação e uma comunidade de pesquisadores que atua nas mais diferentes áreas do conhecimento.

Entretanto, advertiu que essa capacidade convive com problemas que exigem respostas urgentes, particularmente aqueles relacionados com a circulação de informações falsas e com a perda de confiança da sociedade no conhecimento científico.

Profª Helena Nader – Presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC)

Para o novo presidente “O combate à desinformação deverá constituir uma das prioridades da ACIESP nos próximos anos. A propagação de informações falsas sobre a vacinação,  por exemplo, demonstra que conquistas científicas construídas ao longo de décadas podem ser comprometidas quando a população deixa de confiar nas evidências produzidas pela investigação científica”.

Hernandes salientou, contudo, que “Enfrentar a desinformação não significa exigir uma confiança incondicional nos cientistas. Pelo contrário, implica explicar à população como o conhecimento é produzido, reconhecer as incertezas próprias da investigação e estabelecer um diálogo permanente com a sociedade”.

Entre as prioridades anunciadas para a nova gestão estão o fortalecimento da educação e da divulgação científica, a articulação entre pesquisadores e instituições e a elaboração de documentos independentes, fundamentados em evidências, capazes de contribuir para a formulação de políticas públicas.

A Academia pretende igualmente ampliar a discussão sobre questões que deverão marcar as próximas décadas, incluindo as mudanças climáticas, o envelhecimento da população, a inteligência artificial, a energia, os novos materiais, a saúde e as transformações no mundo do trabalho.

Ao concluir o seu pronunciamento, Hernandes sintetizou a dimensão dessa responsabilidade numa afirmação particularmente significativa: “O futuro não será construído apenas pela ciência, mas será muito difícil construí-lo sem ela”, afirmou.

Helena Nader alerta para os riscos dos cortes na educação e na pesquisa

Um dos pronunciamentos mais contundentes da cerimônia foi proferido pela presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), professora Helena Nader, que manifestou preocupação com os desafios enfrentados pela ciência brasileira e com as consequências das políticas que reduzem os investimentos na educação e na investigação científica.

Prof. Vahan Agopyan – Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo

Na sua intervenção, Nader destacou que a capacidade científica alcançada pelo Estado de São Paulo não surgiu por acaso, mas resulta de décadas de investimentos públicos continuados nas universidades, nas instituições de pesquisa e nas agências de financiamento, particularmente a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

A presidente da ABC criticou a visão que considera os recursos destinados à ciência e à educação como despesas, em vez de investimentos estratégicos para o desenvolvimento nacional.

Advertiu ainda que a desvalorização dessas áreas compromete não apenas a competitividade econômica, mas também a soberania tecnológica e a própria qualidade da democracia.

Na sua avaliação “Um país que não produz conhecimento e depende permanentemente de tecnologias desenvolvidas no exterior acaba por perder autonomia nas decisões que condicionam o seu futuro”.

Helena Nader relacionou igualmente a fragilização da educação com o crescimento da desinformação e com as dificuldades de formação de cidadãos capazes de distinguir fatos de opiniões e evidências de manipulações.

Para a cientista, a missão da nova diretoria da ACIESP ultrapassa a preservação da excelência acadêmica. É necessário garantir que a comunidade científica tenha participação efetiva nos espaços onde são tomadas as decisões políticas e administrativas, seja no âmbito municipal, estadual ou nacional.

Inteligência artificial representa novo desafio para a ciência

A importância crescente da inteligência artificial foi outro dos temas abordados durante a solenidade.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, professor Vahan Agopyan, destacou a trajetória da ACIESP e o reconhecimento conquistado pela instituição ao longo de mais de cinco décadas.

Vice-Reitora da USP – Profª Liedi Légi Bariani Bernucci

Ao comentar os desafios tecnológicos contemporâneos, Agopyan chamou a atenção para a necessidade de compreender os impactos da inteligência artificial, uma ferramenta poderosa, mas que também apresenta riscos significativos. Na sua perspectiva “A comunidade científica deverá participar ativamente da discussão sobre a utilização responsável dessas tecnologias, procurando assegurar que os seus benefícios sejam efetivamente colocados ao serviço da sociedade”.

O secretário salientou que São Paulo dispõe de um ambiente favorável à ciência, à tecnologia e à inovação, mas advertiu que os desafios futuros exigirão preparação, capacidade de adaptação e uma atuação coordenada entre as instituições científicas e os responsáveis pelas políticas públicas.

Universidade e sociedade precisam caminhar juntas

Representando a Universidade de São Paulo, a professora Liedi Légi Bariani Bernucci, vice-reitora, destacou a importância de tornar mais visível o trabalho desenvolvido nas universidades e nos institutos de pesquisa.

Segundo a docente, embora as instituições acadêmicas e as agências de financiamento desempenhem um papel fundamental no apoio à ciência básica, aplicada e à inovação, permanece o desafio de demonstrar à sociedade a importância concreta desse trabalho.

A aproximação entre pesquisadores e população, especialmente entre os mais jovens, constitui uma condição essencial para fortalecer a valorização social da ciência e enfrentar os movimentos de desinformação.

Nesse contexto, a vice-reitora reconheceu o papel desempenhado por instituições como a ACIESP e a Academia Brasileira de Ciências na divulgação do conhecimento e na defesa da atividade científica.

A cerimônia contou ainda com a presença do presidente da FAPESP, professor Marco Antônio Zago, além de representantes de universidades, instituições de pesquisa e entidades ligadas à ciência e à tecnologia.

Um novo ciclo para a ciência paulista

A posse da nova diretoria da ACIESP acontece num momento em que a produção de conhecimento científico assume importância decisiva para enfrentar problemas que afetam diretamente a vida da população.

Questões relacionadas com a saúde pública, o ambiente, a produção de energia, a transformação digital e o desenvolvimento econômico exigem respostas cada vez mais fundamentadas na investigação científica.

Mas a mensagem central transmitida durante a cerimônia foi igualmente clara: não basta produzir ciência de qualidade. É indispensável que esse conhecimento seja compreendido, valorizado e utilizado pela sociedade.

A passagem do testemunho do Prof. Adriano Defini Andricopulo para o Prof. Antonio Carlos Hernandes

Ao iniciar um novo ciclo institucional, a Academia de Ciências do Estado de São Paulo assume, assim, o desafio de fortalecer a sua presença no debate público, ampliar a divulgação científica e contribuir para que as decisões que condicionam o futuro do País sejam orientadas pelo conhecimento e não pela desinformação.

Para São Carlos, cidade onde a Academia nasceu há 52 anos, esta renovação representa também a continuidade de uma história intimamente ligada à construção de um dos mais importantes ambientes científicos do Brasil.

Mais do que uma simples mudança de dirigentes, a cerimônia reafirmou uma convicção partilhada pelos participantes: investir em ciência, educação e tecnologia significa investir na autonomia, no desenvolvimento e no futuro da sociedade brasileira.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

Levantamento da Universidade de Stanford aponta 284 pesquisadores da USP entre os mais citados do mundo – Dez são do IFSC/USP

(Foto – Cecília Bastos/USP Imagens)

Notícia publicada pelo “Jornal da USP”, em edição com data de 14 de outubro, informa que a USP mantém a liderança entre as instituições brasileiras no levantamento da “Universidade de Stanford” (2025), apontando que que 284 pesquisadores da Universidade estão entre os mais citados do mundo.

A USP conta com 284 pesquisadores na 9ª edição da base internacional Updated science-wide author databases of standardized citation indicators, elaborada anualmente pelo pesquisador John P. A. Ioannidis, da Universidade Stanford.

Publicada no dia 7 de outubro, a nova versão avalia o impacto científico a partir das citações recebidas ao longo de 2025. A Universidade permanece à frente das instituições brasileiras incluídas no levantamento, concentrando 18,8% dos cientistas do País na lista de impacto anual.

No conjunto, o Brasil soma 1.510 perfis nessa relação, ante 1.461 na edição anterior, um crescimento de cerca de 3,4%.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aparece com 105 pesquisadores, seguida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com 87. Juntas, as três universidades estaduais paulistas reúnem 476 nomes, o que representa 31,5% do total nacional.

Na sequência vêm a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com 64 nomes, enquanto a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) têm 63 cada. Já a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) contam com 35 pesquisadores cada.

Na USP, a maior concentração está no campo de Medicina Clínica, que reúne 129 dos 284 pesquisadores identificados na avaliação anual. Em seguida estão Biologia, com 26 nomes; Química, com 25; Agricultura, Pesca e Florestas, com 24; e Pesquisa Biomédica, com 21. Entre as subáreas específicas, Odontologia reúne 19 pesquisadores, seguida por Sistema Cardiovascular e Hematologia, com 13, e Química Analítica, com 11. Psiquiatria, Neurologia e Neurocirurgia, e Agronomia e Agricultura figuram com nove pesquisadores cada, enquanto Imunologia soma oito nomes, seguida por Química Medicinal e Biomolecular, Entomologia e Biotecnologia, com sete cada.

Em uma segunda tabela divulgada pelo estudo, que mede o impacto acumulado pelos cientistas ao longo de toda a carreira até o fim de 2025 , a USP também lidera no País, com 267 pesquisadores entre os 1.304 brasileiros selecionados (20,5% do total nacional), sendo que 154 cientistas da Universidade aparecem simultaneamente em ambas as listas. A instituição é seguida por Unicamp (99), UFRJ (74), Unesp (60), UFRGS (56), UFMG (54), Fiocruz (43) e Unifesp (34).  Nesse recorte histórico, a subárea com mais representantes na USP é a de Energia, com 19 nomes, à frente de Odontologia (14), Química Analítica (12) e Biotecnologia (11). Somando os nomes que aparecem na lista anual e na de carreira (154 deles presentes em ambas), a Universidade tem, ao todo, 397 pesquisadores distintos reconhecidos nesta edição.

Do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) encontram-se mencionados os seguintes pesquisadores:

Paulo Augusto Raymundo-Pereira;

Valtencir Zucolotto;

Valmor Roberto Mastelaro;

Antonio Ricardo Zanatta;

Osvaldo Novais de Oliveira Junior;

Helmutt Eckert (ex-docente e pesquisador do IFSC/USP);

Luciano da Fontoura Costa;

Adriano Defini Andricopulo;

Cleber Renato Mendonça;

Leonardo Luiz Gomes Ferreira;

Confira no link, as listagens gerais completas – https://elsevier.digitalcommonsdata.com/datasets/btchxktzyw/9

(Notícia com base em original do “Jornal da USP”)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

Pesquisador do IFSC/USP participa da inauguração de telescópios que abrirão uma nova era na exploração do Universo

(Arquivo Pessoal – Luiz Vitor de Souza Filho)

Prof. Luiz Vitor de Souza Filho, presidente do Conselho Superior do Consórcio Cherenkov Telescope Array, esteve presente na cerimônia de inauguração de quatro gigantescos telescópios nas Ilhas Canárias, na Espanha. O empreendimento internacional permitirá investigar fenômenos cósmicos extremos, desvendar mistérios relacionados com buracos negros e matéria escura e observar acontecimentos ocorridos há bilhões de anos.

A ciência mundial deu mais um importante passo na compreensão dos grandes mistérios do Universo. No dia 15 de outubro, o Observatório Roque de los Muchachos, localizado na ilha de La Palma, nas Ilhas Canárias (Espanha) foi palco de uma cerimônia que assinala um marco na história da astronomia contemporânea: a inauguração de um conjunto de quatro telescópios de grande porte, concebidos para observar alguns dos fenômenos mais energéticos e distantes do cosmos.

A cerimônia, que reuniu cerca de duzentos e cinquenta cientistas e representantes de importantes instituições de pesquisa de diversos países, contou com a presença do Prof. Luiz Vitor de Souza Filho, docente e pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), integrante de duas importantes colaborações científicas internacionais — o Observatório Pierre Auger e o Cherenkov Telescope Array Observatory (CTAO). Atualmente, Luiz Vitor ocupa a presidência do Conselho Superior do Consórcio Cherenkov Telescope Array, além de exercer a função de assessor da Diretoria Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Sua participação na cerimônia assume especial significado, considerando as responsabilidades institucionais que desempenha num dos mais ambiciosos projetos científicos internacionais dedicados à investigação do Universo.

A inauguração dos equipamentos representa também um momento importante para a participação brasileira na ciência internacional, especialmente para São Carlos, cidade que abriga um dos mais importantes centros de pesquisa em física do país e cujos pesquisadores participam de iniciativas científicas de grande relevância mundial.

Quatro gigantescos telescópios para observar o invisível

Os novos equipamentos integram o chamado Large-Sized Telescope (LST), um conjunto de telescópios de grande porte que constitui uma das principais estruturas do CTAO, observatório internacional destinado a investigar os raios gama, uma forma extremamente energética de radiação produzida em alguns dos acontecimentos mais violentos do Universo.

Cada um dos quatro telescópios possui um refletor de vinte e três metros de diâmetro e está equipado com câmeras ultrarrápidas, capazes de registrar sinais luminosos extremamente breves e de intensidade muito reduzida.

Diferentemente dos telescópios convencionais, que observam diretamente a luz proveniente de estrelas, planetas e galáxias, esses instrumentos procuram identificar pequenos flashes luminosos produzidos na atmosfera terrestre quando raios gama de altíssima energia provenientes do espaço interagem com as partículas do ar.

Esse fenômeno, conhecido como “Radiação Cherenkov”, permite aos pesquisadores estudar indiretamente acontecimentos cósmicos que não poderiam ser observados com a mesma precisão pelos instrumentos tradicionais.

A sensibilidade dos novos telescópios permitirá identificar fontes de radiação extremamente distantes, investigar explosões cósmicas de curta duração e acompanhar alterações que ocorrem em regiões do Universo onde a matéria é submetida a condições físicas extremas.

(Arquivo Pessoal – Luiz Vitor de Souza Filho)

O primeiro equipamento do conjunto, denominado LST-1, encontra-se em atividade experimental desde 2020 e já proporcionou resultados importantes, incluindo observações de pulsares — estrelas extremamente densas que emitem radiação de maneira periódica —, estudos de regiões centrais de galáxias distantes e o acompanhamento de intensas explosões de raios gama.

Agora, com a incorporação dos telescópios LST-2, LST-3 e LST-4, os pesquisadores poderão observar simultaneamente os mesmos fenômenos a partir de diferentes posições, obtendo informações muito mais precisas sobre a direção, a intensidade e a energia da radiação detectada.

Essa capacidade conjunta representa um avanço significativo em relação às observações realizadas com apenas um telescópio.

Uma viagem científica ao passado do Universo

Uma das perspectivas mais fascinantes proporcionadas por esses equipamentos está relacionada com a possibilidade de investigar acontecimentos ocorridos há aproximadamente 12 bilhões de anos, numa época em que o Universo tinha menos de dois bilhões de anos de existência.

Como a luz necessita de tempo para percorrer as enormes distâncias que separam as galáxias da Terra, observar objetos extremamente distantes significa, na prática, estudar o passado do próprio Universo.

Os novos telescópios poderão detectar sinais provenientes de fontes cósmicas muito remotas, oferecendo aos cientistas a possibilidade de compreender melhor como se comportavam os fenômenos de alta energia nas primeiras etapas da evolução cósmica.

Outro objetivo fundamental consiste em investigar os mecanismos responsáveis pela aceleração de partículas a energias extraordinárias, muito superiores às que podem ser alcançadas em grande parte dos aceleradores construídos pelo ser humano.

Entre os principais objetos de investigação encontram-se os buracos negros supermassivos, as estrelas de nêutrons e as explosões de raios gama, fenômenos que libertam enormes quantidades de energia e desafiam constantemente os conhecimentos atuais da Física.

As observações também poderão contribuir para pesquisas relacionadas com a matéria escura, componente ainda não identificado diretamente e que, segundo os modelos cosmológicos atuais, desempenha um papel fundamental na estrutura e evolução do Universo.

Embora os novos instrumentos não garantam, por si só, respostas definitivas para essas questões, deverão fornecer informações essenciais para testar teorias e desenvolver novas interpretações sobre o funcionamento do cosmos.

(Arquivo Pessoal – Luiz Vitor de Souza Filho)

A importância da participação brasileira e do IFSC/USP

A presença do Prof. Luiz Vitor de Souza Filho na inauguração merece destaque não apenas pela sua condição de pesquisador do IFSC/USP, mas também pela posição de liderança que ocupa no Consórcio Cherenkov Telescope Array.

O consórcio reúne cientistas e instituições de diferentes países envolvidos na preparação e exploração científica do observatório, constituindo um importante espaço de colaboração internacional na área da astrofísica de altas energias.

A presidência do seu Conselho Superior coloca o pesquisador brasileiro numa posição institucional relevante dentro dessa estrutura de cooperação científica.

Sua participação nos experimentos Pierre Auger e CTAO também evidencia a continuidade de uma trajetória dedicada à investigação de fenômenos cósmicos de altíssima energia.

O Observatório Pierre Auger, localizado na Argentina, dedica-se ao estudo dos raios cósmicos de energias extremamente elevadas, enquanto o CTAO procura investigar o Universo por meio da detecção de raios gama. Embora utilizem métodos diferentes, os dois empreendimentos contribuem para esclarecer questões fundamentais relacionadas com a origem e o comportamento das partículas mais energéticas conhecidas.

Nesse contexto, a atuação de Luiz Vitor representa uma importante ligação entre a pesquisa científica desenvolvida no Brasil e algumas das maiores iniciativas internacionais da astrofísica contemporânea.

Para o IFSC/USP, essa participação constitui mais um exemplo da dimensão internacional das atividades científicas realizadas em São Carlos, particularmente numa área do conhecimento que exige equipamentos sofisticados, investimentos expressivos e a cooperação permanente entre pesquisadores de diferentes nacionalidades.

Trata-se, igualmente, de uma demonstração da importância de manter e fortalecer a presença brasileira em projetos científicos de grande escala, permitindo que instituições e pesquisadores do país participem diretamente dos avanços tecnológicos e das descobertas que poderão transformar o conhecimento sobre o Universo.

Um observatório com mais de 60 telescópios

O conjunto, inaugurado em La Palma, integra uma infraestrutura científica ainda mais ampla.

O Cherenkov Telescope Array Observatory foi concebido para se tornar o maior e mais poderoso observatório terrestre dedicado à astronomia de raios gama, reunindo mais de 60 telescópios distribuídos por dois locais de observação.

No hemisfério Norte, os equipamentos estão instalados no Observatório Roque de los Muchachos, na Espanha. No hemisfério Sul, o projeto prevê instalações no Observatório Paranal, situado no Deserto do Atacama, no Chile.

Essa distribuição geográfica permitirá ampliar a cobertura do céu e observar diferentes regiões do Universo.

O observatório utilizará três categorias de telescópios — grandes, médios e pequenos —, cada uma desenvolvida para investigar diferentes faixas de energia.

O conjunto de instrumentos deverá proporcionar uma capacidade de observação sem precedentes, abrangendo desde fenômenos associados a fontes cósmicas distantes até acontecimentos de energia extremamente elevada.

Prof. Luiz Vitor de Souza Filho (IFSC/USP)

Outro aspecto importante está relacionado com a quantidade de informações que será produzida. O CTAO deverá gerar enormes volumes de dados científicos, exigindo sistemas avançados de processamento, armazenamento e análise computacional.

O empreendimento também pretende adotar um modelo de ciência aberta, disponibilizando dados científicos e ferramentas de análise à comunidade de pesquisadores, ampliando as possibilidades de colaboração e de produção de novos conhecimentos.

A construção do observatório resulta de mais de quinze anos de cooperação internacional, envolvendo avanços tecnológicos em óptica, sistemas eletrônicos, detectores de luz e mecanismos de elevada precisão.

Para o Prof. Masahiro Teshima, pesquisador principal da Colaboração LST e porta-voz do Consórcio CTAO, a conclusão desse conjunto de telescópios representa o resultado de um longo trabalho coletivo de desenvolvimento científico e tecnológico.

Novas perspectivas para a ciência mundial

Embora a inauguração dos quatro telescópios represente uma conquista importante, os equipamentos ainda deverão passar por etapas de testes, ajustes e integração antes de atingirem plenamente a capacidade científica prevista.

A expectativa é que, progressivamente, os instrumentos ampliem as possibilidades de investigação sobre alguns dos fenômenos mais complexos da natureza.

Mais do que observar regiões distantes do espaço, o objetivo dos pesquisadores é compreender os processos físicos responsáveis pela produção de energias extraordinárias, investigar a origem dos raios cósmicos e procurar sinais que possam contribuir para esclarecer a natureza da matéria escura.

São questões que ultrapassam os limites da astronomia tradicional e envolvem diretamente a Física de partículas e a cosmologia, áreas fundamentais para compreender a origem, a composição e a evolução do Universo.

Para São Carlos e para o IFSC/USP, a presença de Luiz Vitor de Souza Filho nessa cerimônia internacional reforça a importância da participação brasileira nas grandes iniciativas científicas mundiais.

Ao integrar uma estrutura de liderança do Consórcio Cherenkov Telescope Array, o pesquisador contribui para a presença institucional do país num empreendimento que poderá protagonizar algumas das mais importantes descobertas da astrofísica nas próximas décadas.

A inauguração dos telescópios de La Palma simboliza, assim, não apenas a conclusão de uma etapa tecnológica, mas também o início de novas possibilidades para a investigação científica.

Afinal, quanto maior for a capacidade da humanidade de observar os fenômenos mais distantes e energéticos do cosmos, maiores serão também as oportunidades de encontrar respostas para perguntas que continuam a desafiar a ciência: como surgiram as estruturas do Universo, de onde provêm as partículas cósmicas mais energéticas e quais são, verdadeiramente, os mecanismos que governam os acontecimentos mais extremos da natureza.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

Atualização da Produção Científica do IFSC/USP em setembro de 2026

Para ter acesso às atualizações da Produção Científica cadastradas no mês de setembro de 2026, clique AQUI ou acesse o Repositório da Produção USP (AQUI).

As atualizações também podem ser conferidas no Totem “Conecta Biblio”, em frente à Biblioteca.

A figura ilustrativa foi extraída do artigo publicado recentemente, por pesquisador do IFSC/USP, no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States Of America” (VER AQUI).

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

IFSC EM PROL DA SOCIEDADE

Tuberculose – Nanopartículas abrem caminho para teste mais rápido e simples da doença

Estudo com participação de pesquisadores do IFSC/USP desenvolve sensor capaz de identificar, em cerca de 30 minutos, proteínas associadas à bactéria causadora da doença. A busca por métodos mais rápidos, simples e acessíveis para o diagnóstico da tuberculose ganhou uma nova possibilidade com um trabalho desenvolvido por pesquisadores ligados ao Instituto de Física de São […]

Staphylococcus aureus – Luz e curcumina podem ampliar ação de antibiótico contra bactéria ligada a infecções persistentes

    Estudo desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) mostra que a combinação de uma técnica baseada em luz com antibióticos pode aumentar a eliminação de Staphylococcus aureus, mas revela que o momento de aplicação do medicamento é decisivo para o resultado. Uma estratégia que combina luz, curcumina — substância encontrada na […]

Crianças com autismo – Estudo preliminar aponta mudanças no sono, atenção e comportamento

Acompanhamento clínico realizado em São Carlos observou avanços no sono, comportamento, atenção, comunicação e interação social de crianças com Transtorno do Espectro Autista após protocolo que associa fotobiomodulação e ultrassom terapêutico Uma tecnologia já utilizada em diferentes áreas da saúde pode abrir novas perspectivas para o cuidado complementar de crianças com Transtorno do Espectro Autista […]