NOTÍCIAS

IFUSP – Proposta de um dispositivo baseado no SPIN

No último dia 25 de janeiro, em pleno feriado em homenagem à fundação da cidade de São Paulo, foi publicado na revista Physical Review Letters (PRL) (clique AQUI para acessar o artigo) um dos artigos científicos mais importantes da área de física dos materiais dos últimos tempos.

O mesmo acrônimo que usamos quando queremos dizer dos nossos sentimentos de pertencimento e de estranhamento a essa que é uma das maiores metrópoles do mundo, e que carinhosamente foi cantada em verso e prosa pelo poeta e músico Caetano Veloso na sua famosa canção SAMPA, é utilizado para designar um dos grupos de pesquisadores do IFUSP, que se dedica ao estudo de propriedades eletrônicas, estruturais, magnéticas e de transporte em materiais nanoestruturais.

As pesquisas realizadas no SAMPA (http://portal.if.usp.br/sampa/pt-br/node/342) por dois desses pesquisadores, os professores Adalberto Fazzio e Carlos Mera Acosta, deram suporte a escrita do artigo científico que foi publicado na PRL e ajudaram na formulação de uma nova proposta para os isolantes topológicos duais.

Esse novo entendimento formulado pelos pesquisadores brasileiros poderá ser fundamental na construção do transistor spintrônico, uma evolução dos atuais transistores eletrônicos para um estágio mais eficiente no uso de energia, por exemplo, em equipamentos de microeletrônica e na computação em geral.

Abaixo, uma entrevista concedida pelo Professor Adalberto Fazzio:

1) Fale um pouco sobre as pesquisas que levaram a descoberta dessa nova classe de materiais.

Os Isolantes Topológicos (TI) foram propostos em 2005 pelos pesquisadores americanos C. Kane e E.J.Mele e, desde essa época, o tema me interessou. Em 2011 publiquei o primeiro artigo que era sobre a quebra de simetria e as mudanças na textura de spin provocadas por impurezas magnéticas. Desde então, eu estou sempre ligado ao problema da textura de spin.

Com meu aluno de doutoramento Leandro Seixas em 2015, nós publicamos um artigo científico na revista Nature Communications que tratava também da textura de spin, mas em interfaces. Nessa época, o Carlos Mera estava iniciando o doutoramento comigo e havíamos publicado um trabalho na revista Physical Review Letters PRL, sobre efeito Rashba em TI que apresenta uma textura de spin não convencional. Enfim esses trabalhos foram sempre pensados no desenho de um dispositivo de spintrônica.

Recentemente, nós começamos a estudar um pouco sobre outra classe de isolantes Topológicos, os chamados Topológicos Cristalinos (TCI). E pensamos em um material topológico que tinha duas proteções, uma “time-reversal” e, outra, de simetria cristalina, ambos chamados de dual (DTI). A ideia simples é que poderíamos com a quebra de simetria de um plano de espelho via campo elétrico poder contralar o spin. O Carlos trabalhou bastante em um modelo que realizamos também usando cálculos DFT. Enfim saiu uma proposta para um dispositivo!

2) Quais são os possíveis impactos dessa pesquisa para o avanço na área da spintrônica e, consequentemente, no desenvolvimento de novas tecnologias:

Para ser bem sincero não vejo um impacto em novas tecnologias. Meu olhar é para a ciência básica, pois a realização desse dispositivo exige muita “estrada” experimental para torná-lo factível. Mas, poderá dar alguma luz para outras propostas.

3) Há quanto tempo seu grupo de pesquisa desenvolve essas pesquisas? O trabalho de doutoramento de seu aluno Carlos Mera Acosta foi decisivo na descoberta dessa nova classe de materiais?

Como já falei anteriormente, eu comecei o trabalho com esses materiais no início de 2011. O Carlos Mera é um pesquisador de primeira linha, ele tem uma excelente formação e para essa pesquisa o “suor” dele é que definiu o trabalho!

4) Quais são os principais temas de pesquisas/estudos que vocês estão realizando atualmente? Onde?

Eu sou Diretor do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNANO) e o Carlos atualmente é pos-doc na UFABC sob a supervisão do professor Dalpian. A colaboração que mantenho com Carlos atualmente é em descobertas de novos materiais via Machine Learning. E também uma colaboração com o grupo da universidade do Colorado em efeito Rashba, onde o Carlos deverá ir no próximo mês.

(Com informações de José Clóvis Medeiros – IF/USP)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

“Um país em crise investe na ciência: no Brasil a pirâmide está invertida”

Vitor em seu laboratório no Canadá

Researcher senior no Lab Lee, coordenado pelo Prof. Jeffrey E. Lee, na Universidade de Toronto, Canadá, Vitor Hugo Balasco Serrão, 31 anos, ex-aluno do Instituto de Física de São Carlos, é referência para os jovens pesquisadores brasileiros que desejam construir carreira no exterior, ou, como o próprio salienta “(…) não veem no Brasil abertura e investimentos necessários para o desenvolvimento científico (…)”.

Paulistano de nascimento, Vitor sempre se interessou bastante pela área de ciências, embora tivesse igualmente uma grande tendência para a área de história. “Eu me dava muito bem em ciências e meu pai sempre gostou muito de história, de humanas. Então, fiquei balançado entre aquilo que eu realmente gostava e o desejo de meu pai. Dilema: fazer história e seguir carreira em humanas, ou fazer carreira na área de ciências? Eu nunca decidi isso até o momento em que ingressei no ensino médio”, explica Vitor. Na escola pública de Barueri, cidade da Grande São Paulo onde fez ensino médio, Vitor destacou-se em ambas as áreas de estudo, mas foi especialmente incentivado pelos professores a fazer cursos ligados às disciplinas de exatas e biológicas. “Pressionado de ambos os lados, não sabia muito bem o que queria, então resolvi prestar medicina. Obviamente… Não passei”, acrescenta, com humor, aparentemente aliviado.

No ano seguinte, o cursinho pré-vestibular onde ingressou categorizava os alunos em salas de acordo com o interesse de cada um – humanas, exatas e biológicas – e, assim, decidido em cursar história, matriculou-se em humanas. Entretanto, segundo Vitor, a decisão perdurou apenas até metade daquele ano. “Eu e alguns de meus amigos prestamos o vestibular de meio de ano na Unesp. A ideia era prestar para um curso concorrido, como forma de treinamento e assim poderíamos ver nossas capacidades. Acabei passando em biotecnologia. Foi quando meus professores questionaram: ‘se você passou por causa das disciplinas de exatas e biológicas, porque você não segue um curso nessa área?’. Nem esperei mais. Migrei imediatamente para exatas”, diz Vitor, acrescentando: “Por coincidência, foi o ano do lançamento do Curso de Ciências Físicas e Biomoleculares, na USP de São Carlos (IFSC/USP), que era exatamente a vertente que eu estava procurando”.

A mudança de São Paulo para São Carlos não foi difícil, segundo o ex-aluno. O único vestibular prestado na cidade de São Paulo foi na Unifesp, que mesmo depois da aprovação não era a primeira opção de Vitor. “Meu pai me perguntou por que eu não ficava em São Paulo, mas o que eu queria era sair de lá. Optei por São Carlos não só por ser um curso da USP, mas também pelo fato de ser um curso novo”, enfatiza.

Segundo Vitor, por ter sido a primeira turma do curso, os ingressantes de 2006 observaram várias mudanças na grade horária, que foi adaptada durante os anos. “O curso, por ser dentro do Instituto de Física, era de Física com matérias de Bioquímica e Biomolecular, então era uma grade horária muito densa para os alunos. Durante os anos, essa grade foi alterada: matérias entraram, saíram, deixaram de existir, mudaram, reduziram, transferiram de semestre, viraram requisito… Tudo para alinhar o que era necessário com o que é humanamente possível”, acrescenta, bem humorado. “Eu gosto muito da minha formação. É muito completa”.

O Curso de Ciências Físicas e Biomoleculares, embora concluído idealmente em quatro anos, tomou mais um ano de Vitor, que realizava muitas atividades no Instituto. “Eu deveria ter formado em 2009, mas formei só em 2010. Uma das causas disso foi porque eu fiz várias coisas durante a graduação e isso me atrasou um pouco: fundei a empresa-júnior (IFSCJr.), fiz estágio na OPTO com o Prof. Jarbas Caiado de Castro Neto, joguei futsal na Atlética durante quatro anos e toquei na Bateria os cinco anos que fiquei na faculdade, além de fazer Iniciação Científica com o Prof. Richard Charles Garratt e com o Prof. Otávio Henrique Thiemann em cristalografia de proteínas”, diz Vitor, que acrescenta não se arrepender. “Junto com a graduação, consegui fazer muita coisa e ainda me formar em cinco anos. Acho que isso foi muito interessante”.

A entrada de vírus envelopados, como o vírus influenza A, HIV-1, SARS-CoV e Ebola e outros, utiliza glicoproteínas virais em sua superfície para mediar a ligação celular, o tropismo e a fusão da membrana viral (Lee Lab)

Finalizada a graduação no IFSC/USP, Vitor se viu dividido entre seguir carreira na área acadêmica ou em business, dúvida que logo foi resolvida ao cursar, paralelamente ao mestrado, o curso de Engenharia de Produção. “Eu resolvi cursar Engenharia de Produção porque eu resolveria parte da graduação e faria apenas a parte administrativa. Infelizmente, por me dedicar ao mestrado naquela época, não passei no vestibular e resolvi fazer MBA”, conta Vitor. O aluno dividia-se entre o mestrado com o Prof. Otávio Thiemann (IFSC/USP), como orientador, também em cristalografia, e o MBA em Gestão Empresarial e Comunicação, na Fundação Getúlio Vargas (FGV) de Ribeirão Preto. “Ela [FGV] tem um consórcio com o Babson College, em Boston, então eu fiz parte do MBA lá, durante o mestrado. Tive que adiar a conclusão do MBA porque não estava conseguindo equilibrar com o que precisava fazer para o mestrado. Terminei o MBA em 2014, quando já estava no doutorado”.

Sobre o doutorado, Vitor tinha clara a ideia de conciliar a carreira acadêmica e a área de business. “Aqui no IFSC/USP nós temos casos de sucesso, como por exemplo, o Prof. Jarbas Caiado de Castro Neto e o Prof. Vanderlei Salvador Bagnato, que conseguem intermediar as duas áreas”, menciona Vitor. Em 2013, entretanto, devido a problemas familiares, a bolsa de doutorado não era mais suficiente para suprir as necessidades financeiras de Vitor, que decidiu prestar o concurso para uma vaga de professor substituto no departamento de Física da UFSCar. “O salário era muito bom e eu passei. Fiquei dois anos como professor substituto, até ir para o programa Ciências Sem Fronteiras, na Holanda, no começo de 2015”, conta Vitor, que passou sete meses trabalhando no mesmo laboratório que visitou durante o mestrado. “No final de 2015 voltei para concluir o doutorado, mas não fiquei muito mais tempo no Brasil”.

O sistema imunológico inato humano desenvolveu respostas complexas para impedir a disseminação de patógenos (Lee Lab)

Entre os anos de 2015 e 2016, Vitor constatou que o investimento científico no país estava decaindo e, por isso, já era hora de fazer carreira internacional: então, inscreveu-se para um pós-doutorado fora do Brasil, tendo sido aprovado no Harvard Medical School, em Boston (EUA), como pesquisador, no final de 2016. “O laboratório buscava publicações de alto impacto e isso demandava tempo. Eu era o cara que tinha acabado de chegar, no meio de pós-doutores muito mais antigos. O plano era concretizar a minha publicação durante os três anos de meu contrato e sair; mas, em um ano, percebi que o projeto não iria mais para frente e eu queria me mover rapidamente; vi que ficaria igual aos meus colegas de laboratório e eu não queria isso”, relata. “Conversei com o meu chefe e chegamos a um acordo: estava na hora de sair”.

Aplicando para outras vagas, Vitor recebeu uma oferta da Universidade de Toronto para trabalhar no laboratório do Prof. Jeffrey E. Lee, em mecanismos de fusão. “Se pararmos para pensar na evolução, existem dois tipos de organismos que conseguem entrar nas células sem destruí-las – os vírus e o esperma durante o processo de fecundação. Lee trabalha entendendo como se dão esses processos e eu entrei para coordenar a parte de fertilização”, explica Vitor, que pretende seguir na área, mesmo após a saída do laboratório. “No exterior, quando você sai de um laboratório, você leva parte dele para continuar sua carreira. Conversando com o meu chefe concordamos que eu darei continuidade à parte de fertilização”.

Quanto ao local de atuação, Vitor não tem dúvidas em continuar no exterior. “Estou moldando minha carreira para continuar fora do país, definitivamente. Fora do Brasil existe a cultura de resultados. Não importa o quanto você vai gastar para chegar a determinado resultado, pois os investidores querem que você obtenha o resultado prático dentro do prazo estabelecido. Já no Brasil, o investimento é escasso e aí você é obrigado a refletir se participar do projeto vale a pena; se o que você ganha pelo seu tempo se sobrepõe aquilo que você gasta”, menciona Vitor. “Sobre os financiamentos, hoje em dia há um retrocesso no investimento em pesquisa. Qualquer país que esteja em crise investe na ciência: No Brasil a pirâmide está invertida”.

Usando os modelos estruturais do Lee Lab como um modelo molecular, o foco é desenvolver novas estratégias terapêuticas para combater os vírus. Entender a entrada e a restrição imunológica dos patógenos virais é fundamental (Lee Lab)

Segundo nosso entrevistado, a carreira de pesquisador, embora bem consolidada para os termos brasileiros, ainda tem o que avançar muito. As diferenças de modelos de contratação entre o Brasil e o exterior são mencionadas por Vitor como fator importantíssimo para o planejamento do futuro profissional. “A forma de contratação de pesquisadores e docentes no exterior é diferente da que ocorre no Brasil. No Brasil, é formulado um concurso e cabe a você se inscrever quando é aberta a chamada, Já no Canadá, por exemplo, a contratação é feita através de indicações. Por exemplo, um departamento precisa de um novo profissional, então eles se perguntam quem poderá suprir essa necessidade. Se o seu nome surge, você é convidado a apresentar um seminário e conversar com todos os docentes: se gostarem de você e perceberem que você de fato preenche aquela lacuna, você é convidado”, aponta Vitor. “É necessário um currículo bem estruturado e é nisso que atualmente estou trabalhando. Pretendo finalizar meus projetos durante os próximos três anos, concluir os artigos que preciso para direcionar minha vida e fazer disso tudo o meu business card”, enfatiza Vitor.

Quando obtido o business card e contratado como professor, ou pesquisador, Vitor salienta que um profissional bem estabelecido atinge um salário suficiente para viver bem no hemisfério norte. “O salário inicial de um pesquisador é de, em média, 45 mil dólares canadenses por ano – que equivale a 135 mil reais – mais ou menos R$ 10 mil por mês, podendo chegar a 55 mil. Já um professor começa a ganhar cerca de 90 mil dólares canadenses por ano e, durante a carreira, consegue atingir os 150 ou 160 mil. Se comparado ao que um pós-doutor ganha hoje no Brasil, é pouco, mas vale lembrar que no Canadá a desigualdade salarial é pequena, diferentemente do que acontece no nosso país: se no primeiro existe os que ganham menos e os que ganham mais, no segundo existem os que ganham muito e os que ganham quase nada. Lá a faixa é muito próxima”.

Vitor ainda menciona a possibilidade de progredir tanto na carreira, quanto no aspecto financeiro. “No Canadá existe um schoolarship famoso – o Banting -, uma espécie de FAPESP do Canadá. Se você consegue esse financiamento, o seu salário dobra e possibilita mais oportunidades: pode dar simpósios, aulas, etc. A sua função de pesquisador não é restrita, não existe contrato de dedicação exclusiva, você pode fazer outras atividades que complementam seu trabalho”.

Estudar Ciências Físicas e Biomoleculares no IFSC/USP? Sim! Vale a pena perder o cabelo!!!

A junção do próprio mérito com a formação de qualidade obtida no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) foi o que, na opinião do ex-aluno, trouxe a conquista profissional presente. “Durante a graduação fiz muitas disciplinas que não me agradavam, para as quais não tinha aptidão – era muito amplo –, mas que você é obrigado a fazer para conseguir o diploma. Foi pesado, foi sofrido. Olhando fotos minhas antes de entrar na graduação é possível perceber a quantidade de cabelo que eu tinha e quanto eu perdi ao longo do tempo. O IFSC/USP é 90% responsável por isso”, brinca Vitor. “Só depois do mestrado e do doutorado – onde fiz disciplinas que me agradavam mais –, quando fui para o exterior, é que percebi o quanto o curso é um diferencial. Fora do Brasil é muito difícil encontrar uma formação abrangente que reúna física, química e biologia, e mais raro ainda encontrar quem saiba das três disciplinas e consiga discutir todas elas. No fim, eu preciso estudar muito pouco para o meu pós-doutorado. Eu não tenho dificuldades”.

Aos alunos de Ciências Físicas e Biomoleculares do IFSC/USP, Vitor Serrão declara: “Vale a pena perder o cabelo!”

(Fotos Lee Lab/Universidade de Toronto-Canadá / IFSC/USP)

Rui Sintra – com Carolina Falvo – estagiária em jornalismo – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

Docente do IFSC/USP opina sobre combate às doenças negligenciadas

As designadas “doenças negligenciadas” são doenças que majoritariamente acometem as populações mais pobres no mundo, não sendo, por isso, “interessantes” para as grandes empresas farmacêuticas mundiais, isso porque não geram os lucros esperados. Dentre essas doenças contam-se a dengue, malária, esquistossomose, tuberculose, chikungunya, doença de Chagas e outras consideradas tropicais, bem como outras que atingem e comprometem o sistema intestinal.

Contribuindo apenas com 11% do total de enfermidades existentes no mundo, as doenças negligenciadas foram “brindadas” entre os anos de 2012 e 2018 com apenas oito novos fármacos inseridos em um total de duzentos e cinquenta e oito, mantendo praticamente a média verificada entre os períodos de 1975-1999 e 2000-2011: a diferença é que todos esses oito novos medicamentos foram desenvolvidos apenas para duas doenças – malária e tuberculose, sendo que as novas terapias para a tuberculose (bedaquilina), com um novo mecanismo de ação, e para a malária por Plasmodium vivax (tafenoquina) – são novidades marcantes nos últimos 40 e 60 anos, respectivamente.

Prof. Adriano Andricopulo

O levantamento mais recente sobre essas mazelas foi publicado na revista científica The Lancet Infectious Diseases por dois pesquisadores da Universidade de São Paulo, que mostram que ainda há muito a se fazer, principalmente no que se refere às doenças tropicais negligenciadas. Em uma nota inserida nessa publicação os autores do artigo – Adriano Andricopulo e Leonardo Ferreira – salientam que “Ao incorporar ciência e tecnologia na fronteira do conhecimento, a pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para doenças negligenciadas progrediu consideravelmente. No entanto, o estudo revela uma grande distância entre o impacto dessas doenças e o desenvolvimento de novas terapias para elas”.

Para o Prof. Adriano Andricopulo – docente e pesquisador do IFSC/USP – “os restantes seis fármacos aprovados de 2012 para cá para esse grupo de doenças foram reposicionados, biológicos ou novas formulações. Os reposicionados, por exemplo, eram aplicados no tratamento de outras enfermidades e acabaram sendo aprovados para novos usos clínicos. Em todos os casos não se trata do que chamamos de novas entidades químicas, que são fruto de inovação em relação à diversidade química e aplicação terapêutica”.

A OMS estabeleceu como meta para 2030 acabar com as epidemias de doenças negligenciadas. Além disso, a Declaração de Londres sobre Doenças Tropicais Negligenciadas, de 2012, estabeleceu planos de ação para controlar, eliminar ou erradicar dez dessas doenças até 2020.

“Ao incorporar ciência e tecnologia na fronteira do conhecimento, a pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para doenças negligenciadas progrediu consideravelmente. No entanto, o estudo revela uma grande distância entre o impacto dessas doenças e o desenvolvimento de novas terapias para elas,” escreveram os autores, em notícia publicada pela Agência FAPESP.

Os pesquisadores destacam, no entanto, o grande avanço que será a liberação do fexinidazol para tratar a tripanossomíase africana humana, em 2019. “Agora está sendo testado para doença de Chagas”, disse Andricopulo.

(Com informações da Agência FAPESP)

Assessoria de Comunicação –IFSC/USP

Pesquisa no IFSC/USP – nanogel bactericida ativado por luz

Neste trabalho, foram desenvolvidos nanogéis na forma de nanocápsulas a base de quitosana e anilina contendo nanopartículas de prata.

O material tem propriedades sanitizantes e bactericidas, e é ativado pele incidência de luz.

O trabalho é parte da tese de doutoramento de Camilo Ballesteros, orientado pelo Prof. Valtencir Zucolotto, coordenador do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do IFSC/USP, e conta com a participação da Dra Juliana Cancino (GNano) e do Dr. Daniel Correa, da Embrapa Instrumentação.

Para conferir o trabalho, publicado na ACS Applied Bio Materials, clique AQUI.

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

CIBFar-IFSC/USP participa da Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade

Setenta e um laboratórios pertencentes a dezoito estados brasileiros inscreveram-se em 2018 em um projeto ousado, financiado com R$ 1 milhão pelo Instituto Serrapilheira, denominado Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade – lançado no corrente ano sob a coordenação do médico e neurocientista da UFRJ, Olavo Amaral.

O citado projeto visa medir quão reprodutível é a pesquisa biomédica no Brasil, sendo que um dos laboratórios selecionados está alocado no IFSC/USP, sob a coordenação do docente e pesquisador  Prof. Adriano Andricopulo, inserido no CIBFar – Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão – CEPID/FAPESP). Refira-se que esse Centro tem como foco principal realizar ciência básica e aplicada, bem como o desenvolvimento tecnológico em todas as áreas de biodiversidade e de descoberta de fármacos com base em pesquisas que utilizam o estado da arte da química de produtos naturais, química orgânica sintética, biologia molecular e estrutural, bioquímica, química medicinal, planejamento de fármacos e ensaios farmacológicos.

O objetivo da Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade é testar se um experimento utilizado em um estudo pode ser replicado por outros laboratórios, sendo que essa condição se torna essencial para garantir a qualidade e confiabilidade da pesquisa científica, algo que ainda apresenta uma lacuna no mundo todo. Formando uma rede nacional que vai replicar experimentos publicados em artigos na área biomédica, a Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade tenta, assim, suprir essa demanda no país.

Com o financiamento do Instituto Serrapilheira, vai ser possível replicar de 50 a 100 experimentos, de modo que cada um deles seja reproduzido por pelo menos três laboratórios distintos e, se o resultado original for verificado nas replicações, considera-se que ele é reprodutível.

Para saber mais sobre o projeto, clique na imagem ao lado.

Para o Instituto Serrapilheira, trata-se de um investimento estratégico que não se limitará a gerar apenas o primeiro índice nacional de reprodutibilidade, mas, também, mobilizar um grupo de pessoas interessadas em um tema importante para tornar a ciência mais confiável e com mais impacto, permitindo conexões entre elas.

Para replicar os experimentos, os laboratórios selecionados utilizarão quatro técnicas comuns na pesquisa biomédica, como a Western blot, que detecta e mede a quantidade de determinada proteína em uma amostra com o auxílio de anticorpos, e o labirinto em cruz elevado, teste comportamental em roedores. A ideia é aproveitar a estrutura dos laboratórios sem atrapalhar sua rotina de pesquisas, sendo que a expectativa é que o projeto chegue aos primeiros resultados no segundo semestre do corrente ano.

Para o IFSC/USP – e particularmente para o CIBFar e para o Prof. Adriano Andricopulo, que no Centro ocupa o cargo de Coordenador de Inovação – é certamente um prazer e um orgulho, mas também uma grande responsabilidade, fazer parte da Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade.

Saiba mais sobre o CIBFar, clicando na imagem abaixo.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

 

Dia 21 de fevereiro – Instituto de Física da USP recebe “WorkNano 2019”

Organizado pelo Prof. Dr. Cristiano Luis Pinto de Oliveira, da Universidade de São Paulo (USP), e pelo Dr. Lionel Gamarra, do Hospital Albert Einstein, o workshop WorkNano 2019, com enfoque em ciência dos materiais, ocorrerá nos dias 21 e 22 de fevereiro de 2019, no Auditório Adma Jafet, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF/USP), em São Paulo (Capital).

O workshop contará com a participação de pesquisadores do Brasil, Alemanha, Argentina e Uruguai na discussão de avanços de aplicação em relação às ciências nanomateriais, tanto do ponto de vista prático, quanto teórico. Além de possibilitar um ambiente científico frutífero e abrangente, o workshop favorecerá o desenvolvimento de parcerias para futuros projetos inter-instituições.

Quanto à programação, o início do evento se dará às 8h30 da quinta-feira, dia 21 de fevereiro, com as inscrições, seguido pela abertura oficial do workshop às 8h50. Após a abertura, os inscritos assistirão a palestras de vinte minutos, cada, ministradas pelos Prof. Danilo Mustafá (IF/USP), Prof. Wendel Andrade Alves (UFABC), Dr. Tulio Rocha (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron – LNSL), e Dr. Cristiane Barbieri Rodella (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron – LNLS).

Às 10h20 ocorrerá uma pausa de 20 minutos, seguida de três breves palestras ministradas pelos Prof. Luiz Tadeu Fernandes Eleno (EEL/USP), Prof. Valmor Roberto Mastelaro (IFSC/USP) e Prof. Reinhard B. Neder (University of Erlangen-Nuremberg – UEN). Seguidamente, ocorrerá um momento com dois patrocinadores do evento, na circunstância, a Quantum Design e a Bruker, que terminará às 12h20.

O reinicio dos trabalhos ocorrerão após almoço, às 14h00, com a palestra “Synthesis of metallic nanoparticles”, apresentada pelo Prof. Matthias Epple (University of Duisburg Essen – UDE). Em seguida, às 15h00, serão realizadas curtas palestras com os Prof. Italo Odone Mazali (UNICAMP), Profª. Helena Maria Petrilli (IF/USP), Prof. Emerson R. Silva (UNIFESP), Prof. Alioscka Augusto C. A. Sousa (UNIFESP) e Prof. Valmir A. Chitta (IF/USP).

No segundo dia de evento, na sexta-feira, dia 22 de fevereiro, o workshop será reiniciado às 9h00, com curtas palestras ministradas por Prof. Martha Simões Ribeiro (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – IPEN), Prof. Leandro Martín Socolovsky (Universidad Tecnologia Nacional Faculdad Regional Santa Cruz – UTN FRSC, Argentina), Prof. Cristiano Luis Pinto de Oliveira (IF/USP), Dr. Oleg Prymak (University of Duisburg Essen – UDE), Prof. Márcia C. A. Fantini (IF/USP), Dr. Lionel Gamarra (Hospital Albert Einstein) e Prof. Eduardo Méndez (Universidad de la República – UdelaR, Uruguai), com pausa para Coffee-Break, novamente, às 10h20. Finalizando o período da manhã, ocorrerá a participação de dois outros patrocinadores do evento, Xenocs e Associação Brasileira de Cristalografia (ABCr).

O período da tarde será preenchido com a palestra “Thermophoresis of biological and biocompatible systems”, a cargo da Profª. Simone Wiegand (University of Cologne). Logo após, às 15h00, retornarão as palestras de 20 minutos com o Prof. Antônio M. F. Neto (IF/USP) e o Dr. Ulf Wiedwald (UDE).

Para mais informações sobre o evento, clique AQUI.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

IFSC EM PROL DA SOCIEDADE

NOTÍCIAS

IFUSP – Proposta de um dispositivo baseado no SPIN

No último dia 25 de janeiro, em pleno feriado em homenagem à fundação da cidade de São Paulo, foi publicado na revista Physical Review Letters (PRL) (clique AQUI para acessar o artigo) um dos artigos científicos mais importantes da área de física dos materiais dos últimos tempos. O mesmo acrônimo que usamos quando queremos dizer […]

“Um país em crise investe na ciência: no Brasil a pirâmide está invertida”

Researcher senior no Lab Lee, coordenado pelo Prof. Jeffrey E. Lee, na Universidade de Toronto, Canadá, Vitor Hugo Balasco Serrão, 31 anos, ex-aluno do Instituto de Física de São Carlos, é referência para os jovens pesquisadores brasileiros que desejam construir carreira no exterior, ou, como o próprio salienta “(…) não veem no Brasil abertura e […]

Docente do IFSC/USP opina sobre combate às doenças negligenciadas

As designadas “doenças negligenciadas” são doenças que majoritariamente acometem as populações mais pobres no mundo, não sendo, por isso, “interessantes” para as grandes empresas farmacêuticas mundiais, isso porque não geram os lucros esperados. Dentre essas doenças contam-se a dengue, malária, esquistossomose, tuberculose, chikungunya, doença de Chagas e outras consideradas tropicais, bem como outras que atingem […]

IFSC EM PROL DA SOCIEDADE

Fale conosco
Instituto de Física de São Carlos - IFSC Universidade de São Paulo - USP
Obrigado pela mensagem! Assim que possível entraremos em contato..