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11 de julho de 2018

No IFSC/USP: Tecnologias ópticas tratam câncer de pele e úlceras

Úlcera de pé de diabetes

Fazer ciência para que os resultados revertam integralmente para a sociedade é algo que está na gênese e no espírito do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), que partilha integralmente dos objetivos da própria Universidade de São Paulo, que é a primeira a incentivar que se percorra esse caminho. Tudo o que se faz nos laboratórios do IFSC/USP transpira ao desejo que a população seja beneficiada: dos sensores que anteveem ou detectam as mais variadas doenças, aos novos materiais que podem, inclusive, ser uma resposta para a criação de novas e inovadoras próteses e ortóteses, a descoberta de novos e mais eficazes fármacos, até à descoberta de novos protocolos que permitem inovadores tratamentos para as mais variadas doenças – HIV, inúmeros tipos de câncer, HPV, onicomicose, fibromialgia, artrites e artroses, úlceras varicosas e de pé de diabetes, psoríase, etc. -, já para não falar em novas e promissoras pesquisas relativas a diversas áreas de computação física, inclusive o Big Data, tudo é feito pensando na população e no seu bem estar.

E, se o IFSC/USP faz o que faz tendo em vista o bem estar da população, baseado na gratuidade de prover à sociedade novos protocolos e equipamentos, o certo é que, para isso, esta Unidade da USP congrega em seu redor um grande conjunto de colaboradores e parceiros, quer nas áreas médica e técnica, quer naquelas que se encontram

Úlcera varicosa

inseridas no mundo produtivo nacional e que subscrevem plenamente todo este esforço.

A Unidade de Terapia Fotodinâmica (UTF) instalada na Santa Casa da Misericórdia de São Carlos é talvez o exemplo maior de toda essa “sede” que o IFSC/USP tem em querer estar ao serviço da sociedade, em ajudar as pessoas, principalmente as que estão inseridas em grupos mais vulneráveis, mais carentes, num país que ainda não enxergou que o caminho da ciência é aquele que definitivamente garante a riqueza, o desenvolvimento e o bem-estar de sua sociedade.

Inaugurada em 2015, a Unidade de Terapia Fotodinâmica, criada a partir de um trabalho intenso de pesquisadores do Grupo de Óptica do IFSC/USP, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de São Carlos, tem desempenhado um papel social importantíssimo na área de saúde pública, facultando tratamentos gratuitos para muitas doenças que, até há pouco tempo, eram consideradas problemáticas e de difícil acesso da população aos tratamentos disponíveis.

Úlceras varicosas e câncer de pele

Nesta pequena matéria, inteiramente dedicada ao câncer de pele e às úlceras varicosas e de pé de diabetes, vamos tentar mostrar o quanto o pessoal técnico ao serviço da UTF está empenhado não só no sucesso dos tratamentos que são ministrados

Câncer de pele

aos pacientes, como também na relação humanizada com as pessoas, na sua maioria com baixos recursos econômicos. Fabiana Ferreira – podóloga e enfermeira – é especialista no projeto de tratamento de úlceras em pés de diabetes tipos I e II e mostra-se extremamente solidária com os pacientes.

O tratamento da úlcera do pé de diabetes tipo II é, segundo a especialista, um processo mais complicado que as do tipo I, atendendo a que os pacientes que apresentam esse tipo de ferida adquiriram a diabetes ao longo do tempo, ao contrário dos que apresentam o tipo I, que já nasceram com o problema: “O paciente com diabetes tipo I já se habituou a conviver com a doença, já sabe se prevenir e atuar, ao contrário do paciente com diabetes tipo II, que se vê “perdido” em face ao aparecimento de feridas nos pés e que estão relacionadas com hábitos de vida inadequados praticados ao longo de sua vida, hipertensão e obesidade, entre outros fatores. Aliado ao tratamento fotodinâmico, desenvolvido no IFSC/USP e que realizamos na UTF, incentivamos e tentamos ajudar os doentes a adquirirem hábitos de vida saudáveis, como, por exemplo, períodos de repouso, alimentação adequada, marcha correta e cuidados pessoais” relata Fabiana, alertando que as feridas nos pés de diabetes aparecem derivadas de problemas venosos e que, embora sejam doloridas, o diabético não sente, exatamente por ter menos sensibilidade que as outras pessoas, o que provoca complicações infecciosas. “O tratamento fotodinâmico, realizado duas vezes por semana na

Lara Ferreira

UTF, pode obter até 80% de eficácia, só que os restantes 20% de sucesso só se atingem se o paciente cuidar de si mesmo em casa, no trabalho e na sua vida cotidiana, seguindo as orientações que são dadas por nós e pelos médicos”, enfatiza Lara Ferreira.

Contudo, é no relacionamento com o paciente que se atinge o primeiro sucesso. Os doentes acorrem à UTF com um estado emocional muito debilitado, com a autoestima muito baixa, tímidos, envergonhados e receosos em face daquilo que pensam ser uma derradeira esperança para sua cura, já que anteriormente tentaram tudo o que estava ao seu alcance. E é aqui que entra o parâmetro social, aliado às técnicas, protocolos e equipamentos desenvolvidos pelo IFSC/USP junto de todo o pessoal técnico e auxiliar que desenvolve seu trabalho na UTF. O acolhimento dos pacientes e todo o processo de tratamento são feitos de forma extraordinária: todo o paciente é tratado pelo seu nome, como se pertencesse a uma mesma família, enquanto que os contatos periódicos com os médicos é sempre feito com boa disposição e objetividade, fatores que transmitem enorme esperança e confiança e auxiliam enormemente na recuperação plena.

O mesmo acontece relativamente aos tratamentos de úlceras varicosas e câncer de pele. Elissandra Zanchin é enfermeira e especialista em laserterapia na UTF, confirmando que a maioria das pessoas que procuram a Unidade é muito carente, com baixa renda. “As pessoas que nos procuram vêm através de encaminhamento médico dos postos de saúde e o primeiro estágio é a avaliação que é feita pelos médicos que aqui prestam serviço e que estão plenamente integrados nas pesquisas que são feitas

Elissandra Zanchin

no IFSC/USP. Dependendo dessas avaliações, os tratamentos iniciam-se de imediato. A expectativa dos pacientes é alcançarem a cura de forma rápida, embora desconheçam por completo que tipo de tratamento é: só sabem que é um câncer de pele provocado por largos anos de exposição ao sol, ou uma úlcera varicosa causada por má circulação sanguínea, entre outras causas, e não querem perder tempo. Tudo isso é típico de quem está sob forte estresse emocional, estado de ansiedade, baixa estima e mesmo angústia, o que nos leva a ter muita calma, solidariedade e proximidade no relacionamento, até porque a maioria das pessoas tem idade acima dos sessenta anos. São pessoas humildes, que chegam a caminhar dezenas de quilômetros para chegar até aqui e que começam a depositar em nós uma confiança extrema porque interagimos com elas de forma amistosa, solidária, profissional e transparente, caminhando com elas ao seu lado até atingirmos a cura”, sublinha Elissandra Zanchin, que reflete no seu olhar o sentimento manifestado por todos os profissionais de enfermagem que estão ao serviço da UTF da Santa Casa da Misericórdia de São Carlos.

A conjugação dos fatores acima descritos, aliada ao fato dos tratamentos serem complemente gratuitos, vão ao encontro da filosofia do Instituto de Física de São Carlos e da própria Universidade de São Paulo, que se traduz em devolver à sociedade – através do trabalho que é feito nos laboratórios do IFSC/USP e a sua interação com diversas empresas parceiras de alta tecnologia – o incansável apoio que a mesma tem dado ao contribuir com parte de seus impostos para o desenvolvimento da ciência e tecnologia.

A próxima matéria, que será publicada em breve, abordará o trabalho que é feito na área de fisioterapia, onde as ações sociais são igualmente uma referência junto dos pacientes.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação IFSC/USP

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Instituto de Física de São Carlos - IFSC Universidade de São Paulo - USP
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