IFSC e Sociedade

9 de junho de 2026

Nova frente na luta contra o câncer de ovário – A utilização de compostos à base de cobre

(Créditos – “MedlinePlus”)

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Universidade Federal de São Carlos, Embrapa Instrumentação e Universidade Federal de Ouro Preto apontam resultados promissores obtidos em laboratório para o combate ao câncer de ovário, em um estudo publicado na revista internacional ACS Omega. A pesquisa investigou compostos metálicos à base de cobre coordenados a ligantes nitrogenados e identificou substâncias com elevada atividade antitumoral, indicando um possível caminho para o desenvolvimento de terapias mais eficazes no futuro.

Os pesquisadores desenvolveram cinco variações desses compostos e avaliaram seus efeitos em diferentes tipos de câncer, incluindo ovário, pulmão e mama. Entre os resultados, um dos compostos se destacou ao apresentar desempenho significativamente superior ao da cisplatina — um dos principais medicamentos utilizados atualmente na quimioterapia — especialmente no combate ao câncer de ovário.

De acordo com o estudo, a substância atua diretamente em processos fundamentais das células cancerígenas. O composto reduz a capacidade de proliferação tumoral, interfere na formação de novas colônias celulares e provoca alterações internas capazes de induzir a destruição dessas células. Os resultados também sugerem mecanismos múltiplos de ação, incluindo interação com o DNA e comprometimento de processos celulares essenciais para a sobrevivência tumoral.

Outro aspecto considerado relevante pelos pesquisadores foi a forte atividade observada mesmo em baixas concentrações. Nessa condição, o composto já foi capaz de reduzir significativamente a formação de colônias de células cancerígenas, característica considerada importante para limitar a progressão do tumor.

Prof. Dr. Javier Ellena e o pesquisador Alexandre B. de Carvalho

Além da atividade citotóxica, os pesquisadores investigaram parâmetros biológicos relacionados à proliferação celular e interação com biomoléculas, permitindo uma compreensão mais ampla do potencial terapêutico desses compostos.

A pesquisa reuniu especialistas de diferentes áreas, incluindo química inorgânica, cristalografia, biofísica e biologia celular. Segundo os autores, os resultados representam um avanço relevante, embora ainda preliminar, já que os testes foram realizados exclusivamente em ambiente laboratorial.

Os próximos passos envolvem estudos mais complexos para avaliar o comportamento dessas substâncias em organismos vivos. Somente após essas etapas será possível determinar se os compostos poderão futuramente ser transformados em medicamentos seguros e eficazes para uso clínico.

Assinam esta pesquisa os cientistas Alexandre B. de Carvalho (primeiro autor e pesquisador correspondente); Marcos V. Palmeira-Mello; Paulo N. de Souza; Saulo H. Mendes Abe; José Balena G. Filho; Marcelo B. Andrade; Rodrigo S. Corrêa; Alzir A. Batista e Javier Ellena (pesquisador correspondente).

Esta pesquisa contou com os apoios da FAPESP, FAPEMIG, CNPq e CAPES.

Confira no link o original desta pesquisa – https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsomega.5c11889

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

9 de junho de 2026

Planta tropical é aliada contra poluição e doenças – Uma revolução no tratamento da água

Pé de urucum (Bixa orellana) (Créditos – “Portal Embrapa”)

Um grupo de pesquisadores brasileiros e internacionais apresentou uma solução inovadora e sustentável que pode ajudar a enfrentar um dos maiores desafios atuais: o acesso à água limpa. O estudo mostra que é possível produzir um material eficiente para purificar a água utilizando pequenas partículas de óxido de zinco a partir de extratos de folhas de urucum, uma planta comum em regiões tropicais.

A técnica se destaca por ser mais simples e menos poluente do que os métodos atualmente utilizados. Em vez de recorrer a processos industriais complexos e com alto impacto ambiental, os cientistas utilizaram componentes naturais da planta para criar pequenas partículas capazes de agir diretamente na limpeza da água. Isso significa menor geração de resíduos e redução de custos, fatores importantes para ampliar o acesso à tecnologia.

Os testes realizados em laboratório mostraram resultados expressivos. O material foi capaz de remover praticamente toda a contaminação de um corante químico que é usado como modelo de poluente, alcançando níveis superiores a 95% de eliminação em pouco tempo. Esse desempenho indica que a tecnologia pode ser aplicada no tratamento de águas residuais industriais, contribuindo para reduzir a poluição de rios e mananciais.

Outro benefício relevante está no combate a microrganismos perigosos. As partículas desenvolvidas demonstraram capacidade de eliminar bactérias comuns em água contaminada, como aquelas que causam infecções intestinais. Na prática, isso pode representar uma ferramenta importante para melhorar a qualidade da água potável e prevenir doenças, especialmente em regiões com saneamento básico precário.

A tecnologia também traz uma vantagem estratégica na área da saúde pública, que é a forma como ela combate as bactérias, reduzindo as chances de surgirem microrganismos resistentes. Diferentemente de métodos convencionais, que atuam de maneira mais específica, esse material age de forma ampla, dificultando a adaptação das bactérias ao tratamento.

Do ponto de vista social, os impactos potenciais são significativos. A possibilidade de produzir esse material com recursos naturais e de baixo custo abre caminho para soluções acessíveis em comunidades carentes e regiões afastadas dos grandes centros. Além disso, o uso de uma planta amplamente disponível no Brasil pode estimular cadeias produtivas locais e incentivar práticas mais sustentáveis.

Os resultados do estudo indicam que a combinação entre ciência e recursos naturais pode oferecer alternativas eficazes para problemas globais. Ao unir eficiência, baixo custo e menor impacto ambiental, a tecnologia tem potencial para contribuir tanto para a preservação do meio ambiente quanto para a melhoria da qualidade de vida da população.

Assinam este trabalho os pesquisadores: Aparecido de J. Bernardo (IFSC/USP); Andrei N. G. Dabul (UNESP); Moudo Thiam (IFSC/USP); Vanessa O. A. Pellegrini (IFSC/USP); Mariana A. Silva (UNESP); Sreedevi Vallabhapurapu (Universidade da África do Sul); Sachin Desarada (Universidade da África do Sul); Vijaya Srinivasu Vallabhapurapu (Universidade da África do Sul); Carla R. Fontana (UNESP) e Prof. Igor Polikarpov – Pesquisador Correspondente – (IFSC/USP).

Esta pesquisa teve o apoio da FAPESP e do CNPq.

Confira AQUI o original deste estudo publicado na revista científica internacional “Processes”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

29 de maio de 2026

Nova tecnologia revoluciona rejuvenescimento facial sem agulhas e sem dor

(Créditos – “Vanguard Medical Clinic”)

Um estudo conduzido no interior de São Paulo aponta um novo caminho para os tratamentos estéticos de rejuvenescimento facial: uma metodologia não invasiva que combina ácido hialurônico tópico com ondas de choque de alta intensidade e alta frequência.

A pesquisa, desenvolvida por cientistas ligados à Universidade de São Paulo (USP), avaliou os efeitos da técnica em mulheres entre 35 e 82 anos e demonstrou melhora significativa na hidratação da pele, redução de rugas e aumento da firmeza facial, sem dor ou complicações clínicas que podem advir dos tradicionais métodos de injeção direta. A grande inovação é que aqui as ondas de choque são produzidas por feixes de luz e não por transdutores mecânicos.

O trabalho, intitulado “New Non-Invasive Method with Hyaluronic Acid for Skin Rejuvenation – A Pilot Study” e liderado pelo docente e pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, foi realizado na Unidade de Terapia Fotodinâmica da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos (UTF-SCMSC) e acompanhou 55 mulheres que foram submetidas a três sessões de tratamento, com intervalos de sete dias entre elas.

O ácido hialurônico já é amplamente utilizado em procedimentos estéticos, sobretudo em aplicações injetáveis destinadas à suavização de rugas e preenchimento facial. Contudo, apesar da popularidade, especialistas alertam que as aplicações invasivas podem provocar efeitos adversos como hematomas, infecções, edema, necrose tecidual e até cegueira em casos mais graves.

Diante desse cenário, os pesquisadores buscaram desenvolver uma alternativa mais segura e confortável para os pacientes. A proposta foi associar a aplicação tópica do ácido hialurônico a um equipamento capaz de gerar ondas ultrassônicas por meio de pulsos de laser. Segundo os autores, a tecnologia favorece a permeação do ativo em camadas mais profundas da pele sem necessidade de agulhas.

Prof. Vanderlei Salvador Bagnato (IFSC/USP)

Durante a pesquisa, as participantes foram divididas em seis grupos distintos, combinando diferentes protocolos: uso apenas do equipamento, apenas do ácido hialurônico ou associação entre ambos. As análises incluíram fotografias clínicas, medição da umidade da pele, contagem de rugas e questionários de satisfação.

Os resultados indicaram que os melhores efeitos ocorreram justamente nos grupos que utilizaram a combinação do ácido hialurônico com o equipamento ultrassônico. As pacientes apresentaram melhora na textura, luminosidade, firmeza e uniformidade da pele, além da redução de linhas de expressão e rugas estáticas. Os benefícios permaneceram perceptíveis mesmo após 60 dias de acompanhamento.

Já os grupos tratados apenas com o ácido hialurônico tópico tiveram resultados temporários, limitados principalmente ao brilho e à suavidade da pele logo após as sessões. Nos grupos que utilizaram somente o equipamento, houve melhora inicial, mas os efeitos não se mantiveram com a mesma intensidade ao longo do acompanhamento.

Outro dado destacado pelos pesquisadores foi o conforto do procedimento. Todas as participantes classificaram o tratamento como indolor e relataram satisfação com os resultados obtidos. Segundo o estudo, entre 90% e 100% das pacientes responderam positivamente aos questionários sobre eficácia, intenção de repetir o procedimento e recomendação da técnica.

Os autores afirmam que o método representa uma alternativa promissora para pessoas sensíveis a procedimentos invasivos ou que desejam evitar riscos associados às aplicações injetáveis. O estudo também ressalta o potencial da tecnologia brasileira no desenvolvimento de soluções estéticas menos agressivas e mais acessíveis.

Embora os resultados sejam considerados animadores, os pesquisadores destacam que novos estudos, com grupos maiores e acompanhamento prolongado, ainda são necessários para consolidar a eficácia clínica da técnica e ampliar sua utilização na medicina estética.

Recordamos que o (IFSC/USP) alcançou destaque nacional ao receber, com esta pesquisa, o prêmio de primeiro lugar na categoria de projetos desenvolvidos com microempresas na parceria Embrapii/Sebrae.

A premiação foi anunciada durante o Encontro Anual de Unidades Embrapii, realizado nos dias 9 e 10 de dezembro de 2025 em Brasília, evento que reuniu mais de 250 representantes de centros de inovação de todo o país.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

22 de maio de 2026

Terapia a laser alivia dores da amamentação e a evitar desmame precoce – Estudo foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros e norte-americanos

(Créditos – “Breastfeeding Sucess”)

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Texas A&M University (EUA) revelou resultados promissores no tratamento de dores e lesões mamilares em mulheres que amamentam. A pesquisa, publicada no periódico científico ”American Journal of Medical and Clinical Sciences”, demonstrou que a aplicação de laser de baixa intensidade associada à orientação profissional sobre técnicas de amamentação acelera a cicatrização dos mamilos e reduz significativamente a dor durante o aleitamento.

O estudo foi realizado entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024 na maternidade Dona Francisca Cintra Silva, da Santa Casa de São Carlos. Participaram 16 mulheres em período pós-parto, todas com lesões mamilares e dores associadas à amamentação. As voluntárias foram divididas em dois grupos: um recebeu apenas orientações sobre cuidados e técnicas corretas de amamentação; o outro recebeu o mesmo acompanhamento aliado à terapia com laser de baixa intensidade.

De acordo com os pesquisadores, as lesões nos mamilos são um dos principais fatores que levam ao desmame precoce. Entre as causas mais comuns estão a pega incorreta do bebê, posicionamento inadequado durante a amamentação e ausência de orientação preventiva. A dor e o desconforto provocados pelas fissuras podem comprometer a continuidade do aleitamento materno, considerado pela Organização Mundial da Saúde essencial para a saúde do bebê e da mãe.

Os resultados apontaram melhora em ambos os grupos, mas as mulheres submetidas ao laser apresentaram recuperação mais rápida e maior redução da dor. Segundo os dados da pesquisa, a área das lesões diminuiu cerca de 45,6% no grupo tratado com laser, contra 25,8% no grupo que recebeu apenas orientações tradicionais. A intensidade da dor também caiu de forma mais expressiva entre as participantes submetidas à terapia luminosa.

Entre as principais vantagens observadas para as pacientes está o alívio quase imediato da dor após as aplicações do laser, permitindo que muitas mulheres retomassem a amamentação com mais segurança e confiança. As participantes também relataram menor desconforto durante as mamadas, redução do medo de amamentar e maior tranquilidade emocional no período pós-parto.

Drª Fernanda Mansano Carbinatto (IFSC/USP)

Outro benefício identificado foi a aceleração da cicatrização das fissuras mamilares, diminuindo o risco de agravamento das lesões e possíveis infecções. O tratamento ainda se mostrou não invasivo, indolor e sem efeitos colaterais importantes, o que favorece sua utilização em maternidades e serviços de apoio à amamentação.

Segundo a pesquisadora do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF), Drª Fernanda Mansano Carbinatto, uma das autoras principais do estudo “O equipamento utilizado pelos pesquisadores possui um adaptador desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos, capaz de ampliar a área de irradiação da luz e distribuir o feixe de forma uniforme sobre o mamilo e a aréola. A tecnologia evita o contato direto com a pele lesionada e reduz o risco de efeitos adversos, como aquecimento excessivo e desconforto”, sublinha.

Os autores explicam que a chamada fotobiomodulação atua estimulando processos celulares relacionados à cicatrização, redução da inflamação e alívio da dor. A luz do laser interage com componentes celulares, favorecendo a produção de energia nas células e acelerando a regeneração dos tecidos lesionados.

Além dos benefícios físicos, os pesquisadores destacam impactos positivos emocionais e sociais para as mães. A redução da dor e a melhora das lesões contribuem para a continuidade do aleitamento materno exclusivo, fortalecendo o vínculo entre mãe e bebê e reduzindo a frustração frequentemente associada às dificuldades da amamentação.

A pesquisa conclui que o uso do laser de baixa intensidade pode se tornar um importante aliado dos profissionais de saúde no cuidado às lactantes, contribuindo para a permanência da amamentação e para a melhora da qualidade de vida das mães no período pós-parto.

(Créditos das imagens utilizadas nesta notícia – “Breastfeeding Sucess” / “Cara Dolan-Stocksy United”)

Confira, clicando AQUI, o original deste estudo.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

18 de maio de 2026

Produção de alimentos funcionais – Resíduos agrícolas podem ganhar nova utilidade

(Créditos – “Mitushi Biopharma”)

Um estudo recente desenvolvido por pesquisadores da Argentina e do Reino Unido, em parceria com os cientistas do IFSC/USP – Caio Cesar de Mello Capetti e Prof. Dr. Igor Polikarpov -, aponta que restos da agroindústria, muitas vezes descartados, podem ser transformados em ingredientes com potencial benefício à saúde.

A pesquisa investiga como certas enzimas produzidas por bactérias são capazes de converter materiais vegetais em compostos que favorecem o crescimento de bactérias benéficas ao intestino.

Os cientistas analisaram enzimas produzidas pela bactéria Cellulomonas, que se alimenta de fibras presentes em plantas. Essas enzimas atuam quebrando estruturas complexas encontradas em resíduos como farelo de trigo e bagaço de agave, que são subprodutos comuns da produção agrícola e industrial.

Ao degradar essas fibras, o processo gera açúcares menores, alguns dos quais podem funcionar como prebióticos, ou seja, substâncias que estimulam o crescimento de microrganismos considerados benéficos à saúde intestinal.

Os resultados mostram que nem todas as enzimas atuam da mesma forma. Algumas foram mais eficientes na produção desses compostos desejáveis, enquanto outras geraram produtos diferentes. Em certos casos, utilizar apenas uma enzima, em vez de combinações, apresentou melhores resultados.

Outro ponto importante observado foi a diferença entre os materiais utilizados. Os derivados do farelo de trigo apresentaram resultados promissores, estimulando o crescimento de bactérias probióticas em laboratório. Já os compostos obtidos a partir do bagaço de agave não demonstraram o mesmo efeito, possivelmente devido à presença de substâncias que dificultam o aproveitamento pelos microrganismos.

Prof. Dr. Igor Polikarpov (IFSC/USP) (Créditos da imagem – “IEA/USP”)

Além disso, o estudo indica que o tipo de processo utilizado para transformar os resíduos é tão importante quanto a própria matéria-prima. Dependendo da enzima escolhida, os produtos finais podem ter características distintas e, consequentemente, diferentes aplicações na indústria de alimentos ou na área de saúde.

Quais os benefícios para a sociedade

Para a sociedade, os possíveis impactos são amplos. Do ponto de vista ambiental, a reutilização de resíduos agrícolas pode reduzir o volume de descarte e minimizar a poluição associada à agroindústria. Em termos econômicos, abre-se a possibilidade de geração de novos produtos de maior valor agregado, criando oportunidades para empresas e produtores rurais diversificarem suas fontes de renda.

Na área da saúde, o desenvolvimento de ingredientes que favoreçam o equilíbrio da microbiota intestinal pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população e para a prevenção de doenças – úlceras e câncer colorretal; diabetes tipo-2; alergias, asma e doenças autoimunes; e depressão, ansiedade e potencialmente doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer.

Alimentos enriquecidos com esses compostos tendem a ganhar espaço no mercado, acompanhando a crescente demanda por opções mais saudáveis.

Por fim, a pesquisa, publicada no “Journal of Agricultural and Food Chemistry”, também aponta para um avanço na chamada economia circular, em que resíduos deixam de ser vistos como desperdício e passam a integrar novos ciclos produtivos.

Esse modelo pode tornar os sistemas alimentares mais sustentáveis e resilientes, beneficiando tanto o meio ambiente quanto a sociedade como um todo.

Confira AQUI o artigo original relativo a esta pesquisa.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

12 de maio de 2026

Terapia com laser e ultrassom para dores de crescimento em crianças – USP São Carlos e UFSCar unidas em estudo promissor

Créditos – “NatureDoc”

Um estudo publicado este ano no “Journal of Biophotonics” lança novas perspectivas para o tratamento das chamadas dores de crescimento, condição comum na infância e ainda cercada de incertezas clínicas. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade de São Paulo (USP), investigou o uso combinado de laser de baixa intensidade e ultrassom terapêutico, apontando resultados promissores tanto em segurança quanto em eficácia.

As dores de crescimento afetam uma parcela significativa da população infantil, com estimativas que variam de 2,6% a 36,9%. O quadro costuma surgir entre os 3 e 12 anos de idade, caracterizando-se por dores musculares — especialmente nas pernas — que aparecem no final do dia ou durante a noite, podendo interromper o sono. Apesar de serem autolimitadas e desaparecerem com o tempo, essas dores impactam diretamente a qualidade de vida das crianças e de suas famílias.

Mesmo com sua alta incidência, o tratamento ainda é limitado. As abordagens mais comuns incluem analgésicos, alongamentos e massagens, mas nem sempre apresentam resultados satisfatórios. Além disso, a falta de compreensão sobre a origem da condição dificulta o desenvolvimento de terapias específicas e eficazes.

Foi nesse contexto que os pesquisadores decidiram explorar uma alternativa não farmacológica baseada em tecnologias já utilizadas em outras áreas da medicina. O laser de baixa intensidade atua estimulando processos celulares, aumentando a produção de energia nas células (ATP) e contribuindo para a regeneração dos tecidos e redução da inflamação. Já o ultrassom terapêutico promove alterações físicas nos tecidos, como aumento da permeabilidade celular e melhora da circulação sanguínea, o que favorece o alívio da dor.

A hipótese central do estudo era que a combinação dessas duas técnicas poderia potencializar seus efeitos, oferecendo um tratamento mais eficaz. Para testar essa ideia, foi realizado um estudo piloto com nove crianças diagnosticadas com dores de crescimento. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu a terapia ativa, enquanto o outro passou por um procedimento placebo, sem emissão real de energia.

A intervenção consistiu em uma única sessão de seis minutos, com aplicação do equipamento nas palmas das mãos e plantas dos pés. A escolha dessas regiões não foi aleatória: além de altamente vascularizadas, elas estão distantes das placas de crescimento ósseo, o que reduz riscos potenciais. Esse cuidado metodológico foi fundamental, já que o uso dessas tecnologias em crianças exige atenção especial para evitar interferências no desenvolvimento.

Os resultados foram acompanhados ao longo de 30 dias por meio de uma escala visual de dor e registros diários feitos pelos responsáveis. De forma geral, todas as crianças apresentaram melhora ou manutenção dos níveis de dor — sem agravamento em nenhum caso. No entanto, o grupo que recebeu o tratamento ativo apresentou redução mais significativa da dor, especialmente na primeira semana após a intervenção.

Outro dado relevante foi a ausência de efeitos colaterais. Nenhuma criança apresentou alterações físicas, lesões cutâneas, mudanças na mobilidade ou sinais de impacto no crescimento. Esse resultado reforça a segurança da técnica, um fator crucial em pesquisas com o público pediátrico.

Além dos dados quantitativos, os relatos qualitativos trouxeram informações importantes sobre o impacto do tratamento no cotidiano das crianças. Pais e responsáveis relataram melhora no sono, diminuição das queixas de dor noturna e maior disposição para atividades diárias, como brincar e frequentar a escola. Em alguns casos, também foi observada redução no uso de medicamentos e outras intervenções tradicionais.

Apesar dos resultados encorajadores, os autores destacam que o estudo tem limitações importantes, especialmente o número reduzido de participantes. Por se tratar de um estudo piloto, o principal objetivo foi avaliar a viabilidade e segurança da abordagem, além de gerar dados iniciais que possam orientar pesquisas futuras.

Créditos – “New Scientist”

Para a pesquisadora Drª Esther Angelica Luiz Ferreira (UFSCar), primeira autora deste estudo, a chamada “dor de crescimento” é um quadro comum e benigno na infância, que ocorre geralmente entre 3 e 10 anos. Apesar do nome, não está relacionada diretamente ao crescimento dos ossos. São episódios de dor nas pernas, que aparecem mais no fim do dia ou à noite, e costumam melhorar espontaneamente, sem deixar qualquer problema para a criança. “O estudo em questão é o primeiro no mundo a testar uma combinação de laser de baixa intensidade e ultrassom como uma possível forma de aliviar esse tipo de dor em crianças. Trata-se de um estudo inicial, com pequeno número de participantes, cujo principal objetivo foi avaliar se o método é seguro e se poderia ter algum efeito benéfico. Os resultados mostraram que a técnica foi segura, sem efeitos colaterais observados nas crianças. Em relação à dor, houve melhora em ambos os grupos (inclusive no grupo placebo), com uma tendência de uma maior melhora no grupo que recebeu a terapia ativa. Isso sugere um possível efeito positivo, mas ainda não permite concluir com certeza que o tratamento é eficaz”, sublinha a pesquisadora, salientado que, por esse motivo, este trabalho deve ser entendido como um primeiro passo importante. Ele mostra que a técnica é segura e abre caminho para pesquisas maiores, que vão confirmar se realmente funciona na prática. No momento, ainda não se trata de um tratamento estabelecido, mas sim de uma linha promissora de investigação dentro de abordagens não medicamentosas para a dor na infância”, salienta a pesquisadora da UFSCar.

Mesmo assim, segundo o pesquisador do IFSC/USP e um dos autores do citado estudo, Dr. Antonio Eduardo de Aquino Junior, o trabalho ganha relevância em um cenário em que a dor crônica infantil é frequentemente subdiagnosticada e subtratada. “Aqui se faz necessário o desenvolvimento de terapias eficazes de forma urgente, especialmente aquelas que não dependam do uso contínuo de medicamentos. A proposta de utilizar uma abordagem combinada, não invasiva e com baixo risco de efeitos adversos se alinha a uma tendência crescente na medicina, que é o uso de tecnologias que promovam o equilíbrio do organismo e estimulem seus próprios mecanismos de recuperação”, salienta o pesquisador do IFSC/USP.

Para os pesquisadores, os próximos passos incluem a realização de ensaios clínicos com amostras maiores e acompanhamento por períodos mais longos. Esses estudos serão essenciais para confirmar a eficácia da terapia e determinar protocolos ideais de aplicação.

Enquanto isso, os resultados iniciais já indicam que a combinação de laser e ultrassom pode representar um avanço significativo no cuidado com crianças que sofrem de dores de crescimento — oferecendo não apenas alívio da dor, mas também uma melhor qualidade de vida para pacientes e suas famílias.

Confira AQUI o estudo original publicado no “Journal of Biophotonics”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de maio de 2026

Novo sensor brasileiro pode melhorar diagnósticos e controle de medicamentos – Pesquisa liderada por pesquisadores da UNESP e IFSC/USP

(Créditos – “Shutterstock”)

Um estudo recente, conduzido por pesquisadores da UNESP e da USP e financiado pela FAPESP, apresentou uma tecnologia que pode trazer impactos diretos à saúde e ao bem-estar da população. Trata-se de um sensor capaz de identificar, com rapidez e precisão, substâncias importantes presentes em medicamentos e no organismo humano, como a N-acetilcisteína* e a L-cisteína**.

Na prática, isso significa que exames laboratoriais podem se tornar mais simples, rápidos e acessíveis. Hoje, a análise dessas substâncias costuma exigir equipamentos caros e processos demorados. Com o novo sensor, a tendência é reduzir custos e facilitar o acesso a diagnósticos, especialmente em regiões com menos infraestrutura de saúde.

Outro benefício importante é o acompanhamento de tratamentos médicos. A tecnologia pode ajudar profissionais de saúde a monitorar com mais precisão a quantidade de medicamentos no organismo dos pacientes, ajustando as doses de forma mais segura e eficaz. Isso reduz os riscos de efeitos colaterais e aumenta as chances de sucesso dos tratamentos.

O avanço também tem potencial para aprimorar o controle de qualidade dos medicamentos. Indústrias farmacêuticas e órgãos reguladores poderiam usar esse tipo de sensor para verificar, de forma mais rápida, se os produtos estão dentro dos padrões exigidos, garantindo maior segurança aos consumidores.

Além da área da saúde, a tecnologia também pode ser aplicada a análises ambientais. Substâncias semelhantes às estudadas também ocorrem em processos industriais e podem impactar o meio ambiente. Detectá-las com facilidade ajuda a prevenir contaminações e a melhorar a fiscalização ambiental.

Os pesquisadores destacam ainda que o material utilizado no sensor é relativamente simples de produzir, o que aumenta as chances de aplicação em larga escala no futuro. Isso abre caminho para soluções mais baratas e eficientes, com impacto positivo tanto nos sistemas públicos de saúde quanto na indústria.

Em resumo, a inovação pode contribuir para diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais seguros e maior controle sobre os medicamentos e o meio ambiente — benefícios concretos que aproximam a ciência do dia a dia da sociedade.

A pesquisa foi desenvolvida por Devaney Ribeiro do Carmo (primeiro autor), Alexsandro dos Santos Felipe, Murilo Santos Peixoto, Fábio Simões de Vicente e Pablo Colofatti Soto, todos da UNESP (campi de Ilha Solteira e Rio Claro), e por Valmor Roberto Mastelaro (IFSC/USP).

*A N-acetilcisteína (NAC) é um composto derivado da L-cisteína. Atua principalmente como antioxidante e como precursor da glutationa, ajudando a proteger as células. Também é usada como medicamento para fluidificar o muco e no tratamento de intoxicação por paracetamol.

**A L-cisteína é um aminoácido que contém enxofre e participa da formação de proteínas. É importante para a estrutura dos tecidos (como a pele e o cabelo) e também contribui para a produção de antioxidantes no organismo.

Confira AQUI o original deste estudo.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

6 de maio de 2026

Câncer de pâncreas – Novo dispositivo pode revolucionar a detecção precoce da doença

(Créditos – University of Oxford)

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), dentro do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência dos Materiais da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP), em colaboração com pesquisadores vinculados à Escola de Medicina da USP Ribeirão Preto e ao Departamento de Física da Universidade Federal do Amazonas, desenvolveram uma tecnologia promissora que pode transformar o diagnóstico do câncer de pâncreas — uma das doenças mais letais justamente por ser descoberta, na maioria das vezes, em estágios avançados. A novidade é um sensor relativamente de construção simples, modo rápido e de baixo custo, e que é capaz de identificar sinais precoces da doença em poucos minutos.

O método utiliza um pequeno dispositivo preparado para reconhecer uma substância específica presente no organismo de pacientes com esse tipo de câncer. Ao entrar em contato com uma amostra de sangue, o dispositivo reage e indica, em cerca de 10 minutos, a presença desse marcador, permitindo uma análise quase imediata.

Testado com amostras reais de pacientes, o novo exame apresentou resultados animadores, especialmente na identificação de casos em fases iniciais e intermediárias. Isso representa um avanço significativo, já que o diagnóstico precoce é um dos principais fatores que aumentam as chances de tratamento bem-sucedido.

Impactos diretos para a população

Para a população, os benefícios são claros e potencialmente transformadores. O primeiro deles é o acesso ampliado ao diagnóstico. Por ser uma tecnologia mais simples e barata, o exame pode chegar a unidades básicas de saúde e regiões com menos infraestrutura, democratizando o acesso a testes que hoje dependem de laboratórios mais complexos.

Outro ponto fundamental é a rapidez no resultado. Diferentemente de exames tradicionais, que podem levar dias, o novo método permite respostas em poucos minutos, reduzindo, por isso, a ansiedade dos pacientes e acelerando o encaminhamento para tratamento, quando necessário.

Há ainda um ganho importante em termos de prevenção e monitoramento. Pessoas com histórico familiar e fatores de risco poderiam realizar o exame com mais frequência, aumentando as chances de detectar a doença antes que ela avance. Na prática, isso pode significar mais vidas salvas e tratamentos menos agressivos.

Além disso, a possibilidade de um exame menos invasivo, realizado a partir de uma simples coleta, tende a aumentar a adesão da população, já que elimina barreiras comuns, como medo ou dificuldade de acesso a procedimentos mais complexos.

Vantagens para médicos e outros profissionais de saúde

(Créditos – Rocky Mountain Gastroenterology)

Para os especialistas, a nova tecnologia também representa um avanço relevante. Um dos principais ganhos é a agilidade na tomada de decisão clínica. Com resultados quase imediatos, médicos podem avaliar rapidamente a necessidade de exames complementares ou iniciar investigações mais detalhadas sem demora.

O sensor também pode funcionar como uma ferramenta de triagem eficiente, ajudando a identificar quais pacientes precisam de acompanhamento mais rigoroso. Isso otimiza o uso de recursos hospitalares e evita a sobrecarga de exames mais caros e demorados.

Outro benefício importante é o monitoramento da evolução da doença. Como o exame é simples e pode ser repetido com facilidade, ele permite acompanhar a resposta do paciente ao tratamento de forma mais frequente, ajudando os médicos a ajustar terapias com maior precisão.

A tecnologia ainda abre caminho para uma medicina mais personalizada, já que a análise contínua dos marcadores no sangue pode oferecer um retrato mais detalhado da condição de cada paciente ao longo do tempo.

Um passo importante para o sistema de saúde

Do ponto de vista coletivo, a inovação pode trazer impactos significativos para o sistema de saúde. Com diagnósticos mais precoces, há uma tendência de redução de custos com tratamentos complexos, que geralmente são necessários em fases avançadas da doença.

Além disso, a adoção de tecnologias como essa pode contribuir para diminuir desigualdades no acesso à saúde, especialmente em países como o Brasil, onde há grandes diferenças regionais na oferta de exames especializados.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que o dispositivo ainda precisa passar por etapas adicionais antes de chegar ao uso amplo.

Mesmo assim, o estudo aponta um caminho claro: o uso de tecnologias simples, rápidas e acessíveis pode ser decisivo para enfrentar doenças graves de forma mais eficaz.

Confira AQUI o artigo original desta pesquisa.

(Créditos das imagens na home – “Pancreatic Cancer Action Network” / “University of Oxford”)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

4 de maio de 2026

“Panorama Cerrado” – Jogo gratuito transforma usuários em exploradores do bioma mais ameaçado do Brasil

Explorar o Cerrado brasileiro, registrar espécies e ainda aprender sobre biodiversidade de forma interativa, essa é a proposta do “Panorama Cerrado”, um jogo educativo gratuito para PC que convida o público a vivenciar uma experiência imersiva no segundo maior bioma da América do Sul.

Desenvolvido pelo Espaço Interativo de Ciências (EIC/CIBFar/IFSC/USP), com recursos financeiros da FAPESP, o jogo combina entretenimento e educação em um formato inovador, denominado “GameTur”. A proposta vai além do jogo tradicional: o usuário pode escolher entre participar de uma missão investigativa ou simplesmente passear virtualmente pelo Cerrado, explorando suas paisagens, espécies e curiosidades.

No modo “Jogo”, o usuário assume o papel de um produtor de documentários. Sua missão é percorrer diferentes ambientes do Cerrado, registrar imagens da fauna e flora e, ao final, produzir um documentário com as cenas captadas durante a jornada. A experiência é guiada por objetivos que orientam a exploração e estimulam a observação científica.

Para apoiar essa jornada, o jogo oferece ferramentas interativas como um caderno com informações sobre as espécies, um mapa para localização no ambiente, um sistema de objetivos e um espaço para armazenar as gravações realizadas. A narrativa é conduzida por um especialista virtual, que introduz o jogador aos aspectos gerais do bioma e orienta a exploração.

Já no modo “Passeio” a experiência é mais livre: o usuário assume o papel de um turista e pode explorar o ambiente em seu próprio ritmo, com foco na contemplação e no aprendizado, utilizando um mapa interativo que facilita a identificação de espécies.

Mais do que entreter, o “Panorama Cerrado” busca despertar a consciência ambiental, especialmente entre os jovens, ao destacar a riqueza da biodiversidade e a urgência da preservação de um dos biomas mais ameaçados do país. A proposta é aproximar o conhecimento científico da linguagem digital presente no cotidiano dos usuários, tornando a aprendizagem mais acessível e significativa.

O desenvolvimento do jogo envolveu uma equipe multidisciplinar de especialistas e estudantes das áreas de tecnologia e ciências da natureza, que realizaram visitas a campo em regiões de Cerrado próximas a São Carlos (SP). O resultado é uma representação digital que inclui modelagens 3D de espécies e diferentes fitofisionomias do bioma.

A produção utilizou ferramentas como “Unity 3D”, “Blender” e “Figma”, garantindo uma experiência interativa rica e visualmente envolvente.

O “Panorama Cerrado” está disponível para download gratuito e pode ser utilizado tanto em contextos educacionais quanto para entretenimento.

A iniciativa reforça o potencial dos jogos digitais como ferramentas de aprendizagem, estimulando habilidades cognitivas como atenção, memória e planejamento — enquanto conecta o usuário a uma das maiores riquezas naturais do Brasil.

Acesse e baixe gratuitamente AQUI.

(EIC/CIBFar/IFSC/USP)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

30 de abril de 2026

Nova tecnologia em prol da saúde pública – Novo chip promete acelerar exames médicos e reduzir custos

(Créditos – “Asia-Shutterstock”)

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), do IFSC/USP e da Colorado State University (EUA) desenvolveram uma nova tecnologia que pode transformar a forma como exames laboratoriais são realizados, tornando-os mais rápidos, baratos e eficientes.

Trata-se de um pequeno chip capaz de analisar dezenas de amostras ao mesmo em um tempo reduzido, com potencial para aplicação na área da saúde, como diagnósticos de doenças e testes de fármacos.

O dispositivo reúne, em um espaço reduzido, mais de 100 sensores microscópicos que funcionam de maneira integrada.

A inovação está no modo como esses sensores operam: eles alternam suas funções durante os testes, o que permite reduzir drasticamente a quantidade de conexões elétricas necessárias. Essa simplificação torna o chip mais compacto e fácil de produzir, além de diminuir o custo de cada sensor.

Segundo o Dr. Renato S. Lima, do CNPEM e líder da pesquisa, a tecnologia resolve um problema antigo da área: a dificuldade de concentrar muitos sensores em um único dispositivo sem aumentar a complexidade do sistema.

Com o novo método, é possível realizar análises rápidas em série — ou seja, várias medidas uma após a outra — usando equipamentos simples e portáteis.

Além de contribuir para a miniaturização do sistema, o tamanho reduzido do chip facilitou a incorporação de microcanais por onde passam pequenas quantidades de líquido, como amostras biológicas.

Dr. Renato S. Lima (CNPEM)

Esse sistema reduz o consumo de reagentes e permite automatizar etapas do exame, aumentando a precisão e diminuindo o tempo de resposta.

Nos testes realizados, o dispositivo mostrou versatilidade ao ser aplicado em diferentes situações.

Ele foi capaz de acompanhar o crescimento de células cancerígenas, identificar proteínas associadas ao vírus Mpox e medir níveis de fosfato em amostras que simulam urina humana — um indicador importante para avaliar problemas de saúde.

Outro ponto relevante é a durabilidade dos sensores. Mesmo alternando suas funções durante os testes, eles mantiveram desempenho estável, o que indica que o chip pode ser reutilizado sem perda significativa de qualidade.

Prof. Dr. Osvaldo N. Oliveira Jr. (IFSC/USP)

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que ainda há desafios a serem superados, como a automação completa do sistema para possibilitar o seu uso em larga escala.

Ainda assim, a expectativa é que a tecnologia possa, no futuro, ser integrada a equipamentos portáteis controlados por smartphones, facilitando o acesso a exames rápidos em clínicas e até em casa.

A inovação representa um passo importante rumo a diagnósticos mais ágeis e acessíveis, com potencial para impactar diretamente a medicina preventiva e o acompanhamento de doenças.

Para o Prof. Osvaldo N. Oliveira Jr., do IFSC/USP, os excelentes resultados demonstram a relevância da cooperação científica entre instituições brasileiras, como a USP e o CNPEM.

Confira artigo publicado do estudo em – https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acssensors.5c03049  

(Créditos da imagem publicada na Home – “Asia-Shutterstock”)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

24 de abril de 2026

A ação da nanotecnologia na proteção dos alimentos – Uma parceria entre USP São Carlos e Portugal

 

Créditos – “Food Unfolded”

 

A aplicação da nanotecnologia na proteção de alimentos tem vindo a consolidar-se como uma das áreas mais promissoras da ciência contemporânea, não apenas pelos avanços tecnológicos que proporciona, mas sobretudo pelos impactos diretos na saúde pública, na economia e na sustentabilidade. Nesse cenário, os trabalhos desenvolvidos no Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano-IFSC/USP) em colaboração com dois grupos do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) – o Grupo de Nanomedicina (NM) e o Grupo de Processamento de Alimentos (FPG), em Portugal, destacam-se como uma referência mundial.

A investigadora do NM/INL, Dra. Sanna Sillankorva, destaca que os bacteriófagos constituem uma estratégia inovadora no controlo de microrganismos patogénicos. “A integração de fagos com abordagens nanotecnológicas potencia a ação antimicrobiana de forma direcionada e sustentável, reduzindo o uso de conservantes químicos e respondendo às exigências atuais da indústria alimentar”, afirma a investigadora.

Neste sentido, o Coordenador do GNano-IFSC/USP, Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, destaca que a nanotecnologia é fundamental para a agricultura em geral, e em particular para a proteção de alimentos, e que ela não é apenas uma inovação científica, mas uma ferramenta estratégica para a sociedade contemporânea. “Ao permitir o controle mais eficiente de contaminações e a preservação da qualidade dos alimentos, esta tecnologia atua diretamente na proteção da saúde coletiva, na redução do desperdício e na garantia de acesso a alimentos mais seguros — aspectos essenciais em um mundo marcado por desafios alimentares crescentes”, pontua o cientista.

Dra. Sanna Sillankorva (Créditos – International Iberian Nanotechnology Laboratory)

As pesquisas resultantes da colaboração entre os grupos GNano-IFSC/USP e NM-FPG/INL inserem-se em uma tendência global de transformação das embalagens alimentares em sistemas ativos e inteligentes. Nesse contexto, destaca-se a atuação da pós-doutoranda do GNano/IFSC/USP, Dra. Fernanda Coelho, que retornou recentemente de um estágio pós-doutoral no grupo de NM-FPG/INL. Apoiada pela FAPESP, a pesquisadora tem se dedicado à interface entre nanotecnologia, microbiologia e biotecnologia, com ênfase no desenvolvimento de soluções sustentáveis e inovadoras para o controlo de patógenos, com potencial de aplicação nos setores agroindustrial e alimentício.

Ao utilizar nanoestruturas — como nanofibras — associadas a agentes antimicrobianos naturais, como bacteriófagos, os pesquisadores têm desenvolvido soluções capazes de reduzir significativamente a presença de microrganismos patogênicos em alimentos. Essa abordagem representa um avanço importante em relação aos métodos tradicionais, que dependem fortemente de conservantes químicos e apresentam limitações tanto em eficácia quanto em aceitação pelo consumidor. Do ponto de vista social, os benefícios são amplos e estratégicos.

Em primeiro lugar, há um impacto direto na segurança alimentar, com a redução de doenças transmitidas por alimentos contaminados, um problema ainda recorrente em diversos países. Ao atuar de forma específica contra bactérias como Salmonella e Escherichia coli, essas tecnologias contribuem para a proteção da saúde da população sem comprometer a qualidade nutricional dos alimentos.

Dra. Fernanda Coelho (GNano-IFSC/USP)

Além disso, a nanotecnologia aplicada às embalagens permite aumentar a vida útil dos produtos, reduzindo perdas ao longo da cadeia de distribuição. Esse fator é particularmente relevante em um cenário global marcado pelo desperdício de alimentos. Ao prolongar o tempo de conservação, as inovações desenvolvidas contribuem para uma gestão mais eficiente dos recursos, com reflexos positivos tanto econômicos quanto ambientais.

Outro benefício importante está na sustentabilidade. A substituição parcial de aditivos químicos por agentes biológicos naturais, como os bacteriófagos, representa uma alternativa mais ecológica e alinhada às demandas contemporâneas por alimentos mais “limpos” e seguros. Paralelamente, o desenvolvimento de materiais compatíveis com essas tecnologias abre caminho para embalagens mais eficientes e potencialmente menos impactantes ao meio ambiente.

Nesse contexto, o trabalho ganha relevância ao integrar conhecimentos de física, biotecnologia e ciência dos materiais, com uma notável contribuição para o avanço de pesquisas que não apenas demonstram a eficácia dessas nanoestruturas, mas também investigam sua segurança — um aspecto fundamental para a aplicação em larga escala. A avaliação de possíveis efeitos tóxicos e a compreensão das interações entre nanomateriais e sistemas biológicos são etapas essenciais para garantir que essas inovações sejam seguras para o consumo humano.

A estreita colaboração científica com Portugal

Prof. Dr. Valtencir Zucolotto (Coordenador do GNano-IFSC/USP)

Em todo este contexto, é importante sublinhar a colaboração entre o GNano-IFSC/USP e diversos laboratórios nacionais e internacionais, cabendo destacar, nesse caso e como já sublinhamos no início do texto, a colaboração com o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), uma organização internacional de pesquisa científica e tecnológica com sede na cidade de Braga, em Portugal, sendo o primeiro e único laboratório intergovernamental inteiramente dedicado à pesquisa e desenvolvimento em nanociência e nanotecnologia, criado ao abrigo de um acordo entre os governos de Portugal e Espanha.

A missão do INL é promover a excelência e a inovação tecnológica junto da sociedade e através da colaboração internacional e interdisciplinar, em área estratégicas como:  Nanoeletrônica e Engenharia de Dispositivos; Nanomedicina; Materiais Avançados; Segurança Alimentar e Nutrição: Energia e Sustentabilidade; e Tecnologias de Informação Quântica.

Com esta cooperação de âmbito mundial, o GNano e o INL promovem uma cultura de cooperação muito próxima, beneficiando o meio acadêmico, a indústria e os decisores políticos.

Em síntese, de forma lata, a nanotecnologia na proteção de alimentos representa uma convergência entre ciência de ponta e necessidades sociais urgentes, sendo que os avanços científicos demonstram que é possível construir sistemas alimentares mais seguros, eficientes e sustentáveis, colocando a ciência a serviço da sociedade.

Créditos – “Food Infotech”

Abaixo se apresentam três pesquisas relacionadas com este tema, para os quais pedimos a devida atenção.

Embalagens inteligentes – Nanotecnologia avança na proteção de alimentos e promete maior segurança ao consumidor (2026)Clique AQUI.

Nanotecnologia e vírus “do bem” abrem caminho para embalagens que combatem bactérias nos alimentos 2025) –Clique AQUI.

Revestimentos avançados de nanofibras carregadas com bacteriófagos para embalagens de alimentos (2026) –Clique AQUI.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

20 de abril de 2026

Tecnologia transforma gás carbônico em energia limpa – Abrir portas para soluções sustentáveis

Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros promete mudar a forma como lidamos com um dos maiores desafios ambientais da atualidade: o excesso de gás carbônico (CO₂) na atmosfera. O novo sistema é capaz de transformar esse poluente em energia elétrica e em combustíveis renováveis usando apenas a luz do sol.

Na prática, o equipamento funciona como uma “usina solar inteligente”. Ao ser exposto à luz, ele ativa reações químicas que convertem o CO₂ em substâncias úteis, como etanol e metanol — combustíveis que podem ser utilizados no dia a dia. Ao mesmo tempo, o processo também gera eletricidade.

Benefícios diretos para a sociedade

O avanço vai além de um feito científico e traz impactos concretos para a população. Um dos principais benefícios é a redução da poluição do ar. Ao reaproveitar o gás carbônico, a tecnologia ajuda a diminuir a concentração de gases que contribuem para o aquecimento global, colaborando para um clima mais estável e saudável.

Outro ponto importante é a produção de energia limpa e renovável. Diferente dos combustíveis fósseis, que poluem e são finitos, os produtos gerados pelo sistema podem ser utilizados como alternativas mais sustentáveis e isso pode contribuir para reduzir a dependência de petróleo e outras fontes tradicionais de energia.

A tecnologia também pode ter impacto econômico. Ao transformar um poluente em produtos úteis, ela abre espaço para a criação de novos mercados e oportunidades de negócios, especialmente nas áreas de energia e sustentabilidade. Além disso, sistemas mais simples — que dispensam componentes caros — podem facilitar a adoção em diferentes regiões, inclusive em países em desenvolvimento.

Prof. Dr. Renato Vitalino Gonçalves (IFSC/USP)

Outro benefício relevante é a possibilidade de geração descentralizada de energia. Em vez de depender apenas de grandes usinas, comunidades, empresas e até residências poderiam, no futuro, produzir sua própria energia e combustíveis, utilizando o sol e o CO₂ disponível no ambiente.

Sustentabilidade e futuro

O sistema também se destaca por funcionar em condições comuns, sem necessidade de altas temperaturas ou pressões, o que reduz custos e torna sua aplicação mais viável.

Embora ainda esteja em fase de desenvolvimento, a tecnologia representa um passo importante rumo a um modelo mais sustentável de produção de energia. Ao unir geração elétrica e reaproveitamento de poluentes, ela aponta para um futuro em que resíduos podem se tornar recursos.

Para o docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Renato Vitalino Gonçalves, um dos autores deste estudo, “Esta tecnologia representa um avanço importante na forma como pensamos a energia e o meio ambiente. Estamos mostrando que é possível transformar um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global em produtos úteis, como combustíveis e eletricidade, utilizando apenas a luz solar. Além disso, um dos principais avanços do trabalho está na simplificação do sistema, que dispensa o uso de membranas e opera em condições ambientes, o que reduz custos e facilita futuras aplicações. Foi possível integrar, em um único dispositivo, a conversão do CO2 e a geração de energia elétrica, demonstrando uma abordagem eficiente e mais próxima de soluções tecnológicas viáveis. Esse tipo de desenvolvimento é fundamental para transformar conhecimento científico em aplicações reais, com potencial de impacto na transição para uma matriz energética mais sustentável”, pontua o pesquisador

Prof. Dr. Heberton Wender (Créditos – Fundação UFMS)

Já para o docente e pesquisador do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (IF/UFMS), Prof. Dr. Heberton Wender, igualmente um dos autores deste estudo “O que desenvolvemos é, essencialmente, uma tecnologia inspirada na natureza”, pontua o pesquisador, acrescentando que,  assim como a fotossíntese natural utiliza a luz do sol para converter CO2 em compostos energéticos, o sistema desenvolvido também aproveita a energia solar para transformar esse gás em combustíveis renováveis e, ao mesmo tempo, gerar eletricidade.

“A diferença é que fazemos isso de forma artificial e direcionada, produzindo moléculas de interesse energético, como etanol e metano. A tecnologia desenvolvida possui um paralelo importante com as células solares convencionais. Enquanto os painéis fotovoltaicos convertem a luz do sol diretamente em eletricidade, o nosso dispositivo vai além: ele combina essa geração elétrica com a conversão química do CO2, armazenando energia na forma de combustíveis. Isso amplia o uso da energia solar, permitindo gerar eletricidade e produzir combustíveis limpos, contribuindo diretamente para mitigação das mudanças climáticas”, destaca o pesquisador. Em suma, esse tipo de abordagem abre caminho para uma nova geração de tecnologias energéticas capazes de integrar captura de carbono, geração de energia e produção de combustíveis renováveis em um único sistema, operando apenas com luz solar e em condições ambientes.

Os especialistas ressaltam que, com mais investimentos e aprimoramentos, soluções como esta podem desempenhar um papel fundamental no combate às mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que promovem desenvolvimento econômico e melhor qualidade de vida para a população.

Assinam este estudo os pesquisadores: Bárbara A.C. Sá e Márcio Pereira, do Instituto de Ciências, Engenharia e Tecnologia da Universidade Federal do Vale de Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Luiz Felipe Plaça, Maximiliano J. M. Zapata e Cauê A. Martins, do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Glaucia B. Alcantara, do Instituto de Química da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (IQ/UFMS), André Luís de Jesus Pereira, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA – São José dos Campos), Mohammed A. M. Bajiri, Niqab Khan, e Renato Vitalino Gonçalves, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e Heberton Wender do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (IF/UFMS)

Esta pesquisa contou com os apoios da FAPESP, CAPES, CNpQ e FUNDECT.

Confira AQUI o original desta pesquisa, publicado na revista científica internacional “ACS – Applied Energy Materials”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de abril de 2026

Ultrassom pode se tornar nova arma contra vírus respiratórios – Abordagem pode abrir caminho para novos tratamentos

Créditos – “MIT”

Uma pesquisa revela que ondas sonoras de alta frequência podem danificar vírus como SARS-CoV-2, H1N1 e outros sem causar danos a células.

Um estudo publicado na revista “Scientific Reports / Nature” e conduzido por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), da USP de Ribeirão Preto e da UNESP (Presidente Prudente) indica que o uso de ultrassom, semelhante ao de exames médicos, pode ajudar no combate a vírus respiratórios.

A pesquisa mostra que ondas sonoras de alta frequência conseguem danificar vírus como o SARS-CoV-2 e o Influenza A (H1N1), reduzindo sua capacidade de infectar células.

Segundo os cientistas, o efeito não ocorre por aquecimento ou formação de bolhas, como em usos industriais do ultrassom, mas por um tipo de vibração chamado ressonância. Nesse processo, as ondas atingem diretamente o vírus e acabam danificando suas estruturas.

Embora os testes tenham sido feitos com vírus específicos, os resultados indicam que a técnica pode funcionar também contra outros vírus com estrutura esférica.

É o caso do vírus da gripe aviária (H5N1), do vírus sincicial respiratório (VSR), frequentemente associado a infecções pulmonares, bem como dos vírus da herpes simples (HSV-1 e HSV-2), do vírus Varicela-Zoster (VZV) e também dos arbovírus Dengue, Chikungunya e Zika, todos com morfologia aproximadamente esférica, podendo, em diferentes graus, ser afetados por esse tipo de vibração.

Prof. Dr. Odemir Martinez Bruno (IFSC/USP)

Em experimentos realizados, foi utilizado frequências entre 3 e 20 MHz, dentro do padrão de equipamentos médicos. Após a exposição ao ultrassom, os vírus apresentaram sinais claros de dano: ficaram menores, fragmentados e com sua estrutura comprometida.

Além das mudanças físicas, houve impacto no funcionamento dos vírus. Em laboratório, o SARS-CoV-2 perdeu grande parte da capacidade de infectar células após o tratamento. Em alguns casos, a replicação do vírus foi quase totalmente interrompida.

Segurança

Outro ponto importante é a segurança. Durante os testes, não houve aumento significativo de temperatura nem mudança no pH do ambiente, o que indica que o efeito ocorre de forma direta, sem prejudicar o meio ao redor.

Os pesquisadores destacam que essa técnica é diferente de métodos tradicionais, como radiação ou calor, que podem danificar tecidos humanos. Por isso, o ultrassom aparece como uma alternativa promissora e não invasiva para uso médico.

Apesar dos bons resultados, ainda são necessários novos estudos antes de aplicar a técnica em pacientes. Os próximos passos incluem testes pré-clínicos para avaliar sua eficácia e segurança.

O docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Odemir Martinez Bruno, coordenador do estudo, comenta: “O ultrassom vem sendo utilizado há décadas para visualização de tecidos, tendo sido demonstrado que é muito seguro. A possibilidade de seu uso terapêutico na inativação de vírus abre uma nova frente de pesquisa na medicina. O tratamento sempre foi baseado na química, como o uso de fármacos, e a inserção da física abre uma nova frente no combate as doenças causadas por vírus.

Dr. Flavio Protasio Veras (IFSC/USP) – (Créditos – FMRP/USP)

O pós-doutorando do IFSC/USP, Dr. Flavio Protasio Veras, primeiro autor do estudo e responsável pela condução dos experimentos, destaca que “O trabalho traz uma contribuição importante para a biologia dos vírus ao mostrar que a integridade da partícula viral pode ser influenciada por estímulos físicos”.

Segundo ele, esse aspecto é particularmente relevante porque amplia a compreensão sobre a vulnerabilidade estrutural dos vírus e sugere novas possibilidades de intervenção além das estratégias clássicas baseadas em fármacos.

Para o pesquisador “Ao explorar a interface entre física e biologia, o estudo ajuda a construir uma nova perspectiva para o desenvolvimento de abordagens antivirais potencialmente aplicáveis a diferentes infecções

Se confirmada, essa abordagem pode abrir caminho para novos tratamentos contra vírus, usando princípios físicos e com potencial para atuar contra diferentes tipos de infecções.

Confira AQUI o estudo publicado na revista científica internacional “Scientific Reports”.

Confira também AQUI o estudo que apresenta o modelo teórico por trás da interação entre vírus e Ultrassom, publicado no “Brazilian Journal of Physics”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

4 de abril de 2026

Cientistas revelam pistas sobre a origem de proteínas essenciais à vida celular – Estudo foi conduzido por pesquisadores do IFSC/USP

(Créditos – “Molecular Systems Biology”)

Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) trouxe novos elementos sobre o funcionamento e a evolução de proteínas fundamentais para a vida. A pesquisa investigou uma proteína chamada septina, presente na alga verde microscópica Chlamydomonas reinhardtii, e revelou como essa família de proteínas pode ter evoluído ao longo do tempo. Diferentemente de muitos organismos — como animais e fungos — que possuem várias septinas formando complexos, essa alga apresenta apenas uma única septina, o que a torna um modelo interessante para estudar formas ancestrais.

As septinas são proteínas estruturais importantes dentro das células e ajudam a manter tudo organizado. Elas funcionam como uma espécie de “andaime”, dando suporte à célula e ajudando a controlar processos essenciais, como divisão celular, transporte de substâncias e organização da membrana.

Neste estudo, os pesquisadores utilizaram técnicas avançadas de cristalografia de raios X para resolver múltiplas estruturas dessa septina em diferentes condições. Esse tipo de abordagem permite observar, em nível atômico, como a proteína se organiza e interage consigo mesma para formar estruturas maiores chamadas filamentos. Esses filamentos são importantes porque ajudam a célula a manter sua forma e a funcionar corretamente. No entanto, como eles surgiram ao longo da evolução ainda era pouco compreendido.

Uma das descobertas mais interessantes foi que a septina dessa alga possui uma estrutura de conexão diferente entre as subunidades, mais simples que os mecanismos sofisticados encontrados em organismos mais complexos, como animais e fungos. Em outras palavras, antes das septinas evoluírem sistemas complexos de montagem, elas podem ter utilizado essas interações mais simples — uma espécie de “modelo inicial” para formar filamentos.

Os pesquisadores também observaram que, embora consiga formar estruturas semelhantes às de organismos mais complexos, as septinas em estudo são menos estáveis, reforçando a ideia de que, com o passar do tempo, essas proteínas foram se aperfeiçoando para desempenhar suas funções de maneira mais eficiente.

Além de responder a perguntas fundamentais, esse tipo de pesquisa também tem implicações mais amplas. Septinas estão associadas a diversos processos celulares e, em humanos, alterações em seu funcionamento estão relacionadas a doenças, incluindo câncer e distúrbios neurológicos. Compreender suas origens estruturais pode, no futuro, contribuir para estratégias terapêuticas ou para o desenvolvimento de biomateriais inspirados em proteínas.

Em síntese, ao estudar uma proteína aparentemente simples de uma alga unicelular, os cientistas revelam pistas valiosas sobre a história evolutiva de estruturas celulares complexas. Esse trabalho mostra como a biologia moderna combina técnicas sofisticadas e modelos pouco convencionais para responder perguntas profundas sobre a origem e o funcionamento da vida.

Os pesquisadores correspondentes desta pesquisa são os docentes do IFSC/USP, Profs. Drs. Ana Paula Ulian de Araújo e Richard Charles Garratt.

Confira o original deste estudo AQUI.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

2 de abril de 2026

Pesquisadores do IFSC/USP realizam segunda chamada de pacientes voluntários com diabetes (Tipos I e II) para tratamento ILIB

Créditos – “MM Optics”

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e do Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF), integrado no mesmo Instituto, estão iniciando uma segunda chamada de pacientes voluntários diabéticos (Tipos 1 e 2) para tratamento com ILIB (Intravascular Laser Radiation of Blood), ou seja, Irradiação de Laser de Modo Intravascular, com o objetivo de atingir o sangue através de um processo não invasivo.

A terapia ILIB é uma técnica terapêutica que utiliza luz laser de baixa intensidade para promover efeitos biológicos no organismo e apesar do ter um nome original que pode sugerir aplicação diretamente no interior dos vasos sanguíneos, a forma não invasiva, sendo que o laser é aplicado sobre a pele, geralmente na região do pulso, onde há grande concentração de vasos sanguíneos superficiais.

A aplicação é feita através de um fixador extracorpóreo que direciona a radiação de um laser com luz vermelha para a artéria radial, tendo como objetivo controlar mais acentuadamente o diabetes Tipos 1 e 2 e, com isso, melhorar a imunidade, a qualidade do sono e o controle da pressão arterial, combater doenças respiratórias, inflamatórias e doenças que causam alterações cardiovasculares, prevenir o envelhecimento intrínseco do corpo humano, protegendo o núcleo das células onde se encontra o DNA.

Esta chamada é dirigida a pacientes de ambos os sexos, maiores de 18 anos, com diabetes (Tipos 1 e 2) controlados, estando vedada a participação de pacientes com histórico oncológico, feridas abertas, fraturas, hematomas, infecções e amputados ou com deficiência bilateral dos membros inferiores.

Este tratamento experimental será executado sob a supervisão do docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, com a coordenação do pesquisador do IFSC/USP, Dr. Antonio Eduardo de Aquino Junior, utilizando um equipamento desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos.

Todos os participantes voluntários deverão ter seu diabetes perfeitamente controlado, sublinhando que todos eles deverão continuar a administração de insulina – se for o caso – e a sua medicação, atendendo a que este tratamento complementar não as substitui.

Pacientes que vivem com diabetes descontrolado, com valores de 300, 400 ou 500, deverão obrigatoriamente ser monitorados pelos médicos.

Os tratamentos terão uma duração de dez sessões (quinze minutos cada), duas vezes por semana.

Os pacientes interessados em fazer parte desta pesquisa deverão contatar a Unidade de Terapia Fotodinâmica (UTF) da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos (SCMSC) através do telefone (16) 3509-1351.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

1 de abril de 2026

Novo teste brasileiro usa nanoleveduras para detectar COVID-19 de forma mais rápida, barata e precisa

(Créditos – MSF)

Cientistas do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP), Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNESP (Campus de Araraquara), e do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB), desenvolveram uma nova forma de detectar o vírus da COVID-19 que pode tornar os exames mais rápidos, acessíveis e confiáveis. A pesquisa foi publicada na revista científica internacional “Biomedical Microdevices” e apresenta uma tecnologia inovadora que pode ajudar no diagnóstico de doenças infecciosas.

O grande diferencial desse novo teste está no uso de leveduras (micro-organismos semelhantes aos usados na fabricação de pão e cerveja) modificadas em laboratório para reconhecer especificamente o coronavírus. Essas leveduras são depositadas em um dispositivo que identifica a presença do vírus por meio de pequenas mudanças elétricas. Em termos simples, o aparelho “percebe” quando entra em contato com o vírus, funcionando de maneira semelhante a um sensor que reage ao toque, nesse caso com a presença do próprio vírus.

Uma das principais vantagens dessa tecnologia é o custo mais baixo na produção dos sensores, pois não é necessária a purificação de anticorpos, normalmente importados. A Profa. Dra. Tatiana Moreira da FCF-UNESP explica que somente a porção que reconhece o patógeno é produzida e localizada na superfície da levedura, o que mantém a especificidade da detecção e contribui com a redução dos custos, favorecendo a fabricação dos sensores em larga escala. “As medidas elétricas podem ser feitas com equipamentos portáteis, facilitando o acesso a exames, especialmente em locais com menos recursos”, pontua.

Outro ponto importante é a sensibilidade do teste. Apesar de substituir anticorpos dos sensores usuais por leveduras, o dispositivo consegue identificar quantidades extremamente pequenas do vírus, o que aumenta as chances de detectar a doença logo no início da infecção. Além disso, o sistema mostrou ser capaz de diferenciar o coronavírus de outros vírus, como os da gripe e da dengue, reduzindo erros no diagnóstico.

(Créditos – “Biomedical Microdevices”)

O cientista Rafael Hensel, autor principal do estudo, destaca que “Leveduras já foram usadas para a detecção de COVID-19 por um grupo de pesquisa australiano, mas a integração dessa abordagem com dispositivos impedimétricos possibilitou a detecção de cargas virais mais baixas”. Além disso, o desenvolvimento de uma tecnologia nacional pode contribuir para a redução de custos e a ampliação da testagem.

Os pesquisadores também ressaltam que por não requerer equipamentos complexos, o teste pode ser utilizado diretamente em clínicas e postos de saúde, permitindo a obtenção de resultados mais rápidos e auxiliando no controle da transmissão de doenças.

Embora ainda precise passar por etapas adicionais antes de chegar ao uso amplo, o novo método é visto como uma solução promissora não só para a COVID-19, mas também para outras doenças. A tecnologia pode ser adaptada para identificar diferentes vírus e condições de saúde no futuro.

O docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Jr., igualmente um dos autores da pesquisa, sublinha que “É promissora a combinação de sensores com materiais de baixo custo, como as leveduras, com a técnica de impedância elétrica para detecção, que também pode ser barata e utilizável em qualquer ambiente com um aparelho portátil produzido no Brasil”.

Com isso, o estudo abre caminho para uma nova geração de testes mais simples, rápidos e eficientes, que podem fazer diferença no cuidado com a saúde da população.

Confira AQUI o artigo científico publicado na revista “Biomedical Microdevices”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

30 de março de 2026

Pesquisadores do IFSC/USP abrem segunda chamada para tratamento experimental de lipedema

(Créditos – “BBC-News”)

O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) inicia a segunda chamada para participação em um tratamento experimental voltado a pacientes com lipedema. O estudo dá continuidade a uma abordagem inovadora que busca melhorar a qualidade de vida das pacientes participantes, investigando os efeitos da combinação entre compressão pneumática intermitente e fototerapia.

A proposta é avaliar se a associação dessas técnicas pode reduzir sintomas e melhorar a circulação periférica nos membros inferiores. Segundo o fisioterapeuta e pesquisador do IFSC/USP, Matheus Henrique Camargo Antonio, autor do estudo, o tratamento utiliza uma bota pneumática especial que exerce pressão nas pernas para estimular a circulação e diminuir o inchaço. Simultaneamente, é aplicada uma luz laser para promover a fotobiomodulação, tecnologia integrada ao próprio equipamento.

Este tratamento envolve a realização de dez sessões ao longo de cinco semanas para cada paciente (duas sessões por semana), com duração média de trinta minutos por sessão.

O estudo é dedicado a mulheres residentes em São Carlos, com mais de 18 anos e com diagnóstico clínico prévio de lipedema. Não poderão participar pacientes com histórico de doenças cardiovasculares, tabagismo, consumo de álcool ou antecedentes oncológicos.

Bota pneumática (Créditos – “IFSC/USP”)

A expectativa dos pesquisadores é que a combinação das terapias proporcione alívio significativo dos sintomas, oferecendo uma nova perspectiva de tratamento e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das pacientes.

O que é lipedema

O lipedema é uma condição crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura subcutânea, que afeta principalmente pernas e quadris e, em alguns casos, os braços.

Esse acúmulo ocorre de forma desproporcional, resultando em um aumento das extremidades inferiores em relação à parte superior do corpo.

Principais sintomas

Aumento de volume nas pernas ou braços (simétrico);

Sensação de peso ou dor ao toque;

Facilidade para formar hematomas;

Pele com aspecto irregular (tipo “casca de laranja”);

Inchaço que piora ao longo do dia;

Dificuldade para perder gordura nessas regiões, mesmo com dieta e exercício;

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida, há indícios de uma predisposição genética, já que a condição costuma ocorrer em famílias. O lipedema também está frequentemente associado a períodos de alterações hormonais, como puberdade, gestação e menopausa.

As pacientes interessadas em participar do estudo podem obter mais informações e realizar a inscrição na Unidade de Terapia Fotodinâmica (UTF), localizada na Santa Casa da Misericórdia de São Carlos, pelo telefone (16) 3509-1351, em horário comercial.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

20 de março de 2026

Pesquisadores do IFSC/USP desenvolvem sensor mais eficiente e estável para detecção de ozônio no ar

Sistema de gás em laboratório do IFSC/USP

Após pesquisadores do IFSC/USP e da Universitat Rovira i Virgili, na Espanha, terem desenvolvido em 2025 um sensor flexível capaz de detectar poluentes atmosféricos, especialmente o dióxido de nitrogênio (NO2), agora surgiu a oportunidade de se desenvolver um novo tipo de sensor capaz de identificar a presença de ozônio no ar com maior eficiência e estabilidade. A tecnologia pode contribuir para o monitoramento da qualidade do ar e para a prevenção de problemas ambientais e de saúde causados pela poluição atmosférica.

O docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Valmor Roberto Mastelaro que coordenou este estudo publicado recentemente na revista científica “Chemosensors”, enfatiza o fato de que o ozônio presente na atmosfera em níveis elevados é considerado um poluente prejudicial. A exposição prolongada pode causar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar doenças pulmonares. Por isso, sistemas capazes de detectar pequenas quantidades desse gás são fundamentais para o controle da qualidade do ar em ambientes urbanos e industriais.

No estudo, os cientistas criaram um sensor formado por camadas de nanomateriais de óxido de grafeno reduzido (rGO) e óxido de zinco (ZnO) organizadas de forma estratégica. Essa estrutura funciona como uma espécie de “sanduíche” que protege um dos componentes mais sensíveis do dispositivo. Essa proteção evita que o material seja danificado pelo próprio ozônio durante a detecção, problema comum em sensores a base de rGO para detecção de O3.

Os testes mostraram que o dispositivo consegue detectar concentrações muito pequenas de ozônio no ar. Além disso, apresentou boa capacidade de distinguir esse gás de outros poluentes comuns, como monóxido de carbono, amônia e dióxido de nitrogênio.

Prof. Dr. Valmor Mastelaro (IFSC/USP)

Outro ponto positivo observado foi a estabilidade do sensor. Durante os experimentos, não foram identificados sinais de desgaste ou degradação do material, indicando que o método de fabricação adotado pode aumentar a durabilidade do equipamento.

Segundo os pesquisadores, a nova tecnologia pode ajudar no desenvolvimento de sistemas mais precisos de monitoramento ambiental. Sensores desse tipo podem ser utilizados em estações de medição da qualidade do ar, em áreas industriais ou até em dispositivos portáteis voltados ao controle da poluição.

O avanço também abre caminho para novas pesquisas que buscam tornar os sensores de gases cada vez mais sensíveis, confiáveis e acessíveis, ampliando as possibilidades de aplicação em diferentes setores.

Sobre esta pesquisa, o Prof. Dr. Valmor Mastelaro comenta que o sensor à base de ZnO-rGO-ZnO na estrutura de “sanduiche” foi desenvolvido para solucionar o problema da oxidação e degradação do rGO quando exposto ao gás ozônio, processo chamado de ozonolise. “Ao nosso conhecimento, apenas três sensores a base de rGO-ZnO para detecção de O3 foram reportados antes devido a esse problema da degradação do sensor, sendo dois deles do nosso grupo de pesquisa. Com isso, a metodologia desenvolvida abre caminho para a fabricação de novos sensores à base de óxidos metálicos e rGO para a detecção de O3, evitando o processo de ozonólise – reação com ozônio que quebra ligações duplas em moléculas orgânicas”, pontua o cientista.

Além do Prof. Dr. Valmor Mastelaro, assinam esta pesquisa os pesquisadores – Rayssa Silva Correia, Amanda Akemy Komorizono, Julia Coelho Tagliaferro e Natalia Candiani Simões Pessoa, um trabalho que contou com o apoio da FAPESP.

Para conferir o estudo original, clique AQUI.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

16 de março de 2026

Luz verde pode ajudar a tratar infecções graves nos olhos – Combatendo um problema difícil de resolver

(Créditos – “Valley Eyecare Center”)

Uma pesquisa realizada por cientistas brasileiros indica que uma técnica que combina um corante especial e luz verde pode ajudar no combate a infecções graves nos olhos. O método mostrou resultados promissores contra fungos que atacam a córnea — a parte transparente localizada na frente do olho — e que, em muitos casos, podem levar à perda de visão.

Essas infecções são conhecidas como ceratites infecciosas, um problema de saúde ocular que pode surgir após traumas no olho, uso inadequado de lentes de contato ou contato com água e objetos contaminados. Em situações mais graves, a doença pode provocar cicatrizes na córnea, dor intensa e até cegueira.

Um problema difícil de tratar

As infecções oculares causadas por fungos representam um grande desafio para os médicos. Os tratamentos atuais utilizam colírios antifúngicos, mas muitas vezes o resultado não é o esperado. Em alguns casos, o paciente precisa passar por procedimentos mais invasivos, como transplante de córnea.

Entre os fungos que costumam causar esse tipo de infecção estão microrganismos presentes no solo, na água e em plantas. Eles podem entrar no olho após pequenos ferimentos, arranhões ou contaminação das lentes de contato.

As doenças relacionadas a esses fungos incluem, principalmente:

*Ceratite fúngica – infecção da córnea causada por fungos, que pode provocar dor, vermelhidão, sensibilidade à luz e perda da visão;

*Infecções oculares associadas ao uso de lentes de contato, quando microrganismos se proliferam na superfície do olho;

*Infecções corneanas após traumas, comuns em trabalhadores rurais ou pessoas que tiveram contato com plantas, madeira ou terra;

Como funciona a nova técnica

Para tentar melhorar o tratamento dessas infecções, os pesquisadores testaram uma abordagem baseada na ativação de um corante chamado “Rosa Bengala” por meio de luz verde.

O procedimento funciona de maneira relativamente simples: primeiro o corante entra em contato com o microrganismo. Depois, quando é iluminado pela luz verde, ele produz substâncias que atacam e danificam as células dos fungos, impedindo que continuem se multiplicando.

Esse processo é conhecido como terapia fotodinâmica, um tipo de tratamento que utiliza luz para potencializar a ação de determinadas substâncias.

Para realizar o experimento, os cientistas desenvolveram um equipamento especial que emite luz verde e aplicaram a técnica em amostras de fungos isolados de pacientes com infecções na córnea.

Os resultados indicaram que a combinação entre o corante e a luz conseguiu reduzir significativamente o crescimento de vários fungos importantes, responsáveis por muitos casos de ceratite.

Entre os microrganismos que responderam bem ao tratamento estão alguns dos principais causadores de infecções oculares no Brasil. Em certos casos analisados em laboratório, o crescimento dos fungos foi praticamente interrompido.

Prof. Dr. Jarbas Caiado Neto (IFSC/USP) – (Arquivo pessoal)

Isso significa que, no futuro, o método poderá ser utilizado como uma alternativa ou complemento aos medicamentos tradicionais, principalmente quando os tratamentos atuais não conseguem controlar a infecção.

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores observaram que nem todas as espécies de fungos foram afetadas pela técnica. Alguns microrganismos continuaram se desenvolvendo mesmo após a aplicação do método, o que indica que a eficácia do tratamento pode variar dependendo do tipo de infecção.

Por isso, ainda serão necessários novos estudos para entender quais casos podem se beneficiar mais dessa abordagem.

Um caminho para novos tratamentos

Embora o estudo tenha sido realizado em laboratório, os resultados reforçam o potencial da terapia baseada em luz como uma nova ferramenta no tratamento de doenças oculares infecciosas.

Se pesquisas futuras confirmarem sua eficácia em pacientes, a técnica poderá ajudar a reduzir complicações graves, evitar cirurgias e preservar a visão de pessoas afetadas por infecções na córnea.

Especialistas destacam que, em doenças oculares, o diagnóstico precoce e o tratamento rápido são essenciais para evitar danos permanentes à visão. Assim, novas alternativas terapêuticas podem representar um avanço importante para a oftalmologia.

Para o docente e pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Dr. Jarbas Caiado Neto, esta pesquisa tem potencial para salvar a visão de milhares de brasileiros. “O nosso laboratório no Grupo de Óptica do IFSC/USP vem perseguindo técnicas ópticas para curar doenças na córnea antes não curadas. No passado, desenvolvemos de forma inédita a técnica de CrossLink para curar problemas de bioelasticidade da córnea, que resulta na doença do ceratocone. A técnica de CrossLink que desenvolvemos tornou-se padrão mundial nesse tipo de tratamento. Essa técnica de Rosa Bengala, que agora estamos desenvolvendo, também tem potencial para se tornar um padrão mundial no tratamento de ceratites, doença essa que facilmente leva à cegueira”, sublinha o pesquisador.

A expectativa dos pesquisadores é que, com o avanço dos estudos clínicos, tecnologias semelhantes possam integrar o arsenal de tratamentos disponíveis para combater infecções oculares que hoje ainda representam um grande desafio para a medicina.

Confira AQUI o artigo científico publicado na revista internacional “Cornea – The Journal of Cornea and External Disease”.

(Créditos de imagem na chamada da home – Infinite Vision Care And Laser Centre”)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

11 de março de 2026

Alerta em fazendas leiteiras no Nordeste do Brasil com bactéria Streptococcus agalactiae provovando altos índices de mastite bovina

Mastite bovina (Créditos – “Iomlan Animal Science”)

Um amplo mapeamento genético de Streptococcus agalactiae — bactéria associada à mastite bovina — revelou alta diversidade de linhagens circulando em rebanhos leiteiros do Nordeste brasileiro, além da presença de genes ligados à resistência a antibióticos importantes na prática veterinária. Os dados reforçam o alerta para vigilância sanitária e uso mais criterioso de antimicrobianos na pecuária leiteira.

O estudo, liderado pela pesquisadora do IFSC/USP, Profª Ilana Lopes Baratella da Cunha Camargo, juntamente com sua equipe e outros colegas brasileiros e publicado na revista científica internacional “Pathogens”, analisou amostras de leite de vacas com mastite clínica e subclínica no estado da Paraíba.

A partir do sequenciamento genômico completo das bactérias isoladas, os pesquisadores identificaram diferentes tipos de sequência (STs), com destaque para linhagens já associadas a infecções em bovinos em outras partes do mundo. Essa variedade genética indica que a população bacteriana é mais complexa do que se imaginava e pode dificultar estratégias padronizadas de controle da doença.

Entre os achados que mais preocupam está a detecção de genes de resistência a antibióticos, incluindo aqueles relacionados à tetraciclina e aos macrolídeos. Essas classes de medicamentos são frequentemente utilizadas no tratamento de infecções em animais de produção. A presença desses genes sugere que parte das bactérias já possui mecanismos para sobreviver a terapias convencionais, o que pode levar a falhas de tratamento e à persistência da infecção nos rebanhos.

Streptococcus_agalactiae (Créditos – “Wikipedia”)

Os cientistas também investigaram fatores de virulência — características genéticas que aumentam a capacidade da bactéria de causar doença. Foram encontrados genes associados à adesão às células do hospedeiro e à evasão do sistema imune, elementos que ajudam a explicar por que Streptococcus agalactiae consegue estabelecer infecções crônicas na glândula mamária das vacas, impactando diretamente a produção e a qualidade do leite.

A mastite está entre as enfermidades mais onerosas da cadeia leiteira, causando redução da produção, descarte de leite e custos com medicamentos e manejo. Para os autores da pesquisa, o detalhamento genômico das cepas circulantes abre caminho para programas de controle mais direcionados, que considerem o perfil genético local das bactérias, em vez de depender apenas de protocolos generalizados.

Os resultados também dialogam com uma preocupação global: a resistência antimicrobiana. Embora o estudo tenha foco veterinário, microrganismos resistentes em animais podem representar risco indireto à saúde pública, seja por contato direto, seja pela cadeia alimentar. Por isso, os pesquisadores defendem integração entre vigilância animal e humana dentro do conceito de Saúde Única (One Health).

Na prática, o trabalho reforça a importância de medidas como diagnóstico laboratorial antes do tratamento, melhoria das condições de higiene na ordenha e monitoramento constante dos rebanhos.

Mais do que tratar, o desafio agora é prevenir a disseminação de linhagens resistentes que já estão presentes nas fazendas leiteiras da região.

Confira AQUI o estudo publicado na revista internacional “Pathogens”.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP