Ciência aberta: novo guia da USP traz orientações para a comunidade acadêmica
Primeira edição do “Guia para Ciência Aberta”, desenvolvido pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da USP, já está disponível para download gratuito
Guia destaca a importância da ciência aberta no combate à desinformação – Arte sobre foto de Cecília Bastos/USP Imagens
A ciência aberta tem como finalidade tornar os achados e processos da pesquisa científica abertos, transparentes e reprodutíveis. Ela também decorre da concepção da ciência como fenômeno social e resulta em incentivar pesquisas colaborativas que possam trazer benefícios às sociedades. O Guia para Ciência Aberta, desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Ciência Aberta, criado no âmbito da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI) da USP, visa à promoção do amplo acesso ao conhecimento produzido na Universidade. Em sua primeira edição, está disponível para download gratuito neste link.
A Unesco (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) reconhece a ciência aberta como fundamental para a busca de soluções para os desafios da atualidade, sejam eles ambientais, socioeconômicos ou políticos, e para a promoção do bem-estar da sociedade. Segundo a apresentação, o guia apresenta atividades de pesquisa na USP por meio da apresentação de conceitos relevantes, fontes de informações e ferramentas de apoio. “Entendemos que a disseminação do conhecimento sobre ciência aberta é uma importante ferramenta de promoção de transparência e de confiabilidade na produção de conhecimento na universidade”, dizem os autores.
Por tratar-se de conceitos e práticas em processo de expansão, as recomendações contidas neste guia estão sujeitas a mudanças e desdobramentos conforme venham à luz novos debates e entendimentos, como informam os autores. “A Ciência Aberta não se limita a alguns aspectos conceituais e práticos da pesquisa desenvolvida no ambiente acadêmico: ela consiste em um ecossistema no qual todas as informações da pesquisa, ao longo de toda sua realização, são compartilhadas em um sistema aberto e dotado de múltiplos recursos para a rápida e contínua disseminação do conhecimento”, explicam na introdução da obra.
Impactos na sociedade
Para os autores, a adesão à ciência aberta implica significativas mudanças culturais no ambiente acadêmico, o que se traduz em novas prioridades na pesquisa, tornando-a mais inclusiva e colaborativa e menos individual e competitiva. Além disso, continuam, promove maior rapidez e assertividade nas respostas às necessidades da sociedade, bem como economia de recursos empregados no financiamento das pesquisas, economia de tempo despendido em pesquisas redundantes ou em métodos mal-sucedidos e melhor organização das instituições para a promoção de políticas de pesquisa, entre outros.
Capa e páginas do guia que tem download gratuito – Foto: Guia para a Ciência Aberta/PRPI USP
Eles também destacam que a ciência aberta favorece a equidade social, na medida em que permite o acesso amplo e gratuito à pesquisa científica. Além disso, ao tornar a pesquisa científica amplamente acessível, a ciência aberta expande o conhecimento, tornando-o um bem compartilhado. “Nesse sentido, aprofunda e torna visível a dimensão pública da ciência, reforçando sua natureza social, que comporta duas dimensões: a sociológica, pela qual o conhecimento científico é produto da colaboração social, e sua propriedade e usufruto pertencem à comunidade, e a econômica, que prescreve que os achados científicos gerados pela pesquisa pública são um bem público ao qual todos devem ter acesso”, escrevem ainda na introdução.
Contexto brasileiro
Os autores contam que o conceito da ciência enquanto fenômeno aberto e público é relativamente antigo. O ano de 1665 marcou o surgimento das duas primeiras publicações científicas: Le Journal des Sçavants e Philosophical Transactions, esta última ligada à Royal Society of London e publicada até os dias de hoje. Mas o conceito de ciência aberta surgiu na década de 1990, como resultado de iniciativas de colaboração científica impulsionadas pela crescente globalização e dos avanços tecnológicos que vêm facilitando a comunicação nas últimas décadas.
No contexto brasileiro, impulsos relevantes para a ciência aberta ocorreram de forma relativamente precoce e estruturada, especialmente no campo do acesso aberto às publicações científicas. Eles citam que um marco fundamental foi a criação da Scientific Electronic Library Online (SciELO) em 1998, iniciativa coordenada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme/Opas/OMS). “A SciELO tornou-se uma das primeiras plataformas no mundo a oferecer acesso aberto sistemático a periódicos científicos, promovendo a visibilidade internacional da produção científica brasileira e latino-americana e antecipando, em muitos aspectos, os princípios que viriam a ser conhecidos posteriormente pelo movimento global de acesso aberto.”
Tópicos do guia sobre a prática da ciência aberta nas etapas de pesquisa – Foto: Guia para a Ciência Aberta/PRPI USP
Ao longo dos anos, segundo eles, o Brasil ampliou esse compromisso por meio de políticas institucionais e iniciativas de fomento, como os repositórios institucionais das universidades públicas, as diretrizes da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior ) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para disseminação de resultados de pesquisa, reforçando o papel do País como ator relevante na promoção de uma ciência mais aberta e colaborativa.
“A ciência aberta ganhou ainda mais espaço e visibilidade nos últimos anos devido à crescente necessidade do combate à desinformação, bem como à percepção de distanciamento ainda elevado entre universidade e sociedade. Embora tenham-se originado no âmbito da pesquisa e da inovação, é desejável que, em uma universidade como a USP, voltada à pesquisa, à inovação, ao ensino e à extensão, os princípios e práticas da ciência aberta se estendam a todos os domínios da experiência universitária”, declaram, apontando que na Declaração USP de Apoio à Ciência Aberta (2021), se reforça o compromisso para a promoção da ciência aberta em todas as atividades da Universidade.
O Guia para Ciência Aberta está disponível no site da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da USP neste link.
Por Jornal da USP












