{"id":49651,"date":"2022-11-16T10:00:23","date_gmt":"2022-11-16T13:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/?p=49651"},"modified":"2022-11-16T10:42:16","modified_gmt":"2022-11-16T13:42:16","slug":"defesa-planetaria-e-as-ameacas-que-vem-do-espaco-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/defesa-planetaria-e-as-ameacas-que-vem-do-espaco-parte-2\/","title":{"rendered":"Defesa Planet\u00e1ria e as amea\u00e7as que v\u00eam do Espa\u00e7o  (Parte 2)"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><i>Por: Prof. Roberto N. Onody <\/i><\/em><em><sup><i>*<\/i><\/sup><\/em><\/strong><\/p>\n<p>Caro leitor,<\/p>\n<p>Na <a href=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/defesa-planetaria-e-as-ameacas-que-vem-do-espaco-parte-1\/\"><u>parte 1<\/u><\/a><sup>** <\/sup>deste artigo, discutimos a natureza e a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos aster\u00f3ides e dos cometas. Analisamos miss\u00f5es espaciais (s\u00f3 as bem-sucedidas) que enviaram naves para estudar esses corpos celestes de perto, coletar amostras e at\u00e9 traz\u00ea-las de volta \u00e0 Terra!<\/p>\n<p>Mas, essas miss\u00f5es t\u00eam um custo muito alto e demoram anos para se completar. Para salvaguardar a Terra, temos que lan\u00e7ar m\u00e3o dos telesc\u00f3pios (terrestres e espaciais), que localizam e rastreiam os chamados NEOs (Near-Earth Objects, Objetos Pr\u00f3ximos \u00e0 Terra). Discutimos, brevemente, os v\u00e1rios tipos de telesc\u00f3pios que cumprem esse papel.<\/p>\n<p>Muito j\u00e1 feito. Hoje s\u00e3o conhecidos mais de trinta mil NEOs, sejam eles aster\u00f3ides ou cometas. Ressalto aqui, a grande colabora\u00e7\u00e3o internacional de observat\u00f3rios que n\u00e3o apenas dividem entre si informa\u00e7\u00f5es sobre esses objetos, como as armazenam no arquivo p\u00fablico <a href=\"https:\/\/www.minorplanetcenter.net\/\"><u>MPC<\/u><\/a>\u00a0(Minor Planet Center). Na sec\u00e7\u00e3o: Veja Onde Eles Est\u00e3o, indicamos uma p\u00e1gina na internet que mostra, em tempo real, a posi\u00e7\u00e3o e as \u00f3rbitas desses objetos espaciais.<\/p>\n<p>Em seguida, discutimos a Miss\u00e3o DART propriamente dita. Sua prepara\u00e7\u00e3o, sua execu\u00e7\u00e3o e seu estrondoso sucesso. Finalizamos com uma breve an\u00e1lise das perspectivas e do futuro de miss\u00f5es que busquem salvaguardar nosso lindo planeta azul.<\/p>\n<p>A probabilidade de uma eventual colis\u00e3o do nosso planeta com um aster\u00f3ide ou cometa \u00e9 pequena, mas, existe. Um alerta foi dado em filmes como Armagedom, Impacto Profundo e N\u00e3o Olhe Para Cima. Por outro lado e de maneira <em><i>n\u00e3o ficcional<\/i><\/em>, temos o enorme sucesso da miss\u00e3o DART, que desviou a \u00f3rbita do aster\u00f3ide Dimorphos.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos dinossauros, n\u00f3s n\u00e3o estamos indefesos.<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n<p><em><i>** Corre\u00e7\u00e3o \u2013 Na sauda\u00e7\u00e3o da parte 1, dissemos que o tempo necess\u00e1rio para as imagens transmitidas pela nave DART chegarem at\u00e9 a Terra era de 8 segundos&#8230; o correto \u00e9 37 segundos, j\u00e1 que a dist\u00e2ncia entre eles era, no momento do impacto, de 11 milh\u00f5es de quil\u00f4metros.<\/i><\/em><\/p>\n<p><strong><b>Parte 2<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Aster\u00f3ides e a Evolu\u00e7\u00e3o das Esp\u00e9cies<\/p>\n<p>Objetos Espaciais Potencialmente Perigosos<\/p>\n<p>Olhe Para Cima<u>!<\/u><\/p>\n<p>Veja Onde Eles Est\u00e3o<u>! <\/u><\/p>\n<p>A Miss\u00e3o DART<\/p>\n<p>Perspectivas<\/p>\n<p><strong><em><b><i>Aster\u00f3ides e a Evolu\u00e7\u00e3o das Esp\u00e9cies <\/i><\/b><\/em><\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_49653\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49653\" class=\"wp-image-49653 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-1.jpg 500w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-1-300x239.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-49653\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 1 &#8211; Ilustra\u00e7\u00e3o art\u00edstica do devastador impacto do aster\u00f3ide que extinguiu os dinossauros e cerca de 75% das esp\u00e9cies existentes, h\u00e1 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. A cratera que deixou, \u00e9 a segunda maior conhecida em nosso planeta. A primeira \u00e9 a cratera de Vredefort, com prov\u00e1veis 300 km (hoje, erodida) na \u00c1frica do Sul, formada h\u00e1 2 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s (Cr\u00e9dito: Donald E. Davis)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p><em><i>Local:<\/i><\/em>\u00a0Pen\u00ednsula de Yucat\u00e1n, M\u00e9xico, <em><i>Data:<\/i><\/em>\u00a066 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Um enorme aster\u00f3ide (<em><i>Figura 1<\/i><\/em>), com tamanho estimado entre 10 e 15 quil\u00f4metros, colidiu com nosso planeta e abriu a <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chicxulub_crater\"><u>cratera de Chicxulub<\/u><\/a>, com di\u00e2metro aproximado de 180 km e profundidade de 20 km.<\/p>\n<p>Novos estudos em modelos executados em supercomputadores, calculam que o aster\u00f3ide viajava a 42.000 km\/h e liberou energia equivalente a <a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2021AV000627\"><u>10 bilh\u00f5es de bombas at\u00f4micas de Hiroshima<\/u><\/a>.<\/p>\n<p>O seu efeito foi catastr\u00f3fico. Provocou tsunamis (com cerca 5 km de altura, suficiente para cobrir e destruir qualquer cidade atual, j\u00e1 que a mais alta \u00e9 El Alto, na Bol\u00edvia, com 4,15 km) levantou enorme quantidade de rochas fundidas (que provocaram inc\u00eandios), gases e de poeira (que bloqueou a luz solar) levando a um per\u00edodo longo e prolongado de escurid\u00e3o. \u00a0A mat\u00e9ria lan\u00e7ada na atmosfera era rica em enxofre que voltou \u00e0 Terra na forma de chuva de \u00e1cido sulf\u00farico, contaminando os mares. \u00c9 importante notar que h\u00e1 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, as Am\u00e9ricas, a Europa e a \u00c1frica eram <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0012825220305237?via%3Dihub\"><u>continentes bem mais pr\u00f3ximos<\/u><\/a>\u00a0(<em><i>Figura 2<\/i><\/em>), o que contribuiu, sobremaneira, para espalhar a destrui\u00e7\u00e3o. Para piorar o cen\u00e1rio, do outro lado do mundo, na atual \u00cdndia, uma violenta atividade vulc\u00e2nica contribuiu para aumentar, ainda mais, a escurid\u00e3o. Foi uma extin\u00e7\u00e3o em massa \u2013 75% das esp\u00e9cies existentes desapareceram.<\/p>\n<p>A principal prova da colis\u00e3o desse gigantesco aster\u00f3ide com o nosso planeta \u00e9 o rastro de ir\u00eddio deixado para tr\u00e1s. O ir\u00eddio \u00e9 um metal raro na Terra, mas abundante nos meteoritos. A an\u00e1lise do solo da Pen\u00ednsula de Yucat\u00e1n mostrou a presen\u00e7a de apenas uma \u00fanica camada rica em ir\u00eddio. A data\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica dessa camada permitiu localizar, precisamente no tempo, a data do cataclisma \u2013 66 milh\u00f5es de anos (com um erro pequeno, de alguns milhares de anos).<\/p>\n<p>Esse b\u00f3lido que se chocou contra o nosso planeta era um aster\u00f3ide ou um cometa? A imensa maioria dos especialistas aposta no aster\u00f3ide, baseados nas evid\u00eancias geoqu\u00edmicas da abund\u00e2ncia relativa de carbono e de certos minerais.<\/p>\n<div id=\"attachment_49654\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49654\" class=\"wp-image-49654 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-2.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-2.png 300w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-2-241x300.png 241w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-49654\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 2 &#8211; Os mapas aqui mostrados foram feitos usando a proje\u00e7\u00e3o de Mercator (que \u00e9 cil\u00edndrica), o que distorce as \u00e1reas mais ao norte e ao sul. Os mapa-m\u00fandi escolares usam a proje\u00e7\u00e3o Robinson. a) Os continentes e as placas continentais atuais (linhas azuis). As linhas vermelhas mostram as regi\u00f5es onde essas placas convergem e as setas indicam qual placa desliza sobre a outra. b) Como eram os continentes e as placas continentais h\u00e1 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s (Cr\u00e9dito: ref. 2)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>A grande extin\u00e7\u00e3o de 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s atingiu principalmente animais (terrestres e mar\u00edtimos) e plantas de grande porte. Os <em><i>grandes dinossauros<\/i><\/em>, que j\u00e1 existiam h\u00e1 140 milh\u00f5es de anos, desapareceram. Seu grande apelo popular, sua constante presen\u00e7a na m\u00eddia, faz com que o estudo paleontol\u00f3gico desses grandes animais n\u00e3o pade\u00e7a da falta de financiamento, seja ele p\u00fablico ou privado.<\/p>\n<p>Rigorosamente falando, n\u00e3o \u00e9 correto afirmar que a queda do aster\u00f3ide extinguiu todos os dinossauros da Terra, j\u00e1 que as aves modernas descendem e s\u00e3o sobreviventes de uma linhagem de dinossauros ter\u00f3podes (que, ironicamente, tamb\u00e9m inclui o T-Rex).<\/p>\n<p>Com a extin\u00e7\u00e3o desses grandes carn\u00edvoros e herb\u00edvoros, as portas da evolu\u00e7\u00e3o se abriram para o desenvolvimento dos mam\u00edferos e das aves. O aster\u00f3ide, que trouxe consigo a morte ao extinguir 75% das esp\u00e9cies, agiu como \u00b4sele\u00e7\u00e3o natural\u00b4, permitindo a sobreviv\u00eancia (e a evolu\u00e7\u00e3o) de apenas algumas esp\u00e9cies de porte menor.<\/p>\n<p>Mesmo aster\u00f3ides com tamanhos pequenos podem causar grandes danos locais. Foi isso o que aconteceu na manh\u00e3 do dia 15 de fevereiro de 2013, na cidade russa de <a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/five-years-after-the-chelyabinsk-meteor-nasa-leads-efforts-in-planetary-defense\"><u>Chelyabinsk<\/u><\/a>. Sem haver sido previamente detectado (devido \u00e0 baixa refletividade), um aster\u00f3ide de 20 metros de di\u00e2metro entrou na atmosfera e explodiu a cerca de 22 km de altura. \u00a0A explos\u00e3o liberou energia equivalente a 440.000 toneladas de TNT (que correspondem a 22 bombas de Hiroshima) e deixou 1.600 pessoas machucadas pelos cacos de vidros das janelas estilha\u00e7adas (<em><i>Figura 3<\/i><\/em>).<\/p>\n<p>Coincidentemente, no mesmo dia, uma reuni\u00e3o da ONU determinou a cria\u00e7\u00e3o da<a href=\"https:\/\/iawn.net\/\"><u>\u00a0IAWN<\/u><\/a>\u00a0(International Asteroid Warning Network), uma rede de colabora\u00e7\u00e3o internacional para detec\u00e7\u00e3o e rastreamento de aster\u00f3ides que ameacem nosso planeta.<\/p>\n<p><strong><em><b><i>Objetos Espaciais Potencialmente Perigosos<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/p>\n<p>Corpos celestes perigosos, o que isso significa? Os astr\u00f4nomos conseguiram dar uma resposta objetiva a essa pergunta, atrav\u00e9s de dois conceitos (ou defini\u00e7\u00f5es): NEO (Near-Earth Object) e PHO (Potentially Hazardous Object).<\/p>\n<p>Um corpo celeste (aster\u00f3ide ou cometa) \u00e9 um \u00a0<a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/specials\/pdco\/index.html\"><u>NEO<\/u><\/a>\u00a0<em><i>se existirem dois pontos<\/i><\/em>, um na sua pr\u00f3pria \u00f3rbita e o outro na \u00f3rbita da Terra, cuja dist\u00e2ncia entre eles seja <em><i>menor do que 48 milh\u00f5es de quil\u00f4metros<\/i><\/em>. Portanto, um objeto espacial, seja ele um aster\u00f3ide ou um cometa, ser\u00e1 classificado como NEO, somente ap\u00f3s a determina\u00e7\u00e3o de sua \u00f3rbita.<\/p>\n<p>O Congresso norte-americano aprovou <a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/planetarydefense\/neoo\"><u>uma diretiva<\/u><\/a>\u00a0(para seus Observat\u00f3rios) que tem como objetivo detectar e caracterizar 90% dos NEOs com mais de 140 metros.<\/p>\n<p>Hoje, s\u00e3o conhecidos 30.039 <a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-10-near-earth-asteroids.html\"><u>aster\u00f3ides NEOs<\/u><\/a>. Somente o telesc\u00f3pio terrestre Catalina Sky Survey, no Arizona (EUA), descobre um <em><i>novo aster\u00f3ide por semana<\/i><\/em>! J\u00e1 o n\u00famero conhecido de <a href=\"#:~:text=As%20of%20November%204%2C%202021,27%2C323%20(99.57%25)%20are%20asteroids.\"><u>cometas NEOs<\/u><\/a>\u00a0\u00e9 bem menor, 117.<\/p>\n<div id=\"attachment_49655\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49655\" class=\"wp-image-49655 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-3.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-3.jpg 500w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-49655\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 3 &#8211; Foto tirada 1 minuto depois da explos\u00e3o do meteoro de Chelyabinsk, a uma dist\u00e2ncia de 200 km do local da detona\u00e7\u00e3o. Ondas de choque se estenderam por uma \u00e1rea de 500 km2 (Cr\u00e9dito: Alex Alishevskikh)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>Somente s\u00e3o conhecidos 25 aster\u00f3ides cujas trajet\u00f3rias est\u00e3o <em><i>completamente contidas<\/i><\/em>\u00a0no interior da \u00f3rbita da Terra. Eles s\u00e3o muito dif\u00edceis de serem detectados, devido ao brilho do Sol. Para se ter uma id\u00e9ia, foi somente agora, em 2022, que o aster\u00f3ide denominado <a href=\"https:\/\/www.space.com\/dangerous-asteroid-discovered-in-sun-glare?utm_source=notification\"><u>2022AP7<\/u><\/a>\u00a0foi descoberto&#8230; seu tamanho \u2013 1,5 km!<\/p>\n<p>Um aster\u00f3ide ou um cometa (com <em><i>tamanho maior do que 30 metros<\/i><\/em>) \u00e9 um <a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/specials\/pdco\/index.html\"><u>PHO<\/u><\/a>\u00a0<em><i>se existirem dois pontos<\/i><\/em>, um na sua pr\u00f3pria \u00f3rbita e o outro na \u00f3rbita da Terra, cuja dist\u00e2ncia entre eles seja <em><i>menor do que 8 milh\u00f5es de quil\u00f4metros<\/i><\/em>. Claro, os PHOs formam um subconjunto dos NEOs, o mais perigoso. O <a href=\"https:\/\/neo.ssa.esa.int\/\"><u>n\u00famero atual de PHOs<\/u><\/a>\u00a0\u00e9 de 1.436.<\/p>\n<p>Com os poss\u00edveis empurr\u00f5es gravitacionais dos planetas, aster\u00f3ides e cometas NEOs podem deixar de s\u00ea-lo (e vice-versa). Aqui na Terra, o sinal vermelho acende se o PHO tiver mais de 1% de probabilidade de impactar a Terra nos pr\u00f3ximos 50 anos.<\/p>\n<p>Nos EUA, a responsabilidade de detectar, alertar, mitigar (diminuir danos) e coordenar a\u00e7\u00f5es contra os PHOs est\u00e1 nas m\u00e3os do <a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/planetarydefense\/overview\"><u>Planetary Defense Coordination Office<\/u><\/a>.<\/p>\n<p>Na Europa, tal tarefa \u00e9 executada pela <a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Space_Safety\/SSA_Programme_overview\"><u>Space Situational Awareness<\/u><\/a>, que conta com o financiamento de 19 pa\u00edses. Essas duas organiza\u00e7\u00f5es, por sua vez, s\u00e3o coordenadas pela ONU atrav\u00e9s da <a href=\"https:\/\/iawn.net\/\"><u>IAWN<\/u><\/a>.<\/p>\n<p><strong><em><b><i>Olhe Para Cima!<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_49656\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49656\" class=\"wp-image-49656 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-4.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-4.jpg 500w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-4-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-49656\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 4 &#8211; Num dia de inverno, um dos tr\u00eas telesc\u00f3pios \u00f3ticos operados pelo Observat\u00f3rio Steward da Universidade do Arizona. Eles est\u00e3o situados nas montanhas Santa Catalina, ao norte da cidade de Tucson (Cr\u00e9dito: Catalina Sky Survey)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>Basicamente, <em><i>tr\u00eas tipos de telesc\u00f3pios<\/i><\/em>\u00a0s\u00e3o usados no descobrimento e rastreamento dos NEOs: o \u00f3tico, o infravermelho e o radar. Os telesc\u00f3pios \u00f3ticos trabalham nos comprimentos da luz vis\u00edvel e consequentemente, s\u00f3 podem entrar em a\u00e7\u00e3o durante a noite. Os telesc\u00f3pios no infravermelho podem detectar os chamados aster\u00f3ides escuros (que n\u00e3o refletem a luz vis\u00edvel) e os radares que calculam, com muita precis\u00e3o, a velocidade e a dist\u00e2ncia dos NEOs.<\/p>\n<p>Entre os mais importantes <em><i>telesc\u00f3pios \u00f3ticos<\/i><\/em>\u00a0ca\u00e7adores de NEOs podemos citar o <a href=\"https:\/\/catalina.lpl.arizona.edu\/about\/facilities\"><u>Catalina Sky Survey<\/u><\/a>\u00a0(<em><i>Figura 4<\/i><\/em>) e o <a href=\"https:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/paranal\/telescopes\/vlti.html\"><u>Very Large Telescope<\/u><\/a>\u00a0(que tamb\u00e9m opera no infravermelho, <em><i>Figura 5<\/i><\/em>).<\/p>\n<p>Os aster\u00f3ides n\u00e3o escuros e cometas refletem a luz vis\u00edvel e emitem luz no infravermelho (como n\u00f3s, seres humanos). Dessa forma, os telesc\u00f3pios que operam no infravermelho, podem \u00b4ver\u00b4 esses objetos espaciais mesmo quando estes se interp\u00f5em entre a Terra e o Sol.<\/p>\n<p>Muitos telesc\u00f3pios infravermelhos est\u00e3o localizados no cume \u00a0deslumbrante do <a href=\"https:\/\/skyandtelescope.org\/astronomy-news\/years-of-tensions-at-mauna-kea-may-end-with-peaceful-negotations\/\"><u>Mauna Kea<\/u><\/a>, no Hava\u00ed (<em><i>Figura 6<\/i><\/em>). Altitude acima de 4.000 metros, c\u00e9u limpo, ar seco, sem polui\u00e7\u00e3o, Mauna Kea \u00e9 o melhor local para observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas no hemisf\u00e9rio norte (no hemisf\u00e9rio sul, \u00e9 o deserto de Atacama, no Chile).<\/p>\n<p>\u00c9 importante notar que <em><i>telesc\u00f3pios baseados em terra<\/i><\/em>, precisam compensar a turbul\u00eancia atmosf\u00e9rica. Na mesosfera, entre 90 e 100 km de altura, existem \u00e1tomos de s\u00f3dio que, ao serem excitados por raios laser (com comprimento de 589 nan\u00f4metros), emitem luz. Essa pequena estrela artificial, permite ent\u00e3o utilizar <a href=\"https:\/\/subarutelescope.org\/en\/news\/topics\/2022\/04\/04\/3041.html\"><u>t\u00e9cnicas de \u00f3tica adaptativa<\/u><\/a>, que deixam a imagem (do objeto estudado) bem mais n\u00edtida. Recomendo muito, que voc\u00eas vejam o <a href=\"https:\/\/youtu.be\/zclfWUvbiCg\"><u>v\u00eddeo<\/u><\/a>\u00a0feito em Mauna Kea<em><i>. <\/i><\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_49657\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49657\" class=\"wp-image-49657 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-5.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-5.jpg 500w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-5-300x244.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-49657\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 5 &#8211; O Very Large Telescope est\u00e1 localizado em Cerro Paranal (cuja altitude \u00e9 de 2.600 metros), no deserto de Atacama (Chile). \u00c9 composto por 4 telesc\u00f3pios que operam tanto no vis\u00edvel quanto no infravermelho. \u00c9 capaz de distinguir os dois far\u00f3is de um carro localizado na Lua (Cr\u00e9dito: European Southern Observatory, ESO)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p><em><i>Telesc\u00f3pios espaciais<\/i><\/em>\u00a0como o Spitzer, James Webb e at\u00e9 o Hubble, tamb\u00e9m s\u00e3o utilizados para localizar e caracterizar NEOs no infravermelho.<\/p>\n<p>Vamos agora, analisar os ca\u00e7adores de NEOs que utilizam o radar. Diferentemente dos telesc\u00f3pios \u00f3ticos e infravermelhos que <em><i>s\u00e3o passivos<\/i><\/em>\u00a0(s\u00f3 recebem os sinais eletromagn\u00e9ticos), os radares s\u00e3o <em><i>elementos ativos<\/i><\/em>\u00a0que enviam <em><i>sinais de r\u00e1dio para o objeto em estudo<\/i><\/em>, recebem o retorno do seu eco e o interpretam. A <em><i>diminui\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia do eco<\/i><\/em>\u00a0permite calcular a dist\u00e2ncia do objeto e o <em><i>efeito Doppler <\/i><\/em>permite determinar a sua <em><i>velocidade radial<\/i><\/em>. Variando a dire\u00e7\u00e3o do feixe de r\u00e1dio, \u00e9 poss\u00edvel calcular a rota\u00e7\u00e3o e os detalhes da superf\u00edcie daquele objeto.<\/p>\n<p>O objeto espacial <em><i>mais distante<\/i><\/em>\u00a0analisado por um radar foi o planeta Saturno, seu anel e suas luas (um sinal de radar leva mais de duas horas para ir e voltar). O autor dessa fa\u00e7anha foi o gigantesco <em><i>Telesc\u00f3pio de Arecibo<\/i><\/em>, em Porto Rico (<em><i>Figura 7<\/i><\/em>). O seu colapso, h\u00e1 dois anos, foi um duro golpe para a radioastronomia. Operou por 57 anos e foi pioneiro em in\u00fameras descobertas. Seu <a href=\"https:\/\/www.naic.edu\/ao\/legacy-discoveries\"><u>legado<\/u><\/a>\u00a0n\u00e3o ser\u00e1 esquecido.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Radar\"><u>palavra radar<\/u><\/a>\u00a0\u00e9 um acr\u00f4nimo para RADAR (Radio Detection and Ranging). O radar foi desenvolvido secretamente para usos militares, durante a Segunda Guerra Mundial (<em><i>Figura 8<\/i><\/em>). Hoje, os radares est\u00e3o em toda parte: no tr\u00e2nsito, nos navios, nos avi\u00f5es, nos foguetes e nos sat\u00e9lites.<\/p>\n<p>O primeiro aster\u00f3ide detectado por um radar foi o 1566 Icarus, em 1968. Hoje, o <a href=\"https:\/\/www.jpl.nasa.gov\/news\/planetary-radar-observes-1000th-near-earth-asteroid-since-1968\"><u>n\u00famero de aster\u00f3ides<\/u><\/a>\u00a0descobertos atrav\u00e9s do radar j\u00e1 passa de 1000. Um conjunto de 10 telesc\u00f3pios chamado VLBA (Very Long Baseline Array), com \u00b4pratos\u00b4 de 25 m de di\u00e2metro e espalhados pelos EUA, utiliza o radar para detectar e analisar NEOs. Como r\u00e1dio receptor, ele tamb\u00e9m investiga os buracos negros.<\/p>\n<div id=\"attachment_49658\" style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49658\" class=\"wp-image-49658 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-6.jpg\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"411\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-6.jpg 1100w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-6-300x112.jpg 300w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-6-1024x383.jpg 1024w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-6-768x287.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><p id=\"caption-attachment-49658\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 6 &#8211; O maravilhoso pico de Mauna Kea (Hava\u00ed) abrange um conjunto de 13 telesc\u00f3pios. Mauna Kea \u00e9 um vulc\u00e3o adormecido e sagrado para o povo nativo. O 14\u00ba. telesc\u00f3pio projetado (um gigante com um espelho de 30 metros) tem encontrado resist\u00eancia para sua constru\u00e7\u00e3o, por parte da comunidade nativa (Cr\u00e9dito: Frank Ravizza)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_49659\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49659\" class=\"wp-image-49659 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-7.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-7.png 500w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-7-300x238.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-49659\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 7 &#8211; O ic\u00f4nico telesc\u00f3pio de Arecibo, em Porto Rico. Com um \u00b4prato\u00b4 de 305 metros de di\u00e2metro, o Arecibo operava ondas de r\u00e1dio de 3 cent\u00edmetros a 6 metros. Com o objetivo de contactar extraterrestres, o Arecibo em 1974, enviou uma mensagem (de Carl Sagan, Frank Drake e outros colaboradores) na dire\u00e7\u00e3o do grande aglomerado globular M13 (que orbita o centro da Via L\u00e1ctea), informando sobre a humanidade e o nosso planeta. Foi um gesto apenas simb\u00f3lico pois, como o M13 est\u00e1 a 25.100 anos da Terra, somente uma civiliza\u00e7\u00e3o tecnologicamente super avan\u00e7ada, poderia captar o sinal de r\u00e1dio que chegar\u00e1 absurdamente fraco. Saberemos daqui h\u00e1 50.000 anos (Cr\u00e9dito: Arecibo Observatory\/NAIC)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>Muito embora a nossa tecnologia de radar s\u00f3 permita estudar objetos dentro do sistema solar, os radiotelesc\u00f3pios podem receber sinais de astros que emitem intensos sinais de r\u00e1dio como estrelas, gal\u00e1xias e quasares. \u00a0Os radiotelesc\u00f3pios recebem sinais de r\u00e1dio com comprimento entre 1 mm e 10 m. Portanto, foram eles que detectaram a radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo (micro-ondas, com comprimento de onda da ordem de 1,9 mm) emitida quando os <em><i>primeiros \u00e1tomos de hidrog\u00eanio se formaram<\/i><\/em>\u00a0e o nosso universo tinha cerca de 300 milh\u00f5es de anos de idade.<\/p>\n<p><strong><em><b><i>Veja Onde Eles Est\u00e3o!<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/p>\n<p>Para a tela do seu computador, a NASA disponibiliza, em <em><i>tempo real<\/i><\/em>, a posi\u00e7\u00e3o espacial de cometas, aster\u00f3ides e astronaves como OSIRIS-Rex e Lucy. Voc\u00ea pode ver isso acessando este <a href=\"#\/asteroids\/\"><u>site<\/u><\/a>. \u00c9 um programa pesado, leva um bom tempo para carregar. Quando aparecer o \u00b4tag\u00b4 indicando lentid\u00e3o, pressione \u201c<em><i>Aguarde\u201d<\/i><\/em>\u00a0muitas vezes, at\u00e9 que surja a tela que mostra a <em><i>posi\u00e7\u00e3o atual<\/i><\/em>\u00a0dos NEOs.<\/p>\n<p>O mapa mostra os principais objetos situados entre o Sol e o planeta Jupiter. Posicionando o cursor sobre esses objetos, aparecer\u00e1 uma linha indicando a sua \u00f3rbita. Clicando nos s\u00edmbolos + ou -, voc\u00ea pode fazer um zoom. Arrastando o rel\u00f3gio que est\u00e1 na parte inferior da tela, voc\u00ea poder\u00e1 saber as posi\u00e7\u00f5es desses objetos entre os anos 1990 e 2030. No canto superior direito fica a lupa, digite o nome de um aster\u00f3ide, cometa ou astronave e voc\u00ea ter\u00e1 mais informa\u00e7\u00f5es. Vale a pena.<\/p>\n<p><strong><em><b><i>A Miss\u00e3o DART<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/p>\n<p><u>Resumo<\/u><\/p>\n<p>A miss\u00e3o <a href=\"https:\/\/dart.jhuapl.edu\/Mission\/index.php\"><u>DART<\/u><\/a>\u00a0(Double Asteroid Redirection Test) foi criada pela NASA para testar a possibilidade de <em><i>desviar a \u00f3rbita de um aster\u00f3ide<\/i><\/em>\u00a0atrav\u00e9s do impacto direto de uma nave. A nave DART foi constru\u00edda com esse objetivo. Foi lan\u00e7ada por um foguete Falcon, da SpaceX, no dia 24 de novembro (GMT) de 2021, da base Vandenberg, na Calif\u00f3rnia. Seu alvo \u2013 o aster\u00f3ide Dimorphos (<em><i>Figura 9)<\/i><\/em>, que forma um sistema duplo com o aster\u00f3ide Didymos. O impacto ocorreu no dia 26 de setembro de 2022. Foi um sucesso total.<\/p>\n<div id=\"attachment_49662\" style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49662\" class=\"wp-image-49662 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-8-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"825\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-8-1.jpg 1100w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-8-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-8-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-8-1-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><p id=\"caption-attachment-49662\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 8 &#8211; Placa em homenagem ao sucesso dos primeiros experimentos com radar. Ela est\u00e1 na cidade de Daventry, Inglaterra. Em 26 de fevereiro de 1935, Robert W. Watt e A. Wilkins, demostraram o uso do radar na detec\u00e7\u00e3o de avi\u00f5es. O final da placa diz: \u201cFoi essa inven\u00e7\u00e3o, mais do que qualquer outra, que salvou a RAF (Royal Air Force, for\u00e7a a\u00e9rea brit\u00e2nica) da derrota, em 1940 na batalha da Gr\u00e3-Bretanha\u201d (Cr\u00e9dito: Kintak)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p><u>A Nave DART<\/u><\/p>\n<p>O corpo central da Nave DART tinha a forma de um paralelep\u00edpedo com dimens\u00f5es de 1,9 x 1,8 x 2,6 m. No espa\u00e7o, abriram-se 2 pain\u00e9is solares com comprimentos de 8,5 m, cada um. A massa total era de 610 kg. Sua propuls\u00e3o era i\u00f4nica (60 kg de xen\u00f4nio) e, para as manobras de posicionamento da nave, utilizou-se 50 kg<\/p>\n<div id=\"attachment_49661\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49661\" class=\"wp-image-49661 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-9.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-9.jpg 250w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-9-248x300.jpg 248w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><p id=\"caption-attachment-49661\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 9 &#8211; O aster\u00f3ide Dimorphos, que tem a forma de uma batata, comparado em tamanho e propor\u00e7\u00e3o com o Coliseu de Roma (Cr\u00e9dito: ESA)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>de hidrazina (N<sub>2<\/sub>\u00a0H<sub>4<\/sub>).<\/p>\n<p>Como carga \u00fatil, DART (<em><i>Figura 10<\/i><\/em>) trazia a c\u00e2mera DRACO (para Didymos Reconnaissance and Asteroid Camera for Optical navigation) que junto com os algoritmos chamados de SMART Nav (para Small-body Maneuvering Autonomous Real Time Navigation) permitiram que, <em><i>uma hora antes do impacto<\/i><\/em>, DART pudesse distinguir entre Dimorphos e Didymos e, realizasse uma <em><i>navega\u00e7\u00e3o \u00f3tica aut\u00f4noma<\/i><\/em>\u00a0at\u00e9 o alvo.<\/p>\n<p>No lan\u00e7amento, DART estava acompanhado da nave LICIACube (para Light Italian CubeSat for Imaging of Asteroids) constru\u00edda pela ASI (Agenzia Spaziale Italiana) com objetivo de adquirir imagens de longa dist\u00e2ncia. LICIACube se separou da DART <em><i>15 dias antes do impacto<\/i><\/em>.<\/p>\n<p><u>O Sistema Duplo de Aster\u00f3ides<\/u><\/p>\n<p>Para testar a sua t\u00e9cnica de impacto, a NASA escolheu o sistema duplo de aster\u00f3ides Didymos-Dimorphos. Um sistema ideal, primeiro, porque n\u00e3o havia (e n\u00e3o h\u00e1) risco algum dele vir a colidir com a Terra, segundo, porque tudo poderia ser observado em tempo real e de \u00b4camarote\u00b4 (<em><i>Figura 11<\/i><\/em>) pelo DART, LICIACube e v\u00e1rios telesc\u00f3pios espaciais e terrestres devido a posi\u00e7\u00e3o e a proximidade do sistema (ent\u00e3o, a 11 milh\u00f5es de quil\u00f4metros da Terra).<\/p>\n<p>Didymos tem di\u00e2metro de 780 m e Dimorphos 160 m (<em><i>Figura 12<\/i><\/em>). Dimorphos \u00e9, praticamente, uma lua de Didymos. A dist\u00e2ncia m\u00e9dia entre eles <em><i>era de 1.180 metros<\/i><\/em>\u00a0e o per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o de <em><i>11 horas e 55 minutos<\/i><\/em>.<\/p>\n<div id=\"attachment_49663\" style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49663\" class=\"wp-image-49663 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-10.jpg\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"733\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-10.jpg 1100w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-10-300x200.jpg 300w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-10-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-10-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><p id=\"caption-attachment-49663\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 10 &#8211; Poster da NASA por ocasi\u00e3o do Primeiro Teste de Defesa Planet\u00e1ria. No primeiro plano, ilustra\u00e7\u00e3o da nave DART rumo ao seu alvo, o aster\u00f3ide Dimorphos. Ao fundo, o aster\u00f3ide Didymos (Cr\u00e9dito: NASA)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_49664\" style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49664\" class=\"wp-image-49664 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-11.jpg\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"643\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-11.jpg 1100w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-11-300x175.jpg 300w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-11-1024x599.jpg 1024w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-11-768x449.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><p id=\"caption-attachment-49664\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 11 &#8211; Ilustra\u00e7\u00e3o da auspiciosa distribui\u00e7\u00e3o dos astros \u00e0 \u00e9poca do impacto. O sistema duplo est\u00e1 numa configura\u00e7\u00e3o tal que, quando visto aqui da Terra, o aster\u00f3ide Dimorphos se eclipsa atr\u00e1s de Didymos. Muito conveniente para se medir o per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o. A colis\u00e3o do DART e do Dimorphos foi frontal! (Cr\u00e9dito: NASA)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p><u>O Sucesso da Nave Kamikaze<\/u><\/p>\n<div id=\"attachment_49665\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49665\" class=\"wp-image-49665 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-12.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-12.jpg 400w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-12-300x157.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-49665\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 12 &#8211; Infogr\u00e1fico de DART, Dimorphos e Didymos e objetos conhecidos. Com o gasto de combust\u00edvel para percorrer 11 milh\u00f5es de quil\u00f4metros, a massa de DART na hora do impacto era de 570 kg. N\u00e3o existe medida direta da massa de Dimorphos, mas estimativas fornecem, aproximadamente, 5 bilh\u00f5es de quilogramas! Logo, o impacto da DART n\u00e3o conseguiria despeda\u00e7ar Dimorphos! (Cr\u00e9dito: NASA\/Johns Hopkins APL)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>No dia 26 de setembro de 2022, \u00e0s 20 horas e 14 minutos (hor\u00e1rio de Bras\u00edlia) a nave DART colidiu de frente com o aster\u00f3ide Dimorphos. Os derradeiros minutos da espa\u00e7onave foram transmitidos pela Tv da NASA. Com apenas 37 segundos de diferen\u00e7a, a humanidade p\u00f4de acompanhar, ao vivo, as <a href=\"https:\/\/www.jpl.nasa.gov\/edu\/images\/news\/dart_impact_draco.gif\"><u>imagens<\/u><\/a>\u00a0do<\/p>\n<p>impacto. Foi emocionante e inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>Na <em><i>Figura 13<\/i><\/em>, vemos que a superf\u00edcie de Dimorphos \u00e9 coberta de pedregulhos como se estes tivessem sido \u00b4grudados\u00b4 no corpo (que tem a forma de uma batata) do aster\u00f3ide. Com o forte impacto (a velocidade da DART era de 23.760 km\/h), este material se pulverizou formando uma cauda (<em><i>Figura 14<\/i><\/em>). O aster\u00f3ide Dimorphos se vestiu de cometa!<\/p>\n<p>Cerca de 2 semanas ap\u00f3s o impacto, novas medi\u00e7\u00f5es conclu\u00edram que o per\u00edodo do aster\u00f3ide Dimorphos, havia <a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/asteroids-comets-and-meteors\/asteroids\/didymos\/in-depth\/\"><em><u><i>diminu\u00eddo em 32 minutos<\/i><\/u><\/em><\/a>\u00a0(\u00b1\u00a02 minutos)! Com isso, Dimorphos se aproximou de Didymos cerca de 35 metros. Sucesso total!<\/p>\n<p><strong><em><b><i>Perspectivas<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/p>\n<p>Para repetir o sucesso da nave DART \u00e9 necess\u00e1rio se determinar, com muita precis\u00e3o, a \u00f3rbita e a forma dos NEOs. E a\u00ed entram os radares. Existem bons <em><i>receptores de radar<\/i><\/em>\u00a0espalhados por todo o mundo, mas no que tange a <em><i>emissores de radar<\/i><\/em>, o colapso do telesc\u00f3pio de Arecibo deixou uma enorme lacuna. Pensando nisso, os <a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/planetary-scientists-need-radar\/\"><u>EUA<\/u><\/a>\u00a0est\u00e3o desenvolvendo novas e <em><i>mais potentes antenas transmissoras de radar<\/i><\/em>\u00a0para o Green Bank Telescope e o Very Long Baseline Array.<\/p>\n<p>Recentemente, a Ag\u00eancia Espacial Europ\u00e9ia tornou operacional o telesc\u00f3pio <a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2107\/\"><u>TBT2<\/u><\/a>\u00a0(no Observat\u00f3rio La Silla, Chile). \u00c9 um telesc\u00f3pio \u00f3tico com processamento aut\u00f4nomo para detectar NEOs. Inspirado nos olhos multifacetados de um inseto, est\u00e1 em desenvolvimento uma rede de telesc\u00f3pios denominada \u00a0<a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Space_Safety\/Flyeye_ESA_s_bug-eyed_asteroid_hunter\"><u>Flyeye<\/u><\/a>, com o objetivo de detectar NEOs com mais de 40 metros de di\u00e2metro, tr\u00eas semanas antes de um poss\u00edvel impacto.<\/p>\n<div id=\"attachment_49666\" style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49666\" class=\"wp-image-49666 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-13.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-13.png 1100w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-13-300x196.png 300w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-13-1024x667.png 1024w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-13-768x501.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><p id=\"caption-attachment-49666\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 13 &#8211; A \u00faltima imagem captada pela c\u00e2mera DRACO a bordo da nave DART, antes de seu impacto contra o aster\u00f3ide Dimorphos. Ela estava a 7 km de altura e a 2 segundos da colis\u00e3o (Cr\u00e9dito: NASA\/Johns Hopkins APL)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_49667\" style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49667\" class=\"wp-image-49667 size-full\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-14.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"888\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-14.png 1100w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-14-300x242.png 300w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-14-1024x827.png 1024w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/nicolau-14-768x620.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><p id=\"caption-attachment-49667\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Figura 14 &#8211; (a) Imagem do aster\u00f3ide Dimorphos feita pelo telesc\u00f3pio espacial Hubble no dia 08 de outubro de 2022, 285 horas ap\u00f3s o impacto da nave DART. (b) Imagem feita pelo telesc\u00f3pio terrestre SOAR, no Chile, mostrando um rastro de poeira e destro\u00e7os de cerca de 10.000 km (Cr\u00e9dito: (a) NASA\/ESA\/STScl\/Hubble \/ (b) CTIO\/NOIRLab\/SOAR\/NSF\/AURA<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>Por \u00faltimo, gostaria de mencionar a <a href=\"https:\/\/www.heramission.space\/\"><u>Miss\u00e3o Hera<\/u><\/a>. Em desenvolvimento pela Ag\u00eancia Espacial Europ\u00e9ia, ela deve lan\u00e7ar a espa\u00e7onave Hera (provavelmente, em 2024) para estudar o sistema duplo Didymos-Dimorphos ap\u00f3s impacto da DART. Al\u00e9m de colher dados geof\u00edsicos da superf\u00edcie desses aster\u00f3ides e, em particular, da cratera onde colidiu com a DART, Hera est\u00e1 equipada com um radar e poder\u00e1 investigar a composi\u00e7\u00e3o do seu interior.<\/p>\n<p><sup>*<\/sup><em><i>F\u00edsico, Professor S\u00eanior do IFSC \u2013 USP<\/i><\/em><\/p>\n<p><em><i>e-mail: <\/i><\/em><a href=\"mailto:onody@ifsc.usp.br\"><em><u><i>onody@ifsc.usp.br<\/i><\/u><\/em><\/a><\/p>\n<p>Para acessar <em><i>todo<\/i><\/em>\u00a0o conte\u00fado do site<em><i>\u00a0\u201cNot\u00edcias de Ci\u00eancia e Tecnologia\u201d<\/i><\/em> dirija a c\u00e2mera do celular para o QR Code abaixo:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-49668\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/qr.png\" alt=\"\" width=\"148\" height=\"148\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Compartilhe o artigo:<\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-46637\" src=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/medias500.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"92\" srcset=\"https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/medias500.jpg 500w, https:\/\/www2.ifsc.usp.br\/portal-ifsc\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/medias500-300x55.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>(Agradecimento: ao Sr. Rui Sintra da Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o &#8211; IFSC\/USP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Prof. Roberto N. Onody * Caro leitor, Na parte 1** deste artigo, discutimos a natureza e a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos aster\u00f3ides e dos cometas. Analisamos miss\u00f5es espaciais (s\u00f3 as bem-sucedidas) que enviaram naves para estudar esses corpos celestes de perto, coletar amostras e at\u00e9 traz\u00ea-las de volta \u00e0 Terra! 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