Notícias

22 de maio de 2026

Terapia a laser alivia dores da amamentação e a evitar desmame precoce – Estudo foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros e norte-americanos

(Créditos – “Breastfeeding Sucess”)

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Texas A&M University (EUA) revelou resultados promissores no tratamento de dores e lesões mamilares em mulheres que amamentam. A pesquisa, publicada no periódico científico ”American Journal of Medical and Clinical Sciences”, demonstrou que a aplicação de laser de baixa intensidade associada à orientação profissional sobre técnicas de amamentação acelera a cicatrização dos mamilos e reduz significativamente a dor durante o aleitamento.

O estudo foi realizado entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024 na maternidade Dona Francisca Cintra Silva, da Santa Casa de São Carlos. Participaram 16 mulheres em período pós-parto, todas com lesões mamilares e dores associadas à amamentação. As voluntárias foram divididas em dois grupos: um recebeu apenas orientações sobre cuidados e técnicas corretas de amamentação; o outro recebeu o mesmo acompanhamento aliado à terapia com laser de baixa intensidade.

De acordo com os pesquisadores, as lesões nos mamilos são um dos principais fatores que levam ao desmame precoce. Entre as causas mais comuns estão a pega incorreta do bebê, posicionamento inadequado durante a amamentação e ausência de orientação preventiva. A dor e o desconforto provocados pelas fissuras podem comprometer a continuidade do aleitamento materno, considerado pela Organização Mundial da Saúde essencial para a saúde do bebê e da mãe.

Os resultados apontaram melhora em ambos os grupos, mas as mulheres submetidas ao laser apresentaram recuperação mais rápida e maior redução da dor. Segundo os dados da pesquisa, a área das lesões diminuiu cerca de 45,6% no grupo tratado com laser, contra 25,8% no grupo que recebeu apenas orientações tradicionais. A intensidade da dor também caiu de forma mais expressiva entre as participantes submetidas à terapia luminosa.

Entre as principais vantagens observadas para as pacientes está o alívio quase imediato da dor após as aplicações do laser, permitindo que muitas mulheres retomassem a amamentação com mais segurança e confiança. As participantes também relataram menor desconforto durante as mamadas, redução do medo de amamentar e maior tranquilidade emocional no período pós-parto.

Drª Fernanda Mansano Carbinatto (IFSC/USP)

Outro benefício identificado foi a aceleração da cicatrização das fissuras mamilares, diminuindo o risco de agravamento das lesões e possíveis infecções. O tratamento ainda se mostrou não invasivo, indolor e sem efeitos colaterais importantes, o que favorece sua utilização em maternidades e serviços de apoio à amamentação.

Segundo a pesquisadora do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF), Drª Fernanda Mansano Carbinatto, uma das autoras principais do estudo “O equipamento utilizado pelos pesquisadores possui um adaptador desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos, capaz de ampliar a área de irradiação da luz e distribuir o feixe de forma uniforme sobre o mamilo e a aréola. A tecnologia evita o contato direto com a pele lesionada e reduz o risco de efeitos adversos, como aquecimento excessivo e desconforto”, sublinha.

Os autores explicam que a chamada fotobiomodulação atua estimulando processos celulares relacionados à cicatrização, redução da inflamação e alívio da dor. A luz do laser interage com componentes celulares, favorecendo a produção de energia nas células e acelerando a regeneração dos tecidos lesionados.

Além dos benefícios físicos, os pesquisadores destacam impactos positivos emocionais e sociais para as mães. A redução da dor e a melhora das lesões contribuem para a continuidade do aleitamento materno exclusivo, fortalecendo o vínculo entre mãe e bebê e reduzindo a frustração frequentemente associada às dificuldades da amamentação.

A pesquisa conclui que o uso do laser de baixa intensidade pode se tornar um importante aliado dos profissionais de saúde no cuidado às lactantes, contribuindo para a permanência da amamentação e para a melhora da qualidade de vida das mães no período pós-parto.

(Créditos das imagens utilizadas nesta notícia – “Breastfeeding Sucess” / “Cara Dolan-Stocksy United”)

Confira, clicando AQUI, o original deste estudo.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

Imprimir artigo
Compartilhe!
Share On Facebook
Share On Twitter
Share On Google Plus