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20 de março de 2018

Processo que mata larvas do Aedes aegypti é elucidado

O passo a passo da morte de larvas do mosquito Aedes aegypti ocasionada pela reação da curcumina – substância que é usada na culinária e que, diante da luz solar, pode combater as larvas – foi compreendido no Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).

Orientado pela Dra. Kate Blanco (IFSC/USP) e financiado tanto pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) como pelo Ministério da Saúde, o bolsista de Iniciação Científica do IFSC e aluno de graduação em ciências biológicas do Centro Universitário Central Paulista (UNICEP), Matheus Garbuio, observou a ação da curcumina (sintetizada em laboratório), no trato digestivo das larvas.

Foto: Richard C. Russell

Garbuio inseriu sete grupos de trinta larvas em potes que continham 250ml de água misturada com curcumina e, durante oito horas, expôs esses organismos direta e indiretamente (nesse último caso, em ambientes sombreados) à luz solar. No caso dos potes expostos diretamente, Matheus constatou que bastou meia hora para que se iniciasse a morte das larvas, ao passo que aquelas que receberam incidência indireta de luz demoraram mais tempo para atingir 100% de mortalidade.

A curcumina usada nesse estudo foi misturada com solventes para se tornar facilmente solúvel em água porque, conforme explicam os pesquisadores do IFSC, que realizaram a mistura a partir de uma parceria com o Instituto de Química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a larva consome a curcumina que é disponibilizada em água.

Segundo Garbuio, o trato digestivo da larva do Aedes aegypti se divide em três regiões – anterior, mediana e posterior -, sendo que elas contêm aspectos distintos que são observados, por exemplo, nos formatos de suas células. Em sua pesquisa, o estudante constatou que, quando a curcumina entra na região anterior do trato digestivo da larva, inicia-se uma proliferação celular que contrai o órgão. Mas quando passa para a região secundária, a curcumina, associada à luz solar, resulta no dano celular do trato e, quando uma alta concentração dessa substância chega a terceira região, culmina na ruptura do tubo, matando a larva do mosquito que, de acordo com informações obtidas pelos pesquisadores do Grupo de Óptica, no Brasil se prolifera de maneiras específicas, dependendo das culturas regionais: na região sudeste, por exemplo, a proliferação se dá em razão do lixo doméstico, mas nas regiões norte e nordeste, o mosquito se reproduz por meio de cisternas e caixas de água destampadas ou danificadas.

Com o potencial demonstrado pela curcumina associada à luz solar para combater a larva do mosquito, serão realizados ensaios bioquímicos, nos quais, ao invés de se observar os aspectos morfológicos da reação tóxica em questão, se tentará descobrir quais são as substâncias que estão por trás do efeito mortal provocado a partir da curcumina conjugada à luz natural. Além disso, os cientistas do IFSC esperam que, no futuro, essa pesquisa inspire novos estudos capazes de combater outros vetores.

Motivado por esse trabalho, Matheus participou, recentemente, do 25º Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP (SIICUSP), em São Carlos, tendo se classificado entre as melhores avaliações no evento, razão pela qual apresentou seu estudo na etapa internacional do SIICUSP, na Cidade Universitária, em São Paulo.

(Imagem destacada na página principal: Wikimedia Commons)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

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Instituto de Física de São Carlos - IFSC Universidade de São Paulo - USP
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