A bióloga brasileira Gabriela Dias Noske, de 28 anos, afirmou que mulheres que atuam na área científica muitas vezes precisam se esforçar mais para conquistar reconhecimento profissional.
A pesquisadora, que recebeu o “Grande Prêmio de Tese da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)”, destacou em reportagem publicada no “Jornal de Brasília” – Ana Bottallo / “FolhaPress” (08/03/2026) – que a desigualdade de gênero ainda está presente no ambiente acadêmico e na carreira científica.
Pesquisadora do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), ligado ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), Gabriela atua na área de biologia estrutural. Segundo ela, o desafio começou ainda durante a graduação no Curso de Ciências Físicas e Biomoleculares no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP). Em turmas com cerca de 20 estudantes, havia apenas uma ou duas mulheres, o que refletia um ambiente predominantemente masculino.
A cientista relata que, durante o doutorado, chegou a ouvir críticas de colegas homens sobre a forma como conduzia seus estudos, sendo desencorajada a seguir suas próprias ideias. Mesmo assim, persistiu na carreira acadêmica e concluiu o doutorado direto em 2023. O trabalho rendeu a ela o Grande Prêmio Capes de Tese na área de Exatas em 2024, concedido anualmente a apenas três pesquisadores no país.
Durante a pandemia de Covid-19, sua tese integrou um projeto voltado à identificação de enzimas capazes de inibir a ação do vírus SARS-CoV-2, com potencial para a produção de novos medicamentos. A pesquisadora afirmou que foi gratificante aplicar seu conhecimento científico em benefício da sociedade em um momento de crise global.
Atualmente, Gabriela dedica-se ao estudo do fungo Trichoderma reesei, utilizado na indústria para a degradação da celulose e produção de bioetanol. Para analisar a estrutura molecular das enzimas produzidas pelo microrganismo, a cientista utiliza técnicas como cristalografia de raios X e criomicroscopia eletrônica, além de experimentos realizados no acelerador de partículas Sirius (acelerador de partículas brasileiro), considerado o maior do país.
Apesar das conquistas, a pesquisadora observa que muitos cargos de liderança na ciência ainda são ocupados majoritariamente por homens. Para ela, essa realidade reforça a sensação de que mulheres precisam demonstrar constantemente sua capacidade para alcançar as mesmas posições.
Gabriela afirma que se inspira em cientistas históricas como Marie Curie e Rosalind Franklin. No futuro, quando estiver à frente de seu próprio laboratório, pretende incentivar a presença feminina na pesquisa científica, contribuindo para reduzir as desigualdades e fortalecer a participação das mulheres na ciência.
(Foto – “Folha/Ciência”)
Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP



