Organizado por estudantes do Instituto de Física de São Carlos IFSC/USP, evento reúne pesquisadores, minicursos, apresentação de trabalhos e debates sobre física, inovação, inteligência artificial e o papel da ciência diante da desinformação
A ciência produzida no Brasil, sua trajetória histórica, seus desafios e, principalmente, sua capacidade de transformar a sociedade estarão no centro dos debates da “XV Semana Integrada da Física de São Carlos – SIFSC”, promovida pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP). Com o tema “Ciência no Brasil”, o evento reúne pesquisadores, estudantes e convidados em uma programação que combina palestras, minicursos, apresentação de trabalhos científicos, rodas de conversa e atividades culturais.
Uma das características da SIFSC é o protagonismo estudantil, já que o evento é organizado e gerido integralmente por alunos de graduação e pós-graduação do IFSC/USP. Criada em 2011, a Semana surgiu da união da antiga Semana da Física (SEMAFIS) com o Workshop da Pós-Graduação e consolidou-se como espaço de integração entre diferentes níveis de formação, além de funcionar como uma vitrine da pesquisa desenvolvida no Instituto.
Nesta 15ª edição, a programação procura ampliar esse diálogo ao colocar em discussão não apenas resultados científicos, mas também a própria construção da ciência brasileira, sua relação com a sociedade e os novos desafios impostos por transformações tecnológicas e pela circulação de desinformação.
Um olhar para a história da Física brasileira
A programação, que ocorrerá no Auditório “Prof. Sérgio Mascarenhas” começa com uma reflexão sobre a trajetória da Física no País. O professor Sylvio Canuto, da Sociedade Brasileira de Física (SBF), apresenta no dia 05/10, às 09h00, a palestra “História e desenvolvimento da Física no Brasil”, abordando momentos, instituições e pesquisadores que contribuíram para a consolidação da área, além dos desafios enfrentados ao longo desse percurso.
Na sequência, Climério Paulo da Silva Neto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), apresentará às 10h30 “De Lattes ao CERN: repensando a história da física no Brasil”. A proposta é observar essa história também a partir dos instrumentos científicos e da tradição experimental brasileira.
Além de César Lattes, a apresentação recupera as contribuições de nomes como Sérgio Porto, Elisa Frota Pessoa e Emico Okuno e aborda a participação de cientistas brasileiros no início da colaboração entre instituições do País e o CERN, um dos principais centros de pesquisa em física de partículas do mundo.
A programação reserva ainda espaço para apresentações de pôsteres, permitindo que estudantes e pesquisadores apresentem seus trabalhos e compartilhem resultados com a comunidade acadêmica.
Do lado escuro do Universo à descoberta de novos fármacos
A diversidade da ciência brasileira aparece com destaque ao longo da Semana. Uma das palestras, “Notícias do lado escuro”, apresentada por Edivaldo Moura no dia 06/10, às 14h00, mergulha em um dos grandes mistérios da física contemporânea: a matéria escura.
O encontro aborda as evidências gravitacionais acumuladas desde a primeira metade do século XX e as tentativas experimentais de detectar possíveis interações entre partículas de matéria escura e a matéria conhecida. O tema envolve fenômenos observados em galáxias, aglomerados e lentes gravitacionais, além das buscas realizadas com diferentes tipos de detectores.
Em outra frente, a professora Maria Cristina Nonato apresenta nesse mesmo dia, às 15h30, “Ciência que nasce aqui e transforma vidas: da biologia estrutural à descoberta de fármacos no Brasil”. A palestra mostra como pesquisas fundamentais podem abrir caminhos para aplicações diretamente relacionadas à saúde.
A pesquisadora apresenta sua trajetória na biologia estrutural e na descoberta de fármacos, destacando como o conhecimento sobre estrutura, função e dinâmica de proteínas pode contribuir para a identificação de novos alvos terapêuticos e para o desenvolvimento de moléculas bioativas, especialmente voltadas ao enfrentamento de doenças infecciosas e negligenciadas.
A aproximação entre pesquisadores e público também ultrapassa os espaços tradicionais da universidade. A programação para o dia 06/10, às 19h30, inclui o “Papos de Física”, com participações de Diogo Boito, do IFSC/USP, e Eliceo Cortes Gomez, da Institución Universitaria de Barranquilla.
Formação científica e valorização de jovens pesquisadores
A SIFSC também dedica espaço importante à formação dos estudantes. Além dos minicursos, estão previstas apresentações do “Prêmio Yvonne Mascarenhas” no dia 07/10 a partir das 09h00, contemplando trabalhos de iniciação científica e de pós-graduação.
A premiação integra a proposta da Semana de reconhecer trabalhos acadêmicos de destaque e estimular a participação dos jovens na produção científica. A programação inclui ainda uma conversa com egressos relacionada aos 20 anos de Fiscomp e Biomol, que ocorrerá igualmente no dia 07/10, às 10h30, estabelecendo uma ponte entre a formação universitária e diferentes trajetórias profissionais.
Outro tema abordado é a relação entre conhecimento científico, tecnologia, empreendedorismo e inovação. Na palestra “Do IFSC para o mundo: A Jornada da deeptech brain4care”, que ocorrerá às 10h00 do dia 08/10, o público poderá conhecer um caso de transformação da pesquisa acadêmica em uma inovação destinada a ultrapassar os limites do laboratório e produzir impacto na sociedade.
Ciência, fake news e inteligência artificial
Na etapa final da programação, a SIFSC direciona os debates para duas questões que ganharam especial relevância na sociedade contemporânea: a desinformação e a inteligência artificial.
Na palestra “Por que fazer ciência em tempos de fake news?”, que ocorrerá também no dia 08/10, às 14h00, Marcia Barbosa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), discute a confiança social no conhecimento e nas instituições acadêmicas. A proposta é refletir sobre os caminhos necessários para fortalecer a confiança na autoridade construída pelo conhecimento científico.
Logo depois, às 15h30 desse mesmo dia, Nina da Hora apresenta “A IA não é ciência (ainda): confiança, evidência e quem tem o direito de interpretar?”. A discussão parte das diferenças entre a forma como sistemas de inteligência artificial são apresentados ao público e práticas tradicionalmente associadas à produção científica, como abertura de dados, replicação, revisão por pares e transparência sobre erros.
A palestra propõe uma reflexão sobre a crescente confiança depositada nas respostas fornecidas por sistemas de IA e sobre quem passa a ocupar o papel de intérprete do conhecimento na sociedade. O debate envolve ainda a comunicação científica e a responsabilidade dos pesquisadores em estabelecer diálogo com o público.
Ciência para além dos laboratórios
Mais do que uma sequência de palestras, a “XV Semana Integrada da Física de São Carlos” apresenta a ciência como uma atividade que se constrói por meio da formação de pessoas, da troca de conhecimento e do diálogo com a sociedade.
Essa proposta aparece na própria estrutura do evento: pesquisadores experientes dividem espaço com estudantes de iniciação científica e pós-graduação; temas históricos convivem com questões de fronteira; pesquisas fundamentais encontram aplicações tecnológicas; e discussões sobre matéria escura, descoberta de fármacos e inteligência artificial são acompanhadas por debates sobre confiança, comunicação e desinformação.
A programação também incorpora atividades culturais, incluindo “Show de Talentos” e um encerramento cultural no dia 08/10, às 19h00. Antes disso, a partir das 16h30 estão previstas uma mesa-redonda, cerimônia de encerramento e premiação dos vencedores do “Prêmio Yvonne Mascarenhas”.
Ao colocar “Ciência no Brasil” como tema central, a “XV SIFSC” reforça uma mensagem que atravessa toda a programação: a produção científica não se restringe aos laboratórios e às publicações especializadas. Ela envolve formação, história, inovação, comunicação e, sobretudo, a capacidade de transformar conhecimento em benefício para a sociedade.
Assessoria de Comunicação – IFSC/USP



