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5 de novembro de 2025

A importância das ciências quânticas nas comemorações de seu centenário – Passado, presente e futuro

(Physics World)

Neste ano de 2025 comemora-se o centenário das ciências quânticas, só que essa comemoração é diferente de uma comemoração simples, típica. De fato, uma comemoração simples apenas recorda um acontecimento que foi importante e que ficou para a memória coletiva, para a história, enquanto que a comemoração deste centenário das ciências quânticas é uma efeméride de algo que se iniciou há cem anos, mas que ainda não terminou: ou seja, estamos comemorando uma ciência quântica que ainda está acontecendo e que, por exemplo, contribuiu para o Prêmio Nobel da Física deste ano de 2025. Da mesma forma, a descoberta de Pasteur, que confirmou que as doenças são provocadas por germes, também aconteceu há duzentos anos e ela continua em plena evolução, sendo que o Prêmio Nobel de Medicina é uma extensão do que esse cientista fez, um tema que continua evoluindo.

Linha do tempo

O nascimento da mecânica quântica, ocorrido no início do século XX, surgiu da necessidade de explicar fenômenos que a física clássica não conseguia descrever adequadamente. O trabalho de Max Planck (1900) sobre a radiação do corpo negro introduziu a ideia de que a energia é emitida em pacotes discretos, denominados quanta. Albert Einstein, em 1905, reforçou essa concepção ao explicar o efeito fotoelétrico, demonstrando que a luz apresenta comportamento corpuscular, constituída por fótons.

Posteriormente, Niels Bohr desenvolveu seu modelo atômico (1913), ao descrever órbitas quantizadas para os elétrons em torno do núcleo. A formulação matemática mais robusta da teoria emergiu com Werner Heisenberg (1925), com a mecânica matricial, e com Erwin Schrödinger (1926), com a equação de ondas, onde descreveu a evolução temporal dos sistemas quânticos. O princípio da incerteza de Heisenberg (1927), ao postular a impossibilidade de determinar simultaneamente a posição e momento de uma partícula, e o postulado da superposição, segundo o qual um sistema pode existir em múltiplos estados até ser medido, revolucionaram a concepção determinista da física clássica.

Max Planck (Créditos – “HubePages”)

Uma etapa igualmente importante marcou os anos de 1923-1924, através do efeito Compton, que mostrou que a luz, além de ter sua energia quantizada, também apresentava a “grandeza quantidade de movimento”, ambas típicas de uma partícula, algo que causou grande alvoroço sobre essa descoberta. Por outro lado, mais ou menos ao mesmo tempo, apareceu a ideia e De Broglie, confirmando que os elétrons também tinham características de onda. Nascia, então, o conceito de dualidade onda-partícula.

Esses fundamentos sustentaram a chamada primeira revolução quântica, cujas aplicações tecnológicas se materializaram no transistor, no laser e na espectroscopia, tornando-se a base da eletrônica moderna, telecomunicações e medicina diagnóstica.

Na contemporaneidade, a física quântica expandiu-se para além da explicação de fenômenos microscópicos, incorporando-se a múltiplas disciplinas. Os semicondutores, que fundamentam os microprocessadores, dependem diretamente da compreensão da banda de energia dos sólidos e do efeito túnel, algo que, neste caso concreto – e não por coincidência -, o Prêmio Nobel de Física deste ano foi atribuído a um grupo de pesquisadores americanos que explorou exatamente uma ideia proposta na tese de um brasileiro – Amir Caldeira – conforme mencionado no anúncio feito pela comissão do Prêmio Nobel.

Por outro lado, o laser, fruto do princípio da emissão estimulada, é hoje essencial em cirurgias oftalmológicas, telecomunicações e armazenamento óptico de dados. A espectroscopia de ressonância magnética nuclear (RMN) e a ressonância magnética por imagem (MRI) derivam do comportamento quântico dos spins nucleares em campos magnéticos intensos. Além disso, a tomografia por emissão de pósitrons (PET) fundamenta-se na aniquilação de pósitrons, prevista pela teoria quântica de campos. Estamos também na fase da segunda revolução quântica, marcada pela exploração controlada de fenômenos como a coerência quântica, a superposição e o entrelaçamento (entanglement). A computação quântica utiliza qbits em vez de bits clássicos, explorando estados sobrepostos para realizar cálculos paralelos em escala exponencial. Já a criptografia quântica, baseada no teorema de não clonagem e na distribuição de chaves quânticas (QKD), promete comunicações seguras contra qualquer tentativa de interceptação.

A incógnita sobre o futuro

O futuro das ciências quânticas antevê avanços disruptivos. A computação quântica universal poderá simular a dinâmica eletrônica de moléculas complexas, acelerando a descoberta de novos materiais, como fármacos. Problemas de otimização em logística, inteligência artificial e finanças poderão ser resolvidos em tempos inviáveis para computadores clássicos.

A biologia quântica desponta como campo emergente, investigando o papel de processos quânticos na transferência eficiente de energia durante a fotossíntese, dando, como exemplo grosseiro, o mecanismo de orientação magnética em aves migratórias e, possivelmente, até em fenômenos da consciência.

No campo das comunicações, redes quânticas globais estão em desenvolvimento, integrando satélites e fibras ópticas para possibilitar a internet quântica com segurança baseada em princípios fundamentais da mecânica quântica. A metrologia quântica, por sua vez, busca redefinir padrões de tempo, massa e grandezas físicas com precisão, sem precedentes, utilizando relógios atômicos de íons aprisionados e interferometria quântica.

A importância da física quântica ultrapassa a esfera teórica

Prof. Dr. Luiz Nunes de Oliveira (IFSC/USP)

Entretanto, tais avanços suscitam dilemas éticos e geopolíticos. O domínio da computação quântica poderá alterar drasticamente o equilíbrio de poder entre nações, dado o impacto potencial na quebra de sistemas criptográficos atuais. Além disso, questões filosóficas persistem sobre a interpretação da teoria quântica — desde a interpretação de Copenhague até à dos “muitos mundos” — revelando que mais de um século após seu surgimento a mecânica quântica continua a provocar debates epistemológicos.

Sucintamente, as ciências quânticas são mais que um marco científico, já que elas constituem uma força transformadora da história do conhecimento. O passado revelou a ruptura com o determinismo clássico, o presente mostra sua incorporação em tecnologias indispensáveis, e o futuro anuncia uma terceira revolução com potencial de redefinir fronteiras científicas, econômicas e sociais. A importância da física quântica, portanto, ultrapassa a esfera teórica, sendo que ela está intrinsecamente ligada à evolução tecnológica, à inovação interdisciplinar e à reflexão ética sobre os rumos da humanidade.

Embora seja muito difícil fazer previsões sobre o futuro, o que se cogita são dois campos em que a mecânica quântica pode expandir. O primeiro, já mencionado, é o da computação quântica que, embora não se saiba que velocidade irá avançar, o certo é que quando isso acontecer surgirá uma revolução em vários aspectos, principalmente na questão da interdisciplinaridade da ciência, sendo que a Física, por definição, é a ciência que se preocupa com a maneira como as coisas funcionam. “De certa maneira, isso aí dá uma chave para a física entrar em todas as portas e dar contribuições para a química, para a biologia, algo parecido com uma “chave mestra”. Outro aspecto que acho que é mais importante ainda, é que estamos agora, de certa forma, em uma situação que é um pouco parecida com o que aconteceu em 1900, ou seja, ter no colo uma série de problemas… Não é que se tenha previsões erradas, mas existe uma série de problemas importantes que estão aparecendo e que ninguém consegue resolver; esses problemas estão presentes entre a mecânica quântica, o domínio da mecânica quântica e o domínio da mecânica clássica”, comenta o docente do IFSC/USP, Prof. Dr. Luiz Nunes de Oliveira.

A mecânica clássica trata das coisas macroscópicas, que já são bastante conhecidas, enquanto a mecânica quântica trata da escala atômica. E, em princípio, ela trata de tudo. Inclusive, poder-se-ia construir um automóvel baseado na solução da equação de Schrödinger, que, na prática, é impossível, mas, teoricamente poderia ser feito. Agora, entre esses dois domínios existe o domínio do mesoscópico, que é justamente onde operam as moléculas biológicas. Contudo, existem muitas outras coisas que acontecem nessa escala e que já estão surgindo. “Por exemplo, os supercondutores de alta temperatura crítica, que são fenômenos que acontecem nessa outra escala e que são muito mal compreendidos, atendendo a que neste momento só entendemos de forma pontual determinados aspectos desse problema. Mas, o mais importante do ponto de vista prático, são as moléculas biológicas. Existe a necessidade de se saber de que forma elas se comportam e como podem ser organizadas. Assim, se tivéssemos o conhecimento pleno para tratar esse problema, poderíamos, inclusive, resolver o problema da construção de novos fármacos. Seria ótimo se você falasse ‘eu quero uma droga que acabe com a minha dor de cabeça’, e aí alguém faz uma conta e responde para você ‘eu tenho uma droga aqui que é muito melhor do que todas as outras que se encontram no mercado’”, sublinha o Prof. Luíz Nunes.

O que os cientistas ambicionam é ter uma ciência, uma mecânica mesoscópica, que embora pudesse apresentar equações diferentes da mecânica clássica e da mecânica quântica, pudesse resolver, de alguma forma, algoritmos matemáticos. “Aí, talvez conseguíssemos essa descrição da mesma maneira que hoje em dia sabemos descrever átomos e sistemas com poucos elétrons, usando a mecânica quântica”, pontua o docente. Quer dizer que, na perspectiva do docente do IFSC/USP, em termos das macromoléculas e de novos fármacos, os pesquisadores poderiam fazer fármacos por demanda e para determinadas doenças ou sintomatologias. Contudo, essas perspectivas podem impactar violentamente o futuro que tanto se ambiciona alcançar. “Exatamente! Você vai criar novas ciências interdisciplinares. Por exemplo, você poderá, talvez, ter a biologia combinada com algum tipo de engenharia – algo que nem sequer imaginamos que possa ter uma conexão. Então, esse é o caminho que eu acho muito importante. Pode ser que demore muito para se chegar a esse ponto e pode haver alguém que, de repente, nos demonstre que é impossível você ter equações desse tipo. Mas, é uma coisa para pensarmos”, conclui o docente.

O salto para o futuro passa por compreender o passado

Prof. Dr. Valter Líbero (IFSC/USP)

“As previsões para o futuro são sempre muito difíceis. Mas podemos, por vezes, aprender com o passado para compreender e de alguma forma antever o futuro”, enfatiza o Prof. Dr. Valter Líbero, também docente do IFSC/USP. Segundo ele, é preciso ficar atento às previsões que se fizeram no passado e como elas transcorreram. O curioso é que, às vezes, segundo Valter Líbero, mesmo olhando para o passado, os cientistas se surpreendem com a evolução que aconteceu. A virada do século XIX para o XX foi uma grande revolução na ciência e, segundo o docente, embora estejamos em um momento de uma nova revolução, nada se compara com o que aconteceu nesse período. “Acho que, naquela época as pessoas também tentaram fazer alguma previsão. Talvez até uma entrevista parecida como esta deva ter acontecido. E, certamente não falaram sobre como iria ser o futuro da ciência e em particular do nascimento dessa nova mecânica. Acho que eles não conseguiram fazer a previsão dessa revolução que a mecânica quântica trouxe, já que ela foi muito além do que se poderia ter imaginado naquela época. Eu gostaria muito de encontrar, por exemplo, um desses grandes físicos e perguntar-lhe, depois de 1950, por exemplo, o que ele acha da evolução que a mecânica quântica teve nesses cinquenta últimos anos. Talvez um deles – talvez um dos pais da mecânica quântica poderia argumentar ‘me surpreendi com a evolução dela’. Porque, de fato, ela nos trouxe a compreensão daquilo que é uma das coisas mais relevantes que temos no nosso meio, que é a matéria, ou seja, aquilo que nos cerca, aquilo do qual nós somos feitos”, salienta o Prof. Valter Líbero, sorrindo.

“A mecânica quântica veio explicar como é que as coisas funcionam, permitindo a construção de fármacos, por exemplo, novos materiais para a indústria, telecomunicações e computação. Então, a computação, hoje, tem uma componente de mecânica quântica muito importante – a tal computação quântica, que no meu ponto de vista, tem duas direções. Estamos fazendo com que a computação quântica tenha uma evolução enorme, mas também acho que estamos aprendendo a mecânica quântica com a computação quântica. Hoje, vemos engenheiros que não têm formação em mecânica quântica envolvidos em computação quântica. E eles estão como que aprendendo mecânica quântica justamente pelo fato de saberem computação. Então, a mecânica quântica traz essa questão de explicar as coisas à nossa volta e, ao mesmo tempo, tudo o que se encontra à nossa volta permite que em cada dia que passa possamos compreendê-la”, pontua o docente.

O fato inquestionável é que a mecânica quântica está praticamente “na boca do povo”. Há cinco anos, falar em mecânica quântica era algo incompreensível para quase todo o mundo. Hoje, fala-se muito dela, porque a mecânica quântica está indo além dos muros da universidade e está realmente caindo na discussão das pessoas. “Acho que isso vai até ajudar a compreender melhor a mecânica quântica. Quanto à incerteza, característica da mecânica quântica, essa incerteza não é interpretada no mesmo sentido que nós usamos essa palavra no dia a dia. A incerteza da mecânica quântica é algo intrínseco à natureza. Estamos aprendendo que a natureza tem essa incerteza na hora em que tentamos medir certas quantidades, porque elas são de um domínio microscópico, e eu sou um sujeito que vive num mundo macroscópico. Essa interação entre os dois mundos acaba tendo uma incerteza natural, que eu não vou conseguir transpor. Mesmo com as maiores revoluções tecnológicas que eu possa fazer, a nossa compreensão atual da mecânica quântica é que a incerteza é intrínseca e ela explora esse fato. A incerteza dentro da mecânica quântica é fundamental. Se você não tiver essa incerteza, ela se destrói. Então, o mundo é naturalmente incerto no nível quântico”, conclui o docente.

A mecânica quântica no Direcionamento Acadêmico do IFSC/USP

Seminários da disciplina “Direcionamento Acadêmico”

O Direcionamento Acadêmico do IFSC/USP é uma iniciativa que visa ajudar os alunos em todos os sentidos, principalmente incentivando-os a trilhar o caminho para um futuro na ciência, algo que é sublinhado pelo Prof. Luiz Nunes de Oliveira ao recordar que os docentes e pesquisadores apenas dão o treinamento indispensável. “Os alunos precisam ter uma visão mais ampla e, naturalmente, como eles estão no primeiro ano, vão levar um certo tempo para construir esse capital de conhecimento, mas o certo é que estamos plantando uma sementinha e esperando que ela frutifique. Tanto o Prof. Valter Líbero, como eu, procuramos explicar como é que apareceu a mecânica quântica, de que forma houve essa ruptura do conhecimento. E, por outro lado, desmitificar. Quer dizer, nós procuramos mostrar que as coisas não são tão vagas e imprecisas como se imagina. Hoje em dia, nas redes sociais, utiliza-se um termo bastante comum. Pessoas que estão com um problema e que não sabem como resolver, dizem ‘estou com um problema quântico’. Expressões como essa ocupam um lugar radicalmente oposto ao que nós estamos querendo mostrar, ou seja, banalizam o conceito. De fato, a mecânica quântica tem uma componente de incerteza, algo que já foi abordado pelo Prof. Valter Líbero. Essa disciplina Direcionamento Acadêmico, que se iniciou em 2024, tem sido um sucesso graças à concepção e à dedicação do nosso colega, Prof. Luiz Antônio de Oliveira Nunes”, pontua o docente.

Profs. Luiz Antônio de Oliveira Nunes, Valter Líbero e Luiz Nunes de Oliveira

Para o Prof. Valter Líbero, a disciplina de Direcionamento Académico do IFSC/USP tem uma característica bem singular, quando comparada com outros programas. Na verdade, essa disciplina causa uma maior proximidade entre professores e alunos e com o conteúdo de física, principalmente na área de experimentação, bem acessível aos jovens.

“A mecânica quântica está em um nível que permeia toda a sociedade, onde ela não precisa saber os detalhes. Ela precisa saber que existe uma mecânica quântica que trata de problemas da matéria, do âmbito da matéria, e que produz certos resultados. Acho que o Prêmio Nobel de 2025, não por acaso, caiu bem no momento certo, mostrando que princípios básicos de mecânica quântica são importantes, mesmo em um nível macroscópico do dia a dia. Não é algo que fica só restrito àquela experiência de laboratório extremamente delicada, com algum tipo de partícula que a gente nem sabe direito o que é. Então, ele traz realmente para a sociedade um resultado de mecânica quântica, que ela pode dizer ‘olha, de fato aquilo que eu achava que era específico de um mundo microscópico influencia o meu próprio mundo’. Acho que o Direcionamento Acadêmico no IFSC/USP faz exatamente isso. Traz coisas bastante abstratas do mundo da física, mas agora com uma roupagem concreta. Contudo, essa disciplina mostra que nós estamos falando a linguagem dos alunos”, conclui o docente.

A propósito das comemorações do centenário da mecânica quântica, o Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF), alocado no IFSC/USP, preparou uma programação especial neste mês de novembro, que pode ser conferida AQUI.

*O tema constante nesta matéria tem como base as importantes palestras ministradas na disciplina Direcionamento Acadêmico pelos Profs. Valter Líbero e Luiz Nunes de Oliveira – “Fóton, uma luz no fim do túnel” (CONFIRA AQUI) e “Afinal, a luz é feita de ondas ou de partículas?” (VEJA AQUI).

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

5 de novembro de 2025

Segunda Chamada Conjunta de Bolsas USP–CNPEM para Doutorado e Pós-Doutorado

A Pró-reitoria de Pós-graduação e a Pró-reitoria de Pesquisa e Inovação da USP informam a abertura da Segunda Chamada Conjunta de Bolsas no âmbito do Programa de Colaboração em Pesquisa entre a Universidade de São Paulo (USP) e o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

A iniciativa tem como objetivo fomentar a colaboração científica entre docentes da USP, pesquisadores do CNPEM, estudantes de doutorado e pesquisadores de pós-doutorado, por meio do financiamento de bolsas para projetos de pesquisa desenvolvidos em parceria entre as duas instituições.

Serão concedidas até 20 bolsas de doutorado e até 08 bolsas de pós-doutorado. As inscrições estão abertas até 28 de novembro de 2025.

Mais informações estão disponíveis no site da PRPG (VER AQUI).

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

29 de outubro de 2025

Procedimentos médicos – incluindo intubações – mais seguros com aplicação de luz e curcumina contra infecções hospitalares

(Créditos – “European Medical Journal”)

Um estudo recente publicado na revista Photochemistry and Photobiology propõe uma estratégia inovadora para combater um dos maiores desafios das unidades de terapia intensiva: as infecções associadas ao uso de tubos endotraqueais.

A pesquisa, conduzida por Gabriel Grube dos Santos, Kate Cristina Blanco, Amanda Cristina Zangirolami, Maria Luiza Ferreira Vicente e Vanderlei Salvador Bagnato, pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e da Texas A&M University, demonstra que a terapia fotodinâmica — método que combina luz e uma substância ativadora — pode impedir a formação e a propagação de fungos em dispositivos médicos.

O trabalho foca especialmente na Candida albicans, um fungo que forma biofilmes resistentes sobre materiais hospitalares, como os tubos usados em intubações. Esses biofilmes são colônias organizadas de microrganismos que aderem a superfícies e se tornam quase imunes a antibióticos e antifúngicos, favorecendo complicações respiratórias graves, incluindo a pneumonia associada à ventilação mecânica (VAP).

Para enfrentar o problema, os pesquisadores revestiram tubos endotraqueais com curcumina — composto extraído do açafrão-da-terra, conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes — e aplicaram luz azul de 455 nanômetros. O resultado foi impressionante: a combinação reduziu em até 98,3% a formação de biofilmes fúngicos, prevenindo a migração das células para os pulmões. As análises por microscopia confocal mostraram ainda que a luz, ao ativar a curcumina, danificou a matriz extracelular dos fungos, levando à morte e ao desprendimento das células.

A pesquisa sugere que o tratamento periódico com luz — aplicado em intervalos de quatro horas — é especialmente eficaz para impedir que os fungos atinjam o estágio maduro dos biofilmes, quando se tornam mais resistentes. Além disso, o estudo destaca que a curcumina pode exercer efeito protetor mesmo antes da irradiação, dificultando a adesão inicial dos microrganismos à superfície dos tubos.

Os resultados abrem caminho para o desenvolvimento de dispositivos médicos “inteligentes”, capazes de combater infecções de forma contínua e sem o uso de antibióticos, o que ajudaria a reduzir a resistência microbiana e os custos hospitalares. Segundo os autores, o próximo passo será testar a durabilidade do método e sua aplicação em ambientes clínicos reais.

A descoberta representa um avanço significativo na interface entre física, engenharia biomédica e medicina, mostrando que a luz — aliada à ciência dos materiais e a compostos naturais — pode se tornar uma poderosa ferramenta na prevenção de infecções hospitalares.

O estudo “Photodynamic therapy as a potential approach for preventing fungal spread associated with the use of endotracheal tubes” (CONFIRA AQUI) foi financiado pela FAPESP e CAPES, com apoio do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CePOF), alocado no IFSC/USP.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

29 de outubro de 2025

IFSC/USP lança projeto “PROTEMA” – Redefinindo a experiência de mulheres pós-mastectomia

(Créditos – “Department of Cirurgy – University of Florida”)

O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) apresentou oficialmente no dia 23 do corrente mês o projeto “PROTEMA”, uma iniciativa que visa construir, dentro do próprio Instituto, um setor exclusivo para a confecção de próteses externas, personalizadas, desenvolvidas a partir de escaneamento 3D, IA e impressão aditiva, para mulheres que foram sujeitas a mastectomia – retirada cirúrgica do(s) seio(s) – na sequência de câncer de mama.

A proposta alia alta precisão e baixo custo para democratizar o acesso a soluções estéticas e funcionais, proporcionando conforto anatômico e aparência natural, fortalecendo a autoestima e a reintegração social de mulheres que optaram ou não puderam realizar a reconstrução cirúrgica após a cirurgia de câncer de mama.

Coordenador do projeto PROTEMA, Prof. Dr. Odemir Martinez Bruno (IFSC/USP)

Neste evento de apresentação do “PROTEMA” estiveram presentes o diretor do IFSC/USP, Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, o Chefe do Departamento de Física e Ciência dos Materiais (IFSC/USP), Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, o mastologista da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos (SCMSC), Dr. João Gilberto Bartolotti, a artista plástica Vilma Kano, fundadora da ONG que leva o seu nome e que desde 2012 se dedica a apoiar e a desenvolver a autoestima de pacientes na rede pública de São Paulo, a Srª Maria Assunção, representando a “ONG – Rede Feminina São-Carlense de Combate ao Câncer”, o Dr. Julino Rodrigues, CEO e cofundador da “Vox e Gov” e, ainda o coordenador do projeto PROTEMA, Prof. Dr. Odemir Martinez Bruno (IFSC/USP).

Esta iniciativa do IFSC/USP busca desenvolver uma solução inovadora para melhorar a qualidade de vida de mulheres na pós-mastectomia, oferecendo este recurso que vai além da reabilitação física, tendo também em atenção o acolhimento emocional, a autoestima e a reinserção social.

Ao unir o conhecimento científico e o avanço tecnológico, o “PROTEMA” reforça o compromisso da saúde contemporânea com uma abordagem personalizada, inclusiva e centrada na paciente, transformando o modo como o cuidado é pensado e oferecido.

Saiba mais sobre o projeto “PROTEMA” clicando AQUI.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

29 de outubro de 2025

IFSC/USP – Chamada de pacientes voluntários para tratamento inovador que visa reduzir amputações de membros inferiores

(Créditos “Inovia Vein Specialty Center”)

O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) está realizando uma chamada de pacientes voluntário(a)s residentes na cidade de São Carlos para o novo tratamento de úlceras venosas e diabéticas.

O tratamento, inovador, é realizado através de uma combinação de tecnologias que abrangem o uso de uma fonte de luz capaz de acelerar a cicatrização – técnica conhecida como fotobiomodulação -, que associa a fonte de luz a uma substância que é um fotossensibilizador. Esta técnica, conhecida como inativação fotodinâmica e um produto ozonizado, tem o objetivo de acelerar a cicatrização das feridas em tempo reduzido, evitando assim complicações, como infeções que podem levar a amputação dos membros.

Nesta pesquisa, os pesquisadores do IFSC/USP estão selecionando voluntários de ambos os sexos que apresentem feridas abertas há mais de seis meses, podendo ser essas feridas de natureza venosa ou mesmo diabética.

Dra. Fernanda Carbinatto e a mestranda do IFSC/USP – Enfermeira Carolayne Bernardo

Esta chamada de pacientes voluntário(a)s insere-se no projeto de mestrado da pesquisadora do IFSC/USP, Carolayne Carboni Bernardo e coordenado pela Dra. Fernanda Carbinatto, sob supervisão do Prof. Dr. Vanderlei Bagnato, tendo como meta evitar infecções que possam gerar complicações, acelerando a cicatrização das feridas utilizando abordagem que une diferentes técnicas terapêuticas.

Para Fernanda Carbinatto “Essa pesquisa traz aos pacientes com feridas crônicas abertas há muito tempo uma esperança de ver sua lesão cicatrizar de forma mais acelerada”.

A mestranda e enfermeira Carolayne Bernardo esclareceu como será realizada a seleção dos pacientes “Iremos realizar a seleção iniciando com uma avaliação de cada paciente – histórico de vida ativa, tamanho da ferida e o tempo de sua existência -, seguindo-se então o tratamento duas vezes por semana, durante seis meses”.

Este tratamento será realizado na Unidade de Terapia Fotodinâmica (UTF), localizada na Santa Casa de Misericórdia de São Carlos, sendo que o(a)s pacientes interessado(a)s neste procedimento deverão se inscrever pelo telefone (16) 3509-1351 durante o horário de expediente.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação -IFSC/USP

 

24 de outubro de 2025

Alunos do “Colégio Equipe” (SP) visitam IFSC/USP e participam de aulas

Aula com o Prof. Reynaldo Daniel Pinto

Cerca de trinta alunos do “Colégio Equipe” (SP), acompanhados por professores dessa instituição de ensino, visitaram o IFSC/USP no dia 17 de outubro, tendo participado em duas aulas que foram ministradas pelos docentes e pesquisadores de nosso Instituto – Profs. Luiz Antônio de Oliveira Nunes (Grupo de Espectroscopia de Sólidos) e Reynaldo Daniel Pinto (Grupo de Física Computacional e Instrumentação Aplicada).

A luz que revela a matéria e as ondas rádio

Na aula intitulada “Luz que revela a matéria: como as ondas eletromagnéticas ajudam a descobrir a composição química da matéria”, o Prof. Luiz Antônio começou por explicar aos jovens estudantes que por trás de um simples feixe luminoso existe uma poderosa ferramenta de investigação científica: as ondas eletromagnéticas. Elas são usadas para revelar a composição química de gases presentes em estrelas distantes até a pureza de um medicamento ou a autenticidade de uma obra de arte.

Em sua aula, o docente do IFSC/USP explicou como as ondas eletromagnéticas, que incluem a luz visível, o infravermelho, os raios X e as micro-ondas — interagem de maneiras diferentes com cada tipo de átomo ou molécula. Foi explicado aos alunos do “Colégio Equipe” que o uso das ondas eletromagnéticas na ciência é, portanto, uma prova de como a luz vai muito além do que nossos olhos podem ver. Ela se transforma em uma linguagem que os cientistas aprenderam a decifrar — uma linguagem que revela a estrutura íntima da matéria e expande nosso conhecimento sobre o universo e sobre nós mesmos.

Outro tema abordado pelo docente foi as ondas de rádio. Quando se pensa em ondas de rádio, a primeira imagem que vem na mente é a de antenas transmitindo música ou notícias. Mas, na ciência, essas mesmas ondas são muito mais do que um meio de comunicação: elas são ferramentas poderosas para investigar a estrutura e a composição química da matéria. “As ondas de rádio fazem parte do espectro eletromagnético, ocupando a faixa de baixa energia e grandes comprimentos de onda (de metros a milímetros). Mesmo com pouca energia, elas podem interagir com núcleos atômicos e moléculas, revelando informações preciosas sobre ligações químicas, estados energéticos e ambientes magnéticos”, sublinhou o docente aos jovens.

 

A aventura multidisciplinar da Neurociência

Laura Cunha

Já o Prof. Reynaldo Daniel Pinto destacou perante os jovens alunos o tema “A aventura multidisciplinar da Neurociência”, tendo iniciado sua aula explicando a forma como a ciência contemporânea realizou progressos significativos na compreensão de muitos órgãos e sistemas do corpo humano. Contudo, o docente enfatizou que, entretanto, o funcionamento do sistema nervoso, e em especial o do cérebro, permanece um imenso desafio e, em muitos casos, ainda beira o inescrutável. “Por um lado, compreendemos muito bem o funcionamento das células individuais que compõem o sistema nervoso, os neurônios, graças a um modelo elétrico desenvolvido em 1950. Por outro lado, o cérebro humano é uma rede formada por aproximadamente 90 bilhões desses neurônios, que trocam informações entre si, através de uns 100 trilhões de conexões chamadas “sinapses”. Além do problema numérico, mesmo a rede neural mais simples, formada por apenas dois neurônios conectados mutuamente, já apresenta comportamento complexo”, salientou o pesquisador.

Artur Meireles de Andrade

Nesta aula, o Prof. Reynaldo convidou os estudantes a fazerem um breve passeio sobre a evolução das primeiras formas de vida até os dias atuais, sob o ponto de vista da Neurociência, para poderem entender quais as dificuldades envolvidas. O docente aproveitou para discutir a evolução científica experimental da eletricidade, a sua relação com os organismos vivos e seus desdobramentos multidisciplinares, tendo mostrado alguns experimentos com técnicas simples, muito antigas, que produzem efeitos surpreendentes e que ainda são fundamentais para abordar o funcionamento do sistema nervoso. Por último, foram apresentadas as ideias da “Neuroetologia”, que se dedica ao estudo de comportamentos naturais especializados, controlados pelo sistema nervoso dos animais.

Todos os assuntos foram abordados pelo Prof. Reynaldo com ênfase em aplicações tecnológicas atuais e em desenvolvimento, como as neuropróteses, que ligam dispositivos eletrônicos simples ao sistema nervoso, as interfaces cérebro-máquina, que controlam dispositivos computacionais externos a partir da atividade neural, visando restaurar ou aprimorar funções cognitivas, motoras ou sensoriais, e até conectar o sistema nervoso diretamente às redes de computadores, como a internet.

Um dia muito especial

Prof. Rafael de Oliveira Chiachiri

O Prof. Rafael de Oliveira Chiachiri, um dos docentes que acompanhou os alunos do “Colégio Equipe”, sublinhou a forma como o grupo foi recebido no IFSC/USP. “Deu para perceber que os professores responsáveis por dar essas duas aulas se prepararam muito bem para acolher o grupo, com apresentações muito especiais sobre as pesquisas que ambos fazem e sobre os resultados que já obtiveram. Os alunos estão aproveitando bastante, inclusive duas alunas nossas que estão fazendo um trabalho na feira de ciências, exatamente relacionado com o espectro de luz, um dos temas que estão sendo apresentados”, sublinha o docente.

Laura Cunha (14), aluna do 9º ano do “Colégio Equipe” confessou que o que estava assistindo era meio confuso. “É difícil… Na escola ainda não chegamos a este nível de conhecimento, mas achei bastante interessante. O mais difícil para mim foi a parte relacionada com as ondas de rádio e as equações que foram apresentadas”. A intenção da jovem é ingressar na universidade, mas ainda sem saber que futuro irá seguir.

Artur Meireles de Andrade (14), também frequenta o 9º ano no Colégio. “Gostei bastante de ambas as aulas, embora, como os restantes colegas, esteja muito cansado da viagem até aqui, já que acordei muito cedo. Gostei muito da aula do Prof. Reynaldo, já que ela é muito prática, com muitos exemplos e experimentos, e tem a ver com a profissão que quero seguir no futuro – Biólogo”, pontua o jovem.

Para o IFSC/USP, fica registrada mais uma experiência enriquecedora com a visita destes jovens alunos do “Colégio Equipe, de São Paulo.

Profs. Luiz Antônio de Oliveira Nunes (esquerda) e Reynaldo Daniel Pinto (direita) com o grupo do “Colégio Equipe” (SP)

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

22 de outubro de 2025

Seminários Integrados do PMBqBM com o Prof Dr. Ghandi Rádis-Baptista (UFBA)

Convidamos a todos para a palestra com o Prof. Dr. Ghandi Rádis-Baptista (UFBA), a ser realizada no dia 22 de outubro de 2025 (quarta-feira), às 11 h (horário de Brasília), através do link: https://conferenciaweb.rnp.br/ufba/areas-de-fronteira-seminarios-em-bioquimica-e-biologia-molecular-pmbqbm

O objetivo dos seminários é apresentar as pesquisas desenvolvidas nas IES associadas e nucleadoras que compõem o PMBqBM, visando promover parcerias e integrar as unidades.

A partir do segundo semestre de 2025, os seminários passaram a ser realizados quinzenalmente às quartas-feiras, às 11h00, devido à necessidade de alteração no dia da semana.

Divulgamos abaixo o cronograma preliminar 2025-2:

08.10.25 – IES Nucleadora III – UFRGS

22.10.25 – IES Associada II – UFBA

05.11.25 – IES Nucleadora IV – UFRJ/IBqM

26.11.25 – IES Associada III – UFRJ – Duque de Caxias

10.12.25 – IES Nucleadora V – USP/IQ

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

17 de outubro de 2025

“Casa Aberta IFSC/USP – A ciência ao alcance da sociedade” foi casa cheia em mais uma iniciativa de sucesso no mês de outubro

IFSC/USP abriu as portas de seus laboratórios à sociedade

A terceira edição da iniciativa “Casa Aberta IFSC/USP – A ciência ao alcance da sociedade”, traduzida em um convite feito para que a sociedade visitasse os laboratórios de Física Moderna do Instituto de Física de São Carlos nos dias 06 e 09 de outubro do corrente ano, teve como resultado um êxito bastante grande, com muito público interessado em ver os mais diversos experimentos e dialogar com técnicos, alunos e cientistas, principalmente com a presença de jovens alunos do ensino médio

Muitos quiseram saber como é a vida de um cientista e o que se faz num laboratório de Física Moderna para observar os principais experimentos que desvendaram o mundo atômico e levaram à criação da Física Quântica; experimentos esses que mostram o comportamento dos átomos, elétrons, das partículas de luz – chamadas fótons – e o laser, entre muitos outros. Tudo isto nas comemorações que estão acontecendo durante o “Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quântica”, assinalado em 2025 sob a égide da UNESCO.

Alunos e professores entusiasmados

Francisco de Lima Paschoalino

Alunos do ensino médio da E.E Professora Maria Ramos, de São Carlos, estiveram presentes no primeiro dia do evento e Francisco de Lima Paschoalino, aluno do 2º ano, considerou que não existem muitas oportunidades para conhecer e observar experimentos. “Acho que está sendo uma boa oportunidade para os alunos conhecerem a Universidade de São Paulo e talvez, também, até encontrarem um interesse maior pela Física, sendo que a área de Física Nuclear é a que mais me interessa, já pretendo seguir essa carreira”, sublinhou o jovem.

Nícolas de Lima Tanan, é também aluno do 2º ano na mesma escola e considerou um evento muito interessante, já, segundo ele, é algo que se vê e por isso se torna atrativo. “A gente consegue ver muitas coisas e não ficamos só na teoria, mas mergulhamos um pouco na prática. Eu diria que o que mais me chamou a atenção foi a Física Nuclear; muito interessante”, pontuou o jovem aluno.

Para a aluna do 2º ano, Pietra Gonçalves de Oliveira, também aluna do 2º na E.E Maria Ramos, a visita aos laboratórios foi bastante interessante. “Como estamos no ensino médio, ainda mais no segundo ano, esta visita traz uma oportunidade para conhecermos o Instituto de Física. Aqui vemos experimentos que a gente não costuma ver na escola e que acrescenta muito à matéria que acabamos vendo no ensino médio. Muito interessante, também, o que o pessoal faz aqui no Instituto”, pontua a jovem, acrescentando que a iniciativa abre mais uma janela para que possa interpretar melhor os conceitos da física que, de forma teórica, se aprendem em sala de aula. “O que mais me chamou a atenção foi a diversidade de tudo o que existe aqui. Os materiais são muito elaborados, bem planejados, achei bem legal”, concluiu a jovem

Coube ao professor Fabrício Hender Inoue, docente da E.E. Maria Ramos, acompanhar os alunos nesta visita ao IFSC/USP, algo que para ele representa a oferta de uma visão muito importante para os alunos conhecerem como realmente acontece a produção científica, a questão laboratorial. “Importante para eles observarem as pessoas que aqui trabalham, colocando a mão na massa, vamos dizer assim, na Física, transmitindo a eles a ideia que essa área do conhecimento não é somente aquilo que é a parte teórica, os exercícios, as questões e as equações. Eles precisam ver que aqui faz-se ciência, que eles têm aqui a parte laboratorial e que podem observar como são feitos os estudos, a verificação de alguns conceitos, de algumas teorias, o desenvolvimento da tecnologia”, sublinha o Prof. Inoue.

Para o docente, é fundamental aliar a teoria à prática, de forma a que os alunos possam ver como essa sinergia funciona. “A maior parte das vezes os jovens estão dentro da sala de aula, observando a parte teórica, as equações e tudo mais, e não conseguem contextualizar onde tudo isso é utilizado. Então, fazendo essa ligação com a prática, eles conseguem visualizar a contextualização e como que é produzida a ciência, de fato”.

Prof. Fabrício Hender Inoue

Outra particularidade assinalada pelo Prof. Inoue é o fato dos alunos poderem observar a universidade e como o trabalho que é feito dentro dela é sério. “Então, despertar nos alunos esse olhar mais científico, de olhar o fato de que tudo o que os cientistas fazem aqui, em qualquer momento, tem um porquê. Por que essas coisas acontecem? Como é que a gente vai chegar nisso? Você tem um problema, você tem uma situação e você quer descobrir como chegar lá, como o cientista desvenda esses desafios. Então o aluno descobre que realmente a Universidade é bacana. Alguns podem pensar que “a universidade não é pra mim”. Mas, de repente, quando observam que aqui, na cidade de São Carlos e no IFSC/USP, onde se fazem grandes trabalhos, principalmente nessa parte dos laboratórios de física, eles começam a falar que a física é legal”, complementa o docente

Leandro de Oliveira, técnico dos Laboratórios de Ensino (LEF) do IFSC/USP e um dos colaboradores mais importantes desta iniciativa, sente um prazer em participar desse evento, dada a importância que é de abrir as portas à comunidade, dando a conhecer um Instituto que é bancado pelos próprios cidadãos através de seus impostos. “É importante as pessoas conhecerem e terem esse contato com a Universidade, quebrando um tabú que ainda persiste: de fato, não é impossível entrar na melhor Universidade da América Latina. “É muito gratificante, a gente tem filhos da idade deles e, como pais torcemos muito para que eles entrem numa universidade de ponta, como é a USP. Então, eu imagino a mesma coisa, os pais dessas crianças, desses adolescentes, estão na torcida para que seus filhos entrem, nesse mundo, e nós fazemos parte desse processo e deste evento “Casa Aberta”. É uma honra muito gratificante”, sublinha Leandro de Oliveira.

Técnico do IFSC/USP – Leandro de Oliveira

A participação dos pais e encarregados de educação

Principalmente no segundo dia deste evento (09/10), a participação dos pais, acompanhando seus filhos, foi o grande destaque. Cristiano Ferrari, operador de máquina de usinagem, acompanhou sua filha nesta visita, salientando que era uma iniciativa importante. “Estes jovens estão no início da carreira estudantil e é importante que tenham um verdadeiro conhecimento do que é a Universidade, algo que talvez possa servir de incentivo para eles”, pontua Cristiano, que destacou que o que mais chamou a atenção dele foi a disposição que o Instituto de Física de São Carlos mostrou para levar essa iniciativa até os jovens estudantes. “Eu conheço um pouco a Universidade e não são todos os departamentos que fazem isto, e o Instituto tem uma tradição de fazer este tipo de eventos já há muitos anos. E, agora que minha filha está na idade de começar a decidir alguma coisa, estou aproveitando para ela poder conhecer e participar. E, é um momento muito especial, com toda certeza, porque é o despertar também do próprio aluno para uma profissão; e não só do próprio aluno, como também do munícipe, que sequer imagina o que o Instituto de Física de São Carlos hoje produz em termos de ciência e tecnologia”.

Gustavo Ass Netto, engenheiro de produção, acompanhou seus filhos Miguel e Tomás na visita e não escondeu a sua satisfação. “Eu acho excelente, porque a gente já vai fomentando nos jovens, nas crianças, esse desenvolvimento intelectual para vermos o que elas querem para o seu futuro, o que elas vão desenvolver dentro da sociedade; não só para si mesmas, não só para terem uma profissão e um ganho próprio, mas também para contribuírem para o desenvolvimento da sociedade e das próximas gerações. O que assisti aqui é uma forma inteligente de juntar a teoria com a prática, que, no meu ver, é a melhor forma de conhecimento. Então, nisso, o jovem vai se desenvolvendo, vai melhorando, como eu disse, ele vai chegar no mercado de trabalho já tendo uma visão ampla daquilo que ele quer ser perante a sociedade. Meus filhos adoraram!”

Missão cumprida

Prof. Sebastião Pratavieira

Para o docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Sebastião Pratavieira, que coordenou a iniciativa junto com outros professores, o evento foi um grande sucesso, já que a população atendeu o convite do IFSC/USP, cruzou as portas dos laboratórios para conhecer as pesquisas que são feitas no Instituto e os alunos que trabalham nos laboratórios. “Esta é uma atividade que não utiliza um professor, um pesquisador já formado para conversar com a população…São os nossos alunos, aqui da graduação, que estão começando a praticar, a explicar ciência. Então, são dois motivos importantes para os nossos alunos aprenderem já a transmitir esse conhecimento, principalmente neste evento com tanta gente presente – de crianças com idades entre os cinco e seis anos, até senhores com mais setenta anos”, destaca o pesquisador.

“Eu agradeço as escolas, tanto a Maria Ramos quanto a Marivaldo Degan, aqui de São Carlos, que vieram, atendendo o nosso convite e a gente fica muito feliz com esse evento. Sentimos que nossa missão está cumprida ao ver a população aderindo a esta iniciativa, pessoas das mais variadas profissões, com vários níveis de escolaridade, muitos alunos, algo que nos entusiasma a seguir em frente, até porque estamos só na terceira edição da “Casa Aberta IFSC/USP – A ciência ao alcance da sociedade”. Também agradeço a equipe de jornalismo e diretoria do IFSC/USP; a equipe do LEF, a prefeitura campus USP São Carlos, nossos alunos da disciplina de Lab. Avançado de Física e todo público que compareceu.”conclui o docente.

Atendendo ao sucesso alcançado, tudo indica que esta iniciativa possa ocorrer com mais frequência.

Quem participou na “Casa Aberta IFSC/USP – A ciência ao alcance da sociedade” se mostrou bastante interessada nos conceitos que foram transmitidos pelos alunos de graduação do Instituto, principalmente os alunos das escolas públicas, que através dessa experiência certamente se sentiram motivados a prosseguir seus estudo rumo à Universidade.

Confira alguns vídeos e fotos do evento:

https://www.ifsc.usp.br/lavfis/casaaberta_out_2025/

https://www.youtube.com/watch?v=9wwPdFFAdGc

Rui Sintra (edição) / Adão Geraldo (entrevistas e fotos) – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

17 de outubro de 2025

Um mergulho no universo – CDCC/USP inaugura seu planetário “Teatro Virtual Imersivo”

O “Teatro Virtual de Imersão” localizado no prolongamento do “Observatório Dietrich Schiel” – Campus USP de São Carlos

Na tarde do dia 10 de outubro, o Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP (CDCC) viveu um daqueles momentos que unem emoção, história e futuro. Em meio às comemorações dos seus 45 anos de atividades ininterruptas e com as presenças do reitor e da vice-reitora da USP, Prof. Carlos Gilberto Carlotti Junior e Maria Arminda do Nascimento Arruda, o CDCC inaugurou o “Teatro Virtual Imersivo”, um espaço moderno e surpreendente que promete transformar a forma como o público se aproxima da ciência e do cosmos.

O novo teatro – ou planetário – construído no prolongamento do tradicional “Observatório Dietrich Schiel”, no campus da USP de São Carlos e que no próximo ano completará 40 anos, foi apresentado em uma cerimônia que reuniu o reitor e a vice-reitora da Universidade de São Paulo, dirigentes de várias unidades da USP e convidados de diferentes áreas. Mais do que um marco físico, o espaço representa uma aposta ousada na inovação e na integração entre ensino, cultura e tecnologia.

Tendo iniciado suas atividades em 1980, o Centro de Divulgação Científica e Cultural da Universidade de São Paulo (CDCC/USP) é uma instituição pioneira dedicada à popularização da ciência e à formação científica da sociedade. Sediado em São Carlos, o Centro promove atividades educativas, exposições interativas, cursos, oficinas e programas voltados a estudantes, professores e ao público em geral.

Seu principal objetivo é aproximar a universidade da comunidade, tornando o conhecimento científico acessível e estimulando a curiosidade, a criatividade e o pensamento crítico. Ao longo das décadas, o CDCC consolidou-se como referência nacional em educação científica e cultural, integrando a pesquisa acadêmica às práticas de ensino e extensão.

Um sonho que ganhou forma

A cerimônia de inauguração do “Teatro Virtual Imersivo” começou com as palavras acolhedoras da diretora do CDCC, Profª Nelma Regina Bossolan, e logo foi tomada pela emoção do Prof. Valter Líbero, docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e colaborador de longa data do Centro. Emocionado, ele definiu a inauguração como “um sonho concretizado”.

Em seu discurso, o professor agradeceu o apoio do diretor do IFSC/USP, Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, e da Reitoria da USP, que — segundo ele — tiveram a sensibilidade de perceber, ainda no início do projeto, o potencial transformador da iniciativa. “O Teatro Virtual de Imersão será um instrumento poderoso para a graduação, tornando o ensino mais eficiente, interativo e inspirador”, destacou.

Embora o novo teatro seja um avanço evidente para as atividades de astronomia, seu alcance vai muito além das estrelas. O espaço permitirá também projeções voltadas a outras áreas do conhecimento, abrindo caminho para experiências visuais e sensoriais que aproximam a ciência do público de maneira inédita.

Inauguração do novo espaço – da esquerda para a direita a diretora do CDCC Profª Nelma Bossolan, a Vice-Reitora da USP, Profª Maria Arminda do Nascimento Arruda, Profª Cibelle Celestino da Silva (IFSC/USP), o Reitor da USP, Prof. Carlos Gilberto Carlotti Junior e o Físico e Astrônomo, André Luiz da Silva

“O planetário tem mãe”

Em um dos momentos mais descontraídos e simbólicos da cerimônia, o Prof. Valter Líbero fez questão de reconhecer quem primeiro sonhou com o projeto: “Costumamos dizer que as coisas têm pai, mas o planetário tem mãe. E a mãe está aqui, ao lado do reitor – a Profª Cibelle Celestino da Silva –, que idealizou e acreditou que o “Observatório Dietrich Schiel” merecia ter o seu próprio planetário. ”A lembrança provocou sorrisos e aplausos, e reforçou a importância da Profª Cibelle, cuja atuação no Observatório foi decisiva para a criação de projetos inovadores, como a “Sala Solar” e experimentos que permitem visualizar a passagem de raios cósmicos pelo edifício.

O professor também agradeceu à Profª Maria Arminda do Nascimento Arruda, vice-reitora da USP, conhecida pelo entusiasmo e pela defesa das ações de Cultura e Extensão Universitária.

Prof. Valter Líbero, a Vice-Diretora e o Diretor do IFSC/USP – Profs. Ana Paula Ulian de Araújo e Osvaldo Novais de Oliveira Junior

Ao falar sobre o “Observatório Dietrich Schiel”, o professor Líbero revelou o vínculo afetivo que une a equipe ao espaço. “As pessoas gostam tanto do observatório que, às vezes, pensam que ele pertence ao campus ou ao Instituto de Física. Mas isso não nos incomoda – pelo contrário, mostra o quanto ele é querido”. O Observatório, lembrou ele, é parte do CDCC e se mantém ativo graças à estrutura e ao apoio do Centro. “Por vezes, imagino o professor Schiel entre nós, vendo o quanto avançamos no observatório que ele concebeu há tantos anos”, completou, em tom emocionado.

Trabalho coletivo e dedicação

Nos bastidores do novo teatro há muito esforço coletivo. O professor fez questão de agradecer nominalmente a colaboradores que foram essenciais para que o projeto se tornasse realidade. Entre eles, o físico e astrônomo André Luiz da Silva, cuja dedicação foi destacada com carinho: “Não há um metro quadrado ou dispositivo neste “Teatro Virtual Imersivo” que não tenha passado pelo crivo do André. Nosso profundo agradecimento pela dedicação exemplar.”

Desde sua criação, o “Observatório Dietrich Schiel” já formou centenas de estudantes — muitos deles seguiram carreira na astronomia ou na docência, levando o fascínio pelo cosmos a novas gerações. Agora, com o “Teatro Virtual Imersivo”, o CDCC reforça sua missão de aproximar ciência e sociedade. Um espaço onde a curiosidade se transforma em aprendizado, e onde olhar para o céu é, ao mesmo tempo, revisitar o passado e projetar o futuro.

Rui Sintra com fotos de Ricardo Rehder – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de outubro de 2025

Uma Homenagem especial no “Dia dos Professores” – Por: Prof. Vanderlei Bagnato

Sou professor e adoro minha profissão.

Como nossa existência é finita, viveremos para sempre através dos ensinamentos que deixamos, seja aos nossos filhos ou aqueles que estiveram ao nosso redor, como nossos estudantes. O professor, principalmente, tem a chance de deixar um legado eterno através de seus alunos. Os ensinamentos que recebemos, incorporamos e passamos a outros. O conhecimento propaga-se muito além de nossa existência. Ser um professor é ser eterno, e sem dúvida é a figura chave na evolução de uma sociedade. Devemos reverência aos professores.

Neste dia especial dos professores, gostaria de deixar uma mensagem aos meus professores, muitos que desde cedo se preocuparam em me ensinar, em me preparar, em mostrar caminhos e, principalmente, em me orientar, assinalando que dominar o fracasso é um caminho seguro ao sucesso. Não posso deixar de homenagear diversos professores que tive ao longo de minha vida. Muitos de meus professores estão vivos e quero dizer a todos que agradeço seus ensinamentos. Sem eles, nem o pouco que sou teria conseguido. Mas há alguns que já se foram e seus ensinamentos continuam aqui.

Há dois professores que foram verdadeiros mentores para mim e para muitos outros.

A eles darei certo destaque, sem desmerecer aos vários outros. Em primeiro lugar, quero falar do professor Milton Ferreira de Souza – conhecido como Prof. Miltão. Ele era químico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1953) e trabalhou em diversos locais do Brasil, tendo tido em São Carlos seu principal ponto de parada.  Atuou em diversas aéreas e preparou várias pessoas para formarem o Grupo de Ótica. Foi, basicamente, orientador de toda uma geração que montou diversos grupos de pesquisas e que foram de grande relevância para dar ao Instituto de Física de São Carlos as características que possui: diversidade com excelência. Prof. Miltão era um visionário e com sua determinação e motivação nos jovens, de fato transformou a cidade de São Carlos, conectando ciências com inovação. Fundou as primeiras empresas genuinamente formadas a partir da Universidade e tornou a inovação de São Carlos em um exemplo a ser seguido pelo Brasil.

Juntamente com outro gigante, Prof. Sérgio Mascarenhas, ambos tornaram São Carlos um polo científico e tecnológico. Prof. Milton, com seu jeito duro e ariscado, fez coisas que outros não fariam. A nós transmitiu a mensagem clara que se não houver risco não se faz o novo. Seguir o Prof. Milton foi um grande prazer, bem como trabalhar com seus alunos, hoje professores já aposentados e renomados. Miltão me disse claramente “Só vale a pena fazer a ciência que melhora a vida das pessoas “.

Também quero deixar minha homenagem ao Prof. Daniel Kleppner do MIT, que juntamente com David Pritchard foram meus mentores nos Estados Unidos. Kleppner formou-se no Williams College, com bacharelado em 1953, em Williamstown, e na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, com bacharelado em 1955, e com um Ph.D. em 1959 em Harvard.  Trabalhou com o Prêmio Nobel N. Ramsey e com diversos expoentes da física mundial. Semeou os fatos mais importante da física moderna como átomos em cavidade e os condensados de Bose-Einstein. Foi um “fazedor” de premiados com o Nobel, sem ter ganho ele mesmo.  Ao terminar meu doutorado, em 1987, e comunicar aos meus mentores meu retorno ao Brasil, o Prof. Kleppner me levou ao local onde se guardava equipamentos já usados e me disse “Tudo que você precisar daqui pode levar e ter início no seu laboratório no Brasil”. Na época, eu e o Prof. Sergio Zilio (que foi meu grande amigo, professor e companheiro por muitos anos) empacotamos tudo e despachamos para o Brasil mais de 500 Kg de equipamentos. Com isto, em doze meses já tínhamos experimentos rodando no Brasil com átomos frios e a vinda de outro grande apoio, Prof. Alain Aspect (Prêmio Nobel em 2022), que também se tornou visitante permanente de nosso Instituto. Em doze meses estávamos publicando trabalhos científicos em um tema em que poucos no mundo estavam conseguindo. O Prof. Kleppner foi, até recentemente, um grande consultor para mim. Kleppner me disse uma vez “A ciência que vale a pena é aquela que é feita com excelência”. Vejam, dois mentores tão especiais e quis o destino que partissem praticamente ao mesmo tempo para a eternidade.

Prof. Milton Ferreira de Souza faleceu em 24 de agosto de 2025 e o Prof. Daniel Kleppner em 16 de junho de 2025, o primeiro com 93 anos e o segundo com 92 anos. Sei que a vida deve continuar, mas agora sem a possibilidade de dizer “Deixe-me perguntar ao Milton ou ao Kleppner o que acham desta ideia”. Aos meus mentores e mestres, seja onde estiverem, quero dizer que não morreram, estão vivos até hoje e atuando com suas ideias através de nós, seus alunos. Junto com muitos outros que eles formaram, somos agora a razão viva de sua existência como professores e levamos adiante seu legado, da mesma forma que eles levaram o legado de outros.

Neste dia 15 de outubro, certamente vou parar por alguns minutos e memorizar tudo que recebi e ficar ainda mais convencido de tudo que tenho que deixar aos meus próprios alunos.

Certamente, a grande mensagem recebida de diversos dos meus professores “é que não basta apenas escolher os capacitados, é preciso capacitar os escolhidos”, e isto é o que tenho feito.

A todos os professores, minha reverência.

A todos os mestres, meu respeito.

E a todos os alunos, minha dedicação.

(Vanderlei Salvador Bagnato – Professor do IFSC-USP)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de outubro de 2025

Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF) celebra “Centenário da Mecânica Quântica”

(Créditos – “The Quantum Insider”)

O Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF), sediado no (IFSC/USP), promove entre os dias 12 e 14 do próximo mês de novembro um evento em celebração ao “Centenário da Mecânica Quântica”, em formato híbrido – online no canal YouTube do CePOF  – https://www.youtube.com/@cepof – e presencialmente no Auditório “Prof. Sérgio Mascarenhas” no IFSC/USP.

A programação conta com palestras de grandes pesquisadores estrangeiros e nacionais sobre o passado, o presente e o futuro da Física Quântica.

O evento contará também com homenagens ao Prof. Daniel Kleppner, pioneiro na área de Aprisionamento e Resfriamento de Átomos, que faleceu neste ano.

Se podermos fazer alguns destaques deste grandioso evento científico, poderíamos começar pelas palestras que foram gravadas pelo saudoso Prof. Daniel Kleppner ao longo dos anos, como aquela que será exibida no primeiro dia do evento, entre as 08h45 e as 09h00, e as que também já estão marcadas para os dias 13 e 14 de novembro, às 09h00.

Universidade Federal de São Carlos

O Prof. Dr. Celso Villas-Bôas (UFSCar) será também um dos palestrantes convidados para participar deste evento, cuja apresentação ocorrerá no dia 12/11, às 11h00, com a apresentação do tema “Estados coletivos escuros e brilhantes e a energia oculta na luz térmica”. Nesta sua apresentação, o palestrante mostrará como os estados claro e escuro — estados de modo coletivo que se acoplam ou não à matéria — oferecem novos insights sobre os aspectos fundamentais da interferência com a luz coerente, fornecendo uma explicação alternativa para a aparente ausência de fótons nas regiões escuras de experimentos de dupla (ou múltiplas) fendas. Essa reinterpretação abre caminhos para uma exploração mais aprofundada dos efeitos de interferência e da natureza do campo de luz. Surge então uma pergunta natural: a luz incoerente também poderia apresentar uma decomposição em estados claro e escuro? A resposta é sim, mas ainda mais impressionante é a predominância de estados escuros: para modos M em estados de luz térmica, a fração de energia confinada a estados escuros é (M–1)/M, implicando que a vasta maioria da energia permanece inacessível à detecção direta.

Instituto Max Planck em Óptica Quântica (Alemanha)

Outra presença importante neste evento, nesse mesmo dia, às 14h00, será a do Prof. Gerhard Rempe, físico alemão, diretor do Instituto Max Planck de Óptica Quântica e Professor Honorário da Universidade Técnica de Munique, que dissertará sobre o tema  “Quo vadis, emaranhamento?”. Em sua apresentação, o Prof. Rempe apresentará como o emaranhamento se assume como um fenômeno quântico que se espera que se desenvolva completamente em sistemas compostos por múltiplos Qbits. No entanto, criar um emaranhamento multi-Qbit personalizado e explorar seu potencial de aplicação é um desafio formidável. Usando átomos individuais em uma cavidade óptica como fonte de fótons disparados, sintetiza-se uma infinidade de topologias de emaranhamento quase arbitrárias descritas por grafos. Isso abre caminho para uma infinidade de novas aplicações, como correção quântica de erros em computação quântica fotônica e comunicação quântica com tolerância à perda onipresente de fótons.

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade de Florença (Itália)

Já no dia 13, às11h00, um dos destaques vai para  a apresentação do Prof. Dr. Cláudio Lenz César, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista em antimatéria e colaborador da equipe ALPHA do CERN (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), subordinada ao tema “Espectroscopia de Hidrogênio e Antihidrogênio: da Mecânica Quântica a QED e além(?)”. Em sua apresentação, o palestrante fará um passeio pela conexão do estudo do átomo de hidrogênio (H) ao desenvolvimento da Mecânica Quântica e aplicações em nosso conhecimento do Universo. Descreverá experimentos feitos no grupo de Daniel Kleppner na espectroscopia de hidrogênio aprisionado, um feito que persiste por 30 anos, e que foi um grande impulso à pesquisa com antihidrogênio (anti-H) no CERN. O palestrante trará, também, as últimas notícias das pesquisas com anti-H no CERN. A análise cega dos últimos dados por uma teoria recente de forma-de-linha espectral, permite prever resultados com incerteza em 13 ou 14 algarismos significativos. A extrapolação do resultado de H (na ausência de campo magnético) para a armadilha de anti-H na comparação entre matéria e antimatéria a partir deste ponto desafia a própria teoria de QED, que precisaria calcular correções relativísticas de ordem superior. Felizmente, para o palestrante, acabou de se realizar uma prova-de-princípio, possibilitando fazer espectroscopia de H na mesma armadilha de anti-H, sob as mesmas condições. Alguns feitos e histórias de Daniel Kleppner permeiam esta palestra.

Ainda nesse dia, às 14h00, os participantes deste evento terão a oportunidade de acompanhar a apresentação do Prof. Guglielmo Tino, professor de Física no Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Florença (Itália) , onde os principais tópicos de sua pesquisa incluem: testes de física gravitacional com átomos ultrafrios, o estudo de efeitos relacionados ao spin e a medição do tempo. Em sua apresentação, intitulada “Testando física gravitacional com sensores quânticos atômicos”, o palestrante apresentará experimentos recentes e perspectivas futuras sobre precisão de testes de física gravitacional com dispositivos quânticos de última geração, baseados em átomos ultrafrios. Em particular, discutirá como interferômetros atômicos e relógios ópticos abrem novas oportunidades para investigar a física fundamental e buscar aplicações, tanto em laboratórios terrestres quanto no espaço.

Universidade de Harvard (EUA)

Já um dos destaques do dia 14 de novembro, às 09h45, será a participação remota do Prof. John Doyle, da Universidade de Harvard (EUA), que dissertará sobre “Moléculas ultracongeladas para a ciência quântica”.  O século XIX deu origem não apenas à teoria eletromagnética clássica, mas também lançou as bases para o desenvolvimento da mecânica quântica. O cerne da conexão entre essas duas era a espectroscopia. A riqueza dos espectros de fontes terrestres e astronômicas era, ao mesmo tempo, bela e fascinante. Foi necessário o desenvolvimento de ideias tanto da física quanto da química para começar a dar sentido a esses espectros. Ressonâncias de ondas e estruturas complexas faziam parte de muitos modelos de “átomos”, muito antes da descoberta do elétron e do desenvolvimento da equação de Schrödinger. Hoje, usamos a espectroscopia para projetar esquemas de controle de estado quântico único sobre sistemas quânticos cada vez mais complexos. Podemos segurar moléculas poliatômicas individuais em pinças ópticas e ter controle de estado quântico único, até mesmo de moléculas superiores simétricas. Além disso, o emaranhamento entre moléculas individuais agora é uma realidade. O palestrante discutirá características de moléculas poliatômicas que podem ser usadas em simulação/computação quântica e na busca por física além do Modelo Padrão. Discutirá, também, os resultados obtidos em seu grupo de pesquisa sobre o resfriamento a laser de moléculas poliatômicas no regime ultrafrio, incluindo o resfriamento a laser de diversas espécies poliatômicas diferentes.Salientará como contribuiu para a construção de um arranjo em pinça de moléculas individuais de CaOH, uma MOT robusta e uma armadilha de dipolo óptico para SrOH, e resfriamento a laser unidimensional de CaOCH3.Em um trabalho muito recente, seu grupo caracterizou um novo Qbit, composto por estados de dupleto de paridade em um modo de flexão vibracional de CaOH.Isso prepara o terreno para o uso de SrOH e RaOH em experimentos futuros em busca do momento de dipolo elétrico do elétron, uma sonda para a física de BSM, eventualmente até a faixa de 1000 TeV, bem como na busca por matéria escura ultraleve.

Mais detalhes, com a identificação de outros renomados pesquisadores já confirmados, como Vanderlei Salvador Bagnato, Daniel Varela Magalhães, Amilson Fritsch, Massimo Inguscio e William Daniel Phillips (Prêmio Nobel da Física 1977), constituem outros destaques desta programação, cujas informações poderão ser obtidas AQUI, contando-se com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da USP, FAPESP e CAPES.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de outubro de 2025

Com a presença do Reitor da USP – IFSC/USP lança projetos e realiza inaugurações

Reitor da USP – Prof. Dr. Carlos Gilberto Carlotti Junior

Com as presenças do Reitor e da Vice-Reitora da USP, na circunstância, os Profs. Drs. Carlos Gilberto Carlotti Junior e Maria Arminda do Nascimento Arruda, entre diversas outras autoridades, o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) realizou no dia 10 de outubro do corrente ano, a cerimônia protocolar de apresentação e lançamento da “Rede EMBRAPPI – USP” e do “Núcleo de Excelência em Ciências e Tecnologias Quânticas”, bem como a inauguração do acervo do “Museu da Memória da Computação Científica do IFSC/USP” e do “Teatro Virtual de Imersão (CDCC)”.

A apresentação dos projetos esteve a cargo do docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, enquanto que, por sua vez, coube ao docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Guilherme Sipahi, fazer uma introdução ao acervo do museu, que seria inaugurado na sequência da cerimônia.

Já a apresentação resumida do “Teatro Virtual de Imersão”, que seria igualmente inaugurado após a cerimônia, esteve a cargo da Diretora do CDCC, Profª Drª Nelma Regina Bossolan.

De entre outras autoridades, registre-se a presença, na mesa de honra, do Prefeito de São Carlos, Dr. Antonio Donatto Netto.

Confira como ocorreu esta cerimônia, acessando AQUI a gravação integral da mesma.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

13 de outubro de 2025

“Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia – 2025” – Vídeo conta um pouco da vida e obra do pesquisador do IFSC/USP, Prof. Jarbas Caiado Neto

Na sequência do anúncio dos vencedores do “Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia – 2025”, oportunamente divulgados pelo IFSC/USP – (VER AQUI) – e onde na categoria “Tecnologia” o prêmio foi entregue no passado dia 02 de outubro ao pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Jarbas Caiado de Castro Neto, reconhecendo projetos inovadores com impacto direto no desenvolvimento do país, divulgamos aqui o vídeo realizado pela entidade organizadora, tendo como destaque a vida e obra do citado pesquisador.

Recordando que o Prof. Jarbas Caiado de Castro Neto é Mestre em Física pela USP e PhD pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), e professor titular do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), onde criou, em 1982, o Grupo de Óptica, hoje com cerca de 250 membros. Fundou diversas empresas e espaços de pesquisa de base tecnológica, entre eles, a Oficina de Óptica de Precisão do IFSC/USP, berço de inovações e empreendedorismo tecnológico único no país.

Confira AQUI o vídeo publicado pelo CBMM.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

13 de outubro de 2025

Destaque da Produção Científica do IFSC/USP em setembro de 2025

Para ter acesso às atualizações da Produção Científica cadastradas no mês de setembro de 2025, clique AQUI,  ou acesse o Repositório da Produção USP (AQUI).

As atualizações também podem ser conferidas no Totem “Conecta Biblio”, em frente à Biblioteca.

A figura ilustrativa foi extraída do artigo publicado recentemente, por pesquisador do IFSC, no periódico “Physics Reports” (VER AQUI)

 

 

 

 

 

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

13 de outubro de 2025

Pesquisador do IFSC/USP é o novo membro da Academia Nacional de Engenharia dos EUA (NAE)

Prof. Bagnato recebendo o diploma como membro titular da NAE – National Academy of Engineering – das mãos da Presidente e do Secretário da Academia

O cientista são-carlense, docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Vanderlei Bagnato, que já era membro da Academia de Ciências dos Estados Unidos (NAS), foi eleito e tomou posse neste final de semana como membro da  Academia de Engenharia norte-americana (NAE), durante a reunião anual daquela instituição.

Ser membro da NAS e da NAE é, de fato, uma das maiores honrarias que um cientista ou engenheiro pode receber ao longo de sua carreira, um reconhecimento internacional ao mais alto nível.

A NAS, fundada em 1863, é uma organização privada e sem fins lucrativos dedicada ao avanço da ciência e ao fornecimento de aconselhamento científico para os governantes e para as instituições. A eleição para a NAS é um reconhecimento da excelência científica, reservado apenas aos pesquisadores cujas contribuições são consideradas significativas e duradouras para o progresso do conhecimento. Além disso, os membros da NAS frequentemente participam de comitês que orientam decisões governamentais em áreas críticas como saúde pública, meio ambiente, segurança nacional e educação. A filiação à NAS é amplamente reconhecida como um selo de excelência científica internacional, proporcionando aos seus membros acesso a uma rede de colaboração de alto nível, que estimula parcerias interdisciplinares e globais.

Da mesma forma, a NAE, criada em 1964, tem como missão promover o avanço da engenharia e atuar como órgão consultivo em questões tecnológicas e estratégicas. Ser eleito para a NAE significa ter realizado contribuições excepcionais à engenharia, seja por meio de inovação, liderança, educação ou serviço público.

Os membros da NAE desempenham um papel fundamental na formulação de políticas e estratégias nacionais relacionadas à infraestrutura, energia, tecnologia e segurança cibernética, entre outros temas relevantes. A academia também se dedica à valorização da engenharia como força transformadora da sociedade, destacando seu impacto na melhoria da qualidade de vida. Assim como a NAS, a NAE goza de elevado prestígio internacional e seus membros são frequentemente convidados a liderar iniciativas de grande relevância.

Prof. Bagnato junto com a presidente da Academia Tsu-Jae Liu, do  representante da República da Coreia, e ainda de R. Liberman, influente membro da NAE na área de multidisciplinaridade

Sendo que a filiação simultânea às duas academias é extremamente rara, representando um reconhecimento duplo — tanto pela profundidade científica quanto pela aplicação prática e tecnológica do conhecimento -, essas distinções posicionam os cientistas como referências nacional e internacional em suas áreas de atuação, evidenciando trajetórias marcadas pela excelência, inovação e impacto.

A Assessoria de Comunicação do IFSC/USP esteve atenta a essa cerimônia de posse na NAE e na oportunidade colheu o depoimento do Prof. Vanderlei Bagnato. Para o cientista são-carlense, claro que foi uma elevada honra “Isto demonstra o quanto o trabalho realizado por mim junto aos meus estudantes e colaboradores têm sido relevante. Nada do que fiz foi realizado sozinho, portanto, todos que estiveram comigo são também parte desta nomeação. Como sempre digo, se não mereço, vou trabalhar mais para ser merecedor”.

De um modo geral, os professores e pesquisadores brasileiros tem tido bastante reconhecimento internacional sendo membros de corpos editoriais de revistas relevantes e membros de diversos academias espalhadas pelo mundo. Investimento em ciência e tecnologia movem o país, tornando-o e mais independente, com os avanços tecnológicos a assumirem uma relevância para a sociedade, alavancando a economia e tornando nossa sociedade mais provida de empregos e tecnologia para seu próprio bem-estar.

A relevância social da Ciência tem sido algo constante nos trabalhos dos professores e pesquisadores da USP e da UFSCar, pelo que São Carlos está de parabéns pela sua relevância e comprometimento com o avanço científico e tecnológico.

A cerimônia de posse da NAE ocorreu em Washington (DC), durante os dias de 4,5 e 6 de outubro, tendo sido transmitida ao vivo pelo canal Youtube da Academia.

O tema da reunião da NAE deste ano abordou aspectos da  Inteligência Artificial (IA) e seu impacto nas engenharias, com a realização de diversas palestras e apresentações sobre o tema, principalmente em relação às diversas preocupações em como adaptar a educação, o desenvolvimento de tecnologias e a preparação de profissionais com esta nova realidade.

Sobre o tema, o Prof. Vanderlei Bagnato ressaltou que “Não podemos ter medo da IA, já ela veio para ficar. Temos, sim, que nos adaptar com esta nova realidade e utilizá-la de forma consciente e ética“ afirmou o cientista.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

7 de outubro de 2025

Primeiro condensado de Bose-Einstein de átomos de potássio é obtido no laboratório 2D-K do IFSC/USP

A equipe do laboratório 2DK do IFSC/USP

No último dia 30 de setembro do corrente ano, o laboratório 2D-K do IFSC/USP, liderado pela Profª Patrícia C. M. Castilho, realizou um condensado de Bose-Einstein de átomos de potássio-39. Este é o primeiro condensado desta espécie atômica do Brasil e representa um grande avanço acerca dos estudos que podem ser realizados em comparação aos condensados também produzidos aqui no Instituto, com átomos de sódio e rubídio-87.

Apesar da maior dificuldade em resfriar os átomos de potássio, esta espécie atômica é bastante interessante, já que possibilita alterar a magnitude da interação atômica a partir da aplicação de um campo magnético uniforme na região dos átomos a partir do uso da técnica de ressonâncias de Feshbach. Neste sentido, o grupo poderá estudar diferentes fenômenos relacionados às propriedades superfluidas desses sistemas, variando a interação atômica e, em particular, nos limites de um gás ideal, não interagente, e de um gás unitário para o qual o parâmetro de interação diverge. O condensado de Bose-Einstein é um estado quântico da matéria caracterizado pela ocupação macroscópica do estado fundamental do sistema.

Nuvem atômica produzida no laboratório 2D-K

Para um gás diluído, como o do laboratório da Profª Patricia, a transição de fase para este estado acontece a temperaturas próximas do zero absoluto, em torno de centenas de nanokelvins. Na imagem desta reportagem é mostrada uma foto da nuvem atômica produzida no laboratório 2D-K. O condensado é identificado pela região de maior densidade (em vermelho) no centro da nuvem, caracterizando um acúmulo de átomos a baixas energias. A forma deste condensado depende do tipo de aprisionamento no qual ele é produzido. No caso da armadilha usada no IFSC/USP, o potencial de aprisionamento é quadrático com a posição, como o de um oscilador harmônico, e a forma do condensado assume uma parábola invertida, complementar a este potencial.

Na sequência das atividades no laboratório, a equipe da Profa. Patricia buscará caracterizar o condensado quando variando a sua interação, mas o trabalho de montagem do experimento ainda não terminou.

O objetivo principal do laboratório é investigar sistemas de baixa dimensionalidade, principalmente sistemas bidimensionais (2D). Assim, esse condensado caracterizado por uma nuvem atômica tridimensional deverá ser fortemente comprimido ao longo da direção da gravidade. Esta compressão será feita com o uso de uma rede óptica que já está em desenvolvimento no laboratório e é parte do projeto de doutorado e de iniciação científica de dois alunos do grupo.

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

6 de outubro de 2025

Teatro Virtual de Imersão (CDCC) no Campus USP São Carlos

O Teatro Virtual de Imersão, com inauguração marcada para o dia 10 de outubro, com a presença do Reitor da USP, Prof. Carlos Gilberto Carlotti Junior e da Vice-Reitora, Profª Maria Arminda do Nascimento Arruda, dentre diversas outras autoridades, corresponde a um anseio de mais de uma década do Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP (CDCC) que ora se concretiza e que contou com o apoio de todas as unidades do campus e, em especial, com o valioso auxílio do IFSC/USP.

O Teatro Virtual de Imersão é uma sala de projeção especial, cujo conteúdo a ser exibido não é projetado numa tela plana – como em uma sala de cinema comum -, mas em uma superfície semiesférica – um domo – que proporciona à plateia uma sensação de imersão no conteúdo mostrado.

Quando o Teatro Virtual é usado com conteúdo astronômico, ele é mais conhecido como planetário, equipamento de divulgação científica utilizado em todo o mundo e que completou cem anos em 2025. Os planetários inicialmente exibiam apenas o céu noturno, com os movimentos característicos da Esfera Celeste, com a inserção de planetas com seus movimentos e brilhos característicos. Com a tecnologia associada à era digital, o planetário foi além da Astronomia e pode exibir conteúdos das mais diversas áreas do conhecimento.

Sendo um anexo do Observatório Dietrich Schiel, do setor de Astronomia do CDCC, na Área-1 do Campus USP de São Carlos, a ênfase será, claro, na Astronomia.

No entanto, desde o projeto inicial, esse equipamento foi pensado como “multiusuário”, o que significa que se pode pensá-lo como um instrumento do Campus ou mesmo de outros campi e até de universidades parceiras, para ser usado das mais diversas formas: desde o auxílio pedagógico em uma aula que necessite de visualização em três dimensões, passando por uma simulação de um resultado de pesquisa avançada, ou mesmo fazer uma apresentação artística tendo como fundo um céu estrelado ou com temática “espacial”.

O Teatro Virtual de Imersão conta com um projetor cuja luminosidade atinge 10 mil lumens e tem resolução de 4k. A projeção se dá em uma tela inflável de forma côncava e semiesférica com 10 metros de diâmetro. Possui 44 poltronas com reclinações variadas, dispostas em arcos com fileiras: as que ficam à frente reclinam mais do que aquelas que se localizam nas fileiras de trás. A disposição das poltronas segue o modelo moderno, ou seja, não ficam voltadas para o centro da sala. O patamar onde ficam as poltronas é elevado, de forma a termos o horizonte da projeção próximo do público, o que proporciona maior sensação de imersão. A plateia dispõe de uma poltrona para pessoas obesas e pode receber até dois cadeirantes por sessão. O equipamento de projeção se alia a um sistema de som 5.1 para permitir que a imersão seja, também, sonora.

O Observatório Dietrich Schiel aguarda, a partir do próximo dia 10 de outubro, o início das atividades do Teatro Virtual, quando passará a oferecer sessões de cúpula para o público escolar durante a semana e para o público espontâneo aos finais de semana. Será uma continuidade e uma ampliação das atividades que o Observatório vem conduzindo nesses quase quarenta anos de existência.

Em 2026, serão comemorados os 40 anos da fundação do Observatório, pelo que o Teatro Virtual/Planetário vem como um presente de aniversário e uma oportunidade para que o CDCC/Observatório continue a oferecer uma opção de lazer e de divulgação científica de qualidade à comunidade local.

(CDCC)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

6 de outubro de 2025

Pesquisadores do IFSC/USP desenvolvem experimento mostrando como surge a eletricidade

Você já parou para pensar de onde vem a energia que acende a luz da sua casa, carrega o celular ou movimenta o motor de um carro? Tudo isso é possível graças a um fenômeno descoberto no século XIX por Michael Faraday: a chamada Lei de Faraday, que explica como a variação de campos magnéticos pode gerar eletricidade.

Embora seja a base de tecnologias essenciais, como geradores, motores, transformadores, carregadores sem fio e até fogões de indução, essa lei costuma ser difícil de entender em sala de aula. Afinal, como visualizar algo que não podemos ver a olho nu, como o campo magnético ou a corrente elétrica?

Foi pensando nisso que pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) desenvolveram uma solução criativa e acessível: um aparelho simples, baseado em um pequeno chip chamado ESP32, capaz de mostrar em tempo real como a eletricidade nasce a partir da variação de um campo magnético.

A ciência na tela do computador

No experimento, os alunos acompanham os dados diretamente no Excel, um programa usado no dia a dia de muitas escolas e até mesmo em casa. À medida que o experimento acontece, surgem gráficos que mostram como uma bobina (um enrolado de fio condutor) influencia a outra. Assim, fica claro: quando a corrente elétrica de uma bobina muda, o campo magnético também muda — e isso faz com que apareça eletricidade na segunda bobina.

De forma simples, os estudantes podem “ver a lei de Faraday em ação”, algo que antes ficava restrito a fórmulas no quadro e explicações abstratas.

Para os alunos mais novos, essa proposta tem um efeito imediato: desperta curiosidade e motivação. Ao verem a ciência acontecendo diante dos olhos, muitos passam a se interessar mais por física e tecnologia. Isso ajuda a combater a ideia de que essas matérias são difíceis ou inacessíveis.

Além disso, a experiência incentiva a aprendizagem ativa. Em vez de apenas decorar fórmulas, os jovens participam do processo, testam hipóteses, analisam resultados e entendem como a teoria se conecta ao mundo real. Esse tipo de aprendizado fortalece o raciocínio lógico, a criatividade e até a capacidade de resolver problemas no dia a dia.

Benefícios também para as escolas

Para as escolas, o experimento traz vantagens práticas. O sistema é barato, portátil e fácil de implementar, não exige laboratórios sofisticados nem equipamentos caros. Assim, instituições com menos recursos também podem oferecer aos alunos atividades experimentais de qualidade.

Outro ponto positivo é a integração com diferentes disciplinas. Professores de física, matemática e até tecnologia da informação podem usar o mesmo recurso para trabalhar conceitos de forma conjunta, dentro da proposta de ensino conhecida como STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Com isso, as escolas conseguem enriquecer suas aulas, modernizar o ensino e preparar melhor os estudantes para os desafios do futuro, incentivando vocações científicas e tecnológicas desde cedo.

Para os professores, a maior conquista está em transformar um conteúdo considerado complicado em algo palpável e intuitivo. Ao invés de apenas decorar conceitos, os alunos interagem com o fenômeno, enxergam os resultados na tela e entendem, de maneira prática, por que a eletricidade funciona daquele jeito.

O projeto, apoiado por agências como CAPES, FAPESP e CNPq, mostra que não é preciso equipamentos caros ou complexos para despertar o interesse dos jovens pela ciência. Com criatividade e ferramentas acessíveis, é possível transformar a forma de ensinar, aproximando a física do cotidiano e ajudando a formar uma nova geração de alunos mais curiosos, críticos e preparados para o mundo.

Assinam este artigo, publicado na revista científica internacional “Physics Education”: Bruno Trebbi, Jéssica F. M. dos Santos, Antenor Petrilli e Luiz Antonio de Oliveira Nunes.

Confira AQUI o artigo científico relativo a este estudo.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

3 de outubro de 2025

Três chapas vão concorrer à eleição de reitor(a) e vice-reitor(a) da USP

Três chapas se inscreveram para concorrer à eleição de reitor e de vice-reitor da USP, que será realizada no próximo dia 27 de novembro. As informações foram divulgadas pela Secretaria Geral da Universidade, no dia 17 de setembro.

As chapas, formadas por professores titulares da Universidade e cujas inscrições foram deferidas pela Comissão Eleitoral, são as seguintes (listadas por ordem de inscrição):

*Chapa USP pelas Pessoas – Aluisio Augusto Cotrim Segurado (Faculdade de Medicina), candidato a reitor – e Liedi Légi Bariani Bernucci (Escola Politécnica), candidata a vice-reitora;

*Chapa Nossa USP – Ana Lúcia Duarte Lanna (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design), candidata a reitora – e Pedro Vitoriano de Oliveira (Instituto de Química), candidato a vice-reitor;

*Chapa USP Novo Tempo – Marcílio Alves (Escola Politécnica), candidato a reitor – e Silvia Pereira de Castro Casa Nova (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária), candidata a vice-reitora.

No ato da inscrição, os candidatos se desincompatibilizaram das funções de chefia ou direção exercidas na estrutura da Universidade.

A eleição será realizada em turno único, das 9h às 18h, por meio de sistema eletrônico de votação e totalização de votos. A Assembleia Universitária será constituída pelo Conselho Universitário, pelos Conselhos Centrais, pelas Congregações das Unidades e pelos Conselhos Deliberativos dos Museus e dos Institutos Especializados. O resultado será divulgado no mesmo dia, a partir das 20h.

Observadores externos

A Comissão Eleitoral, que coordena o processo para a escolha dos novos reitor e vice-reitor da Universidade, divulgou os nomes dos membros titulares e suplente que irão compor o grupo de observadores externos à USP que acompanhará o sistema eletrônico de votação e totalização de votos do pleito.

Foram designados os professores Erick Melo, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); Ney Lemke, da Universidade Estadual Paulista (Unesp); Ricardo Dahab, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); e, como suplente, Geraldo Sorte, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

No dia 18 de novembro será promovida a consulta à comunidade, de forma eletrônica, das 9h às 18h. A consulta à comunidade terá caráter indicativo à Assembleia Universitária, a quem cabe a eleição. O resultado da consulta será divulgado no mesmo dia, com os resultados obtidos em cada uma das categorias – alunos de graduação e pós-graduação, docentes e servidores técnicos e administrativos.

O reitor e o vice-reitor, professores titulares da USP, serão nomeados pelo governador do Estado a partir da lista composta pelas chapas mais votadas. A nova gestão da Universidade terá início no próximo dia 25 de janeiro de 2026, com mandato de quatro anos.

(Jornal da USP)

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

2 de outubro de 2025

IEA/USP lança edital selecionando 05 bolsistas (TT3) e 01 (TT4) para São Paulo e São Carlos

O Instituto de Estudos Avançados (IEA/USP) está com inscrições abertas até às 18h00 do dia 06 de outubro do corrente ano para candidatos que desejem concorrer a 06 bolsas de Treinamento Técnico – 05 bolsas para Treinamento Técnico Nível 3 (TT3) e uma bolsa para Treinamento Técnico Nível 4 (TT4).

Cinco vagas serão oferecidas no IEA/USP, em São Paulo, e uma no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), sendo que os bolsistas deverão residir nas cidades correspondentes ao oferecimento das vagas ou em cidades adjacentes a elas para otimização da experiência.

Este Edital da IEA/USP (11/2025, de 22/09/2025) é relativo ao projeto temático INCEPTE “Estudo de Implementação de Inovações Curriculares, Estratégias Pedagógicas e Tecnologias Emergentes para Qualidade-Equidade na Educação Básica”, vinculado à Cátedra Alfredo Bosi de Educação Básica e com sede no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP).

As Bolsas de Treinamento Técnico (TT) fazem parte do Programa de Capacitação Técnica e têm como objetivo treinar e aperfeiçoar técnicos e alunos de cursos técnicos que participem de atividades de apoio a projetos de pesquisa vigentes, financiados pela FAPESP.

No âmbito do projeto INCEPTE, as bolsas de treinamento técnico nível 3 (TT3) estão associadas ao desenvolvimento das seguintes tarefas:

*Apoio à pesquisa nas diferentes linhas que constituem o projeto temático;

*Tomada e organização de dados;

*Trabalho de campo.

 

A bolsa de Treinamento Técnico Nível 4 (TT4) está associada ao desenvolvimento das seguintes tarefas:

*Captação de som e imagens (entrevistas e eventos relacionados ao projeto temático);

*Edição de vídeos e áudios;

*Gestão dos equipamentos;

*Gestão de dados;

*Gestão e alimentação de redes sociais e canal Youtube do projeto temático.

Para mais informações e/ou para se inscrever, clique AQUI.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP