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8 de julho de 2026

Bolsas Posgrad PAPFE – Projetos PUB “Meninas Programadoras e Professoras”

O IFSC/USP informa que a docente e pesquisadora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC/USP), Profª Drª Maria da Graça Campos Pimentel está disponibilizando duas bolsas para alunas ou pessoas que se identifiquem com o gênero feminino de pós-graduação em cada um dos projetos: Posgrad PAPFE – Projetos PUB “Meninas Programadoras e Professoras” e “Acolhimento e Permanência no Projeto Meninas Programadoras+Alunas USP: Inclusão com Escuta Ativa”.

As candidatas poderão pertencer a qualquer programa de pós-graduação da Universidade de São Paulo, desde que tenham conhecimento básico em programação.

As inscrições reabriram no dia 7 de julho e em caso de dúvida contatar com a docente através do link – https://meninasprogramadoras.icmc.usp.br/

Confira AQUI o edital.

 

 

 

 

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

8 de julho de 2026

Bolsas PUB para alunos PAPFE de pós-graduação ligadas a projetos de extensão e ensino

O IFSC/USP informa todo(a)s o(a)s interessado(a)s que estão disponíveis bolsas para dois/duas aluno(a)s de pós-graduação nos projetos de divulgação científica e ensino abaixo descritos:

*3692 – Ensino de conceitos de Mecânica Quântica utilizando de Realidade Estendida;

*3727 – Divulgação Científica da Mecânica Quântica em Realidade Virtual;

As inscrições reabriram no dia 7 de julho e vão até o dia 15 de julho.

Confira AQUI o edital.

 

 

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

8 de julho de 2026

Brasil sedia uma das mais importantes conferências mundiais sobre ressonância magnética aplicada a materiais porosos

O Brasil será palco entre os dias 26 e 30 do próximo mês de outubro de um dos mais prestigiados encontros científicos internacionais dedicados ao estudo da ressonância magnética aplicada a materiais porosos.

A “17ª edição da Conferência Internacional de Ressonância Magnética em Meios Porosos” (MRPM, na sigla em inglês) ocorrerá nas cidades paulistas de Ribeirão Preto e Campinas, reunindo pesquisadores, especialistas da indústria e estudantes de diversas partes do mundo.

A conferência, apoiada pelo Grupo AMPERE, destacará pesquisas de ponta, novas tecnologias e aplicações práticas da Ressonância Magnética Nuclear (RMN) e de técnicas complementares em diferentes áreas do conhecimento e setores produtivos.

Criada em 1990, na Itália, por iniciativa dos professores Giulio Cesare Borgia e Paola Fantazzini, ambos da Universidade de Bolonha, a série de conferências MRPM consolidou-se como referência internacional na área. Desde então, o evento já passou por países como Reino Unido, Bélgica, Alemanha, França, Estados Unidos, Nova Zelândia, China e Noruega, onde ocorreu a edição mais recente, em 2024.

Prof. Dr. Tito José Bonagamba (Chairman)

Pela primeira vez sediada no Brasil, a conferência contará com a colaboração de importantes instituições nacionais, entre elas a Associação de Usuários de Ressonância Magnética Nuclear (AUREMN), o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) — responsável pelo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e pelo acelerador de partículas Sirius — e o capítulo brasileiro da InterPore, organização internacional dedicada ao estudo dos meios porosos.

Tendo como chairman o docente e pesquisador do Instituto de Física de São Carlos IFSC/USP, Prof. Tito José Bonagamba, o evento apresentará uma programação científica que abordará temas tradicionais da área, como estudos fundamentais em Física, Química e RMN aplicada a materiais porosos, além de questões contemporâneas e de grande impacto social. Entre os destaques estão pesquisas voltadas para a redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂) e seu armazenamento, especialmente nos setores petrolífero e cimenteiro, aplicações em ciência do solo, uso de inteligência artificial, computação clássica e quântica, matemática aplicada e engenharia.

Outro eixo importante será a área da saúde. A proximidade do evento com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), uma das mais reconhecidas do país, estimulará, certamente, discussões sobre aplicações médicas da ressonância magnética e o desenvolvimento de pesquisas interdisciplinares.

Os participantes também terão a oportunidade de conhecer o potencial científico do Sirius, a fonte brasileira de luz síncrotron de quarta geração, sediada em Campinas, considerada uma das mais avançadas do mundo, especialmente no estudo de materiais complexos.

Com a realização do MRPM 2026, o Brasil reforça sua posição no cenário científico internacional e amplia as oportunidades de cooperação entre pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, promovendo inovação e soluções para desafios globais.

Para obter todas as informações e proceder à inscrição neste grande evento científico, clique AQUI.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

8 de julho de 2026

Reitoria da USP aprova primeira cátedra do Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP) no Polo São Carlos

A Reitoria da USP aprovou a primeira cátedra do Instituto de Estudos Avançados no Polo São Carlos, denominada “Cátedra Ciência, Tecnologia, Sociedade e Meio Ambiente”, que busca integrar os quatro eixos de pesquisa presentes em seu nome com o objetivo de impactar positivamente o município e a região.

A criação desta cátedra é uma resposta necessária aos desafios socioambientais contemporâneos e às mudanças profundas e por vezes irreversíveis ao planeta que as atividades humanas têm causado.

O foco ambiental e social será central, alinhando as ações de pesquisa e extensão à urgência de ações colaborativas concretas, buscando promover trocas de conhecimento entre academia e sociedade.

A gestão estratégica da cátedra será feita pelo Conselho de Governança composto por Roseli de Deus Lopes, diretora do IEA-USP, Elisabete Moreira Assaf, coordenadora do IEA-USP Polo São Carlos, David Sperling, vice-coordenador do IEA-USP Polo São Carlos, José Galizia Tundisi, titular da cátedra e Marcelo Zaiat, coordenador acadêmico da cátedra.

Uma ação importante para todos nós.

Para saber mais, clique AQUI.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

8 de julho de 2026

Vagas para candidatos a doutorado em Física de Astropartículas no IFSC-USP financiadas pela FAPESP

Encontram-se abertas até dia 31 de julho vagas para candidatos a doutorado para trabalhar no recém-criado Grupo de Pesquisa “Max Planck Tandem, no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), liderado pelo Dr. Rodrigo Guedes Lang.

Os Grupos Max Planck Tandem visam fortalecer os laços de pesquisa da Sociedade “Max Planck” com a América Latina.

Esses grupos são estabelecidos por meio de uma estreita colaboração entre Institutos “Max Planck” específicos e instituições de pesquisa e fomento latino-americanas.

O grupo do Dr. Rodrigo Guedes Lang é financiado pela FAPESP e sediado em São Carlos, mantendo estreita colaboração com o Grupo de Física de Astropartículas (APOEMA) do IFSC/USP e com o grupo do Prof. Dr. Jim Hinton, do Instituto “Max Planck de Física Nuclear” (Max-Planck-Institut für Kernphysik) em Heidelberg, Alemanha.

Confira AQUI o edital com todas as informações para os candidatos

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

6 de julho de 2026

Com a participação de cientistas da USP São Carlos – Novos sensores permitem detectar gripe aviária em poucos minutos e com baixo custo

Pesquisadores brasileiros, liderados por cientista do IFSC/USP, desenvolveram uma tecnologia inovadora capaz de identificar rapidamente a presença de anticorpos relacionados ao vírus H5N1, causador da gripe aviária. O dispositivo, descrito em estudo publicado na revista científica “ACS Applied Nano Materials”, promete oferecer uma alternativa mais rápida, barata e eficiente aos métodos tradicionais de diagnóstico.

A gripe aviária é uma das doenças que mais preocupam autoridades sanitárias em todo o mundo. Além de provocar grandes prejuízos à produção de aves, o vírus pode infectar seres humanos e, em situações específicas, gerar surtos de grande impacto. Por isso, a detecção precoce é considerada fundamental para evitar a disseminação da doença.

A preocupação em torno do vírus H5N1 vai muito além da saúde animal. Nos últimos anos, especialistas em saúde pública passaram a monitorar com atenção a evolução da gripe aviária devido ao potencial de transmissão para seres humanos e ao risco de surgimento de variantes capazes de se espalhar mais facilmente entre pessoas.

Embora os casos humanos ainda sejam relativamente raros, a taxa de mortalidade observada em infecções por H5N1 é considerada elevada quando comparada à gripe comum. Essa característica faz com que organizações internacionais mantenham vigilância constante sobre a circulação do vírus em diferentes regiões do mundo.

Impactos

Os impactos econômicos também são expressivos. Surtos de gripe aviária frequentemente levam ao abate preventivo de milhões de aves para conter a disseminação da doença. Como consequência, produtores enfrentam perdas financeiras significativas, enquanto países exportadores sofrem restrições comerciais impostas por mercados internacionais preocupados com a segurança sanitária.

Estudos citados pelos autores da pesquisa mostram que, somente entre 2004 e 2008, países asiáticos registraram prejuízos da ordem de US$ 1 bilhão em decorrência da gripe aviária. As perdas incluíram o descarte de aves, gastos com medidas de controle sanitário e redução das exportações de carne de frango e derivados.

Além dos prejuízos diretos ao setor avícola, surtos da doença podem afetar toda a cadeia produtiva, desde a produção de rações até o transporte, armazenamento e comercialização de alimentos. O receio dos consumidores também costuma provocar queda no consumo, ampliando os impactos econômicos.

(Créditos – “ACS Applied Nano Materials”)

Nesse contexto, ferramentas capazes de identificar rapidamente a presença do vírus ou de anticorpos relacionados à infecção tornam-se estratégicas e quanto mais cedo um foco é detectado, maiores são as chances de impedir sua disseminação, reduzindo riscos para a saúde pública e minimizando prejuízos para a economia.

Novo grupo de sensores

O equipamento criado pelos cientistas funciona de maneira semelhante à língua humana. Assim como nossas papilas gustativas identificam diferentes sabores por meio de um conjunto de sinais, o dispositivo utiliza diversos sensores que analisam características da amostra examinada. Por essa razão, os pesquisadores o denominaram “língua eletrônica”.

A novidade está no fato de que os sensores foram produzidos com proteínas obtidas de fontes renováveis e materiais de baixo custo. Quando entram em contato com amostras contendo anticorpos contra o vírus H5N1, os sensores registram alterações elétricas que permitem identificar a presença da infecção.

Durante os testes, a tecnologia demonstrou elevada capacidade de detecção, conseguindo identificar quantidades muito pequenas dos anticorpos. Outro resultado importante foi a ausência de falsos positivos quando o sistema foi exposto a anticorpos de outras doenças comuns em aves, mostrando grande confiabilidade nos diagnósticos.

Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior – Cientista do IFSC/USP

Os pesquisadores também utilizaram recursos de inteligência artificial para interpretar os dados gerados pelos sensores. O sistema alcançou cerca de 99% de precisão ao diferenciar amostras positivas para gripe aviária de amostras relacionadas a outras enfermidades aviárias.

Além da precisão, a rapidez chamou atenção. O exame pode ser realizado em aproximadamente seis minutos, tempo significativamente menor do que muitos métodos atualmente utilizados em laboratórios.

Os testes foram realizados tanto em amostras comerciais quanto em amostras de soro contendo anticorpos contra o H5N1, confirmando a eficiência da tecnologia em diferentes condições de análise.

Segundo os autores, a plataforma poderá ser utilizada futuramente em clínicas veterinárias, granjas, centros de monitoramento sanitário e até mesmo em aplicações voltadas à saúde humana. Outra vantagem é a possibilidade de adaptação do sistema para detectar outros vírus e doenças infecciosas.

Para o autor correspondente desta pesquisa, o docente e pesquisador do IFSC/USP Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, o maior destaque do trabalho está na conjunção de diferentes tecnologias desenvolvidas no Brasil. “As medidas elétricas foram feitas com um analisador portátil de uma startup brasileira, a Blatron, e os dados da língua eletrônica foram processados com um método de calibração que utiliza aprendizado de máquina”, salienta o pesquisador.

 O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Embrapa Instrumentação, Universidade Federal do Amazonas, Instituto Federal de São Paulo e de instituições internacionais parceiras.

Para os cientistas, a nova ferramenta representa um avanço importante no desenvolvimento de diagnósticos rápidos, acessíveis e capazes de contribuir para o controle de futuras epidemias.

Esta pesquisa contou com os apoios do INEO, CAPES, CNPq e FAPESP.

Confira AQUI o original deste estudo.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

2 de julho de 2026

Com participação da USP São Carlos – Observatório internacional aumenta as chances de detectar uma das substâncias mais misteriosas do Universo

Matéria escura (Créditos “Open Access Government”)

A ciência está prestes a dar um importante passo na tentativa de solucionar um dos maiores enigmas da cosmologia moderna, que é a natureza da matéria escura. Embora constitua aproximadamente 85% de toda a matéria existente no Universo, essa substância invisível continua escapando dos instrumentos científicos, sendo percebida apenas por meio de seus efeitos gravitacionais sobre estrelas, galáxias e aglomerados galácticos.

Um estudo internacional recentemente publicado na revista Journal of Cosmology and Astroparticle Physics revela que o futuro Observatório Cherenkov Telescope Array (CTAO) poderá transformar radicalmente a busca por evidências concretas da matéria escura. O trabalho reúne pesquisadores do Brasil – incluindo o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) -, Índia, Chile, Itália e Alemanha e aponta que o novo instrumento terá capacidade inédita para detectar sinais extremamente sutis provenientes das profundezas do cosmos.

O que é a matéria escura?

Apesar de invisível aos telescópios convencionais, a matéria escura exerce uma influência gravitacional decisiva sobre a estrutura do Universo. Foi justamente observando movimentos inesperados de estrelas e galáxias que os astrônomos concluíram que deveria existir uma enorme quantidade de matéria não observável diretamente.

Sem a presença da matéria escura, por exemplo, as galáxias simplesmente não conseguiriam permanecer coesas, pois a gravidade produzida pela matéria visível seria insuficiente para mantê-las unidas. Além disso, a formação das grandes estruturas cósmicas observadas atualmente também depende da existência dessa componente invisível.

Mesmo desempenhando papel fundamental na evolução do Universo, os cientistas ainda desconhecem a composição da matéria escura. Diversas hipóteses vêm sendo estudadas ao longo das últimas décadas, sendo uma das mais promissoras a existência de partículas massivas fracamente interativas, conhecidas pela sigla inglesa WIMPs (Weakly Interacting Massive Particles).

Em busca de uma assinatura cósmica

Uma das estratégias mais importantes para detectar a matéria escura consiste na chamada detecção indireta. A ideia é relativamente simples: caso as partículas de matéria escura colidam umas com as outras, elas podem se aniquilar e produzir partículas conhecidas, incluindo fótons extremamente energéticos, denominados raios gama.

Esses raios gama podem viajar pelo espaço praticamente sem sofrer desvios, carregando informações valiosas sobre sua origem. Entre todos os sinais possíveis, os cientistas dedicam atenção especial às chamadas “linhas de raios gama”, emissões que surgem em energias muito específicas e que dificilmente seriam produzidas por processos astrofísicos convencionais.

Por essa razão, a observação dessas linhas é considerada pelos pesquisadores como uma verdadeira “impressão digital” da matéria escura. Detectar tal assinatura poderia representar a primeira evidência inequívoca da existência dessas partículas.

O poder do novo observatório

Observatório Cherenkov Telescope Array – CTAO (Créditos “CTAO”)

O CTAO, atualmente em fase de construção, deverá tornar-se o mais avançado observatório terrestre dedicado à astronomia de raios gama. O projeto internacional contará com dezenas de telescópios distribuídos em dois hemisférios, permitindo a observação praticamente completa do céu.

Segundo os autores do estudo, o observatório apresentará sensibilidade até dez vezes superior à dos atuais instrumentos de sua categoria, além de uma resolução energética extremamente refinada. Essas características permitirão identificar sinais muito fracos que hoje permanecem escondidos no intenso ruído astrofísico do Universo.

Outro diferencial do CTAO será sua ampla faixa de observação, capaz de detectar raios gama desde energias inferiores a 20 gigaelétron-volts até valores próximos de 300 teraelétron-volts, cobrindo um enorme espectro energético e ampliando significativamente as possibilidades de descoberta.

Onde procurar a matéria escura?

Os pesquisadores concentraram suas análises em duas regiões particularmente promissoras: o centro da Via Láctea e as chamadas galáxias anãs esferoidais.

O centro da nossa galáxia é considerado uma das regiões mais ricas em matéria escura do Universo próximo, o que o torna um alvo prioritário para os astrônomos. Entretanto, trata-se também de uma região extremamente complexa, repleta de fontes astrofísicas capazes de produzir raios gama.

Já as galáxias anãs, pequenas galáxias satélites que orbitam a Via Láctea, apresentam menos fontes de interferência e são fortemente dominadas pela matéria escura. Embora produzam sinais mais fracos, oferecem um ambiente mais limpo para a procura dessas partículas invisíveis.

Teoria e experimentação lado a lado

WIMPs – Weakly Interacting Massive Particles (Créditos – “NASA Scientific Vizualization Studio”)

Para realizar o estudo, os cientistas utilizaram uma abordagem conhecida como Teoria Efetiva de Campos, ferramenta amplamente empregada na física de partículas para investigar fenômenos ainda não observados experimentalmente.

Essa metodologia permite descrever possíveis interações entre partículas de matéria escura e partículas conhecidas sem a necessidade de compreender completamente a teoria fundamental subjacente. Os pesquisadores avaliaram diferentes candidatos a matéria escura, incluindo partículas escalares e fermiônicas, estimando quais sinais poderiam ser observados pelo CTAO.

Os resultados mostram que o observatório poderá impor limites muito mais rigorosos aos modelos teóricos existentes e, dependendo da natureza da matéria escura, poderá inclusive realizar sua primeira detecção direta por meio da observação de linhas de raios gama.

Uma descoberta histórica

A confirmação experimental da matéria escura representaria uma revolução científica comparável à descoberta do bóson de Higgs ou mesmo à formulação da teoria da relatividade.

Mais do que identificar uma nova partícula, essa descoberta transformaria profundamente a compreensão humana sobre a composição do Universo, ajudando a explicar como galáxias se formam, evoluem e interagem ao longo de bilhões de anos.

Embora ainda não exista uma evidência definitiva, os pesquisadores acreditam que a próxima geração de instrumentos astronômicos, liderada pelo CTAO, poderá finalmente lançar luz sobre essa antiga questão cósmica e inaugurar uma nova era na física fundamental.

Clique AQUI para ler o original do estudo.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

1 de julho de 2026

“Minicurso Tecnologias Analógicas e Digitais do Cotidiano à Sala de Aula de Física do Ensino Médio”

O IFSC/USP realiza nos próximos dias 27 de junho e 04 de julho do corrente ano, entre as 08h00 e as 17h00, o “Minicurso Tecnologias Analógicas e Digitais do Cotidiano à Sala de Aula de Física do Ensino Médio”, um projeto sob a coordenação do Prof. Dr. Reynaldo Daniel Pinto (IFSC/USP) e idealizado e conduzido por alunos de graduação do Curso de Licenciatura em Ciências Exatas, tendo como público-alvo 24 estudantes da rede pública de ensino do município de São Carlos, das seguintes escolas estaduais:

EE Professor Aduar Kemell Dibo;

EE Conde do Pinhal;

EE Professor João Batista Gasparin;

EE Professor Sebastião de Oliveira Rocha.

Este minicurso, que é parte da disciplina “SLCO652 Estágio Supervisionado em Ensino de Física I” do Curso de Licenciatura em Ciências Exatas, tem como objetivo principal aproximar os conceitos teóricos da Física das tecnologias que permeiam o cotidiano dos estudantes, utilizando para isso uma abordagem prática, demonstrativa e interativa.

Afastando-se da exposição puramente teórica, o programa está estruturado em blocos de atividades laboratoriais e metodologias ativas, onde os alunos manipulam circuitos, sensores e equipamentos, como osciloscópios, para observar os fenômenos físicos em tempo real.

Esta iniciativa conta com os apoios da Diretoria do IFSC/USP, do Departamento de Física e Ciência Interdisciplinar (FCI) e do técnico de laboratório Antenor Petrilli Fillho.

Clique AQUI para acessar todas as informações sobre o curso.

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

26 de junho de 2026

Imunoterapia ganha força na luta contra o câncer – Avanço de CAR-T e nanovacinas

Terapia com células CAR-T contra o câncer (ilustração)

O tratamento do câncer vive uma nova fase impulsionada pela imunoterapia, área que estimula o próprio sistema imunológico a combater os tumores.

Entre as tecnologias mais promissoras estão as terapias com células CAR-T e as chamadas nanovacinas contra o câncer, tema de uma ampla revisão científica publicada por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).

Segundo o estudo, o câncer continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no mundo. Em 2020, cerca de 18 milhões de pessoas receberam diagnóstico da doença e 10 milhões morreram em decorrência dela. A tendência é de crescimento nas próximas décadas.

CAR-T: células reprogramadas para atacar o tumor

A terapia CAR-T funciona a partir da coleta de células de defesa do próprio paciente, que são modificadas em laboratório para reconhecer e destruir células cancerosas. Depois de multiplicadas, essas células são reinfundidas no organismo.

O método já conta com sete terapias aprovadas pela agência reguladora dos Estados Unidos (FDA), principalmente para leucemias, linfomas e mieloma múltiplo. Em alguns casos, as taxas de remissão ultrapassam 80%.

Nanovacinas contra o câncer (Ilustração)

Os pesquisadores destacam que a grande vantagem do CAR-T é sua capacidade de reconhecer tumores de forma direta e altamente específica. Além disso, a tecnologia vem sendo estudada também para doenças autoimunes e infecciosas.

Apesar dos resultados expressivos, a terapia ainda enfrenta obstáculos importantes. Entre eles estão os efeitos colaterais potencialmente graves, como reações inflamatórias intensas e alterações neurológicas, além do alto custo do tratamento, que pode chegar a centenas de milhares de dólares por paciente.

Outro desafio é a dificuldade de atuação em tumores sólidos, como os de pulmão, mama e cérebro. Esses tumores criam um ambiente que dificulta a entrada e a ação das células CAR-T, além de apresentarem grande diversidade de antígenos, o que facilita o escape do câncer ao tratamento.

Nanovacinas: estimulando uma resposta ampla do sistema imune

As nanovacinas terapêuticas representam outra frente inovadora da imunoterapia. Diferentemente das vacinas tradicionais, usadas para prevenir doenças infecciosas, essas vacinas buscam ensinar o sistema imunológico a reconhecer e combater tumores já existentes.

A tecnologia utiliza nanopartículas para transportar antígenos tumorais e substâncias que ativam células de defesa, especialmente os linfócitos T. Esse sistema melhora a entrega dos componentes da vacina aos linfonodos, locais centrais da resposta imune.

Entre os formatos mais estudados estão as vacinas baseadas em RNA mensageiro (mRNA), semelhantes às utilizadas durante a pandemia de Covid-19. Empresas como BioNTech e Moderna lideram pesquisas nessa área.

Doutorando Gabriel de Camargo Zaccariotto (IFSC/USP)

O estudo cita resultados animadores em pacientes com melanoma tratados com uma vacina personalizada de mRNA combinada ao medicamento pembrolizumabe. Houve redução significativa do risco de recorrência e de metástase em comparação ao uso isolado do medicamento.

As nanovacinas também têm a vantagem de estimular uma resposta imunológica mais ampla, envolvendo diferentes tipos de células de defesa e favorecendo a formação de memória imunológica de longa duração.

Comparação e possíveis combinações

Os autores da revisão ressaltam que CAR-T e nanovacinas não são tecnologias concorrentes, mas potencialmente complementares.

O CAR-T oferece uma ação rápida e extremamente específica, enquanto as nanovacinas conseguem atingir múltiplos antígenos tumorais e gerar respostas imunes mais diversificadas e duradouras.

A combinação das duas abordagens, juntamente com medicamentos que desbloqueiam o sistema imunológico, aparece como uma das estratégias mais promissoras para o futuro da oncologia.

O futuro da imunoterapia

Prof. Dr. Valtencir Zucolotto – Coordenador do GNano-IFSC/USP (Créditos da imagem – IEA Polo de São Carlos)

A revisão aponta que o avanço dessas tecnologias depende de superar desafios como a redução de custos de produção; melhoria da segurança dos tratamentos; aumento da eficácia em tumores sólidos; desenvolvimento de respostas imunes mais duradouras; e aprimoramento da personalização terapêutica.

Para o Doutorando Gabriel de Camargo Zaccariotto, essas tecnologias são abordagens centrais no futuro do tratamento do câncer: “Há alguns anos, as células CAR-T vêm representando um marco na história da terapia contra o câncer, especialmente no tratamento das neoplasias hematológicas. Mais recentemente, essa abordagem também tem avançado no enfrentamento dos desafiadores tumores sólidos, com resultados clínicos extremamente encorajadores em tumores altamente agressivos, como o glioblastoma. Paralelamente, embora ainda não exista nenhum produto aprovado, as nanovacinas vêm apresentando avanços promissores em ensaios clínicos para diferentes tipos de câncer, incluindo melanoma, câncer de pulmão, câncer de pâncreas e câncer colorretal”.

Mesmo com as limitações atuais, os pesquisadores consideram que CAR-T e nanovacinas representam uma mudança de paradigma no tratamento do câncer e podem transformar a prática clínica nos próximos anos, sendo que, sobre este aspecto, o coordenador do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano- IFSC/USP) e um dos autores do artigo publicado na revista científica internacional “Biotechnology Advances”, Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, comenta que “Tanto CAR-T quanto Nanovacinas representam pilares das novas gerações de imunoterapias conta o câncer. Em ambos os casos, a combinação de Nano e Biotecnologia é crucial para assegurar precisão a nível celular, eficácia e redução de custos”, finaliza o pesquisador.

Esta pesquisa teve o apoio da FAPESP e do CNPq.

Confira AQUI o original deste estudo.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

23 de junho de 2026

Editais de intercâmbio internacional para alunos de graduação do IFSC/USP

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Foram publicados pela Comissão de Cooperação Nacional e Internacional (CCNInt), na data de hoje, dois editais de intercâmbio destinados aos alunos de graduação do IFSC/USP.

O primeiro edital (Edital IFSC 2304/2026) é destinado a alunos de graduação do curso de Licenciatura em Ciências Exatas, enquanto o segundo edital (Edital IFSC 2305/2026) se destina a alunos de graduação dos cursos de Bacharelado.

Estas ações levam em consideração a continuidade ao Programa de Mobilidade Estudantil Internacional de alunos de graduação e as condições gerais do “Edital Aucani 2275/2026 Programa de Bolsas de Intercâmbio Internacional para os Alunos de Graduação USP 2026” publicado pela Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani), e a Comissão de Cooperação Nacional e Internacional do IFSC/USP.

Confira AQUI o edital para alunos de graduação do curso de Licenciatura em Ciências Exatas do IFSC/USP.

Confira AQUI o edital para os alunos de graduação dos cursos de Bacharelado do IFSC/USP.

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

23 de junho de 2026

“Direcionamento Acadêmico” – Uma disciplina que prepara os alunos de graduação do IFSC/USP para a excelência

O “Direcionamento Acadêmico” do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) é uma disciplina obrigatória destinada aos estudantes ingressantes dos cursos de graduação. Seu principal objetivo é facilitar a adaptação dos calouros à vida universitária, apresentando a estrutura do instituto, as oportunidades acadêmicas e profissionais, além de orientar os alunos na construção de suas trajetórias dentro da Física e de áreas correlatas.

Uma vez mais, a iniciativa está ocorrendo neste ano letivo, tendo finalizado já a programação dedicada ao 1º semestre com a última palestra realizada no dia 19 de junho, tendo participado o docente do IFSC/USP e idealizador da iniciativa, Prof. Dr. Luiz Antônio de Oliveira Nunes.

Entre as atividades desenvolvidas no “Direcionamento Acadêmico” do IFSC/USP, além dos seminários e palestras ministradas por pesquisadores e professores do Instituto, estão: visitas aos laboratórios de pesquisa do IFSC/USP; apresentações sobre as diversas áreas de atuação da Física e da pesquisa científica; orientação acadêmica e pedagógica para auxiliar os estudantes em suas dificuldades de adaptação, métodos de estudo e planejamento de carreira; e  contato com empresas de tecnologia e com as possibilidades de pesquisa, inovação e mercado de trabalho.

Prof. Dr. Luiz Antônio de Oliveira Nunes

Resumidamente, a disciplina funciona como uma “bússola” para os alunos, ajudando-os a compreender as diferentes áreas de pesquisa e atuação profissional, bem como a descobrir suas vocações e interesses ao longo da graduação.

Embora a iniciativa tenha sido idealizada pelo Prof. Dr. Luiz Antônio de Oliveira Nunes, ela tem sido continuamente aperfeiçoada para tornar o aprendizado mais próximo da realidade dos estudantes, combinando teoria, experimentação e contato direto com pesquisadores.

Além dos objetivos tradicionais de acolhimento e orientação aos ingressantes, o “Direcionamento Acadêmico” do IFSC/USP destaca-se pelo seu caráter inovador. Diferentemente de disciplinas introdutórias convencionais, a iniciativa não se limita a apresentar normas acadêmicas ou a estrutura curricular. Seu diferencial está em proporcionar ao estudante uma imersão precoce no ambiente de pesquisa, inovação e empreendedorismo científico.

O aspecto inovador do programa reside na aproximação direta dos alunos com laboratórios de ponta, grupos de pesquisa, pesquisadores e profissionais atuantes em diferentes áreas da Física e das ciências correlatas. Desde o início da graduação, os estudantes têm a oportunidade de conhecer aplicações concretas do conhecimento científico, compreender como surgem as pesquisas que impactam a sociedade e visualizar possibilidades de carreira tanto no meio acadêmico quanto no setor produtivo.

Presidente da Comissão de Graduação do IFSC/USP, Prof. Dr. João Renato Carvalho Muniz

Outro elemento inovador é a proposta de estimular o protagonismo estudantil. Em vez de apenas receber informações, os alunos são incentivados a refletir sobre seus interesses, aptidões e objetivos profissionais, construindo de forma consciente sua trajetória universitária. Essa abordagem favorece escolhas mais assertivas em relação a estágios, iniciação científica, intercâmbios e áreas de especialização.

A iniciativa também antecipa tendências contemporâneas da educação superior, ao integrar ensino, pesquisa, inovação e interação com empresas de base tecnológica. Dessa forma, o Direcionamento Acadêmico funciona como uma ponte entre a formação universitária e os desafios do mundo real, contribuindo para a formação de profissionais mais preparados, criativos e comprometidos com a produção de conhecimento e o desenvolvimento da sociedade.

Para o Presidente da Comissão de Graduação do IFSC/USP, Prof. Dr. João Renato Carvalho Muniz “Além da divulgação científica relacionada com aquilo que se faz nos laboratórios do Instituto e em questões consagradas da Física, o “Direcionamento Acadêmico” tem a particularidade de ser um alicerce para a construção do conhecimento, e neste caso concreto através dos trabalhos e leis de Galileu Galilei e Isaac Newton, entre outros. Tudo isso se torna essencial para os estudantes de Física.  Chegamos ao fim desta iniciativa que ocorreu no primeiro semestre, e voltaremos no segundo semestre com mais temas importantes para a formação de nossos alunos, tendo em consideração que esta disciplina é única na Universidade de São Paulo e tanto quanto sei não existe em outra universidade no país. É um esforço que o IFSC/USP faz para preparar da melhor forma seus alunos de graduação”, conclui o docente.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

23 de junho de 2026

Duas pesquisas avançam na produção de hidrogênio limpo e reforçam a transição energética

(Créditos – “Green Hydrogen – Montel/Shutterstock”)

Uma mesma tecnologia e múltiplas soluções nascem na USP São Carlos

A busca por fontes de energia limpas e sustentáveis ganhou novos aliados em duas pesquisas recentes que, embora tenham investigado materiais e aplicações distintas, compartilham uma mesma inovação tecnológica: o uso da técnica de “magnetron sputtering” para depositar catalisadores com elevado grau de controle estrutural. Os resultados representam avanços significativos para a produção de hidrogênio verde, considerado por especialistas uma das alternativas mais promissoras para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e combater as mudanças climáticas.

Os dois estudos, liderados por pesquisadores do IFSC/USP, demonstram que a mesma técnica pode ser utilizada para construir arquiteturas catalíticas completamente diferentes. Em um dos trabalhos, os pesquisadores desenvolveram fotoânodos de vanadato de bismuto (BiVO₄) modificados com óxido de cobalto (Co₃O₄) para aumentar a eficiência da divisão fotoeletroquímica da água. No outro, átomos isolados (Single Atoms) de cobre e platina foram depositados sobre nitreto de carbono grafítico (g-C₃N₄), criando sítios catalíticos altamente ativos para a produção fotocatalítica de hidrogênio. Em ambos os casos, o objetivo foi o mesmo: aproveitar a energia solar para gerar combustível limpo de maneira mais eficiente.

O hidrogênio produzido a partir da água e da luz solar tem sido apontado como um elemento fundamental na descarbonização da economia mundial. Diferentemente do petróleo, do carvão mineral e do gás natural, sua utilização não gera emissões de dióxido de carbono (CO₂), principal responsável pelo aquecimento global. Quando empregado em células a combustível ou processos industriais, o hidrogênio produz apenas vapor d’água como subproduto, tornando-se uma alternativa ambientalmente muito mais favorável.

No primeiro estudo, o foco foi superar uma das principais limitações da divisão fotoeletroquímica da água: a baixa eficiência dos fotoânodos responsáveis pela reação de evolução de oxigênio. Para isso, os pesquisadores produziram filmes finos de BiVO₄ por “magnetron sputtering” e, posteriormente, modificaram sua superfície com Co₃O₄. A combinação dos dois materiais favoreceu a separação das cargas elétricas geradas pela luz solar e reduziu perdas energéticas decorrentes da recombinação de elétrons e lacunas. Como resultado, houve aumento significativo da fotocorrente e melhoria da eficiência de conversão da energia solar em energia química armazenada no hidrogênio.

Já a segunda pesquisa levou o conceito de engenharia de materiais a um nível ainda mais refinado. Utilizando a mesma tecnologia de “sputtering”, os cientistas conseguiram dispersar átomos individuais de cobre e platina sobre a superfície do g-C₃N₄. Essa estratégia maximiza o aproveitamento dos metais, especialmente da platina, um elemento de alto valor comercial. Cada átomo depositado torna-se um centro ativo para a reação química, aumentando drasticamente a eficiência do processo sem exigir grandes quantidades do material. Os resultados mostraram uma produção de hidrogênio centenas de vezes superior à obtida com o material não modificado.

Os benefícios para a sociedade

(Créditos – “Magnetron Sputtering/Core Tech Films”)

Além dos avanços científicos, as pesquisas apresentam benefícios concretos para a sociedade. A ampliação da eficiência dos processos de produção de hidrogênio pode contribuir para reduzir custos futuros dessa tecnologia, tornando-a mais acessível para aplicações em transporte, geração de energia e indústria pesada. Setores como siderurgia, produção de fertilizantes, refino de combustíveis e transporte de cargas estão entre os maiores emissores de gases de efeito estufa e figuram entre os principais candidatos a utilizar hidrogênio verde em larga escala.

Outro aspecto relevante é a segurança energética. Ao possibilitar a produção de combustível a partir da água e da luz solar, tecnologias desse tipo diminuem a dependência de recursos fósseis concentrados em regiões específicas do planeta. Países com elevada incidência solar, como o Brasil, passam a ter condições privilegiadas para produzir hidrogênio de forma competitiva, fortalecendo sua autonomia energética e criando novas oportunidades econômicas.

Do ponto de vista ambiental, os impactos potenciais são igualmente expressivos. A substituição gradual de combustíveis fósseis por hidrogênio verde pode reduzir significativamente as emissões globais de carbono, contribuir para o cumprimento das metas climáticas internacionais e melhorar a qualidade do ar nos centros urbanos. A redução de poluentes atmosféricos está diretamente associada à diminuição de doenças respiratórias e cardiovasculares, gerando benefícios também para a saúde pública.

As duas pesquisas evidenciam ainda uma tendência crescente na ciência contemporânea: a importância da engenharia de materiais em escala nanométrica. O “magnetron sputtering”, tradicionalmente utilizado na fabricação de semicondutores e revestimentos industriais, mostra-se agora uma ferramenta estratégica para a construção de catalisadores avançados, capazes de controlar a matéria desde filmes finos até átomos isolados. Essa versatilidade abre caminho para o desenvolvimento de novas gerações de dispositivos voltados à produção sustentável de energia.

Mais do que desenvolver novos materiais para a produção de hidrogênio verde, esses trabalhos demonstram o potencial de uma tecnologia que pode acelerar a chegada dessas soluções ao mercado. A técnica de deposição por “sputtering”, que é amplamente utilizada pela indústria na fabricação de semicondutores, telas eletrônicas e revestimentos avançados, permite depositar materiais com precisão nanométrica, controlando sua estrutura desde filmes finos até átomos isolados.

Uma transição energética global

Prof. Dr. Renato Vitalino Gonçalves (IFSC/USP)

Segundo o professor Renato Vitalino Gonçalves, do IFSC/USP e coordenador das pesquisas, um dos grandes desafios da área é desenvolver materiais semicondutores que combinem alta eficiência, estabilidade e viabilidade de produção em larga escala. “Os resultados mostram que é possível utilizar uma mesma tecnologia para criar diferentes arquiteturas catalíticas altamente eficientes para a produção de hidrogênio a partir da energia solar. Isso abre novas perspectivas para o desenvolvimento de dispositivos mais eficientes e duráveis”, destaca.

O pesquisador ressalta ainda que o “magnetron sputtering” apresenta uma vantagem estratégica em relação a muitos métodos utilizados apenas em escala laboratorial. “Trata-se de um processo de deposição física de vapor já consolidado industrialmente, empregado em larga escala em diversos setores tecnológicos. O fato de conseguirmos utilizá-lo para fabricar tanto filmes finos fotoativos quanto catalisadores de átomos isolados, torna essa tecnologia extremamente promissora para a futura produção de materiais avançados voltados à geração sustentável de energia”, acrescenta.

Para Gonçalves, a combinação entre controle preciso da matéria em escala atômica e a possibilidade de escalonamento industrial pode representar um importante passo para transformar descobertas científicas em tecnologias capazes de contribuir efetivamente para a transição energética global. Destacando que os avanços obtidos não são resultado apenas do desenvolvimento de novos materiais, mas também da construção de uma ampla rede de colaboração científica e do apoio contínuo à pesquisa básica e aplicada, o Prof. Renato Vitalino Gonçalves afirma: “Esses resultados são fruto de um trabalho coletivo que envolve alunos de graduação e pós-graduação, pós-doutorandos e colaboradores nacionais e internacionais. A ciência moderna é cada vez mais colaborativa, e avanços como esses somente são possíveis graças à dedicação de toda a equipe e à integração de diferentes competências científicas. Também é importante reconhecer o papel fundamental das agências de fomento e das instituições que apoiam a pesquisa no Brasil. Gostaria de agradecer especialmente à FAPESP, por meio de projetos individuais e, mais recentemente, do CEPID CEMol, ao CNPq e à USP. Esse apoio tem sido essencial para a consolidação das nossas pesquisas, para a aquisição de infraestrutura avançada e para a formação de recursos humanos altamente qualificados, que serão responsáveis por desenvolver as tecnologias energéticas do futuro”, conclui o pesquisador.

Em um cenário global marcado pela urgência da transição energética e pela necessidade de reduzir emissões de carbono, avanços como esses representam passos importantes rumo a uma sociedade mais sustentável, resiliente e ambientalmente responsável.

Acesse o link para conferir a pesquisa – Synergistic Co3O4 Surface Engineering of BiVO4 Photoanodes for Enhanced Photoelectrochemical Water Splitting (ACS Applied Energy Materials)CONFIRA AQUI;

Acesse o link para conferir a pesquisa – Solar Hydrogen Evolution Boosted by Cu and Pt Single-Atom Sites Anchored on gC3N4 via Magnetron Sputtering Deposition (ACS Nanoscience) – CONFIRA AQUI;

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

22 de junho de 2026

Programa Aristides Pacheco Leão de Estímulo às Vocações Científicas – Aluna de Bacharelado em Física do IFSC/USP conclui trabalho na UFAC

Profª Drª Sonaira Souza da Silva (UFAC) com Bianca Yumi Simote Ishikawa

Bianca Yumi Simote Ishikawa, aluna do Bacharelado em Física do (IFSC/USP), concluiu, durante suas férias, um trabalho no âmbito do Programa Aristides Pacheco Leão de Estímulo às Vocações Científicas, promovido pela FAPESP, em parceria com a Academia Brasileira de Ciências, trabalho esse que foi realizado na Universidade Federal do Acre (UFAC) – Campus Floresta.

Sob supervisão da Profª Drª Sonaira Souza da Silva (UFAC), Bianca realizou o trabalho denominado “Avaliação da propagação dos incêndios florestais na Amazônia Sul-Ocidental”, e como parte das atividades da bolsa que foi atribuída à aluna, ela produziu um vídeo de divulgação científica sobre o projeto desenvolvido, que foi publicado no perfil do Instagram do laboratório onde o trabalho foi realizado e que divulgamos abaixo.

O Programa Aristides Pacheco Leão de Estímulo a Vocações Científicas (PAPL) foi criado em 1994 pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), por iniciativa do Acadêmico Guilherme Suarez-Kurtz, que apresentou a proposta ao então presidente da ABC, Eduardo Moacyr Krieger.

O objetivo da iniciativa é incentivar os estudantes de graduação a seguir carreira científica, além de ampliar a rede de colaboração em pesquisa. O estudante deverá demonstrar interesse pela carreira científica, por meio da apresentação de carta de motivação (livre escrita, sem modelo predefinido).

O nome, também sugerido por Kurtz, homenageia o eminente neurofisiologista Aristides Pacheco Leão, presidente da ABC entre 1967 e 1981 e nomeado presidente emérito em 1993, em homenagem póstuma.

Para Bianca, e depois de pensar muito tempo sobre o que poderá falar de sua experiência nesse projeto, o fato é que, para ela, nada do que falar irá fazer jus ao que viveu. “Do medo que eu senti ao me ver numa situação tão longe de casa, mas ao mesmo tempo a empolgação que foi trabalhar em um outro projeto, em outro laboratório, com coisas que eu nunca tinha feito antes. Foi um desafio, como todas as coisas na vida são, imagino, e gosto de pensar que enfrentei ele de cabeça erguida. Esse capítulo da minha vida foi importante porque me fez crescer como estudante, sobretudo porque essa pesquisa mostra que a física pode ser vista como uma ciência interdisciplinar, já que muitos dos conhecimentos que apliquei nesse projeto vieram da minha formação acadêmica”, destaca a aluna.

Navegando no rio Croa

Para Bianca Ishikawa não foi só trabalho, já que teve a oportunidade única de conhecer outro estado e outro bioma. “Andei de barco no rio Croa, que banha a cidade, conheci pessoas incríveis que me levaram a lugares maravilhosos, comi o melhor açaí da minha vida, e tive a oportunidade de ser orientada pela professora Sonaira, da Universidade Federal do Acre, que é uma pesquisadora incrível e uma professora melhor ainda. E essa oportunidade eu devo à FAPESP e à ABC, que financiaram o projeto, ao IFSC/USP, ao meu orientador, Prof. Dr. José Fontanari, que me apoiou durante todo o processo, e à minha família e aos meus amigos, cujo amor manteve a crença de que eu iria conseguir terminar o projeto”, destaca a aluna do IFSC/USP.

O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) congratula a aluna por seu trabalho, realçando o orgulho que sua comunidade sente pela conquista alcançada.

Confira AQUI as três versões do vídeo realizado por Bianca Ishikawa.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

18 de junho de 2026

“Ruído” natural é usado para mostrar a estabilidade de redes neurais – Estudo reuniu pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos

(Créditos – “The gait guys”)

Pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos desenvolveram um método inovador para medir a estabilidade de redes neurais responsáveis por atividades rítmicas fundamentais do organismo.

O estudo, publicado na revista científica “Chaos, Solitons and Fractals”, mostra que o chamado “ruído intrínseco” — pequenas variações naturais na atividade elétrica dos neurônios — pode revelar o grau de estabilidade dessas redes, mesmo diante de alterações significativas em suas conexões.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Federal do ABC (UFABC), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e da University of California San Diego, nos Estados Unidos. O trabalho investigou os chamados “Central Pattern Generators” (CPGs), circuitos neurais responsáveis por gerar ritmos automáticos essenciais ao funcionamento dos seres vivos, como respiração, mastigação e locomoção.

Segundo os autores, compreender a estabilidade desses circuitos é um desafio histórico da neurociência. Embora os CPGs sejam conhecidos por sua robustez — mantendo o funcionamento mesmo diante de perturbações, ruídos biológicos e alterações sinápticas — ainda faltavam métodos quantitativos capazes de medir essa estabilidade com precisão.

Para enfrentar esse problema, os cientistas utilizaram um sistema experimental baseado no circuito pilórico de crustáceos, modelo clássico em neurofisiologia. O estudo analisou neurônios responsáveis pela geração de ritmos digestivos em lagostas da Califórnia, utilizando técnicas avançadas de registro elétrico e manipulação sináptica por meio de dynamic clamp, ferramenta que permite modificar artificialmente conexões entre neurônios em tempo real.

A continuidade dos padrões motores essenciais ao organismo.

Prof. Dr. Reynaldo Daniel Pinto (IFSC/USP)

Os pesquisadores descobriram que, mesmo após a remoção funcional de uma das conexões sinápticas consideradas mais importantes da rede, o sistema permaneceu estável. Isso indica que os CPG’s possuem mecanismos redundantes capazes de preservar o padrão rítmico mesmo sob fortes perturbações.

O método desenvolvido baseia-se na análise matemática das pequenas flutuações naturais da atividade neuronal. Em vez de considerar o “ruído” biológico como um problema experimental, os cientistas o utilizaram como fonte de informação para estimar a estabilidade dinâmica da rede neural. A equipe também aplicou técnicas estatísticas de bootstrap para calcular intervalos de confiança e validar os resultados obtidos.

Os resultados mostraram que todos os circuitos analisados permaneceram dentro de uma faixa considerada estável, mesmo quando submetidos a fortes modificações sinápticas. Segundo os autores, isso sugere que sistemas neurais responsáveis por funções vitais evoluíram para operar com elevado grau de robustez, garantindo a continuidade dos padrões motores essenciais ao organismo.

Além de ampliar o conhecimento sobre o funcionamento cerebral, o estudo pode ter aplicações em diferentes áreas científicas e tecnológicas. Os pesquisadores destacam possíveis impactos no desenvolvimento de robôs bioinspirados, em modelos computacionais de redes neurais e na compreensão de doenças neurológicas associadas à perda de estabilidade dos ritmos cerebrais. A participação brasileira teve destaque na pesquisa, reforçando o protagonismo do país em estudos de neurociência computacional e dinâmica de sistemas complexos.

Para o cientista do IFSC/USP, Prof. Dr. Reynaldo Daniel Pinto, esta pesquisa demonstra a enorme complexidade presente mesmo nesses pequenos circuitos, formados por pouco mais de uma dezena de neurônios, que apresentam, ao mesmo tempo, estabilidade funcional e flexibilidade para adaptar seus padrões em tempo real. “Essas propriedades antagônicas representam o clássico dilema de engenharia biológica sob o qual o cérebro humano se desenvolveu e é crucial para o desenvolvimento de circuitos artificiais bioinspirados”, explica o cientista.

O trabalho recebeu apoio da Fapesp, do CNPq e do “National Institutes of Health” (NIH), dos Estados Unidos.

Confira AQUI o original deste estudo.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

16 de junho de 2026

Produção científica do IFSC/USP no mês de maio de 2026

Para ter acesso às atualizações da Produção Científica cadastradas no mês de  maio de 2026, clique AQUI, ou acesse o Repositório da Produção USP (AQUI).

As atualizações também podem ser conferidas no Totem “Conecta Biblio”, em frente à Biblioteca.

A figura ilustrativa foi extraída do artigo publicado recentemente, por pesquisador do IFSC/USP, no periódico “Acta Materialia” (VER AQUI).

 

Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

15 de junho de 2026

Em organismos marinhos – Pesquisadores brasileiros e franceses desenvolvem técnica inédita para rastrear poluição de carbono

Copépode do gênero Acartia (Créditos – Reserach Gate / Veronica Lundgren)

Um estudo internacional liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), entre eles cientistas do IFSC/USP, e de instituições francesas revelou, pela primeira vez, como partículas de carbono negro — um dos principais poluentes gerados pela queima incompleta de combustíveis fósseis — são ingeridas e transformadas dentro de organismos marinhos microscópicos.

Publicado na revista científica Environmental Science & Technology, o trabalho utilizou uma avançada técnica de microscopia de dois fótons para acompanhar, em tempo real e sem o uso de marcadores químicos, o comportamento do chamado “black carbon” em copépodes do gênero Acartia, pequenos crustáceos que compõem grande parte do zooplâncton oceânico.

O carbono negro é considerado um importante agente de aquecimento climático e um contaminante amplamente presente nos oceanos. Apesar disso, pouco se sabia sobre a forma como ele interage biologicamente com organismos marinhos.

A pesquisa mostrou que os copépodes ingerem partículas provenientes da fuligem de motores a diesel e que essas partículas sofrem alterações estruturais ao longo do trato digestivo. Segundo os cientistas, o ambiente intestinal dos animais modifica o arranjo molecular do material poluente, transformando agregados sólidos em estruturas mais dispersas e potencialmente mais reativas.

A técnica empregada permitiu diferenciar, com alta precisão, as partículas de carbono negro dos pigmentos naturais presentes nos organismos, criando o que os autores chamaram de “linha de base intestinal livre de pigmentos”. Isso possibilitou observar diretamente a presença do poluente dentro do intestino dos animais vivos.

Os resultados também revelaram alterações fisiológicas associadas à ingestão do material. Os copépodes expostos ao carbono negro apresentaram dilatação intestinal semelhante à observada durante a alimentação natural, indicando que o organismo processa o poluente como se fosse alimento.

Pontos de preocupação

Black Carbon (Créditos – “Time – Sally A. Morgan Corbis”)

Além dos impactos imediatos observados nos organismos analisados, os pesquisadores alertam para possíveis riscos ambientais decorrentes desse processo. Como o zooplâncton ocupa a base da cadeia alimentar marinha, a contaminação pode atingir peixes, crustáceos maiores e outros animais marinhos, ampliando a circulação do carbono negro nos ecossistemas oceânicos.

Os cientistas destacam ainda que as alterações sofridas pelas partículas dentro do intestino dos copépodes podem aumentar a capacidade de dispersão do poluente na água, favorecendo sua permanência no ambiente e potencializando efeitos tóxicos relacionados ao estresse oxidativo e à presença de compostos químicos derivados da combustão.

Outro ponto de preocupação é o possível impacto sobre o ciclo global do carbono. Como os copépodes desempenham papel fundamental no transporte de matéria orgânica para regiões profundas do oceano, a transformação do carbono negro por esses organismos pode interferir nos mecanismos naturais de armazenamento de carbono e, consequentemente, nas dinâmicas climáticas globais.

Especialistas também apontam que a presença contínua desse material nos oceanos pode comprometer o equilíbrio ecológico, afetando processos de alimentação, reprodução e sobrevivência de espécies marinhas sensíveis à poluição.

Os experimentos foram realizados com partículas coletadas diretamente da emissão de motores a diesel na cidade de São Paulo, sendo que o material foi preparado em diferentes formas — particulada e dissolvida — para avaliar seu comportamento óptico e biológico.

A cientista Maria Luiza Vicente

Para a cientista Maria Luiza Vicente, primeira autora do estudo e pesquisadora correspondente junto com o Prof. Dr. Francisco Gontijo Guimarães, ambos do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) a descoberta ajuda a compreender melhor o destino ambiental do carbono negro nos oceanos e o papel do zooplâncton na transformação desse poluente. Ao comentar este estudo, a pesquisadora afirma: “Os resultados obtidos neste trabalho possuem implicações globais, principalmente por se tratar de um ecossistema de influência central na dinâmica mundial: o meio marinho. A parceria internacional envolvida não apenas viabilizou minha dupla titulação no doutorado, mas também promoveu a sinergia entre o estudo dos impactos de poluentes emergentes e técnicas ópticas avançadas, na fronteira do conhecimento”, sublinha a jovem pesquisadora.

Essa interdisciplinaridade, que foi reconhecida pela revista de alto impacto Environmental Science & Technology, demonstra novas aplicações da física em áreas de extrema relevância social e ambiental.

No futuro, segundo a pesquisadora, ao somar-se aos avanços das pesquisas ecotoxicológicas, esses dados poderão subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas ao tratamento de poluentes no meio marinho. “A técnica desenvolvida é de fato inovadora, principalmente por revelar formas antes não diretamente estudadas desses contaminantes em meio aquoso, permitindo entender seu processo de transformação in vivo. Acreditamos que este estudo abre caminhos para desvendarmos o destino de poluentes de carbono emergentes e o real cenário do estoque de carbono nos oceanos”, conclui Maria Luíza Vicente.

Além dos cientistas do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), esta pesquisa contou com a participação de pesquisadores da Universidade de Toulon, na França, e do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP.

O trabalho contou com apoio da Fapesp, Capes e do programa internacional USP-Cofecub/Campus France.

Para conferir o original do trabalho publicado acesse – https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acs.est.5c18449

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

12 de junho de 2026

Pró-Reitor Adjunto de Cultura e Extensão Universitária visita IFSC/USP

Visita ao EIC

O Pró-Reitor Ajunto de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo, Prof. Dr. Iran José Oliveira da Silva, visitou no dia 09 de junho último o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), tendo sido recebido pela Presidente e pelo Vice-Presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitária do IFSC/USP (CCEx), Profs. Drs. Ilana Camargo e Guilherme Sipahi.

Em sua visita, o Prof. Iran da Silva teve a oportunidade de visitar o museu “Memória da Computação Científica”, localizado no segundo piso do Edifício Central do IFSC/USP, acompanhado pelo Prof. Guilherme Sipahi, responsável pela montagem e criação da exibição.

O Centro de Difusão Científica e Cultural da USP (CDCC) também foi um dos destinos do visitante, tendo sido acompanhado pelo Diretor do CeTi-SC, Prof. Dr. Júlio César Estrella e pela Presidente do Grupo Coordenador das Atividades de Cultura e Extensão Universitária do Campus USP São Carlos (GCACEx), Profª Drª Kamila Rios da Hora Rodrigues, e recebido pelo Diretor e Vice-Diretora do CDCC, Profs. Drs. Fernando Fernandes Paiva e Fernanda Canduri, que acompanharam o dirigente da USP em um “tour” pelas instalações e “Experimentoteca”, com abordagens sobre os projetos em execução.

Destaque também para a visita que o Pró-Reitor Adjunto realizou ao Espaço Interativo de Ciências (EIC), uma estrutura que faz parte do projeto de pesquisa, inovação e difusão do conhecimento chamado “Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos” (CIBFar), um dos projetos CEPIDs, apoiados pela FAPESP (agora CEPIx-CEPIMED, tendo sido recebido pela Educadora Gislaine e pelos bolsistas PUB – Programa Unificado de Bolsas (PUB), uma ação integrada das Pró-Reitorias de Graduação, Pesquisa e Inovação, Cultura e Extensão Universitária, Inclusão e Pertencimento que visa o engajamento de estudantes da USP em atividades de ensino, pesquisa, cultura e extensão e inclusão e pertencimento, de modo a contribuir para a formação cidadã, acadêmica e profissional dos/as alunos/as regularmente matriculados/as.

Este encontro no EIC foi uma oportunidade para apresentar as ações desenvolvidas que aproximam a pesquisa científica da comunidade por meio de atividades educativas, formação de professores e experiências interativas.

A visita do Prof. Dr. Iran da Silva vem reforçar a relevância da cultura e extensão universitária como caminhos para ampliar o impacto social da ciência e educação, iniciando, certamente, o início de novas parcerias e de projetos em prol da educação, da cultura e da divulgação científica.

Visita ao museu “Memória da Computação Científica

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

11 de junho de 2026

Pró-Reitor de Pós-Graduação da USP visita o IFSC/USP e reforça diálogo institucional

Da esquerda para a direita – Vice-Diretor do IFSC/USP, Prof. Dr. Luis Gustavo Marcassa; Diretor do IFSC/USP, Prof. Dr. Adriano Defini Andricopulo; Pró-Reitor de Pós Graduação da USP, Prof. Dr. Carlos Eduardo Ambrósio; Vice-Presidente da Comissão de Pós Graduação do IFSC/USP, Profª Drª Cristina Kurachi e o Presidente da mesma Comissão, Prof. Dr. Cleber Renato Mendonça

O Pró-Reitor de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo, Prof. Dr. Carlos Eduardo Ambrósio, realizou, no último dia 8 de junho, uma visita institucional ao Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), onde foi recebido pelo diretor e vice-diretor da unidade, Profs. Drs. Adriano Defini Andricopulo e Luís Gustavo Marcassa.

Participaram igualmente do encontro o presidente e a vice-presidente da Comissão de Pós-Graduação do Instituto, Profs. Drs. Cleber Renato Mendonça e Cristina Kurachi, que apresentaram ao Pró-Reitor um panorama das atividades desenvolvidas pelo Programa de Pós-Graduação do IFSC/USP, considerado uma das referências nacionais na área da Física.

Durante a reunião, foram abordadas as particularidades e os desafios do Programa, com destaque para a situação da concessão de bolsas de estudo, tema de grande relevância para a manutenção da excelência acadêmica e para a formação de novos pesquisadores. Também foi ressaltado o desempenho consistente alcançado pelo Programa ao longo dos anos, evidenciado pela manutenção da nota máxima (7) nas avaliações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), reconhecimento reservado aos cursos de excelência internacional.

A visita representou um importante momento de aproximação entre a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e a comunidade acadêmica do IFSC/USP, fortalecendo os canais de diálogo entre a Administração Central da USP e uma de suas mais destacadas unidades de ensino e pesquisa. Além de conhecer de perto as conquistas alcançadas pelo Instituto, o Pró-Reitor teve a oportunidade de ouvir demandas e discutir questões estratégicas relacionadas ao futuro da pós-graduação, contribuindo para o aprimoramento contínuo das políticas institucionais da Universidade.

O encontro também permitiu a apresentação de algumas dificuldades enfrentadas pela unidade, especialmente em áreas que demandam atenção e apoio institucional. Nesse contexto, a presença do Pró-Reitor foi considerada particularmente relevante, uma vez que demonstra o compromisso da atual gestão da USP com a valorização da pós-graduação, a busca de soluções compartilhadas e o fortalecimento da excelência acadêmica que caracteriza a Universidade.

Ao final da visita, ficou evidenciada a importância da integração entre a Pró-Reitoria e as unidades acadêmicas, condição fundamental para que a USP continue ampliando sua liderança científica, formando recursos humanos altamente qualificados e contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento da ciência e da inovação no Brasil.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

10 de junho de 2026

Com apoio do IFSC/USP: Santa Casa de São Carlos abre inscrições para a 5ª Turma de Pós-Graduação em Laser na Saúde

A Santa Casa de Misericórdia de São Carlos, por meio de seu Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP), anunciou a abertura das inscrições para a 5ª Turma da Pós-Graduação em Laser na Saúde, um curso de especialização que vem se consolidando como uma das principais referências na formação de profissionais da área.

Realizado com o apoio do docente e pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Vanderlei Salvador Bagnato e ministrado por pesquisadores da instituição e colaboradores, este curso alcança a sua quinta edição apresentando índices de aprovação superiores a 90% entre os alunos das turmas anteriores.

Segundo o coordenador do programa, Dr. Antonio de Aquino Junior “A especialização tem como principal diferencial a abordagem inovadora das aplicações da laserterapia e da terapia fotodinâmica na saúde, com um conteúdo voltado para profissionais de diversas áreas, proporcionando atualização científica e tecnológica alinhada às mais recentes pesquisas e práticas clínicas”.

O curso também se destaca pela abrangência geográfica de seus participantes. Ao longo das edições anteriores, profissionais oriundos de estados como Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de diversas regiões do Estado de São Paulo, buscaram qualificação na instituição. Até o momento, cerca de 90 alunos já concluíram ou estão cursando a especialização.

De acordo com a coordenação, a procura pela nova turma já é expressiva, o que levou à adoção de um processo seletivo diferenciado.

Os interessados devem iniciar o contato por meio do WhatsApp do coordenador, pelo número (16) 99172-1127, sendo que após uma conversa preliminar, os candidatos recebem o conteúdo programático do curso e são orientados sobre o agendamento de entrevista e a submissão de currículo para avaliação.

As atividades da 5ª Turma terão início nos dias 15 e 16 de agosto, com aulas realizadas no IEP sempre aos finais de semana, em um encontro mensal. A duração total da especialização é de um ano e meio.

As inscrições poderão ser realizadas até o dia 10 de agosto. Entretanto, devido à alta demanda já registrada antes mesmo da abertura oficial das inscrições, a coordenação recomenda que os interessados procurem informações e iniciem o processo seletivo o quanto antes para garantirem participação na turma.

A expectativa é de que a nova edição mantenha o elevado padrão acadêmico alcançado nas turmas anteriores e continue contribuindo para a formação de profissionais aptos a incorporar tecnologias inovadoras em benefício da saúde e da qualidade de vida da população.

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

9 de junho de 2026

Nova frente na luta contra o câncer de ovário – A utilização de compostos à base de cobre

(Créditos – “MedlinePlus”)

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Universidade Federal de São Carlos, Embrapa Instrumentação e Universidade Federal de Ouro Preto apontam resultados promissores obtidos em laboratório para o combate ao câncer de ovário, em um estudo publicado na revista internacional ACS Omega. A pesquisa investigou compostos metálicos à base de cobre coordenados a ligantes nitrogenados e identificou substâncias com elevada atividade antitumoral, indicando um possível caminho para o desenvolvimento de terapias mais eficazes no futuro.

Os pesquisadores desenvolveram cinco variações desses compostos e avaliaram seus efeitos em diferentes tipos de câncer, incluindo ovário, pulmão e mama. Entre os resultados, um dos compostos se destacou ao apresentar desempenho significativamente superior ao da cisplatina — um dos principais medicamentos utilizados atualmente na quimioterapia — especialmente no combate ao câncer de ovário.

De acordo com o estudo, a substância atua diretamente em processos fundamentais das células cancerígenas. O composto reduz a capacidade de proliferação tumoral, interfere na formação de novas colônias celulares e provoca alterações internas capazes de induzir a destruição dessas células. Os resultados também sugerem mecanismos múltiplos de ação, incluindo interação com o DNA e comprometimento de processos celulares essenciais para a sobrevivência tumoral.

Outro aspecto considerado relevante pelos pesquisadores foi a forte atividade observada mesmo em baixas concentrações. Nessa condição, o composto já foi capaz de reduzir significativamente a formação de colônias de células cancerígenas, característica considerada importante para limitar a progressão do tumor.

Prof. Dr. Javier Ellena e o pesquisador Alexandre B. de Carvalho

Além da atividade citotóxica, os pesquisadores investigaram parâmetros biológicos relacionados à proliferação celular e interação com biomoléculas, permitindo uma compreensão mais ampla do potencial terapêutico desses compostos.

A pesquisa reuniu especialistas de diferentes áreas, incluindo química inorgânica, cristalografia, biofísica e biologia celular. Segundo os autores, os resultados representam um avanço relevante, embora ainda preliminar, já que os testes foram realizados exclusivamente em ambiente laboratorial.

Os próximos passos envolvem estudos mais complexos para avaliar o comportamento dessas substâncias em organismos vivos. Somente após essas etapas será possível determinar se os compostos poderão futuramente ser transformados em medicamentos seguros e eficazes para uso clínico.

Assinam esta pesquisa os cientistas Alexandre B. de Carvalho (primeiro autor e pesquisador correspondente); Marcos V. Palmeira-Mello; Paulo N. de Souza; Saulo H. Mendes Abe; José Balena G. Filho; Marcelo B. Andrade; Rodrigo S. Corrêa; Alzir A. Batista e Javier Ellena (pesquisador correspondente).

Esta pesquisa contou com os apoios da FAPESP, FAPEMIG, CNPq e CAPES.

Confira no link o original desta pesquisa – https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsomega.5c11889

Rui Sintra – Assessoria de Comunicação – IFSC/USP